Amaldiçoado

13 Capítulo XIII - O pacto dos Hyuuga's


Notas iniciais
Voltei amores. Não vou falar muito, quero que aproveitem o capítulo. Para quem queria matar o Shika, creio que terão uma pequena surpresa haha. Tia Janna ama vocês, Boa Leitura!

Sua cabeça latejava bastante. Estava tão zonzo que sequer conseguia abrir os olhos. Sua mente tentava se recordar do que acontecera, de onde estava e como fora parar ali. Shikamaru sentia uma ardência na testa, lembrava-se vagamente de ter levado um golpe certeiro. E a julgar pela dor e o sangue quente do local, ele deduzia que não fazia muito tempo desde o incidente.

Ao longe conseguia ouvir seu celular tocar. O aparelho tocou uma, duas, três vezes até que o Nara deu-se por vencido e tateou todo o chão ao seu lado na procura do mesmo. O encontrou próximo de um rio, por pouco não dentro do mesmo. Mas como assim, um rio?

Ergueu o tronco de seu corpo e olhou pro lado. O ato repentino o fez sentir uma dor aguda na cabeça e muita tontura. Por instinto levou sua mão até a região e olhou a mesma, ensopada com o líquido escarlate. Não só sua testa, como também todo o lado direito de seu rosto estava coberto de sangue. A ferida devia ser profunda. E doía, mas ele não se rendia a dor. Já havia passado por situações piores antes.

Focalizou sua visão e quase nada enxergou, não havia luz no local. Apenas a lua brilhava intensamente e o guizalhar dos grilos próximos fora o que conseguira captar. Passaram-se alguns segundos até Shikamaru conseguir focalizar o cenário ao seu redor. Ele estava numa floresta próxima de um lago, todo sujo de terra e com alguns arranhões pelo corpo. Mas nada incomodava mais que a ferida na testa. Olhou mais para o lado e viu que estava no pé de um pequeno morro e, ao julgar pelo som um pouco distante, podia deduzir que estava próximo de uma estrada.

Uma estrada...

Só então se recordou do que acontecera. Todavia, não teve muito tempo para raciocinar porque novamente seu telefone voltou a tocar e dessa vez ele revirou os olhos atendendo-o sem cerimônias.

Alô? — ouviu a voz da irmã, ela parecia apreensiva, ao mesmo tempo que irritada.

— Fala Ino... — ele disse tocando levemente a cabeça e olhando as pontas dos dedos ensanguentados. Olhou para o lago e decidiu ir até lá lavar a ferida.

Shika...Shikamaru! — irritou-se a loira do outro lado da linha. O Nara franziu o cenho com a reação da irmã. " Problemática..." pensou lavando a mão suja de sangue.

— Ino... Fala logo o que você quer. — e gemeu de dor ao tocar na ferida, a Yamanaka logo percebeu

Que voz é essa? — perguntou agora preocupada e o Nara revirou os olhos

— Nada Ino, nada! — bufou cansando-se da conversa. Como gostaria de estar em seu quarto dormindo. Mas a julgar pelos fatos, sequer sabia quando isso aconteceria novamente.

O que aconteceu Nara? O que você fez? — insistiu e finalmente o moreno percebeu do que ela falava. Então já haviam descoberto sobre Tenten? Mas espera um segundo... Porque estariam duvidando dele? — A Tenten desapareceu, e eu sei que tem dedo seu nisso tudo — falou ríspida e mais uma vez ele bufou frustado. "É, parece que minha querida irmãzinha cabeça oca está achando que eu tenho culpa no cartório" estalou a língua suspirando e fitando o céu. Ele abriu a boca pra falar, mas ela o cortou — Eu já disse Shika... — choramingou — Não faça nenhuma besteira, a Tenten não tem culpa da morte da Sakura... — Ah não! Esse assunto de novo não! Shikamaru logo chegou ao limite, e foi a vez dele corta-la.

— NÃO PÕE A SAKURA NO MEIO DISSO INO! — ralhou e a loira no mesmo instante se calou — E além do mais, se queremos chegar ao Hyuuga, temos que chegar na Mitsashi. É o melhor caminho, eles estão juntos. Eu os vi juntos... — continuou suspirando e tentando manter a calma. Não queria afastar a loira, mas sabia que suas atitudes não iam de acordo com que a mesma julgava ser certo. Mas ele pelo menos estava tentando ver o lado dela... — Mas eu não tinha más intenções com ela... Na verdade eu decidi acatar sua opinião e conhece-la melhor. Eu só queria dar uma carona... — ele falou num tom culpado e levemente triste.

Sério? — a Yamanaka indagou feliz e isso o fez sorrir de canto também.

— Sim...Mas fomos abordados por dois caras no estacionamento. Justo quando ela ia ligar pra Temari e avisar que estávamos indo pra lá... — falou lembrando-se do ocorrido — Eles pegaram meu carro e nos sequestraram, se é que isso pode ser chamado de sequestro... — bufou outra vez, mas agora de insatisfação — Nós saímos de Tókio e seguimos por uma estrada estranha. Depois disso só lembro de pararem no meio do nada e me chutarem pra fora do carro, logo depois me acertaram na cabeça e tudo apagou — por instinto levou novamente a mão livre para o local que ainda latejava.

O que? Como assim? Eram Anjos ou Demônios ? — a preocupação era palpável em sua voz. Shikamaru praguejou mentalmente por não medir suas palavras, por um momento esqueceu como a irmã mais nova era estérica e assustada. Aquilo certamente a deixaria desesperada.

— Eu não sei, não tive tempo de... — ele parou ao perceber que a Yamanaka estava conversando com outra pessoa.

Tem algo que você gostaria de me contar, Ino? — era a voz do namorado dela, Gaara.

— Ino? — a resposta não veio — Ino! — chamou novamente, mas ao contrário de uma resposta, a ligação foi encerrada.

Olhou descrente para o celular e ficou pensando no que teria acontecido. Um frio percorreu sua espinha ao imaginar que provavelmente o Sabaku havia ouvido a conversa dos dois.

"Droga Ino..." socou o chão.

Após alguns segundos ele pareceu se lembrar de que não poderia ficar ali por muito mais tempo. Tinha que voltar o mais rápido possível para a cidade. Tinha que sair dali. Com sofreguidão ele se levantou, desta vez não só sua cabeça como todo seu corpo doeu. Rapidamente ele pôde deduzir que muito provavelmente foi jogado do alto do morro de terra. E era de lá de cima que vinha os sons longínquos dos carros e caminhões que passavam pela estrada.

— É... Hora de agir — falou fazendo careta ao medir o tanto que teria que andar até chegar a pista. Ou melhor, escalar.. Só de pensar já lhe batia um forte cansaço, mas desta vez ele tinha que ser mais forte que o mesmo.

***

— E então? Alguma notícia ? — a menina de cabelos negros-azulados indagou assim que seus olhos repousaram sob a visão do primo que andava a passos longos por um dos corredores parcialmente escuros da faculdade. Neji fitava o chão intensamente, como se o piso contivesse as respostas que ele buscava. A velocidade em que andava era tão rápida que os cabelos presos no rabo de cavalo baixo esvoaçavam a medida a cada passo.

— Nada... — fechou os olhos passando a mão pela têmpora e engolindo em seco. Sua voz era sôfrega. Em todos os anos que vivera, jamais imaginou que se preocuparia tanto com outra pessoa além de si mesmo, jamais imaginou que sentiria em si as mudanças que a tão famosa paixão causava.

Quantas vezes em sua vida não vira várias pessoas definharem aos poucos por um amor não correspondido? Quantas vezes não se vangloriou por ser imune e estar isento a todo aquele sofrimento? Quantas vezes não pisou e humilhou as pobres mulheres que se jogavam aos seus, clamando por seu amor? Mas sua resposta era sempre a mesma..:

" — De todas as coisas que eu já vi nessa minha longa vida, a mais desprezível delas é esse sentimento estúpido que te deixa incapaz de pensar por si só. Simplesmente preso as necessidades de outra pessoa. Eu não estou, e nunca irei sentir algo tão desnecessário assim. Eu não amo nem a mim mesmo."

Ainda era verdade, ele não amava a si mesmo. Não tinha escrúpulos e sequer receio da morte. Todavia, toda sua vida e suas crenças estavam à prova. Suas mãos tremiam, seu coração batia numa velocidade que parecia querer sair pela boca, suas pernas estavam bambas e a mente um caos. Neji via-se numa linha tênue entre a vida e a morte todas as vezes que mentalizava onde estava a bela morena que lhe fez ser mais... humano. Mais uma vez ele sentia-se inútil, sentia que o título de "Melhor Guerreiro do Grandioso Clã Hyuuga" de nada lhe servia. Neji se viu dependente, dependente daqueles que um dia jurou se vingar.

Ele tinha que baixar os olhos e o orgulho. Sabia o que poderia acontecer se ficasse cara à cara com Hiashi outra vez. Sabia qual seria sua sentença se os conselheiros do Clã lhe capturassem. A única coisa que ele não sabia, era se seria capaz de continuar sem Tenten não estivesse mais ali.

Não.

Era a resposta que sua mente lhe dava.

— Neji! — Hinata chamou pela enésima vez o Hyuuga que escorregara pela parede até o chão, com uma expressão de quem estava sofrendo uma batalha interna consigo mesmo.

— Hinata... — ele disse num tom ameno. O que deixou a Hyuuga desconfiada e atenta a qualquer movimento do mesmo — O que... Que foi? — balançou a cabeça de um lado pro outro e estirou uma perna, enquanto a outra serviu de apoio para o braço forte. Seu olhar era distante, e aquilo só deixava a garota cada vez apreensiva.

— Eu... Perguntei o que está pensando em fazer à respeito? Precisamos encontrá-la, Neji... — baixou a cabeça, justo quando estava começando a demonstrar que não era mais a garota boba e assustada de antes, teria que novamente baixar sua guarda e tentar se unir — mesmo que momentaneamente — ao primo para encontrar sua protegida. Afinal, o erro foi dela por ter permitido que a Mitsashi se afastasse. Ela deveria ter tido em mente que isso poderia acontecer e ter vigiado a morena de longe. Não foi para isso que se matriculara no mesmo curso que ela e se mudara para o mesmo prédio? — Neji... — chamou mais uma vez enquanto estalava os dedos devido ao nervosismo — Precisamos nos unir — e o olhou de canto e como o Hyuuga estava sentado no chão, não foi preciso esforço algum por parte da garota. Ela estava nervosa, havia deixado seu orgulho de lado. Mesmo que nunca tivesse se importado pra isso. Hinata tinha plena consciência que se aliar ao Hyuuga era quase como assinar a própria sentença de morte, mas se ela realmente queria encontrar Tenten, precisava da ajuda dele. Que por mais que negasse a si mesma, sabia que ele a conhecia melhor que ninguém. Afinal assim era Neji, cauteloso com suas presas. E o olhar que ele lhe enviou só confirmava suas suspeitas. Ele tinha uma expressão em seu rosto que perguntava por si só à Hyuuga se ela era louca ou algo do tipo. Se Hinata estivesse certa quanto às suas suspeitas, ela sabia exatamente o que dizer para fazê-lo ceder. E foi o que fez quando o viu levantar-se rapidamente — É o que devemos fazer se queremos encontrar Tenten. Você sabe que não irá encontrá-la sozinho — falou rapidamente e ele travou.

Mais uma vez aquela expressão — de quem travava uma luta interna com os próprios pensamentos e sentimentos — se estampava no belo rosto do Hyuuga, que se contorcia de medo ao imaginar encontrar o corpo da Mitsashi sem vida. Ou pior, sequer encontrá-la.

— Só... — iniciou com o dedo enriste e com uma expressão de raiva mesclada com desespero. Raiva por ter que engolir o próprio orgulho, e desespero pelos motivos óbvios. — Só até encontrá-la — completou num tom ameaçador, tal como o brilho em seus olhos — Até lá eu prometo não matá-la, priminha — ergueu o queixo de forma indecisa, tentando parecer indiferente.

Em resposta a Hyuuga sorriu sincera para o moreno que semicerrou o olhar — desconfiado — e ela lhe estendeu a mão para que apertassem e selassem o pequeno pacto. Voltando a sua expressão normal — que era nenhuma — Neji observou a mão estirada pra si e sem cerimônias a apertou. Por um breve momento sentiu um enorme peso ser retirado de suas costas, ao mesmo tempo em que outro foi posto. Agora sim ele teria ajuda, por mais que odiasse seu Clã, tinha que confessar que eles eram bons rastreadores. Tudo que aprendera foi com eles, mas no momento estava difícil pro moreno organizar até os próprios pensamentos, quem dirá encontrar outra pessoa. Por outro lado ele sabia que com aquela parceria com Hinata, ele pagaria caro o preço. Pagaria com a própria vida. Entretanto para ele estava tudo bem.

Portanto que ela estivesse bem.

***

— Conseguiu alguma coisa ? — questionou Neji sem olhar pra trás. Estava a caminho da saída da faculdade. Hinata havia ficado um pouco mais atrás porque fora buscar seu material e procurar uma forma de contatar alguém de seu Clã. Com seus sentidos apurados ele ouviu facilmente os passos cada vez mais próximos da Hyuuga. E com o canto do olho a viu regredir a corrida — assim que o alcançou — e andar ao seu lado, olhando fixamente para a frente enquanto segurava o celular como se sua vida dependesse disso.

— Sim e não... — respondeu receosa e por fim ele olhou diretamente pra ela com uma expressão interrogativa, mas seu olhar não foi retribuído. Ela apenas continuou olhando pra frente — Sim porque consegui falar com o Kō e ele disse que ia falar com Hiashi e pedi para que ele passasse a informação o mais rápido possível — Neji franziu o cenho ao ouvir a garota pronunciar o nome do pai como se ele fosse uma pessoa qualquer — E não porque infelizmente irá demorar algum tempo até que eles consigam sair da ilha, houve uma tempestade recentemente e por precaução eles ativaram a proteção máxima — falou ela. Sim, Neji se recordava bem dessa proteção. Era algo totalmente fora do comum, uma espécie de muralha humana e revestida com armas capazes de dizimar quaisquer que fossem os inimigos. Como forma de proteção e preservação do Clã, esta arma de defesa era facilmente montada — para o caso de algum ataque surpresa -, mas para desfaze-la era necessário algum tempo. — Eles temiam que fosse uma armadilha — explicou a menina — Toda a tempestade e o clima tenso, sabe? — por fim o olhou. Eles andaram pelos corredores sem realmente prestar atenção no caminho. Após a declaração de Hinata um silêncio incômodo se instaurou entre os dois, o que deixou a mesma um pouco desconfortada.

— E não foi? — disse por fim voltando sua atenção para o caminho à frente. Já podendo enfim vislumbrar as portas da saída para o estacionamento.

No mesmo instante a Hyuuga regrediu o passo, no rosto estava estampada a expressão pensativa da mesma. Mas é claro! Neji tinha razão, tudo foi parte do plano do inimigo para atrasa-los. Droga!

— Senhor Hyuuga ? — uma voz grave e aveludada fez o moreno girar os calcanhares no mesmo instante e observar a figura imponente do Senju. Hinata seguiu o olhar do primo e ambos encaram o senhor durante alguns segundos, até que o mesmo novamente se pronunciou — Gostaria de falar com o senhor — falou formal — É um assunto importante! — afirmou.

— Tenho certeza que não é mais importante do que eu estou resolvendo no momento, tal como pode ser deixado para uma outra hora — respondeu sem cerimônias e viu a sobrancelha do diretor se arquear pela descrença das palavras e claro, o desrespeito. Hinata resolveu intervir.

— Desculpe diretor — disse em seu tom ameno e capaz de fazer qualquer ser humano ceder a sua expressão angelical. Olhando para o homem de meia idade que por fim pareceu notar a presença dela ali — Aconteceu algo sério, realmente sério. É coisa de vida ou morte! — afirmou sem receios e novamente a expressão de surpresa se estampou no rosto do outro. Neji apenas encarava com certa raiva contida o Senju.

— Do que está falando senhorita Hyuu... — não completou a frase. Suas palavras simplesmente não saíram. Hashirama se pegou observando com cautela os dois donos de orbes peroladas, hora encarando um, hora encarando o outro — Vocês são irmãos? — jogou simplesmente.

— S-Somos... Pr... — Hinata gaguejou

— Primos — Neji cortou friamente — E só pra lembrar, temos um assunto importantíssimo pra resolver no momento — seu tom era gélido, mas aparentemente fez com que o Senju entendesse o recado e desse de ombros.

— Pois se é assim, não o impedirei de tentar resolver este assunto pendente e importantíssimo — não tentou imitá-lo, mas sua fala saiu com certo deboche — Mas peço que assim que possível para vir até minha sala. Também temos um assunto pendente — enquanto falava o Hyuuga olhou através do ombro de Hashirama e viu escorado em uma parede e com um olhar distante o ex de Tenten. Deidara estava absorto ao que acontecia ao seu redor, mas algo dentro do moreno lhe alertou que era tudo fingimento. Suas suspeitas só se confirmaram quando o loiro inclinou a cabeça na sua direção e lhe lançou um sorriso cínico. O que fez o sangue de Neji ferver.

— Ele irá, diretor... — Hinata despertou o primo ao tocar em seu ombro e olha-lo com uma expressão que dizia mais que mil palavras, " Estamos perdendo tempo ". E ele apenas assentiu brevemente dando as costas e seguindo para a saída. Sendo seguido pela dona dos cabelos negros-azulados.

***

Não precisaram de mais palavras para seguirem para fora da faculdade. A cada segundo que se passava, a vida Tenten corria perigo. E para inicio de conversa, eles sequer imaginavam onde ela poderia estar, ou até mesmo com quem. Estavam seguindo em silêncio rumo ao carro do Hyuuga quando novamente ouviram o nome dele ser chamado.

— Você... — dessa vez vislumbraram a imagem de Deidara, numa típica expressão quem havia corrido para chegar ali — Não vai se safar dessa Hyuuga — fuzilou visualmente o dono dos olhos perolados que franziu o cenho diante da ameaça e virou-se como quem não quer nada olhando a chave do veículo em suas mãos. E num movimento rápido se aproximou do loiro que não teve tempo de reagir, apertando a garganta dele com força. Os olhos azuis se arregalaram intensamente a medida em que sentia a falta de ar causada pela mão forte de Neji em seu pescoço. O loiro o olhou assustado. Mas não com a força, e sim com o rosto monstruoso dele. Sim, o Anjo renegado havia ativado o primeiro estágio de sua maldição. Há tempos desejava ter o prazer de acabar com a vida daquele infeliz com suas próprias mãos por ter ousado tocar no que era seu e ainda lhe desafiar. Deidara olhava horrorizado para a cena, aos poucos uma dor incômoda se instaurou em sua cabeça e na garganta pela falta de ar, e sua visão foi embaçando. Com sofreguidão segurou a mão que lhe sufocava e com a outra deu socos fracos no peitoral de aço do moreno, mas aquilo não surtira efeito devido a sua falta de força pela situação em que se encontrava — O... O q-que você é? — seu tom era quase inaudível, o que fez um sorriso brotar nos lábios do amaldiçoado, logo em seguida todos os dentes brancos e perfeitos reluziram e ficaram evidentes, um sorriso sádico e de puro ódio. Fruto do desejo doentio de Neji por coisas que outras pessoas abominariam. O pior dos psicopatas não podia ser comparado à ele naquele momento.

Do outro lado do estacionamento, Hinata assistia a cena totalmente horrorizada. Como se não bastasse a tremedeira em suas pernas, a ansiedade pelos acontecimentos e tudo mais, ainda tinha que aparecer a pessoa mais improvável para testar a paciência que Hyuuga Neji não tinha? Ela não podia ver o rosto do primo, mas sabia o que estava acontecendo. Ela já esteve no lugar de Deidara. E para piorar, se não fizesse nada o moreno certamente o mataria.

— Eu sou seu pior inimigo — falou abaixando a cabeça minimamente, mas sem retirar os olhos de sua vítima. Ao contrário disso, eles se arregalaram um pouco quando ele o fez. E o sorriu sumiu. — Escute bem, porque eu só vou falar uma vez — o segurou pela nuca de forma nada delicada e falou próximo ao seu ouvido num tom ameaçador, mas em momento algum sem parar de sufocá-lo — Não se aproxime mais da Tenten. Ela está num patamar muito mais alto que o seu, humano desprezível — Deidara até tentou escutar, mas a sua visão passando de turva para escura dificultava sua situação. Aos poucos o corpo do loiro começou a pender e ele sentia que desmaiaria a qualquer segundo. Vendo o rosto do mesmo completamente vermelho, Hinata se desesperou e resolveu intervir.

Neji baixou a guarda, uma sensação de pura satisfação havia atravessado seu corpo no momento em que sentiu o corpo do outro desfalecer aos poucos. Seu erro foi esse. Não se passou mais nenhum segundo e ele sentiu o próprio corpo ser jogado com uma força assustadora contra a parede de concreto do estacionamento. O som do baque surdo ecoou pelo local, em contrapartida ele fechou os olhos e abriu a boca pela surpresa. Logo em seguida seu corpo escorregou até o chão e ele caiu sentado.

Sua breve expressão de dor foi substituída pela de surpresa no momento em que ele voltou a abrir os olhos e se deparou com a cena de Hinata ao lado de Deidara — que estava no chão e batendo no próprio peito com força, como quem tentava puxar ar para os pulmões. E também tossia bastante -, mas o que lhe intrigou foi o fato de ver a Hyuuga com a mão espalmada na sua direção. A respiração dela também estava levemente descompassada, como se ela estivesse nervosa pelo que acabara de fazer.

— Chega Neji! — disse num tom ameno e com uma expressão desconfiada. Os olhos perolados da menina sempre alternando entre o rosto do primo e os pés do mesmo. Atenta à qualquer movimento por parte dele.

Se dar conta da realidade deixou Neji tão abobalhado pela situação, que ele regrediu o primeiro estágio de sua maldição gradativamente e sequer percebeu. Seus olhos estavam fixos na Hyuuga que agora voltava sua atenção para o loiro sôfrego ao seu lado. Ou melhor, no chão. Ela se abaixou incerta pelo que fazer e tentou tocar seu ombro, mas ele estapeou sua mão antes que concluísse o ato.

— Não me toque! — disse com a mão levantada, sua voz continuava falha e ele ainda não havia normalizado sua respiração — Não. Me. Toque — disse outra vez, pausadamente. Mas desta vez ela sequer havia tentado. Enfim ele ergueu os olhos azuis que se encontram aos perolados preocupados e a jovem que tinha uma mão no peito ao ver o estado do loiro. Ela suspirou cansada e balançou negativamente a cabeça — Quem são vocês ? — ele perguntou-se agora apoiando os braços e tentando se levantar. Hinata nada falou, apenas fechou os olhos e ficou novamente de pé.

— Saia daqui — seu tom era gélido. Ela manteve seus olhos fechados e os punhos cerrados.

— Não! — a resposta ousada do loiro a fez abrir lentamente as pálpebras e fitar um ponto qualquer à sua frente — Não até descobrir tudo sobre vocês... — ele tentava se impor, mas era nítido em cada movimento seu que ele estava nervoso.

— SAIA DAQUI! — gritou virando-se para ele e inclinando o corpo para a frente. Em outra ocasião, Deidara se perderia na deliciosa visão de seus seios empinados, mas naquele momento ele sequer conseguia racionar. Com o grito, novamente o loiro sentiu um arrepio na espinha que o deixou em alerta e tentou recuar o corpo para longe dela, mas foi impedido pela parede. — Agora! — sibilou entre dentes e com uma expressão extremamente séria. Deidara engoliu em seco e sem desgrudar da parede, ele levantou-se rapidamente e seguiu para o interior da faculdade. Mas não sem antes enviar um olhar desconfiado para Neji que continuava sentado no chão do local em que fora jogado com uma força inumana e constatar que ele estava tão surpreso quanto a si mesmo. Sem pensar mais ele passou as portas duplas e seguiu apressado pelos corredores. Sempre olhando pra trás e tendo certeza de que não era seguido.

Alguns segundos se passaram e Hinata não olhou na direção do Hyuuga. Estava de mãos dadas em frente ao corpo e a cabeça baixa. Já Neji ainda olhava perplexo para a porta que Deidara havia passado há um tempo. Sua mente trabalhando gradativamente em pensar como e quando a menina havia ficado tão forte. Mas uma voz um tanto quanto irritante atrapalhou seu raciocínio e o fez voltar à realidade.

— O que fizeram com o ex da Mitsashi ? — Naruto apareceu dentre as portas duplas, uma mão apontando para trás e a outra no bolso. Sua expressão era despreocupada, mas seus olhos logo repousaram sob a visão feminina da Hyuuga. Na verdade, demorou algum tempo até que ele visse Neji sentado próximo do muro. — É... A energia positiva dos dois pode ser sentida à quilômetros — ironizou olhando o moreno de canto que não esboçou reação. Ao ser ignorado ele girou os olhos na direção da entrada do estacionamento e logo reconheceu as pessoas que vinham a pé — Ih! — apontou na direção desejada — Olhem lá o pirralho que eu tenho que vigiar — falou naturalmente e inclinou a cabeça para o lado ao observar as figuras femininas as quais ele estava acompanhado — E olha lá que belas loiras que vem com ele... Nossa, que coisinhas lindas — franziu o cenho pensativo. Num movimento rápido sua visão foi impedida pela Hyuuga que se moveu para sua frente. Os olhos e sua expressão eram ameaçadores, e ela falou com o dedo enriste para o Uzumaki.

— Não ouse se aproximar delas... — "Que fofo, protegendo as amigas" o loiro pensou rindo de canto ao ver que aquela Hinata nem de perto era a garota assustada que confrontou no primeiro dia de faculdade dela. E aquilo lhe excitava.

Na verdade, a declaração do rapaz à respeito de suas amigas havia causado um certo incômodo na jovem de cabelos negros-azulados, sentimento este que não foi compreendido pela morena. Que optou por acreditar que era apenas proteção para com elas.

— Relaxa docinho — ele inclinou-se pra frente e como reação instantânea ela recuou o passo encolhendo os ombros. Cada vez mais não conseguia compreender porque seu coração estava cada vez mais acelerado, tal como a estranha ânsia e o embrulhar de seu estômago a cada vez que vislumbrava o brilho naqueles intensos olhos azuis — Eu ainda prefiro você — sorriu mostrando todos os seus dentes brancos.

Hinata desviou seus olhos do loiro e cruzou os braços em sinal de birra, coisa que lhe deu um charme à mais. E claro, que empinou ainda mais seus seios fartos e redondos. Dando evidência ao seu decote e atraindo a total atenção do Uzumaki que entrabriu a boca lentamente para puxar ar para os pulmões. Ao finalmente perceber o que exatamente Naruto olhava, a Hyuuga cerrou os punhos na direção dele e indagou com irritação notória:

— O que pensa que está fazendo? — disse entre dentes. Sua expressão nem de longe lembrava a bela e angelical Hyuuga Hinata.

— Alto lá, garota — ele falou numa expressão divertida, com um lindo sorriso estampado no rosto e as mãos erguidas em rendição — Você fica praticamente nua na minha frente e não quer que eu olhe ? — arqueou a sobrancelha e novamente ela cerrou os punhos

— Ora seu... — bufou, enviando um olhar ameaçador pro loiro que cruzou os braços e ficou a observa-la.

Ainda como telespectador, Neji sentia uma forte vontade de vomitar com a cena. Quanta melação! Nunca entendeu a relação que a Hyuuga e o Uzumaki tiveram, mas não precisava assistir à algum momento dos dois para saber que aquele relacionamento fora coisa de adolescentes apaixonados e bobos. Pelo menos foi assim que sempre pensou.

Que relacionamento onde as pessoas demonstravam se amar demais era coisa de criança, uma reles ilusão. No seu atual consentimento — de quem estava rendido aos encantos de uma mulher -, ele acreditava que uma relação o homem deveria se impor. As mulheres tinham seu jeito de demonstrar estarem apaixonadas, mas no seu ponto de vista só valeria realmente a pena se ela soubesse ser submissa a ele nas horas mais propícias. Isso claro, na cama. Instintivamente seus olhos foram de encontro ao casal um tanto quanto curioso que aos poucos se aproximavam. Sabaku no Gaara e Yamanaka Ino, não precisava de muitas informações ou de uma análise completa para ver que os dois eram totalmente diferentes. Já em relação à Naruto — o verdadeiro — e Hinata, eram completamente iguais.

Crianças!

Pirralhos que insistiam em brincar com algo tão perigoso que fora capaz de prender até mesmo ele, que jurou a si mesmo jamais se apaixonar. O amor.

Entretanto, diferente de ambos os casais, ele e Tenten eram algo indefinido, mas que não precisavam da confirmação da parte de nenhum dos dois pra acontecer. Simplesmente aconteceu. No momento mais improvável, nas situações mais absurdas e para fazer o Hyuuga ter certeza de que cumprir sua tarefa não seria tão fácil assim, principalmente quando seus olhos vislumbravam o brilho dos castanhos. Neji tinha seu próprio jeito de amar, e os gestos da Mitsashi deixavam claro que mesmo orgulhosa, ela acatava a situação.

Suspirou.

Tudo lhe lembrava ela. Maldita hora em que se deixou levar pela desconfiança e a deixou só. E, infelizmente seja lá onde estivesse, ela não se libertaria sozinha.

Pensando nisso ele tentou se levantar, mas uma dor aguda em seu ombro o fez cair novamente sentado. Levou a mão direita até a região e constatou que o osso havia sido deslocado. Seus olhos se moveram no mesmo instante na direção da Hyuuga que sorria incerta enquanto o trio de amigos finalmente chegaram até ela.

" De onde você tirou tanta força garota? " foi a pergunta que veio em sua mente.

Como se sentisse o peso do olhar sob si, Hinata desviou as orbes peroladas de Gaara e as direcionou à Neji. Os dois se encararam durante alguns segundos e por fim ele irritou-se. Ainda mirando a prima, ele puxou o braço para a frente num movimento rápido, o estalo foi baixo, mas a dor foi grande. Todavia, ele não expressou reações. E ainda fuzilando a outra com os olhos, ele se levantou e caminhou até os mesmos.

— Hyuuga — a voz do Sabaku chamou a atenção do moreno que desviou os olhos da prima e passou a fitá-lo — Também está procurando a Tenten? — arqueou a sobrancelha

— Sim, ele está... — Hinata respondeu antes que ele abrisse a boca, novamente tendo a atenção do primo sob si — Todos estamos! — completou num tom apreensivo e Naruto arqueou a sobrancelha.

— Todos quem? — questionou pondo a mão no queixo de forma pensativa. Hinata bufou e fechou os olhos entoando mentalmente um mantra pra não esganar o Demônio ali mesmo.

— Todos que importam... — respondeu num tom ameaçador o encarando por sob o ombro e ele inclinou a cabeça para melhorar seu campo de visão.

— Uh! — Temari e Ino falaram em uníssono, sentindo em si mesmas a força do fora.

— Ótimo! — Gaara interviu, temendo que eles fizessem algo que revelassem a verdadeira identidade de cada um ali para a Sabaku. Após sua conversa com Ino, descobriu a verdade sobre ela e os demais. Mas ainda continuou no escuro quanto a relação de algum possível local de onde a Mitsashi poderia estar. Por isso resolveu voltar à faculdade e pedir ajuda aos Hyuuga's. — Agora que já decidimos quem é importante e quem não é, que tal irmos logo ao que interessa? — semicerrou os olhos passando por cada um deles ali, e automaticamente Neji e Hinata se entreolharam.

***

Depois de um breve esclarecimento, o grupo se dirigiu para uma sala particular. Naruto por outro lado foi enviado por Neji para uma busca rápida por Sasuke. O Hyuuga queria garantir que a Mitsashi não estava nas mãos do Demônio. Caso contrário seria capaz de ele mesmo matar o infeliz. Já na sala de reuniões, todos — exceto Neji — estavam conversando sobre o assunto que mais lhes perturbavam no momento. Tenten.

— Porque não ligamos logo pra polícia ? — perguntou Temari apreensiva. Aparentemente o chá havia ajudado-a a se acalmar, mas numa situação tão delicada, qualquer deslize poderia ser perigoso.

— Temari... — Ino olhou apreensiva pra Hinata, que a olhou de volta e em seguida desviou sua atenção para Gaara. Nenhum dos três tinham a solução para aquela pergunta obvia — É que... — a loira engoliu em seco ao ver o par de orbes verdes-azuladas fixarem sob si como se sua vida dependesse disso.

— A polícia só irá agir dentro de 24hrs — a voz grave e levemente preocupada do Hyuuga soou no local e os quatro se viraram para fitá-lo, três deles com expressões de agradecimento.

— Mas... — Temari tentou argumentar. Todavia, novamente fora impedida por ele.

— Mas nada! A polícia só age quando a vítima está a pelo menos 24hrs desaparecida. Isso é claro, se for alguém realmente importante. Alguém da classe alta, mas no caso de Tenten... Demorariam no mínimo 48hrs — e a olhou de canto — Quer esperar ? — a resposta não veio. A Sabaku apenas cruzou os braços apreensiva e deu-se por vencida.

Os outros três suspiraram aliviados e voltaram a falar quando a loira começou a se distanciar e seguir para perto de Neji que estava sentado na cadeira mais distante, seus olhos fixos na janela de vidro. Sua mente embaraçada e seu corpo visivelmente ansioso.

— A Temari tem um tipo de distúrbio, os médicos disseram que quando ela ficar muito nervosa, é bem provável que acabe falando alguma coisa absurda ou indiscreta. O cérebro dela vê isso como forma de fuga para os problemas — Gaara comentou de braços cruzados com a Hyuuga e a Yamanaka, enquanto os três observavam a loira se aproximar do moreno de olhos perolados.

— Pensando na Ten? — a voz dela foi amena. Neji não se deu o trabalho de olha-la, apenas observou pelo canto do olho a mesma sentando-se na cadeira ao seu lado.

— Porque a pergunta? — questionou franzindo o cenho.

— Tá bem na cara que você tá pensando nela... — Neji estranhou a fala da Sabaku e a olhou com uma expressão levemente surpresa. Estava tão na cara assim seus pensamentos e conflitos internos?

— Como assim? — frisou bem as palavras com receio de gaguejar.

— Olha seu estado — ela ergueu o dedo indicador e em seguida o direcionou de uma forma um tanto quanto indiscreta para as calças dele, mais precisamente seu pênis. Mesmo sem entender a situação, o Hyuuga seguiu o caminho invisível em que o dedo apontou e arqueou a sobrancelha esquerda, sem entender a situação.

— O que que tem? — deu de ombros numa nítida expressão de quem perguntava, " Você é louca? " para ela que riu desconcertada, também dando de ombros. — Espera um segundo... — ele ergueu a cabeça e olhou pro teto com uma expressão pensativa — Você está insinuando que eu estou...

— Excitado... Excitadão pra caralho! — ela fez um gesto com as mãos. Quase como quem indicava o tamanho do membro. Ou melhor, a sua dedução um tanto quanto exagerada. A medida em que falava, seus olhos se arregalavam de um modo um tanto quanto excêntrico. Em resposta ele simplesmente balançou a cabeça negativamente, ainda olhando com certa desconfiança para a loira e respondeu:

— Não, não estou! — bufou irritado virando o rosto novamente para a janela.

— Sério!? — perguntou descrente e tentando manter sua seriedade, ele apenas afirmou com um menear — Nossa, se isso aí tá mole... — ela pensou alto, negando com a cabeça — Então tadinha da Ten...

— QUE!? — o Hyuuga ficou tão surpreso com a observação da loira que levantou-se e olhou para ela com espanto. O quase grito chamou a atenção do trio, Gaara se aproximou dos dois e tocou Temari nos ombros que o olhou desconfiada. Mas a atenção do Sabaku estava voltada pra Neji.

— O que foi? Eu só... — foi interrompida.

— Desculpe minha irmã, Hyuuga — ele disse tentando parecer gentil. Neji apenas suspirou e virou-se, mas um chamando de Hinata fez todos entrarem em alerta.

— É uma mensagem... — ela falou olhando o aparelho celular — Eles estão vindo! — afirmou, de todas as pessoas ali presente, seus olhos se direcionaram para exatamente a pessoa que mais ansiava por respostas. Neji. Ele apenas engoliu em seco olhando-a abraçar o próprio telefone.

***

— EU NÃO QUERO DESCULPAS, SHIZUNE! — gritou a loira batendo na mesa com uma força exagerada.

— S-Sim, senhora Tsunade — a garota recuou o passo temendo algum ataque do Arcanjo possesso e levantando as mãos em sinal de rendição — Mas é que...

— MAS NADA! — sentou-se na cadeira, girando-a e ficando de costas para a assistente. Deixando claro que para ela, aquele assunto estava encerrado.

— Tudo bem senhora... — a morena deu-se por vencida e suspirou seguindo para fora da sala. A garota trabalhava como assistente para ajudar o Arcanjo a resolver alguns problemas pendentes, na verdade ela era sobrinha de Dan e também um Anjo. Por este motivo fora escolhida pela loira que a tinha como uma filha, mas que as vezes perdia a cabeça com a mesma. Shizune tinha uma maldita mania de querer ensinar Tsunade a fazer seu trabalho.

Enquanto seguia para a saída da sala do Arcanjo, a morena olhou mais uma vez pra trás e viu a loira de braços cruzados e de costas pra si. Fitava o nada, mas evitava olha-la e aguardava que a mesma saísse. Suspirou cansada e balançou negativamente a cabeça.

Assim que a abriu a porta, se surpreendeu ao encontrar do outro lado Genma, um dos Anjos que fazia a guarda de Tsunade e também o seu amor secreto. Sorriu sem jeito e deu as mãos em frente ao corpo.

— Senhorita Shizune — falou fazendo uma breve referencia e com um sorriso de canto. O que fez a morena corar dos pés a cabeça e sorrir sem graça. "Que homem lindo..." pensou desconcertada.

— G-Genma... — gaguejou e ele abriu ainda mais o sorriso. O a fez prender a respiração. — O que você... — foi interrompida por Tsunade.

— Genma? — questionou e no mesmo instante a atenção do casal fora voltada para a loira que agora estava em pé de frente a sua mesa, ainda de braços cruzados.

— Senhora Tsunade — falou mais sério, também fazendo uma breve referencia.

— Aconteceu alguma coisa? — semicerrou os olhos na direção do rapaz que olhou de canto a morena ao seu lado.

— C-Com licença — disse ela sem jeito e se retirando à passos longos.

— Vamos Genma, entre — Tsunade falou e foi sentar-se novamente. O rapaz assim o fez, no processo também fechou a porta. — Então, algum problema com a nossa segurança? — indagou ela ponto a mão no queixo e o olhando de forma inexpressiva.

— Não senhora — ele negou balançando a cabeça.

— Então... Qual o problema ? — novamente semicerrou os olhos e ele respirou fundo.

— Viemos informar sobre a fuga de um dos Anjos para à terra, senhora Tsunade — os olhos da loira se arregalaram de forma exagerada.

— Como assim ? Quem foi o traidor que saiu sem permissão? — ela levantou-se num piscar de olhos e inclinou o corpo sob a mesa, espalmando as mãos na mesma. Genma por outro lado até poderia dar uma bela espiada no volumoso par de seios que a loira possuía. Todavia, tinha certeza de que se fosse pego seria morto ou coisa pior, sem contar que seu coração pertencia a outra pessoa e ele não queria que ela tivesse uma má impressão sua. Além de tudo isso, o motivo de sua ida até a sala do Arcanjo era preocupante.

— Foi o... Dan, senhora Tsunade — o som do baque logo em seguida ecoou pela sala. A loira havia caído sentada na cadeira, estava boquiaberta. Dan? Mas como ousaria...

***

Sentia sua cabeça girar, aos poucos foi recuperando a consciência e tentando abrir lentamente os olhos castanhos. Estava tão zonza que certamente se não estivesse sentada teria caído novamente. Mas... Sentada, onde?

As pálpebras se abriram lentamente, sua cabeça doía de tal forma que ela sentira uma dor aguda na nuca e fora obrigada a abaixa-la rapidamente para tentar amenizar aquela tontura. A sensação de que havia perdido alguma coisa estava ali, sua visão ainda parcialmente embaçada.

— O que... — tossiu, sem conseguir completar a frase.

Quando enfim a tontura passou, a Mitsashi ergueu a cabeça e olhou pros lados. Parecia uma criança de colo conhecendo um mundo novo, mas ao contrário de sorrir, se desesperou. Aquele mundo mais parecia um cenário de terror.

Estava num quarto parcialmente acesso por uma luz fraca no alto de sua cabeça, como se tudo aquilo fosse palco de um show, onde ela era a principal atração. O que conseguia ver ao seu redor lhe fez deduzir que muito provavelmente estava no meio do nada devido ao som inexistente na parte de fora. Se estivesse na cidade, certamente escutaria algo, nem que fossem carros passando pelas ruas.

Debateu-se tentando mexer o corpo, o mínimo que fosse. Mas haviam cordas amarrando-a firmemente naquela maldita cadeira de ferro. Estava totalmente fraca e assustada. Todavia precisava organizar sua mente e descobrir o que estava acontecendo.

Deduziu pelo calor que o local em que estava era pequeno e fechado, a única saída de lá era uma assombrosa porta de ferro. Que muito lhe lembrava as imagens que vira quando estudou sobre a História Negra da Santa Inquisição. Tossiu mais algumas vezes sentindo sua garganta arder, a poeira que havia por todos os lados não ajudava. Era incômodo, mas nada comparado ao medo que aumentava gradativamente ao se dar conta de que estava num local totalmente desconhecido e a mercê dos inimigos.

Dos inimigos...

" — O que pensam em fazer com a gente? — a morena perguntou do banco de trás ao homem de cabelos grisalhos e penteados para trás com comprimento médio. Enquanto o outro estava no banco de passageiro e com uma arma apontada para as vítimas — apenas como forma de ameaçar — com uma aparência sádica. No rosto um sorriso estampado de forma exagerada e os olhos negros levemente arregalados enquanto mirava com intensidade a Mitsashi que encolhia-se cada vez. Sendo observada por Shikamaru.

— Se nós dissermos perde a graça — ele disse pulando no banco — ainda sorrindo e parecendo animado com o horror estampado no rosto da moça — e balançando o carro no processo.

— Pare já, Tobi... — o que dirigia falou e de um segundo para o outro o sorriso no rosto do rapaz denominado pelo mesmo de Tobi, se desfez e ele encolheu o corpo tristemente. — Chegamos — ele disse sorrindo de canto e olhando as vítimas pelo retrovisor. Segundos depois saindo do carro e ordenando que o Nara e a Mitsashi fizessem o mesmo.

— Mas estamos no meio do nada... — Shikamaru falando observou o nada ao seu redor. Estavam na beira de uma pista escura e pouco movimentada, tudo que se via ao redor eram árvores e uma floresta densa.

— É... — o homem de cabelos grisalhos falou dando de ombros como quem não se importasse — Mas é onde você vai ficar! — exclamou atingindo o Nara com um golpe certeiro na testa, antes mesmo que este tivesse tempo de reagir. O moreno desmaiou no mesmo instante.

— Shikamaru! — Tenten tentou se aproximar, mas fora segurada pelo tal Tobi.

— Onde pensa que vai? — abriu aquele enorme sorriso outra vez, a morena sentiu um frio na espinha ao olha-lo sob o ombro. E, ao ouvir um barulho estranho de galhos sendo quebrados, voltou sua atenção para os outros dois.

— SHIKA... — gritou desesperada ao ver o rapaz joga-lo morro abaixo, tentando inutilmente se desvencilhar das mãos do moreno atrás de si.

— Agora sua vez — o de cabelos grisalhos falou e ela estancou no mesmo instante, engolindo em seco. Recuou o passo por instinto, mas seu corpo acabou por se chocar no de Tobi que sorriu para o amigo que acenou positivamente.

No segundo seguinte Tenten sentiu uma dor alucinante na nuca e tudo escureceu."

— Então... Foi isso que aconteceu — resmungou voltando pra realidade.

Olhou mais uma vez pros lados. Não importava como, precisava sair dali. Sua cabeça ainda latejava, seus olhos lacrimejavam — devido à sua rinite alérgica que vinha com força total — e claro, pelo medo. Não fazia a menor ideia de onde estava, o que será que acontecera com o Nara? Será que ele estava bem? O que será que aconteceria com ela? Ela ficaria bem?

Então sua mente se voltou a lembrança de um belo moreno de olhos perolados e ela não controlou mais o choro. Baixou a cabeça, sentindo-se vencida pelas cordas que a amarravam na cadeira. Seus ombros chacoalhavam devido a intensidade dos soluços. Não fazia ideia de onde estava o Hyuuga, se ele iria salva-la ou até mesmo se ele se importava com ela. Também estava com medo dele.

"Ele matou o próprio pai..." pensou sentindo uma pontada no peito e a tosse aumentava gradativamente. Também se engasgando com a própria saliva devido ao choro compulsivo.

Após algum tempo o choro cessou, mas não a vontade louca de sair dali. Tenten sentia o rosto encharcado pelas lágrimas e os olhos inchados. Aos poucos ela sentia-se seca, sentia como se tivesse que desistir desde já da vida. Talvez, se encontrasse uma forma de se matar naquele instante, não tivesse que passar por nada que seus sequestradores pretendiam fazê-la passar quando voltassem.

Seu corpo pequeno estancou no momento em que ouviu passos da parte de fora da porta de ferro. Inclinou levemente a cabeça na direção da mesma, e olhou com o canto do olho afim de ver qualquer um que entrasse ali. Cada vez mais os passos ficavam mais audíveis e as batidas do coração da morena, mais aceleradas.

Não demorou muito para ouvir a porta ser destrancada e o barulho do ferro enferrujado rasgar no chão de concreto e ecoar pelo pequeno quarto. Segundos depois os dois homens adentraram o local. Tenten já não conseguia mais fingir que estava desmaiada, pois sua respiração descompassada e as mãos tremulas lhe denunciavam. Mas não ergueu a cabeça.

Ao contrário disso, ficou olhando para as pernas dos sequestradores. Viu ambos andarem da porta até ficar à sua frente. Um deles pôs as mãos no joelho e se inclinou para frente, como quem queria olhar o rosto dela. Mesmo que seus sentidos lhe dissessem que não, ela ergueu um pouco a cabeça e viu Tobi com o rosto à centímetros do seu. Tal como os olhos negros arregalados.

— Olá Anjo prodígio... — quem falou foi o homem de cabelos grisalhos que estalava os dedos de forma inexpressiva. Tobi permaneceu estático enquanto ela desviava o olhar para o falante — Acho que não nos apresentamos direito — ele inclinou a cabeça e mirou os olhos amedrontados — Eu sou Hidan, e este é Obito — apontou para o moreno sádico ao seu lado, que mantinha os olhos arregalados. Causando uma grave pressão psicológica na garota — E nós... Vamos cuidar de você — ele falou abrindo os braços e dando de ombros.

— É! — o agora denominado Óbito falou, chamando a atenção da morena que o olhou rapidamente — Mas pode me chamar de Tobi — ergueu as sobrancelhas e arregalou ainda mais os olhos, se é que era possível — E nós vamos nos divertir muito... — terminou abrindo sua boca naquele sorrio sádico e assustador que fez Tenten se encolher na cadeira. Ela sentiu o coração falhar algumas batidas.

Notas finais
Vejam esse capítulo como uma ponte para os próximos acontecimentos. E então? O que acharam ? Se você chegou até aqui, não custa-lhe nada deixar um comentário. Isso deixa a autora feliz e inspirada para voltar mais rápido. Gente, gente. Posso adiantar que no próximo capítulo terá bastante tretas? haha Quero muito voltar logo, sério. Tenho tudo planejado, me inspirem. Até mais, beijinhos, Janna :*