Notas iniciais
Demorei, mas voltei.
PC e notebook deram problemas e me deixaram na mão, mas um deles voltou. Amém!
Espero que gostem.
Beijos!

Althea respirou fundo e transportou-se para o que os vampiros chamam de Outro Lado, encontrou o santuário da “deusa” imaculado como sempre. Alguns pássaros coloridos cantavam em uma bela árvore branca, a fonte por onde ela era capaz de ver a cada de seus “filhos”, o chão de mármore alvo, ainda olhava a sua volta quando percebeu duas grandes portas se abrindo e a pequena figura vestida com um manto negro surgindo imponente.

– O que faz aqui? Sua aparição sempre é seguida de problemas.

– Desta vez os problemas chegaram antes de mim.

– Do que está falando?

– Karen. Um anjo que não tem boas intenções entre sua raça.

– O que ela pretende?

– Ainda não sei, mas de forma alguma ela pode desconfiar que a estamos vigiando.

– Não posso lhe ser útil. Assuntos deste tipo, fale diretamente com Wrath.

– Sabe que não posso simplesmente bater na porta daquela casa! Não depois do que houve! _ o nervosismo de Althea a fez aumentar o tom de voz a ponto de gritar a plenos pulmões com a Virgem Escriba.

– Cuidado como fala! Minha benevolência tem limite! _ foi a vez de a Virgem falar mais alto, o retumbar de sua voz pelo santuário fez os pássaros se calarem e Althea também.

Althea aproximou-se da Virgem e a olhando furiosa vociferou:

– Já vi o limite da sua benevolência e você não me assusta! Nada que você possa fazer agora é pior do que o que já me fez! Se pretender continuar arriscando sua raça por orgulho ou descuido, o azar será seu. _ dizendo isso o anjo desapareceu deixando a “deusa” para trás e pensativa nas palavras daquela mulher.


– Lassiter? _ o anjo virou e se deparou com um garotinho completamente enrolado com a roupa que deveria vestir. – Me ajuda?

– Claro. Vem cá. _ Lassiter pegou Drake nos braços e o pôs de pé sobre a cama de Taylor.

Abotoou as pequenas calças de Drake, o ajudou a vestir corretamente a blusa e o casaco…

Taylor entreabriu a porta e a cena que presenciou foi muito singela e ao mesmo tempo única. Lassiter estava ajoelhado no chão calçando os tênis em Drake e brincava com o garoto como se eles se conhecessem desde… sempre.

– Agora, o que acha de darmos um jeito nesses cabelos? _ perguntou o loiro bagunçando os cabelos do garoto.

– Vamos. Vai ficar igual ao seu? _ Drake pareceu gostar dos cabelos revoltos do anjo.

– É melhor não. _ Taylor saiu do banheiro, já vestida e sorrindo como se nada a tivesse afetado.

– Por que não? _ Lassiter perguntou fingindo estar magoado.

– Não quero que ele pareça rebelde tão cedo. _ Taylor responde sorrindo.

Os três saíram da casa de Taylor e ela retirou o carro da garagem. Já estava indo embora sem nem ao menos trocar uma palavra com Lassiter quando se arrependeu.

– Quer uma carona até o centro? _ o sorriso com o qual ele lhe respondeu a fez desejar loucamente beijá-lo ali mesmo.

Lassiter entrou no carro e sentou-se ao lado dela, durante todo o caminho Taylor se manteve calada, ao contrário de Drake que não parava de fazer perguntas a Lassiter sobre tudo. Até que o garoto decidiu saber algo que nenhum dos dois queria responder mesmo sabendo exatamente o que dizer.

– Lassiter, você namora a tia Taylor? _ os dois adultos no carro se olharam, um mais pálido que o outro e sem palavras para responder.

– Bom, não. Ainda não. _ o anjo respondeu com um sorriso sem graça.

– Ainda? O que te leva a crer que eu quero namorar você? _ Taylor perguntou seca e irônica, mas ao mesmo tempo com o coração aos saltos.

– Viu Drake? Ela não consegue esconder que gosta de mim. _ Lassiter piscou para o garoto e os dois riram enquanto Taylor se esforçava para não jogar Lassiter do carro em movimento… ou agarrá-lo.

Quando chegaram ao prédio onde Taylor trabalhava, ela estacionou o carro e os três desceram. Mas para por fim a alegria do anjo, James também havia acabado de chegar e Drake o chamou.

– Oi rapaz! Vai ajudar a gente hoje? _ James perguntou a Drake enquanto lhe pegava nos braços.

– Vou. Não vou tia? _ respondeu o menino com um enorme sorriso.

– Vai querido. Bom dia James.

– Bom dia…

Lassiter não suportou a aproximação daquele humano, o olhar dele para Taylor era como se a qualquer momento ele pularia sobre Taylor e… Bom, nem queria pensar nisso, sua vontade de afastá-lo dela foi maior que qualquer coisa. Sem que ninguém esperasse ele puxou Taylor para um abraço e a beijou apaixonadamente, ela não teve reação inicial e logo não pensava em motivos para resistir, queria aquele beijo para apagar a mancha do que houvera naquela manhã.

Quando o beijo chegou ao fim Taylor não lembrava que estavam as portas de seu trabalho nem que James e Drake foram espectadores daquele beijo. A única coisa que ela via eram os olhos azuis e lindos do homem a sua frente, queria voltar a beijá-lo e talvez não parar por mais tempo do que era possível se imaginar no momento, mas não podia. Ainda não.

– Tenho que ir. _ o loiro a abraçou inocentemente e ela aproveitou para perguntar sem que ninguém mais ouvisse.

– O que foi isso?!

– Quando eu souber lhe conto.

– Bom, tenho que entrar. Tenho muito trabalho hoje.

– Até mais tarde. Não saia de casa a noite. _ com um sorriso sedutor e despreocupado Lassiter despediu-se de Drake e foi embora andando calmamente.

– Bom, meus parabéns. _ James estava evidentemente sem graça com tudo o que viu.

– Ah, não. Não é o que você está pensando. Ele e eu não… _ ela parou de falar sem saber o que dizer.

– A tia Taylor e o Lassiter não namoram ainda. _ Drake sorriu inocentemente sem saber o que as palavras dele significaram para James.



Karen parou suando e ofegante, não havia se movido um centímetro por cerca de duas horas, mas não conseguiu nada. Tentou o dia todo e nada, agora a noite já caíra e sua sorte foi Lassiter não ter voltado ainda. Havia uma barreira que a impedia de contatá-lo e agora olhando em volta da mansão, a partir da varanda, ela descobriu o que lhe afetara tanto. A barreira psíquica de Vishous era mais forte do que ela pensara, na urgência por ajuda ela não se importou com os riscos que corria conjurando tudo aquilo dentro da mansão.



Payne cavalgava fora dos muros do complexo da Irmandade quando viu Karen sair olhando para os lados, pensou em oferecer ajuda quando a viu pegar uma trilha a esquerda dos portões e seguir certa do rumo que tomara. Mesmo não podendo entrar, Payne sabia exatamente onde aquele caminho levava. Diretamente para a Tumba. Deixou a égua presa a um arbusto e se desmaterializou para a entrada da Tumba, aquele era o único lugar onde Wrath não permitiu que Vishous estendesse seus apetrechos tecnológicos. Infelizmente.



Karen seguia com pressa pelo caminho que a levaria até a tal Tumba, nada melhor para provar que havia entrado, que contatá-los a partir do lugar onde os grandalhões estúpidos usavam para qualquer tipo de ritual ridículo. Após andar por mais vinte minutos Karen chegou à entrada da caverna.

– Finalmente! _ olhou em volta e entrou. Tinha que ser rápida, quanto mais tempo passasse ali pior seria para explicar.



– Vejo que já conseguiu entrar! Gostei da escolha do lugar para nos encontrarmos. _ Lash andou até o grande trono bem em frente às portas e sentou-se nele.

– Elas já me encontraram. Temos que agir rápido para que nada dê errado. Se elas…

– Do que tem tanto medo? O que duas meras anjinhas podem fazer que eu não possa impedir? _ a audácia e o egocentrismo eram partes de Lash assim como a maldade de seu pai.

– Você não conhece Melyane, não sabe do que ela é capaz. Eu conheço! Eu sei! E Althea quer vingança, é implacável quando deseja algo! _ quanto mais tempo se passava mais Karen ficava nervosa.

– Então me conte. Fale mais sobre essa… Melyane.

– Melyane é a filha perfeita. Nunca desobedeceu a uma ordem…

– Você tem medo de uma submissa? _ o riso do ser desfigurado a sua frente ecoou por toda a Tumba.

– Ela pode ser considerada tão poderosa quanto Miguel. Seria o general do exército de anjos. É capaz de lutar tranquilamente contra seu pai. Se eu for pega por ela, tudo o que você deseja, fracassa.

– Você tem muita convicção de que conseguirá nos trazer sucesso. O que a leva a crer nisso? _ o próprio Ômega juntou-se a conversa.

– Se eu não fosse capaz de conseguir tudo o que quero já teria sido jogada no Inferno.

– Me pergunto se não teria sido o melhor para todos.

– Não seja hipócrita. Para pensar no melhor você precisa SER melhor. E todos sabem que nisso sua irmãzinha vence fácil.

Lash avançou contra Karen, mas foi detido por seu pai.

– Ora, ora, ora. Sua mãe não lhe ensinou que não se deve ouvir a conversa dos outros… Payne?

Payne apareceu brilhando e pronta para o combate com eles, mas o que ela sabia precisar era sair dali e alertar a Irmandade. Contra os três não poderia lutar sozinha.

– Bom saber quem você realmente é Karen, não acho que alguém irá gostar disso.

– Uma verdadeira pena você não poder contar a eles não é? _ logo após as palavras de Ômega tudo ficou escuro para Payne e ela caiu no chão, desacordada.

– O que você fez?! _ Lash perguntou surpreso.

– Digamos que ela irá dormir por muito tempo.

Com isso pai e filho sumiram deixando Karen sem saber o que fazer. Poderia muito bem sair e deixar a vampira ali, mas fazendo isso além de Melyane e Althea querendo pegá-la ainda teria uma deusa enfurecida atrás de si.

Bufando Karen pegou Payne pelos braços e a puxou para fora da Tumba. Sabia que a magia de Ômega não seria detectada por exames humanos então simulou que a vampira havia provavelmente caído do cavalo e batido a cabeça em uma pedra, ou algo do tipo. Soltou-a ali e correu para dentro da mansão, sabia que a qualquer momento os Irmãos poderiam voltar de sua ronda. E Lassiter não estava nem um pouco contente com ela.

Notas finais
Bom, o que acharam? Bom? Ruim?
Digam por favor.
Beijos!!