Notas iniciais
Demorei, mas voltei. Não tenho muito a dizer que não seja que este capítulo foi o mais difícil até agora. Espero que gostem.

Penélopy, ou melhor, Penny, como todos a chamavam, saiu do Screamer’s e encolheu-se dentro do longo casaco que tinha duas funções, protegê-la do frio e esconder a minúscula roupa que ela precisava vestir durante seu trabalho.

Após alguns minutos andando pela calçada, Penny pegou o relógio guardado no bolso do casaco e decidiu pegar um táxi, por algum motivo estava quase desesperada para chegar em casa e ter seu filho, seu pequeno Dan, nos braços. Só para ajuda-la a ficar mais nervosa, não passava um táxi sequer e mesmo envolta pelo casaco Penny chamava a atenção dos homens e era obrigada a ouvir algumas piadinhas e cantadas, mas se mantinha irredutível e não olhava para outro lugar que não fosse a rua para ver se viria algum táxi.

Penny pegou o celular e ligou para a mãe, como a casa dela era mais perto do lugar onde estava e Dan passava a noite lá enquanto ela trabalhava, dormiria lá. Chamou três vezes e a mãe atendeu.

- Mãe, eu posso dormir aí?

- Isso é pergunta Penny? Claro que pode.

- Ótimo, daqui a cinco minutos eu chego aí. O Dan está acordado?

- Sim, hoje ele não conseguiu dormir, disse que queria esperar por você.

Com um sorriso bobo, mas encantador, típico de toda mãe Penny pediu para falar com o filho de três anos.

- Mamãe, chega logo.

- Já estou indo querido, se comportou?

- Sim.

- Muito bem, vamos dormir na casa da vovó hoje está bem?

- Sim. Vem logo, quero brincar.

- Estou indo, mas você deveria estar dormindo. É muito tarde para você estar acordado. _ a intenção de Penny era ser séria com o filho, mas não conseguia, não depois de ouvir aquela vozinha que ela amava.

- Não vou dormir, quero brincar com você. _ a voz infantil de Dan soou irritada e Penny decidiu não forçar o filho a dormir, quando chegasse, se ele estivesse acordado, conversaria com ele.

- Tudo bem meu amor, mamãe já está quase chegando. Devolva o telefone a sua avó. _ Penny sentiu a necessidade quase sufocante de dizer mais uma vez. – Eu te amo filho.

- Eu também te amo mamãe. Vem rápido.

- Sim. _ a afirmativa saiu como um sussurro embargado e ela não sabia explicar o motivo.

- Penny? É melhor chegar logo, ele foi busca os brinquedos para vocês.

- Mãe, tenta fazê-lo dormir já é muito tarde e estou cansada.

- Vou tentar querida, mas não demore.

- Não vou. Eu te amo mãe. _ a ultima frase saiu com urgência.

- Eu te amo querida. _ a voz da mãe soou doce como ela não ouvia a muito tempo.

Penny desligou e guardou o celular no bolso e passou a andar mais rápido para chegar de uma vez à casa de sua mãe, não esperava mais pegar um táxi, afinal estava próximo da casa, demoraria no máximo três minutos.

Mal sabia ela que não dispunha de três minutos, não tinha ideia de que em menos de um minuto sua vida mudaria para sempre.

Um moletom preto, junto a um boné também preto escondiam-lhe o rosto, luvas de couro negro cobriam-lhe as mãos o lenço na mão direita embebido em éter, observando e esperando pacientemente pela presa. A adrenalina que corria por suas veias e fazia seu coração bater disparado era o que ele mais apreciava durante a espera, fazia sua mente entrar em turbilhão e pensar em dezenas de formas de se deliciar quando tivesse aqueles animais encurralados.

Em um apartamento modesto, porém confortável, as três conversavam seriamente.

- Onde ela deve estar? Por que justo nós devemos procura-la? _ perguntou Althea olhando seu fraco reflexo no vidro da janela.

- Ainda não consegui detectá-la corretamente. Ela está conseguindo se esconder de nós. _ Kelly não gostava da demora, não queria estar ali, a muito não punha os pés na Terra e queria ir embora, não tinha nada que a prendesse ali. – Uma hora essa proteção dela irá falhar e finalmente vou senti-la. _ o tom duro da voz e os punhos cerrados demonstravam uma parcela da raiva que sentia daquela mulher.

Althea e Kelly permaneceram em silêncio pensando em diversas possibilidades do lugar onde Karen estaria quando perceberam que Melyane descia as escadas, Melyane era quase que a encarregada pela missão que as três deveriam cumprir. Um arcanjo, criada ao lado de Miguel, Gabriel, Lúcifer e tantos outros anjos bem conhecidos pelo homem, graças ao poder de decidir se passar por um homem ou uma mulher na Terra Melyane dispunha de dois belos corpos aos olhos humanos e até angelicais.

- Kelly, continue procurando por Karen, não desista, dependemos disso. Althea, você e eu iremos procurar por Lassiter. _ depois de designar as tarefas Melyane vestiu uma jaqueta de couro preto. Althea prendeu seus cabelos e suspirou dizendo:

- As vezes odeio perder o rastro dos caídos.

- O problema não é perder os caídos, eles não nos importam mais. O problema é que outras pessoas e coisas próximas a eles também somem para nós.

A noite já havia chegado a algumas horas e Melyane e Althea agora andavam pelo centro da cidade olhando o quanto aquele lugar era sujo e decrépito.

- Meu Pai! O que é isso?! _ Althea já havia descido algumas vezes, mas nunca vira um lugar daquela forma.

- É a decadência humana minha irmã, e isso só tende a piorar.

Os dois anjos continuavam andando quando viram alguns homens muito pálidos, mais pálidos que normal. O cheiro extremamente doce chegava aos narizes delas não incomodavam tanto, mas tampouco era comum. Alguns segundos concentradas naquele grupo fez com que elas se olhassem confusas e surpresas.

- Você notou? _ perguntou Althea.

- Eles, não têm almas!

Os desalmados olharam para um ponto atrás delas, falaram algo entre si e foram andando para um beco. Logo após um grupo de homens vestidos de couro negro passaram seguindo os quatro desalmados.

Melyane olhou para Althea e disse:

- Vamos, logo encontraremos Lassiter.

As duas seguiram na direção que os homens seguiram e os encontraram em uma luta sangrenta, um dos desalmados foi lançado na direção em que elas estavam, Althea o segurou livrando-as do impacto com o homem arremessado.

- O que… _ o homem vestido em couro parou abruptamente encarando Melyane. – Wellsie?!

Notas finais
Espero muito que tenha ficado ao menos aceitável o suficiente para não me odiarem.
Até o próximo.
Beijos!