Notas iniciais
Gente, MIL PERDÕES pela demora! É que eu realmente não tive tempo para escrever nas férias, pois fiz duas viagens. E também agora no começo de Agosto tive que me readaptar à rotina de trabalho e acabei me enrolando um pouco... Mas enfim, espero que vocês gostem do capítulo. Como sempre, boa leitura!

Era hora do café-da-manhã na cabana onde o grupo de jovens do interior e da cidade estava abrigado, no qual estavam já há três dias. Como já havia sido definido, Júlia ficou responsável por cuidar das provisões, e por isso estava distribuindo a comida ao grupo. Quando chega a vez de Priscila, ela olha para sua porção e arregala os olhos:

— Só isso?! – Reclama a loira indignada.

— É o que temos pra hoje. Se Sua Majestade não está satisfeita pode ir comer em algum restaurante cinco estrelas, não tem problema! – Responde Júlia irônica.

— Grossa! – Diz Priscila bufando e saindo dali com seu café da manhã.

Em outro canto do abrigo outra loira se encontrava pensativa. Já havia recebido seu café-da-manhã, mas nem havia tocado na comida. Estava lembrando de acontecimentos ocorridos nos últimos dias, e quanto mais pensava, mais confusa ela ficava. Se dissesse isso em voz alta, muitos diriam que aquilo era normal, afinal ela era de fato uma pessoa confusa. Mas a verdade era que ela estava mais confusa do que de costume. E o motivo disso era aquele que geralmente deixava as garotas confusas: Garotos. E no seu caso específico era ainda pior, pois não se tratava de apenas UM garoto. Não, ela não tinha essa sorte. Ela estava confusa por causa de DOIS garotos. Dois garotos que a tratavam sem o mínimo de respeito, mas que, estranhamente, ela não conseguia tirar da cabeça por mais que tentasse...

Os pensamentos da jovem então a levaram de volta aos acontecimentos de três dias atrás, os quais eram o principal motivo da confusão em sua cabeça naquele exato momento, e ela começa então a recordar:

[FLASHBACK]

Sabrina estava apavorada. As coisas ao seu redor pareciam completamente fora do normal, até mesmo para ela. Em um momento, o vilarejo estava calmo, como todos os dias. Mais calmo do que de costume até, pois aquele era o período das férias escolares. Então aparentemente do nada surge um monte de soldados, espalhando-se pelo vilarejo como uma nuvem de gafanhotos famintos. Em pânico, a jovem começa a olhar ao redor, à procura de uma saída. É então que ela avista uma Pick-Up último tipo vindo em sua direção. A visão familiar do veículo reluzente a fez sorrir aliviada. Quando a Pick-Up passa por ela e seu olhar se cruza com o do motorista, no entanto, seu sorriso de alívio é substituído por uma expressão confusa. Isto porque o rapaz a olhou rapidamente e com extrema indiferença, para logo voltar o olhar para frente e seguir seu caminho. Ao ver o veículo passar direto por ela, Sabrina é novamente tomada pelo desespero. Em um impulso, ela começa a correr atrás do veículo e chamar pelo motorista:

— OMAR! EI, OMAR! SOU EU, SABRINA! ME ESPERA, POR FAVOR! NÃO ME DEIXA AQUI!

A jovem continua a correr até que tropeça e cai de joelhos no chão. Aquela havia sido a gota d’água para ela. Acabara de ser abandonada por uma das pessoas que mais prezava, aquele que acreditava ser seu único amigo. Sem poder mais suportar a dor que sentia, ela leva as mãos ao rosto e começa a chorar. De repente ela ouve vozes. Vozes que chamavam o seu nome:

— SABRINA!

Estaria ela ficando louca? Será que, afinal, estavam todos certos ao seu respeito? Ela ouve as vozes de novo, agora com mais clareza:

— Sabrina, aqui! Sabrina, olha pra cá!

Ela então levanta o rosto e procura a fonte das vozes. Logo seus olhos pousam sobre uma caminhonete velha e na carroceria desta, duas pessoas conhecidas chamando por ela:

— Aqui, Sabrina! Vem logo!

Ela não sabia o que fazer. Diante dela estavam o homem que a tratava como uma qualquer e a irmã dele. No banco do motorista estava o melhor amigo deles, por quem ela já havia tido sentimentos em um passado distante. Deveria mesmo ir com eles? Olhando ao seu redor a loira logo chegou à conclusão que não tinha muita escolha. Sendo assim, ela corre até a caminhonete e, com a ajuda do rapaz da carroceria que lhe havia estendido a mão, sobe também no veículo, que logo parte daquele lugar...

[/FLASHBACK]

Sabrina é tirada de seus pensamentos por uma voz familiar, que se dirigia a ela em um tom jocoso:

— O que é que está se passando por esta cabecinha de vento?

A jovem revira os olhos e então volta suas atenções ao moreno. Com um olhar cansado, ela responde impaciente:

— Me deixa em paz, Mateus!

O rapaz então olha para ela com os olhos arregalados e, segurando o riso, pergunta incrédulo:

— Não me diga que você está pensando nele?

A loira responde em um tom de genuína preocupação:

— Já faz três dias que ele sumiu e até agora não deu sinal de vida! E se aconteceu alguma coisa com ele?

— Como você pode se preocupar com ele depois do que ele te fez? – Pergunta Mateus indignado.

— Não fale como se você fosse muito melhor... – Rebateu a loira, cortante.

— Mas se não fosse por mim, você provavelmente teria caído nas mãos dos invasores – Diz o jovem em um tom convencido, se aproximando dela. Então continua a falar no mesmo tom, com um sorriso presunçoso no rosto: -E além do mais... – Mateus então agarra Sabrina pela cintura e, aproximando-se do ouvido dela, sussurra de maneira lasciva:

— ... Eu nunca te chamei de Isabela durante a transa...

A loira empurra o moreno e diz com raiva:

— Idiota! Não sei por que eu fui te contar isso...

Mateus ri abertamente diante da reação de Sabrina. Ainda sorrindo de maneira presunçosa, ele se dirige à ela em tom debochado:

— Seja como for, é melhor você comer. Seu cérebro já não funciona muito bem, se você ficar desnutrida então só vai piorar...

O rapaz então se vai, deixando para trás uma Sabrina ainda pensativa, porém agora os pensamentos da loira estavam ocupados por outro rapaz, com o qual acabara de conversar. Não conseguia entende-lo. Em um momento a tratava com indiferença, e no outro se demonstrava preocupado com ela, mesmo que de maneira estranha. Afinal, o que se passava pela cabeça dele?

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Sabrina não era a única que se encontrava pensativa naquele abrigo. Isabela também estava da mesma maneira, olhando para seu prato ainda cheio com um ar contemplativo. A jovem fica deste jeito até que alguém se dirige à ela:

— Não está com fome?

Ao reconhecer a voz ela levanta a vista e, ao se deparar com o rosto de Téo, dá um leve sorriso e ao responde-lo, tenta disfarçar a fadiga em sua voz:

— Ah, oi, Téo! É, eu realmente não estou com muita fome...

— Você tem estado muito pra baixo ultimamente. Não sorri, não faz mais nenhum comentário sarcástico. – Diz o rapaz em tom preocupado e então coloca a mão no ombro da moça e usando um tom de voz reconfortante, continua: — Quer conversar?

Isabela apenas lhe dirige um sorriso tímido e então fala tentando passar confiança em sua voz:

— Não é nada demais, Téo. É esta guerra que está mexendo com todos nós...

Téo suspira. Ele sabia que ela não estava sendo totalmente sincera. Ele então a olha compreensivo, o que se reflete em seu tom de voz ao se dirigir novamente à ela: — Olha, eu entendo que você esteja insegura. Você está preocupada em não decepcionar os outros, quer mostrar para todos que eles podem contar com você. — O rapaz então pega na mão de Isabela, o que a faz olhá-lo diretamente nos olhos e também faz ambos corarem: — Mas você também precisa se deixar ajudar de vez em quando...

Isabela ri baixo, então olha para Téo com carinho e diz com uma voz serena: ´

— Você realmente me conhece, não é? – Ela dá uma breve pausa e então continua: — Mas você tem razão: Talvez eu deva aprender a aceitar ajuda. – Ela então sorri para ele.

Téo devolve o sorriso e fala de maneira carinhosa:

— E você sabe que sempre pode contar comigo, não é?

Isa aperta de leve a mão de Téo e, ainda sorrindo, responde com convicção:

— Claro que eu sei! Assim como você também pode contar comigo!

— Eu sei. Agora é melhor nós comermos a nossa comida antes que esfrie! – Diz Téo animado.

— É, você tem razão! – Concorda Isabela entre risos. Eles então fazem sua refeição lado a lado.

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O dia seguinte começa calmo. Não o tipo de calmaria agradável, do tipo que se tem em tempos de paz. Mas sim uma calmaria mórbida, como a que costuma anteceder alguma tragédia. Este clima lúgubre foi sentido por Lola, que acordou em um pulo. Ainda desorientada, ela se levanta e começa a olhar ao redor, à procura dos demais. Ao ver a cabana aparentemente vazia, a menina é tomada pela angústia, porém este sentimento logo é aliviado quando ela avista o rosto familiar da namorada de seu irmão, que por coincidência era também irmã do garoto de quem ela gostava. Lola então vai até a garota mais velha, que ao vê-la, sorri e a cumprimenta de forma bem-humorada:

— Bom dia, dorminhoca! Pensei que você não fosse acordar hoje...

— Bom dia, Júlia. – Responde Lola ainda meio sonolenta. Ela então olha ao redor novamente e então pergunta: — Cadê todo mundo?

— O seu irmão ainda está mexendo naquele bendito rádio. Eu pedi para ele deixar aquele troço de lado e ir dar uma volta, mas adivinha? Ele foi e levou o rádio junto! – Júlia revira os olhos, fazendo Lola rir. A namorada de André se referia a um velho rádio comunicador que o rapaz havia encontrado na cabana, o qual ele insistia em tentar fazer funcionar, apesar da descrença dos demais. Júlia então prossegue: — Isa, Manu e Téo estão patrulhando a área. A Priscila também foi junto, porque a Isa quer ficar de olho nela – As duas meninas riem de satisfação. Isabela queria ter certeza que Priscila não ia dar em cima do namorado de Manuela, e dado o histórico da loira, Júlia e Lola achavam bem feito. Elas então param de rir e Júlia continua: — Mateus, Dóris e Sabrina foram explorar a floresta atrás de recursos que possamos utilizar. – Lola fez uma careta ao ouvir o nome de Dóris. Júlia decidiu ignorar e prosseguiu: — Sabrina queria ir ao vilarejo para ver se descobria alguma coisa sobre o paradeiro do Omar, mas o Mateus não deixou, dizendo que “não confiava nela” ... – Júlia revirou os olhos novamente e então continuou: — Aff, quem eles pensam que enganam?

Lola também revirou os olhos, balançando a cabeça em sinal de negação. Todos sabiam da relação conturbada e não oficial entre Mateus e Sabrina, mesmo eles tentando, sem sucesso, esconde-la de todos. Era óbvio que ele não havia deixado ela ir sozinha ao vilarejo para não correr perigo, mas ele nunca admitiria. A menina logo deixou isso de lado. Afinal, tinha outras coisas em sua mente, ou melhor, OUTRA PESSOA. Assim, ela se dirige novamente à Júlia e pergunta timidamente:

— Mas...E os seus irmãos?

Júlia sorri. Ela sabia que era isso que Lola queria perguntar desde o início. Decidiu brincar um pouco com a garota mais nova. Com um ar de indiferença, ela responde:

— Bom, o Joaquim está aqui na frente guardando a cabana... – Então dá uma pausa, esperando a reação da garota, que como ela esperava, logo vem. Sem conseguir esconder o interesse, Lola pergunta ansiosa:

— E o Felipe?

Júlia mal conseguia se conter. Sabia desde o começo que Lola estava interessada em saber mesmo era do seu irmão mais novo, e agora havia comprovado o fato por A mais B. Com um sorriso maroto de orelha a orelha, ela responde:

— Está lá na frente com o Joaquim.

Ao ver a garota mais nova correr para a frente da cabana, a mais velha não consegue mais se conter e cai na gargalhada.

Tal qual disse Júlia, Lola encontra os garotos Vaz em frente à cabana. Ela então se aproxima deles e, olhando para Felipe, os cumprimenta timidamente:

—B-Bom dia, meninos...

— E aí, Lola? – Responde Joaquim casualmente.

—O-OOOOI Lola... – Diz Felipe com um sorriso bobo no rosto, fazendo o irmão rir.

— E então, como estão as coisas por aqui? – Pergunta Lola no mesmo tom casual de Joaquim.

— Até agora tudo tranquilo. Mas não podemos dar mole. Ainda mais porque hoje eu acordei com uma sensação muito ruim... – Respondeu o Vaz mais velho apreensivo.

— Você também? – Pergunta Lola surpresa.

— Para falar a verdade, eu também acordei hoje um tanto preocupado... – Acrescenta Felipe.

— Mas no seu caso é normal, Felipe. Você é medroso por natureza! – Debocha Joaquim.

— Isso não é verdade! Eu não sou medroso! Sou apenas cauteloso... – Retruca Felipe indignado fazendo Joaquim e Lola rirem.

— De qualquer jeito você tem razão, Joaquim: Não podemos vacilar ... – Diz Lola e começa a andar.

— Espera, aonde você vai? – Pergunta Felipe preocupado.

— Ahn, ao banheiro... – Diz Lola em tom sarcástico indicando a direção do banheiro.

— Tá bom, mas toma cuidado! – Recomenda Joaquim.

Lola revira os olhos. Sabia que as intenções deles eram boas e que se preocupavam com ela, mas achava que eles estavam exagerando. Os dois a acompanham com os olhos. Quando ela já havia se afastado, Joaquim fala:

— E aí, quando vai falar pra ela?

—Hã, fa-falar o que pra quem? – Pergunta Felipe se fazendo de desentendido.

— Ah, Vá, Felipe! Você sabe do que eu estou falando! Quando você vai dizer pra Lola que você gosta dela? – Diz Joaquim um tanto impaciente.

— Ah, ma-mas a Lola sabe que eu gosto dela! – Afirmou Felipe tentando em vão demonstrar firmeza.

— Sabe mesmo? – Perguntou Joaquim descrente.

— Claro que sabe! Ela sabe que todos nós gostamos dela! Eu, você, a Júlia, o André... – Respondeu o Vaz mais novo novamente fingindo não entender.

Joaquim revira os olhos e diz exasperado:

— Não é desse tipo de gostar, Felipe! Eu estou falando de gostar GOSTAR!

As palavras do irmão fazem Felipe ficar vermelho como um tomate. Olhando para o outro lado para que Joaquim não veja seu rosto ruborizado, ele novamente desconversa:

— E-Eu realmente não estou entendendo o que você quer dizer...

Joaquim balança a cabeça em sinal de negação, então suspira e diz em tom de rendição:

— Quer saber? Deixa pra lá. Você e a Lola são mais amarrados que o Téo e a Isa e quase tão complicados quanto Mateus e Sabrina...

— Ah, também não exagera Jo...

Felipe interrompe sua fala no meio ao avistar um avião à distância. Perplexo, ele comenta com o irmão:

— I-Isso é o que eu tô pensando?

— DROGA, ELES NOS DESCOBRIRAM! – Exalta-se Joaquim, indo imediatamente buscar a irmã enquanto chama por ela: -JÚLIA! JÚLIA, RÁPIDO!

Sobressaltada com os gritos do irmão, Júlia corre para fora da cabana, encontrando-o na porta e indagando nervosa:

— O que foi, Joaquim?! Aconteceu alguma coisa?!

— ELES NOS ENCONTRARAM, JÚLIA! NÓS TEMOS QUE SAIR DAQUI! – Responde Joaquim apavorado e aos gritos enquanto segura a mão da irmã e começa a puxá-la. Ao ouvir o que disse o jovem a garota apressa o passo e, ao encontrar Felipe, segura sua mão e também começa a puxá-lo. Este porém oferece resistência e, olhando para trás, grita tomado pelo pânico:

— ESPEREM! A LOLA AINDA ESTÁ LÁ!

As palavras do garoto fazem os dois pararem e também olharem para trás, no exato momento em que uma bomba é lançada sobre o local onde estava o banheiro externo, mandando-o pelos ares. A visão aterradora os deixa em choque

—NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO! –Grita Felipe em desespero, tentando correr na direção onde caiu a bomba, mas sendo segurado pelos irmãos.

— Felipe, a gente tem que ir! – Diz Joaquim com a voz embargada pelas lágrimas.

— NÃO! LOLAAAAAAAAAA! – Grita Felipe de forma agoniante tentando se soltar.

— NÃO PODEMOS FAZER MAIS NADA, FELIPE! VAMOS! – Repete Joaquim com a mesma voz de choro enquanto puxa o irmão para longe dali. Júlia apenas os acompanha sem dizer uma palavra, chorando copiosamente. Como eles iriam dar a notícia a André?

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Os três continuam a correr na direção contraria a dos aviões. A distância, eles ouviam o barulho das bombas caindo sobre o seu antigo abrigo, uma das quais mandou a cabana pelos ares. O trio continuou seguindo floresta adentro de maneira cautelosa até chegarem a uma clareira.

— Muito cuidado pessoal. A gente não sabe quem ou o que podemos encontrar pelo caminho... – Adverte Joaquim.

Eles dão mais alguns passos quando de repente se vêem cercados, tendo dois rifles apontados para eles.

— PARADOS! – Gritam um par de vozes conhecidas. Ao reconhecer as vozes , Joaquim se dirige a eles em tom de alívio:

— Isa? Téo?

Logo os dois jovens que apontavam os rifles para os irmãos os reconhecem e baixam as armas, sorrindo.

— Joaquim! Júlia! Felipe! – Exclama Téo, que então olha pra trás e grita: — PESSOAL, SÃO OS VAZ!

Atendendo ao chamado de Téo, o resto do grupo sai de seu esconderijo, indo de encontro aos Vaz. Entre eles Manuela e André, que correm na direção de seus respectivos pares:

— JOAQUIM! QUE BOM! EU ESTAVA TÃO PREOCUPADA! – Diz Manuela enquanto abraça Joaquim.

— Eu também! Nem sei o que faria se tivesse acontecido alguma coisa com você, Júlia... – Diz André abraçando a namorada.

As palavras de André fazem os Vaz ficarem tensos, olhando uns para os outros com pesar. Ele se coloca ao lado de Júlia, abraçando-a de lado com um braço só. Seu sorriso se torna uma expressão preocupada, e ele então se dirige aos Vaz:

— Vocês sabem da Lola?

A pergunta faz os irmãos olharem para baixo com tristeza, especialmente Felipe, que não tinha dito uma só palavra desde que eles se reencontraram com o resto do grupo. A reação dos três causou um mal-estar em André, que perguntou nervoso:

— O que foi, gente?! Aconteceu alguma coisa com a minha irmã?!

Joaquim suspira com tristeza e, ficando de frente para André, coloca as mão sobre os ombros do amigo e, olhando-o nos olhos, diz com pesar:

— André, você precisa ser forte...

A resposta de Joaquim atinge André com um grande baque. Tomado pelo desespero, ele fala, olhando de Joaquim para Júlia e Felipe repetidamente:

— Não...Não pode ser... A Lola não... A MINHA IRMÃZINHA NÃO! FALA QUE ISSO NÃO É VERDADE!

Sem aguentar a dor, André vai ao chão e chora copiosamente. Júlia vai até ele e o abraça, tentando confortá-lo. Inconsolável, ele apenas repete:

— Por quê? A minha irmãzinha...

A notícia dada por Joaquim faz o grupo ser tomado por uma grande tristeza. Eles lamentavam sua perda quando de repente ouvem uma voz:

— André?

Imediatamente todos se viram na direção da voz, sendo tomados pela mais absoluta surpresa. Especialmente André, que ao ver quem o chamava, grita emocionado:

— LOLA!

O rapaz logo corre até a irmã e a envolve em um forte abraço:

— Lola! Você tá viva! – Diz André enquanto lágrimas caem livremente pelo seu rosto.

— André! Eu te encontrei! Eu pensei que nunca mais nós... – Diz a menina entre soluços...

— Shhh, tá tudo bem agora! Nós estamos juntos e é isso que importa... – Diz o rapaz enquanto enxuga as lágrimas da irmã e as suas próprias, tentando ao mesmo tempo acalmar a ela e a si mesmo.

Aos poucos os outros vão indo em direção à menina para cumprimenta-la, alguns de maneira efusiva, outros com simples acenos. A única exceção além de Dóris que, por motivos óbvios, preferiu manter distância, é Felipe, que permanece imóvel, olhando para Lola como quem vê um fantasma. Lola percebe e decide ir até ele, caminhando calmamente até que os dois ficam frente a frente. Olhando nos olhos do garoto, ela chama seu nome em um tom suave, ainda com os olhos marejados:

— Felipe...

Ainda em choque, Felipe apenas a olha com os olhos arregalados e começa a balbuciar de maneira receosa:

— Lo-Lola? É você mesma?

— Sou eu sim, seu bobo! – Responde Lola sorrindo, lágrimas frescas caindo dos seus olhos. Ela então abre os braços e pergunta com doçura: — Não vai me dar um abraço?

Felipe então se aproxima da garota com passos incertos. Já bem perto, ele apalpa os braços da garota como que para confirmar se ela estava realmente ali, se era real. Tendo a confirmação de que aquela diante dele era realmente Lola, e não algum tipo de fantasma ou ilusão, ele sorri e, emocionado, a abraça, chorando copiosamente. Ele então desfaz brevemente o abraço, porém sem romper contato, com uma mão no rosto de Lola e a outra em um dos ombros da menina. Olhando-a com uma expressão confusa, ele questiona:

— Mas nós vimos o banheiro explodindo! Como foi que você...

— Quando eu estava indo ao banheiro, eu vi os aviões se aproximando. Eu quis voltar e avisar vocês, mas eu estava muito longe e vi que não ia dar tempo! Então eu corri, torcendo para que eu pudesse encontrar vocês de novo! E encontrei! – Diz Lola ainda emocionada, e então volta a abraçar Felipe, que corresponde afetuosamente.

Os dois permanecem abraçados por mais algum tempo, até perceberem que os demais estavam assistindo à cena que se desenrolava entre os dois e se separarem, ruborizados. Passada a emoção do reencontro, Joaquim diz, pensando alto:

— Até agora não entendo como eles nos descobriram...

Ao ouvir isso logo um pensamento vem à cabeça de Isabela, que vocifera:

— Omar!

— Ele nos traiu! – Concorda Mateus com raiva.

— Vo-Vocês tem certeza, gente? – Questiona Sabrina em dúvida.

— É claro que foi ele! É por isso que ele não voltou mais! – Reafirma Isabela, e então se dirige aos demais: — De qualquer forma, não podemos perder tempo! Temos que encontrar outro abrigo e nos reorganizar! A guerra de verdade começa agora...



Notas finais
Pois é, no fim das contas, havia um traidor entre eles! Não sei se vocês esperavam por isso. Provavelmente sim vendo de quem se trata. Bom, mas como a Isabela disse, a guerra começa agora! Por isso, não percam o próximo capítulo! E por favor, comentem! Elogios, críticas, sugestões, enfim , suas opiniões são sempre bem-vindas! Então, até o próximo capítulo, pessoal!