Amar Não É Pecado
11 Capítulo 10 – Eu tenho que ir… Adeus
Notas iniciais
Leiam as notas finais ok?
O capítulo está... Triste. Acho que é a palavra apropriada. De qualquer forma,
Boa leitura!
Goodbye, brown eyes.
Goodbye, for now.
Goodbye, sunshine.
Take care of yourself.
I have to go, I have to go,
I have to go, and leave you alone
But always know, always know,
Always know, that I love you so
I love you so, oh
I love you so, ooh
(AvrilLavigne – Goodbye)
5 anos antes…
PDV Edward
Assim que saí da casa dos meus pais, soube que precisava de sumir por algumas horas. Foi com esse pensamento que dirigi até o apartamento, aquele que supus ser o local ideal para ficar sozinho, e absorver os últimos acontecimentos, se é que isso era possível. Essa era realmente a minha intenção, embora tenha me arrependido no instante em que coloquei os pés dentro daquele espaço.
As fotografias…
O cheiro…
As lembranças…
Tudo o que me remetia a Bella. A minha Bella. Sim, ela sempre seria minha, não importava o que acontecesse a seguir.
Entrei na cozinha, peguei uma garrafa de bebida que havia por lá, e sentei no chão, degustando o amargo sabor que arranhava a minha garganta. O tempo passou, e a certa altura, abracei os joelhos, me deixando desabar.
Chorei, posso dizer que chorei mais do que nunca. Chorei por mim, chorei por ela, chorei pela família que idealizei um dia, e que provavelmente jamais teria com ela. Chorei por me sentir traído, chorei por me sentir perdido, chorei por me sentir vazio. Os motivos eram tantos, e todos eles me levavam a uma única saída... Chorar.
Talvez essa fosse uma ocasião em que adoraria dizer que os homens não choram. Seria tão mais fácil se eu constatasse veracidade nessa frase. Mas eu sabia que era impossível. A minha mãe sempre me ensinou que os grandes homens choram, e é assim que se distinguem os fortes dos fracos. Porque a fraqueza da vida não está na capacidade de sentir, mas na falta dela. Só os que sentem choram, porque só os que choram são humanos. É assim a lei da vida, negar não modifica nada.
Eu queria ter coragem de enfrentar os meus pais, colocá-los contra a parede, e obrigá-los a contarem tudo sobre esse assunto que, aos poucos, me levava para um abismo sem fim. Admito que essa seria uma hipótese, mas o que isso alteraria? Eu escutei o essencial, eu soube que podia ser irmão da mulher que amava. Isso não era o bastante? Se por um acaso, essa dúvida se transformasse numa certeza, seria capaz de lidar com o sofrimento que infligiria a Bella? Não, eu não seria. Pode parecer precipitado, errado, ou qualquer outra coisa parecida, mas eu não podia fazer isso.
Egoísta? Talvez eu estivesse sendo, não tenho certeza. Egoísta por amar tanto e não querer partilhar o motivo da minha dor. Eu suportaria esse peso sozinho, Bella já teria com o que se preocupar, eu sabia que no momento em que a deixasse, o seu mundo também iria ruir. Sim, eu teria que abandoná-la, não tinha outro jeito, pelo menos não um jeito mais fácil. Contar a verdade não estava nos meus planos, isso a machucaria demasiado, bem mais do que me perder, ou até me odiar, como eu imaginava que acabaria por acontecer. As pessoas seguem em frente quando uma relação termina, mesmo se o amor prevalecer. Dói, não digo o contrário, mas mataria lentamente, se você olhasse para a pessoa com quem você passou os melhores anos da sua vida, e soubesse que ela é sangue do seu sangue. Ninguém conseguiria lidar com algo assim. E era com nesse ponto de vista, que se baseava a minha decisão de ocultar a verdade a Bella. De um jeito terrível, eu evitaria que ela sofresse mais do que o necessário.
Todo o mundo comete erros, esse poderia ser mais um, mas eu estava agindo de acordo com aquilo que achava correto. Ninguém tinha o direito de me julgar, pois ninguém sabia o quão quebrado eu estava.
E foi depois de todas essas reflexões que cheguei aqui. Não podia adiar o inadiável, o final seria o mesmo...
Toquei a campainha da casa de Bella, eu sabia que ela ainda me esperava, a minha menina deveria estar preocupada, e o pior é que tinha razões para tal. Respirei fundo várias vezes, me lembrando de tudo o que me levou até ali. Não podia fracassar, ela merecia que eu fosse mais forte, mesmo que para isso eu tivesse que ser outra pessoa. Bastou esse pensamento para que minha postura ficasse automaticamente mais rígida, o meu rosto adotou uma expressão séria, era tudo uma mascara, a minha única saída para o que estava prestes a fazer. Mais tarde lidaria com o meu interior, aquele que já estava destruído, mas que só se manifestaria mais tarde.
Segundos, foi isso que tive até me deparar com a frágil figura morena à minha frente. Engoli em seco, a vontade de chorar voltara, mas eu mantive o personagem o melhor que pude. O Edward apaixonado tinha que desaparecer naquele momento, não haveria espaço para ele, porque a decisão estava tomada, e ela era definitiva.
– Edward! – escutei o seu grito, sentindo logo em seguida, os seus braços me apertarem com força – Oh meu amor, eu estava tão preocupada, você não imagina. Você desapareceu – dizia sob soluços, o que me deixou ainda mais angustiado.
O seu corpo junto ao meu, as sensações que o seu toque me proporcionava, eu não podia retribuir, mas aproveitei o máximo que pude, seria aporra da última vez. Toda ela tremia, eu pude sentir o alívio que aos poucos ela adquiria. Queria poder dizer que estava tudo bem, que ela não precisava se preocupar, mas eu não podia. A sua mão agarrou a minha, e me puxou para dentro da casa, nem tinha reparado que ainda estávamos do lado de fora. Bella olhou para mim, sem desviar o olhar, eu sabia que mesmo às escuras, ela entendeu que algo estava errado.
– Amor? – chamou por mim – Você está bem? Eu fiquei esperando por você, liguei para Alice e tudo. Você não atendeu o celular, não me avisou que chegaria tão tarde – falava rapidamente, demonstrando que o seu nervosismo voltara – Edward, me responde, por favor – pediu ansiosa.
– Bella… — pronunciei o seu nome com dificuldade, eu não estava pronto para dizer adeus.
– Você bebeu? – só faltava isso, ela pensar que eu estava bêbado.
Abanei a cabeça e esclareci o assunto.
– Oh Bella, eu estou bem – respondi, mesmo que as minhas palavras não fossem sentidas, pelo menos não num sentido literal.
– Amor me diz o que você tem? – se aproximou de mim, beijando o meu rosto – Eu tive tanto medo… Medo que algo de mal tivesse acontecido com você – continuou distribuindo beijos, até chegar àminha boca – Você não imagina o meu desespero baby, mas agora está tudo bem, você está aqui – parei de respirar ao sentir os seus lábios sob os meus, um beijo casto, cheio de suavidade.
– Bella, eu… — travei, aquilo não estava certo, não podia acontecer.
Ela se manteve perto, lutando para entender as minhas reações. Eu precisava de espaço, tê-la tão perto me deixava tonto, como se esquecesse o real motivo que me levara ali. Por Deus, ela podia ser minha irmã. Afastei ligeiramente os nossos corpos, deixando apenas a minha cabeça encostar na dela. Como é que um sentimento tão grande como o nosso podia ser pecado? Eu amava Bella, com todas as minhas forças. E era em nome desse amor, que eu precisava ter consciência dos meus atos. Eu sentia as nossas respirações se cruzando, com um mínimo movimento, as nossas bocas se juntariam novamente. Não podia permitir, podia?
Parecendo observar o meu dilema, Bella tomou a decisão por mim, e me beijou mais uma vez. Me mantive parado, sem saber como proceder, aquilo era errado, e ao mesmo tempo bom demais. Bella notou a minha rigidez, mas isso não a impediu de continuar me beijando, muito pelo contrário. A sua entrega foi maior e, aproveitando a minha não interferência, fez com que as nossas línguas se encontrassem. Desnecessário seria dizer, que a partir daí, qualquer raciocínio existente, foi enviado para outro planeta. Não tinha como não me entregar aquele gesto de amor, também ele seria o último que eu levaria comigo. Agarrei a sua cintura, trazendo-a para mais perto, e me despedi apropriadamente. Era um adeus ao amor, ao carinho, à paixão… Era um adeus à vida que eu sonhei e que não se iria realizar.
O beijo terminou, a realidade voltou e eu afastei-a novamente. Agora para valer. Estava na hora e eu sabia disso.
– Edward? – mordeu os lábios, visivelmente confusa.
– Acabou Bella – soltei com a maior frieza que consegui, não havia um jeito para minimizar o dano.
– O que é que acabou Edward? – chegou mais perto, não entendendo, ou não querendo entender o que acabara de escutar.
– Nós dois, essa relação. Está tudo terminado entre a gente – respondi sem hesitar, enquanto gritava por dentro o quanto a amava.
Não me odeie – pedi para mim mesmo em pensamento, mesmo sabendo que não tinha qualquer direito – Eu te amo tanto minha Bella, nunca te esquecerei – me declarava ainda em pensamento, sabendo que jamais poderia voltar a dizê-lo em voz alta.
PDV Bella
As palavras não saiam de dentro de mim. Eu olhava para Edward, tentando achar um resquício de brincadeira na sua expressão, mas não encontrava nada. Ele tinha que estar brincando, aquilo não podia ser verdade.
- Como? – murmurei, abrindo e fechando a boca não sei quantas vezes, sem conseguir dizer mais nada.
- Foi isso que você ouviu Bella, para que repetir? – falou calmamente, como se não tivesse importância.
- Não – sussurrei – Para Edward, isso não tem graça –expliquei, aumentando o tom da minha voz.
- Você sabe que não estou brincando – afirmou – Tenho a certeza disso – concluiu.
- Eu não… Eu… — comecei a gaguejar, já sentindo as lágrimas no meu rosto – Você não pode estar falando a sério – encarei-o, esperando que ele me desse razão.
- Eu estou – suspirou – Acabou Bella – voltou a repetir.
- Não, não. Isso não pode… Para, chega! Eu não quero escutar. – gritei – Você não pode fazer isso comigo, não pode – bati no seu peito, derramando várias lágrimas durante o processo – Você não está me deixando – aproximei os nossos rostos – Você me ama baby – falei dando um pequeno sorriso – Eu te amo. Está tudo bem, seja o que for que aconteceu, vai ficar tudo bem – garanti, me agarrando ao seu pescoço e me esforçando para beijá-lo.
- Para com isso Bella, por favor – senti os seus braços me afastarem, antes que pudesse fazer qualquer coisa – Eu não quero mais isso. Entendeu? Eu não… Quero – disse pausadamente.
Senti os meus joelhos cederem, Edward não estava brincando. Deslizei até o chão, sufocando com a dor que se formava dentro de mim. Todos os nossos planos, o nosso amor… Ele estava acabando com tudo. Porquê?
- Porquê? – falei agora em voz alta, eu precisava saber.
Ele pareceu hesitar, mas respondeu à minha pergunta.
- Recebi um convite irrecusável em Los Angeles. Será o começo da minha carreira, é tudo o que eu sempre quis – explicou dando um sorriso que me pareceu irônico – Não funcionaríamos à distância, tenho certeza disso, não preciso pensar melhor, nem ponderar outra solução.
- Está me trocando pela sua carreira… É isso? – funguei sem querer acreditar – Nem quis ponderar a nossa relação – soltei baixinho, tentando absorver aquelas palavras tão duras.
Silêncio.
- Sim, é o meu sonho. Você sempre soube o quanto desejei uma oportunidade, e agora que estou tendo uma, não posso recusar – reforçou a ideia.
Mais silêncio.
Eu não sabia o que dizer, até porque ele tinha deixado bem claro a sua decisão. Estava sendo descartada, como se não valesse nada. Como é que ele podia fazer isso comigo? Tantos anos que passamos juntos, e agora… O meu mundo estava virado do avesso.
Prestei atenção quando Edward se virou de costas, e caminhou até à porta. Então era assim? Ele me dizia que estava tudo terminado e ia embora?
- Você me ama? – só me restava saber isso, mesmo prevendo a sua resposta.
O vi estacar no lugar onde estava.
- O que é o amor? – retrucou, mexendo nos seus cabelos revoltos –Amar é tão relativo. Muitas vezes amamos sem saber, outras vezes pensamos amar e nem sabemos o que isso é. Acho que existem várias maneiras de amar, e em todas elas existem prós e contras. Coisas que fazemos por amar alguém… Às vezes podem parecer injustas, difíceis de aceitar, mas ainda assim é amor – soltou uma risada que não parecia sincera – Sim, eu te amo. Sempre amei. Tem coisas na vida que a gente só entende quando acontecem, talvez tenha chegado a minha hora de compreender isso.
- Quem ama não machuca – declarei ainda mais abalada.
- Não – me olhou por cima do ombro — Quem ama procura evitar que se machuque tanto – disse com fervor.
- É isso que você acha que está fazendo? – mordi o lábio com força, ignorando a dor que isso me proporcionou.
- É isso que eu sei que estou fazendo – afirmou – Eu tenho que ir.
- Então é mesmo um adeus? – coloquei as mãos no chão, me impedindo de olhar na sua direção.
- Sim.
Escutei o barulho da porta, ele já a tinha aberto. Mais alguns instantes e eu o perderia.
O meu choro se intensificou, a realidade estava se apossando de mim, eu sentia um buraco gigante se formando no meu coração. Eu sabia que não havia nada a fazer, Edward não deixou margem para dúvidas.
- Adeus olhos castanhos – escutei, relembrando de imediato a quantidade de vezes em que trocamos esse tipo de despedida, embora ela nunca tenha sido feita de um modo tão triste.
- Adeus meu amor – retornei, do modo como sempre fiz, sabendo que agora não tinha mais volta.
Só o som da porta fechando foi alvo de atenção. Todo o resto era agora escuridão.
Link da música do capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=B2s8tH1bCvo
Notas finais
Olá meninas! Espero que estejam todas bem!
Bom, vocês não tem noção do quanto eu demorei pra escrever esse comentário. Simplesmente porque fiquei triste ao ponto de chorar e não querer fazer mais nada... Mas vamos lá...
Sabíamos que esse capítulo seria difícil, não é?! O final de toda relação onde ainda existe um sentimento verdadeiro, é muito difícil. Não consigo imaginar quem sofreu mais com esse rompimento. Se foi Edward por saber da verdade, que eles podem ser irmãos de sangue e estariam cometendo um pecado. Ou se foi Bella, pela justificativa que Edward lhe deu, dizendo que recebeu uma proposta para firmar sua carreira em Los Angeles... Como é difícil ouvir de quem se ama, que ele está lhe trocando pelo trabalho. Só o que posso desejar agora é que a história acabe bem para os dois!
Vamos lá deixar muuuitos reviews e recomendações em #ANEP meninas! Tenho certeza que assim como eu, vocês também estão apaixonadas por essa história! ;)
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
JuhCantalice.
Notas da autora:
Oi gente!
Queria falar um pouquinho sobre o que aconteceu nesse capítulo, nas razões em que Edward se baseou, para decidir deixar a Bella.
Eu sei que muitas de vocês irão achar que ele foi precipitado, na verdade, eu também procuraria averiguar os fatos, antes de terminar tudo com a Bella. Acho que por ele ainda ser novo, não teve a maturidade necessária para lidar com o assunto de outro modo.
A Bella vai sofrer, é óbvio. E também sei que vocês vão pensar em criticar o Edward por isso. Mas eu queria que tentassem ver o lado dele. Imaginem que eles são mesmo irmãos, como é que ele iria contar isso para a mulher com quem passou os últimos anos? Acham que seria mais fácil para a Bella? Saber a verdade? Eu sei que há quem ache que sim. Na minha opinião, eu concordo com o ponto de vista do Edward, pelo menos quanto à sua omissão perante Bella. Acho que é muito mais fácil seguir em frente, depois de uma relação que chegou ao fim, do que seguir em frente por saber que a pessoa que eu amo é sangue do meu sangue.
Só quero que também vejam o lado do Edward. Ele fez o que fez também por amor. Por não querer que a Bella sofra ainda mais. Porque a seu ver, ela sofreria o triplo se tivesse que conviver com ele, sabendo que são irmãos (atenção que não estou confirmando isso, só colocando essa hipótese).
Ambos irão sofrer com este término. Não diminuam o que Edward sente, só porque ele não agiu da maneira que vocês acham mais correta. Nunca se esqueçam de que nem todas as pessoas agem da mesma forma, não somos todos iguais!
Agora queria saber o que acharam do capítulo. Eu vou ser sincera, não gostei do resultado final. Acho que por ser algo tão triste, me deixou desanimada com o capítulo. Em todo o caso, quero saber a vossa opinião! E espero que gostem rs
Me falem sobre o que estão pensando nos vossos reviews ok? Quero muito ter o vosso feedback! Se quiserem seguir o embalo da Isa, recomendações também são muito bem vindas ahah
Beijos para todos,
JessicaC
P.S: Me sigam no twitter genteeee. Eu adoro ficar falando por lá! @JessicaCharola
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