Amar Não É Pecado
10 Capítulo 9 – Caindo aos pedaços
Notas iniciais
Wanna know who you are
Wanna know where to start
I wanna know what this means
Wanna know how to feel
Wanna know what is real
I wanna know everything, everything
I don't wanna fall to pieces
I just wanna sit and stare at you
I don't wanna talk about it
And I don't wanna conversation
I just wanna cry in front of you
I don't wanna talk about it
‘Cuz I’m in love with you
(Avril Lavigne – Fall To Pieces)
5 anos antes…
PDV Bella
Despertei com uma sensação estranha dentro do peito. Acho que a convivência com Alice, que vive pressentindo coisas, está me deixando louca. Ignorando esse mal estar, levantei da cama e fui diretamente para o chuveiro. Sempre gostei de sentir o contato da água correndo pelo meu corpo, me fazia relaxar e era isso que eu estava precisando essa manhã. Quando terminei a ducha, voltei ao quarto e escolhi uma roupa casual para vestir. Só então reparei nas horas, o almoço não demoraria a sair.
Desci as escadas, sem pressa alguma, e sorri assim que coloquei os olhos na minha tia.
– Bom dia tia! – falei animada, depositando um beijo no seu rosto.
– Bom dia meu amor – devolveu o carinho – Dormiu bem?
– Dormi muito bem, até perdi a hora – sentei no sofá, ao mesmo tempo que voltei a sentir que algo estava errado.
– Algum problema? – tia Angela perguntou com preocupação, provavelmente por notar uma mudança na minha expressão facial.
– Bobagem tia – quis acalmá-la – O papai? – desviei o assunto, não queria explicar algo que nem eu compreendia.
– Na biblioteca, mas já vou chamá-lo. O almoço está pronto a ser servido – respondeu com um sorriso tímido.
Sempre seria assim, bastava falar em Charlie, para que a minha tia esquecesse o resto. Já há muito tempo sabia da paixão que eles nutriam um pelo outro, porém, não era algo que algum deles estivesse disposto a admitir, pelo menos para mim. Eu não entendia o porquê desse comportamento, jamais me oporia a um relacionamento entre os dois, muito pelo contrário. Desde que a minha mãe morreu, sei que papai nunca mais se envolveu com outra mulher, mas também sei que a única capaz de fazê-lo voltar a amar, seria tia Ângela. Admito que muitas pessoas poderiam estranhar um romance entre eles, por saberem que minha tia era irmã da minha falecida mãe, mas eu nunca os julgaria. Sei bem que esses sentimentos não se controlam e para todos os efeitos, foi tia Ângela que me criou. Se havia alguém merecedor de compartilhar a vida com o meu pai, esse alguém era a mulher que dedicou a sua vida a mim e, em parte, também a ele. Talvez ainda não fosse a melhor hora mas, um dia, eu ainda lhes diria todas essas palavras.
– Bella? Está me ouvindo?
– Sim tia, me desculpe a distração. Vamos então?
xxx
– Almoçando em casa e sem o seu namorado? – Charlie comentou durante o almoço.
– Ah pai, quem te ouvir falar, vai pensar que eu nunca estou sozinha – resmunguei.
– Deixe a menina Charlie – tia Ângela intercedeu por mim – Com certeza ela sentiu falta da sua família – piscou o olho, sempre cúmplice.
– Ou então Edward não pôde estar com ela… — tentou me irritar, e pior, estava conseguindo.
– Ele estava ocupado – resolvi confirmar a sua teoria – Embora não me dissesse com o quê. Ontem se despediu dizendo que só poderíamos estar juntos de noite – encolhi os ombros, sem ter mais nada que dizer.
– Ficou chateada querida? – minha tia perguntou compreensiva.
– Não, acho que um pouquinho desiludida – suspirei — Eu só achei que fossemos aproveitar melhor o fim de semana, estivemos separados ainda há pouco tempo, quando Edward teve que sair da cidade, e na próxima semana terei que estudar para as provas que estão chegando – era nesses momentos que eu odiava estar na faculdade, até porque não era bem esse o meu sonho.
– Você falou isso a Edward? Talvez ele não se tenha percebido – disse com carinho – Aquele menino é louco por você, se imaginasse que você ficaria assim, o mais provável era não ter desgrudado.
– Eu sei que ele não fez por mal tia – apertei a sua mão, que estava ao meu lado – E eu não quero parecer daquelas namoradas sufocantes, até porque não é esse o caso. Além do mais, sei que ele deve ter algo realmente importante para fazer, caso contrário, também sei que estaria aqui – afirmei sem dúvidas.
– É… — papai fez uma careta – Quanto te ouço falar assim, percebo que está uma mulher Bells. Sabe o que quer e consegue ter maturidade suficiente para lidar com as situações de uma relação. Por mais que me custe vê-la crescer, deixando de ser a minha menininha, eu estou realmente orgulhoso filha!
Escutar aquelas palavras de Charlie, me deixava particularmente emocionada. Ele nunca foi de se expor os seus sentimentos com facilidade e, quando o fazia, era porque estava realmente impressionado. Eu sabia que meu pai me amava, mesmo que ele não o dissesse com regularidade. Acho que sempre mantivemos essa postura mais reservada, um com o outro, mas isso não diminuía o tamanho do amor que sentíamos um pelo outro. Ambos tínhamos consciência da importância que tínhamos na vida um do outro, e isso era o bastante.
– Obrigada pai – agradeci rapidamente – Você sabe que no fundo, sempre serei a sua menininha – sorri, recebendo uma risada em troca.
– Tem razão. E espero que Edward nunca se esqueça disso – adotou novamente a condição de pai protetor, embora ainda esboçasse um pequeno sorriso no canto da boca.
– E a sobremesa, quem vai querer? – tia Ângela se pronunciou, chamando a nossa atenção.
Em casa de família gulosa, como resistir à tentação?
xxx
A tarde passou e nem sinal do meu namorado. Eu estava curiosa para saber o que ele andava aprontando, mas precisava esperar ele chegar, antes de perguntar alguma coisa. Edward tinha ficado de passar aqui em casa, já no final da tarde, por isso resolvi me arrumar. Provavelmente sairíamos para jantar, e terminaríamos a noite no nosso apartamento.
Sentei na cama, junto com o meu notebook, e fiquei passando algumas letras de música, que já tinha escrito num caderno. Eu gostava das novas tecnologias, mas nada melhor do que compor uma letra, escrevendo à mão. Tinha prazer em fazê-lo, a inspiração parecia maior. Não sei se isso fazia muito sentido para as outras pessoas, mas para mim era algo natural.
As horas passaram sem que eu percebesse. Quando dei por mim, já tinha digitado mais de uma dúzia de letras no computador. Franzi o cenho e peguei no celular — 21 horas — observei na tela. Onde estaria Edward? Ele nunca me deixava sem notícias durante tanto tempo. Senti aquele mau pressentimento voltar e não perdi tempo, liguei para ele. Tentei 3 vezes seguidas, mas nada dele atender. Respirei fundo, perder a calma não me levaria a lugar nenhum. Outra ideia surgiu na minha cabeça, e disquei o número de telefone que eu conhecia tão bem.
– Oii cunhadinha! Tudo bem? – Alice atendeu ao segundo toque.
– Alice você sabe do seu irmão? – fui direta ao assunto.
– Quanta educação hein dona Isabella? – retrucou, fazendo ênfase no Isabella – Posso saber qual o motivo da pressa? – questionou antes de responder.
– Eu não sei Alice, só estou preocupada porque não falo com Edward desde a noite passada. Ele ficou de passar aqui no final do dia, e até agora nada – expliquei resumidamente.
– Hum, estranho – disse baixinho, mas ainda consegui escutar – Já tentou ligar para ele?
– Claro Alice. Ele não atende o celular, por isso resolvi ligar para você. Mas você ainda não me respondeu, isso quer dizer que não sabe do seu irmão? – insisti.
– Eu já o vi hoje sim, até lanchamos juntos – divagou – Mas depois disso eu saí para encontrar com Jasper, e quando voltei a casa, Edward já não estava. Pensei que a essa hora já estivesse com você. Ele também me disse que iria te encontrar mais tarde – confirmou.
– Porque é que ele não atente a porcaria do telefone? – falei irritada – Estou esperando há horas e nada dele aparecer – no fundo eu sabia que não era isso que me estava deixando nesse estado, só não queria preocupar Alice.
– Calma amiga, com certeza ele deve ter uma boa explicação para o atraso. Você sabe que Edward não costuma agir assim – relembrou.
– Esse é o problema Ali, estou achando tudo muito estranho… — desabafei insegura – Tenho medo que algo grave possa ter acontecido – sussurrei com a voz tremula, após colocar para fora esse pensamento.
– Bella… Aconteceu mais alguma coisa para que você esteja tão preocupada? – a perspicácia sempre foi um dos seus fortes – Eu também não acho muito normal esse súbito sumiço, mas você parece realmente aflita. Me conta o que está acontecendo – pediu.
– Eu não sei Alice, eu juro que não sei. Essa manhã acordei com uma sensação ruim, um aperto no peito, sabe? Eu não costumo ligar pra essas coisas, você sabe, mas agora não consigo evitar de pensar nisso – terminei de falar, já sentindo o nó se formando na minha garganta.
– Você também? – o seu tom de voz aumentou, algo estava realmente errado – Eu também senti que algo aconteceria hoje – disse com mais tranquilidade – Mas Bella, pode não ser nada relacionado com Edward. Às vezes essas coisas acontecem sem motivo.
– Oh Alice… — suspirei e fechei os olhos.
Eu sabia o que a minha amiga estava fazendo. Se ela também tinha sentido algo, isso significava alguma coisa, até porque ela nunca falhava. Eu sei que pode parecer loucura, mas Alice parecia ver sempre mais além. Nunca quis dar importância a isso, mas também nunca ignorei os seus pressentimentos. E nesse momento, eu sabia que algo tinha realmente acontecido. Alice só estava tentando me distrair, para que eu não ficasse mais preocupada do que já estava.
– Quer que eu vá te ver? — perguntou de repente, quebrando o silêncio que se tinha instalado.
– Não precisa, eu vou ficar em casa, esperando o seu irmão dar sinal de vida – resolvi aparentar um pouco mais de serenidade – Mas se ele aparecer por aí, me avisa ok?
– Pode deixar, eu farei isso – concordou – Qualquer coisa pode me ligar de novo. Beijos, se cuida! – se despediu cautelosa.
– Beijos Alice – desliguei a chamada.
– Edward, baby, cadê você? – falei em voz alta, antes de me jogar na cama.
xxx
Não sei bem como, mas acabei adormecendo. Quando acordei, percebi que já era de madrugada. O celular estava do meu lado, sem nenhuma mensagem, apenas uma chamada de Alice. Retornei rapidamente, não me importando com as horas, e quando a baixinha atendeu, disse que só queria saber se Edward já estava comigo. A ligação durou apenas alguns minutos, eu não sabia de nada, ela também não, e o meu coração estava cada vez mais acelerado. Experimentei ligar novamente para Edward, e dessa vez deu caixa postal, o celular estava desligado. Como é que Alice ainda me dizia para não me preocupar? Eu estava ficando verdadeiramente assustada.
Saí do quarto já com lágrimas nos olhos, e desci as escadas correndo. Edward poderia ter chegado, me visto dormir, e ter ficado na conversa com o meu pai. Isso já havia acontecido. Queria acreditar nisso, mas assim que cheguei à sala, a minha esperança se desfez. Estava escuro, ninguém circulava pela casa. Deveriam estar dormindo.
Caí de joelhos perto do piano, a sensação ruim tinha piorado. Eu sabia que tinha a ver com Edward, não podia-me iludir. Os minutos passavam e eu permanecia estática, não tinha reação. O silêncio era destruidor, aumentava ainda mais a angústia que eu estava sentindo. Apertei o botão do celular, que remarcava o último número, ou seja, o de Edward, mas o celular continuava desligado. Eu estava sufocando sem ter notícias, quando o barulho da campainha surgiu. Precisei de alguns segundos para me mexer, o processo só foi acelerado quando ponderei que a pessoa atrás da porta poderia ser Edward.
Eu não perdi mais tempo, nem mesmo olhando para ver quem estava do outro lado, apenas destranquei a porta e abri de rompante. As lágrimas que escorriam na minha cara, receberam uma nova camada por cima, pois não aguentei e chorei mais forte.
– Edward! – gritei e pulei em cima dele, me agarrando com força, tremendo por todos os lados, mas aliviada por tê-lo nos meus braços – Oh meu amor, eu estava tão preocupada, você não imagina. Você desapareceu – solucei enquanto falava.
Permaneci uns instantes parada, apenas sentindo o calor do toque entre os nossos corpos. Quando me dei conta que estávamos do lado da rua, puxei-o para o interior da minha casa, e finalmente pude observá-lo com atenção. Mesmo às escuras, vi que a sua fisionomia não era das melhores. Edward não estava bem, e ainda não havia dito uma única palavra.
– Amor? – chamei – Você está bem? Eu fiquei esperando por você, liguei para Alice e tudo. Você não atendeu o celular, não me avisou que chegaria tão tarde – estava atropelando as palavras com a rapidez com que falava, mas não me importei – Edward, me responde, por favor – pedi com ansiedade.
– Bella… — murmurou, a sua voz parecia arrastada.
– Você bebeu? – só agora tinha notado o cheiro de álcool.
– Oh Bella, eu estou bem – ele parecia triste, mas não bêbado.
– Amor me diz o que você tem? – me aproximei, beijando o seu rosto – Eu tive tanto medo… Medo que algo de mal tivesse acontecido com você – continuei distribuindo beijos, até chegar à sua boca – Você não imagina o meu desespero baby, mas agora está tudo bem, você está aqui – aproximei os nossos lábios e beijei-o com suavidade, só queria senti-lo.
– Bella, eu… — senti o seu corpo ficar tenso.
Não entendi a sua reação, mas esperei o seu movimento seguinte. Edward parecia estar se debatendo, como se não soubesse o que fazer. Ele afastou ligeiramente os nossos corpos e encostou a sua cabeça à minha, deixando que as nossas respirações se cruzassem. As nossas bocas estavam novamente próximas e eu, agindo por impulso, juntei-as sem qualquer tipo de aviso. Mais uma vez senti Edward retesar, mas não parei, continuei o nosso beijo, e só quando as nossas línguas se encontraram, é que Edward pareceu esquecer as dúvidas e devolver o carinho com volúpia. Os seus braços agarraram a minha cintura, com força, e o nosso beijo se tornou mais intenso do que nunca. Era como se a nossa vida dependesse dele.
Paramos quando o ar faltou, e após poucos segundos, Edward voltou a ficar tenso, e me afastou com alguma brusquidão.
– Edward? – mordi o lábio, confusa com aquele gesto.
– Acabou Bella – disse friamente.
– O que é que acabou Edward? – cheguei mais perto, não entendendo o que é que ele estava falando.
– Nós os dois, essa relação. Está tudo terminado entre a gente – respondeu sem hesitar.
Link da música do capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=BGh0CcbVoPQ
Fale com o autor