Amaldiçoado

12 Capítulo XII - O que não se pode explicar aos normais


Notas iniciais
Olá, bem-vindos à mais um capítulo :p Gostaria de agradecer à "Katherine" no Nyah! pela linda recomendação à fic, eu fiquei muito feliz viu? Obrigada, de coração! Informo que este capítulo contém uma revelação que a princípio podem deixá-los confusos. É sobre o passado de Neji. Mas não se enganem, este não foi um erro meu, faz parte da história e tudo será explicado no próximo capítulo. Se Deus quiser u.u O título do capítulo na verdade é uma música da Banda Catedral, se eu indico pra ouvi-la ? Sim! Lembrando que, a música reflete os sentimentos do Neji e da Tenten neste capítulo, ou nessa fanfic num todo. A letra dela gente. E não, não me inspirei nela pra fazer o capítulo. Mas acabou batendo. Se ouvirem, por favor, me digam o que acharam certo? Eu particularmente gostei muito >.<'

O Hyuuga se afastou da Mitsashi lentamente, no mesmo instante em que vira o desespero nos olhos do loiro ele entendeu a situação. E para piorar tudo, ele havia ido atrás de Hinata. A maior das questões era, será que ela deu ouvidos a ele? O moreno torcia para que não.

— Tenten — disse com uma voz aveludada e fixando seu olhar em um ponto qualquer da sala. Naruto permanecia parado na passagem e com os olhos arregalados na direção do dono das orbes peroladas — É melhor ir pra sua sala — continuou no mesmo tom e a Mitsashi arregalou os olhos na direção dele

— Mas... — tentou protestar, todavia ele fora mais rápido

— Tenten! — exclamou fechando os olhos e o semblante. Só enfim a morena pareceu entender que a conversa seguinte não seria da sua conta e deu-se por vencida.

— Tudo bem — falou saindo de cima da mesa e fixando seus pés no chão. Passou pelo Uzumaki apenas o encarando, sua mente trabalhando mil possibilidades sobre as palavras do mesmo. Ao passar pela porta ela apenas a escorou, já que a fechadura havia sido arrombada pelo loiro.

Neji fechou os olhos e aguçou o seu sentido da audição, as respiração descontrolada do Uzumaki lhe impedia parcialmente de ouvir os passos cada vez mais distantes da garota. Ao se certificar que estavam à sós e fora da zona de perigo, ele voltou a abrir suas orbes peroladas e fixá-las no Anjo/Demônio.

— Vai falar agora? — ele parecia um louco falando daquela maneira. Olhava para os lados e balançava a cabeça enquanto falava — Neji... Eu sei que minha história não é das mais convincentes, das mais puras e honrosas. Mas porque fizeram algo assim à ela? Ela não merecia e...

— Naruto! — o Hyuuga o interrompeu. Os olhos azuis se voltaram para o mesmo que permanecia sério. O Uzumaki viu a mão do rapaz ser erguida e o moreno fazer sinal para que ele se aproximasse — Venha aqui... — chamou e o loiro franziu o cenho, desconfiado pelo pedido — Você não quer saber? — ele arqueou uma sobrancelha e por fim o inocente Anjo de olhos azuis cedeu.

Neji virou-se lentamente e espalmou sua mão enquanto ouvia os passos lentos do outro até si. Aguardou que ele chegasse próximo o suficiente para tentar algo. Naruto podia ser rápido e forte, mas Neji ainda era mais.

— Pode falar — seu tom era tristonho, não conseguia entender nada do que estava acontecendo. Mas queria respostas, porque o grande amor da sua vida não se recordava dele? Quem foi que fizera algo tão cruel a ponto de apaga-lo de sua memória?

O Hyuuga por sua vez fechara os olhos lentamente enquanto concentrava parte de seu poder em sua mão direita. Mais especificamente na ponta dos dedos. Mentalmente ele recitava as palavras em enoquiano necessárias para o feitiço que traria de volta o Demônio ao comando do corpo do Uzumaki.

Num movimento rápido ele virou-se e acertou com precisão os cinco pontos que o loiro tinha ao redor do umbigo com as pontas dos dedos. Naruto sentiu o gosto metálico do sangue em sua boca e o corpo ser inclinado pra frente pela intensidade do golpe. Tossiu duas vezes e um filete de sangue escorreu pelo lado esquerdo de sua boca. Aos poucos os sentidos foram lhe abandonando, na mesma medida em que seus olhos ganhavam uma tonalidade avermelhada e após três segundos, retornara a sua cor original.

Aos poucos ele foi piscando os olhos e balançando a cabeça de um lado para o outro. Naruto movia boca lentamente enquanto degustava o gosto do sangue e com as costas da mão direita limpou o que havia escorrido ao redor da mesma.

O novo Uzumaki ergueu os olhos e logo percebeu onde estava, ao olhar para o lado deu de cara com o par de orbes peroladas lhe encarando com certa raiva.

— O que foi agora? — questionou levemente irritado

— Como assim o que foi? — Neji virou-se e seguiu até o lado oposto da mesa, onde sentou-se em sua cadeira e voltou a mirar o outro.

— O que ele fez ? — franziu o cenho desconfiado. O rapaz a quem ele dominava o corpo realmente era muito persistente. Lutava inconscientemente contra ele todos os dias pelo domínio do corpo.

— Procurou minha prima, Hinata...

— Que mal há nisso? Eu também já procurei ela no dia em que chegou aqui... — algo ali não se encaixava — Porque a preocupação? — cruzou os braços fitando o moreno com seriedade

— Escute, você é um Demônio e é bom que continue sendo. Controle o verdadeiro Naruto ou as consequências serão drásticas se descobrirem. Sabe o que acontece se Jiraya descobre que o amado pupilo dele está sendo controlado pelo Demônio que um dia ele aprisionou ? — semicerrou os olhos, desviando da pergunta do falso Naruto.

— Tolo ele por achar que este pirralho me deteria... — bateu com força na mesa

— Não importa! — exclamou Neji perdendo o pouco de paciência que tinha e o outro recuou o passo com uma expressão desconfiada.

— Tem alguma coisa errada aqui... — o Demônio suspeitou ao ver o quão irritado o Hyuuga estava, escondiam algo dele e ele não admitia isso — O que não estão me contando? — arqueou a sobrancelha esquerda

— Que? — fingiu-se de desentendido e o loiro riu com escárnio

— Vamos pular essa parte em que você finge que não é nada, certo? — ergueu as mãos e falou com deboche. O que só irritou ainda mais o moreno e o lembrou do porque que odiava aquele ser. Ele era ousado e se aproveitava por estar no corpo de um Anjo para poder tirar-lhe a paciência. Neji suspirou irritado, o Demônio era tão persistente quanto o próprio Naruto. Certamente não desistiria até saber a verdade. E pior, ele poderia ir atrás dela novamente para obter informações. Mesmo que ela não se recordasse de nada...

— Uzumaki Naruto e Hyuuga Hinata no passado tiveram um romance — falou calmamente — Mas após a guerra e você... Hiashi não quis mais que a filha se encontrasse com o Anjo ao qual suspeitavam que era um traidor, e por isso a proibiu de encontrá-lo. Mas com o passar do tempo ele descobriu que eles continuaram a se encontrar escondidos e por isso apagou ele da memória dela com a ajuda de alguns outros Anjos — respondeu numa falsa calma

O Demônio por sua vez pegou-se pensativo. Toda aquela estória era interessante aos seus olhos. Então, a mesma menina a qual ele ameaçara há pouco tempo e a qual também desejava se divertir, era a mesma garota com quem o dono do corpo ao qual estava selado se envolvia num passado distante? Bem, pensando nisso, aquilo bem que poderia ser um jogo pra dois.

— Quem foram os outros Anjos que ajudaram a apagar a memória dela? — questionou apenas para ter certeza e o Hyuuga deu de ombros em sinal de que não sabia. O falso Uzumaki rosnou frustado.

— Nem pense! — ele alertou e o loiro abriu os braços com uma expressão que dizia " O que eu fiz agora? " — Sei bem o que está planejando — respirou lentamente mantendo seus olhos fixos nos do Demônio

— Porque? — cruzou os braços. Aquele Anjo exilado sempre estava em seu caminho. Como se não bastasse as vezes que tinha que fingir ser um idiota pra que o sábio tarado — sim, ele que pusera aquele apelido em seu mestre — não desconfiar. Também tinha que aturar as ordens do Hyuuga? Ah, mas isso ia ter troco.

— Porque se o Naruto perceber que não está dando conta do Demônio e notar que é você e não ele que está no comando do corpo, ele vai correr e contar pro Jiraya. E se o Orochimaru souber disso...Considere-se morto — alertou com a mão apoiando o queixo e uma expressão indiferente — Lembre-se! Enquanto habitar nesse corpo, você é Uzumaki Naruto.

— Mas como soube que era ele e não eu? — indagou

— Vocês são totalmente diferentes — revirou os olhos como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo — Agora se me dá licença... — levantou-se e seguiu para a porta quebrada

— Vai atrás da sua presa é... — o Demônio disse num tom safado e o Hyuuga sentiu o sangue ferver

— Nem ouse chegar perto dela — sibilou entre dentes, olhando-o sob o ombro e com o primeiro estágio de sua maldição ativado. O falso Naruto apenas ergueu os braços em sinal de rendição.

***

— Diga Ino, o que você acha da garota que é o Anjo prodígio ? — fez uma breve pausa — Digo... Você esteve todo esse tempo lá, e está claro que o grupo de amigos de vocês são os mesmos — Shikamaru falou enquanto dirigia de volta para o apartamento em que a caçula morava.

A jovem de longos cabelos loiros e lisos franziu o cenho enquanto deu as mãos no colo e falou:

— Sabe Shika... Ela é bem legal. Só tem andado meio distante nos últimos dias, assim como a Hinata.

— A Hyuuga! — corrigiu sério. O moreno já havia percebido que os laços que a Yamanaka fizera foram verdadeiros, e isso seria realmente um problema para seus objetivos. E claro que, chamar pelo primeiro nome já significava uma certa intimidade.

— É... A Hyuuga — falou sem jeito e olhando para os lados como se buscasse uma forma de conversar com o Nara e convencê-lo, mas ela sabia que era quase impossível. Pois, quando Sakura morreu, Ino ainda era muito pequena, diferente do moreno que teve que suportar tudo sozinho e ainda se virar pelos dois até o tempo em que foram adotados novamente. — Olha Shika, o que eu quero te dizer é que antes de julgá-los você precisa conhece-los — virou-se para o mesmo e o observou dirigir enquanto falava, em resposta apenas viu o mais velho bocejar como se não estivesse prestando atenção em nada do que ela falara. Ajeitou-se novamente no banco e cruzou os braços com uma expressão furiosa. Era sempre assim, ele a ignorava e não a escutava com apenas um bocejo. Um maldito bocejo. Ah! Mas algum dia ela ainda iria tirar aquela expressão de sono do rosto dele nem que fosse na base da tapa.

Ah, se ia! Ou não se chamava Yamanaka Ino.

Pensou triunfante ao se imaginar batendo no moreno e sorriu travessa, descruzando os braços no processo e entrelaçando os dedos como se nada tivesse acontecido. Ele queria agir feito criança? Que agisse, mas era bom que ele se lembrasse que ela também poderia agir como tal.

— Chegamos — falou estacionando em frente ao prédio que a loira morava. Ino nada disse, apenas pegou seu material e se retirou do veículo sem olhar para trás. Quando estava próxima de fechar a porta do carro ouviu novamente a voz do rapaz — Não pode me odiar Ino, eu sei que você não entende e nem por isso eu tento te fazer entender. Você não se lembra, mas passamos por maus bocados depois da morte da Sakura, isso não pode continuar assim — falou simplesmente

— Se seu problema é com Hyuuga Neji, então resolva com Hyuuga Neji. Não precisa incluir meus amigos nesse meio, eles são tão vítimas quanto nós — respondeu com amargura as palavras do irmão. Bateu com força a porta do carro e andou apressada na direção da entrada do prédio.

— Anjos são seres cruéis Ino, quem sabe um dia você entenda isso... — falou observando-a procurar a chave na bolsa de forma desajeitada e soluçar. Sabia que ela estava chorando, mesmo que ela evitasse olhar na direção do carro — E não se preocupe, eu estou atrás dele. Mas preciso de meios para que ele venha até mim, já que não posso ir até ele — cerrou os olhos ligando a ignição do motor e dando partida para seu apartamento, não tão distante dali.

***

Mais um mês se passara, o segundo semestre anual da faculdade já estava chegando ao fim. A Mitsashi estava sentada na arquibancada da quadra de futebol com os olhos fixos no gramado vazio. Estava quase anoitecendo. Pensava em como sua vida havia tomado proporções totalmente estranhas desde que conhecera Neji, sim, ele era o causador de todos aqueles sentimentos avassaladores.

Infelizmente desde o ocorrido na sala do Hyuuga e a intromissão do Uzumaki, eles quase não tiveram mais tempo para ficar sós. Na verdade eles mal se viam. As provas finais haviam chegado e Tenten precisava de uma nota altíssima para não reprovar na matéria de Asuma.

Durante aquele mês a morena teve a impressão de que sua vida parou e o tempo não passou. Não soube se fora a distancia que impôs para o Hyuuga — sim, por mais que não quisesse tentava evitá-lo. Neji tinha o poder de mexer com seu raciocínio e tudo que ela queria era pensar direito-, ou se era sua curiosidade alarmante que quase a obrigava a ir atrás da jovem de cabelos negros-azulados.

Hinata também estava distante, Tenten logo imaginou que ela estivesse passando por problemas pessoais. A Mitsashi queria sentir raiva da morena, e sentiu, mas seu sentimento de culpa falou mais alto. Amava a menina como uma irmã, criou um laço que julgou capaz de ser inquebrável com ela. E justo quando ela mais precisou a abandonou? Que tipo de amiga ela era?

— Houve um tempo em que as pessoas eram mortas por pensar demais, sabia? — ouviu a voz grave vinda de uma entrada lateral e sorriu de canto, inclinando a cabeça na direção do dono da voz.

O encontrou com a cabeça erguida e escorado num poste, seus olhos fixos na lua que os refletiam e os braços estavam cruzados. Ela sabia que havia tentado se afastar, mas também sabia que não queria. E que não conseguiria, porque também havia criado um laço mais forte que amizade para com ele.

Seus olhos brilharam ao ver aquele ser fitar a lua como se tal ato fizesse parte de seus costumes. Os cabelos presos numa rabo de cavalo baixo e a atadura que dava um quê a mais no charme do Hyuuga completavam sua beleza.

— O que faz aqui ? — indagou num tom desconfiado e divertido, arqueando uma sobrancelha no processo — Não deveria estar preparando as provas, professor? — disse com ironia e ele deu de ombros, desencostando-se do poste e andando lentamente até a Mitsashi que o observou curiosa.

— Prefiro ficar aqui com você... O que me diz ? — respondeu sentando-se ao lado dela e apoiando os cotovelos no batente mais alto atrás de si, estava quase deitado num posição desleixada e sensual. A perna esquerda que repousou sob a coxa direita e os músculos dos braços definidos que saltaram ao serem pressionados. Uma bela visão para os olhos da morena, bem, Hyuuga Neji sempre seria uma bela visão em qualquer situação. Uma perfeita visão. — Vai ficar olhando ou vai montar logo em mim ? — indagou num tom falsamente tedioso, mas mesclado com malícia.

— Não vou montar em você! — respondeu virando o rosto do corpo perfeito e viciante que ele possuía. É, Tenten estava viciada nele, e eles nem haviam transado ainda.

Neji arqueou a sobrancelha e inclinou levemente a cabeça no intuito de olhar a expressão irritada dela. Pegou-se rindo de canto ao perceber as mãos femininas dadas no colo e movendo os dedos como se estivesse nervosa. Ajeitou o corpo até ficar ereto e aproximou o rosto da curva do pescoço da morena que se arrepiou de imediato com o toque repentino da ponta gelada de seu nariz no ombro dela.

— Que menina nervosinha... — falou muito próximo ao ouvido dela, abrindo a boca minimamente e tocando o lóbulo da orelha da jovem com a ponta da língua quente. Ela gemeu e se afastou com o toque. Neji bufou irritado ao vê-la se afastar, Tenten estava ficando cada vez mais impossível e intocável. Até parecia que ela não caía mais em seu jogo de sedução. — O que foi Tenten? — questionou levantando-se logo em seguida e puxando-a para ficar cara a cara consigo — Desistiu de mim? — cerrou os olhos ao vê-la fita-lo com uma expressão que ele não soube distinguir, isso fez com que um calafrio percorresse a espinha do Hyuuga e ele não soube se aquele olhar era de medo ou desconfiança. Mas medo? De que ? Ele não havia dado nenhum motivo para que ela o temesse, a não ser que... Ela tenha descoberto algo sob seu passado sombrio. O qual ainda era muito presente — O que houve? — perguntou novamente num tom mais sério — Há pouco tempo você estava se jogando nos meus braços e pedindo pra que te possuísse da forma que eu quisesse e agora simplesmente me afasta ? Tá tentando brincar com a minha cabeça ou o que? Você desistiu!? — falou convicto com os punhos cerrados.

— Não! Eu não desisti — ela esbravejou — Eu ainda quero Neji, ainda quero transar com você. Mas... — sua voz foi perdendo a entonação e ela foi baixando os olhos — Eu sinto que isso é errado. Eu sinto que você está mentindo pra mim, que não me mostra quem realmente você é... Porque ? Porque você faz isso? Você diz que eu te enfeiticei... Que eu mexi com a sua alma quando você nem sabia que tinha uma... Mas tudo o que eu vejo é uma nuvem de mentiras, uma sombra atrás de você! Você escondido nela, enquanto esse falso Neji que você mostra pra todos é manipulado pelo seu verdadeiro eu. — falou rapidamente e com os olhos levemente arregalados, estava desesperada. Quanto mais procurava, mais perdia as respostas para toda aquela situação. Ela via o brilho de ódio faiscar no par de orbes enluaradas, todavia não tinha volta. Era agora ou nunca — O que você tanto tenta esconder? — falou com um fio de voz e engoliu em seco. Seu coração estava cada vez mais acelerado.

Alguns segundos se passaram, entre os dois haviam se instaurado um silencio sepulcral. Naquela altura ela já conseguia ouvir as batidas desesperadas de seu próprio coração. Neji apenas a fitava, e ela a ele. Os olhos se encontrando, um buscando respostas, o outro tentando esconde-las. Uma leve brisa noturna soprou e arrepiou o corpo da morena que se abraçou no mesmo instante, ainda presa sob o poder que aqueles lindos olhos perolados possuíam.

— Você quer mesmo saber ? — ele disse num tom baixo e rouco. De certa forma Neji sentia que estava encurralado, preso contra a parede. Claro que ele queria mentir e desviar daquele assunto. Mas algo nos olhos da menina lhe disse que se ele o fizesse, seria a última vez que a veria. E ele não queria, não mesmo! Sequer suportava passar algum tempo longe dela, queria tocá-la logo, transar repetidas vezes até que ambos se saciassem. E se para isso ele tinha que revelar o que tanto escondia e lhe amargurava, que fosse. Ele o faria. Ela engoliu em seco mais uma vez e assentiu lentamente com a cabeça. Ele suspirou dando-se por vencido e também acenou positivamente, olhando para os lados e buscando a melhor forma de falar aquilo. Tenten sentia como se cada segundo que se passasse fosse uma eternidade, seu coração se acelerava cada vez mais de ansiedade. Assim como seus sentidos se aguçavam no tempo de espera por um resposta. O que havia de tão obscuro assim no passado de Neji? O que fazia com que Hinata o temesse tanto? Algo no moreno fazia a menina de olhos perolados travar, ela já havia notado isso desde o primeiro dia que a mesma chegara a faculdade. Tal como, também sentia que a amiga tinha remorso e raiva do primo. Neji baixou a cabeça e fitou o chão, sua boca fechada numa linha de pura tensão. Respirou fundo mais uma vez e ergueu seus olhos para fitá-la, queria ver a expressão em seu rosto quando falasse o motivo de tanto se odiar, de tanto odiar toda sua vida e principalmente seu passado. Ao qual era castigado diariamente pelas lembranças eternas e dolorosas — Eu matei meu pai... Com minhas próprias mãos, Tenten — o Hyuuga viu os olhos castanhos se arregalarem aos poucos. A Mitsashi estava estática, não conseguia coordenar nenhum movimento de seu corpo. Havia ouvido certo? Ele matara o próprio pai? Com as próprias mãos? Como assim? Ainda continuava tudo muito vago. Por breves segundos teve a plena impressão de que estava presa em algum tipo de pesadelo. Pesadelo este em que aos poucos o seu algoz ganhava vida e forma. Até que...

Um barulho de vidro se quebrando, vindo da parte de trás da quadra lembrou a jovem de respirar. Havia prendido a respiração e nem percebera. Com o susto ela pulou para trás. Neji no mesmo instante olhou na direção, mas sua visão estava suspensa devido a enorme arquibancada atrás deles. A primeira coisa que lhe veio a mente foi que uma terceira pessoa estava ouvido a conversa deles.

— Essa conversa fica pra depois — ralhou furioso de costas para a morena, o ódio fazia seu sangue ferver. Não queria que Tenten o visse daquela maneira, pelo menos não ainda. — Saia daqui Tenten, agora! — quase gritou e ela não precisou pensar duas vezes antes de correr na direção do interior da faculdade. Local onde julgou ser mais seguro no momento.

***

Tenten correu pelos corredores o máximo que pôde, passou por várias salas vazias e só parou quando estava próxima de um outro corredor. A boca aberta enquanto puxava ar com sofreguidão para os pulmões. Sentia o coração bater deveras acelerado dentro do peito, todo seu corpo no momento era pura adrenalina. Não estava com medo do barulho, e sim do que Neji lhe revelara. Ele matou o próprio pai? Então ele era um assassino? Ele era da família da Hinata, mas era do mal?

Massageou as têmporas ao sentir uma pontada de dor de cabeça pela quantidade de informações que tentava processar de uma única vez. Era tanta loucura.

"Se ele matou o pai, ele pode muito bem me matar sem pensar duas vezes..." pensou enquanto encostava na parede e olhava para o teto branco dos corredores, seu corpo estava tremulo, só se recordava de ter ficado daquela maneira no dia em que sua mãe fora assassinada. " Correr ou enfrentar? " perguntou-se ao olhar para a direção que viera. "Droga...!" fechou a boca numa linha reta ao perceber que correr seria inútil. Neji parecia que tinha um radar para encontra-la, parecia que sentia sua presença de longe. Então só lhe restava enfrentar. Mas enfrentar o que? Estava com medo.

Pela primeira vez desde que conhecera o Hyuuga, o medo falou mais alto que o desejo. Ela só queria correr, mas sabia que nunca seria suficiente. Neji a encontraria em qualquer parte do mundo. Então era aquele o motivo que fazia a Hyuuga temê-lo? Ou será que tinha mais? Seus devaneios foram interrompidos no momento em que ouviu passos vindos de um dos corredores adiante. Já estava tarde, se fosse pega ali certamente levaria uma bronca. Inclinou-se lentamente para observar quem era e se deparou com a imagem do Uzumaki andando com as mãos no bolso e a cabeça baixa. Ao sentir uma presença no local, Naruto parou bruscamente a caminhada e ergueu a cabeça lentamente. Tenten arregalou os olhos e escondeu-se, ficando na ponta dos pés e praticamente se acoplando à parede. Seu coração novamente acelerou, aquele rapaz estava envolvido também. Na verdade, parecia que todas as pessoas ao seu redor tinham alguma ligação com os Anjos e Demônios, foi o que passara a suspeitar desde pouco tempo.

— O que você quer garota? — a voz do loiro era tediosa. Sem perceber a Mitsashi arregalou ainda mais os olhos e prendeu a respiração, engolindo em seco lentamente. Novamente sentiu aquela pontada de dor de cabeça e olhou de canto para o corredor que passara pouco tempo antes, sua esperança era ver Neji. No momento, preferia estar na presença do Hyuuga. Por mais que ele lhe intimidasse, ela sentia algo abominador vindo do Uzumaki. Sem mais, Neji ainda era seu porto seguro.

— Você sabe o que eu quero... — uma voz melodiosa fez a mente da morena estalar. Aquela voz... Era de Hinata. Sem acreditar no que ouvira, a jovem de cabelos castanhos novamente inclinou o corpo lentamente para conseguir ver o que acontecia no corredor adiante. Era ela.

— Hinata... — sibilou quase sem emitir som ao vislumbrar a visão da menina de longos cabelos negros-azulados.

— Quero saber quem é você, e o que significa toda aquela conversa de que "apagaram minha memória" — fez aspas com os dedos. Naruto deu de ombros com uma expressão despreocupada.

— Não sei do que você tá falando... — e no momento em que proferiu as palavras, recordou-se do que Neji lhe dissera tempos atrás. " Se Jiraya descobrir que é você que está no comando do corpo do Naruto..." aquilo era quase uma ameaça. Certamente o Arcanjo renegado o tiraria do corpo do Anjo na base da tapa se necessário fosse, e para pior sua situação, muito provavelmente o mandaria para as profundezas do Inferno. E para lá ele não voltaria, nunca mais. — É... Acho que consegui deixar a Hyuuguinha confusa — desconversou com um sorriso de canto e tocando o queixo com o polegar de forma sensual. Ela era um Anjo lindo e sexy, tinha que confessar. Mesmo que também parecesse ser de uma pureza extrema. Viu o cenho da jovem se franzir numa expressão irritada, ela havia caído direitinho. — Não é atoa que andou sumida esses tempos... Não me diga que voltou correndo pro seu Clã? — cruzou os braços e inclinou levemente a cabeça com o mesmo sorriso sarcástico.

— Seu... Desgraçado! — ela esbravejou com os punhos cerrados e o falso Uzumaki arregalou os olhos fingindo-se surpreso pelas palavras.

— Não fale isso, é feio pra uma garota tão bonita — repreendeu ele.

Escondida dos dois, Tenten ouvia toda a conversa atentamente. Algo ali não se encaixava, alguém estava mentindo. E curiosamente dessa vez ela não achava que fosse Hinata. Queria falar com ela, mas como faria sem o Uzumaki ou até mesmo Neji para atrapalhar ? Sentiu uma presença atrás de si, cada vez mais próximo e virou-se para ver quem era. Foi tão rápido que sequer cogitou a possibilidade de ser ou não o Hyuuga.

Todavia, a pessoa que encontrou ali era totalmente inesperada. Os cabelos pretos arramados num rabo de cavalo desleixado e a expressão de cansaço assustaram levemente a morena que levou de imediato a mão para a boca no intuito de conter um grito.

— Boa noite Tenten — disse cruzando os braços com a mesma expressão cansada

— Shi..Shikamaru — ela falou retirando a mão da boca lentamente e piscando para tentar voltar pra realidade. Sentia-se entorpecida, talvez porque ainda não tivesse lhe caído a ficha sobre a revelação de Neji. — Boa noite... — falou suspirando

— Você tá bem? — indagou ele com a sobrancelha arqueada e ela franziu o cenho

— Bem? Tô... Claro que sim! — disse sem convicção. O que não enganou o rapaz que apenas inclinou a cabeça — Não é nada demais — deu de ombros

— Tem certeza? Você realmente não parece estar bem... Se quiser eu posso te dar uma carona — falou fingindo desinteresse. Foi só então que a morena lembrou-se de que provavelmente Kiba, Gaara e Temari já haviam ido embora. Não podia encontrar Hinata naquele momento e sequer sabia quando Neji ia voltar.

— Não precisa se incomodar... — baixou a cabeça envergonhada

— Incomodar? Que isso! Eu já estava indo mesmo no seu prédio visitar a Temari... — pôs a mão atrás da cabeça e coçou a nuca meio sem jeito. De uma hora pra outra a expressão da Mitsashi mudou. A morena cruzou os braços e olhou com uma cara que dizia por si só " Visitar... Sei " pensou ela balançando a cabeça afirmativamente como quem fingia que acreditava nele — Ei, olha a maldade! — ele balançou os braços negativamente — Eu só ia lá buscar a Ino e...

— Tudo bem, tudo bem. Já entendi! — Tenten brincou com um sorriso sapeca e Shikamaru espalmou a mão na testa suspirando cansado.

— Desisto! — deu-se por vencido e ela mordeu o lábio inferior para não rir alto dele — E então, vai aceitar a carona ou não? — perguntou mudando de assunto e voltando a cruzar os braços com cara de poucos amigos.

— Vou sim... Obrigada — ela sorriu dando as mãos atrás do corpo. Instintivamente os olhos castanhos desceram do rosto do Nara até parar sob a mão direita, a qual possuía um corte que por mais superficial que fosse, ainda sangrava, como se tivesse sido feito recentemente. — Tá machucado... — falou num tom preocupado e levando sua mão para a do rapaz que rapidamente se afastou, assustando a morena.

— Tá tudo bem, não foi nada... — falou simplesmente limpando o sangue na borda de sua blusa. " Droga, devo ter me ferido com o vidro..." pensou ele sem demonstrar sua preocupação.

— Tem certeza? Se quiser nós vamos para enfermaria e...

— Sim, estou bem. É só um corte bobo. — deu de ombros com um sorriso sem jeito — Quer logo ver a Tema... — deu uma piscadinha e de um segundo para o outro a morena voltou a sorrir com a insinuação.

— Está bem, vamos então... — sorriu mostrando todos seus dentes brancos e perfeitos.

"Ela é inocente demais..." pensou o Nara com pesar ao observar a garota caminhar despreocupada na direção do estacionamento.

***

Neji teve que fazer uma volta gigantesca para chegar à parte traseira da quadra de futebol, mas nada que sua velocidade inumana não ajudasse. O Hyuuga só parou ao avistar a sala de laboratório, local de que viera o som do estilhaço. Andou calmamente olhando o local através da pequena janela de vidro que havia na porta. Tudo estava escuro, exceto pela luz da lua que adentrava por algumas janelas e refletia as mesas de experimentos e os objetos que nelas haviam.

Levou sua mão a maçaneta e a girou lentamente, tomando cuidado para não fazer barulho e provavelmente assustar o indivíduo se ainda estivesse no interior daquela sala. Ao conseguir destranca-la, ele empurrou a porta lentamente, evitando entrar de uma única vez e não cair em nenhuma armadilha. Olhou para os lados e optou que a melhor solução era ativar o primeiro estágio de sua maldição, tendo assim um controle mais exato de seus sentidos e melhorando drasticamente sua audição ,olfato e visão. O Hyuuga semicerrou os olhos a medida em que as veias saltavam ao redor dos mesmos, partindo do maxilar até chegar nas proximidades das orbes peroladas. Parou observando todo o interior do laboratório sem fazer um único barulho. Estava num nível tão concentrado que sequer sua respiração ou as batidas de seu coração eram capazes de atrapalhar-lhe.

Seu rosto virou-se bruscamente para o lado direito da sala, numa mesa um pouco mais atrás da porta ele ouviu o barulho de um pulo. Foi algo tão sútil e leve, que se não fosse sua audição, certamente passaria despercebido. Preparando seu ataque fatal ele adentrou o recinto e correu pelo amplo local. O laboratório era grande, era feito para os alunos trabalharem nas aulas de Física e Química. Por isso sua capacidade era para pelo menos cinquenta pessoas. Cada uma delas com um equipamento completo de análise e experimentos.

Seus cabelos compridos esvoaçavam de acordo com a velocidade do rapaz, ele estava próximo a mesa do professor quando parou bruscamente, o que o fez deslizar pelo chão liso. Seus olhos analíticos varreram um local vazio que se dava entre uma mesa e outra. No chão do mesmo havia uma espécie de líquido rosado, e só por precaução ele optou por não tocar no mesmo. Não só isso. O tal líquido estava dentro de um recipiente de vidro que estava aos pedaços no chão.

Com os olhos ainda semicerrados o moreno procurou qualquer pista que fosse para encontrar o causador daquilo. Observava cada centímetro do local com precisão, até que uma sombra atrás de uma das duas mesas lhe chamou a atenção. E ele relaxou o corpo com um sorriso de canto e debochado.

"Achei você..." pensou aproximando-se sem fazer barulho e cerrando o punho direito, preparado para seja lá o que fosse. Ao estar perto o suficiente para se virar, ele parou e olhou de canto para a sombra que era pequena, mas que continuava a se mexer. E virou-se.

Sua boca foi aberta em descrença, tal como o golpe certeiro. Seu punho estancou no ar e ele piscou os olhos brancos diversas vezes sem acreditar no que via. Seu estado de descrença era tanto que o mesmo punho posto e pronto para atacar simplesmente caiu ao lado do corpo e ele balançou lentamente a cabeça de um lado para o outro. Tal como regrediu o primeiro estágio de sua maldição lentamente.

— Um gato!? — perguntou-se descrente. Com a sobrancelha arqueada e um leve tom de desconfiança, o Hyuuga olhou para o felino que lhe encarava com aqueles intensos olhos azuis e rasgados, em seguida olhou para a mesa a qual ele estava do lado e notou que era a única dentre as demais que não possuía um frasco com o líquido rosa. " Ele tava em cima da mesa e deve ter batido no frasco que caiu e quebrou " suspirou irritado e revirou os olhos — Um gato... — resmungou balançando a cabeça negativamente e seguindo para fora do laboratório ainda descrente consigo mesmo. " Talvez eu esteja me preocupando demais com a segurança dela..." pensou ele ao se recordar da recente ligação de Jiraya. O que deixou o Hyuuga ainda mais paranoico e observador.

**

Estava completamente nu observando sua visão no grande espelho à sua frente. Os olhos perolados fixos em sua imagem refletida. Estava de braços cruzados e o cenho franzido. Todos os seus músculos tencionados e em evidência, coxas, braços, tórax e etc. Fechou os olhos e sua mente viajou para um dos poucos momentos que tivera à sós com a Mitsashi recentemente. Sempre ela, sempre. Todas as vezes a dona de seus pensamentos. Aquilo deveria lhe deixar frustado, mas no momento não. Respirou fundo lentamente com a breve lembrança.

" — Ah! Pare com isso Neji, nós dois sabemos que você não é homem suficiente pra isso — falou debochada e fazendo o moreno fitá-la com os olhos semicerrados.

— Não!? Ou talvez você só diga isso porque sabe que não aguenta — esbravejou irritado.

— Quantas vezes já tivemos chances? Eu já abri as pernas pra você milhares de vezes e todas as vezes você recuou. — cruzou os braços e mirou os olhos brancos que faiscavam de raiva pela sua ousadia.

— É... Deveria agradecer a sua amiga e ao Naruto por interferirem — ralhou.

— Sério isso!? — continuou no mesmo tom debochado — Então você é do tipo que broxa por qualquer motivo? E pra esconder isso só se afasta? Sim, porque foi você que me mandou sair da sua sala naquele dia e que me mandou atender a ligação da Hinata... — deu de ombros naturalmente e virando o rosto.

Segundos depois a morena sentiu seu rosto ir de encontro com uma das paredes do local, tal como seu corpo ser prensado entre a mesma e a muralha que era o tórax definido, tencionado e excitado do Hyuuga. Tenten sentiu ele puxar seu cabelo com força e a forçar a erguer a cabeça, viu o brilho nos olhos do rapaz de quem não perdoaria tamanha ousadia por parte dela.

— É isso que você quer? — questionou num tom grave e ela fechou os olhos gemendo ao sentir uma dor incomoda na raiz de seus cabelos e também por sentir seu corpo reagir a proximidade do dele e a fala rouca.

— Ne..Neji — engoliu em seco ao senti-lo tocar de leve a pele de seu pescoço na parte mais exposta e morder a região. Um frio percorreu a espinha da morena que contraiu todo seu corpo com o toque.

— Neji. Neji... — seu tom ainda era grave, mas com um leve tom de deboche que fez Tenten sentir raiva de si mesma e dele por ser um completo imbecil. Um completo imbecil gostoso pra caralho. — É só isso que você sabe dizer quando quer que eu te coma? — completou no mesmo tom usando a mão livre para virar o rosto dela ainda mais e tentar beija-la.

— A questão é... Quando eu não quero que você me coma? — ralhou com sofreguidão quando os lábios se tocaram minimamente. O corpo febril atrás de si causava reações diversas nela, que sentia cada nervo de seu corpo ser tocado com total delicadeza e maestria. Ele respirou descompassado e fez com que sua respiração quente batesse contra o rosto dela que novamente sentiu espasmos na região abaixo do ventre e gemeu. Enlouquecendo o Hyuuga que a beijou.

Tenten sentiu a língua quente invadir sua boca e tocar a sua numa dança rápida que ela quase não conseguia acompanhar. Não só pela habilidade do moreno, como também na dor em sua cabeça que só aumentou quando ele virou seu rosto.

— D-Des...graçado! — esbravejou usando a pouca força que ainda tinha para separar o beijo que lhe resultou num lábio ferido. Outra vez. Neji sorriu de canto com a fúria da sua menina e sentiu sua calça apertar cada vez mais.

Num movimento rápido ele a virou, mantendo os braços dela atrás do corpo e presos pelo pulso com uma única mão sua. Com a outra ele puxou a cabeça da Mitsashi, colando o corpo dela com o seu e selando os lábios outra vez. Dessa vez sem permitir que ela lhe negasse provar daquela deliciosa boca que ele também queria foder. "

Um sorriso prazeroso brincava em seus lábios, enquanto os olhos permaneciam fechados. Aproveitou o silencio do local para tentar controlar um pouco o desejo pela garota. Ele faria aquilo... Pensando nela. Com a mão direita ele segurou seu membro rígido, enquanto a esquerda passeava levemente sob a virilha e os testículos, fazendo leves massagens estimulantes.

Os movimentos de vai e vem se iniciaram lentamente. Em pensamentos se imaginava tocando e despindo com vontade a garota que lhe deixava louco. Imaginava ela numa cama, deitada e nua. Totalmente a sua mercê. Imaginava ela tocando-o, chupando-o e se entregando pra si. A medida em que sua imaginação aflorava, seus movimentos aumentavam. Com o dedo indicador ele tocou a cabeça de seu pênis, de lá brotava um pré-gozo que tornava a glande rosada e brilhante e revelava toda a sua excitação... Passeando e voltando ao ponto de partida.

Sentia suas estranhas se contraírem, sentia seu corpo resetando aos poucos. Não precisava de muito tempo para se masturbar, não era como uma transa. Ali era só ele tentando diminuir a intensidade do desejo que fluía em si. A vontade de tomá-la e come-la até que ela implorasse pra parar. Até que alegasse que estava no limite. Até que ela gozasse em si várias e várias vezes. Num movimento ainda mais rápido ele sentiu todo seu corpo se retrair e o gozo escapar por seu falo ereto uma, duas, três vezes até que a sensação de relaxamento o levasse ao chão.

Não soube ao certo quanto tempo passou ali, caído e de braços abertos no chão gelado e de cerâmica branca. O torpor causado pelo gozo o deixou naquele estado de puro deleite. Esperou sua respiração se normalizar para tentar abrir os olhos, mas a luz acessa lhe ardia as vistas. Segundos depois tentou abrir novamente as pálpebras. Sua visão estava embaçada e ele não conseguia focalizar em nada. Tudo que via eram simples borrões.

Franziu o cenho numa expressão irritada ao ouvir seu celular tocar. Quem diabos estaria ligando-o naquela hora? Eram quase duas da madrugada. Ergueu o corpo a contragosto, ainda sentindo-se mole e levantou a mão tateando toda a pia em busca do aparelho que vibrava. Ao encontrá-lo voltou a deitar no chão e atendeu sem ver quem era.

— Alô? — sua voz estava nitidamente cansada e num tom de rouquidão que deixava claro que sua garganta estava seca.

— Hyuuga..! — era Jiraya, e ao contrário de si, ele parecia cheio de energia.

— O que foi Jiraya ? — indagou bufando e ouviu uma risada sarcástica que o fez franzir o cenho e olhar para o aparelho como se pudesse ver o Arcanjo renegado.

— Você tava transando ? — Neji não evitou arregalar os olhos com a pergunta e sentou-se rapidamente no chão. Olhou para os lados a procura do papel higiênico e retirou o rolo de uma única vez para limpar a bagunça que fizera. Seu corpo estava parcialmente melado de gozo.

— Que pergunta é essa? — questionou mais sério e tentando não transparecer sua surpresa enquanto se limpava.

— Olha pra sua voz, é claro que tava! — brincou o sábio tarado.

— Ou eu simplesmente estava dormindo... Percebeu que são 1:43 da manhã? — respondeu com outra pergunta, tentando se desviar do assunto.

— Não, não, não. Sua voz é de quem tava transando — insinuou e o Hyuuga revirou os olhos dando-se por vencido e se levantando para preparar um banho quente

— Fala logo, antes que eu desligue na sua cara — bufou sentando-se na borda da banheira e escolhendo os sais de banho

— Certo! — de um momento para o outro o mais velho ficou sério. O que atiçou o instinto de preocupação e curiosidade do Hyuuga que deixou de lado o que estava fazendo e voltou sua total atenção para as palavras do mesmo — Há um motivo para que eu tenha te ligado numa hora dessas Neji...

— Eu tenho certeza de que tem, caso contrário não o faria — tentou esconder sua apreensão, o que aparentemente deu certo.

— É sobre a Mitsashi! — o Hyuuga engoliu em seco. O que será que haviam descoberto? — Não descobrimos nada se é isso que está pensando — Jiraya pareceu ler os pensamentos do moreno — Mas eu tive informações de fontes confiáveis de que há um terceiro grupo atrás dela. Eles tem interesses pessoais e estão dispostos a qualquer coisa para conseguirem tê-la.

— Entendo... — falou simplesmente enquanto pensava na situação. Um terceiro grupo? Quem? Onde? Quando? Será que mais alguém havia descoberto a localização dela?

Ele não soube explicar, mas sentiu uma forte pontada em seu coração ao imaginar que algo de mal pudesse acontecer a Tenten. A sua Tenten...

— Escute Neji, você já conseguiu se aproximar dela?

— Eu... — sua mente estalou, não podia revelar pra ele que estava próximo da Mitsashi. Isso seria perigoso pra ela, mas também seria um traidor se não cumprisse com sua missão. Ele tinha que escolher um caminho, e tinha que ser logo — ... Estou tentando. Levará mais alguns dias, meses talvez — desconversou e ouviu o outro bufar.

— Droga Hyuuga! — ele bateu na mesa — Traga essa garota, não importa como! — ordenou — Sua prima não representava perigo, mas sinto que este terceiro grupo sim — ele estava apreensivo

— Como quer que eu a leve? Você mesmo disse que isso tinha que ser por vontade dela — o lembrou e ele rosnou furioso. "Boa jogada Neji" pensou consigo.

— EU NÃO SEI COMO. DÊ SEU JEITO HYUUGA NEJI E NÃO OUSE FALHAR! — gritou — Ou você sabe o que acontece... — foram as últimas palavras que falou antes de deslizar na cara do moreno.

Frustado e nervoso o rapaz levantou-se bruscamente e jogou o aparelho contra a parede. Pedaços do celular voaram por todos os lados. Neji foi até o espelho e mirou sua imagem refletida outra vez, sem pensar duas vezes o esmurrou e o rachou completamente, mas este não chegou a quebrar. O Hyuuga sentiu o sangue escorrer por seus dedos e manteve sua cabeça baixa. Pela primeira vez em séculos ele estava de mãos atadas. Perderia ele a única pessoa que foi realmente importante pra si depois de seu pai?

Os sentimentos que nasciam em si eram totalmente diferentes de um para o outro. Um certa vez fora de pai e filho, o outro de homem e... mulher? Seria possível? Seria possível que depois de tudo o que viveu ainda havia espaço para algo tão surreal em sua vida quanto o amor? Ele não sabia, só sabia que estava rendido aos encantos da Mitsashi e que não permitiria que nem Jiraya e nem ninguém a tirasse de si. Seu corpo escorregou até que ele sentasse nos próprios tornozelos. A raiva imperou e ele só a tentou expurga-la num grito que ecoou pelo banheiro e se perdeu no tempo.

— TENTEN! — chamou pela amada, mesmo sabendo que ela não ouviria.

**

Voltou pra realidade ao esbarrar em alguém em um dos corredores. Só percebeu quem era ao ver os longos cabelos lisos e azulados se espalharem e esvoaçarem, tal como um som oco de quem acabara de cair sentado, assim que a dona das madeixas também caiu. Os dois pares de orbes se encararam durante alguns segundos até Neji revirar os olhos numa expressão de tédio.

— Ne-Neji — gaguejou a Hyuuga erguendo o corpo e sentando-se sob os calcanhares, em seguida erguendo a cabeça pra fitar a muralha à sua frente. Com o impacto ela se desequilibrou e caiu, diferente dele que sequer se moveu. Mas quem pudera, ela estava tão distraída pensando em seus problemas que nem se deu ao trabalho de olhar por onde andava. O Hyuuga cruzou os braços e observou a menina com uma sobrancelha arqueada.

— O que faz aqui ? — questionou impaciente, lançando breves olhadelas para os cantos dos corredores na intenção de encontrar a Mitsashi, mas sem sucesso.

— O que eu faço aqui ? — levantou com os punhos cerrados — O que você faz aqui!? — ele tinha a intenção de deixa-la falando sozinha. Por isso virou-se e seguiu para o único lugar provável ao qual a morena deveria ter seguido. Sim, pois, se ela estivesse passado por Hinata, certamente a Hyuuga não estaria ali lhe torrando a paciência. — Já não é suficiente pra você me afastar da Ten? Ainda tem que ficar fazendo o trabalho que é para mim fazer ? — falou com dedo enriste.

Ao ouvi-la proferir tais palavras, o moreno virou-se lentamente, ainda de braços cruzados e com os olhos semicerrados. Ele encarou a prima com cara de poucos amigos por vários segundos.

— É? E onde é que está ela agora? — perguntou como quem não quer nada, apenas jogando verde. Hinata era muito boba, certamente cairia.

— Que? Como assim? Ela não passou por aqui — bingo!

— Viu! Alguém tem que ficar de olho no prêmio — falou mais pra si do que pra ela e virou-se sem esperar mais. Agora mais do que antes tinha certeza de que ela havia ido para o estacionamento. Era o único corredor entre a quadra e o qual estava Hinata.

Seu sexto sentido estava aguçado, sentia uma sensação estranha, como se a Mitsashi não estivesse mais na faculdade. Como se estivesse cada vez mais longe de seus braços, da sua segurança. Inconscientemente apressou o passo.

— Para já com isso Neji. Você não pode tratar as pessoas assim, como se elas fossem simples objetos — Hinata o seguiu possessa.

"Chega de me esconder, é hora de mostrar o motivo de terem me enviado nessa missão. Eu, Hyuuga Hinata, não sou mais aquela menina boba e inofensiva de tempos atrás"

— É, e o que você fez ao dizer pra Tenten que eu era casado só pra afastá-la de mim ? — falou como quem não quer nada ao passar pelas portas duplas que davam acesso ao estacionamento quase vazio. Apenas alguns carros das pessoas que ainda trabalhavam na faculdade e de poucos alunos que ainda estavam lá. Neji sentiu um forte puxão em seu braço e virou-se levemente surpreso ao encarar a visão da Hyuuga com um brilho estranho no olhar.

Hinata estava com a boca fechada numa linha rígida e os olhos semicerrados. Sua expressão era de puro ódio, e ele teve certeza de que nunca vira a prima com tanta raiva antes. Nem mesmo quando era chamada de fraca e inútil pelo próprio pai. Ela apenas se retirava e chorava escondida num canto qualquer.

"Que isso Neji ? Assustado por causa da Hinata ? Ela não é capaz de fazer mal à nem mesmo uma mosca." pensou relaxando sua expressão e olhando-a de cima

— Eu fiz isso pra afasta-la de você sim, Neji. Porque como eu disse antes, você usa as pessoas como objetos e depois que não precisa mais delas, você simplesmente as descartam, como se elas fossem lixos — falou com certo nojo — Tenten é minha amiga, ela é uma boa pessoa e eu não vou deixar que você a magoe. Não importa o que ela sente por você, eu vou destruir isso nem que custe a minha vida — agora seu tom era de puro ressentimento. Um aperto no peito da pequena Hyuuga a fez por uma mão no coração e engolir o choro. Neji apenas a observava numa expressão de tédio.

— É... Mas existe alguns laços que não podem ser quebrados — ele falou com uma expressão indecifrável e um brilho diferenciado no olhar.

Hinata arregalou os olhos e paralisou o corpo. Algo naquele olhar de Neji a deixou naquele estado, tal como na voz, na fala... nas palavras. " Será possível que ele... Não, Neji não é do tipo que se apaixona " pensou descrente balançando levemente a cabeça de um lado pro outro.

— Neji, o que... O que você quer dizer com isso? — não estava mais com raiva. Na verdade ela nem sabia o que estava sentindo, sua mente era um emaranhado de pensamentos desconexos. Sequer acreditava que estava há mais de cinco minutos na presença do primo sem ser ameaçada ou xingada pelo mesmo.

— Nada... — deu de ombros — Agora se me dá licença, tenho coisas mais importantes pra resolver — virou-se e desceu o pequeno lance de escadas, mas ao passar por alguns carros ali estacionados em fileira. Falou só pra irritar a Hyuuga — Como achar a minha Tenten — olhou a mesma sob o ombro com uma expressão debochada — Temos muita coisa pra resolver, se é que você me entende... — voltou a andar com uma falsa expressão despreocupada e com as mãos no bolso.

— Ei! — ela gritou correndo atrás dele — Nem pense em se aproximar dela — o alcançou andando lado a lado com ele enquanto passavam pelos carros restantes.

— Bem, vamos encontra-la logo e depois deixamos que ela decida com quem prefere ficar — cruzou os braços olhando pros lados e observando o lugar com atenção.

— Isso é totalmente... — foi interrompida pela voz grave do moreno

— Porque que ao invés de ficar aí tagarelando e perdendo tempo, você não liga pra ela ? — continuou olhando pros lados. A cada segundo que se passava a sensação ruim se apossava de seu corpo em níveis alarmantes. " Esse mal pressentimento... " pensou ele agoniado e sentindo seu corpo dar sinais de desespero contra sua vontade. Como a inquietação em sua perna direita e os olhos da gavião que observavam cada centímetro daquele local.

— Porque você mesmo não faz isso? É bem mais fácil ela atender você...- Hinata disse abrindo os braços. Então Neji lembrou-se do fim trágico que levara seu celular e que até o momento não tivera tempo de comprar outro.

— Estou sem... — respondeu simplesmente. Agora foi a vez dela revirar os olhos e procurar seu aparelho na bolsa.

De um segundo para o outro sua mente pareceu se ascender. Claro! Tudo aquilo parecia coincidência demais para um acontecimento normal. Primeiro o barulho estranho no laboratório, segundo o fato de que Tenten não chegou a esbarrar em Hinata pelo único caminho provável que os corredores davam, fora claro, o estacionamento. Local onde estava e ao qual não tinha nenhum sinal da morena.

"Isso tudo foi um plano" sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao ligar os pontos. Seja lá quem foi, havia ornamentado tudo com muito cuidado. Claro que não seria comum encontrar um gato numa sala de laboratório fechada e sem nenhuma janela aberta, a não ser que ele já estivesse lá há um bom tempo. A única maneira de interceptar a Mitsashi para que ela não encontrasse Hinata era parando-a e fazendo-a vir para o estacionamento. Deveria ser alguém conhecido, ou que a tenha nocauteado com um único golpe. Caso contrário a Hyuuga certamente teria ouvido gritos. Mas o que mais lhe intrigava, porque não havia ninguém ali? Será que já haviam ido embora? Quanto tempo se passara desde então? Pra onde foram ?

Neji sentiu sua cabeça pesar com tantas possibilidades, mas dentre todas a que mais lhe deixava maluco era o fato de que Tenten não estava com ele, muito menos com Hinata.

A Hyuuga por sua vez, estava com o aparelho telefônico no ouvido, falava alguma coisa sobre Tenten não querer atende-la, não haviam se falado desde que ela descobrira ser um Anjo. Mas Neji não dava muita atenção a nada. Todo o corpo do moreno se contraiu e um calafrio percorreu sua espinha ao ouvir um toque conhecido, o mesmo que ouvira no dia em que dormira no quarto da Mitsashi e Hinata lhe ligara. Era o celular dela. E vinha de algum ponto atrás de si, mais precisamente do lado de um carro prateado. Sem pensar duas vezes ele correu na direção do som e deparou-se com o aparelho celular no chão e com a tela trincada, o que significava que havia caído de uma altura considerável. Aproximou-se lentamente do mesmo. Sentiu a presença da prima atrás de si, mas esta nada falou, apenas observou a cena. Neji abaixou-se e pegou o aparelho observando a imagem da tela, onde nela continha uma sorridente Tenten com uma tímida Hinata ao seu lado. Era a imagem armazenada no número salvo da Hyuuga.

O moreno sentiu um nó na guarganta e fechou os olhos suspirando pesadamente. Tal como sentia uma série de sensações horripilantes passarem por seu corpo. Sentiu ódio, muito ódio. Raiva, ele sentiu raiva de si mesmo por ter sido tão tolo e caído na armadilha. Desespero, sentiu desespero ao imaginar que não fazia ideia de onde poderia encontra-la no momento. Mas de tudo o que sentiu, o que mais lhe apavorou foi literalmente o medo, o medo que assumiu o controle de suas emoções e o fez automaticamente ativar o primeiro estágio de sua maldição. Num acesso de fúria ele fechou o punho com força e esmurrou o carro prateado à sua frente, empurrando-o alguns centímetros do lugar. Assustada, Hinata recuou o passo e pôs uma mão no coração. Neji urrou e levou as mãos à cabeça enquanto ficava ajoelhado.

Medo.

Muito medo.

Ele estava com medo de perde-la.

" Ela está com o terceiro inimigo " deduziu levantando-se furioso.

***

Ino e Gaara estavam no sofá do apartamento ao qual o ruivo dividia com a irmã, o clima estava esquentando cada vez mais. Eram mãos bobas aqui, beijos molhados ali. Até que o Sabaku sentiu sua excitação latejar e deitou a loira no sofá, ficando por cima da mesma e entre suas pernas. A Yamanaka por sua vez passou as mãos pelo pescoço do namorado, onde puxou levemente alguns fios ruivos e fez o rapaz fechar os olhos e gemer baixinho, ao mesmo tempo em que inclinou sua pélvis para frente e comprimiu seu membro ereto na feminilidade da garota que o puxou para um beijo demorado e cheio de segundas intenções.

Haviam se esquecido totalmente da outra loira que também residia no apartamento e estava no quarto ao lado da sala, de onde seria possível ouvir qualquer ruído que fizessem. Gaara já descia suas mãos grandes e sedentas pelo corpo da jovem, hora ou outra ia de encontro aos seios fartos e apertava a região com vontade, sentindo-os enrijecidos e sensíveis, ao mesmo tempo em que ouve um som gutural vindo do fundo da garganta de sua amada.

Era incrível!

Incrível como eles se completavam mesmo sendo tão diferentes. Gaara confiava na sua loira de olhos fechados, ele tinha plena convicção de que ela era cética para os assuntos sobrenaturais e aos quais ele estava envolvido. Por isso não faria nada para fazê-la acreditar. Na verdade, ele acreditava que seria melhor assim, pelo menos ela não correria nenhum perigo. Enlouqueceria se algo acontecesse a sua garota.

Ele já estava pronto para descer a alça da blusa que a loira usava quando ouviu a porta do quarto de Temari ser aberta com tanta força que o som da mesma ecoou pelo apartamento ao bater na parede. Em seguida os passos da loira que pela velocidade parecia correr e então, segundos depois ela aparecer na sala.

— NÃO É MOMENTO PRA ISSO! — gritou assim que repousou sua visão sobre o casal. Envergonhados, eles rapidamente se separaram. Gaara teve que contar com a ajuda de uma das almofadas para esconder o volume em sua calça. Ino sentou-se no sofá e deu as mãos no colo, parecia tão envergonhada quanto o namorado por terem sido pegos no flagra. Tudo isso aconteceu num intervalo de três segundos. Só então o ruivo parou pra observar a irmã.

A Sabaku estava branca, parecia que o fluxo de sangue em seu corpo havia parado. Parecia que ela havia visto um fantasma ou coisa parecida. Tal como seu corpo tremulo e os olhos verde-azulados que tilintavam preocupação.

— Temari... O que aconteceu? — seu tom como sempre era frio e grave, mas no âmago ele também se preocupara com o estado da mais velha. Quando é que se via a durona Sabaku num estado daqueles ? As únicas vezes foram quando ele esteve internado. E era algo grave. Então... Algo grave havia acontecido?

— Gaara... — a loira de cabelos mais curtos se aproximou choramingando e com os olhos cheios de lágrimas. Abaixou-se até ficar de joelhos em frente ao ruivo, sem mais conter o choro. Ela segurou as mãos dele e completou olhando-o bem no fundo dos olhos -... É a Ten... Ela desapareceu! — e pôs a cabeça na almofada que o ruivo tinha no colo, iniciando um choro compulsivo e descontrolado.

— O QUE!? — Ino e Gaara perguntaram em uníssono. A loira levantou-se bruscamente do sofá ao fazê-lo.

— É..É a H-Hina-nata me l-ligou e dis-sse — gaguejou enquanto continuava a chorar, som de sua fala saiu abafado pela almofada.

— Calma Temari, vai ver está tudo bem com ela e só houve um mal entendido — ele tentou transparecer calmaria enquanto afagava os cabelos da irmã, mas no íntimo também havia sido pego desprevenido com a notícia.

— É Tema... — Ino abaixou-se e tocou o ombro da loira, o que fez com a mesma a encarasse. O rosto da outra já estava ficando vermelho pelo choro — Pode ser que ela tenha saído com o tal Hyuuga e esquecido de avisar — deu de ombros simplesmente. "Shikamaru, o que você fez?" indagou-se mentalmente e sentindo raiva do irmão. Sabia que tinha dedo dele nisso.

Temari era uma boa pessoa, por seu passado conturbado e as vezes em que teve que dá a cara a tapa pra vida e tentar sobreviver após a partida de seu irmão mais velho, Kankuro, a Sabaku cuidou sozinha de Gaara. Contou com o apoio dos amigos. Tinha dentre eles, Tenten como a melhor. E quando algo de ruim acontecia as pessoas que mais amava, ela simplesmente não suportava. Sua máscara de durona caía.

— Não! — ela exclamou — Ele também estava procurando ela junto com a Hinata, os dois estão vasculhando a faculdade. Mas no estacionamento encontraram o celular dela no chão e com a tela trincada. Vocês acham mesmo que isso tudo é coincidência ? — ela estava muito nervosa, isso era visível. Ino preocupou-se com o estado da cunhada e resolveu intervir.

— Eu vou preparar um chá pra ela Gaara — falou num tom gentil — Enquanto isso tente acalma-la, vai ficar tudo bem — sorriu. " Shika, juro que vou enfiar a espada do Asuma em um local onde você não vai conseguir tirar..." ralhou mentalmente seguindo pra cozinha assim que recebeu o aval do namorado, no caminho pegou seu celular que estava em sua bolsa. Tinha uma ligação urgente pra fazer. Enquanto isso Gaara continuou na sala com a irmã.

— Tema... — falou franzindo cenho ruivo — Vem minha irmã, senta aqui — indicou o lugar ao qual Ino estava há pouco tempo. Teve que ajuda-la a sentar-se. A Sabaku estava com o corpo todo tremulo e o mais novo sabia que tinha que dar um tempo até que ela se acalmasse — Vai ficar tudo bem, eu prometo — ele disse firme segurando as mãos da loira e tentando passar confiança.

Temari apenas chorava, olhava para a expressão falsamente serena do irmão e perguntava-se como ele conseguia manter a calma diante daquela situação. Pensava também em quando iria ver sua amiga novamente, se ela estaria bem, onde estaria... Tudo só a fazia ficar cada vez mais nervosa.

— Não... Não vai! — exclamou pondo os pés em cima do sofá e ficando em posição fetal enquanto sentia o afago lento em seus cabelos — Quero minha amiga Gaara, quero ela aqui, comigo! — soluçou. Sua garganta já começava a doer.

— Vai tê-la... Acalme-se — ele sabia que era inútil pedir para a loira se acalmar. Conhecendo-a bem, ela só se acalmaria quando visse Tenten e tivesse certeza de que ela estava inteira e salva.

Sem nenhuma opção e também sentindo-se nervoso com a situação. O ruivo olhou para os lados como se buscasse uma saída. Não poderia negar a si mesmo que aquilo lhe preocupava. E se ela estivesse com o Demônio prodígio ? Sim, pois, se fosse o caso ele não precisaria dos poderes que estavam selados dentro do Sabaku para matá-la.

Ao perceber que no estado em que estava não conseguiria acalmar a irmã, ele optou por ir até a cozinha e pedir para Ino preparar mais chá. Informou rapidamente à irmã que apenas assentiu e em seguida se encaminhou para o local. Pretendia chamar pela Yamanaka, mas sua voz se perdeu no ar no momento em que a ouviu sussurrar escondida dentro da dispensa. O ruivo olhou para os lados mais uma vez, e evitando fazer barulho se encaminhou para próximo do local, ouvindo-a falar. Ela estava ao telefone.

— Alô? — seu tom era quase inaudível, mas Gaara sempre teve uma boa audição. E querendo ou não, mesmo tentando ser discreta, Ino ainda era bastante escandalosa. O que os diferenciavam e muito — Shika... Shikamaru! — ela bateu o pé, estava de costas para a porta e por isso não viu a presença do ruivo ali. Por outro lado o Sabaku estranhou, porque ela estaria se escondendo para falar com o irmão? — Que voz é essa? — pôs a mão na cintura — O que aconteceu Nara ? — ela estava irritada — O que você fez... ? — esperou a resposta — Não me vem com essa de "O que eu fiz?" — tentou imitá-lo — A Tenten desapareceu, e eu sei que tem dedo seu nisso tudo — acusou. Gaara arregalou os olhos ao ouvir tais palavras — Eu já disse Shika... — choramingou — Não faça nenhuma besteira, a Tenten não tem culpa da morte da Sakura... — calou-se bruscamente, a julgar pelas reações do corpo da namorada, certamente havia levado um esporro do outro. Alguns segundos se passaram e ela sorriu feliz — Sério ? — pôs a mão livre na bochecha e suspirou, mas em segundos sua felicidade passou para desespero — O que? Como assim? Eram Anjos... Ou Demônios? — com tais palavras Gaara não teve dúvidas, Ino estava escondendo algo. Bufou irritado. E isso pareceu ser ouvido pela jovem que virou-se até ficar frente a frente com o ruivo. Em segundos os olhos azuis se arregalaram de forma exagerada e ela estancou o corpo, tal como escondeu o celular atrás de si. " O que será que ele ouviu? " indagou-se mentalmente engolindo em seco.

— Tem algo que você gostaria de me contar, Ino? — cruzou os braços numa expressão raivosa e a loira sentiu o coração acelerar à ponto de sair pela boca.

Notas finais
Hey, o passado de Neji começa a ser revelado. Assim como os sentimentos do mesmo. Hinata começa a mostrar que é mais do que os outros pensam e a Tenten... O que será que houve com ela ? Esclarecimento: * Enoquiano: é um nome relacionado a língua angélica, tendo sido criado por John Dee e seu assistente Edward Kelley no final do século XVI. Segundo Dee, essa língua teria sido revelada por anjos. Alguns praticantes conteporâneos de magia, como Aleister Crowley consideram o enoquiano uma língua útil para ser usado em rituais mágicos, enquanto outros afirmam ser ela apenas mais uma língua artificial, pobre imitação de línguas antigas com semelhanças com a gramática inglesa. Fonte, Wikipédia.* Pessoal, as coisas estão sim acontecendo. Muito cuidado pra não perder o fio da meada hein? A tia Janna está muitíssimo curiosa pra saber o que estão achando disso. Um grande beijo, até mais :*