Notas iniciais
Primeiramente,gostaria de agradecer às leitoras Emily Caskett e Little Wizard pelos comentários!Sério,MUITO OBRIGADO! Espero que gostem deste capítulo também! Em segundo lugar, MIL PERDÕES PELA DEMORA! Eu não pretendia demorar tanto para escrever este capítulo, mas sempre que eu ia escrever surgia uma coisa nova que eu queria colocar e por isso ele acabou ficando um pouco grande... E também porque eu não queria enrolar mais antes de começar a ação. Bom, este capítulo também não tem muita ação, mas tem vários momentos emocionantes! Enfim, boa leitura!

— Olhem, elas estão chegando!

A voz de Nico faz todos os que estavam na praça voltarem suas atenções à estrada. Ao longe, já era possível ver o conversível preto de Isabela se aproximando. Conforme se aproximavam, as meninas também já podiam ver a comoção que tomava conta da praça:

— Nossa, parece que o vilarejo todo está aqui! – Admira-se Manuela.

— É, eu tenho que admitir: O pessoal do vilarejo sabe mesmo como dar as boas- vindas – Diz Isabela com um sorriso.

Enfim elas chegam ao vilarejo. Assim que Isabela estaciona o seu carro, todos se aproximam para cumprimentá-las. Elas então descem do carro e, assim que vê a mãe, Manu vai em sua direção e a abraça:

— Mãezinha!

— Manu, meu amor! Que saudade!

Porém, quando Rebeca vai abraçar Isa, a garota passa direto por ela e vai abraçar Marina:

— Marina!

— Minha menina! Você não sabe como é bom te ver!

As meninas então cumprimentam Nina, Helena e Ofélio, Isa propositalmente ignorando Rebeca, o que a deixava arrasada. Notando isto, Marina a indaga com uma expressão de reprovação:

— Isa, você não está esquecendo de nada?

— Que eu saiba não. – Responde Isa confusa.

Marina então faz um gesto com a cabeça na direção de Rebeca. Isa revira os olhos e se dirige à mãe com um tom de irritação:

— Oi Rebeca...

— Oi Isa. Estou feliz que você tenha vindo! – Responde Rebeca sorrindo com tristeza no olhar.

— Tanto faz ... – Responde Isa simplesmente.

Manuela dirige à irmã um olhar de tristeza. Ela já sabia que seria assim, afinal era assim todas as vezes. Mas sempre doía ver o jeito como Isabela tratava sua mãe. Vendo que o clima estava começando a ficar pesado, Dona Nina resolve intervir:

— Todos nós estamos muito felizes que vocês estejam aqui, meninas!

— É, só assim pra Manuela desgrudar daquele namoradinho dela... – Diz Isa com cara de nojo.

— Ai Isa, não fala assim! — Defende-se Manuela.

— Mas é verdade! Ainda bem que eu não sou diabética, senão eu já tinha morrido faz tempo... – Retruca Isabela, ainda com a mesma expressão. Ela então olha ao redor até que avista Téo a alguns metros de distância de onde ela estava. Seu rosto então se ilumina, sendo tomado por um enorme sorriso e, sem pensar duas vezes, ela corre na direção do garoto e se lança sobre ele, abraçando-o e quase o derrubando (o famoso GLOMP):

— TÉO! – Exclama Isa emocionada.

Mal tendo tempo de ver o que o atingiu, Téo retribui o abraço ao mesmo tempo em que tenta manter o equilíbrio, erguendo Isa do chão. Inebriado com o perfume da menina, ele abre um sorriso tão grande quanto o dela:

— Parece que você ainda lembra de mim. – Brinca Téo.

— É claro que eu lembro, seu bobo! Como eu poderia esquecer o meu melhor amigo? – Diz Isabela.

Observando a cena de longe, Manuela balança a cabeça negativamente e ri:

— Ai, ai. E ela ainda fala de mim...

Ela então vai em direção à irmã e seus amigos.

Isa e Téo permanecem abraçados por um tempo até que alguém chama sua atenção:

— Ahem, nós também estamos aqui – Diz Mateus tentando conter o riso.

Os dois então se separam imediatamente, completamente ruborizados. Se recompondo, Isabela cumprimenta os amigos:

— Ah, oi Mateus! Oi Dóris!

— Que bom que você também lembra da gente... – Diz Dóris com um sorriso sapeca.

— Isso vindo de você é um tanto inusitado Dóris... – Retruca Isabela bem-humorada.

— Ei, eu não sou tão esquecida assim! – Defende-se Dóris, mas logo completa: — Bom, talvez só um pouquinho...

A fala da garota faz todos rirem. Neste instante, chega Manuela

— Amigos! Que saudades que eu estava de vocês! – Diz Manuela, abraçando-os um a um.

— Também sentimos saudades de vocês, Manu! — Responde Téo, sorrindo.

— É verdade, o vilarejo não é o mesmo sem vocês... – Concorda Mateus.

—----------------------------------------------------------------------------------

Não muito longe dali, Omar conversa com seu pai, Joel:

— Então, Omar: Feliz com a vinda das sobrinhas da Helena? – Pergunta Joel.

— Muito, pai! Especialmente pela Isabela... – Responde Omar com um sorriso lascivo.

— Você sempre gostou desta garota, não é? – Indaga Joel com uma expressão de compreensão.

— Sim, pai! Desde o primeiro momento que eu a vi! Não tenho dúvidas de que ela é a mulher certa pra mim... – Confirma Omar.

— Então vá à luta, meu filho! Eu já não tenho muita esperança com a tia dela, apesar de não estar disposto a desistir! Mas quem sabe você não tenha mais sorte? – Encoraja Joel.

— É isso mesmo o que eu vou fazer! Vamos, Sabrina! Vamos dar as boas-vindas às recém chegadas... – Diz Omar, resoluto.

Sabrina, que se encontrava distraída olhando Mateus, responde um tanto desnorteada: — Ahn? Ah, c- claro, Omar! – Os dois então se dirigem para onde estão as gêmeas e os demais.

Ao ver Omar e Sabrina se aproximando todos ficam em silêncio, a maioria com expressões sérias no rosto, com exceção de Téo, que sorria de maneira cordial. Omar então se aproxima de Isabela, sorrindo de maneira sedutora:

— Isa! Que prazer te ver de novo!

— Pena que eu não possa dizer o mesmo Omar... – Responde Isabela com um sorriso sarcástico.

Omar ri e então continua:

— Estou vendo que você não mudou nada! Mas tudo bem, gosto de você assim...

Isabela revira os olhos. Omar então se dirige à Manuela:

— Ah, seja bem-vinda de volta você também, Manu...

— Oi Omar. — Responde Manuela educada. Assim como Téo, ela acreditava que não se devia julgar as pessoas, porém Omar lhe dava calafrios. Colocando o sorriso sedutor de volta no rosto, Omar volta suas atenções novamente à Isabela:

— Então, Isa, eu vim te convidar para ir lá no meu Haras qualquer hora dessas. Pode levar a sua irmã também. Garanto que eu sou uma companhia muito melhor que esses caipiras...

— Olha aqui, Omar... – Mateus começou, mas Isabela, sem tirar os olhos de Omar, fez um sinal com a mão para que ele parasse, e ele relutantemente o fez, ainda dirigindo um olhar furioso ao outro garoto. Então, com um sorriso irônico no rosto, Isabela responde a Omar:

— Faz o seguinte, Omar: Vai pro seu Haras, deita na sua cama, fecha os olhos e sonha, porque esse é o único jeito de eu perder um dia, não, um minuto que seja da minha vida com você...

Todos se calam, esperando a reação de Omar. Este, após alguns segundos sem reação, se recompõe e, mantendo a pose, se dirige à Isabela com um sorriso presunçoso.

— Bom, se mudar de idéia, você sabe onde me encontrar... – Então se dirige à Sabrina, que no momento encontrava-se olhando para Mateus, distraída – Vamos, Sabrina! – Ao ver que ela não respondia ele repete irritado, elevando o tom de voz: — Eu disse vamos, Sabrina!

Saindo da transe, Sabrina responde:

— Ah, si-sim, vamos... — Ela então dirige um último e breve olhar para Mateus, e então segue Omar.

— Já vão tarde! – Diz Isa com desdém.

Téo, que observou tudo em silêncio, não pôde evitar de sorrir feito um bobo. Afinal, esta era mais uma prova de que Isa realmente não gostava de Omar. Mas e dele, será que ela gostava? Quer dizer, como algo mais do que um amigo? Ele não sabia, e na verdade tinha medo de descobrir e acabar estragando a amizade dos dois. No momento, era melhor se contentar com o que tinha e tentar ser feliz com isso. Mas seria o suficiente? Seu pensamento foi interrompido pela voz de Manu, dirigindo-se à irmã:

— Na verdade nós também temos que ir, Isa. Estão nos esperando.

— É mesmo, você tem razão. Então a gente se vê pessoal! – Isa se despede de todos sorrindo, mas dirigindo seu olhar à Téo.

— Claro, a gente se vê! – Responde Téo ainda sorrindo feito bobo.

— Até logo, meninas! – Despede-se Dóris enquanto ri da cara de Téo.

Mateus permanece calado, o olhar vago voltado para a direção por onde foram anteriormente Omar e Sabrina, tanto que nem mesmo nota sua irmã falando com ele:

— Ai, ai, a Isa mostrou praquele metido do Omar, não é, Mateus? – Diz Dóris entre risos, ainda olhando na direção das meninas. Ao não obter resposta, volta-se para o irmão, tentando chamar sua atenção: — Mateus? – Como o rapaz permanecia olhando para o nada, ela então grita: — MATEUS!

O grito da irmã faz Mateus dar um salto, assustado:

— Ai, Dóris! O que foi?

— Eu é que pergunto! Estou aqui há um tempão falando com você e você não responde, só fica aí, parado, com a cabeça sabe-se lá onde! E depois sou eu que vivo no mundo da lua...

— Que mundo da lua, Dóris? Eu só estou meio sonolento, só isso! – Responde Mateus desconcertado.

— Uhum, sei... – Diz Dóris desconfiada, e logo pergunta: — Então, vamos pra casa?

— Pode ir na frente, eu tenho que ir em um lugar antes... – Responde Mateus.

— Aonde? – Pergunta Dóris curiosa.

— É coisa minha, nada demais... – Responde Mateus simplesmente.

— Tá bom então... – Responde Dóris dando de ombros.

— Então eu também vou indo. Até mais, amigos! – Despede-se Téo.

— Tchau Téo. – Respondem Mateus e Dóris e então cada um toma um rumo diferente.

—--------------------------------------------------------------------------------------------

Enquanto isso, as gêmeas retornam para onde estava sua família, com Manu indo para junto da mãe e Isa para junto de Marina:

— Então, Marina: Vamos? – Indaga Isa. Rebeca então olha para Manu com uma expressão confusa, a qual a garota responde com um olhar apreensivo, e então, com a mesma expressão, dirige-se à Isa:

— Ué, mas eu pensei que dessa vez você fosse ficar conosco...

— E por que você pensaria isso? – Indaga Isa igualmente confusa e irritada, até que parece se dar conta de algo e olha para Manu com uma expressão furiosa, vociferando entre dentes: -Manuela...

Manuela encara a irmã com uma expressão desconcertada:

— Isa... – Responde Manuela, nervosa.

Isabela faz um sinal com a cabeça para que Manuela a siga, e Manu cautelosamente o faz. Quando as duas estão sozinhas em um canto, Isa se dirige à irmã em um tom baixo e ameaçador:

— Me dá um bom motivo pra eu não te matar...

— Porque eu sou sua irmã e você me ama? – Diz Manu com um sorriso nervoso.

Isa a fuzila com o olhar, fazendo Manu entregar os pontos:

— Ai, tá bom, Isa! Eu confesso! Eu disse pra nossa mãezinha que você ia ficar com a gente dessa vez! Eu só achei que seria uma forma de você se entender com ela!

—Eu concordo com a Manuela. – Diz Marina, surgindo por trás delas.

— Marina! Você estava ouvindo a nossa conversa?! – Repreende Isabela.

— Eu estava vindo aqui falar com você e acabei ouvindo o que a Manu falou, aliás eu ia justamente te dizer que acho esta uma ótima idéia. – Continua Marina.

— O que?! Você só pode estar louca! Vocês duas! – Indigna-se Isa.

— Não Isa, pelo contrário! É como a Manu falou: Esta é uma ótima oportunidade de você se entender com a sua mãe. E é por isso que eu acho que você devia ficar na casa dela dessa vez.

— Eu não estou acreditando nisso... – Diz Isabela exasperada. Ela então olha para o rosto suplicante de Manuela, e depois para Marina, que traz no rosto uma expressão resoluta e então suspira, derrotada: — Ah, tá bom! Já que a Marina não me quer na casa dela, acho que eu não tenho outra escolha...

— Não faz drama, Isabela! Você sabe que as portas da minha casa estão sempre abertas pra você. – Repreende Marina com carinho.

— Ai, Obrigada Isa! – Diz Manuela eufórica abraçando a irmã

— Tá, chega, Manuela! Agora vamos antes que eu mude de idéia! – Resmunga Isa.

As duas então voltam para onde estava sua família. Ao vê-las, Otávio se dirige a elas sorrindo:

— Então, vamos?

— Podem ir na frente. Eu vou ficar por aqui mais um pouco. – Responde Isa com um sorriso amarelo.

— Tudo bem então. Quer que eu leve as suas malas? – Pergunta Otávio.

— Pode ser ... – Responde Isa dando de ombros.

Otávio pega as malas das meninas no porta-malas do carro de Isa e as coloca no seu e então todos se despedem e, com exceção de Isabela, entram no carro de Otávio e se vão. Ao vê-los se afastar, Isabela dá um suspiro de alívio. Ela então coloca a mão no bolso de sua jaqueta, de onde tira uma carteira de cigarros e um isqueiro estiloso com suas iniciais gravadas. A jovem coloca um cigarro na boca, o acende e traga profundamente.

— Você tinha me prometido que iria parar... – Diz uma voz detrás dela. Ela então se vira em um salto para ver de quem se tratava.

— Te-Téo?!Eu pensei que você tivesse ido pra casa... – Ela diz enquanto joga o cigarro no chão e pisa em cima dele para apagá-lo.

— O dia está tão bonito que eu decidi dar uma volta. E você? Não devia estar na casa da Marina?

— Devia, mas ela e a minha “querida irmãzinha” decidiram armar um complô contra mim, e agora eu vou ter que ficar na casa da Rebeca... – Relata Isa furiosa, fazendo aspas no ar ao dizer “querida irmãzinha”.

— Sério? Que legal! – Exclama Téo animado, porém sua animação se desfaz quando Isabela lhe dirige um olhar furioso.

— Não começa você também! Já é muito difícil aguentar a falsidade dessa mulher, dividir o teto com ela de novo é um pouco demais para mim... – Diz Isa irritada. Ao ouvir isso, Téo suspira e indaga com tristeza:

— Você ainda acha que ela te abandonou, não é?

Isabela então olha pra frente com uma expressão cheia de dor e sussurra amargurada:

— Eu não acho. Eu sei.

Téo balança a cabeça negativamente e então volta a falar no mesmo tom triste:

— Não entendo como você pode pensar isso de uma pessoa tão boa como a Tia Rebeca. Eu a conheço a vida inteira e sei que ela seria incapaz de fazer isso...

Sem conseguir conter suas emoções, Isabela grita:

— MAS ELA FEZ! – Ela então olha a expressão horrorizada de Téo, respira fundo e fala em um tom mais baixo, quase um sussurro: — Ela fez... Ela pode enganar a todo mundo, mas a mim ela não engana! Essa pose de boa mãe é só fachada! Tudo o que ela quer é me usar...- Isa olha para baixo. Seus olhos começam a lacrimejar, mas ela não permite que as lágrimas caiam.

— Isa... – Téo sussurra, olhando-a com pesar. Era doloroso vê-la assim. Afinal, ele a amava. A dor dela era a sua dor.

— Mas chega de falar de mim! – Ela diz enxugando as lágrimas e esboçando um pequeno mas sincero sorriso:- E você? Quando vai sair desse lugar?

— Na-Na verdade... – Ele começa a falar, porém hesita. A verdade é que ele havia feito inscrição para a mesma universidade na qual Isa e Manu estudam e no dia anterior, ao acessar o resultado na internet, descobriu que fora aprovado! Os únicos para quem ele tinha contado eram Matheus e Dóris e tinha pensado inicialmente em contar para Isabela, aliás ela foi a primeira para quem ele pensou em contar. Mas então decidiu que seria ainda melhor simplesmente aparecer lá e fazer uma surpresa, por isso ele decidiu não contar. Ao ver que a atenção dela ainda estava nele, ele completa: — Na verdade eu gosto daqui.

— Mas você não pode querer passar o resto da sua vida aqui! Você precisa expandir seus horizontes! Este vilarejo é pequeno demais para um garoto inteligente como você!

— Vo-Você acha isso mesmo? – Pergunta Téo ruborizado.

— Eu não diria se não fosse verdade! Você sabe que eu não sou do tipo que fica fazendo elogios para qualquer pessoa. Então sinta-se privilegiado! – Diz Isabela em tom de brincadeira. Ela então muda sua expressão para uma de seriedade. – Agora é melhor eu ir de uma vez. Já que eu vou ter que enfrentar esta situação que seja de uma vez. Te vejo por aí?

— Com certeza! – Respondeu Téo sorrindo.

— Então até breve, Téo! – Despede-se Isabela, e o beija no rosto.

— A- Até breve, Isa... – Sussurra Téo corando e com um sorriso bobo de orelha a orelha.

Isabela entra no seu carro e vai embora, enquanto Téo fica olhando na direção para onde ela foi com o mesmo sorriso bobo na cara.

—--------------------------------------------------------------------------------------------

Enquanto isso, em outro canto do vilarejo, Sabrina está caminhando pela rua à caminho de sua casa quando de repente é puxada para um beco. Antes que ela possa gritar, uma mão cobre a sua boca. O pavor vai crescendo dentro dela até que finalmente a pessoa que a puxou a vira, fazendo-os ficar frente a frente. Então o medo da garota dá lugar a uma mistura de alívio e raiva. Quando a pessoa tira a mão da sua boca, ela grita:

— MATEUS!

— Shhh, pra que tanto escândalo, garota? — Repreende Mateus.

— Eu pensei que era algum maníaco querendo me atacar. Se bem que de certa forma é verdade... – Responde Sabrina com ironia.

— Pelo menos eu tenho caráter, diferente de você e do seu amiguinho Omar. Aliás, não sei por que vocês foram à praça esperar as gêmeas hoje... – Diz Mateus desconfiado.

— Fomos dar as boas-vindas à elas. Por que? A gente não pode? – Rebate Sabrina agressivamente.

— Não, não podem! Vocês dois nunca fazem nada sem que haja segundas intenções por trás... – Acusa Mateus.

— Ah, e você é um santo, não é? Quem não te conhece que te compre, Mateus Jardim... – Ironiza Sabrina. E então os dois começam uma sessão de insultos mútuos:

— Mau- caráter!

— Dissimulado!

— Interesseira!

— Aproveitador!

— Falsiane!

— Cafajeste!

A cada insulto eles iam se aproximando cada vez mais, até ficarem a centímetros de distância. De repente, os dois se agarram e começam e se beijar ferozmente. Ela então entrelaçou as pernas na cintura dele e tirou-lhe a camisa. Quando ele foi tirar a dela, ela o repreendeu, entre beijos:

— Mateus, não! Nós estamos no meio da rua...

— E daí? Eu gosto do perigo... – Diz o rapaz sorrindo de lado.

Porém ele atende às suplicas dela e a deixa coberta, acariciando-a por debaixo da blusa. As carícias vão ficando cada vez mais quentes, com Sabrina cravando as unhas nas costas de Mateus enquanto os beijos dele descem da boca dela e vão percorrendo orelha, queixo, pescoço, ombro, e depois o caminho contrário. Envolta pelas carícias do rapaz, a garota de repente pergunta com a voz ofegante:

— Então...Quaaannnnnnndo você...vai... contar...pra todo mundo?

— Hm? Con...tar o quê? – Pergunta ele igualmente ofegante, sem dar muita atenção, enquanto beija o pescoço dela.

— Como assim o quê? Contar sobre nós! – Responde ela como se fosse óbvio.

Neste momento ele para de beijá-la e a encara com um olhar perplexo enquanto tenta segurar o riso:

— “Nós”? – Mateus repete parecendo não acreditar.

— É! – Sabrina reafirma sorrindo.

Sem conseguir mais se conter, o rapaz explode em gargalhadas.

— Qual é a graça? – Ela pergunta, confusa.

Se recuperando aos poucos da crise de riso, ele se dirige à ela com um sorriso debochado:

— Não existe “nós”, Sabrina...

— Claro que existe! “Eu” — Aponta para ela- e “você” — aponta para ele- somos “nós” — aponta dela para ele- entendeu? – Sabrina explica como se ele não tivesse entendido o que ela falou. Isso só faz Mateus elevar o tom do deboche:

— Quem não está entendendo é você. Não existe nada entre nós. Nada além disso aqui.

A expressão de confusão no rosto de Sabrina é substituída por uma de tristeza ao passo que ela começa a se afastar dele e encará-lo. Seus olhos começam a lacrimejar e ela então começa a falar em um tom baixo e trêmulo:

— Mas eu pensei que...

— Pensou? – Mateus a interrompe em tom de zombaria- E desde quando você pensa? Se você pensasse não ficaria seguindo o Omar por aí como se fosse um cachorrinho – Ele então começa a zombar dela assobiando e chamando-a como se fosse um cachorro: — Fiu, fiu! Vem Sabrina! Fiu, fiu! Vem Sabrina!

Ela então não consegue mais segurar as lágrimas. Tomada pela dor e a humilhação, ela o empurra com toda força e grita:

— IDIOTA!

A jovem sai correndo de lá, aos prantos. Sem parar de rir, Mateus apenas a assiste partir.

— Ela volta! Ela sempre volta... – Diz para si mesmo com um sorriso presunçoso.

—---------------------------------------------------------------------------------------------

Longe dali, Isabela estaciona seu carro ao lado do de Rebeca na garagem da casa de Rebeca e Otávio. Era uma casa grande, de dois andares, a maior do vilarejo. Tinha quatro suítes, um grande jardim, sala de jogos, piscina e uma pequena quadra. Ao não ver o carro de Otávio na garagem, Isabela ficou intrigada, e o fato ficou martelando a sua cabeça por todo o caminho até o seu quarto. Chegando lá, ela se joga na cama e solta um suspiro cansado. Instantes depois, alguém bate na porta:

— Isa, posso entrar?

Reconhecendo a voz, ela responde simplesmente, sem se levantar:

— Entra, Manuela...

Manu então entra no quarto, fechando a porta atrás de si.

— Nossa Isa, você demorou! Eu já estava ficando preocupada! – Diz Manu, sentando-se em um pufe, ao lado da cama de Isabela.

— Estava conversando com o Téo... – Responde Isabela olhando para o teto, pensativa.

— Ah tá. Entendi... – Diz Manuela com um sorriso maroto.

Perdida em seus pensamentos, Isabela não percebe a insinuação da irmã. Sentando-se na cama, ela então pergunta, olhando para Manu com uma expressão confusa:

— Você sabe por que o carro do Otávio não está na garagem?

— Ah, é que ele tem uma reunião muito importante na empresa amanhã de manhã, por isso ele teve que viajar logo depois que deixou a gente em casa. – Explica Manu.

— Quer dizer que vamos ser só nós e a Rebeca?! – Exaspera-se Isa.

— Sim, não é legal? – Indaga Manu animada.

— Ah, claro! Simplesmente perfeito... – Responde Isa com sarcasmo.

— E hoje a nossa vozinha e a tia Helena vem jantar com a gente! – Continua Manu no mesmo tom animado. Isso deixou Isabela um pouco mais aliviada, mas sem esboçar a menor empolgação, o que Manuela percebe e comenta:

— Você não parece muito contente...

— Nããããããão, imagina! Eu estou pulando de alegria... – Responde Isa sarcástica.

— Nossa, Isa... – Diz Isabela sentida.

Isabela suspira. Por mais que ela não estivesse gostando daquela situação, não era justo descontar em Manuela. Ela então se dirige à irmã em um tom mais calmo:

— Desculpa, Manu. Eu só estou cansada ...

— Tudo bem, eu entendo. Vou te deixar descansar então. – Diz Manuela sorrindo com doçura, e então se encaminha para a porta. Antes de sair, ela se volta para onde está a irmã e pergunta: — Quer que eu te chame na hora do jantar?

— É, pode ser... – Responde Isabela com a voz cansada antes de fechar os olhos e dormir

Manuela olha uma última vez para a irmã antes de sair do quarto.

—--------------------------------------------------------------------------------------------

Algumas horas depois, Manuela vai até o quarto da irmã, senta do lado da cama e a chama com uma voz suave:

— Isa, acorda. O jantar está na mesa.

Ainda de olhos fechados, Isabela responde sonolenta:

— Tá bom, já vou...

Lentamente, ela abre os olhos e se levanta. As duas então descem para a sala de jantar, onde já se encontrava o resto da família. O jantar ocorreu com relativa tranquilidade, apesar da tensão visível entre Isabela e Rebeca. Depois do jantar, as cinco tiram a mesa e, quando terminam, Manuela lembra de algo e se exalta:

— Ai, lasqueira! Eu prometi ligar pro Joaquim quando eu chegasse! Licença, pessoal! – Manuela então corre para o seu quarto

— E lá vai ela ficar pendurada no celular... – Lamenta-se Isabela e logo completa, conformada – Bom, tanto faz! Vou assistir tv ...

Manuela entra em seu quarto, fechando a porta atrás de si, e imediatamente liga para Joaquim. Mal o celular chama uma vez e ele atende e então os dois começam a conversar:

— Oi amor! Também estou com saudades! Aqui está tudo bem, apesar de tudo. Fazer a Isabela se entender com a nossa mãezinha é uma missão quase impossível, mas eu não vou desistir! E por aí, está tudo bem? Ai, ai, esse Felipe...

Os dois continuam a conversar até que Manu começa a ouvir gritos vindos do andar de baixo:

— Não começa, Rebeca! Eu não sou a ingênua da Manuela pra cair nessa sua historinha!

— Mas é verdade, filha! Acredita em mim!

Sabendo do que se tratava, Manu fica aflita e, com a voz nervosa, diz ao namorado pelo telefone:

—Amor, eu preciso desligar! Está acontecendo alguma coisa aqui! Não sei, eu preciso ver o que é! A gente se fala depois! Também te amo! -Ela Então deliga o celular, colocando-o sobre a cômoda e começa a descer as escadas, o que a permite ouvir a discussão com cada vez mais clareza:

— Não me chama de filha! Você perdeu esse direito quando me abandonou!

— Eu nunca faria isso, Isa! Aquela mulher mentiu pra você!

— E quem me garante que você também não está mentindo? Você é igual a todos os outros! É muita coincidência você ter ido me procurar pouco tempo depois de o meu pai morrer e deixar tudo pra mim, não acha?

— Isabela, não fale assim com a sua mãe! – Intervêm Dona Nina.

— Mas é claro que a senhora vai defender ela! Afinal, ela é sua filha! É isso que uma MÃE faz! – Rebate Isa, enfatizando a palavra “mãe”.

— Eu não estou defendendo ninguém! Só acho que você está sendo injusta com a sua mãe!

— Injusta?!Ha, essa é ÓTIMA! – Ironiza Isabela e perdendo a paciência, completa: — Quer saber? Pra mim já deu... – Pega sua jaqueta que estava pendurada perto da porta, veste-a e sai. Quando ela está saindo, Rebeca pergunta:

— Pra onde você vai?

— Não te interessa! – Vocifera Isa.

Manuela chega no andar de baixo no momento em que Isa sai em direção a garagem e, sem pensar duas vezes, vai atrás dela. Porém quando ela chega, sua irmã já está saindo com o carro:

— Isa, espera! – Grita Manuela enquanto Isabela sai com seu conversível, pisando fundo.

Atrás de Manuela chegam Rebeca, Dona Nina e Helena. A menina então olha para elas e declarada, determinada:

— Eu vou atrás dela!

— Manu, espera! – Rebeca tenta impedir, mas a filha já tinha ido.

Enquanto isso, na sala, a televisão permaneceu ligada. Neste momento, estava passando o noticiário:

— Um grupo de oficiais do alto escalão das forças armadas decidiu mobilizar suas tropas com a intenção de destituir a Presidente, alegando estar “defendendo os interesses da nação”. Enquanto isso os comandantes dos três poderes declararam estar dispostos a lutar pela democracia, apesar de admitirem que existe a possibilidade de aumentar a dissidência dentro das forças, levando a crer que estamos à beira de uma guerra civil...

—--------------------------------------------------------------------------------------------

Manuela percorre todo o vilarejo atrás da irmã, sem sucesso. Até que, depois de um bom tempo procurando, ela vê o carro de Isa em frente a um bar, um dos poucos do vilarejo. Tendo agora quase certeza de onde está sua irmã, ela decide entrar no bar. E, de fato, lá estava Isabela, sentada em um banquinho no balcão, com uma garrafa de tequila passando da metade ao lado dela. Aliviada, Manu vai até ela:

— Isa! Graças a Deus eu te encontrei! Eu já estava ficando preocupada...

Ao ver a irmã, Isabela abre um enorme sorriso e a puxa para um abraço meio sem jeito:

— Manuuuuuuuu! Gue bom che ver, irmãjinha... – Fala Isa enrolando a língua, estranhamente alegre e sorridente, o que não passa despercebido por Manu que, ao bater os olhos na garrafa em cima do balcão, logo descobre o motivo.

— Ah meu Deus, Isa! Você está bêbada!

— Gue ejazero, Manuela! Eu xó bebi umasss... – Isa começa a contar nos dedos, fazendo uma cara de confusa, até que enfim parece chegar a uma conclusão e completa: — Trêêêêêêsh ou quatro dojesh... – Ela então perde o equilíbrio e quase cai, mas Manu rapidamente a segura.

— Tá bom, mas agora chega! Vem, vamos embora! – Repreende Manu com paciência.

—Aaaaaaaaahhhhhhh, mash no melhor da feshta? Eu gueru ficar maish um poucooo- Protesta Isa tentando se servir mais uma dose.

— Você já bebeu demais, Isa! Vamos embora! – Repreende Manu paciente, tirando a garrafa e o copo das mãos de Isa e colocando no balcão.

— Ah vochê não tem gracha! – Protesta Isa fazendo bico.

Vendo que a irmã estava sem condições de andar com as próprias pernas, Manu coloca um dos braços dela em volta do seu ombro e as duas caminham com dificuldade em direção à saída, até que um sujeito mal-encarado se coloca no caminho:

— Ora, ora, o que vemos aqui! E são gêmeas! O que fazem aqui, gracinhas? – Insinua-se o sujeito.

— Poderia nos dar licença, por favor? – Pede Manuela educadamente tentando esquivar-se do sujeito, mas este bloqueia o seu caminho.

— Aaaaah, por que a pressa, gracinha? Nós três podemos nos divertir tanto... – Diz o sujeito aproximando-se delas.

— Deixa a gente em paz, por favor! – Desespera-se Manuela.

O sujeito continua se aproximando até ouvir uma voz atrás de si:

— Não ouviu a moça? Deixe-as em paz!

Isso faz tanto as gêmeas quanto o homem olharem para a direção de onde vem a voz, que as meninas reconhecem imediatamente.

— Téo! – Exclamam as duas sorrindo, Isa bem mais que Manu.

— Isso não é da sua conta, fedelho! É melhor sair daqui se não quiser se machucar! – Ameaça o homem.

Téo, que agora tinha o mesmo porte que seu irmão Pedro, não se intimida e, virando o sujeito em sua direção, desferindo- lhe um soco na cara que o jogou contra uma mesa, quase derrubando-a. Colocando a mão sobre o local atingido, o sujeito levanta-se furioso:

— Ah, eu vou acabar com você, moleque! – Grita indo em direção a Téo, tentando acertar-lhe um soco, mas acaba errando e acertando outro cara que estava próximo. Este se levanta enfurecido e parte pra cima dele:

— Ora seu... – E tenta golpear o sujeito que lhe bateu mas também acaba errando e acertando outro. E desta forma começa uma briga generalizada no bar. Téo então vai até as meninas:

— Vocês estão bem? – Pergunta preocupado.

— No geral sim. – Responde Manuela.

— Tééééééo, vochê também tem um irmão chêmeo? – Pergunta Isabela enquanto olha para Téo em um fascínio ébrio, e então começa a rir, o que faz Téo olhar para Manu confuso.

— Digamos que ela bebeu um pouco além da conta...- Explica Manu cansada. Téo suspira. Subitamente ele sente alguém lhe agarrando pelo pescoço. Olhando para o lado, ele vê que se trata de Isabela, abraçando-o de lado efusivamente com o braço que não estava nos ombros de Manuela:

— Eu eshtou tããããão felish que vochê está aqui Téo! – Diz Isabela alegremente.

— Er, eu também estou feliz em te ver Isa, mas agora é melhor a gente ir... – Diz Téo visivelmente ruborizado.

Os três então se dirigem ao carro de Isabela. Chegando lá, Manuela parece se lembrar de algo:

— IIIIhhhh... – Exclama preocupada.

— O que foi, Manu? – Pergunta Téo preocupado.

— Você está com a sua habilitação? Porque eu ainda não tirei a minha e a Isa obviamente está sem condições de dirigir... – Indaga Manu preocupada.

— É claro! Sempre trago ela na carteira. – Responde Téo tentando tranquiliza-la.

Manu suspira aliviada e então procura a chave do carro nos bolsos da jaqueta de Isa, até que a encontra e a entrega a Téo. Ele então destrava as portas do carro, abrindo o lado do carona para Manu e Isa. Manu então com cuidado senta-se ao mesmo tempo que acomoda Isa no seu colo ( o carro de Isa não tem banco de trás). Téo então fecha a porta e vai para o lugar do motorista.

— Chuntos todos nosh vivemooosh mil históriash!Chuntosh seguiremos todos até o fiiiiiiiim! – Canta Isa animadamente.

— Para a sua casa, então? – Pergunta Téo.

— Melhor não. A nossa mãezinha não pode ver a Isa nesse estado... – Depois de pensar por um breve momento, Manu toma uma decisão: — Vamos pra casa da Marina!

Téo assente e então dá a partida no carro, saindo de lá.

Notas finais
Bom, como vocês puderam ver, os problemas entre a Isa e a Rebeca estão longe de se resolver. Neste capítulo também apareceu um pouco mais do Omar, que aqui é ainda mais desagradável do que na novela, como vocês vão poder ver futuramente. E como vocês também puderam perceber, Sabrina e Mateus tem um relacionamento um tanto quanto conturbado,para dizer o mínimo. E vocês também devem estar se perguntando sobre o pessoal da cidade, não é? Não se preocupem que eles vão aparecer no próximo capítulo! Bom, é isso, pessoal! Comentem aí pra eu saber o que vocês acharam do capítulo!E mais uma vez desculpem a demora! Vou fazer de tudo para que o próximo saia mais rápido! P.S. : Vocês conseguiram entender as falas da Isa bêbada ou preferem que eu traduza?