Amantes Desafortunados
5 Esclarecendo os Sentimentos
– Deve ser aqui! – disse Clemont chegando a um quarto com porta dupla.
– Vamos entrar! – falou Ash empurrando as portas.
Todos do grupo exclamaram de susto. A senhora com quem haviam conversado estava caída no chão e o senhor estava flutuando ao lado dela, os olhos dele estavam negros e sem brilho.
– O que vocês fizeram? – disse o senhor com uma voz tenebrosa para o grupo – O que vocês fizeram com a minha Roseta?!
– O que? – Brock estava incrédulo.
– Tem dois fantasmas na casa? – arriscou Dawn.
– O que vamos fazer? – perguntou Serena.
– Temos que descobrir que fantasma é esse? – respondeu Clemont.
– Hey, você! – disse Misty desafiadora para o fantasma – O que pensa que está fazendo com essa pobre senhora?!
– Misty, cuidado! – aconselhou Ash para a amiga.
– Estou com medo, onii-san! – sussurrou Bonnie enquanto agarrava a mão de Clemont.
– Você! Você a tirou de mim!!! – disse o senhor olhando para Ash. – a culpa foi sua!!!
– Ahn, eu?! – exclamou Ash surpreso.
– Ele deve estar confundindo o Ash com o cara do retrato! – falou Max.
– Nunca lidamos com fantasmas antes, eu estou assustada! – disse May se escondendo atrás de Dawn.
– Você é o Normam, não é?! – disse Misty se aproximando do fantasma.
O senhor começou a chorar.
– Sim, eu sou Normam! Era noivo de Roseta e íamos nos casar! Mas ela se enforcou...por causa dele! – terminou a frase apontando para Ash.
– Está enganado! Ash não tem nada haver com isso! – gritou Serena do outro lado.
Mas o fantasma pareceu ignorar o comentário de Serena, pois disse zangado para o garoto:
– Eu tentei, tentei de todas as formas entrar no coração dela, mas ela só tinha olhos pra você! Ela guardava aqueles retratos, os poemas que vocês escreviam um para o outro, as cartas! Nada do que eu fazia era capaz de retirar você da cabeça dela! – gritou o fantasma, saindo do corpo do senhor, que caiu no chão imediatamente. Ele tomou a forma de um jovem rapaz, muito bonito, porém com uma expressão extremamente zangada.
O fantasma ergueu a mão e arremessou Ash para o outro lado do quarto, fazendo-o bater na parede. Serena gritou apavorada. Ele ergueu novamente a mão e o jogou para o teto e depois novamente para o chão.
– Já chega! – gritou Misty se postando entre o fantasma e Ash. O fantasma parou de arremessa-lo, Ash parecia desacordado.
– O que faz você pensar que isso mudaria alguma coisa, Normam? – continuou a ruiva – Você amava Roseta, mas ela não te amava, supere isso e deixe de ser um bebe chorão! Quem você pensa que é pra achar que pode modificar os sentimentos de alguém?!
Normam ouviu calado.
– Sinto muito se você teve seu coração partido, mas isso não é motivo para descontar suas frustrações nas pessoas, principalmente naquelas que nada tem haver com a sua história! O Ash é o Ash, meu Ash, não o Ashton, e mesmo que fosse, o fato de você maltrata-lo não mudariam os sentimentos dele ou os de Roseta!
– Puxa, a Misty é mesmo corajosa! – sussurrou May. Max e Dawn concordaram.
– Ela não tem medo do que aquele fantasma irá fazer com ela? – perguntou Clemont – Ele estava arremessando Ash como se fosse uma bola de brinquedo!
– Quando se trata de defender o Ash, a Misty pode se jogar em um redemoinho sem se importar! – informou Brock aos demais.
Serena foi forçada a concordar, ela mesma jamais teria coragem de enfrentar aquele fantasma. Na verdade, ela estava tão apavorada com o que estava acontecendo que mal sentia suas próprias pernas.
– Pare com isso, Normam! – continuou a ruiva, falando de forma gentil para o fantasma – Tire essa raiva e rancor de dentro de você e procure por sua própria felicidade!
O fantasma de Normam chorou.
– Ela era a minha felicidade! – mumurou.
– Não, não era! – falou a garota decidida, Normam se assustou. – Se ela fosse a sua felicidade, você também seria a dela! Pare de ser tão egoísta!
– Não! – gritou o fantasma zangado, gerando uma rajada de vento que atirou todos no chão– Ele levou minha Roseta, então eu vou levar o que é dele também!
Normam pegou Misty e a levou para fora do quarto através da janela.
– Misty! – gritaram os demais.
Mas antes que algum deles pudesse se mexer, Misty e Normam desapareceram. A rajada de vento cessou.
– E agora, o que vamos fazer?! – perguntou Dawn desesperada.
– Temos que tentar localizá-los, mas dessa vez acho que vai ser mais difícil! – disse Brock. – ele a levou para fora da casa, isso significa que ele pode tê-la levado para qualquer lugar!
Serena correu até Ash para verificar se ele estava bem. O garoto estava acordando.
– Ash, tá tudo bem? – perguntou a garota preocupada.
– Sim, estou bem Serena, obrigado! – respondeu sorrindo para a garota. Serena sentiu-se aliviada. – Onde está o Normam? – perguntou reparando que o fantasma não estava mais lá.
– Fugiu...e levou Misty com ele! – contou Max.
– O que?!! – disse Ash se levantando – Para onde foram?
– Se soubéssemos já teríamos ido atrás, Ash! – falou Clemont.
– Então vamos procura-los! – Ash saiu correndo em direção a porta, mas Brock o segurou pela gola da camisa.
– Sossega Ash, vou pedir para o Zubat tentar encontra-los, assim como fiz com você! Não adianta nada sairmos correndo por ai!
Ash concordou. Brock soltou o Zubat e, então, eles sentaram e esperaram pelo retorno do Pokémon.
– Por que levaram a Misty de novo? – perguntou Bonnie.
– Acho que por que ela enfrentou o fantasma! – arriscou Clemont.
– Humm, eu não sei! Talvez tenha coisa a mais! – palpitou Brock enquanto relembrava a situação. – Misty não enfrentou Normam por outro motivo que não tenha sido proteger o Ash! – Ash corou ao ouvir isso – E ele percebeu isso!
– E quando a Misty falou “meu Ash” – adicionou Max – Ele deve ter pensado que eles eram namorados, como a Roseta pensou!
Ash corou ainda mais. Misty disse que ele era dela?!
– Certo! – concordou Brock — E Normam pensa que Ash é na verdade o general Ashton, que roubou o coração de sua noiva!
– Isso significa...- concluiu Clemont preocupado – Que quando ele disse “ Ele levou minha Roseta, então eu vou levar o que é dele também!”, ele estava se referindo a....
Clemont parou, não teve coragem de continuar. Mas os outros não precisaram ouvir a terminação da frase para saber ao que o rapaz se referia: o fantasma de Normam ia matar Misty, assim como Roseta se matara. Ash se levantou desesperadamente.
– Temos que encontra-la agora! – gritou o rapaz.
– Espera Ash, já já Zubat deve voltar com a localização exata! Sei que está aflito, mas tente pensar com calma agora! – alertou Brock.
Ash voltou a se sentar, muito a contragosto.
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– Me solta, Normam! – gritava a ruiva, com o corpo paralisado.
Normam preparava uma forca em uma das árvores da floresta próxima da casa.
– Não! Aquele Ashton vai pagar pelo que fez a mim e a Roseta! Você vai ter o mesmo destino que ela, e só assim, ele irá sofrer o que sofri!
– Quando você vai deixar de ser um bebê chorão? – gritou a garota para o fantasma.
– Você não sabe o que eu sinto?! – gritou o fantasma em resposta – Não sabe o que é amar sem ser amado, não sabe o que é ver a pessoa que você gosta suspirando por outro!
– Está muito enganado se acha que eu não sei! – gritou zangada. O fantasma se calou. Misty prosseguiu – Eu sei bem o que é ser rejeitada e ser deixada para trás. Ver a pessoa que você gosta do lado de outras pessoas e estar longe dela! Eu sei o que é ter dúvidas sobre os sentimentos de alguém que você gosta!
– Eu o vejo todo o dia indo atrás de seu sonho, vejo ele sempre do lado de novos companheiros e cada vez mais, vejo ele longe de mim! – a garota olhou firme para Normam – Mas mesmo assim, eu sempre vou torcer pela felicidade dele, mesmo que ele só seja feliz longe de mim! Por que é isso que significa gostar de alguém! Você é egoísta, Normam! Só pensa em você! Nunca respeitou ou ligou para os sentimentos de Roseta, a pessoa de quem você diz que tanto gosta! Você é um egoísta!
Normam estava em choque. Essa garota passava pelo mesmo que ele, e ainda assim, conseguia encarar seus sentimentos com mais maturidade. De repente, Normam compreendeu tudo o que Misty estava tentando lhe dizer, e um lampejo de luz veio na direção dele. Normam não disse mais nada, ele libertou Misty da paralisia e disse com a voz sóbria.
– Pode ir, garota!
– Por que me soltou? – perguntou confusa.
– Você está certa! E eu acho, – disse olhando o lampejo de luz – que eu devo ir agora!
– Vai ficar bem? – Normam notou o tom de preocupação na voz da ruiva.
– Vou sim! Algo me diz que vou! Sinto muito por tudo, Misty!
Misty assentiu e sorriu. Normam retribuiu o sorriso e partiu em direção a luz. Assim que Normam adentrou a luz, ela sumiu. Misty olhou por mais alguns segundos.
– Espero que esteja tudo acabado agora! – suspirou a ruiva, cansada. – Foi a noite mais longa da minha vida!
– Misty! Hey, Misty!
Misty olhou para trás e viu Ash e os outros correndo em sua direção.
– Oie gente! – acenou a garota, sorrindo aliviada.
– Você está bem?! – perguntou Brock ao se aproximarem.
– Cade o Normam? – perguntou Ash olhando em volta, procurando pelo fantasma.
– Foi embora! – respondeu a ruiva – Já estava na hora dele há muito tempo!
– O que você fez? – perguntou May.
– Nada demais, só dividi meus sentimentos! – ela riu, os outros não entenderam.
O grupo decidiu voltar para a casa dos casal de idosos e verificar se eles estavam bem (mesmo sob os protestos de May – “E se houver outro fantasma?”)
Ao chegarem lá, a senhora já havia recuperado a consciência e cuidava dos ferimentos do marido.
– Ah, fico feliz de verem que estão bem! Me desculpem, jamais imaginei que o fantasma de Normam vagava por aqui também! – disse ao ver o grupo entrando no quarto.
– Vocês estão bem?! – perguntou Dawn.
A senhora assentiu. O grupo ajudou a arrumar o quarto e Brock ajudou nos ferimentos do senhor. Depois, decidiram que realmente deveriam dormir um pouco antes de prosseguir viagem, estavam todos cansados físicamente e emocionalmente. Foi quando Ash ajudou a senhora a recolher um vaso que ela virou para ele e disse:
– Você realmente se parece com ele, sabe! Com Ashton III! – o garoto olhou para ela sem entender – Só não faça o que ele fez! A gente sempre acha que as coisas estarão iguais quando voltarmos da busca pelo nosso sonho, e nem sempre isso acontece!
Ash olhou automaticamente para Misty após ouvir isso. Ele voltou-se para a senhora, mas ela havia desaparecido pelo corredor. O garoto sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha.
Serena se aproximou de Ash.
– Ash, — começou a garota encabulada – será que antes de você dormir, eu poderia falar com você?!
Ash assentiu.
– Claro, Serena! Aconteceu alguma coisa?
– Bem, eu queria que fosse em particular! – disse a garota ainda mais envergonhada.
Ash olhou-a por uns instantes, sem entender, mas concordou. Eles se encontrariam no corredor dos quartos, quando todos estivessem dormindo.
Misty olhou para Serena e Ash conversando e sorriu melancolicamente.
– Huh, você não muda mesmo, Ash! Sempre fazendo com que a menina tome a iniciativa!
E, dizendo isso, a ruiva foi para seu quarto de cabeça baixa.
Continua....

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