Amaldiçoado

23 Capítulo XXIII - A Thousand Years


Notas iniciais
Olá... Bem, sinceramente eu pensei em mil formas de chegar aqui e fazer isso. Eu pensei em simplesmente dizer, "É o fim, acabou. Obrigada por tudo. ", Eu pensei também em pesquisar vários textos ou frases reflexivas. Mas aí eu pensei... Não, não é o que eu sinto. O que senti em cada um dos vinte e três capítulos postados. O que eu senti a cada comentário lido. Não... Não seria eu. Não teria emoção. É por isso eu vim aqui com as minhas próprias palavras para falar desse momento... Então perdoem minha infantilidade ou emotismo. Sinceramente, ainda não caiu a ficha de que a fanfic que eu mais amava chegou ao fim. Ela também é, curiosamente, a que eu mais me empenhava para escrever, a que mais me alegrava a cada comentário elogiando o meu trabalho ou simplesmente me incentivando com um simples "Continua...". Eu seria injusta com vocês se também não agradecesse até mesmos aos leitores fantasmas, as pessoas que apenas leem em silêncio, contam como uma visualização a mais e me fazem sentir-me mais importante. Eu agradeço por cada acompanhamento, favorito e recomendação - no último caso do Nyah! -. Em cada etapa dessa, respectivamente falando, nós autores ficamos cada vez mais felizes. " Olha... Uma pessoa a mais ta acompanhando, que bom, será que ele está gostando? Por que ele não comenta? E quando comentam, em certas vezes bate aquele pequeno receio de abrir ou não. O medo repentino de ser depreciada ou elogiada pelo que fez. Um favorito a mais. Tudo bem, na maioria das vezes os comentários incentivam muito mais. Principalmente quando grandes, é verdade e quem disser que não tá mentindo. Mas no fim, como agora, até o simples "Gostei" ou "Continua" vale. Quando é uma recomendação então... Como não pular de alegria? Contando um grande segredo pra vocês, Amaldiçoado não era uma fanfic que eu pretendia levar muito pra frente. Começou muito sem nexo, sem base certa... E cada passo foi dado a medida em que os capítulos eram postados e eu sentia através dos comentários as reações de vocês. Me sentia tão abraçada... Mas enfim, o que dizia é que logo quando postei, eu tinha decidido excluir a fic e deixa-la pra lá. Um dos motivos que me incentivou a continuar - na época ainda postada unicamente no Nyah! fanfiction - , foi uma linda recomendação que eu recebi da 'KingK', a minha Annie, minha Bia s2. Nossa, sério, aquilo me deixou tão feliz gente... Tão feliz. Muito obrigada por estar comigo desde o primeiro capítulo, minha fanática doentia - assim como eu - por NejiTen. E a pessoa que também escuta minhas revoltas e amores por esse casal. Não só a ela, a todos vocês. Todos contribuíram para que eu chegasse até aqui. Sério gente... Eu não vou falar mais não, acho que vocês nem vão ler isso né? - drama de autora com depressão pós-fim-de-fic -. Mas sério, MUITO OBRIGADA POR TUDO! Ps: Sobre o capítulo só informo que haverão duas músicas. A primeira é 'Love Me Like You Do - Ellie Goulding' e a segunda, como o próprio título já diz 'A Thousand Years - Christina Perri'. Seria pedir muito que ouvissem ambas quando chegassem nas respectivas partes? Fariam vocês entrarem no clima. Caso acabe enquanto leem e a parte da música no cap ainda não tenha terminado, ponham no replay. Grata! Boa Leitura e até as notas finais.

Após aquelas palavras o mundo interno de Tenten parou. O tempo congelou, assim como a sua mente. Mas como assim ele nunca havia ido embora? Então... Onde esteve todo esse tempo?

Levou mais algum tempo para conseguir processar mentalmente a informação, após digeri-la. As orbes castanhas, mesmo que embaçadas pelas lágrimas, estavam perdidas. Vagavam de um lado para o outro buscando a melhor forma de continuar aquela conversa.

— P-Por... Que? — indagou involuntariamente assim que conseguiu controlar a própria gaguez. Mas que droga! Nem Hinata agia mais daquela maneira, quem dirá ela?

Ergueu a cabeça fitando as costas etéreas de Neji, o moreno permanecia com as mãos no bolso e fitando o horizonte. O sol longínquo que aos poucos despontava no leste, dava charme a todo o cenário. As nuvens brancas como algodão, pintando-se de dourado e um rosa claro com a chegada daquela enorme estrela de fogo. O céu azul, de tão límpido, completando todo o cenário deslumbrante para os amantes dos mesmos.

Viu ele suspirar, de maneira quase que imperceptível. Os ombros largos, másculos e de braços fortes e musculados, ergueram-se e abaixaram-se com o movimento do tórax. Uma leve brisa atingiu a ambos, fazendo os cabelos longos do Hyuuga esvoaçarem levemente e exalarem mais uma vez seu cheiro amadeirado. Aquele mesmo que tanto instigava e inebriava a Mitsashi, fazendo-a abandonar todos os demais sentidos. Focando apenas no olfato para senti-lo melhor.

— Acho que sabe o motivo... — ele deixou a frase no ar. Parecia extremamente calmo, embora em seu interior, o coração pulsasse de maneira tão forte que era quase audível aos seus ouvidos. Sendo sincero consigo mesmo, Neji era sim capaz de ouvir o pulsar acelerado de seu coração todas as vezes em quê fechava os olhos... Por mais rápido que fosse, ou apenas um piscar. Assim como sentia o frio que partia de sua espinha e se alastrava por todo seu corpo. Sensações assim? Apenas ela era capaz de lhe causar. Passou-se algum tempo e após respirar fundo mais uma vez — na intenção de controlar os sinais visíveis de seu corpo, além das mãos trêmulas —, ele finalmente se virou lentamente para fitar a morena. Perdeu-se nas orbes castanhas assim que seus olhos repousaram sob a mesma. Passaria o dia inteiro assim, mas ela o interrompeu:

— Eu não sei... — sua voz era baixa, confusa. Ele via a boca pequena e carnuda, tão bela, tremer diante da fala incerta. Engoliu em seco e sentiu novamente aquele arrepio percorrer cada célula de seu corpo, eriçando os pelos. Tamanha era a sua vontade de leva-la dali, para nunca mais deixa-la ir embora... Ou permitir que ela lhe deixasse ir.

Mesmo que de forma involuntária, Tenten mordeu o lábio inferior. Daquele jeito... Aquele mesmo jeito que fazia o Hyuuga abandonar cada pingo de sanidade que ele viesse a ter. Por instinto recuou o passo ao ver — em câmera lenta — os dentes brancos e perfeitos da monera, se tornarem a prisão da carne macia que um dia ele tanto beijou, chupou, mordeu... Gozou. Cada parte do corpo diminuto da Mitsashi, havia sido tocada por si, por aqueles breves dias. Dias estes que se passaram tão rápido. Para depois se tornarem suas piores e melhores lembranças... Doía.

Engoliu em seco. Tenten arregalou os olhos assim que viu o Hyuuga se aproximar da beirada do prédio e deixar um pé repousar sob o mesmo. Piscou várias vezes ao vê-lo abrir a boca e puxar ar para os pulmões com certa dificuldade. Os dentes levemente trincados... Era notório seu sofrimento. A visível tentativa de conter os sentimentos que lhe assombraram durante aqueles longos seis anos. Os seis anos mais longos que todos os milhares que ele já vivera antes, como um assassino desgraçado.

— Neji... — ela sussurrou vendo-o menear negativamente. Os olhos levemente arregalados, tal como o cenho franzido. Neji fazia uma cara de louco. Bem... Talvez ele fosse. Talvez tivesse se tornado um após tudo. Mas a pior das torturas foi não ter se aproximado da Mitsashi antes.

Sim, Neji não havia partido... Mas também não estava com ela. Na verdade, ele apenas rondava. Fazia sua segurança. Sabia que sendo o Anjo prodígio, Tenten poderia ser atacada a qualquer momento. Todavia, dentre todos aqueles anos, aquela fora a primeira vez que ele tivera coragem o suficiente para se aproximar e vê-la. Após seis anos, era a primeira vez que ele a via.

— Volta.... Volta pra mim. — ela pediu dando dois passos leves na direção dele. Mas sem quebrar o contato visual. As mãos delicadas dadas em reza. Tenten sentia todas as células de seu corpo clamando por ele mais uma vez. Neji não imaginava a falta assombrosa que fizera.

Mas ele não queria... Ou melhor, não podia. Não podia ser o homem que ela queria, ele não era bom. Nunca seria. Foi ela mesma quem falou, que onde ele vai, pessoas se machucam... Ele não queria que ela se machucasse. Não por conta dele. Ele jamais se perdoaria.

Ainda com a boca entreaberta, Neji acenou negativamente por várias vezes. Mas não conseguia falar, tornou-se mudo. Desaprendeu a fazê-lo no momento em quê mais precisava. Já Tenten sentia e via veementemente o sofrimento do mesmo nas orbes peroladas. Aquelas únicas, que um dia tanto lhe fascinaram. Sua melhor lembrança. Continuou dando passos lentos na direção dele, temia que ele pulasse daquele prédio e novamente batesse as asas para longe de si. Ela não havia aprendido a voar, não quis. Queria se sentir pelo menos um pouco humana. Sendo assim, não poderia segui-lo... E pensando bem, mesmo que soubesse... Talvez não fosse tão rápida quanto o mesmo.

Tenten via a resistência que ele tentava impor. A cada vez que ela se aproximava, ele recuava mais... Ameaçando cair. Piscou levemente, naquela altura ela já havia erguido a mão para tocá-lo, mas ele inclinava o tórax pra trás. Rejeitando seu toque. Deu mais um passo adiante e segurou a blusa do moreno, puxando-o com força para perto de si.

É claro que Neji poderia ter recusado o toque ou ter se desvencilhado da mão dela. Mas ele não queria. Era a única verdade. Queria sim, sentir a aproximação dela... O calor. O cheiro. O beijo. O sexo. O único e melhor sexo que já teve em toda a sua vida. Com a única mulher que realmente lhe fez se sentir vivo. Mesmo quando havia lhe jogado para a morte.

Quando deu por si já tinha os próprios lábios tomados pelos dela. Tenten estava na ponta dos pés para conseguir ter um controle maior dos beijos. Os braços diminutos passaram ao redor do pescoço do Hyuuga, puxando-o e colando-o ainda mais ao seu corpo. Sentiu a maciez da pele que um dia tanto desejou. Sentiu a carne da boca dela, comprimindo a sua. E mesmo que uma parte de si se recusasse a acreditar que era real, ele apenas respondeu.

Deixou sua boca abrir mais, a sua língua seguir para a dela, pedindo passagem. Devorando com podia a boca pequena. Os braços e mãos firmes passeando pelo corpo que tanto lhe instigava e enlouquecia. Deslizou a mão espalmada, das costas até a bunda da morena, onde apertou com força e possessividade. Ao mesmo tempo em quê mordeu com força os lábios dela.

O gemido de dor ecoou da garganta da Mitsashi. Fazendo o som gutural ressonar como uma música sedutora para os tímpanos de Neji. Provocando ainda mais o moreno. Sua excitação já notória, também deu lugar as veias que aos poucos se aproximavam dos olhos brancos — que no momento estavam fechados —.

Neji ainda possuía um pouco de sanidade, mesmo que quisesse joga-la para alto e possuir a morena ali mesmo. Na cobertura daquele hospital. Fazer com quê todos os andares abaixo, os pacientes, funcionários e qualquer outro ser vivo ouvissem os gritos dela de prazer. Seus gemidos seriam seus, mas os gritos eram incontidos, incontáveis. Ele lembrava. Todos os dias, ele lembrava.

— Eu tinha tanta coisa pra dizer... Mas agora só uma importa. — o Hyuuga falou entre os beijos, chamando a atenção dela que se afastou.

— D-Diga... — ela falou assim que se afastou levemente. Os rostos ainda praticamente acoplados um no outro. Ambas as bocas entreabertas puxando ar para os pulmões com sofreguidão. As respirações quentes em contato com a pele um do outro.

— Não! — respondeu ríspido e ela esboçou um sorriso com a birra. Sentiu seu rosto ser segurado pelas mãos pequenas e novamente fitou as orbes enigmáticas.

— Diga... — sussurrou entredentes e ele trincou os dentes em resposta. Ela sorriu. Em meio a toda excitação e o calor do momento, Tenten sorriu. Sorriu daquele jeito que ela costumava fazer quando estava feliz. Muito feliz, se fosse sincera consigo mesma. — Por que não foi embora? — seu tom era um sussurro. Sua expressão muito lembrava uma gata manhosa e provocante.

— Você já sabe... — ele tentou se desviar do assunto. Franzindo o cenho no processo e ela permaneceu sorrindo, meneando negativamente.

— Diga, Neji! — falou mais firme. Pondo as mãos delicadas sob os ombros másculos. Sentindo o mesmo segurar-la com força contra o próprio corpo. Inclinou levemente a cabeça para o lado e ele aceitou de bom grado o convite de se aproximar no pescoço da morena, sentir seu cheiro, beijar e morder a região. Arrepia-la, como fazia.

— Você se tornou o único motivo pelo qual ainda estou aqui... — ele disse, repetindo as mesmas palavras que lhe dissera há alguns anos. Quando ainda estavam reclusos naquela casa de colina. Quando o resto do mundo simplesmente não importava. Quando eram apenas eles dois. Nada mais. Ela continuou sorrindo, sentia seu coração cálido, aquecido. Aconchegado diante de todo aquele amor possessivo e doentio que ele tinha para consigo. Jamais negaria que era apaixonada por aquele Neji, nenhum outro mais lhe agradaria tanto. Certamente.

Sentiu ele se afastar levemente, os lábios que beijavam e mordiscavam a região do pescoço, agora se afastavam lentamente. Deixando uma linha fina de saliva que lentamente se rompeu. As orbes peroladas fitaram as castanhas num misto desejoso e ávido por uma resposta. Não queria sentir só. Não queria.

— E você... Você me tem de uma forma tão linda... — ela respondeu. Sentindo nele a necessidade de uma fala, e baixou os olhos, parecia pensativa. —... E tão perigosa. — completou arrepiando-se ao senti-lo afagar seu rosto com as mãos cálidas de guerreiro e assassino. Fechou os olhos com o toque. Precisava daquilo, necessitava... Daquilo e muito mais! — Todo esse tempo... Minha alma sangrou, Neji. Ela sangrou muito, sem você. Doeu, era cortante... E o pensamento de que eu jamais te veria era como jogar álcool na minha ferida aberta. Todo esse tempo minha alma sangrou, mas meus lábios sorriram. — ela continuou e teve sua atenção voltada pra ele. Fitaram-se durante vários segundos. Tenten sabia que ele também não falaria abertamente, sempre soube. Mas não perderia a chance de colocar para fora e demonstra-lo o quanto o amou, mesmo de longe. — Me perdoe, por favor... — pediu. As orbes castanhas brilhavam tamanha a sinceridade de suas palavras.

— Você sabe... Ficar comigo é se rebelar contra o céu, Tenten. Não precisa fazer isso... — as palavras ácidas ardiam mais para o moreno que as proferiam, do que para ela que as recebiam. Neji não queria aquilo.

Se te querer como eu te quero é pecado, eu prefiro pecar do seu lado! — exclamou sem pensar duas vezes.

Depois de muito esforço e o que pareceu ser uma eternidade para Tenten, ela viu um sorriso sofrido se formar nos lábios dele. Era tão lindo, ao mesmo tempo que tão triste... Não conseguia entender como conseguira viver tanto tempo longe dele. Imaginou prontamente, que a sua salvação para os momentos mais dolorosos que passou, fora unicamente, Nícolas. A lembrança viva daquele amor.

Ao pensar no menino, os olhos da morena se arregalaram e ela se afastou rapidamente pondo a mão na boca e surpresa.

— Ah! — exclamou e o Hyuuga a olhou com receio.

— O que foi? — questionou e ela continuou muda. — O que foi Tenten!? — ele a segurou pelos ombros e chacoalhou-a levemente, fazendo-a despertar do transe. A Mitsashi não conseguiu evitar o riso divertido que escapou de seus lábios ao ver o moreno olhar-lhe preocupado. Neji parecia estar em alerta, e com medo do que estava por vir.

— Calma... — ela sorriu livrando seus ombros das mãos que lhe apertavam. Pondo as próprias espalmadas sob o tórax másculo. — É que... Tem alguém que quer muito, muito, muito te conhecer! — completou alargando ainda mais o sorriso diante da expressão receosa e cautelosa do Hyuuga.

Ficando na ponta dos pés e dando-lhe um selinho rápido nos lábios que tanto desejava.

***

Tenten e Neji seguiam no carro da Mitsashi pela cidade de Tókio. A morena dirigia nada tranquila pelas avenidas. A verdade é que as mãos da mesma suavam frio, estavam trêmulas e ela sentia o coração acelerado.

Não sabia se estava fazendo a coisa certa, mas apenas em pensar na felicidade que seu filho sentiria em finalmente conhecer seu pai, criava coragem.

Já Neji permanecia quieto no banco de passageiro. Poderia muito bem tentar ouvir os pensamentos da morena, mas sabia que não conseguiria. Afinal, Tenten, mesmo que involuntariamente, havia nascido treinada para certas situações. E bem... Ele talvez se sentisse desconfortável se descobrisse algo por procurar demais.

Os olhos perolados fitaram com intensidade qualquer coisa que estivesse fora daquele carro, ainda não sabia como chegar na Mitsashi. Sequer tinha certeza de que realmente estavam juntos. Ele precisava de algo mais profundo para confirmar isso. Ou seja, sexo.

— Neji... — Tenten quebrou o silêncio, mesmo que incerta. Finalmente o Hyuuga desviou sua atenção da janela para ela, fitando-a sem responder e aguardando que ela prosseguisse. — O que quis dizer com "Nunca foi embora"? — franziu o cenho. — Digo... Foi o que você disse... — inclinou levemente a cabeça, esperando que uma frase mais lógica viesse a sua mente. — Então... Onde esteve esse tempo todo? — foi a vez dele franzir o cenho e baixar os olhos pensativo.

— Não é obvio pra você!? — ela o olhou como se quisesse arrancar a verdade de seus olhos. Ele apenas arqueou uma sobrancelha e continuou: — Eu estava aqui, o tempo todo. — desviou dos olhos dela e mirou o caminho que seguiam. — Não tão perto, mas estava. — suspirou e voltou a olhar para a janela. Não queria pensar no passado. Não queria ofuscar o futuro. Todavia ela parecia arredia, disposta a saber toda a verdade.

— Mas... Mas... Por que então nunca apareceu!? — questionou. — Por que não falou comigo!? — ele riu pelo nariz e meneou negativamente a cabeça.

— Pra quê? Pra você olhar nos meus olhos e me mandar embora outra vez!? — seu tom possuía um nítido ressentimento. Ela engoliu em seco, seu coração falhou algumas batidas.

— Então por que voltou agora? — disse num sussurro. Neji revirou os olhos como um gesto nervoso, mas acabou fitando o teto do carro como se ele tivesse algo atraente, e respirou fundo. Realmente, lembrar que fora praticamente chutado por ela não era algo que gostava de pensar. Muito menos falar.

— Eu não voltei, você me achou. É diferente! — seu tom era gélido e cortante. Naquilo ela não queria pensar, machucava demais. Baixou a cabeça.

— Eu não teria te encontrado se você não quisesse... — constatou. Num momento aquilo pareceu ser a coisa mais obvia do mundo. Foi a vez do Hyuuga fechar os olhos e engolir em seco, coisa que ela notou, pois voltou a olha-lo. Queria que ele parasse de mirar a paisagem e se voltasse para si, queria tocá-lo, abraça-lo e pedir-lhe perdão. Queria muitas coisas, só não tinha coragem.

Permaneceram em silêncio por um longo tempo. Algumas avenidas se foram, outras chegaram. E nenhuma palavra. Neji sentia em si a confusão do momento, as palavras que se perdiam no ar pela simples falta de coragem de ambos. Como sempre ele aguardava que ela se pronunciasse, mesmo que soubesse que era a sua obrigação fazê-lo.

— Me desculpe... — disse simplesmente. Em resposta a morena o olhou com os olhos arregalados de surpresa, assim que parou em um sinal. O Hyuuga não ousou retribuir o olhar, mesmo que sentisse todo o peso do ato dela sobre si. — Em todo esse tempo, não houve um dia que eu não pensei em você. — completou sincero. Mesmo que se recusasse a fita-la. Sua garganta estava seca diante do silêncio, as mãos sempre controladas — longe dela, vale ressaltar — e ágeis, agora se via sem ação e movimento diante daquela situação. Dadas no próprio colo, Neji sentia a palma esquentar a medida em quê aquele mar de sensações voltava a lhe assombrar. Tenten sorriu.

— Também não houve um dia que eu não tenha querido que você voltasse. — ele se virou — ainda com as mãos sob o próprio colo — e fitou a morena que olhava em um misto de súplica e agonia. Os olhos de Tenten brilhavam e transpareciam seus sentimentos. As mãos delas agarravam o volante como se sua vida dependesse daquilo. Até que as buzinas dos carros despertaram-na do momento e lhe obrigara a recordar que estava parada em meio a uma avenida com sinal aberto. Logo prosseguindo e piscando os olhos para clarear as ideias.

— Mas você me mandou embora... — ele disse franzindo o cenho e demonstrando incompreensão e um pouco de raiva. Tenten notou e estranhou, Neji estava diferente. Nem de longe era aquele homem que um dia ela viu bater asas para longe de si... Algo nele havia mudado. Aquela distancia afetara a ambos de uma maneira quase letal, também sabia.

— Eu era imatura... — e estava assustada. Omitiu a última parte e falou baixando a cabeça.

— E agora amadureceu!? — ele indagou com certo escárnio a voz. Ela suspirou fundo e engoliu em seco. Agora evitava olha-lo, caso contrário novamente choraria. Já estava inundada demais dos sentimentos que um dia ela tentou afogar para seguir em frente.

— Eu tinha meus motivos, Neji! — exclamou sem olha-lo e sentindo a voz falhar. O perolado por sua vez voltou a mirar o horizonte através da janela. Baixou o vidro sem pedir permissão e respirou calmamente diante do vento matinal que fez seus cabelos balançarem levemente. Sentia a leve brisa soprar sua alma.

— Eu acredito que sim... Assim como tenho certeza de que nunca saberei os mesmos. — respondeu simplesmente.

Por que novamente o silêncio voltou a reinar entre os dois? Simples, eles não tinha mais o que falar. Tenten ainda sentia remorso de sua decisão há alguns anos, pensava que poderia ter feito diferente. Mas também tinha medo, e se fizesse diferente, colocaria mais alguém em risco? Colocaria seu filho em risco? A ideia de algum ruim acontecer a Nícolas era algo que ela sequer gostava de pensar. Entendendo hoje, o cuidado que sua mãe um dia teve consigo.

Já por outro lado Neji apenas queria não falar sobre aquilo. Cada vez que se via obrigado a se pronunciar a respeito de seu sofrimento e solidão, era como sentir tudo outra vez. Ainda não estava recuperado de tudo, talvez nunca se recuperasse. Entretanto, por apenas estar perto da morena, tinha que confessar pra si mesmo que sentia parte do peso em suas costas ser retirado consideravelmente.

Os olhos perolados observavam apenas de forma passageira o caminho que percorriam. Não era nada parecido com as redondezas do prédio em que se recordava que Tenten morava. Ela saiu das avenidas e adentrou uma rua estreita, seguindo pela mesma que não era asfaltada. Logo depois enrolou em uma que mais tranquila. De um lado várias casinhas pequenas, do outro apenas uma grande área de preserva florestal... Ou um bosque. Não sou identificar com certeza.

Mas sua atenção fora chamada no momento em que ele a viu estacionar de frente a um kitnet. Com o cenho franzido, ele olhou ao redor e em seguida para a morena, notando-a sorridente e um pouco nervosa. Tenten olhou para ele com certo receio e engoliu em seco. Mas um sorriso quase forçado tomava conta de seus lábios.

— Essa é sua casa? — apontou para o pequeno kitnet ao qual eles estavam estacionados à frente. — Você se mudou? — olhou para o local e arqueou uma sobrancelha com desconfiança. Viu através de uma das janelas, Temari andando de um lado para o outro. — E com a sua amiga? — seu tom não era muito contente. Mas Tenten estava nervosa demais para repreende-lo. Neji nunca escondera sua antipatia por qualquer pessoa que não fosse ela. O que também lhe tornava única. Ah... Esse tal de amor.

— Não Neji! — exclamou respondendo e suspirou. — Eu não me mudei... Essa não é a minha casa. E sim a do Shikamaru. — explicou ao olhar através da janela — a qual Neji havia abaixado o vidro. — e ver a amiga Sabaku abrindo a porta para recebe-la. Qual gigantesca não foi a surpresa da mesma ao ver o Hyuuga sentado no banco de motorista? Temari ficara mais branca do que ela já se recordara de ver um dia. — Temari está passando uns dias aqui por causa da reforma que estão fazendo no apartamento dela... — falou olhando para a amiga que permanecia imóvel e com as mãos visivelmente trêmulas, assim como a boca aberta. Tenten lhe deu um meio sorriso sem jeito e abriu a porta do motorista. Seguindo para fora do carro e fazendo a volta no mesmo, parando exatamente na porta do moreno e tapando sua visão parcialmente. Fazendo a atenção dele se voltar pra si. E desconfiado, arqueou a outra sobrancelha também.

— E o que estamos fazendo aqui? — seu tom era indiferente. Amigável, como de sempre. — Não me leve a mal, Tenten. Mas não tenho saudades da sua amiga ou do namoradinho caçador dela. — ele havia novamente voltado para aquela máscara de indiferença e frieza polida. Claro, era de lei que Neji não se mostraria fraco diante de outra pessoa. Afinal, já era difícil fazê-lo com ela perto... Quem dirá com mais alguém.

— Não viemos ver a Temari, Neji. — ela o olhou fixamente. Neji tinha sua expressão indecifrável, e a cada segundo que se passava, a Mitsashi sentia que suas forças se esvaiam. Não sabia se era felicidade ou nervosismo. Abriu a porta do Hyuuga e com um aceno o convidou para sair.

Cada vez mais desconfiado, Neji retirou o cinto de segurança e desceu do veículo. Olhou brevemente para Temari que permanecia imóvel, tal como tivesse visto um fantasma. Ficou de costas pra Sabaku e de frente pra Mitsashi, observou as feições angelicais e lindas, que a mulher que amava possuía. Queria chegar mais perto, mas aparentemente Tenten estava mais interessada em olhar para algo atrás de si. Aos poucos via as orbes castanhas se encherem de lágrimas. Só não entendia o porquê.

Enquanto isso a Mitsashi sentia novamente os sentimentos que sentiu quando reencontrou Neji mais cedo, mas agora eram mais intensos. Olhava para Temari, que no momento se despedia de Nícolas. Não sabia como fazer aquilo, só sabia que não tinha mais volta. E além do mais, Neji tinha o direito de conhecer o próprio filho. Assim como seu filho tinha o direito de conhecer o pai. O pai sempre tão misterioso.

— Neji... — ela começou. Sua voz estava falha, mas ela não se deu por vencida. Mesmo que a emoção do momento lhe obrigasse a secar as lágrimas e deixar em evidência seu nervosismo. — E-Eu te trouxe aqui para conhecer alguém. — sentiu os lábios tremerem. — Alguém que esperou ansiosamente por esse momento durante longos seis anos. E não um alguém que já tinha te conhecido... — aguardou um pouco — Por longos seis anos esse alguém nunca soube nada de você, nada que pudesse fazer pra te encontrar... E confesso... Tive uma imensa porcentagem de culpa nesse quesito... — riu sem jeito e secou outra lágrima. Os olhos hora fitavam na criança que vinha seguindo em sua direção, hora fitava o homem que lhe observava com certo receio. Naquele momento mais do que nunca, ele simplesmente não sabia o que esperar dela. Com carinha de sono, Nícolas sequer notara que a mãe chorava. Pelo menos não até então, pois ao fazê-lo, parou e a olhou com curiosidade. As pequenas orbes peroladas e o cenho franzido deram vazão a curiosidade e a repentina tristeza que sentiu ao ver a sua amada mãe daquele jeito, mas ela sorriu. E mesmo sem entender, ele sorriu de volta e mirou o homem grande, bem maior que ele, mas que tinha os cabelos muito parecido com os seus. Por outro lado Neji se via curioso e impaciente diante da situação. Sabia que estava sendo observado por alguém — seus instintos de melhor guerreiro que o Clã Hyuuga já tivera, estavam lá. Sempre —, mas não sentia interesse em verificar quem era. Os olhos enluarados fitavam apenas a Mitsashi que não o olhava, e sim para algo atrás de si. E só então sentiu a curiosidade de se virar, mas aguardou. — Me desculpe por ser assim... — ela o olhou mordendo o lábio, sem maldade alguma, apenas para conter o soluço. E ele franziu ainda mais o cenho. — Neji, esse é Nícolas... — apontou para o alguém atrás de si. Não esperou duas vezes para virar-se para fitar a tal pessoa fora automática. Neji deu de cara com a imagem mais improvável que ele pudera imaginar. E por consequência gelou da cabeça aos pés. Era ele mesmo? Criança...? Que tipo de brincadeira era aquela? Diferente do que pensava, não era um homem e sim um menino. O qual não teria mais que cinco ou seis anos... O tal Nícolas, na verdade, era a sua cópia fiel. Este por sua vez, desviou os olhos — também perolados — de Tenten e mirou o mais velho. Foi a vez do pequeno Hyuuga ficar imóvel — imitando as feições do mais velho —, sua mente dera pane. — Nícolas, meu amor... — ela falou com carinho e olhando para o pequeno. — Esse é o Neji... Seu pai. — ambas as orbes peroladas se arregalaram diante da revelação.

Enquanto Neji lançou um olhar extremamente nervoso para Tenten, Nícolas não ousou desviar o olhar do homem que acabara descobrir ser seu pai. Seu pai. Aquele mesmo que ele tanto sonhou conhecer.

Pela primeira vez na vida, Neji não soube como agir. Sentia-se débil, infantil. Nem mesmo com todas as vezes em quê esteve com Tenten ele sentiu algo assim. Era um sentimento mais... Fraternal. Ele era pai?

Seu mundo estava de cabeças para baixo.

Mirou totalmente nervoso, sem jeito e perdido, o menino que aos poucos semicerrava os olhos. Parecia a beira de uma explosão interior. Nícolas deixou sua mochilinha azul cair no chão, sem se importar se quebraria algo ou não. As pequenas orbes peroladas lacrimejaram e com um pouco de força que ainda tinha dentro de seu pequeno corpo, ele chamou e correu:

— P-Pai... — alcançou o Hyuuga mais velho, o qual permanecia imóvel e sem saber o que fazer diante da situação. Estava oco, sua mente congelada. Os bracinhos pequenos envolveram a cintura do pai com certa necessidade. Nícolas chorou como um criança de colo.

Tenten também sentia uma parte de si desmoronar com a cena. Como mãe, a felicidade de presenciar tal encontro era quase indescritível. Com uma mão trêmula, a qual repousava sob o próprio peito. Ela baixou a cabeça e seguiu na direção de Temari. Sabia que pai e filho precisavam de um momento à sós.

— T-Tenten... — a voz, quase que desesperada, chamara a atenção da Mitsashi que no mesmo segundo se virou para fitá-lo com os olhos arregalados. Havia ouvido direito? Neji gaguejara!? Isso era possível? Viu a boca entreaberta do Hyuuga e o mesmo totalmente sem ação diante da situação. Seus olhos fitaram a morena como uma súplica silenciosa de socorro. Estava totalmente perdido. Em resposta ela apenas sorriu de forma encorajadora e após engolir um soluço choroso, voltou a caminhar na direção da Sabaku. Nícolas continuava chorando compulsivamente, sem se importar se molhava ou não a roupa do seu pai.

— O que tá acontecendo!? — pergunta a loira boquiaberta num sussurro e já se recuperando do susto, assim que a Mitsashi lhe alcança.

— Depois eu explico... — respondeu simplesmente e se colocando ao lado da amiga, virando-se para presenciar a cena.A mesma a qual, desejara ver acontecer por todos aqueles anos.

— Tenten ele... Ele está chorando. — Neji diz totalmente perdido e após fazer grande esforço mental para não gaguejar novamente. Simplesmente nunca passara por situação parecida, era óbvio. Não imaginava o que fazer, mas um sentimento muito ruim se apossava de si ao ver o menino chorando tanto que chegava a ficar vermelho. Seu filho. Filho.

Nesse curto instante, Nícolas finalmente se afastou. Mas permanecia chorando e tremendo visivelmente. Os bracinhos e mãos pequeninas cobriram o rosto a medida em quê os soluços ecoavam pelos ouvidos treinados do moreno. Causando nele uma tortura cruel.

Olhou para Tenten que estava perto de Temari com as mãos dadas em frente ao corpo. Ela apenas assentiu com um sorriso largo — ela ainda chorava —, podia jurar que seus olhos estavam lacrimejantes.

— Não... Não chore... — pediu sem jeito, abaixando-se até ficar na altura dele. As mãos tão habilidosas, agora não sabiam o que fazer diante da situação, como se tivesse receio de toca-lo ou machuca-lo.

Em resposta Nícolas apenas abriu novamente os braços e pulou no Hyuuga mais velho, abraçando-o fortemente — passando os braços pelo pescoço de Neji — e continuando a chorar em seu ombro. Justo ele, que sempre fora um menino tão controlado, agora se acabava em lágrimas ao sentir a emoção de finalmente encontrar o homem. Assim como sentia um imenso orgulho de ser tão parecido com ele. Mesmo sem saber o porquê.

Mesmo sem saber o que fazer, Neji apenas deixou seus instintos lhe levarem e retribuiu o abraço. Sentindo um aconchego singelo arder seu peito. Era algo parecido com o que sentia com Tenten, mas ao mesmo tempo diferente. Sabia que o sentia pela mulher era amor, mas de homem e mulher... Então... Seria possível que aquela pequena criatura, o qual até minutos antes sequer imaginava de sua existência, já ocupasse um espaço tão grande e caloroso em seu peito quanto a sua amada? Estranho, mas pela primeira vez na vida, algo mais forte e totalmente o oposto das trevas que ele estava acostumado a viver invadia sua alma. Alma que ele não acreditava ter até encontrar a mãe daquele pequeno ser. O qual, por algum motivo desconhecido, foi agraciado com a benção de poder ser o pai do mesmo.

Ainda confuso consigo mesmo, Neji fechou os olhos e baixou a cabeça levemente. Sentiu seu rosto ser molhado por uma lágrima. Entretanto, pela primeira vez em toda a sua vida, era uma lágrima de felicidade.

"Obrigado, Tenten." — agradeceu em pensamento.

***

Após o tão esperado encontro de Neji e Nícolas por parte de Tenten, os três retornaram para o apartamento da Mitsashi. A morena prometera a amiga que explicaria tudo quando se sentisse mais tranquila. E entendendo o lado da mesma, Temari resolveu não questionar.

O caminho fora todo percorrido em silêncio, exceto talvez, pelos suspiros audíveis do Hyuuga mais velho. O que causava certo desconforto na morena. O mesmo estava totalmente embaraçado com a situação.

Filhos.

Filhos?

Sim, filhos. Com todas as letras. E para completar, um que era a sua cópia fiel. Nem era necessário um exame de DNA. Em todos os longos anos de vida de Neji, ele jamais se imaginou sendo pai. Na verdade, nunca havia parado para pensar no assunto. E agora, sem mais nem menos, era.

Como se a situação não pudesse ficar ainda mais constrangedora, Nícolas não parava de olha-lo. Havia uma admiração palpável por parte do menino que pela primeira vez na vida conhecia o seu progenitor. Também haviam traços de orgulho em sua face. Como assim? Ele era louco? Como alguém poderia ter orgulho de ser filho de um assassino Amaldiçoado como ele? Era o que se passava na cabeça de Neji.

Entretanto, ao contrário do que ele pensava, Nícolas não podia estar mais feliz. Não estava mais chorando, era verdade. Mas isso só se deu após o moreno mais velho ter-lhe prometido — após muito choro — que não iria embora nunca mais.

Neji tamborilava com certo nervosismo os dedos nas próprias coxas enquanto adentravam o apartamento. Não se sentia confortável diante de toda atenção que recebera no caminho até o apartamento de Tenten.

— Vá para seu quarto, Nick. — pediu a morena assim que adentraram o recinto. O pequeno não parava de olhar para Neji, e mesmo com nítido constrangimento, ele tentava não demonstrar irritação. — Seu pai e eu precisamos conversar... — ela disse as últimas palavras com convicção. Olhando para o Hyuuga que evitava encara-los.

Mesmo a contragosto, ele assentiu e saiu caminhando na direção do corredor. Tenten aguardou até ouvir o barulho da porta do quarto do pequeno bater, sinal de que ele já estava longe. E virou-se para fitar Neji que olhava para o corredor que Nícolas havia passado com o cenho franzido. Logo voltando-se para ela:

— Não posso fazer isso, Tenten. — ele disse recuando o passo e acenando negativamente. A morena por sua vez sentia um mar de sentimentos confusos dentro de si, mas tudo o que queria era que o amado ficasse. Que eles pudessem formar uma família juntos, mesmo que não fizesse o tipo dele. Afinal, se Neji fosse embora, o que ela diria a Nícolas? Além de tudo, sentia a vontade que ele tinha de permanecer ali. E não só por ela. Mas seu medo era alarmante. Quem diria, né? Hyuuga Neji, um Anjo tão poderoso que foi temido pelo próprio Clã, com medo de algo... E para completar, de seu próprio filho. Ou do pensamento de ser pai. Um pai ruim. Ela sentia.

— E eu não posso obriga-lo a fazer... — ela começou e meneou de um lado para o outro sem tirar os olhos dele. — Mas se for embora, saiba que dessa vez é uma decisão sua, não minha. — concluiu jogando a bomba pra ele. Tiro e queda ela viu a expressão do Hyuuga mudar para uma quase dolorosa. Era nítido que ele não se sentia confortável no meio de tudo aquilo. — O que te assusta, Neji? — ela tentou encoraja-lo a falar, mas ele apenas meneou negativamente. — Eu estou aqui com você. Não precisa ter medo...

— Não é medo! — ele exclamou e se afastou, sendo barrado pela porta atrás de si. Mentindo pra si mesmo. Em questão de segundos sua respiração tornou-se pesada e ele fitou o teto por incontáveis segundos.

— Então o que é? — ela quis saber com um meio sorriso, cruzando os braços e se aproximando lentamente do mesmo. Sabia que ele tentava não parecer fraco. — Eu te amo, ele te ama... Mesmo sem te conhecer... Mesmo antes de te conhecer... — ela se aproximou lentamente, tocando-lhe o peitoral com cuidado e alisando a região. Suspirando. Sentia os músculos dele se contraírem com o toque. Logo em seguida levando as mãos até o queixo dele, querendo força-lo a olha-la, mas em resposta ele virou o rosto e fitou a parede.

— E eu não mereço! — concluiu trincando os dentes. Num movimento rápido ele retirou as mãos dela de cima de si e no segundo seguinte já estava do outro lado do quarto. Temia perder o controle, afinal, por apenas estar perto da morena ele já sentia sua sanidade lhe abandonar. Ainda meio perdida, Tenten fitou as próprias mãos confusa, como se aos poucos se desse conta de que algo havia lhe escapado entre os dedos. — E eu não mereço nada disso! — ele falou novamente, chamando a atenção dela.

— Do que tá falando? — indagou virando-se para ele assim que recobrou os sentidos. Neji caminhava rapidamente de lado para o outro da sala de estar. E então a fitou de forma apreensiva.

— Você sabe... Sempre soube. Eu não mereço nada disso, Tenten. Eu não mereço o seu amor ou o dele, eu sou um monstro e você sabe disso melhor que ninguém... — ele atropelou as palavras, acelerando os passos. — Eu não vou mudar e...

— Você já mudou! — ela o interrompeu e ele a olhou estático. Parecia não entender as palavras dela.

— Não se iluda com isso, Tenten... — disse desgostoso.

— Me iludir? — aproximou-se lentamente e sorrindo, aproveitando que ele havia parado e fitava o chão intensamente. Era curioso dizer que estava feliz. Estava feliz pois sentia a vontade que ele tinha de estar perto dela, perto do filho deles. Mesmo sem saber direito como agir. Ele só precisava de um empurrãozinho... Palavras que lhe fizesse entender que aquela não era uma decisão só dele. E ela sabia muito bem o que dizer. — Eu não estou me iludindo, meu bem. Você provou isso pra si mesmo... Não são as coisas que você fez no passado que dizem quem você é. E sim o que você faz no presente, e pretende continuar a fazer no futuro. — ele a olhou com um olhar confuso e interrogativo. — Eu errei te mandando embora, Neji. E na noite em que Dan morreu, eu também fui burra e inconsequente por ter tentado ficar com você, mesmo quando você me implorava pra sair daquela casa e ir pro mais longe possível... — sua voz era calma e ela já estava próxima do moreno. — Você fez tudo isso pra me salvar. Você me salvou de mim desde o momento em que entrou na minha vida. E eu amo você, já te disse isso mil vezes e direi mais mil se for preciso. Eu. Preciso. De. Você! — soletrou as últimas palavras.

You're the light, you're the night

You're the color of my blood

You're the cure, you're the pain

You're the only thing I wanna touch

Never knew that it could mean so much,

So much [...]

Você é a luz, você é a noite

Você é a cor do meu sangue

Você é a cura, você é a dor

Você é a única coisa que quero tocar

Não sabia você iria ser tão importante,

Tão importante [...]

— Não se iluda... — ele pediu num tom baixo, sentindo a mão dela subir até seu rosto e afagar-lhe a região próxima a orelha e em especial, os cabelos.

— Ainda acha isso? — ela questionou e ele a olhou curioso. — Então me diga... O que fez durante os últimos seis anos? — inclinou levemente a cabeça, fitando os olhos perolados com todo o amor que sentia. — Você não estava machucando nenhum inocente, muito menos agindo sem pensar... Você só ficou perto, me protegeu... E eu nunca vou poder te agradecer por todo o bem que me proporcionou. — ela disse e ele segurou as mãos dela, as duas que estavam segurando o rosto masculino.

— Tenten, escute o que você diz! Eu não sou uma boa pessoa, ainda mais sem você. As únicas coisas boas que fiz, foi por você. Isso não faz de mim um santo! — concluiu sem entender a lógica da morena. Definitivamente, ser gênio não estava lhe ajudando em nada no momento.

[...] You're the fear, I don't care

Cause I've never been so high

Follow me to the dark

Let me take you past our satellites

You can see the world you brought to life,

To life [...]

[...] Você é o medo, eu não ligo

Pois eu nunca estive tão extasiada

Me siga até a escuridão

Deixe eu te levar além do céu

Você vai ver o mundo ganhar vida,

Vida [...]

— Sim, é egoísta da minha parte. Mas eu já te contei, não foi por um príncipe que eu me apaixonei perdidamente. E sim por você. Com todos os seus defeitos e as coisas ruins ou horrendas que fez no passado, Neji. Eu escolhi te amar... Então, pelo amor de Deus, para de se martirizar por isso e apenas fique comigo. Pelo pouco ou muito tempo que será essa eternidade, para quando chegar o momento de eu ver pessoas que eu amo morrerem de velhice e sofrer por isso... Fique comigo. — os rostos estavam muito próximos.

[...] So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for? [...]

[...] Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Me ame como só você faz, me ame como você faz

Me toque como você faz, como só você faz

Pelo que está esperando? [...]

Neji abria e fechava a boca em busca de ar e controle, mas tudo o que inalava era o cheiro e a respiração quente da morena que tocava sua pele. Arrepiando-lhe. Provocando-lhe. Sentia Tenten ficar na ponta dos pés e novamente lhe beijar. Céus! O que queria fazer com aquela mulher não era coisa boa. Ele não era bom.

Mas porque ela não entendia isso?

O toque dos lábios macios da morena no seu lhe despertou do transe. Neji respirou fundo diante do quase beijo, onde apenas as bocas se tocavam. Mas sem movimentos. Uma, duas, três vezes ela fez a mesma coisa. Obrigando-o a querer mais. A necessitar mais dela. Cada vez mais. Deixando-lhe na vontade pelo maldito beijo que não vinha.

[...] Fading in, fading out

On the edge of paradise

Every inch of your skin is a holy grail I've got to find [...]

[...] Você aparece e some

No precipício do paraíso

Cada pedacinho de sua pele é um Santo Graal que procuro [...]

Trincou os dentes com irritação ao perceber que era o submisso da situação. Não gostava. Não permitia. Desde muito tempo notara o jogo dela, mas Tenten mal sabia que havia caído na própria armadilha. E quando chegavam no ápice do prazer, era ela quem gritava aos quatro ventos e implorava por mais. Fazendo os desejos insanos e voluptuosos do moreno virem à tona apenas pelo pensamento de tal momento.

Levou as mãos até a bunda da morena, trazendo-a num único movimento para perto de si. Um barulho oco dos corpos se chocando ecoou pelo local, e Tenten logo engoliu em seco por ver o quão duro o Hyuuga já estava.

Ah... Como o desejou por tanto tempo...

Uma noite não seria suficiente para eles.

[...] Only you can set my heart on fire, on fire

Yeah, I'll let you set the pace

Cause I'm not thinking straight

My head spinning around I can't see clear no more

What are you waiting for? [...]

[...] So você faz meu coração pegar fogo, pegar fogo

É, vou te deixar guiar o caminho

Pois eu não estou pensando direito

Minha cabeça está girando, não consigo enxegar direito

Pelo que está esperando? [...]

Agindo como de costume, Neji invadiu a boca da morena com a sua. A língua quente e exigente não pedia espaço, e sim o tomava de forma que a deixava mole, entregue aos seus desejos. Aos poucos aquela sensação que um dia a Mitsashi julgou que nunca mais sentiria, voltava com tudo.

As pernas bambas; A quentura que se concentrava na região abaixo de seu ventre, obrigando-a a praticamente se acoplar nele, abrindo suas pernas e sentindo o choque das duas intimidades excitadas.

Os braços fortes dele, garantiam que ela não cairia perante a excitação ali. Uma vez quê ela mal conseguia se manter em pé. Afinal, por quanto tempo Tenten não teve que se satisfazer sozinha, pensando nele, quando o desejo apertava? Fato... Nenhuma masturbação solitária se compararia a presença viril e quente dele.

Neji era marcante, único, possessor e possessivo. Era grande, muito grande. Ah sim... Disso ela se lembrava bem... Ele era sexy. Lindo e mal. Que mulher, em todo o seu esplendor e mais íntima vontade, negaria para si mesma que não sentia um imenso tesão em ser o desejo mais insano de um homem como aquele? Só sendo louca. E Tenten não era... Ou melhor, não era até ir pra cama com ele. E aí... Ah... Aí ela já não era mais ela. Ele já não era mais ele.

[...] So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for? [...]

[...] Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Me ame como só você faz, me ame como você faz

Me toque como você faz, como só você faz

Pelo que está esperando? [...]

Abriu os olhos ao senti-lo apartar o beijo e empurra-la sem exigir muita força. Tenten olhou rapidamente para trás, Neji estava levando-a a cozinha, mais precisamente até a mesa. Ah... A mesa. Quantas loucuras não cometeram numa peça parecida com aquela, na casa de colina? Ele se lembrava, muito bem. Como uma boa menina, sentou-se na mesa e deitou-se nela. A peça fria em contraste com sua pele quente causou-lhe um arrepio e um choque térmico que ela julgou ter sido delicioso. Uma vez que deu para ele um sorriso imperceptível e maldoso. Viu ele responder-lhe ao ato e esfregar o membro pulsante na intimidade molhada e quente da morena que gemeu. Gemeu apertando as mãos do Hyuuga com força, as quais passeavam pelo seu corpo. Tomando posse daquilo que sempre foi seu.

Neji trincou os dentes mais uma vez, deixando audível um grunhido de prazer ao ouvi-la gemer baixinho e clamar por seu nome. Os olhos já estavam novamente fechados, sua excitação e desejo acumulado por anos a fazia querer cada vez mais. Mais rápido.

[...] So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for? [...]

[...] Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Me ame como só você faz, me ame como você faz

Me toque como você faz, como só você faz

Pelo que está esperando? [...]

Mas num momento ela abriu os olhos, arregalando-os mais do que o necessário. Neji não foi capaz de ver a expressão da morena, pois estava mais interessado em beijar, morder e passar a ponta do nariz no busto da mesma. Usando as mãos para excita-la cada vez mais.

— N-Neji... — ela sussurrou e mordeu o lábio inferior, engolindo em seco no processo, ao senti-lo morder seu peito esquerdo e ainda por cima do tecido da blusa e sutiã. Choramingou um gemido gutural e rebolou os quadris com certa necessidade, querendo ao máximo prolongar o contato de sua intimidade com o pênis rígido que ela sentia pulsar.

A mão ávida, grande e quente do moreno, já deslizava por baixo do tecido da blusa dela. Alisando com destreza a barriga e fazendo movimentos circulares na região próxima ao umbigo. Por vezes a mão boba ameaçava descer, passando pelo caminho da felicidade e sentindo o ventre quente dela.

[...] I'll let you set the pace

Cause I'm not thinking straight

My head spinning around I can't see clear no more

What are you waiting for? [...]

[...] Vou te deixar guiar o caminho

Pois eu não estou pensando direito

Minha cabeça está girando, não consigo enxergar direito

Pelo que está esperando? [...]

Num movimento rápido ele rompeu o botão da calça branca e abriu o zíper. Tudo de uma única vez. Invadindo a região íntima da morena com a mão. Sentindo seu pau pulsar diante da carne quente, úmida e macia. Neji utilizou a mão livre para puxar com força a gola da blusa da morena para baixo, juntamente o sutiã, apenas para liberar o seio esquerdo. O qual ele se deliciou com a boca, chupando-o como um de maneira guloso. Todavia, de forma muito mais sexy e excitante. Neji fazia mais o tipo de homem guloso. Curiosamente os seios dela haviam crescido após amamentar, talvez uma benção ou então seu bom metabolismo. Que seja, ele apenas aproveitava. Lambuzando-se do ato.

Sentia o corpo febril e os pelos se eriçarem diante dos gemidos desconexos da morena. Sabia que ela queria dizer algo, mas sinceramente não se importava, apenas deliciava-se com os gemidos sôfregos da Mitsashi.

Sua excitação apertava tanto, a calça e a cueca pareciam terem diminuído de número. A única solução que encontrou para aliviar um pouco aquele sofrimento prazeroso, era roçando o membro na região dela. Começando assim uma dança sensual. Tenten já remexia os quadris diante dos movimentos dos dedos dele em sua vagina. A intensidade dos gemidos aumentavam quando ele tocava-lhe o clítoris e com a ponta do dedo indicador, pressionava o mesmo, logo depois girando ao redor dele e por fim, puxando-o lentamente. Como uma pequena masturbação.

Ela já podia sentir a sua intimidade se contrair com um pequeno orgasmo que teria. A julgar pelo tempo e a rapidez que seu corpo respondia ao dele, julgava que não seria um gozo demorado. E sim um de início, apenas para conter o desejo febril que ardia dentro de si.

[...] So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for? [...]

[...] Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Me ame como só você faz, me ame como você faz

Me toque como você faz, como só você faz

Pelo que está esperando? [...]

Sentindo que a qualquer momento ela gozaria, obrigando-o a gozar também — mesmo sem penetração —. Neji finalmente parou de chupar o seio dela, o qual já estava vermelho e cheio de marcas, e a olhou com o primeiro estágio de sua maldição ativada. Aproveitou para parar o movimento dos dedos, apenas não retirou a mão da feminilidade dela.

Ao sentir o prazer se esvair em grande porcentagem. Tenten cessou os gemidos e forçou os olhos a se abrirem lentamente. Os lábios machucados por si mesma, pelas vezes em que mordeu-os para conter o desejo, estavam entreabertos e em busca de ar para os próprios pulmões. Na verdade a Mitsashi não conseguia focalizar em nada com precisão. Sua visão estava embaçada, tamanha era sua excitação. O corpo quente como as lavas de um vulcão, ardendo por dentro e clamando pela explosão da erupção. Conseguiu apenas olhar perdida para o rosto do moreno, o qual estava muito próximo do seu.

Franziu o cenho e respirou fundo mais algumas vezes, achava lindo o rosto dele daquele jeito. Os olhos com veias pulsantes ao redor, chamando atenção de cada traço perfeito que ele possuía. Sabia quê, Neji estava no ápice de sua excitação... De sua necessidade dela.

— Ne-N-Neji... — ela choramingou e o viu sorrir de canto. Aquele sorriso que ela só vira em momentos como aquele.

Em resposta ao pedido desejoso, ele apenas meneou negativamente e mantendo o mesmo sorriso maldoso e cheio de segundas intenções. Tenten sentiu quando ele retirou a mão de sua vagina e ajeitou sua blusa, trazendo e erguendo o seu corpo para perto do dele. Ficando sentada na mesa com a ajuda dele, com ele entre as suas pernas. Estava toda mole e quente. A mão direita dele segurava seu maxilar, enquanto a esquerda, suas costas.

— Eu quero te foder, Tenten. — começou olhando--a com um misto de desespero e maldade. — E essa é a melhor declaração de amor que eu posso te oferecer, porque não há nada mais amoroso que dizer a quem se ama: eu quero te foder. Foda-se o moralismo, foda-se o romantismo, foda-se o clichê, o ético, o convencional… me perdoem os ultrarromânticos… — revirou os olhos ao vê-la engolir em seco de desejo pelas palavras, ao mesmo tempo em que sentiu as pernas dela tremerem. — Amor pra mim é essa vontade que eu tenho de te foder pela casa inteira e em outros tantos lugares que esse mundo vasto pode oferecer a dois amantes depravados. Eu sei... — trouxe-a para mais perto de si, nesse momento ela já conseguia ter melhor foco dele. A mistura de mil sentimentos que ele sentia dentro de si. Tudo sendo posto pra fora naquelas palavras deploráveis e incondicionalmente sensuais aos ouvidos da morena. —... Eu poderia dizer que te amo, mas se eu dissesse apenas isso, você não saberia o quanto eu quero te foder. Porra, se eu te chamar de vadia, vagabunda, cachorra, puta ou seja lá o que for… Eu tô dizendo que te amo, tô dizendo que te foderia a vida toda sem perder o puto tesão que eu sinto todas as vezes que você me provoca rebolando na minha cara. Eu quero te foder, quero entrar fundo no teu corpo, porque além de ser a forma mais sincera que eu encontrei de demonstrar meu amor, essa também é a maneira mais profunda de encostar minha alma na tua. — ele completou com o rosto muito próximo ao dela. Tenten sentia o coração tão acelerado que jurava que o mesmo fosse sair pela boca.

[...] So love me like you do, lo-lo-love me like you do

Love me like you do, lo-lo-love me like you do

Touch me like you do, to-to-touch me like you do

What are you waiting for? [...]

[...] Então me ame como só você faz, me ame como você faz

Me ame como só você faz, me ame como você faz

Me toque como você faz, como só você faz

Pelo que está esperando? [...]

Definitivamente, aquela era a melhor declaração de amor que ela poderia receber. Ainda mais de um homem feito ele. Único e marcante. A boca dele estava muito próxima da sua, e ela completou:

— Então me fode... Pela maldita eternidade que temos pela frente. Me fode, Neji! — exclamou olhando-o de forma vadia e deplorável. Do jeito que o excitava. E sorriu mordendo o lábio inferior para provoca-lo.

***

Um ano depois...

A morena sentiu o corpo estremecer diante de mais uma estocada profunda. Gemeu alto o nome do Hyuuga que a penetrava com força e rapidez. Tenten estava de quatro na cama e Neji atrás, penetrando-a por trás.

Ele conseguiu, depois de várias tentativas, convence-la a fazer sexo anal. Não, não que houvesse gostado ou se tornando uma ninfomaníaca traseira. Mas tinha que confessar que com o tempo acabara se acostumando.

A verdade é que Neji, de alguma forma conseguiu fazê-la se viciar no sexo dele. Que só ele sabia fazer. Do jeitinho Hyuuga Neji de ser. Haviam descoberto juntos que a Mitsashi tinha um lado tão profano quanto o moreno. E o mesmo só precisou fazer essa parte dela florescer.

Sem contar que mesmo sendo ele, o moreno sempre se preocupava em não acabar com o prazer dela totalmente. Queria vê-la andar a passos lentos pela linha fina de algodão que era a margem que dividia o prazer e da dor. Ela já estava acostumada, já gostava de ser a mulher dele e sua amante na cama.

Sentia prazer assim.

Até porque no momento sentia apenas um incômodo ao senti-lo ir tão profundo em uma região tão apertada. Mesmo com a pressão do quadril e da virilha dele em sua bunda. A dor mesmo se encontrava nos cabelos, um pouco mais longos com o tempo, que estavam enrolados e entrelaçados nas mãos do Hyuuga que fazia questão de puxá-los para trás e para o lado. Fazendo-a gemer alto.

Já estavam ali há horas, Tenten também havia ganhado um grande apetite sexual devido ao tempo que passava na cama com ele. Os treinamentos, vitaminas e exercícios que praticavam para controlar melhor seus poderes também ajudavam bastante.

Sempre sentira que seu desejo insano pelo moreno nunca se esvaía. Mesmo depois de terem transado bastante. Na verdade o que acabava com ela era a falta de forças. Mas o tempo e a convivência com ele, fizeram despertar nela seu lado mais etéreo. O que causava nos dois, boas horas de prazer durante a noite. Sendo na maioria delas, barradas apenas pelos gemidos que tinham que conter por conta do filho que dormia no quarto vizinho.

— Ah... — ela gemeu ao senti-lo num impulso mais forte. Mais alto.

Ali era diferente. Nícolas não estava em casa. Ou melhor, nenhum deles estavam. A ex-Mitsashi havia convencido o Hyuuga de voltarem a casa de colina, tantos anos depois. O lugar em que se amaram, ou melhor, foderam pela primeira vez. E depois de várias investidas, conseguiu convencê-lo. A verdade é que no fim ela sempre o convencia. Neji não tinha controle sobre a influencia que ela exercia sob si, Tenten quando queria sabia ser muito persuasiva.

Naruto e Hinata foram com eles. E os laços entre os primos não haviam se tornado amáveis como alguns esperavam. Neji continuou a mostrar superioridade diante da Hyuuga mais nova, mas Hinata sempre relevava. Vendo quê, por trás de toda a carranca do mesmo, um brilho de felicidade emitia dos olhos dele.

Finalmente Neji estava em casa, com sua mulher e o seu filho.

— Chama Tenten... — ele gemeu entredentes. — Chama meu nome! — exclamou puxando ainda mais os cabelos dela. Com a posição ela sentiu a cabeça ser puxada para trás, a ponto da mesma fitar o teto. E arqueou as costas, deixando o bumbum ainda mais empinado para o moreno penetra-la mais fundo.

Já ele sentia cada vez mais o líquido agridoce vir. Lentamente. Mas não chegaria ao ápice sem ouvi-la implorar por ele.

— Ne... Neji... — choramingou fechando os olhos. A cabeça já doía perante a força que ele impusera nos cabelos. A mão livre do moreno vagou da cintura delgada dela, até a bunda, onde bateu-lhe com força. — AH! — gritou abrindo as orbes castanhas num movimento. Sentiu a lágrima salgada escorrer por sua face quente. A raiz do cabelo estava úmida, assim como o resto do corpo. Pingando suor no colchão devido ao cansaço. Apesar de tudo, ela ainda possuía um corpo meio-humano.

— Isso... — ele disse se deliciando com o grito de dor e prazer dela, o qual ecoava em seus ouvidos e lhe instigava a aumentar cada vez mais o ritmo da transa. Ele abria e fechava a boca conforme os músculos de seu corpo se contraíam, toda a tensão concentrando-se em um único ponto. O pênis. Grande e grosso. Duro e viril. Pulsante... Cada vez mais fundo, nela.

Mordia a própria boca como se degustasse com prazer cada sensação que se apossava de si. Nunca se cansaria daquilo. Ao contrário disso, só queria cada vez mais e mais.

— Ahn... — grunhiu como uma gata manhosa. Forçando o próprio quadril de encontro com o dele. Excitando-o cada vez mais.

Sentiu quando ele se inclinou, colando o tórax definido em suas costas e puxando seus cabelos para o lado. Dando a ele livre passagem para o seu pescoço. Como um vampiro faminto, Neji mordeu o mesmo enquanto as estocadas se tornavam cada vez mais fortes, mais firmes. Deu mais uma tapa na lateral do traseiro dela e a ouviu gritar outra vez. A cama rangendo e chocando-se com a parede tamanha a brutalidade e o prazer do ato.

Ao sentir o líquido vir com tudo, afundou seu rosto no pescoço suado dela e gozou com força. Penetrando-a mais algumas vezes até sentir aquela sensação de leveza pós-coito. Deixando o corpo mole e caindo no colchão, em cima dela.

Tenten estava igualmente exausta. E tudo o que conseguiu fazer foi se jogar no colchão macio e olhar para a janela, vendo que já estava querendo anoitecer. Certamente em poucos minutos Hinata, Naruto e Nícolas retornariam do passeio que foram fazer pela colina. Sentia o peso esmagador do corpo do moreno sobre si, mas não reclamou. Gostava de sentir a pele quente dele, proteger a sua. Apenas esboçou um sorriso satisfeito e exausto.

***

Já passava das nove da noite quando todos terminaram de jantar. Tenten e Hinata terminavam de arrumar as coisas na cozinha. Neji estava no quarto, Naruto deitado no sofá da sala e Nícolas sentado em uma das mesas da cadeira. Observando a mãe a tia.

— Não acha que já está na hora de criança está dormindo, não? — Tenten virou-se para o menino assim que terminou de falar. As mãos estavam na cintura e as sobrancelhas arqueadas.

— Não sou criança, mãe... Eu sou um rapazinho! — ele exclamou fazendo bico e se debruçando sobre a mesa com uma carinha dengosa.

— Ah... É? — a morena indagou cruzando os braços e sorrindo da expressão pidona do filho.

— Não me manda dormir agora, mãe. Por favor... — ele pediu suplicante e olhando a morena com os olhinhos perolados brilhando.

— E por que? — Tenten indagou olhando-o de forma severa.

— Ora Tenten... — Hinata interviu, esta estava mais afastada dos dois, pois estava ao telefone com Ino. Uma inovação, falavam com chamada via satélite, uma vez que lá não havia sinal de celular. — Não me diga que esqueceu-se da aurora boreal? — a Hyuuga cruzou os braços, pondo-se ao lado do mais novo que assentiu repetidas vezes.

— A aurora boreal... — Tenten repetiu as palavras e arregalou os olhos. — Céus! É hoje! — exclamou e Hinata meneou positivamente.

— Sim, e você prometeu ao Nick que o deixaria ver... — ela se abaixou abraçando o pequeno e este abriu o melhor de seus sorrisos. Fazendo a mãe dar-se por vencida em meio a tanta fofura.

— Tudo bem... — revirou os olhos ao vê-lo pular de alegria.

— Eba! — ele exclamou correndo para sala. Mais precisamente o sofá onde Naruto quase dormia, pulando em cima do mesmo que despertou num pulo. — Tio Naruto, tio Naruto! — chamou chacoalhando-o. — Vamos lá fora ver a aurora boreal... Nós vamos perde-la... — ele disse puxando-o.

Naruto olhou de um lado para o outro com uma expressão sonolenta, mas não teve tempo de pensar em nada, uma vez que foi puxado pelo menino para fora da casa rapidamente. Sem dar-lhe chances para escapar.

— E aí...? — Tenten se virou para Hinata que terminava de guardas os pratos. A mesma se virou para ela com o cenho franzido.

— O quê? — indagou.

— Ah... Me conta pra onde foram... Ou que fizeram... Puxa assunto! — disse simplesmente limpando a pia. A Hyuuga arqueou uma sobrancelha e olhou para a morena com uma expressão acusadora, logo chamando a atenção da mesma. — O que foi? — jogou Tenten.

— Eu é que pergunto! — devolveu. — O que você aprontou? — quis saber e a morena franziu o cenho fingindo-se de desentendida. — Fala Tenten! Já te conheço há tempo suficiente pra saber que se tá dizendo isso, é porque na verdade quer confessar algo... — deu um meio sorriso saudoso. O olhar da Mitsashi tornou-se nostálgico.

— Hoje mais cedo, enquanto estava passeando, deixei Neji dormindo e fui até a parte da floresta em que Dan se sacrificou por mim. — ela disse e as orbes peroladas de Hinata se arregalaram com a surpresa estampada em seu olhar.

— Tá louca? Sabe o que o Neji faz se descobre que anda passeando por aí, sozinha? — cruzou os braços e a outra sorriu de canto.

— Ele era meu pai, Hina... E como falei ainda agora, ele se sacrificou por mim! — deu de ombros, não parecia arrependida. Hinata sorriu acenando negativamente com a cabeça.

— E então...? — quis saber curiosa e a morena de orbes castanhas suspirou.

— O lugar está lindo, sabe... Parece até que a terra como um todo se tornou fértil após aquilo. Não que não fosse antes, mas tudo tem mais... Vida. — completou com um olhar perdido. Em sua mente a recordação do momento.

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— E tem mesmo! — exclamou Hinata chamando a atenção da outra. — Um lugar que marca a morte de um Anjo é sagrado, Tenten. Independente das condições climáticas. — agora foi a vez dela suspirar nostálgica. — Também passo muito tempo na região próxima a mansão em quê meu pai morreu... Também por mim. — confessou. — O local se transformou em um lindo mar de gardênias... A rosa preferida dele. — sorriu feliz, mas sentindo um aperto no peito.

— Está tudo bem, Hina. Não é pecado amar demais... — a outra falou e a azulada assentiu.

— Estava falando com Ino... — sorriu alegremente. — Ela está grávida! — exclamou e os olhos da outra se arregalaram perante a surpresa.

— É sério...? — indagou felicíssima. Justo a Yamanaka que sempre dizia que não queria filhos tão cedo, que Nícolas era como se fosse um pra ela.

— E não é só isso... — Hinata deixou a frase no ar. Deixando Tenten louca de curiosidade.

— O quê então? — bateu o pé nervosa. Dando um tapinha na azulada que riu alto.

— Shikamaru finalmente pediu a Temari em casamento... — e olhou-a sugestivamente. Ambas caíram na risada, não precisavam falar para entender o olhar uma da outra. Além de tudo, estavam felizes pelos amigos.

— O que aconteceu com esse povo, hein? — Tenten cruzou os braços e Hinata deu de ombros. Mas foram interrompidas...

— Onde está o Nícolas!? — a voz etérea e marcante de Neji se fez presente. Chamando a atenção das duas que olharam na direção do corredor ao qual estava parado e olhando de um lado para o outro a procura do filho.

— Lá fora, com o Naruto... — foi Hinata quem respondeu, recebendo um olhar atravessado de Neji.

— Com permissão de quem? — disse entredentes e Tenten interviu.

— Minha! — exclamou. — Esqueceu que prometemos a ele que hoje deixaríamos ele ver a aurora boreal? — cruzou os braços de forma altiva. Neji até chegou a abrir a boca para responder, mas simplesmente não teve resposta. O que ele menos queria era dar a Hinata a impressão de que Tenten mandava na relação, não era desse tipo. Mas ao contrário do que julgava, a prima apenas sorria diante da situação. Virou o rosto irritado, arrancando mais risada das outras duas.

Após a breve cena, os três seguiram para a parte externa da casa de colina. Mais precisamente para a varanda que dava para a bela aurora boreal. Era lindo de se ver, simplesmente fantástico. Neji em toda a sua vida, poucas vezes presenciara o fenômeno. Afinal, nunca dera importância ao mesmo antes. Entretanto, assumia pra si, fazer isso ao lado de sua família — leia-se Tenten e Nícolas —, não tinha preço.

Heart beats fast

Colors and promises

How to be brave

How can I love,

When I'm afraid to fall?

But watching you stand alone

All of my doubt suddenly goes away somehow [...]

O coração acelerado

Cores e promessas

Como ser corajoso

Como posso amar,

Quando tenho medo de me apaixonar?

Mas ao assistir você sozinha

Toda a minha dúvida de repente se vai [...]

Olhou para a morena que era praticamente sua esposa. Não haviam se casado em uma igreja, para eles não era preciso. Haviam se casado em corpo e espírito. E ao invés de rabiscar papéis em forma de assinaturas, eles tatuaram as próprias almas.

Naquele momento o céu Oeste se pintava das cores mais exóticas. Havia rosa choque, verde musgo, azul marinho e lilás. As cores se misturavam lentamente, formando uma dança lenta e convidativa. Refletida ali, no olhar de cada um deles, a leveza e a simplicidade do momento.

[...] One step closer [...]

[...] Um passo mais perto [...]

Haviam dois sofás na pequena varanda, um de três assentos e outro de dois. Hinata e Naruto estavam abraçados no menor, já Neji estava sentado no meio do maior, com Tenten a sua direita e Nícolas a esquerda. O pequeno por sua vez, estava aninhado praticamente no colo do pai. O frio que fazia naquela região quase polar não dava tréguas para ninguém. Nem mesmo para os pequenos Anjos.

Tenten apenas repousou a cabeça no ombro de seu homem, deixando as orbes castanhas brilharem diante das luzes belas.

"Era o meu sonho o céu estava lindo, colorido com a aurora boreal a brisa era boa e eu sentia o calor do clima que aquecia o meu corpo."

[...] I have died every day waiting for you [...]

[...] Eu morri todos os dias esperando você [...]

O braço forte de Neji transpassava sua cintura, dando-lhe abrigo, amor. Tudo em um ato silencioso do momento que se tornava único. Afinal, todos os momentos com ele eram únicos.

Ergueu um pouco a cabeça, apenas para fitá-lo. Os dois pares de pérolas que Neji tinha no lugar dos olhos estavam mais lindo que nunca devido as luzes que cintilavam nos mesmos. Fazendo-a mirá-lo abobalhada. Enfeitiçada. Sem perceber Tenten sorria.

Notando a atenção da mulher sobre si, o moreno baixou os olhos para fita-la. Vendo-a ali, sorrindo como uma boba apaixonada. Franziu o cenho ao mesmo tempo em quê arqueou uma sobrancelha desconfiado.

— Eu te amo... — ela sibilou sem emitir som. Apenas os lábios se moveram. Ele revirou os olhos tentando não se importar. Tenten acabou rindo num tom audível, mas que não retirou a atenção dos demais do espetáculo que a natureza proporcionava. Ela sabia que ele apenas não queria ser o romântico apaixonado na frente da prima e do namorado da mesma. E amava esse jeito de macho alfa que ele possuía.

Suspirou como uma apaixonada idiota e voltou a fitar a aurora boreal, assim como os demais.

" Eu andava pelo caminho e observava tudo ao meu redor, me senti menina. A cada descoberta eu me deslumbrava, minha curiosidade era aguçada e eu sorria, vibrava..."

[...] Darling don't be afraid

I have loved you for a thousand years

I'll love you for a thousand more [...]

[...] Querido, não tenha medo

Eu te amei por mil anos

Eu vou te amar por mais mil [...]

Em câmera lenta, um filme de todos os momentos que tivera com o Hyuuga se passou em sua cabeça. Assim como dissera, na mente de Tenten ela era apenas uma menina. Uma criança sentada em um chão que mais parecia um rio congelado pela temperatura abaixo de zero. A aurora boreal na verdade era uma enorme televisão, e era o local onde ela via com clareza os momentos felizes, tristes, de dor e prazer... Fora tantos outros sentimentos que não conseguia contar, apenas sentir.

" Era um sonho meio bobo, meio louco, sorrindo eu me perguntava como havia chego tão longe e tão rápido."

[...] Time stands still

Beauty in all she is

I will be brave

I will not let anything take away

What's standing in front of me

Every breath

Every hour has come to this [...]

[...] O tempo fica parado

Há beleza em tudo que ela é

Terei coragem

Não deixarei nada levar embora

O que está na minha frente

Cada suspiro

Cada momento trouxe a isso [...]

Sim, havia chegado longe e rápido. Havia conquistado o mundo por apenas conquista-lo, Neji. Sua vida estava apenas começando, teriam uma maldita e gloriosa eternidade para sorrirem e chorarem... Um ao lado do outro.

— Bem... — Hinata atrapalhou o momento ao se levantar com Naruto sonolento e se apoiando nela. — Acho melhor eu entrar... O Naruto não tem mais condições de ficar aqui fora e eu não quero que ele pegue um resfriado. — disse olhando de canto para o amado e Tenten sorriu gentilmente. Assentiu e se despediu da amiga.

Observou a Hyuuga caminhar lentamente, praticamente arrastando o Uzumaki para dentro de casa. Não demorou muito e Neji se levantou com Nícolas nos braços. Este por sua vez estava dormindo profundamente, nem parecia mais tão interessado em ver o espetáculo que o céu noturno dava. Havia definitivamente sido vencido pelo sono.

— Vou coloca-lo na cama... — Neji disse baixinho e a morena assentiu, levantando-se para dar um beijo de boa noite no pequeno e se remexeu no colo do pai.

Ao ficar sozinha, a morena olhou para os lados e se sentiu pensativa. Se alguém lhe dissesse que passaria por tudo aquilo há dez anos atrás, certamente chamaria a pessoa de louca.

[...] One step closer [...]

[...] Um passo mais perto [...]

Caminhou lentamente na direção do penhasco. Naquele horário em qualquer outra estação não seria possível ver o rio congelado que havia lá embaixo, mas a aurora boreal ajudou nesse quesito. Iluminando-o.

Olhou para baixo e para o vazio. Tudo estava um verdeiro breu no fim. Lembrou-se de quando se jogou de lá... Nunca entendeu o que havia acontecido, mas querendo ou não, foi algo que contribuiu para a morte daquele que um dia planejara a sua. Orochimaru.

Mas também de seu pai. Dan:

— Obrigada por tudo, pai. — ela diz sentindo que estava sendo observada por ele, seja lá onde este estivesse. Respirou fundo para não chorar... Não queria chorar. — Eu não sei para onde vão os Anjos... Eu nunca descobri. Mas seja lá onde estiver, continuará sempre comigo. — levou uma mão ao peito e deixou uma única lágrima solitária escorrer por seu rosto. Seria ingrata se não se lembrasse dele... Ou melhor, deles... — E mãe... Você sempre foi meu Anjo sem asas. — completou baixinho e fechando os olhos ao sentir um abraço gostoso e quente por trás. Era Neji. Era tudo o que precisava.

[...] And all along I believed I would find you [...]

[...] O tempo todo eu acreditei que te encontraria [...]

Ficam ali, no alto daquele penhasco e fitando a aurora boreal de longe, por um bom tempo. A mente de Tenten estava longe, perdida. Pensava numa música. A música...:

Time has brought your heart to me; I have loved you for a thousand years... I'll love you for a thousand more. o tempo trouxe o seu coração para mim; Eu te amei por mil anos... Eu te amarei por mais mil.

Neji ouviu toda a letra em silêncio. Seu queixo estava apoiado no ombro direito dela, enquanto sentia Tenten mover o corpo lentamente de um lado para o outro. No embalo da canção. Ele não precisava perguntar o que significava aquilo. Ele era antigo. Conhecia línguas que já haviam sido apagadas da história há séculos. Quem dirá um simples inglês.

Mas havia algo que ele queria saber...

— Tenten? — ele chamou-a. E no susto ela abriu os olhos e pulou levemente. Rindo ao olhar para ele de canto e vê-lo se conter para não rir da cara dela.

— Não me olha assim... — disse fazendo birra e jogando a cabeça pra longe dele. Neji revirou os olhos com o ato infantil e ela riu. — O que foi? — indagou curiosa pelo motivo que ele lhe despertou do transe. Um frio percorreu sua espinha e lhe arrepiou o corpo inteiro. Sem pensar duas vezes abrigou-se melhor no calor do corpo dele. O contraste do clima frio com o abraço quente era gostoso e aconchegante. Acalentava o coração da morena.

— Sei o porquê de ter colocado o nome do nosso filho de Hizashi... — ele disse, chamando a atenção dela que o fitou por sob o ombro. — Mas por que Nícolas? — franziu o cenho com curiosidade e olhando para a escuridão do penhasco, ela sorriu.

— Ora... Achei o significado bonito. E sempre gostei do nome, se um dia me cassasse, queria que meu marido se chamasse assim... — deu de ombros. Ele fechou o semblante.

— Então está com a pessoa errada... — seu tom não era amigável e ele tentou se afastar do abraço, mas ela o puxou por um braço. Virando-se para ele tentando esconder o sorriso bobo diante da crise de ciúmes. Aquilo aumentaria a irritação do mesmo.

— Mas... — inclinou a cabeça para o lado. — Não me deixou terminar. — piscou os cílios longos e ele lhe olhou de canto, ainda irritado.

— Mas...? — incentivou-a entredentes e praticamente cuspindo as palavras. Ah sim... Se havia algo que tirava ele do sério, esse algo era a suposição de Tenten com outro. Nem mesmo por brincadeira. Neji não sabia brincar.

— Mas foi por um Neji que eu me apaixonei. E não me arrependo! — disse convicta e com um meio sorriso ao vê-lo revirar os olhos diante da doçura do momento. Rindo pelos dois, Neji meneou com um aceno negativamente. — Então coloquei no nosso filho... — deu de ombros e ele franziu o cenho.

— E qual o significado? — quis saber.

— É grego... Nícolas é um nome com significado vitorioso. O que vence com o povo; O que conduz o povo à vitória, que quer dizer que esta pessoa vence qualquer batalha ou ajuda alguém vencer... — esboçou um meio sorriso. — Vencemos juntos todas as nossas dificuldades... E agora continuaremos assim, passando por cima de todos os obstáculos. Nós três. Juntos. Sempre. — ela concluiu finalmente se virando para ele com um sorriso feliz. Afinal era exatamente isso que a definia naquele momento... Felicidade.

— Isso é muito gay... — ele falou com uma expressão de tédio e ela riu alto. Simplesmente não conseguia ficar triste ou chateada por alguma negatividade por parte dele. Melhor que isso, sentia-se tentada a convida-lo para participar do seu mundo de felicidade. Então voltou a cantar.

I have died every day waiting for you; Darling don't be afraid I have loved you...eu morri todos os dias esperando você; Querido, não tenha medo...

Ela se afastou um pouco dele e fechou os olhos. Com a sua mão entrelaçando a dele, Tenten convidou silenciosamente o Hyuuga a dançar consigo. Mas ele era arredio.

— Tenten... Para com isso... — tentou fingir tédio ao vê-la esbanjar felicidade. Mesmo que em seu peito algo maior batesse. Momentos como aquele com sua amada ele não trocaria por nada no mundo.

Sem se importar com a carranca dele, a Mitsashi rodopiou no lugar. Ainda segurando a mão dele. Tentando mexer o corpo dele para encontrar-se com o seu, cantando:

For a thousand years; I'll love you for a thousand more...eu te amei por mil anos; Eu te amarei por mais mil. Era o significado. E ela sorria e rodopiava. Neji revirava os olhos, mas sem perceber aos poucos se deixava levar. Não dançaria abertamente com ele, mas incentivaria a mesma a continuar emitindo aquele som tão gostoso quanto seu gemido, que era sua canção. Só fazia isso quando estava muito feliz. — And all along I believed I would find you...o tempo todo eu acreditei que te encontraria...

Aproveitou quando Tenten se virou para cantar aos quatro ventos e num impulso a segurou pela cintura e a ergueu no ar. Girando-a. No susto do momento ela abriu os olhos e deu um gritinho de medo. Acabou se engasgando com a própria saliva no ato. Mas rapidamente aproveitou o momento para abrir os braços e fechar os olhos enquanto inclinava a cabeça para trás. Apenas continuando:

Time has brought your heart to me; I have loved you for a thousand years... I'll love you for a thousand more.o tempo trouxe o seu coração para mim; Eu te amei por mil anos... Eu te amarei por mais mil.

Na última frase ela cantou com mais força, dando mais veracidade ao momento. Sentiu quando Neji lhe colocou novamente no chão. Ainda cantarolando o fim da música ela se virou e o abraçou com força. Movendo o próprio corpo e o obrigando a fazer o mesmo. A cabeça dela repousava o peitoral musculado dele, e ela era capaz de ouvir as batidas do coração do mesmo. Estavam tão calmas... Assim como aquele momento de simplicidade.

Enquanto isso o Hyuuga lhe abraçava e intercalava os olhares dela para a aurora boreal que parecia dançar lentamente junto a eles. Permitiu no momento, que um sorriso fechado se formasse em seus lábios. Mordendo o inferior para que ele não tomasse proporções maiores. Tamanha a sua felicidade.

Eles tinham que aproveitar, não importando se viveriam ou não para sempre. Afinal, a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, sem medo de errar... Pois os erros nos permitem aprender, os acertos se tornam lembranças boas. Deixe tudo acontecer, intensamente, antes que a cortina se fechem e a peça termine sem aplausos.

Ela se afastou um pouco, apenas para erguer a cabeça e apoiar o queixo no peitoral dele, fitando-o. Viu a sobrancelha do mesmo se arquear com desconfiança pelo quê se passava na cabeça dela.

— Eu te amo... E agora? — sussurrou e ele fez cara de desentendido. — Vai entrar no embalo e dizer que me ama também? — afastou-se e inclinou a cabeça para o lado, piscando os longos cílios.

Neji fez cara de "Tá se achando demais" e ela sorriu mostrando todos os dentes brancos. Em resposta a pergunta dela ele olhou para o céu e fitou algumas poucas estrelas que não eram ofuscadas pela aurora.

— Que tal assim... — ele falou deixando a frase no ar. Baixando a cabeça com um olhar sacana e sorrindo de canto, um riso sacana também. — Eu quero te foder. — falou aproximando o rosto dela lentamente. Tenten recuou um pouco para provoca-lo. Em seguida mordeu o lábio inferior e o olhou com as orbes castanhas pedintes e pupilas dilatadas.

Ah Mitsashi...!

[...] Talvez... Só talvez, valesse a pena ser um Amaldiçoado. Contrastaria bem com a benção que Tenten era em sua vida. Afinal, os dois pontos mais extremos de um hemisfério, na verdade, estão lado a lado...

Fim!

Notas finais
Sobre a fanfic: O capítulo contém uma frase do Otávio L. Azevedo, dita pelo Neji. Sobre os sentimentos em frangalhos da autora: Fim gente, é fiiiiim! Vou chorar, já tô chorando, MDS! Sei que posso estar parecendo uma criança e estar sendo infantil, mas eu sou muito emotiva pra finais... E olha, eu não sei o que seria de mim sem cada uma de vocês, é serio! Eu gostaria de citar cada um dos nomes que estão sempre presentes comigo, mas acho injusto com aqueles que eu ocasionalmente venha a esquecer - péssima memória de autora que eu tenho -. Mas sério, sintam-se abraçados por mim. Eu agradeço a todos vocês, pelas visualizações, pelos comentários, acompanhamentos, favoritos e recomendações - no Nayh! -. Se eu ficaria feliz em receber alguma outra recomendação ou comentários extras? Claro, muito na verdade. Mas agora eu só tenho a agradecer por tudo o que já tenho, o que já consegui. Afinal, eu não teria chegado aqui sem vocês. Fato! E por isso sintam-se mais uma vez abraçados por mim, recebendo todo o meu amor e gratidão. MUITO OBRIGADA! Pelo amor de Deus, convido a todos - até mesmo aos leitores fantasmas - para comentarem esse último capítulo. Digam-me o que acharam por favor... Eu preciso de vocês nesse instante, estou desmoronando por dentro. Ps: Eu tenho sim ideias de fazer uma short fic ou uma continuação. Mas se essa ideia vai florescer como os desejos safadxenhos da Tenten - aquela carinha - ou não, isso só minha preguiça dirá. Sim, eu sou muito preguiçosa, senhor...'-' Nesse momento eu diria "Até o próximo" ou " Até mais", mas então eu lembrei que não haverá o "próximo" e nem o "mais", me perdoem. "Não fique triste porque acabou, fique feliz porque aconteceu." É o fim. Obrigada por tudo.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!