Amante Celestial
7 Cansaço
Notas iniciais
Taylor desceu do carro em frente ao laboratório e já foi recebida por vários jornalistas e cinegrafistas que a encheram de perguntas e tentaram inutilmente segurá-la fora do prédio. Inútil. Ela passou por eles sem sequer olhá-los.
Ao chegar à recepção do prédio Taylor viu alguns policiais e peritos em frente a uma televisão. Ela iria passar direto para a sala de Robert a fim de lhe contar o que haviam encontra na cena do crime. Mas foi chamada por um dos policiais para ver o que passava na televisão.
– Taylor, vem aqui. Acho que você vai gostar de ver isso.
Ao se aproximar da televisão, Taylor viu um repórter no meio de um campo aberto sem árvores, apenas areia.
– O que ele está fazendo ali? _ Taylor perguntou ao policial que a havia chamado.
– Uma denúncia para eles de que haveria um corpo lá dilacerado. Eles estão procurando.
– Ele disse onde está?
– Não. A informação só foi de que o corpo está lá, não disse onde.
Taylor saiu correndo para falar com Robert
– Robert! Você viu…
– Na televisão. Vi. Chame os que foram com você até o beco e siga para lá o mais rápido possível. Jose já enviou uma patrulha para lá para fechar o lugar.
No caminho, Taylor rezou para que ao menos dessa vez ela pudesse faze seu trabalho e voltar para o laboratório sem encontrar com alguém que ela odiasse, a menos que esse alguém fosse o maldito assassino.
Ao avistar as viaturas paradas, James parou ao lado. Os peritos desceram e um policial os esperava.
– Nós encontramos o corpo, mas não vamos conseguir manter os abutres longe por muito tempo. _ o policial apontou para um lugar a direita deles e lá estavam quatro policiais se esforçando ao máximo para impedir a aproximação dos repórteres que se amontoaram no local depois da descoberta do corpo.
– Comecem a coletar o possível. Vou falar com eles. _ Taylor se separava do grupo e seguia em direção aos repórteres que ainda não a haviam notado quando sentiu uma mão em seu ombro.
– Não pode falar nada a eles. Se uma informação vazar o caso pode ser perdido. _ era James, o medo de Taylor se prejudicar por raiva de momento o fez ir até ela e pará-la.
– Eu sei, vá com os outros. Eu só vou afastá-los.
– Está bem.
Taylor seguiu segura de si até os repórteres que viraram suas câmeras para ela e apontavam seus microfones esperando uma declaração sobre o caso.
– Afastem-se. Nenhum de vocês será útil nesse lugar. Quando tivermos algo que vocês possam saber iremos procura-los. Agora… vão… embora. _ sem mais nenhuma palavra, Taylor afastou-se deles, passou por baixo da fita de isolamento e foi fazer seu trabalho.
Mais uma vez ficou paralisada com o que via. Este corpo estava pior que o outro. Também era uma mulher e pelo que restara das roupas era mais uma prostituta.
– Foi o mesmo. _ Taylor falou para nada, mas todos ouviram e se voltaram para ela.
– Acha que foi o mesmo assassino da prostituta do centro? _ Terry perguntou também olhando o corpo.
– Tenho certeza. Olhem o corpo. As lacerações, o corte no pescoço…
– Se foi o mesmo ele está ficando mais violento. _ interrompeu Brenda. – Olha o abdômen, não foi só retalhado, ele retirou os órgãos.
– Só faltava essa. Além de assassino ainda é ladrão de órgãos. Mas uma pergunta está na minha cabeça. Quem avisou a imprensa sobre esse corpo? _ perguntou Greg passando a mão nos cabelos.
– Vou descobrir. _ James pegou o celular e ligou para Jose mandando-o procurar quem havia atendido a ligação sobre o corpo e levar a pessoa para a delegacia para interrogatório.
Desta vez não houve muito que pudessem coletar o importante era tirar o corpo dali. Taylor ligou para Robert para que ele enviasse alguém para recolher o cadáver, ou o que sobrara dele.
No fim do expediente, todos os peritos que trabalhavam com Taylor foram liberados sob o alerta de poderem ser chamados a qualquer hora caso o matador ladrão de órgãos misterioso resolvesse fazer mais alguma coisa.
– Taylor, vamos ao Ruben’s? _ chamou Terry que estava juntos aos outros no estacionamento.
– Não, vou para casa. Preciso descansar. Divirtam-se, mas não vão para casa muito tarde. Quem sabe se esse maluco não vai querer agir de novo? _ ela sacou as chaves do carro do bolso e virou-se após acenar para os colegas.
– Pode deixar. _ respondeu Terry.
– Taylor! _ Brenda chamou e a outra se voltou. – Você precisa se divertir um pouco às vezes. Tirar a tensão.
Sorrindo, Taylor mais uma vez deu as costas ao grupo e entrou em seu carro, mas no meio do caminho para sua casa decidiu ir a casa de seu irmão.
Tocou a campainha e sua cunhada abriu a porta.
– Taylor! Graças a Deus! _ Carolynne abraçou-a forte.
– Oi. Aconteceu alguma coisa?
– Entre. É óbvio que teve muito trabalho, vi na televisão, mas eu posso tomar vinte minutos do seu tempo?
– Para que?
– Pode olhar o Drake por vinte minutinhos até a babá chegar? Peter e eu precisamos sair, mas o Drake está resfriado.
– Eu vim aqui perguntar se ele pode dormir na minha casa. _ as duas riram da coincidência.
Carolynne subiu para organizar o necessário para Drake passar a noite na casa da tia enquanto Peter chegou à sala e passou a conversar com a irmã.
– Então maninha. Como vai a investigação? _ Peter perguntou sentando ao lado da irmã e a abraçando fortemente.
– Não muito bem, não temos muitas pistas, quem está fazendo isso sabe muito bem como esconder seus rastros. Mas tenho certeza de que uma hora ele vai acabar errando e eu quero ver isso, quero pegá-lo ao primeiro erro.
– Eu sei que vai. Mas… _ neste instante, Drake desce as escadas junto com a mãe e mesmo estando doente correu para os braços da tia.
– Tia Taylor! Vou dormir na sua casa? _ a voz doce e infantil do sobrinho foi um bálsamo para a alma cansada da perita por vezes dura e fria com o que acontecia.
– Sim querido. _ ela ajoelhou-se para abraça-lo. – Vamos? Dê boa noite aos seus pais.
Drake correu para o pai que o pôs nos braços e os dois trocaram um apertado abraço, depois, ainda nos braços do pai o garoto inclinou e beijou o rosto da mãe e disse:
– Mamãe, você está linda. _ recebeu um beijo dos pais no rosto e depois fez com que o pai o pusesse no chão e correu para a tia.
Já na porta, os dois viraram-se para o casal.
– Amanhã o trago de volta pela manhã. _ ela disse ao irmão, sorriu para a cunha da e saiu.
Ao entrar no carro Taylor viu o display de seu celular acesso e o pegou, tinham seis ligações não atendidas de um número restrito.
Ela guardou o celular, se tinham ligado tanto, deveria ser importante, então, ligariam novamente.
Antes disso…
Lassiter estava sentado, vendo televisão quando uma mãe suave o tocou no ombro.
– Soube do problema com a sua mulher. _ era Autumn, a mulher deu a volta no sofá e sentou-se ao lado dele, Lassiter esperava que ela continuasse falando, mas parecia que a atenção dela naquele momento era completamente do jogo de Rúgbi que passava.
Ele também voltou para a televisão e continuou assistindo, até que alguns minutos depois Autumn pegou o controle remoto e desligou a televisão.
– Quem é a outra? _ ela perguntou séria porém sua voz não demonstrava desaprovação.
– Uma humana. Uma perita. _ Lassiter suspirou e abaixou a cabeça passando fortemente as mãos nos cabelos loiros já bagunçados.
Autumn levantou-se, parou em frente ao anjo e levantou seu rosto segurando-o pelo queixo.
– Sabe que lhe serei eternamente grata pelo que fez por mim e Thor, mas, sinceramente, não aprovo sua mulher, tem algo nela que me incomoda. Pela sua expressão ao falar da tal humana vocês não estão bem. Creio que você deveria procurá-la.
– Não sei onde ela mora.
– Ligue. _ ele iria responder, mas ela falou primeiro impedindo o anjo de dar sua resposta. – Se não sabe o número do celular dela procure Vishous.
Com isso retirou-se da sala deixando o anjo estático e sem saber o que fazer. Após alguns minutos ele decidiu seguir o conselho de Autumn, pegou seu telefone e discou o número de Taylor. Estava cansado de fugir. Estava cansado de evitar a louca vontade que tinha de falar com ela.
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