Amaldiçoado

10 Capítulo X - Segredos do Verão Passado - Parte II


Notas iniciais
Hey, bem-vindos ao décimo capítulo. Como passaram o Natal e Ano Novo? Espero que bem! Desejo à todos uma boa leitura, certo?

As frestas do sol estavam incomodando, mas ela insistia em permanecer de olhos fechados. Sentia algo quente vindo de trás de seu corpo e aquecendo-a, isso era reconfortante. E ainda assim, não queria abrir os olhos. Todavia, um pouco dos raios solares que adentravam o cômodo através da janela lhe incomodava a visão, que, mesmo de olhos fechados sentia as pálpebras queimarem.

Bufou. Certamente não conseguiria mais dormir. Com uma mão tapando o sol de seu rosto ela forçou-se e abriu os olhos lentamente. Tenten tentou distinguir onde estava. O quarto branco, com móveis e cortinas da mesma cor lhe eram estranhamente familiares. Onde estava mesmo? Oh, sim! No quarto de Deidara, seu ex. Por isso a sensação de já ter estado ali antes. Claro que estivera. Muitas outras vezes quando ainda se relacionava com ele. E o local ao qual perdera a virgindade.

Esticou o corpo e espreguiçou-se o máximo que pôde, mas evitando acordar o loiro que dormia profundamente ao seu lado. Olhou para o mesmo e certificou-se do quão belo era Deidara. No momento seus cabelos — quase sempre amarrados — se encontravam soltos e espalhados pela cama e travesseiro, assim como os castanhos da Mitsashi. Alguns fios insistiam em se entrelaçar. O peitoral desnudo e definido com alguns pelos loiros, um corpo típico de homem bruto. O que diferenciava e muito de seu rosto sereno e a boca entreaberta que puxava ar para os pulmões com certa força. E aquela boca, que na noite passada passeara por todo seu corpo...

Um arrepio percorreu sua espinha e a morena se deu conta de que já estava pensando demais. Praguejou baixinho enquanto saía da cama com cuidado e com isso Deidara remexeu-se minimamente e virou para o lado oposto, até parecia procurar o corpo que antes auxiliava no seu aconchego.

E por mais uma vez Tenten se odiou e amaldiçoou seu destino. Porque não se apaixonara por Deidara? Tudo seria muito mais fácil. Mas não! Tinha que se apaixonar exatamente pelo homem mais proibido que já conhecera. O homem mais frio e distante... e claro, visivelmente um galinha. Não perdeu a chance de se agarrar com Shion, não perdeu a chance de se agarrar com ela e pior... Não perderia quando outra se insinuasse. Afinal, "Ele é homem...".

"Oras, mas que ditado machista e totalmente compatível com aquele Hyuuga sem-vergonha" pensou a Mitsashi cerrando os punhos e indo em direção do banheiro para fazer sua higiene matinal.

Após fazer o necessário, a morena seguiu para a sala. Não estava com fome, mas também não queria mais ficar no quarto e ainda mais próxima do loiro nu. Lembrou-se então de que não havia avisado à Temari que dormiria fora, provavelmente a loira devia estar surtando. Correu para onde deixara suas coisas na noite anterior e procurou seu celular dentro da bolsa. Como esperado, haviam dezessete chamadas da Sabaku, três de Hinata e uma mensagem de voz da Hyuuga.

"Tenten, onde você está? Porque não deu notícias ? Temari e eu estamos preocupadas com você. Nós voltamos até a casa da sua mãe, mas não encontramos ninguém. Por favor, mande notícias".

E ouviu o fim da chamada. Suspirou cansada. Será que as amigas achavam que ela havia fugido com Neji ? Acabou rindo pelo nariz ao se dar conta do que acabara de deduzir.

Discou uma rápida resposta para a azulada e aproveitou para enviá-la à loira também. Avisou que não se preocupassem, que quando as mesmas foram embora ela se encontrou com Deidara e acabou dormindo com o mesmo. Não era mentira afinal.

No fim das contas pegou-se observando a foto no aparelho onde nela se encontravam os amigos inseparáveis. No dia em que finalmente Hinata conhecera Akamaru e o mesmo pulara em cima dela, derrubando-a no chão. Na foto todos sorriam, eram ela, Temari, Kiba e a mais nova dupla, Hinata e Akamaru. Sua atenção se voltou para a Hyuuga, os olhos brancos, tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes de um outro par de olhos brancos que conhecera. Nunca imaginou que se aproximaria tanto de ambos, porque sim, querendo ou não. O que havia entre ela e Neji não era normal, um simplesmente relacionamento de professor e aluna. Ela sabia disso.

"O que está acontecendo comigo? Porque isso está acontecendo?" indagou-se.

A verdade é que, seu maior medo era ser apenas uma ferramenta simples para ambos. Porque sim, querendo ou não, Hinata e Neji já faziam parte de si. A primeira por ter se tornado uma de suas melhores amigas, o segundo por ter se tornado o seu amor. E ambos assim, em tão pouco tempo. Qual será que era o segredo dos Hyuuga's ? Como conseguiam fazer as pessoas se prenderem a eles assim tão facilmente ?

Mordeu o lábio inferior e deixou de lado o aparelho telefônico. Na verdade, sua urgência no momento era pegar o diário de sua mãe e ler tudo o que não lera antes. Levantou-se e foi na direção do corredor para certificar-se de que Deidara ainda dormia. Buscou um ano aleatório dentre as folhas amareladas e se concentrou em sua leitura.

" 1997, 26 anos.

Caro Fred, estou aqui com meu bebê nos braços. Sinto-me sem rumo na vida. Temo que Dan está cada vez mais distante de mim, não o vejo mais como antigamente... De acordo com ele, está cuidando da minha segurança e da de Tenten. Quando ele vem, mal falamos sobre nós... Sei que ele é comprometido, mas infelizmente isso não me impede de sonhar. "

E Tenten sentiu um forte golpe no estômago ao ler aquelas palavras, mas será possível ? Sua mãe também havia passado por algo semelhante ao que ela estava passando? Porque bem, tal mãe, tal filha. E o pior era saber que a história da senhora Mitsashi não terminou feliz, ela não ficou com Dan. E Neji também era casado, então... balançou a cabeça e se concentrou novamente em sua leitura.

" Sabe, ele me contou uma estória muito interessante sobre um colar que ele tem...

**

O campo de batalha devastado por seres sobrenaturais, alguns mortos e outros a beira dela. O cenário era desolador para qualquer pessoa sã. Mas o que fazer? Acabara de acontecer uma guerra ali. Uma guerra que custara a vida de muitos Anjos e Demônios, onde nenhum dos lados saiu vitorioso. Apenas vidas jogadas no lixo.

Os três Grandes Arcanjos haviam sido escolhidos. Eles lutaram bravamente ao lado do Clã Hyuuga, apenas os mais experientes puderam ter a honra de mostrar poder. Todos estavam exauridos e por este motivo não conseguiam retornar para o Céu. Formaram um abrigo no interior de uma caverna fria e abandonada até que suas forças fossem restabelecidas. Um dos três Arcanjos andavam pelo exterior da mesma quando encontrou o Anjo que salvara a vida de sua amiga. Era grato a ele, mas...

– Não devia estar aí. Embora a guerra tenha supostamente acabado, não deveria confiar nos inimigos. — falou o homem de longos cabelos brancos e repicados ao se aproximar do Anjo que abrira mão de seu maior sonho por seu grande amor.

– Sou cuidadoso Jiraya... — ele falou olhando fixamente para sua mão entreaberta em frente ao seu rosto — Eu fiz a coisa certa... Não é? — indagou incerto e engolindo em seco

– Claro que fez! Se você não tivesse feito, a Tsunade teria morrido com aquele ferimento — ele alegou dando um meio sorriso. Dan franziu o cenho com tristeza, tinha que se convencer de que realmente fizera o certo, todavia ainda era dificil para ele saber que perdera a oportunidade de se tornar alguém e ser reconhecido. O que sempre lutou e almejou para alcançar. Suspirou cansado e apertou o objeto na mão com certa força, já estava feito, não adiantava mais pestanejar. Foi a vez de Jiraya franzir o cenho — O que tem na mão ? — ele questionou curioso ao notar que o homem de cabelos azuis segurava firmemente algo que se prendia ao seu pescoço através de uma corrente de prata.

Dan estava de olhos fechados, as mãos ainda apertando e escondendo aquilo que o homem de cabelos brancos queria saber o que era. Lentamente ele abriu os olhos e mirou o nada à sua frente, seus olhos fixos em ponto nenhum. Aos poucos relaxou os músculos da mão e abriu-a lentamente. A respiração enganosamente calma. Ele disse:

– É um colar com um pingente que significa muito pra mim... — e mostrou a peça ao Arcanjo que franziu o cenho

– Uma cobra envolta de um rubi? Essa pedra não é usada para realizar feitiços, magias e afins? — indagou lançando um olhar desconfiado para o rapaz de cabelos azulados que franziu o cenho e olhou com certo carinho para a peça

– E ela é enfeitiçada... — disse simplesmente e abrindo um largo sorriso que lhe era típico.

Os dois continuaram a conversar durante um bom tempo até que os raios solares começaram a dar sinais e clarear o céu. Resolveram que por fim já era hora de descansar e assim seguiram juntos para a caverna onde os demais Anjos estavam, assim como os membros restantes do Clã Hyuuga. Em momento algum notaram uma terceira presença no local.

– Um colar com um pingente que é uma pedra de rubi e uma cobra ao seu redor? Ora Dan, não deveria duvidar das minhas habilidades — o homem de longos cabelos negros e lisos falou enquanto um riso malévolo se formava em seus lábios. — Está na hora de pagar por sempre estar no meu caminho... Sempre foi o escolhido — riu e passou a língua ao redor dos lábios — Mas agora será questão de tempo até que eu consiga planejar algo para incriminá-lo. E esse seu colar será muito, muito útil para os meus planos... — logo em seguida olhou na direção da entrada da caverna à qual os dois Anjos entraram recentemente. Desta por sua vez saía um dos gêmeos, líder dos Hyuuga's e seu filho, o melhor guerreiro que o Clã já tivera. Embora tivesse a idade avançada, era notório que a expressão do mais velho era bem mais relaxada que a do mais novo, a qual parecia estar sempre em alerta. Seus olhos vagueavam com cuidado cada lugar daquela floresta e por fim pousaram sob Orochimaru. O mesmo deu um meio sorriso e com um aceno virou-se para ir até um rio próximo, pelo menos era o que ele queria que pensassem. Já Neji apenas franziu o cenho com o estranho comportamento de um dos três Grandes Arcanjos.

"Tem alguma coisa errada" pensou o Hyuuga.

**

– Tenten? — ao sentir uma mão tocar-lhe o ombro a morena deu um pulo com o susto que tomara, estava tão alheia em seus pensamentos e no estranho déjà-vu que sequer notara a presença do mesmo ali.

– Ah! — arregalou os olhos e pôs a mão no coração no momento em que se virou e fitou aquele par de olhos celestes. Deidara ainda tinha uma expressão sonolenta, seu tórax definido estava desnudo e a única peça que ele trajava era uma cueca samba-canção — Você me assustou! — exclamou num tom de repreensão e ele franziu o cenho.

– Desculpe... — deu de ombros e ela cruzou os braços acenando negativamente com a cabeça em sinal claro que dizia que ele não deveria se preocupar

– Você parece cansado — ela tinha uma expressão preocupada. O loiro apenas suspirou, seu peitoral definido subiu e desceu lentamente e ficou em evidência, o que ocasionalmente chamou à atenção da Mitsashi que se pegou observando-o. Ele riu de canto ao notar o olhar que aos poucos adquiria aquele brilho de desejo nos olhos da menina.

– Você me cansou... — ele deixou a frase no ar e ainda observando o corpo do rapaz ela arregalou os olhos e corou, desviando o olhar no mesmo instante.

– Ora..! Deidara! — ela exclamou de uma hora para a outra, foi a vez dele se assustar e adquirir uma expressão engraçada. O que ela certamente riria se não estivesse ocupada demais lembrando-se de um pequeno detalhe — Preciso ir ao Hospital visitar um amigo... — ela disse simplesmente, amenizando a expressão de quem acabara de se lembrar de algo importantíssimo e cruzando os braços outra vez

– Um amigo ? — ele indagou desconfiado e ela arqueou uma sobrancelha. Ele estava com ciúmes, e ela não aguentaria outra cena vinda dele.

" Porque o Neji não sente ciúmes assim de mim? " questionou-se mentalmente, mas logo em seguida balançou a cabeça de um lado para o outro e tentou clarear as ideias. " Foco Mitsashi, foco!" entoou mentalmente seu mantra.

– Sim, o Gaara, irmão da Temari — ela não tinha porque lhe dar explicações. A noite que passaram junto foi de um sexo casual, não teria motivos para ele agir daquela. Exceto é claro, o fato que o rapaz jamais superara a mesma e o momento havia aberto uma porta de esperança em seu coração desiludido.

– Não sabia que vocês estavam juntos... — falou como se não quisesse nada. Todavia, ao ouvir tais palavras a garota sentiu o sangue ferver.

– Como ousa? — indagou batendo o pé firmemente no chão — Gaara é meu amigo e está debilitado, apenas quero ir visitá-lo — revirou os olhos e pela terceira vez cruzou os braços com uma expressão nada contente.

Deidara naquele momento pareceu perceber que sua crise de ciúmes não levaria à nada. Ainda mais sabendo do gênio forte que a morena possuía. Resolveu dar-se por vencido, mas pro precaução, ainda ficaria de olhos nela. Não iria perde-la outra vez.

– Tudo bem... — disse simplesmente — Mas antes não quer tomar café da manhã ? — indagou apontando para a cozinha. Ao olhar na mesma direção a boca da morena se abriu em surpresa, a mesa estava farta e cheia de comidas que lhe agradavam. Mas quando ele teve tempo para preparar aquilo? Ou melhor... Quanto tempo sua mente viajou naquela estranha lembrança?

***

O café da manhã foi mais agradável, Deidara não perguntou o motivo de Tenten encarar a janela de vidro de seu apartamento de forma tão exagerada, de quem parecia estar em transe. Os olhos da morena estavam arregalados e fixos no vidro como se nele houvesse algo deveras interessante. Logo após ela se arrumou e saiu sob os convites do loiro, hora chamando-lhe para sair e hora perguntando se queria que ele fosse junto. Todos negados de uma forma um tanto carinhosa. Carinhosa até demais para quem não queria nada. O que só confundia ainda mais o rapaz.

Mas fazer o que? Assim era a Mitsashi, não gostava de inimizades.

Saiu do apartamento e acabou esbarrando em Sasori, melhor amigo de Deidara e que também acabou lhe oferecendo uma carona, a qual ela também negou. O ruivo sabia da paixão que o amigo nutria pela morena e deixava claro que sempre quis que os dois ficassem juntos. Pois, talvez assim Deidara mudasse de uma vez por todas e parasse de agir como macho alfa, sempre se metendo em encrencas e querendo chamar atenção. Mas também fazendo sucesso com as mulheres. Dentre elas, Karin.

Pegou o primeiro táxi que encontrou e foi para o Hospital. Na recepção do local precisou esperar para ser liberada. Como o caso de Gaara era um tanto delicado, só poucas pessoas eram autorizadas para visitá-los. Todas de confiança de Temari, a responsável do mesmo. E claro que dentre elas, Tenten.

Já com seu crachá com um chamativo nome de "Visitante", a Mitsashi seguiu na direção do quarto do ruivo. Naquele dia o Hospital estava um tanto quanto vazio. E ela não soube se era algo bom ou ruim.

"Talvez bom..." deduziu ao pensar que isso se dava devido aos poucos índices de enfermos.

Ao encontrar o local desejado ela bateu algumas vezes na porta até ouvir um "Entre" do Sabaku. Girou a maçaneta e pôs a cabeça para dentro do quarto. A visão que teve acabou por lhe surpreender de uma forma positiva. Gaara estava de pé em frente à janela e observando o movimento da cidade de Tókio. Os braços estavam cruzados e o mesmo parecia não se importar com o sol matinal que lhe cobria a face naquele instante. A janela estava aberta, o que deixava o pequeno quarto mais fresco e ventilado. Vê-lo se recuperar tão rápido era muito bom, não aguentava mais ver a amiga sofrer por causa do irmão mais novo. Por outro lado tinha receio de ter uma conversa tão séria com ele, imaginando que ele não estava em um bom estado.

– Gaara ? — ela chamou.

O ruivo virou-se lentamente ao chamado. Tenten percebeu que aquele rapaz nem de perto era o menino doentio que sua melhor amiga internara. Ao contrário disso, ele parecia ser mais uma vez o Gaara que um dia ela conhecera. Os olhos verdes antes opacos, agora ganhavam mais uma vez o brilho que possuíam. As olheiras abaixo dos mesmos estavam menos marcantes, sinal de que estava tendo boas noites de sono. A magreza do rapaz ainda era um problema, mas ele estava se alimentando bem, então com o tempo também ganharia algum peso.

– Sabia que viria... — ele falou com uma expressão indecifrável aos olhos da morena que se pegou procurando o sentido de tais palavras — Entre — ele acenou e ela assim o fez, ainda desconfiada

– Como assim? O que quer dizer com "Sabia que viria" ?- não conteve o ímpeto de perguntar-lhe. Não suportava mais tantos segredos rondando sua vida. Agora mais do nunca, precisava da verdade. Apenas a verdade!

– Bem... Acho que nós dois sabemos, não é ? — ele questionou inclinando a cabeça, e ela suspirando e baixando a sua — Tenten, eu sei exatamente como se sente — falou como se quisesse ganhar a confiança da Mitsashi que franziu o cenho e voltou a erguer a cabeça, mas sem fitá-lo

– O que está acontecendo Gaara? — ela indagou com a voz embargada. Mais uma vez as palavras de sua mãe, todas escritas naquele diário voltaram à sua memória e ela teve vontade de chorar. — Como pode agir de forma tão natural ? — enfim olhou nos olhos do Sabaku, seus olhos clamavam por uma explicação plausível.

– Acha que assim que minha paranormalidade se iniciou eu fiquei estável? — ele indagou num leve tom irritado — Eu não sabia o que era verdade, eu achei que estava ficando louco, eu me afundei em drogas por achar que seria o melhor caminho... Eu quase acabei com minha vida — ditou sério e fitando os olhos da morena. Tenten engoliu em seco ao se lembrar do dia em que o ruivo tentara suicídio. Nunca vira a amiga tão desequilibrada antes. — Eu me tornei o estranho... O esquisito, o anti-social. Eu me tornei o ninguém. — sua voz saiu amarga e ela sentiu como se a culpa fosse dela

– Gaara, porque você...

– Não se culpe Tenten — ele disse, enfim amenizando sua expressão. Afinal, não era culpa dela — Você é tão vítima quanto eu — completou seguindo até a cama e sentando-se nela

– Como assim? — ela questionou — Gaara, você não está ajudando. Só estou mais confusa. Primeiro você me joga todo aquela conversa de Anjos e Demônios, depois coisas estranhas realmente começam à acontecer e por fim encontro um diário da minha mãe e não sei se é verdade ou algum tipo de pegadinha... Estou começando a achar que você é um profeta — ela andou até ficar de frente com ele e cruzou os braços. O Sabaku mantinha os olhos fixos no chão e acabou rindo com a última frase

– Oras... Posso responder suas dúvidas. Basta você perguntar — ele ergueu o par de orbes esmeraldas lentamente de encontro aos castanhos receosos da Mitsashi

– Não sei o que está acontecendo comigo — choramingou. Fechou os olhos e tentou manter a cabeça fria, não queria e nem podia chorar naquele momento. Era o que ela sempre quis, a verdade. — Por favor Gaara, me explique — implorou ao mesmo tempo em que baixou a cabeça envergonhada e deu as mãos no colo, fitando os próprios dedos como se fossem algo importante no momento.

– Bem... — ele fez uma pausa antes de continuar, enfim suspirou — Só há um motivo para que você tenha vindo me procurar — falou sério e semicerrando o olhar, recebendo um resmungo como resposta — Você já sabe a verdade, não é? — ela olhou de lado, fitando um ponto desconexo e pensando nas palavras do ruivo

– Verdade... — parecia tentar entender o significado de tais palavras — Se verdade quer dizer que tudo aquilo que julguei ser loucura realmente existir... Então sim — respondeu — Anjos e Demônios, Gaara, o que está acontecendo? Não consigo digerir isso, me sinto presa numa linha do tempo. Todo momento estranhas lembranças invadem minha mente, e o pior é quem em algumas delas é como se eu vivenciasse aquilo — ela puxou o ar para os pulmões e exalou lentamente — Eu estou louca? Não estou? — e de um momento para o outro seus olhos lacrimejaram, ela pôs as duas mãos na cabeça e assanhou os cabelos castanhos. O Sabaku queria ajudar, já havia passado por aquela situação e enfrentou tudo sozinho. Além de lhe acharem louco e doentio, sofreu preconceitos e até se deixou levar por momentos quando entrou no mundo das drogas. Todavia, ele sabia que ela precisava digerir tudo aquilo sozinha. Assim como ele. Mas, no caso dela, ele não permitira que ela fizesse nenhuma loucura. Afinal, era essa sua função, não era? Foi isso que aquele estranho Demônio com alma de Anjo lhe falou. Uzumaki Naruto era seu nome. Ele não entendia porque o mesmo vivia do lado das trevas, sentiu que o mesmo carregava um grande peso dentro de si. Soube através de outros que ele era conhecido como o Demônio da besta, por ter tal desgraça dentro de si. Mas quem era ele para julgar? Quando também tem em si um segredo obscuro?

– Você não está louca Tenten — ele falou baixo

– O que somos então? Me diga, por favor... — clamou

– Veja bem... Você é um Anjo! — falou como se fosse algo normal — Uma espécie de Anjo prodígio sabe... Você nasceu para lutar com os guerreiros do Céu e vencer essa Guerra. Aquela que começou há mais tempo do que podemos calcular — Tenten ainda segurava os fios castanhos entre os dedos enquanto ouvia atentamente cada palavra do ruivo para ter certeza de que não entendera errado — Existe um Demônio prodígio também, não me pergunte o motivo desse nome, eu não sei — ele piscou

– Quem é ele? Digo... Eu vou matá-lo? Ele vai me matar? — perguntou apreensiva, enfim soltando os cabelos e girando a cabeça na direção do rapaz. Nesse instante ela viu Gaara franzir o cenho

– Tenten eu... — engoliu em seco — Como falei antes, não sei quem é ele, mas sei que é mais velho do que parece. Sei que ele vagueia pela terra, eu o sinto muito próximo... — a última frase foi dita num sussurro. Aparentemente ele não gostava de tocar naquele assunto — Você e eu nascemos com um propósito... Você agora sabe o seu, mas o momento para isso é um verdadeiro mistério. Sinceramente algo que me diz que as coisas começaram a acontecer antes do tempo — ele franziu o cenho e cruzou os braços. Nesse meio termo a Mitsashi pareceu captar algo que havia ficado em branco.

– E qual seu propósito? Se o tal Demônio prodígio é mais velho que nós dois e teremos que lutar, porque ele não veio atrás de mim antes e me matou? Isso lhe pouparia todo o trabalho não é? Não consigo entender — seu tom era curioso, ao mesmo tempo que descrente.

"Ela chegou nesse ponto... Bem, era de se esperar" Gaara pensou enquanto respirava lentamente, preparando-se para responder as perguntas da morena. No fim das contas, ele também precisava desabafar e ela era uma ótima companhia.

– Porque ele não pode... O poder dele foi selado pelos Anjos três meses antes do seu nascimento. Eles selaram o poderio imensamente destrutivo dentro de um bebê que nascera naquele dia — ele baixou a cabeça

– Mas como assim? Quem foi esse bebê? — ela levantou-se exasperada. Mas ao notar o repentino silêncio do ruivo ela engoliu em seco, a resposta havia vindo numa leve brisa silenciosa — Gaara... — o clima no quarto de Hospital estava ficando cada vez mais pesado.

– O poder do Demônio foi selado dentro de mim, Tenten! — ele falou antes que ela dissesse algo — É por isso que os Demônios estão loucos pra me acharem, eles querem de volta o que lhes pertencem. É por isso que eu os vejo e os ouço, é por isso que eu sou paranormal — ele completou simplesmente cruzando os braços

– Mas então se o problema é esse, porque não deixa que eles peguem de uma vez por todas esse maldito poder e se livra disso? Você ainda tem saída, diferente de mim — choramingou e ele balançou negativamente a cabeça

– O poder dele ficou tempo demais em mim, quase vinte anos pra ser exato... Isso quer dizer que mesmo que eles consigam retirar todo o poder selado dentro de mim sem me matar, eu ainda serei uma casca para esse Demônio, uma forma de fuga pra ele — baixou os olhos

– Espera aí! Como assim "retirar todo o poder selado dentro de você sem te matar"? — indagou arqueando a sobrancelha esquerda

– A intensidade do mesmo certamente me mataria se fosse corrompido — ele revirou os olhos — Tenten você não está entendendo? O tal Demônio se tornou praticamente um humano e o poder dele se tornou parte de mim -ergueu os braços e espalmou uma mão na testa no momento em que ela pareceu enfim compreender a gravidade da situação.

– Mas Gaara, se é verdade o que diz... Então hora ou outra ele virá em busca do que lhe pertence — bateu o pé e em seguida pôs a mão no coração enquanto mordia o lábio inferior. Gaara apenas deu de ombros.

– Tenten, isso tem que ficar só entre nós — falou depois de alguns minutos e ela lentamente levou a mão até o rosto e deslizou-a até o pescoço, parecia tentar ter certeza de que nada ali era um sonho — Não pode falar isso nem para Temari

– O que? Como espera que eu esconda algo assim da minha melhor amiga? — balançou negativamente a cabeça

– Tenten entenda! — ele levantou-se e ficou frente a frente encarando-a com seriedade, ela engoliu em seco e sentiu a garganta arder — Se falar pra ela, além dela te chamar louca, ainda colocará a segurança dela em risco. É melhor que ela não saiba, é melhor que ninguém saiba! — completou virando e cruzando os braços outra vez

Naquele momento a morena pareceu entender onde realmente havia se metido. Estava num profundo poço úmido, escuro e vazio. Não tinha saídas. E para completar ele tinha razão, não poderia colocar a segurança de sua melhor amiga em risco. Só então uma outra luz se iluminou em sua mente.

– Gaara... — chamou baixinho e ele a encarou por sob o ombro, ela ainda estava cabisbaixa, mas sentia o peso do olhar dele sob si — E quanto aos Hyuuga's? — e o fitou. Ah! Mas daquela verdade ela não abriria mão.

***

Já havia se passado uma semana desde que Tenten visitara Gaara. Porém, as palavras do ruivo não sanaram totalmente sua curiosidade. O mesmo não sabia o motivo pelo qual Hyuuga Neji não se dava bem com a prima. Mas quem pudera? Ele não era Deus para saber de tudo.

Durante tal semana a Mitsashi aproveitou para se dedicar totalmente na mudança que faria. Decidiu não ir para o apartamento de Hinata, e sim para um no mesmo prédio do de Temari. O que acabou confundindo a Hyuuga e fazendo com que também se mudasse para o local. Tal ato resultou em uma Temari enciumada e uma Tenten cada vez mais desconfiada.

" Isso só prova que ela realmente esconde algo. E é em relação a mim! " pensou a morena adentrando os grandes portões de sua faculdade com Kiba. Temari e Hinata vinham no carro logo atrás. No da frente estavam Ino e Gaara — que já haviam recebido alta para a felicidade da Sabaku mais velha-. É, aparentemente naquele dia os amigos haviam resolvido passear juntinhos.

Assim que estacionaram, seguiram para seus respectivos andares. Kiba, Hinata e Tenten já estavam no interior da sala de aula quando o Inuzuka se aproximou das meninas e comentou:

– Faz bem uma semana que não vejo o professor substituto do Guy... — falou como quem não quer nada olhando para alguns alunos que adentravam a sala. Afinal, o sinal já havia batido e era aula do Hyuuga, porém nada do mesmo.

– Sério? — perguntou a Mitsashi tentando parecer desinteressada e olhando na mesma direção que Kiba — Porque? O Guy já voltou? — mesmo tentando, não conteve o gosto amargo em sua boca e o tom preocupado.

Sabia que no fundo não queria se distanciar do rapaz de olhos misteriosos. Mesmo que fosse errado. Mesmo que não devesse. Jamais imaginou passar por uma situação tão complicada. Todavia, mais do que nunca precisava de respostas.

– Não, não — e riu olhando na direção de uma loira que conversava com algumas amigas

– Qual o motivo da graça? — o tom da Hyuuga soou levemente irritado, o que deixou o moreno desconcertado. O que havia feito?

Kiba olhou de lado e captou as duas jovens lhe fitando, uma com curiosidade e a outra com irritação. Franziu o cenho e respondeu.

– A Tenten também passou uma semana sem vim ao colégio... Surgiram boatos de que estavam se encontrando escondido — se naquele momento a Mitsashi estivesse comendo ou bebendo algo, certamente se engasgaria. Hinata arregalou tanto os olhos que por um momento Kiba imaginou que os mesmos fossem sair da órbita. — O que houve? — ele questionou parando de rir no mesmo instante

– Kiba... — Tenten falou levemente irritada — Quem foi que espalhou esse boato? — indagou ela com o cenho franzido e ele levou os ergueu a cabeça com uma expressão pensativa

– Não sei se posso dizer Ten... — ele parecia dividido

– Kiba! — ela falou firme e ele suspirou

– Certo, certo! Só prometa que não vai me colocar no meio disso depois, tudo bem? — ele se preocupou e ela bateu na mesa da cadeira irritada — Tá! — ele levantou as mãos se dando por vencido — Foi a Shion... — e olhou de canto para a loira que estava alheia ao trio, mas, que pareceu perceber os olhares sob si e olhou sob o ombro. Vendo a expressão da Mitsashi irritada. Lembrou-se imediatamente do sumiço repentino do "Seu Anjo" — como o apelidara — e das vezes em que ele deixou claro que ela era apenas uma forma de chegar até quem ele realmente queria. Tenten.

Como odiava aquela garota. Sempre a odiou. Ela sempre foi melhor, mais bonita, mais rica e mais popular — assim julgava -. E então porque ele escolhera justamente aquela que era totalmente seu oposto? E ela o questionou sobre isso, mas a resposta que teve deixou seu orgulho em migalhas.

"- Porque ela é exatamente o seu oposto. Eu jamais me satisfaria por completo com uma garota tão vulgar, baixa e mimada como você..."

Shion nada respondeu, pelo menos não na hora. Mas prometera a si mesma que se vingaria. Saiu da sala vermelha com o pouco de vergonha que lhe restava e seguiu para o banheiro feminino onde arquitetou com cuidado seus planos. Mas os dois facilitaram tudo, eles simplesmente sumiram por uma semana. O que lhe abriu portas para espalhar os boatos sobre os mesmos. E quando o diretor Senju soubesse... Ah! Mas se tinha algo que ele não admitia era que quebrassem suas regras. E uma delas era " Nada de envolvimento entre alunos e professores ". Por fim sorriu de canto ao constatar que o destino da Mitsashi já estava traçado.

– Mas do que aquela desqualificada está rindo? — questionou entre dentes a morena, com o punho esquerdo cerrado com tanta força que os nós dos dedos esbranquiçaram.

– Ignora ela... — disse Hinata suspirando. Todavia, um ponto de preocupação também reinava no coração da Hyuuga. Ela não queria acreditar que algo realmente estivesse acontecendo entre o primo e a protegida. Para piorar sua situação, Tenten não falava sobre o assunto e ela não tinha coragem de chegar nele. Sentia que ela havia descoberto algo, seu sexto sentido lhe dizia isso. Mas a sua maior questão era, o que ela realmente descobriu?

"A verdade não... por favor" pediu mentalmente. Ainda era cedo demais. Sem contar que via nos olhos da amiga a paixão que sentia pelo primo. Se toda a verdade viesse à tona, ela certamente ficaria em desvantagem. Não só pela paixão proibida, como também pelas mentiras que contou para afastá-los.

– É... Não vale meu tempo — ela ergueu o queixo e cruzou os braços numa expressão debochada. Hinata mordeu o lábio inferior e Kiba permaneceu alheio ao verdadeiro problema.

***

Na hora da saída Tenten não se juntou ao seus amigos, no intervalo muito menos. O motivo de sua distancia era simples, saber o que havia acontecido com Neji. Ele não fora para a faculdade naquele dia e eles acabaram por ter aula vaga novamente. Estava na porta da diretoria aguardando para ser chamada.

Com toda sua inexistente paciência ela tentou elaborar uma boa desculpa para de repente ir à procura do diretor, para justamente saber do paradeiro do professor ao qual falavam com que ela se encontrava.

"Oras, se isso fosse verdade eu teria ao menos o número dele. Não precisaria vir até o diretor..." pensou exasperada e cruzando os braços com certa irritação.

– Mitsashi... — ouviu a voz grave do diretor e levantou-se da cadeira, deixando o corpo ereto no mesmo instante e fitando o homem de olhos negros que lhe chamara da porta da diretoria

– Sim, senhor? — ela respondeu-lhe

– Venha — deu um passo para o lado e estendeu o braço direito para o interior da sala em claro sinal que ela adentrasse o local. Tenten caminhou e passou por ele com a cabeça baixa, não sabia ao certo se os tais boatos haviam chegado aos ouvidos do Senju. Ele sempre foi muito conhecido por ser severo com aqueles que não seguiam as regras da faculdade — Sente-se — apontou para uma cadeira do lado oposto da sua e sentou-se na mesma. A morena fez o que lhe foi pedido, durante todo o momento tentou transparecer tranquilidade. O que julgava quase impossível, não nas condições em que se encontrava. Não só por ter tido coragem de chegar até ali, mas também por todas as descobertas feitas recentemente. Aparentemente a ficha ainda não lhe tinha caído, e ela sentia que só ele a faria cair.

Durante a última semana, todo e qualquer pensamento que a Mitsashi tinha, acabava nele. Ele se tornara o seu ponto de salvação, mesmo que algo dentro dele lhe alertasse perigo constante. Tenten também podia sentir que ainda assim ele era o seu porto seguro... o seu paraíso, ao mesmo tempo que era seu inferno. Ele era o motivo de seus sonhos mais proibidos, eróticos e quentes. Era o motivo de seu desespero quando a cada segundo percebia que necessitava encontrá-lo e o motivo não era nada mais do que a vontade de ver o lindo par de luas que eram seus olhos. Aqueles mesmos olhos com um tom de mistério, maldade e a mais gostosa sedução. Os mesmos que seriam capazes de fazê-la se render aos seus desejos mais obscuros numa simples trocar de olhares. Os mesmos que a faziam se perder no mais delicioso deleite e navegar em um mar perigoso.

Neji conseguia ser para ela uma noite tempestuosa, com trovões, raios e terremotos. Ao mesmo tempo que era um dia ensolarado, propício para praia e sair com os amigos. Ele era como as sereias mitológicas que seduziam e afogavam os marinheiros, mas ao mesmo tempo em que eram capazes de salvá-los do afogamento com apenas um beijo. Ele era casado, e ela queria ser sua amante. Ele era e sempre seria, o seu melhor pecado.

Não podia negar mais a si mesma, por mais que não quisesse. Ele era o negativo do imã, ela o positivo. Era a única explicação plausível para explicar o motivo de seu corpo ser puxado para o dele de uma forma tão perigosa e fugaz. Ele era seu algoz, ela sabia disso... Mas ele não tinha apenas sua cabeça, também tinha seu coração. Ela tinha mil sorrisos, e ele mil gestos. Mas bastava apenas movimento em falso do Hyuuga, para que a Mitsashi não voltasse mais a sorrir.

Suspirou pesadamente. Estava se sentindo cada vez mais anexada à Hyuuga Neji. E o desgraçado simplesmente parecia não se importar.

– Então senhorita Mitsashi — começou Hashimara sentando-se na sua acolchoada poltrona e apoiando os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos, seu olhar era sério como de costume — Qual o motivo de sua vinda até aqui? — por um momento a mente de Tenten entrou em pane e ela simplesmente não soube o que dizer. Fez seu cérebro trabalhar mais rápido do que de costume e por fim resolveu simplesmente contar a verdade, claro que, omitindo certas coisas.

– Sabe diretor... — pigarrou ao sentir que sua voz não saía com firmeza e voltou a encara-lo com o queixo erguido e o nariz empinado. O Senju arqueou a sobrancelha e aguardou que ela falasse — Eu gostaria de saber se o senhor poderia me passar o contato do professor Hyuuga Neji — sentiu seu corpo gelar no momento em que o homem de pelo menos cinquenta anos recostou sobre a cadeira e cruzou os braços.

– E para que a senhorita deseja o número pessoal dele ? — perguntou como quem não quer nada. De um momento para o outro a morena passou a processar mais rapidamente a situação, quanto mais nervosa parecesse, mais ele desconfiaria. E não era isso que ela queria.

– Então... O senhor sabe que após a morte de minha mãe eu andei um pouco... — suspirou e fechou os olhos com a lembrança de tal época — Eu andei em falta com algumas matérias, certo? — perguntou, mas não obteve resposta. Então apenas continuou — Então quando o professor Guy sofreu o acidente de carro e o professor Hyuuga entrou como substituto do mesmo, ele percebeu que algumas notas minhas não seriam boas o suficientes para adquirir uma boa média. Eu expliquei pra ele a situação e mostrei alguns dos meus atestados médicos, aos quais deixavam claro que eu estava com indícios de uma depressão pós-traumática e então ele resolveu me passar um trabalho, já que era algo que o professor Guy deveria ter feito — mordeu o lábio inferior no momento em que parou para respirar um pouco estar falando tudo apressadamente, se sentiu uma pessoa horrível por estar colocando seu amável e esquisito professor cabeça de tigela– como os alunos os chamavam — para simplesmente livrar sua cara e do Hyuuga. Mas infelizmente era a verdade, ou pelo menos parte dela...Nunca existira nenhum atestado, apenas o desejo descontrolado de ambos para cometer um ato proibido na sala de Neji. Ato este que apenas por se lembrar, resultava em uma quentura e contrações abaixo do ventre da Mitsashi. Suas pernas vacilaram e ela agradeceu mentalmente por estar sentada — E então eu apresentei um trabalho com todos os assuntos que perdi, mas ainda não sei minha nota e eu realmente gostaria de saber... Sabe, estou preocupada com minha situação — terminou franzindo o cenho de uma forma preocupada e dando sua melhor expressão de cachorro sem dono, tudo para ver se conseguia algo com o Senju que parecia uma muralha impenetrável. Talvez apenas Neji conseguisse ser pior que ele.

– Eu entendo perfeitamente sua situação senhorita Mitsashi — ele finalmente amenizou sua expressão e os olhos da morena brilharam de excitação

– Então vai me ajudar? — juntou as mãos em sinal de quem estava quase implorando, um largo sorriso desenhava sua boca perfeita e demonstrava sua felicidade.

– Não! — ele fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente. Tenten sentiu que havia levado um belo coice com aquela resposta. E de um segundo para o outro o sorriso deu lugar à uma expressão confusa — Infelizmente não posso. Pelo menos não sem a permissão dele — ele apoiou novamente os cotovelos na sua mesa

– Como assim? — sua voz era baixa e de forçada

– Não posso simplesmente passar o contato pessoal de um professor sem que ele permita. Isso é um local de trabalho, não tenho o direito de passar o contato pessoal de uma pessoa para outra. Mesmo que seja apenas um aluno indefeso — ele deu de ombros — Isso seria contra a lei... — suspirou. "Claro, o sempre certinho Hashimara Senju!" pensou Tenten cruzando os braços e estirando língua internamente para o diretor

– Tudo bem... — respondeu sem muito ânimo

– Então, se é só isso... — antes que ele terminasse ela se levantou e pegou suas coisas, já seguindo para a saída

– Já entendi, já entendi! — falou enquanto caminhava até a porta e abria a mesma — Obrigada pela atenção, diretor Senju — falou saindo daquele local antes que sua máscara de quem não se importava caísse.

Caminhou pelos corredores da faculdade sem nenhum lugar em mente. Queria muito saber onde estava Neji. Como ele ousava sumir daquela maneira? Será que ele desconfiara que ela descobriu a verdade sobre ele e fugiu? Não! Decididamente não! O Hyuuga não fazia o tipo de quem fugia do perigo. Ao contrário disso, ele parecia sentir muito prazer com tal.

Sentiu-se traída por suas pernas ao perceber que estava parada em frente à porta da sala de Neji. A famosa sala vermelha. Teve vontade de bater na mesma, mas sabia que ninguém responderia. Teve vontade de arrombá-la e descobrir na marra quais segredos ele insistia em esconder. Tenten sabia que não importava o quanto soubesse sobre ele, jamais saberia a verdade por inteiro. E era exatamente isso que lhe acertava o coração de uma forma cruel. Saber que o Hyuuga não confiava nela o bastante para se abrir, saber que no âmago ela era apenas mais uma.

Odiou-se. E se ele tivesse ido embora? E se no fim das contas aquela tivesse sido suas intenções? Apenas deixá-la lá, desejando-o. A Mitsashi recuou o passo e caminhou na direção do estacionamento. Não sabia se algum de seus amigos ainda estava na faculdade, mas só saberia com precisão se averiguasse o local e onde os mesmos estacionaram os carros. Manteve a cabeça baixa durante todo o percusso, quando estava quase chegando ouviu uma voz chamar-lhe e virou na direção da mesma:

– Hinata? — indagou franzindo o cenho e olhando de lado para a Hyuuga que corria em sua direção. Os cabelos longos e lisos da menina estavam bagunçados, sua pele alva se encontrava num tom avermelhado e ela respirava de forma descompassada, parecia ter corrido bastante — Algum problema? — não queria ser rude com ela, mas também não queria falar com ninguém no momento. E isto dava exclusividade à moça que lhe escondia muitas verdades. Claro que, se jogasse tudo que sabia na cara da azulada, muito provavelmente obteria suas respostas. Mas ainda assim, não era da boca dela que queria ouvir. Além disso, Tenten sentia que a pequena Hyuuga não sabia quais motivos levaram Neji a ser quem ele era...

"Ou ele sempre foi assim e não teve motivo algum. Apenas a sua ilusão de acreditar que ele pode ser alguém melhor..." seu inconsciente ralhou e ela até pôde imaginar o mesmo cruzando os braços e fazendo uma cara debochada. Meneou com a cabeça, ela sabia bem que por trás de sete chaves, ele tinha um coração.

– Está tudo bem com você? — Hinata perguntou dando as mãos em frente ao corpo e um sorriso meigo, típico seu.

– Sim, claro... Porque a pergunta? — questionou como quem não quer nada

– Você anda estranha Ten — ela baixou a cabeça — Não precisa mentir pra mim, sei que algo está errado... — engoliu em seco. Desejava internamente que o que atormentasse a Mitsashi não fosse nada relacionado ao seu segredo — Conversa comigo — sorriu novamente depositando uma mão amiga no ombro da outra morena que franziu o cenho. Hinata viu o brilho nos olhos do Anjo prodígio mudar repentinamente, ela agora sim parecia decidida a falar algo e não mais correr. Ela só tinha medo do que ela poderia lhe revelar.

– Não adianta Hina, você não pode me ajudar — ela ergueu a cabeça e deixou os braços caírem ao redor do corpo

– Pode tentar — incentivou e Tenten revirou os olhos. Agora ela havia se irritado com insistência da Hyuuga

– Ótimo! Então porque não começa me explicando que estória é essa de eu ser Anjo prodígio e o que você e Neji tem a ver com isso? — cruzou os braços ficando de frente para a azulada

De um segundo à outro, Hinata perdeu toda a cor que adquirira correndo atrás de Tenten. Seus olhos perolados estavam arregalados e as mãos tremulas, assim como sua boca. Então era verdade! Mas... Como ela soubera? Neji? Não, não! Até poderia, mas conhecendo-o... Ele sempre gostou de ter certeza dos perigos que enfrentaria antes de pisar em um terreno desconhecido. Ele sempre fora cuidadoso demais. Não arriscaria tudo simplesmente jogando a verdade na cara da Mitsashi. Mas... E se ele o tivesse feito? Poderia sim ter feito essa jogada de marketing por saber que não desconfiariam dele.

– O-O-O que está que-querendo dizer com isso — gaguejou e viu o semblante da outra se fechar ainda mais. Assim como o tempo. Em questão de segundos a chuva torrencial já molhava o chão de Tókio — Tenten... — ela se sentia inexperiente para a situação. Sabia que qualquer passo em falso a faria perder para o Hyuuga, para os Demônios. Mas curiosamente o motivo de seu desespero não era exatamente esse, e sim o fato de que não queria perder a amizade da Mitsashi. Aquela que junto à Kiba e Temari lhe acolheram sem nem sequer se importarem com o fato de ser uma estranha totalmente desconhecida. Aquela que se importou com ela e foi visitá-la no Hospital quando Neji lhe desacordou no banheiro feminino. Aquela que apesar de tudo, havia se tornado praticamente uma irmã sua. Não conseguiria mais ficar sem sentir aquele sentimento maravilhoso que lhe era proporcionado por estar perto daqueles que realmente se importavam. Hinata só descobriu o verdadeiro conceito de amizade quando chegou à faculdade. No seu Clã sempre era tida como alguém que precisavam proteger por ser filha do líder. As pessoas se aproximavam de si por motivos egoístas, nunca com reais intenções de ter sua amizade. Ninguém seria capaz de ir contra qualquer ordem de Hiashi. Mas eles não, eles não procuraram saber se ela era rica ou pobre, se era órfã ou se seus pais moravam longe. Apenas lhe deram a mão quando precisou — Ten... — falou novamente, sua garganta estava seca devido ao tempo que passara de boca aberta por simplesmente não saber o que fazer.

– Não Hinata! De todas as coisas que eu mais abomino...A mentira é a pior delas — disse com amargura e de braços cruzados. O chão da Hyuuga sumiu e tudo que ela queria era se jogar de um abismo. Tenten apenas se virou, mas não sem antes lançar um último olhar de desgosto para a azulada e foi embora.

***

Tenten sentia-se a pior pessoa do mundo. Estava num táxi rumo ao seu apartamento. Após o ocorrido com Hinata ela sequer procurou saber se Temari ou Gaara ainda estavam na faculdade para lhe dar uma carona. Apenas queria ficar sozinha. Nem notou o momento em que o veículo estacionou em frente ao prédio informado. Apenas pegou uma quantia na sua carteira, entregou ao motorista e saiu do mesmo sem esperar o troco. Fez tudo no automático. Para sua sorte, já havia parado de chover.

Assim que o táxi deu partida, sentiu seu celular vibrar dentro da bolsa e logo em seguida começar a tocar. Fechou os olhos e balançou negativamente a cabeça pensando se atendia ou não. Resolveu que olharia quem estava ligando, mas na tela do seu aparelho telefônico apenas apareceu "Número não identificado" e ela bufou irritada.

Quem diabos a ligaria com o número privado? Pensou que poderia ser Temari, talvez ela tenha exagerado em manter-se afastada dos amigos justo no dia em que voltara a faculdade depois de uma semana. Também poderia ser Kiba querendo saber se ela iria querer uma carona, ele as vezes tinha mania de colocar o número no confidencial para ligar para algumas garotas. Ou claro, poderia ser Hinata...

A última opção causou um breve aperto no peito da Mitsashi. Ela não sabia se havia agido certo. Não deu tempo para a amiga se explicar. Apertou o celular na mão e mordeu o lábio inferior.

"Atender ou recusar?" eis a pergunta que sambava na cabeça da morena naquele instante. "Bem, talvez seja mesmo a Hinata querendo se explicar... Talvez ela fale sobre Neji" deu-se por vencida. A última opção lhe pareceu muito satisfatória. Na verdade, Tenten não sabia mais o que seria capaz de fazer para conseguir falar com o Hyuuga. E atendeu no último toque:

– Alô? — tentou soar despreocupada, assim que falou começou a andar na direção da entrada de seu novo prédio. Sua nova casa.

Mitsashi Tenten!– por instinto travou o passo. Mas aquela voz não era de Hinata, não era de Temari... Era uma voz masculina e a qual soava muito perigosa, todavia, não chegava nem perto do tom que Kiba possuía. Engoliu em seco, quem poderia ser? Bem, só havia uma maneira de descobrir.

– Quem é? — ralhou curta e grossa sentindo seu corpo tremer, não sabia se de medo, nervosismo ou por uma estranha sensação de estar sendo observada.

Isso não importa...– falou com desdém — O que importa é quem você é...– pôde jurar que ouviu o homem rir pelo nariz com deboche e sentiu um frio percorrer sua espinha e lhe impossibilitar de fazer qualquer movimento

– Como assim quem eu sou? — como odiava aquele tipo de situação. Odiava não saber das coisas que aconteciam ao seu redor. Principalmente consigo mesma. E afinal, quem era aquele ser que lhe ligava de um número privado com uma conversa tão estranha?

Ora, ora... Nós dois sabemos bem do que eu estou falando– ele riu — É claro que é do seu lindo par de asar, anjinho...

Ótimo! Agora seja lá quem fosse aquele cara, havia conseguido deixar Tenten mais nervosa e amedrontada que nunca. Como ele podia saber de algo que ela descobrira há menos de uma semana?

– Nã-Não sei do que está falando — "Não gagueje Tenten, não gagueje!" entoou seu mantra mentalmente e tentou respirar fundo e manter a calma

Vamos Mitsashi, pare com esses joguinhos– ela até riria dele se conseguisse controlar as reações do próprio corpo. Mas como assim ela parar com joguinhos? Ele a ligava confidencial, simplesmente jogando na cara dela um segredo que a mesma levou literalmente a vida toda pra descobrir e ainda falar como se fosse a coisa mais normal do mundo e ela que estava de joguinhos? Só podia ser brincadeira. — Eu sei onde você mora...– agora ele parecia se divertir com o medo da morena. E enfim ela conseguiu rir, mas riu com vontade. Riu tanto que sua barriga chegou a doer. Mas no âmago estava rindo de medo, rindo por seu nervosismo, rindo porque sentia aquela perigosa presença atrás de si, todavia sabia que não havia ninguém ali e já se certificara disso virando-se diversas vezes ou olhando por sob o ombro — Mas do que pensa está rindo garota?– havia dado certo, ela o havia irritado. Agora era só um passo em falso para ele revelar quem era.

– De você! — falou como se fosse a coisa mais normal do mundo — Acha mesmo que eu vou cair nessa? Por favor, procure outra pessoa pra assediar, seu tarado! — xingou e simplesmente desligou na cara do ser. Se estivesse certa — e estava -, ele certamente estava muito irritado no momento e não aceitaria aquele desaforo. Ele a ligaria novamente.

Aguardou durante alguns segundos olhando para a tela do celular e em seguida suspirou. " Melhor assim..." pensou lembrando-se que já tinha problemas demais pra resolver, e o maior deles se chamava Hyuuga Neji. Um delicioso problema...

Voltou a andar em direção ao seu apartamento, mentalizando e ansiando o momento em que cairia debaixo do chuveiro e da água gelada para diminuir um pouco a tensão do corpo. Sempre preferiu banho gelado, exceto — talvez — no inverno.

Assim que sua mão tocou o portão de entrada, novamente sentiu o aparelho vibrar. Não pensou duas vezes desta vez antes de procurá-lo e atende-lo, logo ouvindo a voz debochada:

Estava aguardando minha ligação, Anjinho?– Tenten engoliu em seco — E não negue o que os meus olhos me mostraram. — mas o que ele queria dizer com aquilo? Será que ela estava certa? Realmente estava sendo observada?

– O que... — os olhos castanhos se moveram de um lado para o outro em busca de algum suspeito. Não seria muito dificil de encontrar um homem, muito provavelmente com uma aparência não confiável e ainda mais com um celular.

Não adianta! Não vai me encontrar– ele riu outra vez pelo nariz, parecia levemente cansado e ao mesmo tempo divertido com a situação. Tenten estava desesperada, naquela rua não havia muitos locais para uma pessoa adulta se esconder — e certamente aquele ser não era uma criança -, sua mente pareceu acender e ela se lembrou que na mesma havia muitos prédios. Claro! Ele poderia muito bem está vigiando-a por uma janela. Levantou a cabeça e continuou a sua procura, em vão. Até que, do lado direito e em frente à um prédio tão alto quanto o seu, uma coisa lhe chamou a atenção. Ela viu um carro branco estacionado, seus vidros fumês impediam a visão de qualquer pessoa ali dentro. Mas algo não estava totalmente disfarçado... Uma mão! Sim, uma mão segurando o volante. Pelo que ela pôde ver a mesma era branca e um pouco magra também, era larga e isso denunciava que o dono era homem. Então era ele? — Ou...Será que encontrou?– sua voz soou levemente debochada outra vez, ele parecia não se importar de ter sua identidade revelada. Mas então, porque não se mostrava logo de vez? Porque ficava naquele maldito jogo? O que ele queria com ela afinal? Tenten viu os dedos — exceto o polegar — da mão suspeita se mexerem, o dono da mesma os mexiam de forma aleatória, como se quisesse apenas chamar atenção ou estivesse esticando-os — É...! Acho que achou!– e riu outra vez, em seguida a ligação caiu e antes que ela raciocinasse direito, ouviu o motor do carro ser ligado e por instinto correu e abriu o portão com um único empurrão, continuando sua corrida em direção ao elevador. Para seu azar o muro do prédio era baixo e algumas partes do mesmo era composta por vidros transparentes, e dava visão de todo o térreo do mesmo.

Tenten estava com medo, muito medo! Mas queria garantir que o maldito realmente seria corajoso o suficiente para passar em frente ao seu prédio ou se apenas estava tentando lhe assustar. Inclinou um pouco a cabeça para o lado, na esperança de ver o veículo e nesse instante ouviu um sinal que avisava que o elevador havia chegado. Assim como ouviu as portas do mesmo se abrindo lentamente. Tudo aconteceu muito rápido, no momento em que o automóvel branco começou a aparecer através do baixo do muro, a Mitsashi sentiu uma mão tapar-lhe a boca e o nariz — impedindo-a de gritar com o susto — e a outra agarrar sua cintura. Segundos depois seu corpo foi prensado de uma forma um tanto quanto brusca contra a parede metálica e fria do elevador, contrastando com a pele quente do ser que a agarrara e causando um arrepio por todo seu corpo. E gemeu! Um gemido de dor e prazer, um gemido que ficou preso por aquela mão grande e máscula que maculava de uma forma tão viril e perigosa boa parte de seu rosto. Seus olhos amedrontados brilharam de excitação no momento em que repousaram sob o par de olhos enluarados que Hyuuga Neji possuía.

Mas o que ele estaria fazendo ali? E porque a puxara tão bruscamente para o interior daquele elevador? Quais suas intenções afinal? Neji por outro lado já estava aguardando a Mitsashi há um bom tempo, tempo suficiente para acabar com todo e qualquer resquício de paciência que o mesmo tivesse. Deu um passo para trás, mas sem soltar a morena e virou o rosto lentamente na direção do lado externo do elevador. Olhou diretamente para o carro que passava, semicerrou o olhar numa expressão que mesclava raiva e curiosidade. Poderia sim ver quem estava dirigindo o veículo e descobrir quem era aquele homem que seguia a sua Tenten, para depois ir atrás do mesmo e tirar satisfações — por bem, ou por mal -, para só então matá-lo. Mas para isso teria que ativar o primeiro estágio de sua maldição, e não queria deixar a morena mais assustada do que já estava. Mesmo que em frente à ela tentasse se mostrar indiferente como de costume, não conseguiria. Tenten tinha o poder de fazer o chão de Neji sumir com apenas um olhar, e com apenas um sorriso. Sorriso este que só encontrou nos lábios da morena, e ao qual ele jamais ousaria procurar em outros. Tal como seu gosto. Ele tinha certeza de que ela tinha muitas coisas para perguntar, mas se ele iria responder era outro assunto.

A medida que o carro passava lentamente de frente ao prédio, as portas do elevador foram se fechando. Neji podia sentir com clareza o peso do olhar do motorista sob si. Quem era? Ele não saberia, pelo menos não agora... Ficaria de olhos abertos, se ele veio atrás de Tenten é porque sabe quem ela é, assim como poderia saber quem ele era. E como ele odiava ficar em desvantagem... Apertou com força algo que segurava e ouviu um choramingo abafado, só então lembrou-se "do que segurava" e voltou a lançar aquele olhar mortal para a garota, mas acabou desistindo ao fitar os olhos amedrontados da mesma. Tenten era tão linda... Mas ao mesmo tempo, tão proibida pra si.

As vezes se perguntava se ela não havia sido desenhada à mão pelo espírito de Leonardo Da Vinci, se não fora projetada apenas para ter a delicadeza, inocência e postura capaz de bater de frente e estraçalhar em pedaços o orgulho e a barreira que o Hyuuga construíra desde que começara o treinamento para se tornar um guerreiro Hyuuga. Tenten era única! Disso ele tinha absoluta certeza.

Porque? Porque tinha que desejar de uma maneira tão avassaladora a filha do Anjo que assassinara seu pai? Ainda havia um lado em si que desejava matá-la, para que Dan sentisse na pele o que ele sentiu. Mas não conseguia, ele jamais conseguiria machucá-la. Ao contrário disso, sua vontade era de sequestrá-la e protege-la do mundo. Esse mundo tão cruel...ele sabia disso. Já vivera muitos, muitos anos para ter certeza. Tenten causava em Neji sensações antes jamais vividas pelo mesmo, e ela sequer imaginava. Ela jamais saberia que podia persuadi-lo a fazer qualquer coisa com aquele olhar e aquele sorriso. Maldito sorriso!

O Hyuuga sentiu o elevador começar a subir para o andar ao qual ele havia programado antes da entrada da jovem e só então a soltou. Viu Tenten puxar com dificuldade o ar para os pulmões, seus olhos ainda sob si e ele não sabia ao certo o que se passava na cabeça da mesma.

Para ele Tenten era uma verdadeira caixinha de surpresas, ele nunca sabia o que esperar da Mitsashi. A única verdade sobre ela é que a mesma não era como nenhum outro ser do sexo feminino que ele já conhecera, e ele mulheres ele já conheceu muitas... Tinha até aquelas que lhe serviam. Perto da morena ele ficava de mãos atadas, ela tinha o poder de tirá-lo do sério com apenas uma palavra. Assim como tinha o dom de ativar sua maldição com apenas um movimento indecente. Se não a conhecesse o suficiente, diria que a mesma era a atual dona do colar que ativava sua maldição, mas sabia que isso era impossível. Acabara de sair do apartamento dela — e estava voltando para lá — e não sentiu a presença da peça. Sem contar que ele conhecia a Mitsashi muito bem — em cada detalhe -, ela só não imaginava. E quanto a ela? Não, ela jamais o conheceria o bastante. Ele não permitira. Neji era sujo demais, já havia feito e faria novamente coisas terríveis até para os piores filmes de terror, ele nunca deixaria que ela descobrisse esse seu passado sombrio.

Mas assim era Neji, gostava de conhecer o terreno onde pretendia pisar. E, com a garota ele não pretendia apenas pisar no terreno, tal como plantar uma bela semente nele...

Seus olhos riram com o pensamento! Aquilo soara tão romântico que fez o mesmo conter a vontade de revirar os olhos. Romances e paixões lhe causavam náuseas.

Aquela semana fora uma das piores que o Hyuuga já havia vivido. Como se não bastasse ficar preso numa sala que cabe apenas uma cama e um frigobar. Nem sequer havia janela, e a única forma de sair era um alçapão trancado por fora. Ele também teve que suportar a ideia de que muito provavelmente Tenten estaria nos braços daquele maldito loiro descarado. As imagens dos dois juntos não saía de sua cabeça, a lembrança de Deidara tocando com carinho e segundas intenções a sua menina. Neji nem gostava de lembrar. O Hyuuga sabia muito bem o que acontecera depois que ele saiu de lá às pressas.

Se não fosse pela chamada repentina de Jiraya e o segundo estágio de sua maldição quase ativado, Neji com toda certeza teria arrancado Tenten daquele apartamento a força se necessário fosse. Não conseguiu entender o sentimento ruim que se apossou de seu corpo no momento em que viu a proximidade dos dois. Foi torturado mentalmente durante cada segundo, de cada dia da semana por aquele sentimento de que "Será que eles estão juntos?", e sua mente sempre lhe traía com uma resposta quase óbvia. "Sim".

Sentia o gosto amargo em sua garganta e uma vontade de arrancar as tripas de alguém.

"Isso é tão ruim..." E naquelas horas apenas a lembrança do momento único que passaram juntos que lhe acalmava. Apenas a esperança de que pudesse acontecer novamente que fazia o Hyuuga suportar a toda aquela tortura. Era apenas fechar os olhos para ver em seus sonhos aquele par de orbes castanhas, aquele sorriso que lhe assombrou os sonhos, daquela boca... Que boca. Neji tinha certeza — mais do que nunca — que aquela garota certamente lhe levaria a loucura.

– O que está fazendo aqui? — ela finalmente falou. Ou melhor, ralhou, assim que recuperou a fala. A presença do Hyuuga lhe era deveras perturbadora. — Não me diga que veio visitar sua priminha!

Ele arqueou a sobrancelha e cruzou os braços, deixando os ombros mais largos — e a impressão que era ainda mais alto -, os músculos do tríceps, bíceps e o peitoral em evidência. Sua blusa de manga curta e preta, colada ao corpo e a calça jeans também só denotavam ainda mais o corpo dado pelos deuses que o moreno possuía. Os longos cabelos negros estavam presos no seu local habitual e a faixa que curiosamente dava mais charme ao tom másculo que Hyuuga Neji possuía também estava lá.

– Soube que andou me procurando, apenas vim ao seu encontro — respondeu com seu tom grave — Agora é minha vez... Quem era o cara que estava te seguindo? — semicerrou o olhar dando um passo à frente e fazendo a Mitsashi engolir em seco

– Acha que se eu soubesse eu estaria tão assustada ? — irritou-se e ele ergueu o queixo

– Hm! — respondeu simplesmente e a morena perdeu a paciência por completo. Tenten não percebia que estava sendo analisada minuciosamente pelo olhar guloso do Hyuuga. Neji havia cruzado os braços para se controlar e não agarrar a Mitsashi ali mesmo, a audácia e o jeito que só ela conseguia bater de frente com ele... Aquilo era deveras excitante. O olhar que ela lhe lançava, a fúria contida no mesmo e a forma como ela queria expurgar todo o sentimento ruim que se apossara de seu corpo devido ao tempo em que seus olhos não vislumbraram o perigoso brilho que os enluarados possuíam. Ele não sabia o quanto ainda seria capaz de se segurar.

"Hm!" O QUE SEU IMBECIL? — berrou cerrando os punhos. Sua mente simplesmente não trabalhou as consequências de suas palavras e a raiva fez seu sangue ferver.

Tenten só percebera a loucura que cometera quando viu Neji fechar o semblante e descruzar os braços lentamente. Os olhos semicerrados do Hyuuga era um silencioso aviso de quem dizia que ela cometera uma loucura e agora não tinha mais escapatória. Não dentro daquele elevador. Sentiu sua feminilidade encharcar no mesmo em que baixou os olhos para as calças do moreno e viu a excitação do mesmo. Sua boca instintivamente se abriu em sinal de surpresa e desejo. Tentou puxar ar para os pulmões e controlar o tremor nas pernas e as contrações abaixo do ventre, mas antes disso algo macio pressionou seus lábios e a empurrou contra a parede do elevador. Causando um barulho oco.

Notas finais
Ah Janna, fala sério, pra que tantas palavras? Minha gente, me desculpa! Eu não consigo conter os dedinhos quando eles decidem trabalhar ;-; E está decidido, ainda teremos a terceira parte de revelações. Eu sei que demorei um pouco pra atualizar, é falta de inspiração que dá as vezes. Comentem e me inspirem haha Beijos da tia Janna que ama muito vocês