Amantes de Sangue

2 Capítulo 2 ARCAM DE PANDORA (A caixa de Pandora)


Notas iniciais
Bem, aí está mais um capítulo! Agradecimentos super especiais à minhas amadas: LEMONY, JURIETTO, ANGELIQUE, AGHATA MARIE, NEKKOCHAN, HINATAILOVE, TUANY, SHALL, DOCE AMARGA, VANESSA BRAGA DA SILVA, CIÇA, NANE YAGAMI, DDKCAROLINA e aqueles que curtem de mansinho e escondidinho. Bjs e obrigada pelo enorme carinho e pela honra!!

"De tua arca, escapam as delícias e horrores

De teus lábios, mentiras, ofegos e dores

Mas como chama, vivo o sopro, faço dançar a alma

E em tua escuridão me entrego, deixo adentrar o punhal que fere e mata..."

Márcia acordara com a cabeça pesada. A nova escrava olhava com estranheza para a mulher com olheiras profundas e constante amargura na voz. Ruana, a antiga escrava havia sido crucificada por ter simpatizado com a causa do gladiador conhecido como Scorpionis.

A imperatriz ainda podia ouvir os gritos dela, enquanto os cravos eram pregados nos pulsos delicados. Uma parte sua fora vingada, mas a outra... Aquela que a fazia lembrar-se, constantemente, que não significava nada para o marido e que a crucificação tinha sido uma forma de referendar o seu poder, essa doía até mais e nem o vinho mediterrâneo conseguia extingui-la. E agora havia a amante, a jovem Pandora.

— Onde está minha filhinha? – perguntou ela à escrava.

A pequena Júlia está com a... a... domina Pandora.

Uma expressão de fúria crispou o rosto de Márcia.

— Vá buscá-la, imediatamente! Não quero minha filha nas mãos dessa... vadia!

— S-Sim, domina.

A escrava saiu quase correndo e Márcia levantou-se com dificuldade. Vestiu as sandálias e tentou ajeitar os cabelos, sozinha. Quando terminou, dirigiu-se até o grande salão onde o imperador recebia os senadores e o povo. Titus a viu entrar e sua expressão endureceu.

— Pode me receber... grande César?— disse ela e sua voz enrouquecida reverberou pelas paredes e colunas.

— Estou em reunião, como bem pode ver. – disse ele, seco.

— Ah, esqueci... meu nome não é Pandora e eu não tenho a boceta dela, não é mesmo? – gritou Márcia.

— Contenha-se, mulher!

— Conter-me? Você fode com aquela rameira e a exibe em todos os espetáculos como se ela fosse a imperatriz! No fim, sou quem parece a cadela vadia e abandonada!

Titus sinalizou para um dos guardas e ele pegou Márcia pelo braço, retirando-a da sua presença e dos demais.

— Me solte! Eu sou a imperatriz! Eu não sou uma qualquer! Meu pai vai saber disso!

No mesmo instante, Pandora surgia com a pequena Júlia pela mão. A escrava que fora procurá-la, agora pegava na mão da criança e ia em direção à Márcia que se desvencilhava do soldado e abraçava a filha, aos prantos.

— Stela, leve minha mulher e minha filha para o quarto.

— Sim, César.

Pandora fez uma reverência muda e deixou o salão, enquanto Titus retomava o assunto com os senadores. Nenhuma palavra sobre aquele incidente fora dita por quem ali estava e Titus também não tocara mais no assunto, embora internamente, estivesse furioso. Não sabia mais o que fazer com sua mulher e não conseguia esquecer que possuía dois filhos varões, homens que poderiam estar ao seu lado e que, no entanto, seriam caçados e destruídos.

— Está se sentindo bem, César? — perguntou Constantino, um dos senadores mais velhos.

— Sim, estava apenas devaneando. A doença de minha mulher se agrava, mas isso é um assunto privado. Vamos continuar o assunto, senhores. Estou empreendendo todos os esforços para retomar a hegemonia romana no que se refere ao assunto gladiadores. Aqueles que permanecem foragidos vão ser encontrados, capturados e mortos!

Risos e aplausos irromperam após a fala do imperador e ele sorriu, evitando que um pouco da amargura que sentia escapasse na expressão de seu rosto.

Enquanto isso, perto dali, Pandora aproximava-se da nova escrava com uma voz macia e um olhar perscrutador...

— Notei que a imperatriz está nervosa... E... ela me detesta, não é?

Com uma expressão confusa, a escrava elevou os olhos.

— N-Não sei, domina.

Pandora riu, depois se aproximou de forma sinuosa da escrava, tocando-lhe os cabelos escuros e um pouco emaranhados.

— Eu sei ser generosa com quem me é fiel... Minhas escravas são limpas e tem algumas regalias como cabelos bem penteados e roupas adequadas. – disse Pandora pegando nas vestes esfarrapadas de algodão grosseiro. – Como é mesmo o seu nome?

— Stela, domina.

— Stela... que nome sugestivo. Sabia que este nome significa estrela?

— N-Não, domina.

— Pois significa e... assim como as estrelas brilham de forma diferente, você pode escolher entre ser uma de brilho pálido e apagado ou... brilhar de forma intensa. Seja minha amiga e não vai se arrepender.

A jovem escrava elevou os olhos e fitou dentro dos olhos violáceos de Pandora. Estava ali há pouco tempo, mas sabia do interesse do imperador por ela e, em sua mente, ocorreu-lhe que escolher o lado da amante seria mais proveitoso que o da esposa.

— Estou ao seu dispor, domina. — disse a jovem, por fim.

— Excelente escolha, minha cara... Fique atenta e espere minhas instruções. Agora vá atender a sua senhora.

Stela curvou-se e saiu, enquanto Pandora sorria e passava os dedos na textura da coluna dórica que elevava-se, sustentando o teto em forma de abóboda. Ah, meu querido Hades... Se, realmente existe algo que herdamos dos parentes, eu herdei a sua capacidade de subverter a ordem das coisas...

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As aulas de leitura e escrita cediam o tempo para as do manejo da espada. Milo mostrava ao menino encorpado a melhor maneira de estocar o golpe com a espada curva quando a menina franzina e de fartos cabelos loiros se apresentou para a aula.

— Já é a hora da lição das meninas, não é? – perguntou ela, enquanto Milo ainda instruía o garoto conhecido como Yohma.

O menino olhou-a com desprezo e riu.

Isso aí querendo aprender a lutar? Vá se enxergar, menina esquelética! – disse ele.

Verônica franziu o cenho e deu um passo à frente.

— Pois eu ganho de você, se quer saber! – respondeu ela, enfrentando-o.

Yohma olhou para Milo e depois para a menina.

— Ora, ora... acho que temos um impasse, aqui. Yohma tem que aprender a não julgar pela aparência e... Verônica... É esse o seu nome, não? – falou Milo, recebendo a confirmação da menina. — Verônica, você vai ter que provar que Yohma está errado ou... certo em menosprezar as mulheres. Pois muito bem, em posição, os dois!

Yohma estufou o peito e segurou forte a espada de madeira na mão esquerda. Acostumado a ajudar nas construções, ele tinha um físico avantajado para um garoto de doze anos. Já Verônica, apesar de ter a mesma idade, era interessada, aguerrida, mas magra de aparecer os ossos...

Milo olhou para os dois, atirando uma espada de madeira para a menina. Depois deu o sinal e a luta começou. Os outros meninos apoiavam Yohma e as meninas se dividiam entre Verônica e o garoto bonitinho que, inclusive, já tinha se engraçado com algumas delas...

Demorou alguns segundos, até Verônica cair sentada, com seu bracinho tremendo pelo impacto forte com que Yohma se lançara contra ela.

— S-Seu filho da puta... Não vou me entregar. – murmurou ela.

Os risos se intensificaram dos dois lados. Yohma girava a espada na mão e se mostrava como se estivesse em uma arena.

— Acho que eu tenho razão... – devolveu ele.

Milo viu que a menina ofegava e apertava a espada, que tremia junto consigo.

— Em pé, Verônica. – disse ele, bem sério. – E você, Yohma, tire esse sorriso do rosto! Nunca deve subestimar seu adversário ou logo será um homem morto.

Yohma parou de sorrir e Verônica se levantou, sacudindo a poeira das vestes. Milo aproximou-se dela e cochichou algo em seu ouvido. A menina franziu o cenho, depois tornou a encarar seu instrutor com uma interrogação nos olhos. Recebeu um sorriso de Milo que a empurrou na direção de Yohma.

— Lutem!

Desta vez, foi Verônica que atacou e Yohma rechaçou seu golpe com facilidade. O som oco da madeira se fez ouvir, quando ele revidou com força e ela aparou o golpe no mesmo instante em que o chutava no joelho. O garoto recuou com uma expressão de dor e fúria. Então contra-atacou e ela esquivou, virando a espada de forma a bater-lhe no flanco esquerdo próximo às costelas. Ele ofegou e dobrou o corpo. Foi então que Verônica abaixou-se e passou-lhe uma rasteira, fazendo-o desabar de costas e levantar poeira do chão. Verônica, então, encostou a ponta da espada em seu pescoço.

— Faça! – disse ela e o garoto fez o sinal de rendição com os dedos.

Os risos cessaram e um murmúrio formou-se de ambos os lados. Milo estendeu a mão para Yohma e olhou na direção de Verônica. Os cabelos claros e desgrenhados da menina não conseguiam esconder o sorrisinho de vitória, nem o olhar agradecido que ela lançou para Milo.

— Você é bom, Yohma. Sabe por que perdeu?

— Porque a subestimei e não acreditei que ela conseguisse... – murmurou o garoto.

— Exato. E também, porque eu disse a ela os seus pontos fracos e mandei que o atingisse em cada um deles.

Yohma arregalou os olhos.

— O s-senhor favoreceu uma garota?

— Não, eu favoreci uma guerreira em potencial, assim como você. Na batalha, Yohma, não existe sexo frágil, nem distinções, entendeu? Todos estão aqui para aprender a defender-se e àqueles a quem amam. Agora vá se lavar que está na hora da aula das meninas.

Verônica sorriu para Milo, depois ficou séria. Era apaixonada por seu instrutor de luta e um pouquinho pelo professor de leitura e escrita. No entanto, aquele garoto, Yohma, ela o detestava. Consegui tirar aquele sorrisinho besta da cara dele e também provei que posso ser magra e não muito bonita, mas sou melhor que aquela vaca da Vitória com quem ele vive se engraçando!

Milo olhou na direção de Camus que sorria, discretamente. Então voltou a instruir as crianças, enquanto ansiava pelo momento em que treinaria com o ruivo e depois o tomaria nos braços e o amaria pela noite adentro...

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Misty havia saído cedo. A vida naquele refúgio, desde que aqueles homens haviam se instalado ali, seguia a mesma rotina aborrecida. As manhãs eram dedicadas ao aprendizado da escrita, leitura e espada, pelas crianças e à tarde era a vez dos adultos e do trabalho com animais e horta.

Albafica, El Cid, Aldebaran, Mu e Aiolia haviam viajado para algumas pequenas cidades negociar alguns produtos desenvolvidos no refúgio, enquanto Afrodite e Máscara da Morte cuidavam da chegada dos navios mercantes, disfarçados para então negociar aquilo que não tinham condições de produzir.

Saga e Kanon permaneciam no refúgio contabilizando tudo o que já haviam conseguido e planejando novas frentes de trabalho e organização da segurança. Para isso, tinham em Milo e Camus lideranças-chave para ensinar as crianças e todo aquele disposto a aprender tanto a arte do intelecto, quanto a arte da espada.

Como havia muita movimentação, Misty aproveitara que não estava sendo cogitado para nenhuma atividade e decidira aventurar-se pela mata densa que o levaria, em segurança, em direção a algo excitante e que não fosse trabalho. Ele era um dos jovens mais belos daquele lugar e inteligente também. Entretanto, o trabalho braçal era por demais enfadonho e a escrita, assim como a leitura lhe eram familiares e não constituíam em nenhum desafio. Lutar? Bem, até gostava, porém esperava que isso lhe rendesse algo mais prazeroso na cama, o que não aconteceu. Porque então era sempre excluído de tudo como a viagem para negociar os produtos? Inveja da sua beleza? Certamente que sim, então iria à busca de um destino mais excitante e de homens que soubessem usufruir dos seus talentos...

Andou alguns metros quando ouviu o som de cascos. Eram muitos cavaleiros, pelo visto. Esgueirando-se entre as árvores viu uma tropa de soldados romanos, a águia sobre uma espécie de lança sinalizando que aquela era a quarta legião, composta por heróis que haviam combatido em Cápua. O homem que os liderava era de uma beleza de tirar o fôlego. Por Júpiter Optimus Maximus... Aquele homem é a personificação de um dos seus filhos! Pensou Misty ao ver o centurião Shura.

Shura cavalgava atento, informações desencontradas diziam que o refúgio dos gladiadores estaria sedimentado naquelas montanhas e eles já haviam cavalgado dias a fio sem encontrar nenhum indício do lugar. Para que o plano de Titus desse certo, ele deveria confrontar-se com os gladiadores e, então, passar para o lado deles. Não lhe agradava perder homens tão valorosos em favor de um ardil, por isso não cansava em tentar achar outro jeito de aliar-se com os homens que ajudara.

— Alto! – disse Shura ao perceber uma movimentação no interior da mata. – Claudius, pegue dois homens e investigue se há alguma cabana ou qualquer outra moradia por aqui.

— Sim, senhor!

Misty gelou. Não era bem isso que ele imaginara. Num primeiro momento, fantasiara algo excitante como chegar a Roma e agir como um espião. Vingar-se da recusa de Milo e acabar com todo aquele marasmo. Mas, era apenas uma fantasia que surgira na hora da raiva. Quando pensara melhor, vira que era como fincar a espada em si mesmo! Denunciar o refúgio acabaria com a sua própria vida também...

Tenho que me esconder! Aqueles dois estão vindo pra cá. Pensou ao ver que três soldados deixavam a estrada estreita e se embrenhavam na mata. Quando recuou o som de um galho seco quebrando denunciou sua posição. Ele correu, mas um dos soldados desmontou com extrema agilidade e o alcançou, atirando-se sobre ele e levando-o ao chão.

— Ai! Seu brutamonte! – gritou Misty.

— Centurião, olha o que achamos aqui, uma bela gazela!— disse Claudius segurando Misty pelo braço.

Shura olhou para Misty e logo, a imagem de Afrodite lhe veio à mente.

— Quem é você e o que faz aqui? – perguntou o centurião.

— Eu vim... vim colher algumas frutas silvestres. – respondeu o jovem.

— Frutas? Que frutas? Isso aqui é só mato. – disse um dos soldados.

Misty revirou os olhos.

— Deuses! Quanta ignorância!

— Olha seu...

— Claudius, pare! E você, venha comigo. – disse Shura chamando Misty.

O jovem foi, depois de olhar para o soldado com desprezo. Andou sinuoso, sabendo que a túnica curta deixava antever a curvatura das nádegas roliças, atraindo os olhares...

Shura colocou a mão em seu ombro e Misty quase se derreteu. Entretanto, manteve a postura e o olhar altivo.

— O que deseja saber, meu belo centurião?

— Escute, estou procurando um refúgio onde se encontram os gladiadores libertos da Casa de Gemini e quero fazer isso da maneira mais pacífica possível. Você sabe algo que possa me ajudar?

— Infelizmente, não.

Shura sorriu e Misty sentiu um calor, invadi-lo. O centurião ordenou que os soldados esperassem mais adiante e ficou sozinho com o belo jovem.

— Não se aproxime muito...! – disse ele, quando se viu às sós com o centurião.

— Tem certeza...? — perguntou Shura aproximando-se de Misty e tocando seu rosto.

Misty estremeceu. O simples contato da mão de Shura em sua pele, o fez sentir-se eletrificado por todos os raios de Júpiter.

O centurião percebeu e chegou mais perto, ao ponto das respirações serem percebidas por ambos, quentes e, um tanto, alteradas.

A semelhança daquele homem com Afrodite o estava enlouquecendo e despertando... Vou tirar-lhe as informações que quero... Vou tomá-lo para mim. Pensava, totalmente, invadido pelo desejo.

— T-Tenho!- sussurrou o loiro sentindo o coração bater forte, a ponto de poder escutá-lo.

Merda!Estou excitado com um soldado romano! Pensava Misty, atropelado por sensações que achava saber manter sob controle.

Percebendo que aquela tática surtia efeito sobre o outro e também sobre si mesmo, Shura aproximou-se mais e antes que Misty fizesse um movimento de recuo, tomou-o, abruptamente nos braços e colou o corpo ao dele, beijando-o profundamente, enfiando a língua em sua boca de forma urgente e selvagem. As mãos grandes e calejadas percorreram-lhe as costas, as nádegas e Misty sentiu a ereção de Shura, através do tecido grosso da subligária. Júpiter! Ele é enorme!

Ele o estava seduzindo, mas Misty tinha o seu orgulho e também sabia se fazer desejar. Então, mordeu-lhe o lábio, com força, até fazer verter uma gota de sangue. Shura gemeu e recuou por um segundo, vendo-se com Afrodite nos braços... Com os cílios semicerrados e o olhar turvo, Misty o encarou e viu mais do que desejo no olhar do centurião...

Shura interrompeu o olhar e puxou-o para perto de si, afundando a mão entre os seus cabelos e lambendo os lábios desenhados, apossando-se, novamente, da língua quente que agora se entrelaçava na sua com volúpia. Sangue e saliva se misturaram e as mãos vagaram pelos corpos em desespero.

Tocando-se e beijando-se com força e sofreguidão, ambos flutuavam na tênue linha entre a dor e o prazer. Por um momento, pararam e se encararam e, desta vez, um sorriso se abriu em ambas as bocas.

— Diga-me... onde fica esse refúgio...

Misty sentiu seus pés serem erguidos do chão e gemeu quando as suas costas bateram com força no tronco de uma árvore centenária. Preso, entre o áspero e o corpo largo e forte, Misty deixou despir da cintura para baixo, enquanto Shura abria sua subligária, revelando uma ereção, extremamente, desperta e túrgida. Ele enroscou as pernas nos quadris de Shura, colando o corpo, ainda mais ao dele, fazendo-o sentir que também estava excitado. A cena incendiou Shura que tampou a boca desenhada e penetrou-o com força e tão abrupto e profundo que Misty levou a cabeça para trás e gritou...

Shura saiu de dentro dele, ficando parado por um segundo. Depois, mergulhou tocando-o no ponto do prazer e Misty gemeu quando bateu, novamente, com as costas no tronco da árvore. Passara tanto tempo sem sentir-se dessa forma, preenchido por completo,tendo um homem viril desejando-o assim... Agora, tudo o que queria era, sentir aquele falo grosso e quente invadindo-o com fúria.

Prazer, furor e, até mesmo a dor rascante... Queria tudo, bem ali, sem limites, nos braços daquele homem desconhecido, mas que estava lhe dando um prazer que não sentia há meses.

— M-Mais forte... — gemeu no ouvido de Shura, fazendo-o investir com mais ímpeto para dentro de si.

Shura continha os gemidos e arremetia com violência, sentindo os dedos de Misty ora, cravarem-se em suas costas, ora enroscarem-se, em seus cabelos negros, puxando-os com desvario.

Misty sentiu quando Shura retesou-se, sentindo o orgasmo se aproximar, tentando controlar-se, mas não resistindo ao prazer de tomá-lo, profundamente.

Misty exultou, ele tinha esse poder sobre os homens e só não conseguira com um. Milo fora o único homem que desejara e que não o quisera. Continuou sussurrando:

— V-Vem...M-Mais forte! Isso... isso, m-me enfia esse pau e me faz...gozar...Ahhhh...!

Totalmente entregue ao calor e prazer de sentir-se engolfado por Misty e por seus sussurros enlouquecidos, Shura estocou mais forte e rápido, afundando-se mais, enchendo-o com o seu prazer tão profunda e desesperadamente quanto podia. De sua garganta saiu um grunhido abafado e ele sentiu seu tórax ser molhado pelo gozo de Misty que também chegava ao orgasmo. Os dois tremeram, convulsos e se agarraram com força, as bocas se encontrando sem fôlego, o coração batendo violentamente por todos os poros.

Havia orgasmos e orgasmos. Com os outros, Misty experimentara o sexo normal, sem maiores arroubos e era sempre ele quem ditava as regras. Com aquele homem era como se tivesse sido atropelado por uma biga. Aquele orgasmo tinha sido daqueles que o corpo leva um tempo considerável para dar-se conta que o formigamento nas costas não era de excitação, mas sim efeito das farpas de madeira que havia raspado a sua pele, com o atrito.

— Ai... — disse Misty.

Shura levantou a cabeça enfiada na curvatura do ombro de Misty onde a pousara buscando recuperar o fôlego. Mexeu-se um pouco, sentindo a respiração ofegante e quente do jovem em seu pescoço.

— Algum problema? — conseguiu dizer em meio ao efeito daquele orgasmo intenso.

— Minhas costas... — falou Misty, com uma careta de dor e ainda agarrado ao centurião.

Shura o afastou do tronco e o pôs de pé, sentindo um tremor nas suas por ter fodido naquela posição.

— Vire, deixe-me ver o estrago. — disse o centurião examinando as costas de Misty.

— Minha pele... Nem quero olhar prá isso. — disse Misty, sentindo as costas arderem como se tivessem sido queimadas.

— Tem uns pedacinhos de madeira colados na sua pele. Deixe que eu tire isso de você... – disse Shura passando a língua nos machucados.

Misty gemeu.

—Não faça isso... – disse o loiro tentando afastar-se.

— Então me leve até onde possam cuidar disso... Diga-me, onde fica o refúgio onde você vive...

— Não, obrigado! Eu não vou agir como um traidor! Não pense que só porque a gente fodeu que eu...

Shura o interrompeu com mais um beijo profundo e longo.

— Prometo não fazer nada contra eles, desejo, apenas, conversar com o homem que me fez ser quem eu sou, o general Kanon. Eu e ele, juntos, podemos resolver muitas coisas. Por favor, Misty...

Misty resistiu o quanto pode. O jeito como Shura falava, o magnetismo poderoso daquele corpo, ele queria mais e queria acreditar...

Então, após mais carícias e beijos molhados, sussurrou o que o centurião queria saber e pediu perdão aos deuses se estivesse errado quanto à honra daquele homem...

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A noite caía, lenta e fria. As casas estavam iluminadas e as conversas, alegres e soltas. Após o jantar, Milo puxou Camus pela mão e levou-o para fora. O ruivo estranhou, pois estava frio e Milo não gostava muito de temperaturas baixas. No entanto, sorriu quando o viu trazendo um cobertor e uma ânfora de vinho.

— Onde vamos com isso? – perguntou Camus.

— Namorar um pouco... Ficarmos às sós, sem um bando de crianças ao redor, pra variar. – respondeu Milo.

O ruivo olhou amorosamente para o gladiador. Era incrível como Milo podia passar do guerreiro mortal ao amante carinhoso que não se cansava de surpreendê-lo.

— Eu te amo muito, sabia? – falou Camus.

— Sabia.

— Arrogante...

— Mas, apaixonado... – devolveu Milo acariciando-o no rosto.

— Acho que posso conviver com isso. – disse Camus, puxando-o para um beijo.

Havia um lugar, o templo de Baco que servia de posto de observação e também uma espécie de refúgio para os amantes que desejavam variar um pouco. Como Baco era um deus conhecido pela liberação dos sentidos, nada mais saudável que namorar ou fazer amor nas ruínas de seu templo.

Foi lá que Milo levou Camus e os dois sentaram-se no chão gelado, aconchegados ao manto e ao corpo um do outro. Beberam vinho, contaram estrelas e beijaram-se estreitando aquele laço de amor que passara por muitos e dolorosos desafios...

— Às vezes eu temo que tudo isso seja mesmo um sonho. – disse Camus recostado ao peito do amante.

— Eu também. Mas, então eu faço isso. – disse Milo beliscando a bunda de Camus. – E constato que é tudo a mais deliciosa realidade! – completou impondo seu corpo poderoso sobre o do ruivo.

Camus sorriu, seu corpo também havia se desenvolvido bastante, e o desejo que sentia por Milo só se intensificava com o passar do tempo. Como era possível amar, tanto assim e cada vez mais?

Os olhos de Milo eram os de um homem faminto e admirado da beleza alva do corpo a sua frente.

— Você está cada vez mais lindo... – sussurrou ele tocando os lábios entreabertos de Camus com os dedos.

Camus sentiu o rosto quente e estremeceu ante ao toque e ao elogio e então sentiu os lábios de Milo tocar os seus bem devagar, um beijo lento e profundo como se o gladiador estivesse fazendo amor com sua boca, enquanto as mãos acariciavam os seus mamilos, tornando-os mais rígidos.

Milo continuou a beijá-lo, depois desceu a boca pelo ventre rijo, roçando os lábios até colocar a língua no umbigo e chegar ao falo lambendo-o, demoradamente, enquanto suas mãos alisavam as coxas torneadas e as nádegas redondas, até que ele inserisse os dedos na entrada exposta.

Ao sentir o calor da boca do amante em seu membro, da sensação da língua acariciando-o, dos dedos adentrando seu corpo, Camus gemeu rouco e ergueu os quadris, arfando e segurando os cabelos fartos de Milo, atraindo-o para si. Seus lábios tremiam e seus olhos estavam inebriados e febris de êxtase.

Milo chupava a glande, enquanto sua mão direita acariciava a coxa ao lado e a sua outra mão segurava a extensão do falo, puxando-o para baixo para aprofundá-lo em sua boca, sentindo o quadril do amante se mover e fazer amor com seus lábios...

Deliciava-se com os gemidos de Camus, passando a língua, sentindo o gosto e a textura, reconhecendo a forma rija e pulsante, e aos poucos ia aprofundando a felação até chegar ao fundo da garganta. Ah, Camus era a sua perdição, o seu grande e único amor, para sempre...

Em pouco tempo, na voragem que o consumia, Camus gemeu abafado, gozando na boca de Milo que engoliu sugando bem a glande e eliminando qualquer gota que tivesse exposta. O gladiador sorriu malicioso, com orgulho de provocar em Camus aquelas reações exacerbadas... Tirou os dedos da entrada que pulsava e sentiu o próprio membro latejar.

Então foi a vez de Camus atacar a boca do gladiador e sorver da saliva e do próprio prazer, deixando-se inundar pela seiva da vida e sentir a língua de Milo enroscar-se na sua, novamente. Milo seria sempre o homem de sua vida, aquele capaz de atear fogo ao seu corpo e amor ao seu coração...

Tomado pela luxúria, o ruivo lambia a boca, o queixo e o peito de Milo, esfregando-se no amante, como se seu corpo adquirisse vontade própria e necessitasse de algo mais, um desejo urgente e selvagem de fundir-se a ele, de senti-lo dentro de si.

Passou um braço em volta dele, puxando-o para mais perto e apertou a boca contra o rosto do gladiador e deslizou até tomar-lhe, novamente, os lábios e beber da língua ávida na sua...

Milo compreendeu e afastou as pernas trêmulas de Camus, mantendo a conexão do olhar e deslizou para o aconchego cálido daqueles quadris. Ergueu-se, enquanto Camus se apertava contra ele, e ardorosamente se empurrou para o interior do corpo dele como se estivesse possuído pelo próprio Baco.

Ofegaram juntos quando a estocada provocou prazer e dor em cada célula e ficaram com os olhos fechados em saborosa cumplicidade, até que a pulsação da cavidade invadida e do falo que adentrava, estivessem em perfeita sintonia.

Milo se afastava e mergulhava repetidamente dentro do corpo de Camus ouvindo o ritmo dos gemidos, guiado pelas mãos, boca, olhar e o sibilo do ar entre seus dentes...

O ruivo sentia-se como se fosse se desfazer cada vez que Milo inundava-o com suas estocadas lentas e profundas, o corpo agitando-se ao sentir um prazer tão intenso e uma ânsia deliciosa que preenchia seu corpo de tormento e tremor.

O prazer se acumulava em ambos os corpos até não haver lugar para mais nada e continuava crescendo, transbordando de suas peles para aquele momento único no templo do deus das orgias sagradas... Milo continuava movendo-se para dentro de Camus, sentindo-o arder e seu falo roçar-lhe a pele, túrgido, pulsante e quente.

O prazer sentido pelo gladiador era intenso e único e ele agarrava-se ao ruivo com força, suas mãos apertando o corpo alvo e imprimindo marcas na pele, sua respiração alterada e seu olhar úmido depositando-se, totalmente, sobre o amante...

Os gemidos e ofegos se intensificaram, os movimentos dos quadris entraram no ritmo forte de avanço e recuo, chocando-se como. Milo sentia seu falo pulsar e desejar tocar Camus ainda mais fundo, enquanto o ruivo projetava-se de encontro ao corpo do gladiador, acolhendo-o, desejando ser um só com ele.

— M-Milo... — gemeu Camus sentindo-se envolver pelos tremores do gozo, seus olhos em agonia e sua boca abrindo-se para sorver o ar.

— Camus... meu... amor...! – disse Milo também sentindo o orgasmo chegando, os dentes cerrados, a pele em fogo.

O corpo de Camus moveu-se convulso, seus lábios se abriram e sua cabeça foi lançada para trás, enquanto Milo também sentia o corpo retesar e o gozo cavalgá-lo como se estivesse possuído pelo próprio Baco. Ele puxou Milo para mais perto e ofereceu seus lábios ao gladiador. Beijaram-se e suspiraram de prazer, enquanto os tremores do orgasmo ainda os sacudiam e mesmo depois, as bocas bailavam juntas até que o ar ficasse quente e rarefeito, obrigando-os a afastar os lábios para respirar de novo.

— Como eu dizia antes... Às vezes eu temo abrir os olhos e tudo ser um sonho. Mas, quando me toma em seus braços e me ama desse jeito eu acredito que qualquer coisa nesse mundo se torna possível. – falou Camus com a respiração entrecortada e o coração disparado

Milo sorriu e o abraçou com força.

— Com você nos meus braços, nada é impossível. – disse Milo e mais uma vez beijou com volúpia os lábios que se entregavam a si.

E enquanto os amantes se permitiam aquele momento de êxtase e cumplicidade, perto dali, Shura já possuía a informação e seus homens também. A ideia era simular um ataque, mas ele temia que a situação fugisse ao controle e homens fossem mortos por um simples ardil.

O centurião estava sentado, tendo Misty adormecido e abraçado a si. Os soldados olhavam-no com certa reserva e conversavam baixinho. Claudius, o mais antigo ali se aproximou da pequena fogueira, acocorou-se ao lado dele e o encarou.

— Será que podemos confiar nas palavras desse aí? – perguntou ele.

— Ele disse a verdade, eu sei. Mas, o refúgio está bem guardado e não pretendo perder muitos homens para tomá-lo.

Claudius sorriu e mordeu um fino caule de gramínea. Em seguida, olhou além de Shura, o que fez o centurião perceber que havia algo errado.

— Claudius, o que está acontecendo? – perguntou Shura.

— Eu apenas cumpro ordens, centurião. E a ordem do imperador é acabar com os inimigos de Roma... Ou seja, você e esse puto! – respondeu o soldado, desembainhando a espada e trespassando o peito de Misty que abriu os olhos e teve como última visão o rosto horrorizado de Shura.

O centurião arregalou os olhos, compreendendo que fora enganado e levantou-se com agilidade no mesmo instante em que o restante dos soldados investia sobre ele num ataque maciço...

Notas finais
****O poema que abre o capítulo é meu. Descobri que é mais fácil escrever um adequado ao que eu quero do que ficar procurando. * risos ****Como vocês puderam notar, nessa fic haverá um outro lado do feminino que não será só vilania não! * risos Afinal, somos mulheres e eu gosto de prestigiar o feminino! **** E eu reintero os meus agradecimentos pela forma intensa como muitas expressam as suas emoções, críticas, elogios, enfim é isso que alegra o coração e a alma da gente!!! Bjs e bom final de semana!!! XD