Amantes Desafortunados
6 A coragem de Serena e a Ilusão dos Gengars.
Notas iniciais
Ash abriu a porta do seu quarto e viu que Serena já se encontrava encostada na parede, esperando por ele. O garoto ia falar alguma coisa, mas a menina fez sinal para que ele ficasse quieto e a seguisse. Ele a obedeceu.
Eles desceram até a sala de visitas, onde Serena sabia, não corriam o risco de acordar ninguém. Quando viu que já podia falar, Ash quebrou o silêncio:
– O que foi que aconteceu, Serena?! É algo grave?
A menina corou.
– Não! Está tudo bem, eu só tenho umas dúvidas na cabeça e queria esclarecê-las!
Ash e ela sentaram-se no sofá, o garoto olhava para ela, mas Serena estava tão envergonhada, que seus olhos fixavam um ponto qualquer no chão.
– Pode dizer Serena! – tranquilizou o garoto, vendo o quanto a menina estava nervosa.
Serena respirou fundo.
– Ash...eu preciso saber quais os seus sentimentos em relação a mim, e a Misty!
O garoto ficou extremamente vermelho.
– Que? Por que? – perguntou nervosamente sem jeito.
– Eu gosto de você, Ash! Gosto muito, de verdade! Eu nunca o esqueci, desde o acampamento de verão quando éramos crianças! Por isso fui atrás de você, quando vi que estava em Lumiose! Mas eu preciso saber, Ash, se é recíproco ou não!
Agora foi a vez do garoto de encarar um ponto fixo no chão.
– Eu não sei, Serena! – foi o que o menino respondeu depois de um longo tempo de silêncio. – Eu nunca parei para pensar sobre isso! Eu gosto de você também, acho divertido ter você comigo...mas...- ele não continuou.
Serena entendeu o por que.
– É a Misty, não é?! Você gosta dela, não gosta?!
Novamente Ash ficou em silêncio, admirando o pequeno ponto imaginário no chão.
– A Misty é a minha melhor amiga desde que eu consigo me lembrar! – foi o que o garoto respondeu após um novo tempo de silêncio. – Ela sempre esteve do meu lado, sei que posso contar com ela! A gente briga, e briga muito, mas a Misty tem um bom coração e eu sei que sempre que eu precisar, ela virá até mim!
– Mas você não respondeu a minha pergunta. – disse Serena. – Você gosta da Misty, como eu gosto de você?!
Ash ficou em silêncio, Serena continuou.
– Você imagina a Misty com algum outro rapaz?
Ash balançou a cabeça negativamente, quase que instantâneo.
– O que você sentiu quando teve que beijá-la? – continuou a garota.
– Meu coração parecia que ia sair pela boca, de tanto nervoso! – respondeu imediatamente.
– Você sente falta dela?!
– Todos os dias!
Serena suspirou tristemente. Era como ela imaginava.
– Ash, eu acho que você gosta de verdade da Misty! – Serena se levantou do sofá e ficou de pé na frente de Ash. – E acho que você deveria contar pra ela, pois uma menina que se atira na frente de algo, com o qual não sabe batalhar, para proteger alguém, é por que ama muito esse alguém!
Ash olhou sério para Serena, a loira prosseguiu.
– Se ela está sempre do seu lado, como você diz, é por que ela gosta de você de verdade também! Acho que você deveria contar a ela o que sente, porque ela nunca irá contar a você sobre os sentimentos dela, antes que você o faça!
– Serena, eu sinto muito! – começou Ash, mas Serena o interrompeu.
– A Misty disse que se a nossa felicidade não trouxer felicidade também à pessoa que gostamos, é porque não era a nossa felicidade! E eu acredito nisso também, Ash!
O garoto sorriu. Ele pegou uma das mãos da menina e a beijou.
– Você é a garota mais corajosa que já conheci, Serena!
A garota corou.
– Bem...- disse sem-jeito. – eu acho que já vou dormir! Boa noite, Ash!
– Boa noite, Serena! – respondeu sorrindo.
A garota subiu as escadarias, deixando Ash sozinho na sala de visitas.
“Eu já sabia!”- pensou triste – “Só precisava confirmar! Eu espero que você seja muito feliz, Ash Ketchum!”.
Ao abrir a porta de seu quarto, ficou surpresa ao ver Clemont sentado do lado da cama de Bonnie.
– Ahh, Serena! – sussurrou o garoto ao ver a menina entrar. – Desculpe, eu já estava de saída!
– O que está fazendo, Clemont? – perguntou a menina, também sussurrando para não acordar a amiga.
– Vim ver se a Bonnie estava bem! Ela passou por muitas emoções hoje, então achei que ela teria dificuldades pra dormir!
Serena olhou a cama de Bonnie e sorriu.
– Aparentemente, ela está se saindo muito bem!
Clemont riu baixo e concordou.
– Tem razão! E você, pra onde foi a essa hora?!
A garota ficou envergonhada.
– Bem...eu...
Clemont percebeu que tocara em um assunto delicado.
– Desculpe, Serena! Não é da minha conta!
Serena não disse nada, apenas sorriu. Clemont sorriu de volta.
– Sabe, Serena, acho você muito corajosa!
Serena não entendeu. Clemont prosseguiu:
– Eu acho que jamais me declararia se não tivesse certeza de que sou correspondido! Estou admirado com você!
O rosto de Serena ficou tão vermelho quanto a sua saia. Como Clemont sabia o que ela tinha ido fazer?!
Clemont se levantou, ajeitou os cobertores de Bonnie e foi até a porta, antes de sair, virou-se para a amiga e disse sorrindo:
– Boa noite, Serena!
Serena assentiu com a cabeça. Clemont foi embora e fechou a porta.
A garota estava totalmente sem graça. Ela se deitou em sua cama e ficou admirando o teto, pensando em tudo o que estava acontecendo. Em que loucura ela se enfiara!
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Depois que Serena foi embora, Ash ficou um bom tempo pensando na sala. Serena tinha razão. Ele sabia, sempre soube que Misty gostava dele, mas não era isso que o impedia de se declarar! Ash ouviu alguém descer as escadas. Será que era Serena voltando? Ou Misty? O garoto encarou a escadaria, até que notou que quem descia as escadas era apenas Brock.
– Ash! Você está ai! Fiquei preocupado, cara! Já pensei que aqui tinha um terceiro fantasma! – disse Brock se aproximando do treinador – O que tá fazendo aqui?!
– Bem, a Serena tinha me chamado pra conversar....
– Ela se declarou? – perguntou o criador. Ash mostrou-se surpreso.
– Como você sabia?
– Intuição! – Brock sentou-se ao lado de Ash – Então, o que pegou?
– Bem...eu...- o treinador não conseguia responder, era complicado demais pra isso. Brock olhou para as janelas e reparou que o céu ainda estava escuro.
– Estranho! – comentou Brock para si mesmo, em voz alta.
– O que foi? – perguntou Ash não entendendo a súbita mudança de assunto do amigo.
– Ash, quando entramos nessa casa pela primeira vez, deveriam ser por volta das 7 horas da noite. Vivenciamos tudo aquilo com a Roseta, dormimos, acordamos de novo com um novo fantasma, e depois arrumamos a bagunça que ele fez e cá estamos!
Ash olhou para o amigo, ainda não entendendo em que ponto ele queria chegar.
– Ash, já era para estar amanhecendo! – explicou — Na verdade, já deveriam ser pelo menos 5 horas da manhã!
– Mas o que tem?!
– Olhe as janelas! Parece que acabou de anoitecer!
Ash viu que seu amigo estava com a razão. E tanto quanto ele, Ash começou a achar aquilo bem estranho.
– Impossível ainda estar de noite! – continuou Brock. – Tem alguma coisa errada aqui!
– Depois de tudo o que passamos, essa não é a única coisa errada nessa casa! – complementou Ash. – Quer acordar os outros?
Brock pensou um pouco e depois de um tempo respondeu:
– Não, vamos dar uma olhada só nós dois! Acho que se perceberem que estamos desconfiando de algo, podem armar outra coisa!
– Quem pode armar? – perguntou Ash surpreso.
– É só um palpite! Vamos andar pela casa para termos certeza!
Dito isso, os dois começaram a caminhar pela casa. Ash agia como se procurasse algo, embora nem ele mesmo pudesse dizer o que era. Brock apenas andava, olhando sempre para frente.
De repente, uma porta se abriu. Os garotos gritaram assustados e a pessoa do outro lado da porta também!
– Misty?! É você! – perguntou Brock olhando melhor a silhueta.
– Claro que sou eu, quem mais poderia ser?! – disse a garota irritada com o susto que levou dos amigos.
– Olha só, Brock! Viemos parar no corredor dos quartos! – disse Ash.
– Estranho, muito estranho mesmo! Não viemos pelo mesmo caminho! – informou o criador.
– O que vocês estão fazendo? – quis saber a ruiva, desconfiada.
Brock e Ash contaram a ela sobre suas suspeitas.
– Pensando bem, vocês tem razão! – concordou após ouvir a teoria – Já era para o Sol ter nascido há um tempão!
– Vamos continuar andando! – opinou Brock – Preciso ter certeza de uma coisa!
– Espera, tenho uma idéia! – a ruiva colocou seu prendedor de cabelo na maçaneta da porta de seu quarto. – Assim saberemos se iremos voltar a esse corredor!
– Boa idéia, Misty! – disseram Brock e Ash.
A garota se juntou aos rapazes e eles viraram em outro corredor. Subiram dois lances de escada, entraram em um corredor que levava a uma escada circular. Subiram a escada e andaram em frente até virarem a um corredor à esquerda.
Lá estava o prendedor de cabelo na maçaneta da porta.
– Ok, agora estou apavorada! – exclamou a menina.
– Certo Ash, hora de acordar os outros e acharmos a saída desse lugar! – disse Brock.
Os três então abriram as portas dos quartos e acordaram todo mundo.
– Vamos galera, temos que sair daqui! – gritou Ash ao entrar no quarto aonde Max e Clemont estavam.
– Mas ainda é noite, Ash! Vai dormir! – resmungou Max sonolento.
– Vamos, Max! – chamou novamente o garoto – Se não sairmos agora, não sei se conseguiremos sair de novo!
Os rapazes se levantaram.
– Vamos meninas! – Disse Misty abrindo a porta do quarto de Dawn, May e depois o de Serena e Bonnie. – Temos que sair daqui agora!
– É outro fantasma? – resmungou May.
– O que houve Serena-nee-san?! – perguntou Bonnie, esfregando os olhos.
– Temos que sair! Peguem suas coisas e vamos! – acelerou Brock.
Quando todos já estavam acordados, os três contaram o ocorrido e o motivo de terem de sair de lá.
– Essa casa, o casal de idosos, os fantasmas, tudo isso deve ser uma ilusão! Se não tentarmos sair agora, podemos não conseguir sair nunca mais! – explicou Brock enquanto o grupo andava pelos corredores. – Temos que tentar chegar até a sala de visitas de novo, foi por lá que entramos, é por lá que saímos!
Após andarem para cima e para baixo, passarem por vários corredores e escadarias, eles viram novamente o prendedor de Misty na maçaneta.
– Essa não! – exclamou Dawn.
– Mas conseguimos chegar tão fácil na sala de visitas naquela hora! – lembrou Serena. – O que será que aconteceu?
– Foi a casa! – explicou Brock. – ela já sabe que estamos tentando sair!
– Bem, se não pudermos sair pela sala de visitas, vamos tentar de outro modo! – dito isso, Ash abriu a janela e pulou por ela. Porém, antes que pudesse atingir a grama do jardim, o garoto atingiu o chão do corredor de onde havia acabado de pular.
– Isso é loucura! – exclamou May. – Está dizendo que não vamos mesmo conseguir sair daqui?!
– Temos que fazer alguma coisa! – gritou Dawn amedrontada.
– Temos que pensar em alguma coisa! – disse Brock – Vamos tentar nos acalmar!
– Eu não entendo, Normam me levou para os jardins, e vocês conseguiram sair para me encontrar! – disse a ruiva.
– Talvez porque fizesse parte da ilusão! – arriscou Clemont. – na verdade, talvez nunca tenhamos saído da casa, apenas pensado que saímos!
– Faz sentido! – concordou Brock.
– Mas espera, — começou Max – se sairmos para o jardim foi uma ilusão, então ter entrado nessa casa também deve ser uma ilusão! Isso significa que ainda estamos no nosso acampamento!
– Tem razão, Max! – disse Ash. – Mas se a casa é uma ilusão, como vamos fazer para sair dela?!
– Brock, quando encontramos aqueles Haunter e Gengar na floresta para a cidade Azalea, em Johto, nós usamos um Hoothoot para afugentar as ilusões, não foi?! – Lembrou Misty.
– Sim! Um Pokémon noturno como um Hoothoot ou um Umbreon poderiam vir bem a calhar agora! – concordou o criador.
– Eu não tenho um Pokémon noturno! – disse May.
Todos os outros concordaram.
– Ahh, estamos perdidos! – reclamou Ash sentando-se no chão.
– Vamos mesmo ficar aqui para sempre? – perguntou Dawn com tristeza.
De repente, uma voz masculina, muito conhecida por Ash, ecoa pela casa:
– Umbreon, use o ataque psíquico!
– Gary?! – comentou Ash para si mesmo ao ouvir a voz.
Uma grande luz invade o local. O corredor desaparece aos poucos, dando lugar ao acampamento, onde nossos heróis estavam antes. O grupo vê Tracey e Gary com seu Umbreon, parados diante deles.
– É mesmo o Gary! –exclamou Ash surpreso.
– E ai, Ash! – cumprimentou Gary.
– Vocês estavam dois dias atrasados, então viemos procurar por vocês! – explicou Tracey.
– DOIS DIAS!!– exclamaram todos, surpresos.
– Ficamos dois dias presos na casa?! – disse May incrédula. – Não dá pra acreditar!
– Sorte nossa vocês terem aparecido! – falou Brock, se dirigindo principalmente para Gary e Umbreon.
– Pois é, não teríamos percebido que vocês estavam no meio de uma ilusão se o Umbreon do Gary não tivesse chamado a nossa atenção! – contou Tracey.
– Me pergunto quem foi o responsável por criar a ilusão! – disse Serena para Bonnie.
– Há, isso é fácil! – falou Gary com seu habitual tom arrogante. – Olhem para cima da cabeça de vocês!
Todos olharam, ali estava um grupo de Gengars, rodeando-os.
– Gengars!! – exclamaram.
– Eu já deveria saber! – falou Ash, decepcionado consigo mesmo.
O grupo de Gengars fugiu correndo dos treinadores, antes que algum deles quisesse batalhar.
– Puxa, que aventura maluca! – comentou Dawn.
– Pois é, nem me fale! – concordou Max.
– Pelo menos tudo acabou agora não é?! – disse Clemont, procurando ver o lado bom.
– Já repararam que esse tipo de coisa só acontece quando viajamos com o Ash?! – reparou Misty. Todos concordaram.
– Minha vida estava bem tranquila em Pewter! – complementou Brock.
– Tá dizendo que a culpa é minha?! – rebateu o garoto para a ruiva.
– Eu não disse nada, mas se a carapuça serviu! – rebateu também a menina.- Mas eu assumo que senti falta disso também! – completou sorrindo.
O garoto sorriu também.
– Bem, vamos voltar pra Pallet, agora?! – sugeriu Tracey. – depois de uma ilusão dessas, vocês devem estar com fome e muito cansados.
Todos concordaram e pegaram juntos a estrada para Pallet.
Continua.....
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