Notas iniciais
Bom, mais um capítulo pra vocês.Espero que gostem!E por favor, comentem! Caso gostem,digam do que gostaram. Caso não gostem, digam do que não gostaram para que eu possa melhorar. Ah, e eu também mudei algumas coisas no capítulo anterior.Agora, ao invés de terem sido adotados pelos Alencar, os Vaz só estão passando um tempo com eles. Enfim: Boa leitura! Aviso: Neste capítulo haverá a morte de um personagem.

Capítulo 4- Vamos lutar!

As portas e o porta-malas da viatura se abrem. Da parte da frente dela saem dois jovens, o mais velho, já com seus 19 anos, tem os cabelos arrumados em um topete. Já o mais novo, com cerca de 14 anos, tinha os cabelos bagunçados. Da parte de trás saem um menino e três meninas, de idades entre 18 e 13 anos. Ao ver o garoto de topete, Manuela abre um enorme sorriso e corre até ele:

— Joaquim! – Grita Manuela ao se atirar nos braços dele.

— Manu! Estou tão feliz em te encontrar! Eu estava tão preocupado! – Joaquim a abraça com força, como se tivesse medo que ela sumisse caso ele a soltasse, lágrimas de emoção caindo de seus olhos. Ele então desfaz o abraço e começa a olha-la de cima a baixo com preocupação – Você está bem? Não está machucada?

Manuela ri suavemente, encantada com a preocupação do namorado.

— Amor, eu estou bem! – Responde a jovem tentando acalmar Joaquim, e logo acrescenta: — Felizmente todos nós estamos!

Neste momento Joaquim nota o resto do grupo, que também havia saído de seu esconderijo e estava cumprimentando os recém-chegados. O garoto de cabelos bagunçados que estava no banco do carona avista o rosto familiar de uma menina da sua idade e logo abre um enorme sorriso:

— Dóris! – Grita o menino entusiasmado.

— Dóris... – Repete uma menina de cabelos ondulados que estava ao lado do menino em tom de irritação , dirigindo à Dóris um olhar nada amigável .

O menino corre em direção à Dóris e a abraça ao que a jovem logo corresponde:

— Felipe, há quanto tempo! – Exclama Dóris alegremente.

— Pois é, nem lembro a última vez que nos vimos pessoalmente! – Diz Felipe e então continua: — Vocês deveriam nos visitar mais na cidade...

—Vocês é quem deveriam vir mais ao vilarejo! – Rebate Dóris bem-humorada.

O som de um pigarro chama a atenção dos dois jovens que então voltam-se para a menina que estava junto de Felipe. Um tanto nervosa, Dóris a cumprimenta cordialmente:

— Er...Oi,Lola.

— Oi... – Responde Lola de maneira seca.

Dóris suspira. Sabia que Lola não gostava dela, só não entendia o porquê. Afinal, nunca tinha feito nada para a outra menina, pelo menos não que ela lembrasse. Bom , está certo que lembrar não era seu ponto forte, longe disso. Mas ela não era o tipo de pessoa que saia por aí deliberadamente fazendo mal aos outros. E era justamente por isso que ela procurava sempre tratar Lola de uma maneira amigável, apesar da óbvia antipatia que a irmã de André sentia por ela. Aproximando-se de Felipe, Lola entrelaça seu braço no dele de maneira possessiva e então se dirige a ele em um tom de urgência:

— Vem, Felipe. Vamos voltar pra onde está o resto da galera. Em um momento como esse nós temos que permanecer juntos.

Completamente corado, Felipe concorda:

— É,...ahn...e-eu acho que você tem razão... – Então se dirige a Dóris. – Vamos, Dóris ?

Quando Dóris ia responder, Lola lançou à ela um olhar mortal, o que a fez hesitar por um instante. Sem conseguir controlar seu nervosismo, ela responde:

— Ah, va-vão indo na frente que daqui a pouco eu vou...

Lola então dirige à ela um sorriso vitorioso e volta para onde está o resto do grupo levando Felipe a reboque.

Enquanto isso, Joaquim e Manuela continuam conversando e matando a saudade quando ao abraçar Joaquim novamente a jovem sente algo lhe cutucar. Corando, ela comenta:

— Jo-Joaquim, eu também estou feliz em ver você, ma-mas esse não é o momento. Além do mais, eu ainda não me sinto pronta...

— Pronta pra quê, Manu ?Do que você está falando?

Manu olha para baixo. Entendendo ao que a namorada se referia, Joaquim imediatamente cora dos pés à cabeça:

— Nã-Não, Manu! Não é nada disso que você está pensando! Isto aqui é...

Antes que Joaquim possa completar, Isa vai até o casal e se dirige ao rapaz, sorrindo:

— Cunhadinho! Quer dizer que você roubou uma viatura só pra vir aqui me visitar? Eu me sinto honrada... – Brinca Isa indo abraçar o rapaz.

Joaquim cumprimenta Isabela no mesmo tom alegre:

— E aí, Isa? É bom ver que você está bem...

— Mas é claro que eu estou bem, querido! Ainda está pra nascer alguém que possa derrubar Isabela Junqueira! – Gaba-se Isabela.

Quando Isa abraça Joaquim, ela também sente algo lhe cutucar, e logo desfaz o abraço, comentando de maneira jocosa:

— Epa, calma aí, Joaquim! Eu sei que eu sou irresistível, mas você é namorado da minha irmã ...

Percebendo que o mal entendido se repetia, Joaquim suspira:

— Não é nada disso que vocês estão pensando! Vejam...

O rapaz então levanta um pouco a camisa, tornando possível ver uma pistola em sua cintura, surpreendendo as duas jovens:

— Quem diria, Joaquim Vaz armado e roubando uma viatura! Você é mesmo cheio de surpresas, cunhadinho... – Diz Isabela com um sorriso maroto.

— A-Amor, onde você conseguiu isso? – Pergunta Manuela levando as mãos à boca, horrorizada.

Os olhos de Isabela pousam sobre uma garota loira de olhos azuis que chegou na viatura com o grupo de Joaquim e sua expressão muda completamente. Dirigindo à garota um olhar de puro ódio, ela interpela o namorado da irmã:

— E o mais importante: O que ELA está fazendo aqui?

A outra garota encara Isa com um olhar da mesma intensidade enquanto Manu a olha com tristeza. Joaquim suspira novamente e fala:

— É uma longa história...

— Então é bom você começar a contar logo porque eu não sei se nós temos muito tempo... – Retruca Isa impaciente.

[FLASHBACK]

A cidade havia se transformado em um verdadeiro campo de batalha, onde soldados entrincheirados atrás de carros, muros ou quaisquer outros tipos de barreira que pudessem encontrar no ambiente urbano se enfrentavam entre si, apesar de envergarem o mesmo uniforme. Tiros e explosões eram ouvidos por todos os lados. O cenário era de caos e destruição até onde a vista alcançava. No meio disso tudo, Joaquim, seus irmãos e amigos percorriam as ruas com muita cautela, se protegendo atrás dos carros até que param atrás de um deles por um momento, assustados e cansados:

— Mas o que está acontecendo? Parece uma guerra! – Questiona Júlia confusa.

— Eu acho que é uma guerra, amor! – Responde André tentando conter o nervosismo enquanto abraça a irmã e a namorada, uma de cada lado, procurando protege-las. – Acho que li alguma coisa sobre isso na internet, mas achei que era fake...

— Bom, pelo jeito não era... – Comenta Joaquim tomando a frente do grupo.

— Eu tô com medo, André! – Diz Lola agarrando-se ao irmão.

— Calma, Lola. Eu não vou deixar nada acontecer com você, eu prometo! – Responde André com carinho buscando consolar a irmã.

Joaquim examina os arredores cautelosamente e então finalmente anuncia ao resto do grupo em um tom cheio de segurança:

— Barra limpa, galera! Vamos!

O grupo segue cautelosamente, com Joaquim sempre à frente, se protegendo como podem do fogo cruzado, até que finalmente chegam até uma viatura. Ao lado do veículo jazia o corpo de um policial, ainda com sua arma em punho. O rapaz se abaixa ao lado do morto e fecha seus olhos, então lhe tira a arma e a coloca na cintura. Ele então vai até a viatura, que estava com a porta aberta, e vê que a chave ainda estava na ignição. O policial provavelmente não teve tempo de tirá-la de lá, pensa. Ele então chama os demais:

— Vamos!

—Na-Não me diga que você vai roubar esta viatura, Joaquim? – Pergunta Júlia incrédula.

— Eu não creio que ele vá se importar... – Responde Joaquim de maneira prática indicando o corpo do policial com um gesto de cabeça, deixando os outros sem palavras por alguns instantes, até que Felipe quebra o silêncio:

— Tá bom, mas eu vou na frente!

— Não, Felipe! O André vai na frente porque é o segundo mais velho.

André então sente Julia e Lola se agarrarem a ele com todas as forças, lhe dando um aperto no coração, e então se dirige a Joaquim com um olhar decidido:

— Acho melhor eu ficar com as meninas, por segurança.

Joaquim suspira, mas logo assente:

— Tá bom, então o Felipe vai na frente! Mas vamos logo, que estamos perdendo tempo!

O grupo então entra no veículo e parte à toda velocidade. Eles seguem assim até que, ao passar por um beco, Joaquim repentinamente diminui a velocidade e dá a ré com a viatura:

— O que foi, Joaquim, Por que a gente voltou? – Questiona Felipe confuso.

— Eu tive a impressão de ver alguém conhecido... – Responde Joaquim.

O rapaz continua a andar de ré até que vê uma jovem loira e de olhos azuis, de cerca de 18 anos, encostada na parede do beco, sentada no chão com os joelhos junto ao peito, parecendo paralisada de medo. Joaquim então grita:

— Gente, é a Priscila!

Todos então olham para onde está a jovem e começam a chama-la:

— PRISCILA! EI! AQUI!

A jovem parece então reconhecer as vozes que a chamavam, olhando na direção da viatura. Ao ver que conseguiram chamar a atenção da menina, o grupo a chama com mais intensidade:

— AQUI PRISCILA!VEM!

Após uns poucos milésimos de hesitação, Priscila logo corre em direção à viatura. Quando ela chega Júlia a puxa pra dentro e logo eles partem novamente.

[FIM DO FLASHBACK]

— E foi isso. Nós não podíamos deixar a Priscila lá sozinha. – Justifica-se Joaquim.

— Por que não? – Questiona Isabela irônica.

— ISA! –Repreende Manuela, fazendo Isa revirar os olhos.

— Ai, Manuela, não sei como você pode defender essa aí! Esqueceu que ela já tentou roubar o seu namorado mais de uma vez? – Retruca Isabela com raiva.

— Olha, Isa, eu até te entendo. Eu também não morro de amores pela Prichata! Mas nós não podíamos deixar ela ali à própria sorte. Por mais chata que ela seja, ela é um ser humano! – Racionaliza Julia.

Isabela suspira, resignada, e então fala em um tom mais ameno:

— Tá, tá, vocês tem razão! Eu também não desejo a morte dela. Bom, só às vezes...

Ao receber o olhar de censura dos demais, Isa responde nervosa:

— Aff, credo, eu estava só brincando! – Então comenta em voz baixa: — Bom, mais ou menos... — Então a jovem racionaliza: — Seja como for, nós não podemos ficar parados aqui. – Ela então chama a atenção dos demais — Pessoal, me escutem!

Quando todos voltam suas atenções a ela, Isa então continua:

— Não é seguro nós continuarmos aqui, então eu proponho que nós continuemos andando pela mata até encontrarmos um lugar seguro para passar pelo menos esta noite!

— Ei, quem fez de você a líder? – Questiona Priscila com raiva.

— E quem disse que eu estou falando com você ? Por mim você nem estaria aqui! – Rebateu Isa cortante.

— Isa! – Repreende Manuela novamente.

— Ah Manuela, vai ter peninha dessa aí agora, depois de tudo que ela fez para tentar te prejudicar? – Rebate Isabela irônica.

— É verdade, mas não é certo pagar o mal com o mal! Ainda mais em uma situação como esta... – Responde Manuela complacente.

— Não entendo como você pode ser tão boazinha ... – Isabela revira os olhos e suspira com irritação: – Aff, que seja... – Então volta a se dirigir à Priscila: — Bom, se você prefere ficar e esperar que te encontrem a escolha é sua. – Responde Isa dando de ombros, então retorna sua atenção aos outros: — O mesmo vale para vocês. E então, o que vocês decidem ?

— Eu vou com você! – Responde Manuela determinada.

— Eu também! – Acrescenta Joaquim.

— É claro que eu vou com você, Isa! Você sabe que sempre pode contar comigo! — Declara Téo com um sorriso que é retribuído por Isa.

— Não tenho nada pra fazer mesmo... – Diz Omar arrogante.

— É, eu também vou. Apesar da companhia não ser das melhores... – Responde Sabrina de maneira mordaz, dirigindo o olhar para Mateus e depois para Omar. Mateus ignora o comentário enquanto Omar revira os olhos.

E assim, um a um, todo o grupo decide seguir com Isabela a procura de um abrigo até que chega a vez de Priscila. Isabela se dirige a ela impaciente:

— E aí? Você vai ou fica ?

Todas as atenções se voltam para a loira de olhos azuis. Ela então suspira e, resignada, responde:

— Vou né? Fazer o quê ?

— Então está decidido, pessoal. Agora vamos logo que já perdemos muito tempo: — Diz Isabela apressando os demais. O grupo então segue caminho floresta adentro a procura de abrigo.

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Após caminharem por algumas horas, o grupo chega a uma cabana no meio da floresta. O lugar era relativamente simples, mas parecia seguro e algo afastado. Era a cabana dos guardas florestais que cuidavam do parque. Talvez com alguma sorte eles encontrassem algumas provisões e ferramentas que pudessem usar. Após procurarem por algum tempo Isa e Téo logo acham dois rifles aparentemente em boas condições, e algumas balas:

— É, isto realmente vai ser útil... – Diz Isabela examinando a arma e sorrindo.

Omar por sua vez encontra um revólver e balas, o que o faz sorrir de orelha a orelha e seus olhos brilharem, como se tivesse encontrado um tesouro. Ele então gira o tambor da arma, sorri de maneira presunçosa e então a aponta para Mateus, o assustando. A reação do outro garoto faz Omar cair na gargalhada enquanto Mateus olha para ele com raiva. Neste momento a voz de Júlia chama a atenção de todos:

— Gente, achei a despensa!

Todos então correm para a direção de onde vem a voz de Júlia. Depois de algum empurra-empurra, Isabela toma a frente do grupo, ficando ao lado da irmã de Joaquim e inspecionando a despensa junto com ela:

— Vamos ver o que temos aqui... Urgh, está cheio de comida enlatada! Mas não acho que estejamos em condições de escolher... – Suspira Isa.

— Não sei se isso aqui vai dar para todos nós... – Comenta Júlia preocupada.

— Vamos ter que racionar. Fazer isto durar o máximo possível. – Propõe Isabela.

— E quando isto acabar ? – Indaga Júlia preocupada.

— Aí nós vamos ter que ir atrás de comida. E água também, porque esses galões também não vão durar para sempre... – Responde Isabela pensativa.

Enquanto Isabela ponderava os passos a serem tomados dali por diante, Manuela, Mateus e Dóris aproximam- se dela:

— Com licença, Isa, a gente pode falar com você um minutinho? – Pergunta Manuela chamando a atenção da irmã.

Percebendo a tensão que emanava dos três jovens, Isabela se dirige à Júlia:

— Certo, Júlia, então você cuida das provisões de agora em diante, tudo bem ?

— Sem problemas! – Responde Júlia ainda examinando a despensa.

Isabela então pede licença e vai com Manuela e os Jardim até um canto da cabana:

— Pronto, podem falar. – Incentiva Isa.

— Sabe o que é, Isa, nós... – Começa Manuela, mas ao ver a indecisão da amiga, Mateus completa determinado:

— Nós queremos ir até o vilarejo!

— O quê ?! – Exclama Isa. Os outros três fazem sinal para que ela fale mais baixo e ela assim o faz – Ir até o vilarejo?!Agora?! Vocês estão malucos ?!

— Nós estamos preocupados! Queremos ver se as nossas famílias estão bem! – Diz Dóris. Manuela assente com a cabeça.

— É, Isa! Você não está preocupada com a nossa mãezinha? – Questiona Manuela.

A pergunta pega Isabela de surpresa. Rebeca a havia abandonado, ou pelo menos era o que ela acreditava. Então por que ela deveria se importar com ela? Mas ao mesmo tempo ela não queria que algo de mal acontecesse a ela, pois sabia que sua irmã iria sofrer. Recompondo-se, ela volta a se dirigir à irmã:

— Isto não vem ao caso. A questão é que é muito arriscado ir para o vilarejo agora, com todos aqueles soldados que estão por lá. Neste momento nós devemos pensar em nós!

— Mas nós precisamos saber como estão as coisas por lá! Vai, Isa, por favorzinho! – Suplica Manuela.

— Ah, Manuela, lá vem você e seu diminutivo! – Responde Isabela irritada. Ela então fecha os olhos, suspira, e, dirigindo um olhar cansado aos três, diz:

— Tá bom, nós vamos! Mas não dá pra ir todo mundo! Vamos apenas eu, Téo, Mateus e Omar.

— Ei, por que o Omar tem que ir?! – Protesta Mateus.

— É, e por que eu não vou? – Completa Dóris igualmente irritada.

Com uma expressão séria, Isabela responde:

— Certo, vamos lá: Bom, primeiro: O Omar é um dos poucos aqui que tem uma arma, assim como eu, Téo e Joaquim. E alguém vai ter que ficar e cuidar dos outros, e vocês hão de concordar que o Joaquim é o mais indicado. Por isso vamos precisar da ajuda do Omar. E segundo: Essa é uma missão arriscada, e não sei se você está preparada para ela, Dóris. Além do mais, um grupo pequeno é o ideal para este tipo de missão. Sendo assim, é melhor você ficar aqui com os outros, em segurança.

Mateus e Dóris reviram os olhos mas concordam, a contragosto.

— Certo, então mais tarde, quando o sol não estiver tão forte, nós vamos até lá.

Os outros assentem com a cabeça, em concordância. Estava decidido. Eles iriam ao vilarejo.

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O pequeno grupo chega ao vilarejo no finzinho da tarde. Para evitar que fossem vistos pelos soldados que agora ocupavam o lugar, eles decidiram permanecer escondidos entre as árvores, na fronteira entre a mata e o vilarejo, em um ponto estratégico que os permitia ter uma visão ampla do vilarejo e de tudo o que lá estava acontecendo. Desta forma puderam ver que naquele momento todos os habitantes do lugar pareciam estar reunidos em frente ao coreto, como que esperando que algo fosse acontecer. Intrigado com tal visão, Téo indaga:

— Qual será o motivo de toda esta comoção?

— Não sei, mas tenho quase certeza que nós já vamos descobrir... – Responde Isabela apreensiva.

No coreto estava armado uma espécie de palanque, com um microfone no centro, como que pronto para que ali fosse feito algum discurso. Logo todas as atenções se voltam para um homem fardado, que se dirige ao coreto, sendo escoltado por outros dois homens fardados, enquanto vários outros pareciam estar os vigiando de diversos pontos da praça. Já no coreto, o homem que ia à frente do grupo se põe à frente do microfone e, com as atenções de todos na praça voltadas à ele, ele se dirige à multidão:

— Saudações povo do Vilarejo dos Sonhos! Eu sou o Capitão Jair Amaro, comandante desta operação. Vocês devem estar se perguntando o porquê de estarmos aqui, por isso estou aqui diante de vocês para dar as devidas explicações. Pois bem: Como vocês devem saber, o nosso país está em guerra. Uma guerra contra um inimigo interno, do pior tipo, que intenciona destruir este país promovendo uma inversão de valores que afronta a moral e os bons costumes e minar a sólida base na qual se constituiu esta nação. E para isso estamos aqui: Para protegê-los deste mal e garantir que ele não atinja a vocês e suas famílias!

De seu ponto de observação, o grupo de jovens ouvia as palavras do líder da tropa invasora. Receoso, Mateus pergunta para Isabela:

— Você acredita no que ele está falando, Isa ?

— Claro que não Mateus, acorda! Se eles quisessem mesmo ajudar não teriam invadido o vilarejo da forma como eles fizeram! – Responde Isabela nem um pouco convencida pelas palavras do militar, e então prossegue: — É claro que eles estão aqui só pra defender os próprios interesses!

Como que ecoando os pensamentos de Isabela, uma voz se ergue no meio da multidão:

— É assim que vocês pretendem nos ajudar? Invadindo nosso vilarejo?

A atenção dos jovens e de todo o povo reunido em frente ao coreto se voltam para a direção de onde vem a voz, até se depararem com a diminuta figura de alguém bastante familiar:

— É o Nico! – Exclama Téo.

Do alto do coreto, o Capitão Amaro encara o jovem sapateiro e se dirige a ele impassível:

— Você está entendendo errado, jovem cidadão. Isto não é uma invasão. É apenas uma intervenção para garantir a segurança da comunidade.

— Há, conta outra! Vocês chegam aqui do nada com todo esse equipamento e esse discursinho barato e querem que eu acredite que vocês estão aqui só por nossa causa?! – Questiona Nico em tom de desafio.

Ainda fitando Nico com uma expressão dura, Amaro retruca:

— Nós estamos aqui em nome de uma causa maior. Maior que eu, maior que você, maior que todos nós! Mas não creio que você compreenda isso, aliás , eu nem espero que compreenda.

Aquela foi a gota d’água para Nico. Ofendido pelas palavras do comandante invasor, o rapaz se lança em direção ao coreto com um objeto não identificado nas mãos, tomado pela fúria. Mas antes que ele possa chegar lá se ouve um estampido e no instante seguinte seu corpo foi ao chão, sem vida, segurando um martelo em uma das mãos. Ao lado de Amaro, um dos soldados que fazia sua escolta guarda sua arma calmamente como se aquilo fosse um incidente corriqueiro.

— NÃO! – Gritam em desespero Téo e Mateus.

O grito dos jovens acaba chamando a atenção dos soldados na praça, que decidem ir à direção de onde ele veio para averiguar. Isabela percebe e então chama a atenção dos outros:

— Fomos descobertos! Temos que sair daqui!

— Mas o Nico... – Começa a dizer Téo com a voz embargada pelo choro.

— Infelizmente não há mais nada que nós possamos fazer por ele. Agora temos que ir para que não aconteça a mesma coisa com a gente. – Diz Isabela com pesar, seus olhos refletindo uma profunda tristeza.

Eles então partem do lugar, com os soldados em seu encalço.

Enquanto isso, no vilarejo, o silêncio sepulcral ao qual se seguiu o tiro é quebrado pelo choro de Dona Fiorina, que corre até o corpo de Nico:

— NON! – Ela se agacha ao lado do corpo e então o pega em seus braços, chorando copiosamente. Então gentilmente o coloca de volta no chão e, dirigindo um olhar de puro ódio aos soldados no palanque, avança na direção deles aos berros:

— MASCALZONI! BASTARDI! SCOMUNICATI!

Percebendo as intenções da esposa, Seu Giuseppe vai até ela e a segura:

— MA ME SOLTA GIUSEPPE! EU VOU ACABAR COM QUESTI MALEDETTI!

— NON, FIORINA! EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ FAZER QUESTO! – Grita Seu Giuseppe com os olhos já enchendo de lágrimas.

— MA-MA ELES...O NICO... – O choro não permite que a senhora italiana continue a falar. O marido então a abraça.

— Io sei, Fiorina, io sei, ma infelizmente questo non vai trazer o Nico de volta... – As lágrima então caem dos olhos do sapateiro, que agora também chora abertamente.

O Capitão Amaro assiste à cena diante dele com a expressão imutável, em silêncio. Após um breve momento onde pareceu hesitar, ele finalmente fala, dirigindo-se novamente ao povo ainda reunido na praça:

— Este é o destino ao qual estão fadados todos aqueles que vão de encontro ao futuro da nação! Espero que esta fatalidade sirva de lição a todos nós. Tenham uma boa tarde. – O comandante então se retira, seguido por sua escolta, deixando para trás os perplexos habitantes do vilarejo.

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De volta à floresta, o pequeno grupo liderado por Isabela tenta despistar os soldados que os perseguem, o que conseguem fazer com certo êxito graças ao conhecimento de Téo e Mateus acerca do ambiente. Porém, em uma atitude irresponsável, Omar começa a atirar na direção dos soldados, entregando a localização do grupo. Isabela imediatamente chama a sua atenção de maneira enérgica:

— Para com isso, Omar!

— É, você está nos entregando! – Acrescenta Téo.

— Não, eu vou mostrar pra esses infelizes o que é bom pra tosse! – Retruca Omar ignorando os demais.

Mateus então toma uma atitude extrema, dando um soco em Omar, levando-o ao chão.

Ao se dar conta do que tinha acabado de fazer, Mateus olha para Omar com os olhos arregalados, não compreendendo seus próprios atos. Bom, é verdade que ele não gostava do outro garoto, mas ele nunca fora uma pessoa violenta. Omar também olha para ele com uma expressão igualmente perplexa, que logo se transforma em uma de puro ódio. Ele então faz menção de partir para cima de Mateus, mas ao invés disso, corre mata adentro até que os outros o perdem de vista. Isa e Téo assistem à cena, atônitos, até que Téo, ainda aturdido, indaga a irmã de Manuela, com os olhos ainda voltados para a direção para onde foi o outro jovem:

— Devemos ir atrás dele?

Saindo do transe, Isabela balança a cabeça negativamente:

— Deixa ele se acalmar. Se ele demorar muito a aparecer nós vamos atrás dele. Agora é melhor a gente ir antes que eles nos encontrem.

O grupo segue de volta para o abrigo.

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Enquanto isso, na cabana, Manuela sente uma grande tristeza, sem motivo aparente. Isto só poderia significar uma coisa: Isabela estava triste. Mas por quê? O que poderia ter acontecido para deixar sua irmã assim? Ao ouvir a porta da cabana se abrir a garota fica extremamente ansiosa, assim como os demais. Joaquim ficou a postos caso quem estivesse chegando fosse um estranho ao invés de seus amigos. Ao verem Isabela adentrar o recinto seguida pelos demais, todos respiram aliviados. Manuela corre até a irmã e a abraça:

— Isa! Vocês demoraram! Nós já estávamos morrendo de preocupação!

Manu percebe a irmã tensa em seus braços e então olha para o seu rosto. A expressão de profunda tristeza no rosto de Isa apenas confirma a sua quase certeza. Ela então olha para Téo e Mateus, que estavam chorando. Temerosa a jovem pergunta:

— O que aconteceu? Foi alguma coisa com o Omar? Por isso ele não veio com vocês?

Isa balança a cabeça negativamente, deixando não só Manuela como todos os outros ainda mais nervosos. Exaltada, Manuela indaga aos três:

— Então o que foi, gente?! Falem, por favor! Vocês estão me assustando!

Com a voz embargada, Téo tenta falar:

— O...O Nico...

A menção do nome de Nico faz Dóris se pronunciar, apreensiva:

— O... O Zangado? O que aconteceu com ele?

Desta vez é Mateus quem fala, também aos prantos:

— Eles... Eles mataram o Nico! Na frente de todo mundo!

Todos os presentes ficam em estado de choque. Especialmente Dóris, que olha do irmão para Téo e Isabela, e então balança a cabeça em negação:

— Não. Não, isso não pode ser verdade! ME DIZ QUE ISSO NÃO É VERDADE MATEUS! – A garota então chora, inconsolável, e logo o seu irmão a abraça, tentando consolá-la.

Uma profunda tristeza paira sobre o lugar, sentida até por aqueles que não conheciam Nico, como era o caso de Priscila, pois o clima pesado que agora tomava o lugar era sentido por todos.

— Primeiro eles tomam nosso vilarejo e agora matam os nossos amigos?! O que a gente vai fazer? – Questiona Manuela com lágrimas nos olhos.

Ao ouvir a pergunta da irmã, Isabela levanta a cabeça e, com o olhar e a voz cheios de determinação, declara:

— Nós vamos lutar! É isso que vamos fazer!

A declaração de Isabela faz os olhos de todos os presentes se voltarem à ela.

— Mas como, Isa? Eles são muitos e estão armados! Nós não temos chance contra eles! – Diz Mateus incrédulo.

— Eles podem ser muitos, mas nós temos uma vantagem sobre eles: Esse é o NOSSO VILAREJO! Nós conhecemos este lugar melhor do que ninguém, e podemos usar isso a nosso favor! Eles nem vão ver o que os atingiram! – Diz Isa confiante. Manuela, que até há pouco estava chorando, enxuga as lágrimas e se coloca do lado da irmã com a mesma expressão determinada:

— A Isa tem razão! Esse é o nosso lar! Nós não podemos deixar que ele seja tirado de nós!

Téo também se aproxima de Isabela, colocando a mão em seu ombro:

— Vocês estão certas! Temos que lutar, por nós e pelas nossas famílias! Não podemos deixar que a morte do Nico seja em vão! Eu estou com vocês! – Declara determinado o jovem Cavichioli recebendo um sorriso de Isabela o qual ele retribui.

Podem contar comigo! – Diz Joaquim

— Comigo também! – Diz Júlia.

— É claro que eu estou dentro! Nunca iria deixar vocês na mão! – Declara André trocando olhares e sorrisos apaixonados com Júlia.

Logo quase todos respondem afirmativamente à convocação de Isabela. Finalmente chega a vez de Priscila e novamente todas as atenções se voltam para ela. Resignada, ela responde sem muita animação:

— Não creio que eu tenha muita escolha, então eu acho que também estou dentro...

Isa simplesmente revira os olhos com a fala da loira, mas logo volta suas atenções ao resto do grupo, com a mesma expressão determinada:

— Então está decidido! Vamos mostrar pra esses desgraçados o que é bom pra tosse!

Notas finais
Tradução da fala da Dona Nina: "PATIFES! BASTARDOS! EXCOMUNGADOS!" Pois é, eles mataram o Nico :( ... É triste, eu sei, mas era necessário para dar mais um motivo para as crianças(bem, para os jovens) lutarem contra os invasores. No próximo capítulo eu vou mostrar mais um pouco de como estão as coisas na cidade. Então até mais! E por favor comentem!