Amaldiçoado
22 Capítulo XXII - Para Um Novo Tempo Começar
Notas iniciais
Seis anos se passaram desde então.
Seis anos. São mais de três milhões de minutos; Uma média de cinquenta e duas mil, quinhentas e sessenta horas; Quase dois mil, cento e nova dias; Mais ou menos trezentas e doze semanas; E exatamente setenta e dois meses.
Nesse meio termo, a terra gira em torno de duas mil, cento e nove vezes ao redor dela mesma. Mas apenas seis em torno do sol. Curioso, não?
Se há muito sofrimento, também há sempre alegria e vice-versa. Até as mais lindas flores algum dia irão murchar e todas as coisas vivas deste mundo não param nem por um momento. Estão sempre se movendo e mudando, esse é o maior prazer existente. A vida das pessoas é igual. Até mesmo daqueles que sofrem.
"As Flores brotam, e morrem...
As estrelas Brilham, Mas um dia se apagarão...
Tudo morre...
A terra, o Sol, a Via Láctea e até mesmo todo este universo não é exceção!
Comparado a isto,
a vida do homem é tão breve e fugidia, quanto um piscar de um olho...
Neste curto instante,
Os homens nascem, Riem, choram,
Lutam, Sofrem,
Festejam, Lamentam,
Odeiam pessoas, e amam outras!
Tudo é transitório...
E em seguida,
Todos caem no sono eterno chamado morte..."
E o amor? O que é o amor para os simples amantes, ou até para os filósofos mais renomados e conhecidos que marcaram gerações? Bem, dizem que o amor nunca falha porque é amor sem fim, sem começo, sem meios de ser interrompido, também se renova à medida em que se origina e age no tempo e espaço de todas as dimensões que existem no universo em expansão. Não importa o que se passe, não importa o quão distante esteja, ele sempre estará lá. Mais presente e vivo que nunca.
O amor verdadeiro vence qualquer coisa... A dor, as lágrimas, as perdas, o tempo e até mesmo a saudade.
Existem relatos de amantes que eram unidos por este laço, mas que não tiveram um final feliz. Também existem aqueles que permaneceram juntos, apesar de tudo. Para o amor, não existe certo e errado, não existe cor, altura, sexo ou defeitos. Na verdade, seus defeitos na verdade são o que tornam tudo perfeito. Sem jeito. Sincero.
Quando se tem a chance de amar, as vezes não olhamos nada além do que esse sentimentos avassalador permite. E junto a paixão, o amor se torna indestrutível... E nem mesmo os milhares de segundos, incontáveis minutos, horas ou dias, lentas semanas ou meses, são capazes destruírem aquilo que nasceu na primeira troca de olhares.
Ah... O tempo... O amor. Tão complexos, tão belos, tão tristes...
***
Se olhou pela última vez no espelho, julgava que já estava adulto o suficiente para se vestir sozinho. Os longos cabelos castanhos e lisos estavam soltos, espalhados por suas costas e dividido nos ombros.
Verificou com maestria o pequenino terno azul marinho. Afrouxou um pouco mais o tecido de seda vermelha que era sua gravata. Logo descendo da cadeira que havia colocado para subir e se ver no espelho.
Andou apressado, mas com uma sutileza e educação invejáveis para sua idade. As pequenas perninhas davam passadas longas pelo corredor do apartamento, logo alcançando o quarto principal. A porta estava entreaberta e ele empurrou a mesma de leve, apenas para poder colocar a cabeça para dentro do recinto.
O belo par de orbes peroladas vagaram pelo local até encontrarem a mulher. Piscou algumas vezes ao ver o quão a mesma estava linda.
Seus longos cabelos castanhos e ondulados estavam domados em um belo penteado sofisticado. Alguns fios das madeixas caíam sob os ombros e rosto da morena. A franja que agora alcançava o nariz estava presa junto aos cabelos. Ela trajava um longo vestido de seda verde, os quais possuíam algumas pedrinhas brilhantes.
A mulher no momento terminava de se arrumar e colocava os brincos de ouro. Abriu um sorriso caloroso ao vê-lo parado na porta.
— Hizashi Nícolas! O que pensa que está bisbilhotando? — ela exclamou e indagou o tirando do mundo da lua. O mesmo assustou-se um pouco com o tom sério e arregalou os olhos, olhando-a daquele jeitinho inocente — piscando as orbes peroladas e encolhendo os ombros —. A mesma expressão que seria capaz de fazer qualquer mãe se render. — Não faz isso comigo... — fez um biquinho dramático olhando para o pequeno que sorriu e correu, abrindo a porta de uma vez e sem se importar.
— Está linda, mãe. — ele disse abraçando-a. Tenten se abaixou com um largo sorriso, retribuindo o abraço e fechando os olhos.
— Você também, meu Anjo. — ela falou singela e se desvencilhando do abraço. Logo se afastando e ficando cara a cara com o filho. Tenten por alguns segundos se perdeu na imensidão perolada que eram os olhos de seu filho com Neji, a lembrança e a prova de que o que viveu com ele foi verdadeiro. Agora entendia esse amor de mãe, o motivo da sua ter feito tudo aquilo por ela. Era algo muito puro e mais certeiro que a morte. Não poderia recitar em palavras a imensidão do sentimento. — Agora sente-se! Vou amarrar seus cabelos. Não queremos que você se assanhe todo até a hora do casamento, não é? — sorriu. — Já pensou no chilique que a Ino daria? — ela falou se levantando e ele sorriu assentindo e com os olhos levemente arregalados.
Sim, eles estavam se arrumando para o casamento da Yamanaka e do Sabaku ruivo. Após tantos anos, dos três casais prováveis, eles seriam os primeiros a firmarem matrimônio.
Nícolas sentou-se na beirada da cama da morena e ficou a olhar para o chão, balançava as perninhas de um lado para o outro enquanto observava o próprio sapato social e que combinava com o terninho. Ele seria o portador das alianças, e de acordo com a noiva, tinha que estar perfeito como ela.
Enquanto isso Tenten caminhava lentamente até sua penteadeira, onde pegou dentro do porta-joias, uma liga que guardara com todo amor. A liga que Neji usava no dia em que partiu. Voltou para perto do filho, e colocando-se atrás do mesmo, começou a penteá-lo passando as mãos nos cabelos idênticos ao do pai para desalinha-los.
Suspirou profundamente ao terminar de amarrar os cabelos do pequeno. Do mesmo jeito que Neji o fazia. Nas pontas. Com todo o charme que apenas a descendência daquele Hyuuga em questão conseguiria ter.
Nícolas pulou da cama e fitou sua mãe. Franziu o cenho ao vê-la com aquele semblante abatido. Era quase sempre comum ver a Mitsashi no mundo da lua quando fazia algo para ele. E o pequeno era criança, mas esperto. Sabia que ela se lembrava de seu misterioso pai. A quem ele nunca sequer viu uma única foto, ou escutou a voz. Aquele assunto parecia ser tabu para todos, até para Hinata, a única pessoa que conhecia e que tinha os mesmos olhos que os seus.
O que teria acontecido a ele? Na verdade ninguém sabia. Ouvira certa vez sua tia Ino comentar que ele havia voltado para o lado do mal. Do mal? Já sua madrinha Temari descordou, disse que ele havia morrido. Hinata ficou em silêncio, e Nícolas ouviu o choro baixo de sua mãe.
Sabia que era errado escutar a conversa dos adultos, mas naquela noite ele estava sem sono e queria tomar um copo de água. Foi quando ouviu tudo.
O momento fora interrompido com o soar da campainha do apartamento. Tenten piscou os olhos e por instinto mirou a porta de seu quarto com o cenho franzido, mas foi Nícolas quem se pronunciou:
— Eu atendo, mãe! — exclamou e saiu correndo. Odiava ver aquela dor quase palpável nos olhos de sua amada mãe.
Como queria encontrar seu pai... Faria qualquer coisa para conhece-lo e descobrir um pouco mais sobre seu passado. O pequeno Hyuuga sabia sobre a ascendência de seus pais, dois Anjos. Sabia que também era um e que o assunto era algo muito sigiloso. Era adulto o suficiente para saber que não deveria comentar algo assim com ninguém.
Principalmente com sua madrinha Temari, a qual nunca descobriu a verdade.
— Tia Hinata! — ele exclamou assim que abriu a porta e vislumbrou a Hyuuga mais velha toda arrumada.
A azulada sorriu abertamente ao ver o menino e se abaixou para abraça-lo.
— Oi Nick... — cumprimentou com carinho. Tinha um carinho descomunal por aquela criança. Sentia no âmago, que ele era o presente deixado por Neji involuntariamente. Como se o mesmo tivesse vindo para corrigir os erros do pai. Talvez um pedido de desculpas ou um perdão silencioso... Logo Tenten apareceu. — Oi Ten. — ela se levantou e afagou o alto da cabeça do sobrinho, mas olhava para a amiga com um sorriso sincero.
— Hina... Que bom que chegou! — ela exclamou pegando sua bolsa. — Vamos para o apartamento dos Sabaku's? — indagou e a Hyuuga assentiu ainda sorrindo, a mesma saiu sendo puxada pelo pequeno Nícolas. Tenten foi logo atrás.
***
A ocasião era especial. Tanto Hinata, quanto Temari, foram chamadas — leia-se obrigadas — a serem as madrinhas de Ino e Gaara. Tenten também foi chamada, mas acabou recusando por não ter quem a acompanhasse. A Yamanaka acatou a decisão da Mitsashi e entendeu o lado da mesma, que não estava preparada para substituir o homem que amava nem por um instante. Talvez nunca estivesse.
Diferente da morena, as madrinhas de casamento usavam vestidos azuis. Cada uma com um toque especial e que muito combinavam com suas personalidades. Gaara já estava na igreja. Já Shikamaru cochilava no sofá, ainda estava de manhã e era cedo. O Nara não gostava muito da ideia de ter que acordar antes do tempo por causa de uma cerimônia de casamento. Mas levava em consideração a felicidade da irmã.
O moreno e a Sabaku haviam firmado um compromisso sério há quase dois anos. Logo depois do longo tempo em que passaram vencendo seus próprios desafios e num verdadeiro relacionamento baseado entre tapas e beijos. De acordo com Shikamaru, ele havia se aposentado juntamente com Ino de suas vidas de caçadores. Poderia ser perigoso para suas futuras famílias. Kurenai e Asuma respeitaram as decisões dos mesmos.
Com os anos Yamanaka Ino se formou em sua faculdade de Moda. Atualmente era uma das mais renomadas estilistas de Tókio. Gostava de trabalhar com a personalidade das pessoas em sua vestimentas, gostava de inovar. Também era uma das mais indicadas para ter no futuro clientes famosos e particulares.
Já Sabaku no Temari havia se formado em Direito. Havia aberto uma pequena empresa com advogados, a qual só tendia a crescer mais e mais. Juntamente com Gaara, o qual acabou desistindo da faculdade e ajudando a irmã com o conhecimento que tinha em Administração, eles tocavam o negócio em frente. A dupla havia cortado todo e qualquer laço com seu irmão mais velho, Kankuro. O qual havia resolvido voltar após descobrir do negócio dos mais novos e saber que estavam ganhando bem. Tudo um mar de interesses.
Já Hinata também havia desistido da faculdade de Medicina. Após fugir de seu Clã, a Hyuuga foi amparada por Jiraya que fez de seu discípulo o seu sucessor. Aposentando-se e adquirindo um costume estranho de sempre aparecer e sumir do nada. O que por vezes acabava atrapalhando o antigo casal por chegar em horas menos propícias. O Demônio que vivia dentro de Naruto fora novamente selado, agora o mesmo não podia mais controlar o corpo do Uzumaki nem com o mais forte dos feitiços.
A relação dos dois estava ótima, mas Hinata não se via casando-se como sua amiga Ino. Talvez pelo fato de ser imortal. Não se importava com esses pequenos detalhes. Se havia algo que ela tinha aprendido com Naruto através dos anos... Ah sim... Isso era a ter paciência e deixar tudo acontecer naturalmente. Nunca havia recuperado sua memória. Mas de acordo com o amado, era melhor assim. Vida nova, lembranças novas para construírem juntos. A Hyuuga se sentia imensamente feliz por poder se apaixonar pelo loiro todos os dias de uma maneira. Redescobrindo seus segredos, manias e costumes... Cada vez mais.
Já Tenten havia terminado sim seu curso e agora era médica de um dos hospitais de Tókio. Vez ou outra esbarrava com Kiba em alguns dos corredores. Kiba havia se tornado um homem magnifico. Deixara os cabelos crescerem até os ombros e ficou com o corpo ainda mais sarado que antes. Akamaru, seu cachorro, já estava para ser pai pela terceira vez. Aliás, um dos filhotes do mesmo havia sido dado para Temari após tanto a loira implorar. Já seu dono, o Inuzuka, com o tempo acabou se declarando para Tenten. Afirmava que desde sempre fora apaixonado pela Mitsashi, e fora educadamente colocado na friendzone.
Tenten estava machucada. Em seu peito havia uma ferida que talvez nunca cicatrizasse. Havia amado uma única vez... E o perdido para a tolice e o orgulho. Nunca mais tivera notícias de Neji desde então. Nem mesmo Hinata era capaz de captar algum sinal do primo pelo mundo. Não sabia se ele estava bem, se ele realmente havia ido para o lado do mal ou morrido. Mas as últimas hipóteses lhes destroçavam a alma... Na verdade, qualquer probabilidade que a levasse a nunca mais poder vê-lo a assombrava.
— ONDE ESTÁ O NARUTO, HINATA? — Ino veio andando apressada pelo corredor do apartamento do noivo e da cunhada, o qual ele deixaria de morar a partir daquele dia. O grito acabou acordando Shikamaru que praticamente pulou do sofá com o susto e ficou resmungando algo sobre a irmã ser escandalosa demais.
— Deixa ela, cabeça de abacaxi. Sabe que as noivas quando estão prestes à casar tendem a ficar mais explosivas. — defendeu Temari a cunhada. Shikamaru arregalou os olhos e mirou a namorada. Se a Sabaku já era naturalmente irritada, imagina quando estivesse prestes a subir no altar? Bem... O lado bom é que ele não estaria perto para ver, e sim na igreja. Deu um meio sorriso com as palavras.
Sua irmã adotiva logo apareceu. Estava muito linda, digna de beleza de rainha. A própria Ino havia desenhado seu vestido, assim como os das amigas e o terno de Nícolas. Ela afirmava para Tenten que verde era a cor da esperança. E era exatamente esse o sentimento que a Mitsashi deveria levar sempre consigo. O problema é que a própria morena não sabia mais se era capaz de abrandar seu coração com essas sensações ilusórias. Já a cor azul era a favorita da Yamanaka, a mesma escolhida para os vestidos das madrinhas Temari e Hinata e o traje do pequeno Hizashi.
— Ele disse que já estava chegando... — Hinata falou sem jeito e baixando os olhos. Discretamente fitando o relógio de ouro em seu pulso. O Uzumaki estava trinta minutos atrasado.
— Pois mande ele se apressar! — exclamou fazendo movimentos rápidos com as mãos e franzindo o cenho. A loira olhou para os lados, seus olhos repousaram sob a visão do pequeno Hyuuga que estava sentado em uma das cadeiras da mesa. Sob a mesma um belo centro de salgados e doces, aquele era reservado para os mais íntimos. Separado dos que seriam servidos na festa pós-casamento. — Nick meu amor... — ela abriu seu maior sorriso e o menino a olhou com curiosidade. Logo esboçando um sorriso.
— Está linda, tia Ino. — ele disse fazendo-a suspirar. O menino era definitivamente um amor de pessoa. Queria muito que seus filhos com Gaara fossem parecidos com ele. A noiva andou até a criança e abaixou-se ao lado dele com certa dificuldade devido ao vestido.
— Você também! Meu daminho de honra... — piscou os longos cílios loiros e o mesmo fez bico.
— Tia! Isso é coisa de menininha! — virou o rosto com os pequenos bracinhos cruzados e o cenho franzido. A birra causou riso em todos os presentes. Até Shikamaru esboçou um sorriso preguiçoso.
— Ah... Não, não, não! É meu rapazinho! — ela se corrigiu e ele arqueou as sobrancelhas e a olhou de canto com uma expressão de quem não havia cedido, mas controlava-se para não rir. Ino não se conteve com a fofura e o abraçou fortemente, depositando um beijo estalado na bochecha de Hizashi.
— Ino! — Tenten reclamou. — Vai sujar ele todo de batom... — bufou ao ver a noiva lhe olhar com tom de provocação. Os demais riram ainda mais da expressão irritada da Mitsashi.
— Parem vocês... — Temari interviu. — É um dia feliz! — foi até a mesinha da sala e pegou sua bolsa, retirando de dentro da mesma um lencinho de seda branco. — Vem limpar isso Nícolas, não que aparecer na igreja assim, né? — ela falou ao sentar-se no sofá, lado a lado com o namorado.
O pequeno Hyuuga sorriu e pulou da cadeira em que se encontrava, logo correndo para o colo da madrinha. A Sabaku limpou com certa dificuldade a marca do batom vermelho da pele quase pálida do garoto. Tomou todo o cuidado do mundo para não sujar o terninho do menino.
Após terminar de limpa-lo. A loira tocou o queixo de Hizashi e forçou um pouco o mesmo, forçando-o a fitá-la. Olhou com carinho para o rosto de seu afilhado. Nícolas era a cópia perfeita de Neji, mas em miniatura. Os intensos olhos perolados davam um charme único ao rosto pálido e de feições gentis, quase angelicais. Muito puro, muito inocente. Os longos cabelos que também puxaram ao pai, dava o contraste necessário para torná-lo um ser quase inumano, puro.
— Você parece um Anjo, sabia? — ela disse olhando-o com um amor fraternal. Ele esboçou um sorriso e piscou as orbes peroladas.
— Você não faz ideia do quanto... — Shikamaru falou ironicamente no meio de bocejo. Ino, Tenten e Hinata acabaram rindo discretamente do comentário. O que fez a loira olhá-lo com irritação.
— O que está insinuando, seu cabeça de abacaxi? — ela jogou entredentes. Ele ergueu as mãos em sinal de rendição e arregalou um pouco os olhos negros. A campainha do apartamento tocou, chamando a atenção de todos.
— Ah... Deve ser o Naruto. — Hinata disse com um meio sorriso e olhando para os demais. — Eu atendo... — ruborizou um pouco ao ver os olhares sugestivos de Ino e Tenten.
Dito e feito. Ao abrir a porta a Hyuuga se depara com o namorado que estava ofegante, parecia ter corrido bastante para chegar até ali. Naruto respirou fundo várias vezes antes de falar.
— Finalmente! — Ino abriu os braços olhando para o loiro.
— Na-Naruto... O que houve com você? — questionou Hinata preocupada. O mesmo sorriu para a azulada e beijou-lhe os lábios rapidamente, deixando a Hyuuga ainda mais corada.
— O transito tá horrível! — exclamou assim que conseguiu falar. — Parece que todo mundo resolveu andar de carro hoje... Tive que descer do táxi e vim correndo, caso contrário não chegaria nunca. — ele fez birra e respirou fundo mais uma vez. Hinata afagou-lhe os ombros com carinho.
— Viu Ino? E você aí falando mal dele... — Tenten se pronunciou, recebendo um olhar mortal da loira. Riu.
— MAS COMO ASSIM? — gritou ela voltando sua atenção para o Uzumaki. — E agora, como eu vou para a igreja? — choramingou. — Os deuses não querem me ver casada... — andou praticamente rastejando até uma poltrona vazia da sala. Jogando-se na mesma. — Querem que eu fique encalhada pra sempre... Que eu fique pra titia... — e ela realmente parecia estar a ponto de chorar.
— Céus... Isso tá parecendo mais final triste de novela dramaturga. — Shikamaru resmungou se levantando. — Não precisa disso, Ino.
— Ah... Não? — ela o olhou com os olhos faiscando. — Fala isso porque não é você que não vai casar... — dramatizou e o irmão revirou os olhos.
— É só fazermos a volta na cidade! — falou como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
— Mas isso demoraria pelo menos duas horas... — Naruto interviu com cara de poucos amigos. Odiava dirigir, mas ele ficara responsável em levar as madrinhas e Tenten para igreja. Já Shikamaru levaria Ino e o pequeno Nícolas num carro mais atrás.
— É a única solução... — deu de ombros e pôs as mãos dentro do bolso da calça.
— Então vamos logo! — Temari levantou-se com Nícolas nos braços. Mesmo que ele já fosse grandinho, para ela sempre seria uma criança pequena e frágil. Mas a pedidos do mesmo que estava constrangido com a situação, ela o colocou no chão.
— Vamos! — Ino levantou-se num pulo e um sorriso largo. — Mas antes vou buscar minhas coisas para me retocar no carro... — falou segurando a saia de seu vestido branco e correndo para o quarto de Gaara.
— NARUTO, SOLTA ISSO JÁ! — Temari gritou do nada e assustando o Uzumaki que encontrava-se abraçado a Hyuuga. O casal se entreolhou com curiosidade e sem entender a situação.
— O que eu fiz? — ele indagou ao ver a Sabaku andar até um local da cozinha e abaixar-se pegando algo.
— Não estou falando com você... — ela disse sorridente e virando-se, mostrando o filhote de cão que Kiba havia lhe dado. — Estava falando com meu cãozinho... — abraçou-se ao bichinho que havia acabado de tomar um banho. O primeiro de sua vida.
Naruto — o humano... Ou melhor, o Anjo com um Demônio aprisionado em seu corpo — olhava para a loira com a boca aberta em um perfeito "Oh" de tão abobalhado que estava. Havia entendido direito?
— Colocou o nome do seu cachorro de Naruto? — arqueou uma sobrancelha loira e Sabaku riu assentindo. — Por que? — quis pondo as mãos nos quadris e bufando irritado. Os demais acabaram rindo da situação, nem Hinata sabia daquilo.
— Sim...! — exclamou animada e se aproximando com o filhote nos braços. Colocou o mesmo próximo do rosto do loiro e continuou: — Veja... Ele não tem cara de Naruto? — piscou as orbes esverdeadas. O filhote emitiu um latido fraco para o loiro.
— Mas... Mas... — o Uzumaki simplesmente não sabia o que dizer.
— Pronto! Vamos! — Ino voltou, havia se arrumado no quarto mesmo. Mas em suas mãos ela carregava uma pequena bolsinha de couro preta, para o caso de precisar de algo mais até a hora da festa.
— Não acredito nisso... — choramingou Naruto e sentiu seu braço ser puxado por Hinata que controlava-se para não rir da expressão chorosa do amado.
— Vamos logo, pessoal... — ela disse tentando manter-se séria.
Logo todos saíram do apartamento e seguiram para a igreja. A cerimônia e a festa como um todo fora algo lindo. Quem pegou o buquê de Ino foi Tenten, mesmo que não quisesse. Temari por sua vez passou o resto da festa atazanando a amiga e afirmando:
— " Viu... Isso é um aviso! ". — mas o resto da noite aconteceu sem maiores acontecimentos. E a Mitsashi não sabia se ria ou chorava por isso.
***
Após um chamado de Jiraya, que aparecera do além com uma missão para Naruto, o Uzumaki e a Hyuuga voltaram para a mansão onde o antigo Arcanjo se encontrava. Hinata sempre acompanhava o namorado nestas missões. Tinha um medo absurdo do corpo dele ser tomado pelo do Demônio que estava aprisionado no mesmo. Mesmo que seu mestre tenha lhe garantido que isso era impossível.
Já Ino saíra em lua de mel com Gaara. Os dois já estavam há duas semanas foras e aparentemente não pretendiam voltar tão cedo. A ex-Yamanaka e o marido estavam na Europa, mais especificamente Portugal. Entretanto os planos dela era de prolongar ainda mais essas férias. Estava adorando conhecer a cultura dos países e ansiosa para chegar em Paris.
Ocasionalmente, a única pessoa que poderia cuidar de Nícolas naquele momento era Temari. Sua madrinha. A qual aceitara com prazer. A Sabaku estava na casa do namorado, Shikamaru. Aproveitando a pequena reforma que fazia em seu apartamento após a saída de Gaara.
Era início de madrugada quando Tenten recebeu uma ligação urgente do Hospital em que trabalhava, o qual solicitava sua presença de imediato. Como uma médica de plantão, a Mitsashi tinha que estar preparada para qualquer tipo de situação. Todavia, por já ter trabalhado naquele dia, ela ganhava uma folga.
Para seu azar um médico que ocupava o horário havia sofrido um acidente em casa e não pudera ir. Em troca ela receberia uma bonificação extra pelo tempo de trabalho exercido.
Não podia ligar para a babá temporária que havia contratado para ficar com Nícolas, já era início de madrugada e a mulher de quase quarenta anos não teria condições de ir até sua casa. Recorrer a sua melhor amiga fora a única saída que encontrara.
Haviam acabado de chegar na casa em que Shikamaru morava. O local mais parecia uma espécie de kitnet. A rua não era tão movimentada, ainda mais numa hora daquelas. E do outro lado da mesma havia um pequeno bosque em preservação.
— Vamos meu amor, sua madrinha está te esperando. — chamou Tenten incentivando o sonolento filho a sair do carro. Hizashi cochilava no banco de passageiro.
— ...Tá mãe... — ele disse ainda com os olhinhos fechados e bocejando. Coçou os olhos e saiu do carro num pulo. Sem esperar Tenten ele andou até a porta da casa do Nara. Sua mãe vinha logo atrás.
Ao chegarem lá, a Mitsashi tocou a campainha e aguardou uma resposta. Notou que Nícolas estava um tanto quanto quieto, mais parecia em alerta com algo.
— Nick? O que houve? — indagou ao vê-lo olhar para o ponto distante de onde estavam. O cenho do menino se franziu minimamente. Com uma discrição além de sua idade, o pequeno Hyuuga virou-se para a mão e indagou:
— Mãe... — sussurrou. As sobrancelhas de Tenten se arquearam como um incentivo para que ele continuasse. Hizashi Nícolas estava sussurrando. — Quem é aquele homem que está olhando pra nós? — a pergunta, por mais inocente que fosse, fez um frio percorrer a espinha da Mitsashi.
Tenten travou olhando para seu filho. Seu coração parou por um milésimo de segundo e logo em seguida bateu numa velocidade ímpar. Sentiu também um nervosismo tomar conta de si. Seria um inimigo? Seria algum Anjo atrás dela ou de seu precioso filho? Um Demônio? Seria Neji?
Ao pensar na última possibilidade, os olhos da Mitsashi piscaram durante alguns segundos e ela rapidamente se virou na direção que ele indicara. Seria ele? Depois de tantos anos, Neji havia voltado? Mas as orbes castanhas nada detectaram.
Não soube se o sentimento que se apossou de seu corpo era algo explicável. O desespero e horror de nunca mais poder falar com ele. Descobriu ali, depois de longos seis anos, que não importa o tempo que passasse... Sempre o amaria. Sempre teria esperanças de seu retorno.
Antes eram só possibilidades.
Apesar de ter seu filho. Tenten ainda se sentia vazia por dentro. Lutava contra tudo de ruim para poder sustentar e proteger Nícolas. Tinha o apoio das amigas e era independente. Era uma médica com um futuro brilhante. Pessoas lhe procuravam todos os dias para agradecer-lhe por algo que ela tivesse feito, ou salvado a vida de alguém que o dito cujo conhecesse.
A sensação era indescritível. A felicidade e o carinho que essas pessoas passavam só lhe fazia ver como vali a pena ter escolhido aquele curso. Deveria ser uma pessoa muito feliz, não?
Mas é difícil ser feliz quando sua alma está quebrada e o coração vazio. Na verdade, em casos assim, não há felicidade. Apenas uma alegria, que é diferente. Ficar ou estar alegre é algo momentâneo, passageiro, e que logo se acaba. Algo fugaz e que facilmente esquecemos. Já a felicidade é algo que sempre almejamos alcançar, felicidade não é ficar feliz ou estar feliz. É ser feliz. Independente das circunstâncias carregar um sorriso no rosto e pensamentos positivos.
Muitas pessoas confundem.
— Mãe...? Por que está chorando? — a voz aguda e tristonha de Nícolas lhe tirou do breve transe. Tenten piscou algumas vezes para voltar a realidade e logo tratou de limpar as lágrimas antes que estas escorressem pelo seu rosto. Tinha que ter foco, estava indo trabalhar.
— Não... Não é nada meu Anjo. — ela disse afagando os cabelos lisos do filho e com um meio sorriso.
Sim, Neji havia partido, ela tinha que conviver com essa culpa pra sempre. Mas antes de ir lhe dera um presente com um laço eterno, seu filho.
A porta se abriu e mãe e filho se voltaram na direção da loira que vestia uma camisola de seda longa. Tenten se despediu do filho e deu as devidas recomendações a Temari que só se preocupou em abraçar o menino.
Logo depois a Mitsashi partiu para o Hospital em seu carro recém-comprado. A mente trabalhando a mil na vã tentativa de se esquecer daquele que um dia lhe ensinara o real significado de ser feliz, e a diferença que isso tinha de estar alegre.
***
Tenten caminhava pelos corredores do Hospital sem olhar direito por onde andava. Já passava das duas da manhã quando acabara de fazer as visitas noturnas aos pacientes. Seu corpo estava cansado pelo pouco que dormira, mas ela tentava se manter de pé.
Os olhos castanhos estavam fixos no chão. Não se preocupava com o fato de esbarrar em alguém, afinal, naquele horário não haviam muitas pessoas circulando pelo local.
Havia recebido uma mensagem recente de Temari, a qual a Sabaku informava que após sua saída, Nícolas parecia ter pedido o sono. E só caíra na cama naquele instante. Sorriu de canto pensando na cena, sua amiga era uma pessoa maravilhosa. Não merecia não saber da verdade e por muitas vezes teve vontade de conta-la. Entretanto a Mitsashi temia as consequências e principalmente a reação dela.
— "É melhor deixar as coisas como estão..." — pensou enquanto observava um dos quartos vazios do Hospital.
A morena tinha as duas mãos dentro do bolso do jaleco branco, o qual estava aberto. A roupa — também branca e justa — podia ser vista por dentro da peça. Suas sapatilhas com detalhes dourados por vezes chamava a atenção dos pacientes quando ia visitá-los. Era engraçado lembrar-se. O estetoscópio — aparelho usado para ouvir os batimentos cardíacos — estava envolto no pescoço da doutora. Os cabelos longos e castanhos presos por um coque alto e bem feito. Nada podia ser motivo de distração.
Sentiu um aperto no peito ao continuar vagando pelos corredores silenciosos. Sequer notara quando havia chegado próximo do quarto 107. Cento e sete.
Congelou o passo olhando fixamente para o nada a sua frente. As mãos permaneceram nos bolsos e as orbes castanhas estavam arregaladas. Tenten estava estática. Lembrava-se daquele lugar, daquela sensação. Já não sentia a mesma há pelo menos cinco anos. O tempo em que tivera Hizashi.
Estava sendo sugada para um déjà-vu como há anos não acontecia...
**
— 107? — ele olhou para os lados. — Senhorita, essa numeração se encontra do outro lado do Hospital... — falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e ela arregalou os olhos castanhos.
— Então por que...? — apontou para um dos quartos e em seguida para o outro corredor.
— Eu não sei — sorriu.
— Certo... Obrigada então! — agradeceu e saiu praticamente correndo sem esperar a resposta do rapaz. Já havia bancado a idiota por muito tempo.
Seguiu perguntando a direção à todos os funcionários do Hospital que encontrava. Quando enfim chegou ao corredor correto, surpreendeu-se ao ver de longe uma silhueta máscula e longos cabelos castanhos escuros e lisos. O rapaz estava de costas, mas depois de tanto observa-lo caminhar de um lado para o outro durante a aula, decorou cada pedaço daquele caminho para o pecado em sua mente. Pegou-se observando o professor de Histologia durante alguns segundos, os olhos castanhos miravam a imagem do homem de costas, parecia enfeitiçada.
Os longos cabelos lisos estavam soltos, ainda não se recordava de tê-lo visto assim antes. Sempre o prendia no meio das costas. A cabeça levemente inclinada para o lado enquanto se escorava em uma parede. O maxilar e uma região do pescoço alvo estavam visíveis. Os braços cruzados em frente ao corpo deixavam os músculos em evidencia, e aquela blusa de manga longa e justa não ajudavam a situação da Mitsashi em voltar à realidade. A calça jeans escura quase colavam em suas pernas grossas, parecia até resultado de anos de treinamento ou academia. Ele praticava algum esporte? E aquela bundinha... Que vontade que teve de aperta-la. Mordeu o lábio inferior e sentiu os músculos abaixo do ventre se contraírem. O Hyuuga se mexeu e ela voltou sua atenção para seu rosto. Havia inclinado ainda mais a cabeça, não soube diferenciar se era o formato perfeito de seu rosto ou um sorriso que brincava ali. Ele, sorrindo? Descartou essa possibilidade.
Por outro lado Neji já sabia da presença da Mitsashi, estava se deliciando por vê-la ali, tão extasiada apenas com sua visão de costas. Fingia-se de desentendido, tentava manter seu disfarce. Seu alto nível de percepção e a visão, audição e tato aguçados o fizeram se tornar o melhor guerreiro de seu Clã. E agora abusava dessas qualidades para saber o quão desejosa a morena estava. Jurou pra si mesmo que quase a ouviu gemer, mas o som saiu abafado. Era como se ela estivesse colocado a mão na boca ou... Droga Mitsashi! Ela mordeu o lábio daquele jeito que testava a sanidade do moreno. Inalou e exalou lentamente o ar dos pulmões, tentava ao máximo manter o controle. Mas aquilo já era demais.
— "Vamos, volte pra realidade... Ou eu vou te fazer se perder nos meus sonhos" — falou mentalmente inclinando ainda mais a cabeça. Na intenção de fazer a Mitsashi acordar.
E pareceu funcionar. A morena piscou algumas vezes e balançou a cabeça de um lado para o outro. Sentia o corpo febril e a respiração descompassada. Ela abraçou ao próprio corpo na intenção do fugir dos pensamentos eróticos que acabara de ter com o Hyuuga.
— "Meu Deus, ele é meu professor. Mas desse jeito vou acabar reprovando na cadeira dele" — pensou. Após sentir-se mais calma, ela caminhou a passos longos em sua direção. Sentiu uma imensa vontade de perguntar o que ele estava fazendo ali. — " Está me seguindo, Hyuuga? "
— Professor! — chamou num tom amigável até demais. O rapaz sentiu-se aliviado e virou-se na direção da garota. Olhando-a como se estivesse surpreso por vê-la ali.
— Senhorita Mitsashi — sua voz aveludada enganaria qualquer um. — O que faz aqui? — arqueou minimamente a sobrancelha e ela arregalou os olhos.
— "Será que ele suspeita que eu estava admirando-o por trás e está só fingindo?" — a duvida precipitou e ela respondeu rapidamente: — Vim visitar a Hinata.
— Hm... — ele parecia analisa-la.
**
Ele parecia analisa-la. Ele parecia analisa-la. Ele parecia analisa-la.
Saiu do transe num susto repentino e por instinto recuou alguns passos. Céus! Como pudera ser tão tola? É claro! Aquele era o mesmo hospital ao qual um dia Gaara ficou internado. O mesmo em que também Hinata ficara após ser nocauteada por ele.
Era uma sensação muito esquisita. Tenten era capaz de ainda sentir as orbes peroladas lhe observando.
Olhou mais uma vez na direção do corredor. Era muito estranho sentir aquilo. Seu coração estava acelerado. Podia ouvi-lo bombear o sangue para todo o seu corpo num misto de adrenalina e nervosismo.
Sentiu suas pernas fraquejarem e ajoelhou-se apoiando uma mão no chão e a outra na testa.
Aqueles sentimentos estavam voltando... Tenten achava que havia se libertado daquilo com o adeus de Neji. Mas não, permaneceram lá. Ainda mais vivos que nunca.
Uma forte latência atingiu sua têmpora e ela fechou os olhos com força, gemendo de dor. Foi quando finalmente sentiu uma mão trazê-la de volta para a realidade.
Alguém segurava seu braço e parecia lhe chamar. Mas a voz era distante, como se esta não pertencesse a este mundo. Todavia, podia jurar... Era estranhamente familiar.
Piscou algumas vezes e abriu os olhos na direção da pessoa que lhe chamava. Sentiu o sangue gelar e sua pele empalideceu com a visão. Não podia acreditar no que estava vendo, não podia... Era ele! Tão lindo quanto antes.
— Neji... — sussurrou quase sem voz e sentindo os olhos lacrimejarem. Os olhos perolados lhe observavam com certo espanto. Por que? O moreno franziu o cenho e inclinou um pouco a cabeça para observa-lhe melhor, os fios lisos e sedosos ocasionalmente também caíram sob os ombros fortes e másculos, ainda mais malhados que antes. Ele havia treinado? Como podia ficar ainda maior do que era?
Num ato desesperado ela ergueu uma mão e tentou tocar-lhe os cabelos. Sentir seu cheiro, um abraço, um toque ou um beijo. Qualquer coisa para acalmar seu coração já tão ferido e amedrontado. Amedrontado com a possibilidade de não vê-lo nunca mais.
— Tenten... — ele lhe chamava enquanto ela tentava sentir a maciez dos fios. Mas não os encontrava, os viam, mas não conseguia tocá-los. Era como tentar segurar o vento com as mãos. Aos poucos o medo voltou a atormentá-la. O que estava acontecendo? — Tenten... O que houve? — ele perguntou. Os olhos castanhos se ergueram, tão trêmulos e desfocados. Tenten tentava inutilmente preservar a imagem do seu único amor. Mas era ilógico, sem sentido. Aos poucos as orbes peroladas de Neji se ganhavam um tom cor de mel e felinas. Os longos cabelos lisos e sedosos, agora eram repicados e curtos até os ombros. O rosto único do Hyuuga dava lugar ao feroz e jovial do Inuzuka.
Não era ele... Nunca foi. Neji nunca estivera ali. Fora apenas mais uma de suas antigas ilusões. Com um desgosto descomunal, a Mitsashi deixou que algumas lágrimas teimosas de saudades percorressem sua face angelical. O que cortou o coração do moreno.
— Kiba... — ela sussurrou com os olhos baixos e a visão embaçada pelas lágrimas salgadas. Estava sentada no chão e o Inuzuka abaixado ao seu lado, segurando seus ombros.
— Oi Ten... O que houve contigo? — ele aparentava estar realmente preocupado com o estado da amiga por quem era apaixonado. — Por que está chorando? E quem é Neji?... — ele franziu o cenho. — Esse nome não é estranho... — falou pensativo.
Mas a aparição de uma mulher desesperada no corredor o despertou de seus devaneios.
— Pelo amor de Deus! — exclamou ela extremamente nervosa. — Minha filha está passando muito mal... Muito mal... Por favor ajudem! — implorou chorando muito.
Kiba entrou em alerta e prontamente se levantou, ajudando a Mitsashi a fazer o mesmo. Esqueceu-se totalmente do ocorrido. Ambos tinham um trabalho de urgência para fazerem.
***
— Obrigada Kiba. — agradeceu Tenten pegando a xícara de café fumegante. Haviam acabado de atender a filha da mulher que chegara gritando e chamando por ajuda. E isso custou-lhes um bom tempo. A menina precisou de uma cirurgia urgente e mesmo sem aptidão para ser cirurgiã, a morena insistiu em prestar assistência. Afinal, não haviam muitos médicos e enfermeiros no momento.
Estavam na cozinha do Hospital. O Inuzuka ficara preocupado com o estado que encontrara Tenten, mesmo com a Mitsashi afirmando que estava tudo bem. Levou-a para lá e insistiu que ela tomasse um café amargo para manter-se acordada. Seu plantão terminaria em poucos minutos, já estava prestes a amanhecer, mas ele se preocupava com a volta dela para casa. Temia que ela dormisse no volante.
Não seria um caso incomum. Muito pelo contrário, era um dos mais normais durante a madruga e início de manhã.
— Bebe tudo... — ele falou retirando o jaleco e colocando-o pendurado atrás da porta. Andou até a morena e ficou de frente para ela com os braços cruzados e escorado no balcão. Ela apenas assentiu e pegou com cuidado na xícara quente, levando-a até a boca e soprando com cuidado. Espalhando fumaça e bebericando aos poucos. — E então? — ele arqueou uma sobrancelha e ela franziu o sua. Estava sentada ao lado do balcão que se escorava. Rapidamente colocou a xícara sob o mesmo. — Esse tal de Neji... — ele falou pensativo. Tenten respirou fundo e revirou os olhos. Tudo o que menos queria era se explicar para o moreno. — ... Foi nosso professor substituto durante um tempo na faculdade, né? — ele mantinha uma mão no queixo pensativo.
Tenten suspirou e se levantou, caminhando até uma janela próxima e com os braços cruzados. O tempo havia lhe separado de Kiba, não se sentia tão íntima com ele como antes. Mesmo que ele teimasse em dizer que nada havia mudado. Tudo mudou. A vida quase que lhe obrigou a manter apenas os essenciais por perto. Pessoas que sabiam de seu segredo... E bem, a única que fugia a regra era Temari.
Havia aprendido com a ajuda de Hinata e vários meses de terapia, a controlar as emoções e não fazer chover, relampejar ou trovejar sempre que chorasse. Isso havia sido fácil. Complicado mesmo foi os déjà-vus, o qual por sinal ela achara que havia se livrado... Ledo engano.
— Esqueça isso... — disse simplesmente observando entre os arranha-céus, o sol que começava a despontar no leste.
Seu coração se apertava só por lembrar que não era ele. Seu Neji. Nunca fora. Doía mais ainda saber que não sabia onde encontrá-lo. Que talvez nunca mais se encontrassem... Era um sentimento desesperador. Afinal, é fácil matar uma carência com qualquer um. Mas saudade só se domina com o causador dela.
— Como assim não quer falar sobre isso? — ele aparentava estar irritado, o que causou certo desconforto na morena e fazia sua paciência se extinguir. Respirou fundo e lentamente enquanto semicerrava as orbes castanhas. — Tenten você anda muito estranha e...
— Isso não te diz respeito! — virou-se com os punhos cerrados e tentando manter a compostura. Kiba era insistente demais.
Diferente do que imaginava, lembrar do moreno ainda lhe causava sensações difíceis de distinguir e deduzir ao certo. Era incrível como se sentia tão ligada ao Hyuuga, independente de tudo. Era como se o tempo não tivesse lhe apagado a imagem dele da memória. Muito menos do peito.
— ... Tenten o que você... Espera um momento... — Kiba lhe olhava totalmente confuso, mas parecia ligar os pontos. — Já entendi tudo... — ele falou como se uma luz clareasse sua mente. — Sim... Isso mesmo! Era muito estranho... Muito estranho seu filho ter um pai desaparecido... Não? — cruzou os braços e ela engoliu em seco. — Ele se parece com a Hinata, mas não é como se fosse filho dela com aquele loiro. — piscou algumas vezes. — Tudo bate! — exclamou mirando o chão. Parecia fazer as contas e continuar a ligar os pontos mentalmente. — Ele apareceu, você ficava toda estranha na presença dele... Era desejo Tenten? — voltou a mira-la, seus olhos felinos haviam se tornado furiosos. Ciumentos. Ela recuou o passo por instinto diante da expressão acusadora e encontrou a parede com a janela atrás de si. — E aí ele some! Você aparece grávida... Sem contar que o Nícolas é a figura escrita daquele homem. — elevou o tom e ela falou com o dedo enriste:
— Fala baixo! — bufou mirando-o com um ódio mortal.
— Por que? — ele indagou aproximando-se dela lentamente. — Tem vergonha de dizer que foi abandonada esperando um filho dele, Tenten? — disse as últimas palavras muito próximo do rosto da morena que permanecia com um ódio incomum em sua expressão. Kiba estava cego de ciúmes.
Logo em seguida sentiu a região da maçã da face arder e um impacto força-lo a virar o rosto. Havia levado um belo tapa da morena. Por instinto levou a mão até a região e a olhou como se a dita cuja fosse louca.
— Nunca mais abra essa sua boca pra falar coisas que não sabe, Inuzuka! — ela exclamou entredentes e com uma expressão desafiadora.
Logo em seguida seguiu para fora dali sem olhar pra trás.
***
Andando novamente pelos corredores do Hospital, Tenten já não era mais capaz de esconder as lágrimas que marcavam seu rosto. Aquela sensação machucava demais. Saber que aquilo era a realidade e não um simples pesadelo, lhe assustava ainda mais. Só aumentava seu desespero. Diante de tudo, a briga com Kiba também não colaborava em nada.
Já haviam pessoas rondando o local, o horário de visitas ali se iniciava as cinco da manhã para pessoas que trabalhavam o dia todo. Essas mesmas pessoas olharam chocadas para a mulher vestida de branco e com um jaleco da mesma cor, andando com um choro audível na direção do estacionamento. Havia acabado de passar pela sala de espera, encaminhava-se para o corredor de acesso a saída, aos elevadores e também a escada que era restrita aos funcionários. A qual a mesma levava até a cobertura do Hospital. Diferente da outra que era para os pacientes, acompanhantes e visitantes. A tal escada também servia como uma "Escada de Emergência". Para quando não houvesse outra forma de chegar rapidamente em um dos andares onde um paciente necessitasse de atendimento urgente. Como fora o caso mais cedo.
Enquanto passava apressada pelo prédio de paredes brancas e madeiras marrons, Tenten lembrou-se de uma conversa que tivera com Tsunade no dia em que esta viera a terra visitar o túmulo de Dan. A Mitsashi ainda era gestante com quase nove meses. Mas fez questão de acompanha-la. Queria saber mais sobre a mulher que fora o amor da vida de seu pai.
— " As vezes você perdoa uma pessoa porque a falta que ela faz em sua vida é maior do que o erro que ela cometeu... Só quem ama de verdade sente saudades, Tenten. Saiba... Se duas pessoas estão predestinadas a ficarem juntas, eventualmente, elas encontram o caminho que as levam uma para a outra... Mesmo que não acredite nisso. " — sorriu olhando de canto a morena que tinha os olhos cheios de lágrimas enquanto olhava para o túmulo do pai.
— " Acha que algum dia ele vai voltar? " — questionou pondo as mãos no peito e sentindo o mesmo se apertar. Era como se aquela resposta definisse a sua vida. Tsunade sorriu tristonha e baixou a cabeça, alguns fios loiros cobriram seu rosto.
— " Se ele te amava mesmo, sim. Ele vai voltar... " — ela respondeu. — " A única forma de separar um amor verdadeiro é a morte, minha linda... E as vezes o sentimento supera qualquer coisa. Até a maior certeza que temos, mesmo nós que somos imortais também estamos propícios a ela. " — franziu o cenho loiro. Agora foi a vez da Mitsashi sorrir tristemente.
— " Tsunade... Para onde vão os Anjos? ".
Com as lágrimas lhe borrando ainda mais a visão e com as mãos no peito que latejava cada vez mais, Tenten acabou esbarrando em um homem sem querer. O impacto a fez voltar a realidade e olhou na direção de um senhor de meia idade que sequer se dera o trabalho de falar algo. Apenas continuou andando.
— Desculpe... — ela falou o mais alto que pode. O que não foi suficiente para chegar aos ouvidos do mesmo. Mas novamente voltou a andar.
Foi quando sentiu um sentimento evasivo tomar conta de si. Parecia prestes a ter mais um déjà-vu, e por instinto parou no meio do corredor.
Diferente do que imaginava, Tenten não mergulhou em um passado distante. Apenas permaneceu ali parada com as mãos no peito que agora tentava conter o coração que batia acelerado. Não conseguia mais derramar uma única lágrima de tristeza. A calmaria e a paz que se apossou subitamente de sua alma era algo indescritível. A sensação era de ser abraçada por uma força divina... Mas fora apenas um toque. Um esbarrão.
Virou-se lentamente na tentativa de ver o senhor que quase havia derrubado sem prestar atenção. A alma de Tenten estava revigorada como há anos não estivera. Como a última vez em que se sentiu feliz ao lado ele.
Observou o homem — que deveria ter pelo menos uns sessenta anos se julgasse pela aparência, mas que certamente teria muito mais — andar calmamente para longe de si. A cena como um todo era captada pelos olhos da morena como em um filme em câmera lenta. Olhando assim, ele parecia um idoso tão inocente e como qualquer outro que se consultava ali todas as sextas afim de verificarem suas pressões.
Mas não... Havia algo nele que lhe diferenciava de todos. Tenten reconheceria aquele perfume em qualquer lugar.
— Ei... Senhor! — ela o chamou, o mesmo já estava a uma distância considerável e parecia não escuta-la. Ou estava lhe ignorando... Que audácia! Ela não se daria por vencida.
Sem pensar duas vezes a morena foi atrás dele. Surpreendo-se ao vê-lo abrir a porta da escada de emergência e adentrar a mesma sem olha-la. Parou durante alguns segundos parecendo digerir o estranho acontecimento. Mas logo sua mente estalou e ela piscou os olhos, logo seguiu pelo mesmo caminho.
Assim que entrou na pequena saleta com duas escadas, uma para cima e outra para baixo, Tenten olhou por todos os lados e viu o homem de cabelos branqueados subindo cada vez mais. Parecia querer chegar na cobertura.
Seria estranho pensar que um homem com aparência de tal idade tivesse tanto fôlego para subir aqueles pelo menos dez lances de escadas. Mas ela sabia que para aquele em especial, não era bem assim. A morena havia novamente pensado tanto, que perdera o senhor de vista. Ficando exasperada no processo.
Continuou a subir os degraus de ferro e concreto, cada vez mais alto, cada vez mais cansativo. Quando finalmente estava quase no lance de escadas mais alto, conseguiu vê-lo novamente.
— EI! — chamou num tom mais alto ao ver o mesmo tocar a maçaneta da porta que, como suspeitara, levava para a cobertura do Hospital. E ao contrário do que ela esperava, ele não lhe respondeu, apenas abriu a porta e saiu.
A Mitsashi grunhiu exasperada e frustrada, estava literalmente sendo ignorada. Cerrou os punhos e sentiu um arrepio percorrer sua espinha, o qual lhe deixou elétrica e deu-lhe força de vontade para continuar a seguir o dito cujo. E assim o fez. As lágrimas já haviam secado, apenas seus olhos permaneciam um pouco avermelhados como consequência.
Num impulso rápido ela terminou de subir as escadas e passou pela mesma porta que o homem havia deixado entreaberta. Quase como um convite silencioso para que ela também passasse pela mesma.
Assim que chegou no local com chão de lage, sentiu a brisa leve de início de manhã bater no rosto e lavar-lhe a alma pela segunda vez naquele dia. Era estranho ser intuitiva assim, talvez ela nunca se acostumasse. Fechou os olhos com a sensação gostosa de ter o vazio em seu peito preenchido e ao voltar a abri-los deparou-se com a visão que tanto desejou por anos e fez os seus batimentos cardíacos acelerarem de uma maneira assustadora.
Estaria alucinando outra vez? Seria mais um déjà-vu? Poderia ser?
Suas pernas estavam trêmulas de emoção. Começou a dar passos lentos, — os quais pareciam temer pisar no chão e o mesmo desaparecer — e novamente ela quis chorar, mas dessa vez de alegria. Como se um ímã lhe puxasse na direção dele, Tenten continuou caminhando lentamente até o Anjo com longos cabelos lisos e castanho-escuro, negros em certos momentos, os quais esvoaçavam com o vento matinal. Estava soltos. Livres. O cheiro característico que vinha do mesmo até suas narinas, convidava-lhe a provar mais daquele sabor através do olfato.
Ele estava parado na extremidade leste do Hospital. Estava virado de costas para ela e fitava o horizonte, o sol quente que nascia entre os arranha-céus de Tókio parecia sorrir para os dois.
Suas mãos estavam dentro do bolso da calça e os braços fortes deixavam os músculos em evidência. Exatamente como ela se lembrava. Sua roupa era um pouco justa, o que permitia que as orbes castanhas admirassem a visão dos deuses que era o corpo dele.
Ergueu o braço direito lentamente na intenção de poder tocá-lo, como se quisesse sentir que aquilo finalmente era real.
Mas ao chegar perto o suficiente, parou. Tenten saiu do transe e era como se não conseguisse dar nenhum passo mais na direção dele. Seu coração falhou algumas batidas, a sensação era que ela precisava de algum tipo permissão para poder tocá-lo. O braço caiu ao lado do corpo no mesmo instante. Como se o moreno estivesse protegido por alguma espécia de bolha invisível e impermeável.
— O que me denunciou? — ele indagou sem se virar. Ela piscou assustada com a fala repentina. Novamente os seus batimentos cardíacos desaceleraram, para logo em seguida baterem com força total.
Fechou os olhos deixando o timbre grave da voz adentrar seus tímpanos e sorriu fracamente enquanto emitia soluços mudos de um pré-choro. Dentro da cabeça da Mitsashi, a voz ressonava como um eco infinito e agradável, o qual fazia todos os pelos de seu corpo eriçarem e uma quentura agradável se instalar abaixo de seu ventre. Como há muito não sentia.
Foi então que se deu conta que precisava responder.
Piscou algumas vezes outra vez.
— S-Seu perfume... — ela disse num sussurro. Algo dentro dela ainda parecia duvidar que ele estava ali. Das duas uma, ou era uma simples ilusão, ou Neji não estava ali por inteiro. Como um dia esteve com ela. E a segunda dedução machucou. Machucou imaginar que ele não era mais o mesmo de antes.
Todavia, antes que pudesse dizer algo, ele se virou. Se virou para fitá-la e ela só conseguiu erguer a cabeça e olhar as orbes peroladas com os olhos arregalados. Assim como sentia e demonstrava sua respiração deveras descompassada.
As orbes castanhas puderam finalmente contemplar o brilho que as peroladas possuíam. Depois de seis anos. Depois de seis primaveras; seis outonos; seis verões e seis invernos; Depois de mais de três milhões de segundos; Uma média de cinquenta e duas mil, quinhentas e sessenta horas; Quase dois mil, cento e nove dias; Mais ou menos trezentas e doze semanas; E exatamente setenta e dois meses... Ele estava ali. De novo.
Não era um sonho, um déjà-vu ou um desejo seu. Era real.
Semicerrou os olhos tentando conter as lágrimas compulsivas, mas não era capaz. Deu vazão aos sentimentos que lhe assombraram por longos seis anos e acabou chorando. Chorou... Como uma criança imatura e com medo do escuro... Na frente de Neji. Chorou.
— O que foi? — ouviu novamente sua voz grave. Mas aparentemente ele tentava não ser arrogante. A morena por sua vez escondeu o rosto entre as mãos, mas os soluços compulsivos eram muito bem audíveis aos ouvidos treinados do melhor guerreiro que um dia o Clã Hyuuga já tivera. O mesmo teve que usar todo o seu autocontrole para não se aproximar e abraça-la, colar seu corpo diminuto junto ao seu, afagar-lhe os cabelos e limpar as lágrimas com suas mãos. Logo depois ter que se controlar para não beija-la, não leva-la dali como um louco ou transar com ela ali mesmo. Não poderia colocar em risco tudo. Não poderia por tudo a perder. Não depois daqueles malditos seis anos. Os mesmos seis anos que conseguiram ser piores que a eternidade em que viveu sendo um amaldiçoado. Os longos seis anos em que passou sem poder tocar Tenten.
Ela lhe deixava louco mesmo quando ele julgava estar no ápice de sua loucura, sua lucidez. Ela era sua chave. E nem mesmo a sua maldição era tão eloquente quanto ela. Tenten na verdade, era sua utopia. Era o seu sonho real.
— V-V-Vo... Você voltou! — ela exclamou. Tendo que tomar fôlego para falar sem gaguejar. O cenho do Hyuuga se franziu minimamente e ela notou, o que a fez entrar em alerta e voltar a observa-lo melhor.
Sentindo o peso dos olhos dela sobre si, Neji virou o rosto novamente na direção a qual o sol despontava seus raios dourados, misturando-se ao azul celeste e divino. As nuvens brancas ganhando tonalidades diferentes. Um verdadeiro espetáculo. Ele abriu a boca para falar e no mesmo instante ela engoliu em seco, já temendo o pior.
— Eu nunca fui embora, Tenten. — respondeu.
[...] Para um novo tempo começar.
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