Amaldiçoado

11 Capítulo XI - Segredos do Verão Passado - Parte III


Notas iniciais
Olá jovens! Sejam bem-vindos ao capítulo em que eu particularmente mais gostei de escrever. Sei lá, gosto de romances assim.. complicados e cheios de desejos por parte de ambos. Voltei um pouco mais rápido que antes, né? Sério, fiquei muito feliz e inspirada com os comentários lindos. Me abracem por favor ♥ Posso avisar que, não esperem um Neji todo romântico e sentimental ok? Talvez com o tempo a Ten mude isso, mas vale lembrar quem ele é. Aqui ele tem personalidade forte e isso inflige em todos os seus atos. Mas eu gostei desse capítulo por.. Bem, creio que entenderam quando lerem, haha. Sem mais delongas, Boa Leitura!

As bocas ainda estavam molhadas quando se separaram, o gosto de uma transferido para a outra num acesso louco de desejo e quero mais. Tenten ainda tentava voltar a realidade enquanto sentia sua testa ser pressionada pela de Neji e a respiração quente do mesmo bater contra seu rosto e causar-lhe arrepios e um calor incomodo para o pequeno elevador. Pequeno sim, mesmo com sua capacidade para pelo menos vinte pessoas, aquele local ficava minúsculo com a presença marcante do Hyuuga.

Ainda descrente da realidade e do que acontecera, ela levou a mão direita e tocou com a ponta do dedo indicador e médio os lábios inchados pelo beijo feroz. Neji tinha pegada, ele tinha presença e o poder de deixar marcas por onde passava. Os lábios da Mitsashi eram a prova viva naquele momento.

Sentiu o gosto metálico do sangue em sua boca e fez uma breve careta ao constatar que ele havia mordido com muita força seu lábio inferior, causando uma leve ferida do lado interno, onde a pele é mais sensível.

– Seu idiota! — ela rosnou no momento em que ergueu os olhos para fitá-lo. Ele continuava ali, próximo a ela. Não tão próximo como antes, mas ainda perto o suficiente para agarra-la outra vez se tivesse vontade. Na verdade, enquanto estivesse no interior daquele elevador, ele sempre estaria próximo demais. Ou mesmo fora dele...

– Me xingando outra vez, Mitsashi? — indagou com a voz rouca pelo desejo. Ele queria muito domar aquela menina arredia, e sabia que seria muito interessante e prazeroso fazê-lo — Acho que não aprendeu a lição... — estava divertido demais vê-la furiosa e ao mesmo tempo cheia de desejo. Menina complicada.

– Lição de que? De como ser masoquista? — ralhou semicerrando o olhar e ele aproximou os corpos, no mesmo instante ela recuou — quase acoplando seu corpo na parede metálica — e encolheu-se um pouco. Neji estava perigosamente sensual com aquele olhar frio, mas que no âmago pegava fogo. Ele estava exalando testosterona pelos poros e aquilo atraía e muito a morena.

"Não se entregue Tenten!" entoava mentalmente seu mantra ao ver o moreno se aproximar cada vez mais. O tórax que parecia de aço — e tão duro quanto a parede atrás de si — do mesmo já amassava seus seios e agora apenas as bocas se encontravam distante, ou quase. " Tenten, controle-se! " e tentou se esquivar de um outro beijo rápido, mas Neji foi mais rápido ainda e a segurou contra seu corpo e apertou sua cintura " Tarde demais..."

– Neji... — ainda tentou contestar, mas ele não daria para trás depois de ter esperado tanto.

– Não Tenten...Eu passei pela pior semana da minha vida. Minha cabeça está a ponto de explodir. Tortura não é nada comparado ao que passei — disse num tom baixo e se aproximando. Como sempre Tenten tinha aquele dom de acalmar o Hyuuga, ele já sabia disso. Não conseguiria fingir muito tempo para ela. Mas ao mesmo tempo, ela conseguia brincar com sua sanidade e isso o deixava louco. Louco de desejo e volúpia.

– O que você quer? — indagou sentindo o coração sangrar com a pequena confissão. Se ela perguntasse pelo que ele passou, ele não responderia. Por isso optou por outros meios.

– Eu já nem sei mais o que quero, só sei que quero você — seu tom rouco só aumentou a temperatura no corpo da morena que tremeu da cabeça aos pés.

– Você já me tem... E eu te odeio por isso — sentiu quando ele repousou a testa sob a sua outra vez. O pano que escondia seu selo era o único empecilho no momento.

O jogo havia se invertido. Agora Tenten que estava louca para beijá-lo de novo. Ao perceber isso ele sorriu e ela teve que abrir os olhos para ter certeza de que não havia sido enganada por seus sentidos. Mas não, lá estava um mínimo sorriso dando vida aos lábios perfeito que Hyuuga Neji possuía. Era um riso de canto e muito sexy, ele estava de olhos fechados. Todavia a morena continuava perdida naquela linda visão. Ele estava numa pose desleixada, seu braço esquerdo apoiado no alto da cabeça dela e o tronco todo torto por ser bem mais alto que ela e ter se abaixado para unir as testas. Tenten sentiu-se hipnotizada e também sorriu.

"Que homem meu Deus!" e ela queria tanto que ele lhe pertencesse... Mas Neji não era de uma, ele era de todas. Ela já havia se conformado com isso. Ou melhor...

– Não! — exclamou empurrando-o bruscamente, de uma hora para a outra toda a felicidade do momento se esvaiu e ela teve vontade de chorar. Sequer se importou por estar na presença do Hyuuga e com a expressão de espanto e curiosidade que estampava seu belo rosto — Você é... — soluçou ao tentar conter o choro — Você é casado! — ralhou com o dedo enriste sentindo raiva e desgosto, mas sem conter as lágrimas.

De um segundo para o outro o rosto do Hyuuga mudou, ele continuava curioso, mas também estava com raiva. Raiva de que? Será que ela havia tocado no seu ponto fraco? Será que ele ao menos tinha um ponto fraco? Neji era um perfeito mistério.

– Que!? — indagou cerrando os punhos — De onde tirou isso Mitsashi? — seu tom era grave e muito assustador. Mas não assustador do tipo sexy, apenas muito assustador. Tenten se arrependeu amargamente de ter se intrometido na vida pessoal do Hyuuga e lembrou-se de que o seu maior perigo não vinha das pessoas que queriam pega-la, vinha dele. Porque ele a tinha de uma maneira entorpecente. Ele tinha o poder de acabar com sua sanidade ou de destruir seu lado racional com apenas uma palavra. Diferente dos outros que o máximo que conseguiriam era alguma tortura física. Neji lhe torturava mentalmente — RESPONDA! — gritou segurando-a pelos ombros com uma força exagerada. E finalmente o elevador chegou, depois do que pareceu séculos. As portas se abriram lentamente.

A morena franziu o cenho assustada e sentiu o coração acelerado e a impressão de que um segundo coração palpitava em seu ouvido, era a adrenalina tomando conta de seu corpo. Olhou no fundo dos olhos do moreno e queria acreditar que ele não era tão cruel quanto aparentava. Queria acreditar que dentro de si havia um homem bom. Afinal ele era um Anjo, não era? Exilado sim, mas ainda um Anjo.

Neji engoliu em seco ao ver o brilho sensível e inocente que aqueles olhos possuíam. Uma dor se instaurou em seu ser ele foi obrigado por uma força invisível a se afastar. Sim, era aquele poder que ela exercia sobre ele. Tenten parecia uma criança inofensiva e assustada, seus olhos levemente arregalados e as mãos pequenas e tremulas dadas em frente ao coração. Ele não resistiu, quando deu por si já abraçava a Mitsashi de forma protetora. Forçou a cabeça da morena com uma mão para que a mesma repousasse sob seu peito, enquanto a outra segurava firmemente a cintura da jovem, impedindo que ela tentasse qualquer fuga. Ele não a queria longe, ele a queria perto de si.

Neji assustou-se consigo mesmo ao perceber que não era só com seu instinto masculino e viril que a Mitsashi mexia. Pela primeira vez em muito tempo, ele teve medo. Medo por estar mais envolvido do que imaginava. E todas as suas ações deixavam isso claro.

– O que você tá fazendo comigo? — questionou por fim recostando sua cabeça no alto da dela. Sentiu o corpo diminuto relaxar por completo após tais palavras e por fim seu abraço ser retribuído.

Enquanto isso, Tenten sorria. Sorria por saber que era capaz de mexer com o Hyuuga o tanto quanto ele mexia consigo. Queria que aquele momento não acabasse nunca. Mas as portas abertas do elevador indicavam que era hora de sair. Ela ignorou aquilo e respondeu:

– Porque está dizendo isso? O que achava que fiz com você? — finalmente teve coragem de erguer o pescoço e fitar aquele par de olhos enluarados que estavam fixos em uma parede atrás de si, na parede do elevador.

– Não sei Tenten... — com a mão que se encontrava pressionando a cabeça da Mitsashi para mais perto de si, o Hyuuga começou a afagar-lhe os cabelos castanhos. Ela sentiu um arrepio gostoso e uma sensação de pura proteção se espalhar por todo seu corpo. — Você tem o dom de mexer com a minha alma... E eu nem sabia que tinha uma — suspirou dando-se por vencido. Por fim recordando-se da pergunta que o tirou do sério — Mas, quem foi que falou que eu era casado? — franziu o cenho e sentiu todo o corpo da morena se encolher novamente. Riu de canto outra vez. "Mas o que ela faz comigo? " indagou-se ao perceber seu corpo assim, tão leve por estar na presença dela. — Calma! — pediu — Eu não vou fazer nada, juro. — ele mantinha seus olhos fixos na parede do elevador — Venha — afastou-se, puxando-a para fora daquele local pequeno e público. A menina resmungou baixinho por ser tirada de seu aconchego e ele se pegou olhando a expressão manhosa da mesma que fitava o chão com um bico muito fofo e infantil — Precisamos conversar à sós. Sei que você deve ter muita coisa pra perguntar — ela ergueu os olhos com um brilho de esperança por se imaginar obtendo todas as suas respostas — Mas... Não faça nenhuma pergunta sobre meu passado — alertou um pouco mais duro e virando-se para continuar a seguir pelos corredores do prédio. Ela suspirou. Mas tinha que ter calma e sabia disso. Hora ou outra isso viria à tona.

– Tudo bem... — falou baixinho e com o mesmo bico manhoso, ele revirou os olhos numa expressão levemente divertida pela infantilidade da Mitsashi

– E claro, você também vai me responder algumas perguntinhas... — puxou-a para sua frente no momento em que chegaram ao apartamento dela, aguardando para que a mesma abrisse a porta. Neji falou as últimas palavras segurando a cintura dela e repousando seu queixo sob o ombro da morena, falando muito próximo ao seu ouvido. Tenten sentiu o corpo aquecer no mesmo instante.

Aquela seria uma conversa muito longa...

***

Neji remexeu-se na poltrona, abriu lentamente seus olhos enluarados e observou o comodo escuro ao qual se encontrava. Não demorou muito para sua visão repousar sob a figura feminina a qual se encontrava deitada na cama, num sono profundo e alheia ao resto do mundo e até a ele.

Suspirou. Mais uma vez aquela maldita lembrança de um sonho voltava a sua mente. Queria esquecer, esquecer que mesmo em sonhos a morena chegou perto de descobrir seu maior segredo. Sonho este agora que lhe perseguia todas as noites.

Movia sua perna direita num movimento repetitivo, não sabia porque, mas estava nervoso. Tinha muita coisa que resolver com Tenten. Tinha uma missão para cumprir, mas antes disso ainda tinha assuntos pendentes com sua prima. Onde já se vira ela ir dizer para a morena que ele era casado? Um sorriso sádico transpareceu seus olhos e ele balançou negativamente a cabeça.

– Não sabia que tinha que descer tanto de nível para não fracassar em uma missão, Hinata — ele sussurrou, tomando cuidado para que a morena não o ouvisse pensar alto e recordando-se da época em que morava em seu antigo Clã.

Era surpreendente como sua prima era tão fraca. Ela tinha medo de tudo, principalmente de decepcionar Hiashi, e por isso evitava fazer a maioria das coisas que devia. Só que, ocasionalmente aquilo não trazia orgulho para o gêmeo mais velho e o deixava com uma pitada de inveja do mais novo por se vangloriar de seu filho. Já que, quando Hinata não cumpria seus compromissos, sempre sobrava para Neji. Como se não bastasse, Hanabi, a irmã mais nova da Hyuuga, demonstrava desde pequena ter grande aptidão para guerras e missões de alto nível. O que só resultava em uma péssima autoestima por parte da garota que se sentia descartável e se reservava cada vez mais.

Levantou-se da poltrona e andou sem fazer barulho pelo quarto. Os braços estavam cruzados e uma mão se encontrava no queixo, Neji estava pensativo. Havia algo em toda a história que Tenten lhe contara sobre o homem que a perseguia que não se encaixava. Ela contou-lhe sobre o diário, sobre a conversa que teve com Gaara e claro, sobre o estranho perseguidor. E de todos os pontos que o Hyuuga ligou, apenas o último não era compatível.

Bufou frustado. Jamais encontraria as respostas se não fosse até elas. Coçou a cabeça e olhou de canto para a janela, o dia já começava a despontar no horizonte. Seria um dia quente e sem previsão de chuvas. Bem, isso claro, se não irritassem a Mitsashi. Riu com os olhos e olhou-a de canto. Se fizesse o tipo romântico admitiria pra si que até dormindo a morena era linda.

Mas, fazendo seu tipo cafajeste, Neji seguiu até a cama da morena e deitou-se ao lado da mesma. Virou-se lentamente para o lado da garota e encostou o corpo no dela, se Tenten acordasse naquele minuto, suas duas reações prováveis seriam ou ficar muito excitada, ou muito irritada. O Hyuuga com toda sua magnificência, apostava na primeira.

Passaram alguns minutos e logo os raios do sol começavam a incomodar. Neji havia retirado o lençol fino que cobria o corpo da morena, a pele da mesma estava quente e por instinto arrepiou-se no momento em que foi revelada. Deixando o Anjo amaldiçoado a beira de um colapso e com um incomodo doloroso no membro dentre as pernas.

Neji abraçou o corpo de Tenten de forma possessiva, passando sua perna direita por cima das coxas dela e em seguida o braço pela cintura delgada. Trazendo-a mais pra si. Como resposta obteve um resmungo sonolento da garota e pegou-se observando-a remexer-se na cama em busca de uma posição mais confortável. Levantou uma das mãos e segurou com uma força exagerada o maxilar da morena, forçando-a a abrir os olhos devido a dor e mirá-lo com certa surpresa.

Tenten demorou alguns segundos para focalizar e compreender o que estava acontecendo. Não queria abrir os olhos, mas sentiu-se forçada ao fazê-lo quando aquela mão firme a segurou com brusquidão. Seus olhos castanhos miraram os enluarados assim que enxergou as coisas com clareza. Demorou mais algum tempo para se tocar de que aquilo não era um dos seus sonhos, e sim uma nítida realidade.

Nítida e dura.

Mas o que? Arregalou os olhos castanhos e mirou o membro latejante que pressionava sua cintura com vigor. Ao ver a expressão surpresa da garota, o Hyuuga se apressou em mover os quadris com cuidado e uma lentidão precisa, na intenção de apenas excita-la. Ainda eram 05:45 da manhã, poderiam transar ali e ir para a faculdade depois. Ou nem ir. A segunda opção para o moreno pareceu tentadora no momento.

Não demorou muito para a pele da garota esquentar ainda mais, sua respiração se descompassar e o rubor tomar conta de seu corpo. Era excitante ver aquilo, Tenten era linda até excitada. Bem, era linda de qualquer maneira. Mas excitada era como uma ninfa sua, só sua. A linda boca carnuda entreaberta e exalando desejo.

Neji não resistiu.

Tomou para si ,com todo desejo que sentia no momento, aquele néctar dos dos deuses. Tenten quando deu por si já era beijada. O moreno transferiu sua língua quente e hábil de encontro à da garota, no interior de sua boca macia e úmida. Era um doce pecado, ela possuía um gosto único de menta e hortelã. Sim, os dois. E ele não se importaria de ir para o inferno por violar aquela pequena ninfa.

"No inferno eu já estou, apenas encontrei meu Oásis no Saara" pensou ele

Ela era feita sob medida para acabar com a sanidade que ele possuía. Ele era feito sob medida para provar à Tenten que não existia certo e errado quando havia desejo.

Ela estava realizada, descobrira através dele que Hinata mentira. Ele não era casado. Nunca foi. Certo que, uma parte de si ainda estava triste por ele não ter falado nada sob seu passado. Mas tudo bem, ela estava ali, nos braços dele. Agora seria só questão de tempo. Ela só precisaria ganhar a confiança do Hyuuga.

– Ah Neji... — separou as bocas apenas para proferir tais palavras. Sentiu-lhe morder o lábio inferior com força e puxar-lhe lentamente, descendo seus dentes sedentos para o queixo — onde mordiscou e lambeu — seguindo uma linha imaginária de beijos em direção a orelha da jovem.

Tenten já não respondia por si. Se entregaria ali mesmo se aquilo continuassem. Era tentação demais. Era desejo demais. Ela não conseguiria, não suportaria aguentar tamanha luxúria. Imploraria para ele possuí-la, queria se entregar, queria ser de Neji da forma mais viril e delirante.

Ela estava louca pra dar-lhe. Ele estava louco para come-la.

Sentiu quando o Hyuuga roçou de leve o membro em sua virilha — por cima da roupa — e gemeu. Um gemido rouco e gutural vindo do fundo de sua garganta. Sem pensar duas vezes abriu as pernas e permitiu que ele se posicionasse entre elas. Procurando algum apoio, ela repousou suas mãos tremulas sob os ombros largos dele.

Tenten podia sentir os músculos de seu ventre se contraírem a cada vez que ele chegava perto de si. Parecia querer tortura-la de uma forma lenta e sensual. Com sua majestosa língua ele tocava levemente o lóbulo da orelha da morena enquanto se aproveitava de seu hálito quente e soprava levemente a região que estava extremamente frágil devido a excitação da garota. Fez movimentos circulares com a língua, logo depois utilizava dos dentes para puxar com carinho a pele sensível e em seguida soprava. Continuou naquele jogo de sedução durante algum tempo, ouvia a Mitsashi gemer palavras desconexas e arranhar com força seus ombros e braços. Aquilo resultaria em belas marcas por alguns longos dias. Mas ele parecia não se importar.

– Eu quero te foder. Agora! — ele falou rouco no ouvido da garota.

Tentava ao máximo não perder o controle de seu corpo e, sem querer, ativar o primeiro estágio de sua maldição. Não se sentia confortável para demonstrar seu lado negro num momento tão crucial.

Em respostas as suas palavras ela inspirou profundamente e tentou formar alguma frase correta para responder-lhe.

– Vo-Você já... — engoliu em seco. O desejo era demais, perdia o raciocínio sempre que mirava os olhos do rapaz. Optou por fechar os olhos e continuar — Você já fodeu minha mente — respirou fundo outra vez — O que tá esperando pra foder meu corpo ? — se Tenten estivesse em seu juízo normal, certamente não diria tais palavras. Todavia, o desejo havia subido a sua cabeça e ela não tinha noção do que falava, era apenas o tesão que fluía pelos poros dois dois.

Neji grunhiu ao ouvir a sua menina proferir palavras tão chulas. A vontade de concretizar o ato ardeu em si e fez seu membro doer e clamar por atenção. Aproveitou que estava entre as pernas da garota e numa confortável posição para puxá-la para seu colo.

No instante em que a morena sentiu seu corpo ser erguido, seus olhos se abriram em curiosidade e ela se viu montada no Hyuuga. Não esperou mais para entrelaçar suas pernas ao redor do quadril do moreno e segurar com força os longos fios lisos e puxá-lo para um beijo cheio de desejo. Ela também queria provocar, ela também sabia. Sentia que Neji não estava tão entregue quanto ela, mas se dependesse de si, não seria por muito tempo.

Por outro lado, o temor do rapaz era exatamente de perder o controle de seus atos e assusta-la com seus olhos de veias saltantes. Queria se entregar por inteiro, queria muito. Desejou Tenten desde o primeiro momento em que pôs os olhos nela, mas infelizmente não podia. Não como queria.

E como prova de que a morena não desistiria, ele a sentiu mover-se lentamente em cima de si. Roçava com maestria e maldade sua feminilidade no pênis coberto do rapaz que fechou os olhos com força e enterrou sua cabeça nos seios dela que riu de canto ao ver a reação dele. Neji segurou a cintura de Tenten com força e por um segundo quase mostrou para ela sua maldição ativada. Sim, ela havia conseguido. Mais uma vez, a Mitsashi fizera a proeza de fazê-lo delirar. E o corpo de Neji era dela, ele não tinha mais domínio sob o mesmo.

– Porra Tenten! — sua voz saiu abafada por estar com a cabeça enterrada nos seios rijos dela. Ainda a sentia rebolar em cima de si com uma força e lentidão capaz de deixá-lo de mãos atadas.

Milésimo por milésimo, segundo por segundo, Tenten aos poucos foi conseguindo destruir a sanidade que ainda restava no Hyuuga para que ele não cometesse uma loucura. Ele por sua vez sentia uma corrente elétrica atravessar seu corpo a cada vez em que ela tocava as intimidades. Ela estava satisfeita consigo mesma. Havia enfim conseguido o que queria. Sentiu quando ele aos poucos começou a mover seus quadris na direção oposta a dela, causando um atrito gostoso entre as regiões. Gemidos baixos preenchiam o quarto a medida em que o ritmo aumentava. Baixou a cabeça para olha-lo, por estar em seu colo, ela mantinha-se mais alta que o mesmo. Neji ainda estava cabisbaixo, tomando cuidado para que ela não visse as veias que saltavam ao redor de seus olhos claros.

Mas ainda assim, mirava com desejo aquele belo par de mamilos endurecidos e que sarravam em seu rosto a cada que ela se mexia. Não conseguiu evitar, sentindo-se hipnotizado, o Hyuuga abriu a boca e levou uma das mãos de encontro a alça da camisola que ela trajava. Baixava calmamente com intenção de revelar os seios que faziam uma dança erótica e muito sensual à sua frente. Queria prová-los, e estava quase lá. Até que... Um toque muito comum atrapalhou o momento. E não era o despertador e sim o celular da Mitsashi.

Tenten que no momento estava com a cabeça erguida, abriu os olhos e mirou o teto com uma simples expressão, " É sério que tinha que acontecer bem agora? " indagou-se mentalmente ao virar lentamente seu rosto na direção do aparelho telefônico que tocava insistentemente. Sua mente trabalhava em duas únicas opções, atender e mandar o desgraçado ou desgraça para o quinto dos infernos, ou deixá-lo tocar até que o maldito se cansasse de ligar. Tentava decidir enquanto mirava o celular vibrar acima do criado-mudo.

– Atenda! — a voz autoritária do Hyuuga a tirou de seus devaneios. Ela levou um susto rápido e seus olhos miraram os incolores que agora haviam voltado ao homem frio e indiferente que costumava ser.

"Ótimo, obrigada seu grande filho da puta" xingou seja lá quem fosse que atrapalhara o momento.

– Mas... — Tenten sentia como se tivessem lhe jogado um balde de água fria. Literalmente, Neji conseguia lhe ascender com um simples olhar e lhe apagar com uma simples palavras. "Homens...!" resmungou mentalmente

– Pode ser o cara que estava te seguindo Tenten, atenda! — ordenou novamente e ela fez bico saindo de cima dele. Mas não sem antes olhar disfarçadamente para as calças do rapaz e se certificar de que o mesmo estava bem mais controlado.

Por outro lado Neji era grato a pessoa que estava ligando, ao mesmo tempo em que sentia vontade de matá-la. Grato porque só com o toque foi capaz de conseguir retomar o controle da situação e regredir o primeiro estágio da maldição. E sentia vontade de matá-lo por motivos óbvios, ele queria tanto aquilo quanto a Mitsashi.

E não foi preciso que ela chegasse ao aparelho, a chamada caiu na caixa postal pela demora e rapidamente a mensagem de voz foi repassada.

" Tenten... Eu...Eu não sei muito bem o que falar... — pigarreou — Bem, é a Hinata. E o que eu gostaria de falar com você, infelizmente só posso falar pessoalmente. Eu queria saber se posso passar no seu apartamento e irmos juntas à faculdade. Sei que você deve estar com raiva de mim, e você tem razão. Mas também precisa me ouvir, precisa me entender. Por favor Ten, me liga...Estou esperando. Beijos, Hina!"

E a ligação foi encerrada.

Após aquele momento um silencio incomodo se instaurou no local. Tenten não queria olhar para Neji, sabia que ele estaria com raiva. Baixou a cabeça e pensou no que deveria fazer, mas infelizmente não havia nada ao seu alcance.

Através do canto do olho o viu se levantar e seguir na direção da janela com os braços cruzados. Ali ficou durante alguns segundos até se virar e dar de cara com a Mitsashi encarando-o. Não precisou de palavras, a morena entendeu bem o recado.

Neji não deixaria que ela se aproximasse de Hinata ou vice-versa. E ela apenas suspirou.

***

Já eram 6:40 da manhã e agora Tenten e Neji seguiam no carro do Hyuuga em direção a faculdade. A morena de certa forma sentia-se incomodada por estar naquele veículo. Principalmente depois do que ocorrera mais cedo. Ela sentia uma angustia tomar conta de seu peito e sabia muito bem que era por causa de Hinata. Mas o que poderia fazer? A Hyuuga mentiu para si descaradamente, e como a própria Mitsashi costumava dizer, se tinha uma coisa que ela não suportava, essa coisa era a mentira.

Todas as mentiras escondidas por certo tempo ocasionava em uma imensa e perigosa bola de neve, que aos poucos acaba levando o mentiroso consigo. E era exatamente naquela situação a qual a jovem de cabelos negros-azulados se encontrava. Imersa em sua bola de mentiras.

Tenten olhou de canto, por outro lado Neji também não havia sido totalmente sincero consigo. Já que ele não havia dito nada relacionado ao que ela mais queria saber, em todas as suas respostas ele escolheu com cuidado da palavra. A morena bufou irritada ao perceber que quando se tratava do Hyuuga, ela simplesmente não conseguia colocar sua mente em ordem.

– O que houve? — a voz grave dele ecoou pelo interior do carro assim que o mesmo ouviu a garota bufar e a olhou pelo canto do olho, vendo-a cruzar os braços e mirar o dia movimentado de Tókio através da janela.

– Nada... — o tom de birra fez o moreno rir pelos olhos. Mais uma vez Neji se pegou olhando a garota, só que dessa vez fixamente. Aproveitando que estavam parados em um sinal. Ao sentir o peso do olhar do rapaz sob si, Tenten virou-se com uma expressão levemente tristonha e completou — É estranho... — mirava com precisão seu par de luas em plena luz do dia.

– O que é estranho, Tenten? — ele questionou arqueando a sobrancelha esquerda. Voltou sua atenção para o trânsito no momento em que despertou do transe causado pelas orbes castanhas ao ouvir as buzinas dos carros atrás de si.

– Seus olhos Neji... — falou ainda mirando o rapaz, mais especificamente aquela região de seu rosto que tanto lhe fascinava. Bem, Neji em si lhe fascinava, mas seus olhos eram uma coisa inexplicável.

– O que tem meus olhos? — semicerrou-os sentindo-se incomodado com o olhar persistente dela sob si

– Eles dizem muita coisa sobre você... Ao mesmo tempo que nada — em resposta só ouviu suspirar.

Era assim, aquele era Neji. Ela já estava ficando habituada com o jeito de ser do Hyuuga. Ele não gostava de ser contrariado, e muito menos de entrar no assunto que dizia respeito a si e seu passado.

"Porque tão distante, Neji?" indagou a morena mentalmente "Eu posso te ajudar a resolver teus problemas, mas precisa confiar em mim..." como ela gostaria de citar em voz alta o que se passava em sua mente, mas não devia, sabia que não. Ainda não.

Fechou os olhos e retornou seu pensamento para o íntimo momento que tiveram de manhã. Muito provavelmente se não fosse a ligação de Hinata eles estariam na cama naquele instante e aproveitando o momento pós-coito. Um sorriso sapeca brincou em seus lábios no momento em que recordou-se do quão entregue ele estava pouco antes da chamada. Sentiu o sangue ferver em suas veias e aos poucos leves contrações se instalaram abaixo de seu ventre só por lembrar do volume que Neji possuía dentre as calças. Ele era enorme. Ela sabia disso.

Neji era mil vezes homem. E ela teria que ser mil e uma vezes mulher para suporta-lo indo e vindo dentro de si.

"Incrível é como meu corpo se entrega tão facilmente ao dele" lembrou-se de todas as vezes em que ele a deixava daquela maneira. Molhada. Com apenas um pensamento. E também porque homem nenhum jamais fizera algo parecido consigo antes. Claro que, Tenten já se entregara. Mas porque quis, e não porque seu corpo a havia traído da maneira mais sutil e deliciosa.

Já Neji pensava em muita coisa no momento, mas todos seus pensamentos e desejos acabavam na morena sentada ao seu lado. Tentava compreender como ela conseguia dar aquele nó em sua mente e deixá-lo tão sem ação. Para ele, Tenten era a garota de sorrisos fáceis e de difícil compreensão. Queria poder confiar nela, mas se havia uma coisa que tinha aprendido desde muito cedo. Era que não deveria confiar em ninguém além de si mesmo. Porém, depois daquela noite ele sequer sabia se era capaz disso.

Como déjà-vu as imagens das casas pegando fogo e dos descendentes dos Anjos correndo de um lado para o outro vieram à sua mente. Ele viu! Viu com seus próprios olhos seu pai ser assassinado. E no fim das contas, não pode fazer nada. Absolutamente nada. Então, do que adiantara todo seu treinamento ? Do que adiantara ser consagrado o melhor guerreiro dos Hyuuga's se sequer conseguia controlar as ações de seu corpo?

"Neji, você é mais forte que isso... Livre-se desse carma meu filho. Faça..."

As lembranças das últimas palavras de seu falecido pai lhe vieram a memória e sem perceber ele pisou fundo no acelerador. Assustando a morena ao seu lado.

" Independente de qualquer coisa, meu precioso filho, saiba que você foi meu maior orgulho..."

Sua voz era fraca e sofrida. Aquela fora a última frase proferida por Hyuuga Hizashi. Após isso, só sobrou dor, sofrimento e tragédia para a vida de Neji. Não havia luz em seu caminho, não havia honra, mesmo que ainda fosse um Anjo. Era aquilo que recebia por ter servido tão fielmente as ordens do Céu? A morte da única pessoa no mundo com quem realmente se importava?

Sentiu aos poucos o controle abandonar seu corpo. Até que...

– NEJI! — gritou Tenten desesperada ao ver o rapaz ultrapassar 150km/h em plena avenida principal de Tókio. Ao ouvir a voz da morena ele pisou bruscamente no freio e os corpos de ambos foram jogados para frente, por sorte eles se encontravam com o cinto de segurança. — O que foi isso? — sua voz estava tremula, ela estava visivelmente nervosa. Por outro lado ele apenas voltou a dirigir como se nada tivesse acontecido.

Tenten recostou-se no banco do passageiro e abraçou o próprio corpo. Seu medo não fora da tentativa de provocar um acidente do Hyuuga, e sim do que a mesma achava ter visto. Não, ela tinha certeza. Tinha certeza que por um momento vira veias saltarem na região próxima ao maxilar do moreno e seguirem até os olhos. Como estudante de medicina, jamais havia ouvido falar de algo que causasse tal efeito. Aquilo a assustara muito. Será que ele era algum Demônio disfarçado de Anjo? Mas como Neji era um Anjo se ele estava do lado das trevas?

"Mas que droga Tenten..." mordeu o lábio inferior. Todas as suas perguntas se voltavam para uma única resposta. O passado de Neji.

***

Andava pelos corredores da faculdade com a mochila nas costas, ou melhor, pendurada no ombro esquerdo do rapaz. Seus cabelos que iam até os ombros estavam presos num rabo de cavalo desleixado. Sua típica expressão sonolenta e preguiçosa lhe acompanhavam até na maneira de andar. Dando a si mesmo um charme a mais.

Shikamaru andava lentamente e despreocupado sem se importar se iria ou não se atrasar. Ainda era cedo e ele não tinha mesmo pretensão de se formar. Estava ali por interesses pessoais. Apenas anotando mentalmente o que deveria fazer quando encontrasse um certo alguém. Ah! Mas ele pagaria pelo que fizera à sua adorada irmã.

Ela era uma pessoa boa, gentil e amável. Nunca havia feito nada de mal para ninguém, ao contrário disso, sempre deu a mão para os necessitados. Certo que, ela não era sua irmã de sangue. Mas era como se fosse. Lhe tirou do orfanato em que moravam assim que atingiu a maior idade, levou consigo a outra menininha mais nova. Os três eram inseparáveis. Com vinte anos conseguiu uma bolsa de estudos para a faculdade de medicina e nela ingressou visando sempre seu futuro e o dos irmãos. O Nara se mudou para Tókio com as irmãs ainda muito novo, por meados dos seus treze anos teve que se virar sozinho com a irmã mais nova quando a mais velha ia estudar. E tudo para que? Para que ele a assassinasse. Não sabia por quais motivos, não sabia seus ideais. Mas sabia que ele pagaria com a própria vida pelo que fizera. Vingança era o que movia o moreno.

Após a morte da garota, o menino e a sua irmãzinha mais nova — também adotiva — ficaram sós no mundo. Assistiram a mulher guerreira ser enterrada dentro daquele caixão lacrado. A pequena chorava descontrolada em seus braços. A salvação de ambos foi um casal que curiosamente chegara na cidade alegando serem agentes responsáveis por investigar a morte da garota.

A mulher, Kurenai, acabou por se afeiçoar as crianças e as adotou. Claro que, mais tarde eles descobriram as reais identidades de Asuma e sua esposa. Eles tiveram um filho que também fora morto recém-nascido pelo tal assassino. Descobriram sobre os Demônios e os Anjos, descobriram que nem sempre os Anjos são criaturas com um par de asas brancas e que estavam dispostos a serem bonzinhos.

Eles se tornaram os Caçadores de Anjos. Sua irmã e seus pais adotivos já estavam na faculdade há um bom tempo. Haviam se infiltrado ali com intenção de vigiar o Anjo ao qual um dos amigos de seus pais lhe falara. Um tal de Anjo prodígio. Curiosamente quem aparecera ali foi de grande satisfação para os quatro. Hyuuga Neji, o assassino do filho de Kurenai e Asuma e da irmã mais velha de Shikamaru. Todavia eles sabiam, deveriam ser cautelosos e descobrir o ponto fraco antes de ataca-lo. Seria suicídio tentar bater de frente com o Anjo exilado.

O Nara estava bem informado. Logo deduziu a presença de um outro Anjo Hyuuga, a menina Hinata, aparentemente inofensiva aos olhos alheios, mas que não deveria ser subestimada. Mitsashi Tenten, o tal do Anjo prodígio e a quem seguira no dia anterior. Riu ao lembrar-se do ocorrido e da expressão assustada da mesma. Mas logo sua expressão mudou para raiva quando se recordou de ver o Hyuuga no mesmo elevador ao qual ela entrara... Eles estavam tendo um caso. Vigiou durante toda a madrugada o apartamento e nem sinal do rapaz sair de lá. Uchiha Sasuke, o Demônio prodígio ao qual o poder fora selado dentro de Sabaku no Gaara. Hyuuga Neji, o Anjo exilado de seu Clã. Pouco se sabia sobre ele. E por fim Uzumaki Naruto, o Anjo expulso do Céu. Ou Demônio da besta como ele era conhecido.

Shikamaru riu de canto ao recordar-se do nome que o Uzumaki recebera, como será que ele se sentia por ser tratado de tal maneira? A história do mesmo era deveras interessante.

De acordo com os estudos realizado pelos Caçadores de Anjos, o loiro era num passado distante um Anjo celeste. Também era um grande guerreiro e discípulo de um dos três Grandes Arcanjos, Jiraya. Mas, durante a última guerra que ocorreu entre os Anjos e Demônios, quando ambos ainda pertenciam aos reinos do Céu. Uma besta foi liberta por um Uchiha Itachi — o primeiro Demônio prodígio e antecessor de Sasuke. Boatos revelavam que estes eram irmãos -. O Uchiha morreu na guerra ao ser atacado pelos três Arcanjos de uma única vez, mas a fera estava solta. Eles precisavam destruí-la, mas aquilo se tornara impossível no momento em que utilizaram a maior parte de seus poderes para destruírem o Demônio — este fora o principal motivo de escolherem gerar o Anjo prodígio, eles temiam que da próxima vez suas forças não fossem suficientes -.

Ao notar que aquilo poderia resultar num desastre ainda maior, Jiraya ofereceu-se para aprisionar a tal besta dentro de si. Mas Tsunade interviu ao ver o corpo tão frágil do Arcanjo e alegando que o mesmo seria morto se o fizesse, tendo como resposta:

" — Eu não me importo de morrer pelo bem, isso é uma guerra no fim das contas Tsunade... Vale a pena morrer por liberdade "

E sorriu.

Notando a loucura de seu mestre, Naruto atreveu-se a oferecer o próprio corpo como receptáculo para a besta. Em resposta um Jiraya desesperado veio até si dizendo:

" — Não faça nenhuma loucura Naruto. Se você fizer isso, pode morrer com a intensidade do poder dessa besta, não está preparado pra isso. Criei você como se fosse meu próprio filho. Você é o mais perto de uma família que um dia eu já tive. "

" Está tudo bem mestre Jiraya," – na época o Uzumaki ainda não havia dado o carinhoso apelido de sábio tarado para o homem - " Afinal, não foi o senhor mesmo que disse que valia a pena morrer pela liberdade? " e deu seu típico sorriso alegre.

Após isso não teve volta. Tsunade aceitou o pedido do loiro e selou dentro de si com a ajuda de muitos outros Anjos — inclusive os Gêmeos Hyuuga's — o Demônio dentro do pequeno Anjo.

Passou algum tempo e eles retornaram para o Céu. Mas, após o ocorrido o Uzumaki jamais fora visto com bons olhos pelos outros Anjos. Exatamente aqueles que não participaram da guerra e não viram todo o sofrimento e dor que os demais passaram. Naruto sentia-se sozinho e triste. Apenas a companhia de seu mestre lhe fazia sorrir. Mas o tempo foi passando e boatos maldosos a respeito do Anjo, surgiram. Diziam que a qualquer momento ele libertaria a besta dentro de si e aquilo destruiria o Céu. Diziam que ele era um inimigo disfarçado. E com a queda e expulsão de Jiraya, aqueles tais boatos só ganharam mais raízes.

Uzumaki Naruto fora expulso do Céu juntamente com seu mestre culpado de coisas que jamais cometeu.

Mais boatos revelaram que o tempo do lado das trevas e a influencia da besta mudaram radicalmente a personalidade do loiro. Porém, ainda havia quem dissesse que ele era um boa pessoa, apenas um ser incompreendido e que sofria a perda injusta de um grande amor.

Voltando a realidade, o Nara parou e olhou ao redor, muitos alunos andavam de um lado para o outro. Ele se encontrava em um dos pátios dos Blocos, sequer notara o qual quando entrou. Mas, pelos nomes soube que era o seu.

Lá estava uma enorme placa com os cursos, dentre eles Engenharia Civil.

Cerrou os olhos e mirou cada um dos grupos que ali havia. Se estivesse certo sua irmã mais nova estaria por ali. Conhecendo-a bem, certamente no meio de pessoas bonitas e populares. Parou visando um grupo de pessoas e balançou a cabeça de forma afirmativa.

– Aí está você... — falou consigo mesmo.

Do outro lado do pátio, a garota assim que o viu, gelou. Arregalou seus intensos olhos azuis e engoliu em seco. Não o esperava ali tão cedo. Shikamaru acenou para a mesma e ela pediu licença para os amigos e andou apressadamente em sua direção.

– O que está fazendo aqui? — perguntou num tom desesperado e pondo as mãos na cabeça

– Nossa...! — falou no seu típico tom preguiçoso — É bom te ver também, Ino — cruzou os braços e ela fez o mesmo com um bico engraçado

– Shikamaru , achei que você ia pesquisar mais antes de resolver dar as caras — Ah sim! Agora o moreno se recordava do porque havia sido o único que não entrara naquele joguinho de disfarce da irmã e dos pais, ele era o único com inteligencia suficiente para desvendar os mistérios sob o passado dos Anjos e a melhor forma de como matá-los. Afinal, ele era considerado um gênio por todos. Ele revirou os olhos, sentindo tédio naquela conversa.

– Olha loira, sei que você quer tanto quanto eu encontrar uma maneira de matar o Hyuuga... — sentiu sua boca ser tapada bruscamente e viu a loira com os olhos arregalados e uma expressão de quem dizia claramente:

– Cala a boca! — exclamou — Não fala esse nome aqui, as paredes tem ouvidos — irritou-se e o soltou, mais uma vez ele revirou os olhos

– Tudo bem, tudo bem — ergueu as mãos em sinal de desistência — Mas enfim, eu quero tanto quanto vocês vingar a morta da Sakura — viu a Yamanaka baixar os olhos e suspirar tristonha.

Sim, Haruno Sakura era a irmã mais velha dos dois. Após a vinda da mesma para a faculdade, nada souberam a respeito das pessoas com quem ela se relacionava. A garota de cabelos róseos era muito misteriosa em relação a tais assuntos. Julgava os irmãos novos demais para entender. Ela era sempre assim, não costumava falar sobre ela. Preferia sentar e ouvir o que os mais novos tinham a dizer. Mesmo pequeno, Shikamaru sabia do sofrimento que a Haruno passava por ter perdido os pais recentemente. Sabia que ela fora sempre muito obediente a eles. E foi graças à uma visita que estes fizeram ao orfanato, que a mesma conheceu os dois.

Sakura nunca contou, mas seus pais tinham a intenção de adotar os pequenos. Após a morte dos mesmos, seguiu com toda a papelada. O que foi dificil por ainda ser de menor na época, entretanto logo atingindo a maior idade. Mas por fim conseguiu a guarda do Nara e da Yamanaka.

– Ino? — uma voz fria e levemente enciumada chamou a atenção dos dois. A loira virou-se bruscamente e fitou o par de olhos esmeraldas que seu namorado possuía. Gaara... Tão cheio de problemas, e ela tinha que fingir não acreditar em nada que o rapaz um dia alegou ver e ouvir. Os Demônios. Os Anjos. Lhe doía muito.

– Oi amor — deu-lhe um beijo na bochecha. Percebeu a cara fechada do ruivo e o olhar assassino que o mesmo enviava para o Nara, apressando-se em explicar a situação — Gaara, este é Nara Shikamaru, meu irmão de quem tanto lhe falei. Shikamaru, este é Sabaku no Gaara, meu namorado — sorriu abertamente. Viu a expressão do namorado passar de enciumada para aliviada e um pouco surpresa.

– Irmão? — ele questionou apenas para ter certeza

– Sim — o moreno sorriu e estendeu a mão — Prazer em conhece-lo — Gaara olhou levemente desconfiado para a mão que lhe era estendida, mas com educação a apertou — Cuide bem da minha irmãzinha — falou com o dedo enriste e rindo. Ino sorriu abertamente e o Sabaku esboçou um sorriso.

Claro que Shikamaru sabia quem era aquele rapaz, só não entendeu o envolvimento da irmã para com o mesmo. Mas, aquele assunto ele resolveria quando estivessem à sós.

– Venham! Vou apresentar os outros — ela falou segurando-os pelo braços e os puxando na direção do grupo de amigos.

***

Hinata andava apressada em direção à sua sala, não só por ter chegado atrasada devido ao tempo em que ficou aguardando um retorno da ligação de Tenten, como também por que fora informada por Temari que curiosamente a morena chegara à faculdade acompanhada do Hyuuga. Seus olhos perolados estavam arregalados e uma nítida expressão de desesperado estampava sua face angelical.

" Por Deus! O que você está fazendo Ten? " questionou-se mentalmente ao imaginar que naquela altura o Hyuuga já havia feito todo o possível para implantar uma semente de ódio no coração da Mitsashi à respeito de tudo que Hinata lhe escondera. " Mas o que ela queria? Que eu chegasse aqui e dissesse ' Oi, me chamo Hyuuga Hinata e sou seu Anjo de guarda. Você é um Anjo prodígio e que em breve terá que lutar contra as forças do mal... '. Seria muita loucura, eles teriam medo de mim ou me internariam como fizeram com o Sabaku... " suspirou ao se recordar do ruivo e seu carma " Pobre Gaara, tão jovem e com um fardo tão grande para carregar...". Mas, inconscientemente Hinata sabia que não era só o rapaz que carregava nas costas um peso insuportável, porque no fim das contas, todos estavam ligados por uma corrente invisível. A corrente e os laços que os uniam.

A Hyuuga tinha o fardo de proteger Tenten e a missão de levá-la consigo custe o que custar, afinal, uma decisão errada poderia resultar na queda do Céu. A Mitsashi era em pessoa o Anjo gerado para lutar de igual para igual com Uchiha Sasuke. O Sabaku selava dentro de si o poder do Demônio para que este não os aniquilasse com apenas um movimento, já que, os poderes de Tenten ainda não estavam totalmente despertos. E Neji... Ah, sim... Neji! Ele tinha seu próprio corpo selado, ele era amaldiçoado, ele fez tudo que estava ao seu alcance para ser o melhor. Mas no fim, ser o melhor não foi o bastante para impedir aquilo...

Fechou os olhos e respirou fundo. Não foi só o moreno que sentira a dor da perda. Seu tio, sempre tão carismático e amável, — exatamente o contrário de seu pai — e teve um fim tão trágico e desmerecido. Ela também sofria com isso.

Hinata queria chorar, as lembranças daquele dia jamais seriam algo que ela superaria. Teve certeza disso há alguns séculos. Sua garganta começava a doer devido aos soluços que dava por tentar engolir o choro. A visão aos poucos começara a ficar embaçada e a Hyuuga sequer se importou em ouvir o sinal bater e informar o inicio das aulas.

Para seu desespero, seria aula de Neji. E ela não queria ter que olhá-lo, já bastava ele chama-la de fraca e ameaça-la todas as vezes em que se encontravam. Teria que dar um jeito nisso e mostrar para o moreno que não era mais a mesma Hinata incapacitada e indefesa que no passado precisava dele para finalizar as missões que não conseguia só. Aquela Hinata morrera em alma quando uma nova nasceu, e tudo após o dia em que seu Clã quase foi extinto. O dia em que ela se viu mais inútil que nunca, o dia em que viu pessoas que amava morrer e não poder fazer nada. Foi o dia em que Hyuuga Hinata finalmente abrira os olhos para a realidade e decidiu parar de se esconder na sombra de seu pai e de Neji. Até porque, após esse dia o segundo foi exilado e o primeiro fechou-se ainda mais. Seu tio havia sido morto. Hinata estava só. Seu destino a mercê das vontades do destino. E ela não queria aquilo. Por isso se dedicou dia após dia para se tornar útil.

Todavia, ainda sentia um lado humano em si. Não conseguia se recordar daqueles tempos sem sentir vontade de chorar. Ela estava em um momento frágil. Brigara com uma de suas melhores amigas, estava prestes a fracassar na sua primeira missão oficial e deveras importante e sentia-se pressionada pela presença do primo após tantos séculos. Ela só queria ficar só por alguns minutos, e por isso decidiu que não iria assistir aquela aula. Esperaria até o intervalo e então decidiria o que fazer.

Passou as costas dos dedos nos olhos e enxugou suas lágrimas, soluçando uma última vez no processo. Olhou para os lados e procurou algum lugar reservado para se sentar, mas logo lembrou-se de que se ficasse por ali, seria repreendida pelo coordenador se fosse pega fora da sala de aula.

Sem opções a Hyuuga andou pelos corredores e foi até a parte lateral do Bloco B, onde havia uma grande árvore e que dava uma sombra muito agradável. O dia estava quente, mas hora ou outra uma brisa leve lhe bagunçava os cabelos.

Lá a Hyuuga sentou-se e deixou de lado seu material. Fechou os olhos e parecia estar meditando, ela só queria relaxar e exalar um pouco dos sentimentos ruins que lhe assombravam naquele momento.

***

Havia chegado a hora do intervalo, Neji só havia dado a primeira aula na sala de Tenten. Ambos sendo muito discretos para não levantarem suspeitas a respeito dos boatos que Shion espalhou. A loira por sua vez ainda teve coragem de procurar o Hyuuga após o término da aula. O que deixou a morena enciumada, mas retraída em seu canto e com sua atenção no Inuzuka que falava algo sobre a Hinata não ter aparecido naquele dia. Tenten sequer lhe dava atenção, apenas fingia dar para não magoa-lo.

Assim que o sinal bateu, a Mitsashi seguiu pelos corredores em busca do donos dos olhos enluarados mais belo que já vira, aqueles mesmo que fascinavam a jovem. Por meio de um SMS o Hyuuga informou onde seria possível encontrá-lo. E era para o local marcado que ela seguia.

Após o ocorrido no elevador e mais cedo em sua cama, Tenten tinha sérias dúvidas em saber se conseguiria se afastar dele novamente. Estava totalmente envolvida naquela relação complicada, relação? Bem, talvez. Ela o amava. Se era recíproco ou não, não sabia. Mas faria de tudo para conquistá-lo de corpo e alma.

" — Você tem o dom de mexer com a minha alma... E eu nem sabia que tinha uma "

A lembrança do que ele lhe dissera ontem aquecia seu coração. Aquilo era bom, muito bom. Ele controlou o mal em si, por ela. Apenas ela... Odiou-se por ter caído tão facilmente na mentira de Hinata. Inevitavelmente naquele momento só conseguia odiá-la. E Tenten não sabia se era ou não seu amor descrente pelo Hyuuga que estava interferindo em sua maneira de pensar e julgar. Mas sabia que garota mentira, e também sabia que não admitia isso. Ela confiou na Hyuuga, e em troca recebeu o que? Desgosto e desilusão?

Ela queria confrontá-la, saber seus motivos e ideais. Neji havia conversado consigo, ele parecia sincero. Mas ainda assim, mesmo o amando demais, ela tinha um pé atrás — só por precaução — quando o assunto era ele.

– Tenten! — ouviu um chamado já conhecido e virou-se automaticamente na direção do mesmo. Ao fazê-lo a morena se deparou com a imagem do grupo de amigos que vinha em sua direção. Eram eles Kiba, Gaara, sua namorada Ino, um rapaz moreno — e com cara de preguiçoso — e Temari, a quem lhe chamava e estava com o braço levantado para chamar sua atenção.

– Ah...! Oi Tema — ela sorriu pondo as mãos no bolso

– Fala morena... — o Inuzuka deu uma piscadinha, sempre tentando ser sensual. E ele era.

– Tenten — cumprimentou Gaara um breve aceno, a morena apenas meneou com a cabeça. Ino nada disse, pois olhava para o rapaz ao seu lado.

– Ten, olha, esse aqui é o irmão adotivo da Ino — falou uma Temari sorridente até demais para a percepção da Mitsashi. " Ih, já tô vendo o romance" pensou com um sorriso de canto e feliz pela amiga. — Nara Shikamaru — apontou para o mesmo que sorriu com uma expressão cansada e acenou com a cabeça

– Prazer Shikamaru — a morena sorriu, se a amiga tinha interesse no rapaz, ela tinha que ficar de olho nele e descobrir se era um bom pretendente pra ela, certo? — Eu sou..

–... Mitsashi Tenten — ele respondeu recebendo em troca uma expressão desconfiada da morena e um olhar enciumado de Temari — A Sabaku falou muito de você — sorriu dando de ombros e uma expressão de alívio tomou conta da face das duas amigas

– Por favor Shika... Me chame de Temari — sorriu da loira. " Ela está sorridente demais..." desconfiou Tenten tendo plena consciência da personalidade durona que a melhor amiga possuía.

– Shika, é? — Ino cutucou o irmão com o cotovelo e deu uma piscadinha sacana, curiosamente o rapaz corou diante da observação

– Ah...! — Tenten chamou a atenção de todos — Eu preciso ir, necessito saber a minha média e saber se não estou encrencada esse mês — deu as mãos em sinal de reza e inclinou o corpo para a frente como faziam os indianos. — Depois a gente se encontra — acenou um breve tchau e eles fizeram o mesmo. Temari continuava com um sorriso de canto a canto.

– AH! Tenten! — Kiba ergueu o braço chamando a morena no momento em que ela se virou, forçando-a a olha-lo sob o ombro — Você viu a Hinata ? Temari disse que viu ela chegar, mas ela não apareceu na aula.

– É, eu vi ela antes do sinal tocar. Estava atrasada e por isso não parei pra falar com ela — justificou-se a Sabaku e Tenten teve que morder o lábio inferior para impedir a expressão de raiva que queria emitir. Apenas respondendo:

– Não, não a vi! — deu de ombros num tom levemente irritado e que para sua sorte passara despercebido pelos amigos — Vou indo gente, beijos. — despediu-se e saiu rapidamente dali.

Será que Neji iria se irritar com a demora dela?

Mas tudo bem, agora seguia para o local em que o encontraria. A bendita sala vermelha. E lá eles se acertariam... Não conseguiu conter o riso safado que surgiu em seus lábios com o pensamento.

***

Assim que ouviu o sinal bater, Hinata saiu da sombra da árvore em que estava e seguiu na direção de uma quadra de basquete que havia na área de lazer. Até poderia cogitar a possibilidade de estar cheia de alunos, mas estava no meio da semana então duvidava muito.

Sentou-se na parte mais baixa da arquibancada e ergueu a cabeça, fechando os olhos e sentindo a brisa suave bater em seu rosto. Como queria acreditar que tudo que estava vivendo não passava de pesadelo. Que poderia seguir pelos corredores e encontrar seus amigos queridos.

Sim, a Hyuuga não tinha coragem de sequer se aproximar novamente de Temari ou Kiba, já que também escondia segredos de ambos. Não chegava a acreditar que Tenten fosse revelar algo tão humanamente impossível, mas também mentiria pra si mesmo se dissesse que encontrá-los naquele momento seria como das outras vezes. Vezes estas que não teve medo, que não teve receio de sorrir e entrar nas brincadeiras do trio, que com sua chegada se formaram um quarteto. Hinata sentia que trairia a si própria se tentasse se aproximar deles naquele momento. Não seriam sorrisos sinceros, não seria palavras de "Eu estou bem, juro", tudo seria um grande teatro. E na sua concepção ela já havia mentido demais. Mentiu pra si mesma quando se obrigou a acreditar que toda sua mentira a respeito de Neji era algo bom. Ela não poderia julgar Tenten, só poderia tentar guia-la para o melhor caminho.

Mas então não foi isso que fez?

Não, acreditava que não. Afinal, ela não tinha dado a Mitsashi a chance de escolha. Mentiu gravemente falando que o primo era casado apenas para afasta-los. O que ainda assim não deu certo. Ela praticamente a havia induzido àquilo.

" Será que o elo que há entre vocês é mais forte que o nosso Ten...?" sentiu-se estúpida ao pensar nisso, já que eram coisas diferentes. Estava claro para a Hyuuga que a amiga estava apaixonada por Neji. Então, que sentimento ruim era aquele que se apossava em seu coração sempre que pensava nos dois juntos?

Ela sabia o que era.

Era o sentimento de proteção. Hinata tinha medo de que Tenten se machucasse com o primo. Ela sabia sobre o passado dele, a outra não.

Suspirou gradativamente ao perceber que no fim das contas, sequer sabia o que pensar.

– Eu não deveria estar aqui... — falou consigo mesma ao recordar-se de que deveria estar tentando contatar a Mitsashi.

Mas ela queria ser contatada pela Hyuuga? Duvidava muito... Deveria então dar um tempo para ela? Amanhã poderia ser tarde, hoje poderia ser cedo demais...

– Ah! — grunhiu aos ventos enquanto apertava as coxas com certa força ao perceber que nunca estivera tão confusa em sua vida. Era tudo mais fácil quando ainda era só Hyuuga Hinata, e de uma hora para a outra tudo se tornara mais difícil ao se tornar o Anjo de guarda do Anjo prodígio.

Aquilo mais parecia um filme e não a vida real.

Passara tanto tempo pensando em seus problemas que não percebeu a chegada de alguém a quadra.

– Que cena triste! — exclamou uma voz levemente tristonha

No mesmo instante a Hyuuga pulou do lugar em que estava e se colocou em posição de defesa. Seus olhos enluarados passaram por todo o local até pararem na figura loira que se escorava no muro próximo a entrada da quadra. Naruto estava com os braços cruzados e uma expressão levemente entristecida. Entristecida? Porque?

– O que faz aqui? — cerrou os punhos na direção do Uzumaki

– Nossa... — surpreendeu-se o loiro erguendo as mãos em sinal de rendição — Será que morde? — sorriu de canto tentando descontrair o clima, mas logo se arrependeu ao ver a Hyuuga rosnar com o atrevimento. Como chegar nela ? Se as suas suspeitas estivessem certas, ela sequer se lembrava dele.

E no âmago ele sabia disso. Entretanto precisava tentar.

– Não deveria mexer comigo, Demônio! — ralhou, surpresa consigo mesma por não ter gaguejado. E, ainda mais confrontar um inimigo assim — Não sabe do que sou capaz — alertou cruzando os braços e erguendo o queixo minimante. Como resposta ela viu a expressão do loiro mudar, ela literalmente não se recordava dele. E pensar aquilo fazia sua alma sangrar, então, tudo que viveram ficara guardado apenas em sua memória? O que teria acontecido para que Hinata não se recordasse mais de si? Não era possível que o tempo tenha causado isso...

O movimento fez com que ela fechasse os olhos por um milésimo de segundos. Tempo suficiente para o Uzumaki movimentar-se e para a sua frente. Ele queria ter certeza de que ela não estava fingindo, ele mais do que ninguém conhecia bem aqueles olhos perolados. Aos quais eram totalmente diferentes dos de Neji.

– Hinata... O que houve? Cortaram suas asas ? — ela travou no mesmo instante ao ouvir seu nome ser proferido por ele, por um milésimo de segundos teve a impressão de já ter presenciado aquela cena antes.

" — Hinata... O que houve? Cortaram suas asas ? — o Anjo loiro aproximou-se da menina de cabelos negros-azulados que chorava compulsivamente. Seus rosto , olhos e a pontinha do nariz estavam vermelhos.

– M-Meu pai... Ele não quer mais que nos encontremos Naruto. Eu não vou suportar isso — e o abraçou. "

– Hyuuga Hinata, a menina dos olhos Deus... — novamente a sensação lhe invadiu. Sentia como se já houvesse ouvido aquelas palavras antes, mas era uma sensação distante... Muito distante. Como se houvesse acontecido em um sonho ou há mais de mil anos.

– Q-Quem é vo-você ? — ótimo! Havia voltado a gaguejar. Não só sua voz como suas reações. O seu corpo simplesmente não parava de tremer diante daqueles olhos penetrantes e azulados. Uma estranha sensação de déjà-vu se apossava do corpo de Hinata e ela enfim teve certeza de que já os vira antes. E não fora em sonho.

– Não se lembra de mim? — questionou com o cenho franzido e uma leve expressão de decepção. Como assim se lembrar dele? Ela estava mais confusa que nunca. Porque no fim das contas, ela sentia sim que o conhecia. Mas de onde? Ele era um Demônio... Ela nunca estivera tão próxima de um antes. E certamente o Uzumaki não seria alguém facilmente esquecível. Ela sentia isso...

– Do-Do que está falando? — sentiu sua respiração falhar

– Hinata... — agora a voz do rapaz continha certo desgosto. Ele baixou os olhos para os lábios da morena. Lábios que há tanto tempo não provava e engoliu em seco ao perceber o que acontecera — Eles apagaram sua memória... — suspirou e ela arregalou os olhos. O que ele queria dizer com isso? "Ótimo, mais problemas pra minha vida nada complicada" ironizou mentalmente. — Então... Talvez isso te faça lembrar — sem pensar duas vezes o rapaz segurou o rosto da Hyuuga e selou os lábios.

Hinata num primeiro momento não teve reação. Seus olhos se arregalaram ainda mais e ela apenas sentiu os movimentos lentos e deliciosos que os lábios e a língua do loiro faziam. Ele pedia espaço para provar mais uma vez de seu gosto. Ela sentiu-se envolvida. Sabia que estava cometendo o maior dos pecados, mas seu corpo simplesmente não reagia. Curiosamente ela queria aquilo, queria saber onde iria dar. Queria respostas...

Ao sentir a barreira da Hyuuga ser quebrada, Naruto desceu uma das mãos até a cintura da morena e a puxou pra mais perto de si. Quando se deu conta de seus atos, ela já estava com as mãos apoiadas no peitoral definido do loiro e sentindo sua língua roçar com a dele numa dança lenta e sensual. Uma sensação gostosa se apossava de seu corpo. Uma sensação estranhamente familiar e casual.

– NÃO! — gritou empurrando bruscamente o loiro que caiu sentado no chão — N-Nunca mais se aproxime de... de mim — falou com a voz tremula e o dedo enriste. Em seguida pegou seu material e saiu de lá com o coração acelerado e a adrenalina tomando conta de todo seu corpo.

– HINATA! — ele gritou de volta, mas ela já estava longe para escutá-lo.

A Hyuuga correu pelos corredores sem se importar em esbarrar com alguns alunos que a xingaram de desastrada e outras coisas que ela sequer deu ouvidos. Entrou como um furacão no banheiro feminino e agradeceu por não ter ninguém. Jogou seu material de lado e parou fitando sua imagem no espelho.

Sua respiração estava descompassada e o corpo totalmente tremulo, sequer entendia como conseguia se manter de pé. Os olhos brancos arregalados e levemente inchados pela vontade de chorar, aos poucos sua visão foi embaçando e a morena se viu perdida em um mundo sem chão, sem cor e sem vida.

– O que tá acontecendo? — indagou-se sentindo as lágrimas brotarem de seus lindos olhos e molharem seu rosto angelical — O que eu fiz pra merecer isso? — olhou para o lado buscando respostas. A cada dia que se passava mais coisas perturbadores aconteciam em sua vida. Onde aquilo ia parar? Ou melhor... Será que iria parar ?

Certamente o universo estava contra ela.

Sentou-se no chão e se pôs a chorar abertamente. Queria respostas, mas no âmago sabia que não as obteriam. Sua dor era imensa, e a cada segundo os olhos do Uzumaki voltavam em sua mente. Que conversa toda era aquela? Quem no fim das contas apagara sua memória? Seu pai? Os Anjos?

E o que mais lhe intrigava. O que exatamente a fizeram esquecer?

***

Neji estava impaciente, o intervalo já estava quase no fim e nem sinal da Mitsashi. Ela poderia ao menos ter respondido seu SMS, certo? Ele poderia ficar ali aguardando por mais algum tempo, certo? Errado! O Hyuuga não fazia o tipo dos que costumavam esperar sentados e saber através de terceiros o que estava acontecendo, principalmente quando o assunto era Tenten. Só em casos extremamente importantes que ele preferia esperar. Mas aquele não era um caso assim. Ou seja, como sempre a morena tinha seu poder sobre ele. E mais uma vez ele se via caminhando pelos corredores a procura da jovem.

Ao ouvir o sinal tocar, suspirou. "Agora sim será mais fácil encontra-la" ironizou mentalmente. O movimento dos alunos que retornavam as suas salas se iniciou. Neji pensou por um momento em parar e aguardar que aquela algazarra se encerrasse. Mas o pensamento de que provavelmente a morena também voltaria para sua sala o fez andar entre a multidão novamente.

" O que você tá fazendo comigo morena?" pensou ao perceber que já nem ordenava as ações de seu próprio corpo quando o assunto era ela. Tudo ela. Sempre ela. Unicamente ela.

Não demorou muito e os amantes se esbarraram na curva de um dos corredores. Neji cerrou os olhos para a garota que baixou o olhar.

– Onde você estava? — apenas disparou. Sequer pensou na possibilidade de estar sendo exigente demais ou obsessivo. Apenas queria uma resposta plausível.

E mais uma vez ele agia sem pensar por culpa dela.

– Desculpe, não consegui vim antes porque o pessoal queria que eu conhecesse o novo amigo da turma — deu de ombros e o Hyuuga arqueou uma sobrancelha

– Amigo? — questionou seco e com um olhar tão gélido que parecia refletir sua alma naquele momento. Tenten franziu o cenho e não soube se ficava triste ou feliz por vê-lo daquela maneira. Ele estava com ciúmes?

– Sim, o Shikamaru... A Temari se interessou nele, acho que dá em namoro — apenas explicou, sentiu necessidade daquilo. Sorriu olhando de canto para um ponto fixo ao se recordar da animação da amiga loira.

– Hm! — disse simplesmente virando-se e seguindo de volta para sua sala. Torcendo internamente para que ela o seguisse. Caso contrário seria capaz de arrastá-la se necessário fosse.

Entendendo o recado silencioso, ela apenas o seguiu. Seria aula de Asuma e ela não estava nenhum pouco interessada na mesma. Mesmo sabendo que isso refletiria em seu semestre. Estavam quase chegando a sala de Neji quando escutaram uma voz masculina chamar pela Mitsashi.

–... Estava te procurando — o rapaz de longos cabelos loiros e intensos olhos azuis sorriu se aproximando da morena que simplesmente congelou diante da presença do mesmo. Neji fechou ainda mais o semblante e respirou fundo lentamente para conter o ímpeto de arrancar a cabeça do ousado — Ah... Você está ocupada? — questionou ele parando subitamente quando finalmente percebeu a presença do Hyuuga

– Eu... Estou indo... — não sabia o que dizer, olhou para o moreno na inútil tentativa de que o mesmo a ajudasse a sair daquela enrascada. Mas este parecia mais interessado em si imaginar torturando Deidara .

– Ver sua nota!? — ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo e tentando não entregar os pontos a morena apenas acenou positivamente. Todavia, Deidara pareceu não acreditar muito naquela desculpa. Neji estava estranho demais para um simples professor, e os botados de Shion... Será que eram boatos? — Tem certeza? — cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha loira.

Aquilo por fim pareceu despertar o mais puro e carnal ciúmes que um dia Hyuuga Neji sequer soubera que possuía. Quem ele achava que era? Ele não tinha direitos sob a Mitsashi. Tenten era sua. E isso ninguém mudaria. Ninguém!

– É claro que... — Tenten foi interrompida bruscamente pela voz grave do moreno. O qual não se preocupava em esconder sua irritação.

– Não! — praticamente rosnou — Não estamos indo ver a média dela — ergueu o queixo e o olhou de cima pra baixo numa nítida demonstração de quem mandava ali.

– Ah não!? — Deidara perguntou divertindo e rindo de canto, ele não conhecia o perigo e Tenten temia por isso — Então o que estão indo fazer... juntos? — olhou a Mitsashi de canto que engoliu em seco. De uma hora pra a outra sua expressão passou de divertida para séria.

Neji sorriu de canto, um sorriso debochado e que desde o incidente no elevador se tornara constante aos olhos da morena que pegou-se fascinada por ele.

– Isso... — num segundo seguinte puxou a morena para um beijo cinematográfico. E naquele instante Tenten teve certeza de que demoraria muito ou nunca descobriria o gosto de todos os sabores dos beijos de Neji. Naquele momento em especial ele a beijava com uma volúpia contida, a língua dele procurando a dela de forma fervorosa. As mãos grandes e possessivas que puxavam o corpo menor e o prensava contra o seu como se pudesse acoplar os corpos para sempre. Por um momento ela havia se esquecido totalmente de onde estavam e quem era o espectador daquela cena. Apenas queria aproveitar. Queria ser dele. E ela era.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Só voltou ao mundo real quando sentiu o beijo ficar gradativamente mais lento e aos poucos os lábios se afastarem. Quis contestar, mas estava entorpecida demais para isso.

Ao perceber que a Mitsashi não teria nenhuma reação, o Hyuuga se apressou em mostrar para Deidara a quem a mesma pertencia. Virou o rosto na direção do mesmo que estava boquiaberto, e permaneceu segurando a morena contra seu corpo. Tanto por apreciar a proximidade, quanto por imaginar que se a soltasse ela perderia o equilíbrio do corpo e cairia.

– Mais alguma dúvida? — ele não queria uma resposta. E, certamente não iria aguardar por ela.

Sem mais esperar o moreno segurou o braço da jovem e a puxou com certa força para segui-lo. Tenten por outro lado acabou sendo pega de surpresa e teve que se esforçar para não cair pelo puxão repentino.

A sua mente trabalhou lentamente e tudo o que conseguiu processar foi a sala com cortinas vermelhas, o som de uma porta sendo trancada e em seguida aqueles olhos perolados que lhe fitavam intensamente. Só então ela raciocinou:

– O que você fez...? O que nós fizemos? — questionou-se ao perceber o que realmente aconteceu. Deidara não deixaria aquilo barato — Ele vai espalhar isso pra todo mundo! — exclamou já se imaginando sendo suspensa ou até mesmo expulsa da faculdade quando o diretor Senju soubesse.

– Então será a palavra dele contra a minha — falou simplesmente e a morena o olhou descrente. Não seria a vida dele e seus sonhos que seriam destruídos se ela perdesse aquele curso. — E aliás, ele não tem nenhuma prova — deu de ombros, mas aquilo não pareceu reconfortá-la — Acalme-se Tenten! — ele segurou o rosto dela e a obrigou a olha-lo. Deu aquele lindo sorriso de canto, mas este era sexy e tinha um efeito imediato na morena que arfou. Ele parecia saber bem como domá-la. — Eu estou aqui... — disse rouco aproximando os lábios lentamente e ela fechou os olhos gemendo baixinho.

Neji estimulava os sentidos da morena usando suas mãos e acariciando pontos sensíveis do corpo da mesma, variando entre a coxa, o bumbum, os seios e a região próxima a virilha. Como resposta a Mitsashi se sentia cada vez mais entregue.

– Vai ser tão louco... — sussurrou ela pela falta de voz, efeito de sua garganta seca pelo desejo.

– O que? — respondeu no mesmo tom e muito próximo do ouvido dela. O que causou um arrepio em sua espinha e se espalhou por todo seu corpo, como se pudesse tocar cada nervo seu. Ao mesmo tempo em que espasmos deliciosos a deixavam pronta para recebe-lo.

– Ser fodida por você! — rosnou arranhando o ombro coberto pela blusa do moreno enquanto sentia seu corpo ser guiado na direção da mesa de trabalho do Hyuuga. A sensação que há pouco incendiou a garota, agora incendiava a ele que gemeu baixinho sentindo seu membro latejar e doer devido aos efeitos causados por ela. Como gostava da sua menina tão ousada, ao mesmo tempo que inocente só pra si... Ele sabia que ela jamais havia tido aquele tipo de relação com outro homem, mesmo que não fosse virgem. Tenten demonstrava ser o tipo de garota que só havia tido relações sexuais casuais. Ainda se mostrava leiga em alguns gestos e frases. E ele adorava isso. Sem contar que era notório que Deidara nem de longe fazia na cama... o que ele fazia. Sim, Neji era o típico dominador. Sentia prazer em ver a expressão de dor e prazer nas companheiras em que se deitou. Não era masoquista, mas tinha algumas semelhanças.

E Ah..! Ele queria muito ver a rostinho de Tenten rubro de dor e muito prazer. Ansiava por isso, sonhava com isso e não negava mais pra si mesmo. Sequer pra ela...

As bocas estavam muito próximas quando a porta foi arrombada por um Demônio desesperado. Naruto estava com os punhos cerrados e trêmulos seus olhos azuis arregalados e uma nítida expressão de quem estava à ponto de enlouquecer. Ele respirava de forma descompassada e mirava com precisão o Hyuuga. Por outro lado Neji encontrava-se brevemente surpreso, o que aquele ser tinha na cabeça para interrompe-lo naquele momento?

– Quem foi Neji? — sua voz era grave e entrecortada, o que assustou Tenten que só não recuou porque seu corpo estava prensado ao do moreno. Claro que Demônios lhe assustavam, Neji havia falado que Naruto era um. Ou quase um... — Quem apagou a memória da Hinata?

Notas finais
Opa, opa, sentiram a pressão? " - Janna, porque você faz isso? Fala sobre alguns mistérios e no mesmo capítulo coloca outros... - Perdoem-me, eu sou assim ;-; Não consigo escrever coisas sem mistério, gosto de sentir a emoção '-' " Mas titia Janna ama vocês tá? kkk Pra quem gosta de NaruHina, já comecei a mexer na relação dos dois. E sei lá, meio que cheguei de uma forma má. O que será que apagaram da memória da Hina, e porque? kk' Pra quem tem conta no Spirit e quiser acompanhar a fic por lá: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-naruto-amaldicoado-4865112 Então, espero que tenham gostado. Foi feito com muito amor e carinho, compartilhem comigo o que acharam. A opinião de cada um vale muito, isso nos ajuda a melhorar, ok? Desde já obrigada, até mais :*