Amaldiçoado
20 Capítulo XX - Transcendente da Alma
Notas iniciais

Tenten estava deitada na cama. A briga com Neji e o ocorrido do dia anterior haviam acabado com todas as suas forças psicológicas. Precisava decidir de uma vez por todas o que queria pra si, não queria viver a mercê dele pra sempre.
Não queria e não podia.
Estava de lado e com uma mão atravessada abaixo do travesseiro. Seu rosto marcado pelas lágrimas que derramou durante toda a noite de insônia. Ele não havia dormido consigo, ou melhor, não vira o Hyuuga desde que o adentrada aquele quarto.
Após o surto do mesmo e de quebrar quase toda a casa, um silêncio sepulcral se instaurou naquela casa de colina e apenas o barulho da chuva — que piorou com o tempo — que podia ser ouvido pela Mitsashi.
O amava tanto... Sentia que seus sentimentos eram recíprocos. Seria capaz de perdoar todos os pecados dele, apenas para ficarem juntos. Mas e ele? Seria capaz de se perdoar?
Não conseguia mais imaginar estar longe daqueles lindos olhos perolados. Os quais lhe serviriam de lua naquela madrugada enquanto transavam loucamente. Duas luas cheias e enlouquecidas de prazer. Como em todas as noites anteriores.
Mas isso não aconteceu.
Aquela fora a primeira noite que passara sem ter relação sexual com o moreno desde que chegaram ali. E confessava a si mesma, se apenas uma briga havia lhe deixado daquele jeito, quem dirá uma vida longe do mesmo?
Ergueu o corpo ainda trêmulo, estava com muita fome e certamente belas olheiras para completar seu visual. Além é claro, do rosto todo vermelho — assim como os olhos e boca inchada —. Soluçou baixinho pondo os pés no chão frio. Não havia ligado o ar, estaria louca se o fizesse. Neji não estava ali para esquentá-la e o local já possuía um clima naturalmente gélido.
Neji... Tudo sempre lhe levava a ele. Como prosseguir? E para completar, involuntariamente se pegava desejando o moreno mais e mais.
Ergueu a cabeça e fechou os olhos com força, esperneando de ódio de si mesma. Mas o que havia sido aquela tontura afinal? Pôde jurar que por breves segundos vira imagens de um homem de longos cabelos negros e lisos. No início achou que era Neji, mas seu rosto... Não tinha nada a ver com o Hyuuga. Sem contar que o mesmo estava de cabelos soltos lambidos, cobrindo parcialmente sua face.
Aqueles olhos penetrantes e que pareciam pertencer a um animal selvagem lhes fitavam com maldade, era como se ele pudesse ver o mundo através dos olhos de Tenten.
Meneou. Deveria ser coisa de sua cabeça. Não comentaria nada com Neji. Certamente só o deixaria mais louco e demoraria ainda mais para que ela conseguisse ir embora dali.
Precisava falar com o Hyuuga, independente do seu orgulho. Afinal, se não fosse ela a ceder, ele jamais o faria e entrariam então naquele ciclo vicioso. Precisava dele... Ou melhor, necessitava daquele rosto lindo que lhe acalmava a alma.
Respirou fundo contendo o aperto em seu peito. Falaria com o moreno sim! Mas antes precisava de um banho gelado e de comida. Caso contrário iria desmaiar de fraqueza.
***
Uma aglomeração incomum na casa principal chamava atenção dos demais membros do Clã. Os olhos prateados fitavam o líder ter um surto psicótico enquanto procurava alguma coisa revirando todo o seu escritório.
Hiashi já havia procurado a peça em cada canto daquele local. Tinha certeza que o deixara ali em algum lugar. Sequer se importava com os três pares de olhares surpresos que eram lançados para si através da porta escancarada. Olhou para os lados desesperado, como se procurasse algum canto provável que ainda não houvesse olhado.
Viu o sofá e sem cerimônias correu até o mesmo e o deixou de cabeça para baixo. Ninguém ousava falar nada, mas também, quem seria louco?
— O que está acontecendo aqui? — indagou Hanabi atraída pelo barulho todo.
— O senhor Hiashi está pondo a casa abaixo... — falou um dos guardas que presenciava a cena.
— Ei! Cala essa boca. Mais respeito! — exclamou uma das empregadas.
Hanabi observou a pequena discussão e revirou os olhos.
— Saiam da frente — ordenou e eles rapidamente obedeceram. A menina e líder do exército do Clã entrou no escritório, surpreendendo-se com a cena — O que houve aqui? — questionou incrédula.
— Hanabi... — chamou Hiashi se aproximando exasperado da sua caçula. Esta por outro lado, apenas observou descrente o alvoroço do mais velho. O que estava acontecendo? — Minha filha... Minha querida filha — sua voz era triste, o que assustou ainda mais a Hyuuga. Nunca em toda sua vida esperou ver a imagem de seu querido pai tão abalada. Ele parecia estar ficando louco. — Eu cometi um grande erro, Hanabi — falou suspirando e indo sentar-se em uma poltrona a qual ele não havia jogado longe.
— Do que está falando? — perguntou tentando disfarçar sua exasperação. Mesmo que já imaginasse o motivo.
— Foi terrível... — ele sussurrou com os olhos fixos em um ponto qualquer do escritório. Sua expressão dizia a garota que mentalmente ele revivia o momento que citara. Hanabi sentiu sua curiosidade aguçar ao ver o cenho do outro se franzir. Suspirou para manter a calma.
— O que foi terrível, pai!? — exclamou e indagou ao mesmo tempo. Os olhos perolados do homem se voltaram para a figura feminina, aquilo estava assustando muito a garota. Definitivamente aquele não era Hyuuga Hiashi, deveriam tê-lo abduzido. Ele manteve os olhos nela durante vários segundos, a mesma sentia que ele estava ali apenas de corpo presente e que sua alma estava longe. Mais alguns segundos se passaram até que ela viu um brilho estranho se formar nos olhos dele.
— Hanabi! — exclamou levantando-se e seguindo até a filha que não se moveu — Lembra-se de um colar que você ganhou de sua mãe quando ainda era um bebê? — indagou e ela franziu o cenho, mas assentiu. Como esquecer? Era a única lembrança que tinha da mulher, andava com ele sempre. — Aquele não era um colar comum, minha filha — falou e ela arqueou uma sobrancelha — Rubi, era a pedra que possuía nele. E desde muito tempo essa mesma pedra vem sendo usada para feitiços... — um silêncio voltou a reinar no local no local. A morena parecia tentar digerir a informação e o outro respeitava o momento.
— O que isso quer dizer? Que meu colar é enfeitiçado? Que tipo de feitiço? — indagou atropelando as palavras assim que conseguiu assimilar tudo.
— Um feitiço de esquecimento, Hanabi. Eu apaguei parcialmente a memória da sua irmã, antes de você nascer. Mas preciso encontrá-la novamente. Hoje vejo o meu erro, pode ser fatal para ela a falta dessa informação — ergueu a mão como se pedisse algo — Preciso que me entregue o colar, sei que está com ele! — ordenou e ela o olhou incrédula, recuando o passo como protesto.
— Qual o seu problema? — jogou irada.
— O que disse? — ralhou pela desobediência.
— Primeiro você expulsa a Hinata e depois quer ir salvá-la? E ainda usando o meu colar? Deixa que ela viva a mercê da própria sorte. — irritou-se afastando-se ainda mais e pondo a mão no próprio busto. Por baixo das roupas tradicionais de guerreira, estava a peça que Hiashi procurava desesperadamente, pendurado ao pescoço da mesma.
— Eu errei mandando-a embora. Hinata não tem a mínima condição de se virar sozinha no mundo. Ela sequer tem para onde ir... Mais uma vez repito Hanabi, devolva-me o colar, é a única maneira de encontrá-la. Isso é uma ordem!
***
Tenten nem sabia mais o que fazer, tinha receio de ir procurar Neji e acabar brigando com ele novamente. Não suportaria mais uma outra noite sozinha. Não quando seu corpo e alma já haviam se acostumado a presença quente do Hyuuga. Enquanto tomava banho procurou várias formas de se redimir, conversar ou só abraça-lo e ficar em silêncio. Em todas elas um pensamento negativo e o medo de ser rejeitada lhe assombravam.
Sabia que Neji não daria o braço a torcer — pelo menos era o que imaginava —. E ainda brigados, sabia que ele a vigiava, que a protegia. Mas, afinal de contas o que realmente queria quando pensou em se jogar daquele penhasco?
Suas perguntas eram infundadas e sem resposta. Sentia-se frustrada pela primeira vez desde que chegara ali. Era intenso demais o turbilhão de sentimentos que brincava consigo, convidando-a a sofrer mais e mais pelo belo Anjo de olhos perolados.
Pensou em vestir uma peça de roupa do Hyuuga, gostava daquela coisa clichê. E seu corpo até se moveu inconscientemente até o lado dele no guarda-roupa, mas sua mão parou através de uma força sobrenatural. Seu cérebro paralisou, seria o melhor a se fazer? O que ele pensaria quando a visse com uma roupa sua? Teria raiva? Ficaria feliz — excitado— ?
Teve medo de arriscar, muito medo de aquilo acabar sendo algum empecilho para sua redenção. Mas fazer o quê? Era exatamente isso que acontecia quando se amava de forma tão intensa. Felicidade, aconchego, prazer, luxúria, desejo e todos outros tantos sentimentos bons se faziam presentes quando estava junto dele. Ao mesmo tempo em que os sentimentos inversos como medo, ciúmes e muitos outros pareciam vir ali, de brinde. E eles se faziam presentes em todos os momentos, como aquele, por exemplo.
Preferiu usar uma roupa sua mesmo. Optou por um short de tecido fino e curto, tal como uma blusa branca e de alcinhas — e sem sutiã —. Pensou se não seria ousadia demais da sua parte, estava com muito pouca roupa para o clima frio do local. Além do mais, sua pele estava eriçada, ocasionalmente os bicos de seus seios também. Os mamilos duros chamavam atenção na peça de roupa. Se aquilo poderia ser um incentivo? Talvez.
E agora lá estava ela, caminhando na direção de sua verdade. Deixou de se importar com os detalhes quando o aperto em seu peito voltou a machucar. Justo ela? Uma mulher que em toda sua vida sempre se julgou boa o suficiente para não cair nas armadilhas do amor... Uma pena que o amor não escolha suas vítimas.
E aquele ditado de que, pessoas que nunca se apaixonaram de tal maneira por alguém falam, é apenas uma brecha para as próprias frustrações. Tenten agora entendia mais do que tudo, não é porque ela é imune ao amor, é apenas porque ele não tinha interesse nela até Neji aparecer em sua vida. E então, o maldito resolveu agir. E agora lá estava ela, andando lentamente pela casa enquanto um braço teimoso insistia em escorregar pela parede do corredor em que andava. O pescoço esticado ao máximo para ampliar seu campo de visão. Em sua mente apenas um pensamento e desejo, se resolver com o Hyuuga.
Não precisou passar da sala para vislumbrar os longos cabelos lisos e macios — os quais por diversas vezes naquela semana ela tivera o privilégio de puxar e emaranhar seus dedos entre os mesmos. Mas na noite passada, não. — soltos. Tal como o corpo malhado — que também lhe proporcionara um prazer que ela julgava impossível, capaz de lhe fazer perder a consciência — lá, parado de costas pra si do outro lado da cozinha.
Neji estava imóvel, e por alguns segundos a Mitsashi se pegou curiosa sobre o que ele poderia estar fazendo. Aproximou-se lentamente, mas parou o passo no ar no segundo em que ele virou o rosto o suficiente para que pudesse lhe olhar com o canto do olho. Ela sabia que ele ainda estava com raiva, mas não poderia dar as costas para aquela situação, ela precisava dele. Seu amor também. Independente de tudo.
O rosto com feições belas e endurecidas do Hyuuga sequer se mexiam, ele parecia preso ou perdido nos próprios pensamentos e sentimentos pessoais. Tenten inclinou levemente a cabeça para o lado enquanto o observava, abraçou o próprio corpo por instinto e em seguida abaixou a cabeça, voltando a caminhar na direção do moreno.
O belo par de pérolas que Hyuuga Neji possuía estavam fixos em cada centímetro do corpo da figura pequena que se aproximava de si como um cão sem dono, demorou-se certo tempo ao notar os seios da morena comprimidos pelos braços e sentiu um calor excitante percorrer sua espinha no segundo em que vislumbrou os bicos dos mesmos eriçados pelo frio. Trincou os dentes com fervor, cerrando os punhos com força para conter o ímpeto do desejo de mergulhar nela outra vez — havia passado a noite em claro. Além da briga com a morena e a indagação dos possíveis motivos da tentativa de suicídio da mesma, Neji queria mais do que tudo possuí-la novamente. Queria arrombar aquela porta de madeira e fazê-la gritar seu nome enquanto sentia seu membro pulsante ser comprimido pela boceta quente e apertada da Mitsashi. Fazê-la pedir para ir mais devagar, ao mesmo tempo quê, enlouquecidamente ela implorasse para ir mais rápido e fundo —. E Tenten pareceu sentir a frustração repentina que se apossou do corpo masculino, pois ergueu o par de orbes castanhas e o fitou durante alguns segundos em silêncio.
— Decidiu sair da toca!? — rosnou ele entredentes. Ela baixou os olhos outra vez, apenas para pensar um pouco. Já estava com ele a tempo suficiente para saber que ele não daria o braço a torcer, e que a sua fala incitava que era ela quem deveria dar o primeiro passo. Em outro caso ele sequer falaria algo, mas Tenten possuía uma força estranha sobre si, e ele não conseguiria ficar apenas lhe encarando. Entretanto também não deixaria de lado seu orgulho machista. Suspirou profundamente enquanto deixava os braços caírem ao redor do corpo, o peitoral subiu e desceu lentamente ao mesmo tempo em que criava coragem para falar algo. Não sabia exatamente o que dizer, mas sabia que tinha que fazê-lo.
— Precisamos conversar... — falou num tom baixo e finalmente ele virou o corpo totalmente para ela. Estava sem blusa, como de costume, o que fez a mente da Mitsashi travar durante alguns segundos em que se perdia na visão do corpo que ela não se cansava de admirar e desejar. Mas que droga! Ele não sentia frio? Ouviu um forte impacto, como um livro pesado caindo no chão, e se assustou. Pulou de leve e mexeu a cabeça de um lado para o outro enquanto tentava clarear os pensamentos. Após o breve momento de confusão, ela virou o rosto na direção que ouvira o som e constatou a mão de Neji sob a mesa de mármore. Franziu o cenho, ele havia batido na mesma, por que?
— Ótimo! — exclamou, fazendo a atenção da morena se voltar para ele. Suas feições demonstravam que ele já não estava tão irritado como antes, provavelmente satisfeito por ela ter ido atrás dele — O almoço está no forno e tem suco na geladeira, sirva-se e então conversaremos.
Após completar a frase, o Hyuuga passou ao lado da Mitsashi sem cerimônias. Fez a volta no balcão e seguiu para a sala. Tenten sentiu seu coração acelerar e uma vontade louca de fazer amor ou sexo selvagem com ele no segundo em que o cheiro que só ele possuía lhe invadiu as narinas, fechou os olhos em puro deleite. Neji cheirava a uma fórmula perfeita para enlouquecer a Mitsashi, uma mistura de perfume masculino amadeirado com testosterona. Afinal, ele exalava aquilo pelos poros. Até chegou a se virar para chama-lo, mas ele tinha razão, ela precisava e comer e estava faminta.
Virou-se novamente, ficando de costas para o caminho feito recentemente pelo Hyuuga. Depositou uma mão cansada sob o balcão e respirou fundo, o cheiro que ainda havia naquele cômodo de comida bem preparada lhe parecia também um belo convite, fazendo sua boca salivar. E ignorando totalmente o desejo, ela caminhou na direção do forno e surpreendeu-se ao notar que ele havia preparado algo que ela muito gostava.
Não esperou mais antes e pegar o suco e servir-se da comida. Da sala ela sentia o peso dos olhos perolados sob si, mas não se importou. Olhou de canto para o relógio digital que havia na parede ao lado da geladeira e se surpreendeu ao notar que já eram quase duas da tarde.
***
Já muito bem alimentada, Tenten agora apreciava o momento para olhar os olhos que tanto amava.
Estava na sala com Neji, ambos sentados no sofá — ele em um dos braços e ela na outra ponta —. O Hyuuga sequer piscava, já ela tentava controlar a ansiedade e nervosismo em seu gestos. Suas mãos pequenas não paravam de tremer, seu coração estava acelerado e mesmo no clima gélido, ela não parava de suar frio.
— O que queria falar? — indagou ele. Seu tom era oco, nada se relevava no mesmo, assim como suas feições. O que deixava a morena ainda mais apreensiva.
— Você sabe... — lastimou-se em voz baixa e baixando os olhos. Por estar sentada no sofá e ele em um dos braços do mesmo, o moreno tinha uma visão privilegiada dela. Estava ainda mais alto do que deveria estar se estivesse sentado ao seu lado.
— Diga! — ordenou em voz grave. As orbes castanhas se voltaram para si num misto de receio e temor. Tenten simplesmente não sabia o que esperar, e muito menos como começar aquela conversa.
— Eu... Calma! — exclamou batendo na própria perna com força — Eu estou tentando — choramingou e respirou fundo. Neji permanecia ali, imóvel, aguardando. Mas no âmago ambos sabiam que sua expressão indiferente era só fachada, e que ele muito queria que ela falasse logo de uma vez. Ele suspirou ao notar o quão perdida ela estava, e não conteve as palavras que soaram numa intensidade um tanto quanto baixas e tristes. Não conseguia mais simplesmente não estar com ela. E definitivamente, aquela noite havia sido uma das piores da sua vida em séculos. Nem mesmo na sua prisão dos Hyuuga's ele foi tão torturado psicologicamente, mas sabia o porquê.
— Não sou o príncipe do conto de fadas que você idealizou, não é? — fixou suas orbes peroladas nela. Ele provavelmente estaria se referindo ao surto que tivera no dia anterior. Mas Tenten parecia levemente confusa, por segundos virou o rosto na direção da porta de vidro e observou o cenário lá fora. Tudo molhado pela chuva que ainda caía fraca.
— Eu nunca esperei que fosse... — ele franziu o cenho e balançou negativamente a cabeça — Porque normalmente contos de fadas possuem finais, e a minha história com você não vai ter fim. — ele crispou os dentes.
— Tenten...
— Eu não ligo Neji! Já te falei mil vezes... Não ligo para o que você é ou para o que você fez, eu te amo e assim será! — exclamou. — Que droga! Quantas vezes ainda teremos essa conversa?
— Quantas forem necessárias... — ele respondeu num tom vazio. Não entendia o porquê de estar dizendo aquelas palavras, mas sentia que precisava fazê-lo. Mesmo sabendo que algo dentro de si gritava, dizendo que ele precisava ouvir aquilo.
E realmente precisava... Mas o orgulho do Hyuuga não permitia que ele simplesmente aceitasse a situação.
— Não pode me obrigar a nada... — respondeu no mesmo tom. Sentia que finalmente estava se encontrando naquela conversa.
— Então você é louca! — exclamou — Querer ficar comigo e impor pra si mesma que o que eu fiz ficou no passado é coisa de gente tola. Achei que era mais inteligente que isso Tenten... — tentou parecer decepcionado. Mesmo que aquele sentimento avassalador lhe torturasse por mil ou um milhão de anos, ele não poderia negar que estar com ela poderia fazê-la mal. E ainda assim, ele torcia internamente para que ela o quisesse. Egoísmo? Talvez! Mas quem é que ama e não é egoísta o bastante para não conseguir pensar direito? Pois bem, ele era.
— Não é questão de ser tola ou não... — tentou intervir a seu favor, mas fora bruscamente interrompida por ele:
— É SIM! — ralhou ficando de pé e andando pelo cômodo como fizera no dia anterior, parecia conter os sentimentos negativos que se apossavam de seu corpo. Parou num único movimento, abaixando-se o suficiente para seus joelhos tocarem o chão. As mãos másculas e grandes cobriam o próprio rosto, e por trás das mesma o Hyuuga mordia com força a própria boca como se tentasse apaziguar uma dor com outra. Chegando até a ferir o lábio inferior. — Porque a qualquer momento a porra dessa maldição pode ser ativada pelo filho da puta que está com meu colar e a minha vítima pode ser você...! — deixou os braços caírem no assento do sofá. Neji estava sentado sob os próprio calcanhares enquanto o móvel servia de apoio para o mesmo como uma espécie de mesinha. O movimento fez com que alguns fios de seu cabelo se espalhassem, retirando parcialmente a perfeição visual que ele era. Tenten sentiu seu coração doer com a cena. Aproximou-se um pouco do moreno, apenas para permitir que seus dedos se emaranhassem naqueles cabelos sedosos e lisos mais uma vez. Como havia desejado durante toda a noite. O gesto de carinho fez o Hyuuga erguer a cabeça e fitá-la num misto de súplica, raiva e desespero. Entretanto, em momento algum ele rompeu o contato. Ao contrário disso, até fechou os olhos para senti-lo melhor — Porque eu não paro até que esse objetivo seja cumprido. Morte, esse é objetivo! — sua voz era falha e rouca, como se estivesse forçando ao máximo para proferi-las. E estava. O carinho de Tenten estava despertando em Neji sentimentos dos quais ele jamais permitiria pensar ou falar sobre, demonstrar talvez, mas do seu jeito. Nunca imaginou que uma única pessoa seria capaz de ser seu Céu e Inferno ao mesmo tempo, e aquilo lhe apavorava, tal como lhe acalmava... Essa era a imensidão do que ela fora capaz de despertar em si. Tudo, absolutamente tudo. Em suas palavras ele fez questão de ocultar a parte em que o pai da jovem era quem supostamente estava com seu colar. Achou que aquilo a deixaria pior do que já estava. E o que menos queria no momento era afasta-la de alguma maneira.
Tenten observou a mistura de fúria e dor do Hyuuga calada. Sua outra mão estava no próprio colo e o rosto estava neutro. Nenhuma expressão iluminava sua face delicada e enganosamente serena aos olhos perolados. Nem dor, nem tristeza... Nem mesmo alegria. Mas seus olhos pareciam suprimir um grande sentimento. Era como se ela quisesse invadir sua alma com aquele par de orbes castanhas, desvendar todos os seus segredos. Segredos estes que não deveriam sequer existir, mas que faziam parte dele. Era o passado de Neji e todas as atrocidades que ele cometera. Sim, recordava-se de cada uma delas com detalhes.
— Então me deixe... – pediu com um fio de voz e ele franziu o cenho, cortando o contato visual no mesmo segundo e baixando a cabeça. Deixá-la? Ele seria capaz?
Seria o certo, não? Mas ele sabia que não conseguiria. Não conseguiria se afastar de Tenten, a não ser, talvez, que acabasse colocando sua vida em risco.
E mesmo com o perigo de alguém estar com seu colar — tal como o pai da Mitsashi —, ele sentia que o mesmo seria incapaz de tentar algo contra a própria filha. A qual por sua vez também era uma peça chave para os planos do Céu. E então, Neji só queria protege-la. E o faria com a própria vida se necessário fosse.
Algum tempo se passou até que o moreno criasse coragem o suficiente para falar algo.
— Não posso! – respondeu num suspiro. Desta vez a Mitsashi não pesou duas vezes antes de pular do sofá e sentar-se ao lado dele — no chão —, aproximando muito os rostos até depositar um beijo calmo nos lábios do mesmo. Seu paraíso. Lábios que desejou avidamente durante toda aquela madrugada fria.
— Então acho que já temos a nossa resposta. – completou num sussurro assim que separou as bocas. Permaneceu de olhos fechados e com a testa colada na dele. Neji nada disse por muito tempo. Sentia seu coração acelerar, coração este que por séculos ele não imaginou que batia. Se é que realmente batia antes... Mas agora sim, e por ela. Só pra ela. O sentimento de aconchego, o qual ele tanto ouvira falar pela boca dos outros, aquele calor gostoso no peito e a sensação de que finalmente tudo estava se ajeitando.
Sabia quê, jamais seria o protótipo homem perfeito, mas também ficava feliz por ela não esperar isso. Seguiria assim, ao lado dela, cuidando dela, pelo tempo que a mesma desejasse. Afinal, a única maneira de fazê-lo se afastar da Mitsashi, era ouvir da boca da mesma que não queria mais.
E pra nada disso acontecer, cuidaria daquilo. Cuidaria com amor da única pessoa no mundo que realmente lhe fez se sentir vivo. Na sua maneira de amar... Meio doentia, meio louca, mas sincera.
Veria, veria mil vezes se necessário fosse a morena desfalecer em seus braços após uma intensa noite de prazer. Cuidaria dela em silêncio, serviria de apoio e acalento para as noites frias que estariam por vir. Seria para ela, além de seu homem, seu amigo. Não conteria seus ciúmes, sua possessão doentia.
Faria de tudo para que Tenten não precisasse de ninguém além dele. Seguiriam assim, só eles dois. E Neji estava disposto a fugir pelos restos dos tempos do Céu e do Inferno para mantê-la a salvo.
Tenten era sua, e ele moveria céus e montanhas para provar isso. Ela só não precisava saber.
— Queria que tivesse me conhecido quando criança, quando minha mãe ainda era viva e eu não era um fodido amaldiçoado. — ele finalmente quebrou o silêncio. Seus olhos pareciam distantes, como se estivesse perdido em alguma lembrança — Teria se apaixonado por mim... — sua voz era baixa, e ainda estava pensativo. Incerto, talvez.
— Eu já sou apaixonada por você, Neji... E me apaixono por você todos os dias, exatamente como você é... Sem tirar, nem pôr. — ela completou repousando a sua mãos sob a dele. E embora quisesse compreender, ela simplesmente não conseguia decifrar o mistério que era o homem que amava. Seu rosto e suas feições mudavam drasticamente. Era difícil para ela acompanhar seu humor.
— Então me diga Tenten... Como pode amar alguém como eu? — ele a olhou num misto de descrença e incompreensão. Tenten esboçou um sorriso diante da expressão do moreno. Mesmo sendo um homem extremamente bem vivido e entendido da vida, naquele momento Neji aparentava ser apenas uma criança curiosa. Uma criança que por sua vez, lutava contra si próprio.
— Como eu poderia não amar? — ela respondeu com outra pergunta. Estava apreciando muito aquele momento mais singelo que estava tendo com o Hyuuga. Afinal, qual a última vez que pararam para conversar? E mesmo sabendo que deveria estar parecendo uma idiota apaixonada, ela simplesmente não media esforços. Sabia que Neji não era romântico, mas isso não queria dizer que ela também não era. — E eu não sou nenhuma santa! — ergueu os braços e deu de ombros enquanto revirava os olhos. Neji lhe olhou de uma maneira engraçada e ela por instinto sorriu, pôde jurar que também havia notado a sombra de um sorriso no belo rosto do Hyuuga, e ficava feliz por ele se dar ao luxo de também desfrutar do momento. A verdade é que Tenten seria capaz de rir da coisa mais idiota do mundo. Pois, depois da noite vazia que passou, estar novamente ao lado do seu amor deixava seu coração leve e em paz. Ainda mais quando o clima entre os dois era de reconciliação e quem sabe até algo mais depois... Riu sacana e mordeu o lábio inferior enquanto olhava fixa para um ponto qualquer a sua frente. Sequer notara que observava o corpo do Hyuuga, e a reação da morena também despertou o lado do outro que urrava para sair desde a última vez que a tocara.
Sentiu a mão pesada de Neji em seu maxilar, o que a fez voltar para a realidade. Ergueu os olhos na direção do rosto dele e viu aquele olhar sombrio e que tanto lhe excitava, sentindo a própria feminilidade encharcar no mesmo instante. O polegar do Hyuuga passou pelo queixo até os lábios presos, obrigando os dentes a soltar a carne macia e que ele muito desejava tocar com a sua. Tenten apenas se deixou levar pelo momento. Não se importaria em deixar o final daquela conversa para uma outra hora.
— Não morda essa boca, Mitsashi! — ele disse entredentes e ela esboçou um sorriso safado. O Hyuuga voltou a fitá-la como fazia pouco tempo atrás, retirou sua mão do rosto delicado dela e voltou a repousa-la sob o sofá. Por mais que desejasse levá-la para cama e fode-la pelo resto do dia, Neji precisava mais do que tudo daquela conversa. Era como sentir um peso ser retirado de suas costas, e, nas entrelinhas de suas palavras, Tenten também afirmava que ficaria com ele. Custe o que custar. — Continue... — falou em seu tom frio e superior. Fazendo-a soltar o ar que sequer sabia que prendia dos pulmões em sinal de frustração.
Intimamente, Neji adorou a reação da morena. Adorava provoca-la e deixa-la a mercê de suas vontades. Assim sempre foi e sempre seria.
— Eu não sou boa o suficiente... Eu já fiz muitas besteiras. — ela ergueu os braços, quase como quem não sabia o que dizer. Perdendo-se em suas próprias palavras e sentindo seu corpo ser tomado pelo desejo. Ela parou subitamente e novamente fixou suas orbes castanhas em um ponto qualquer do cômodo, por fim completando — Já errei demais, mas acredite... Foi tentando acertar. — sua voz era uma lástima, parecia se lamentar por algo que o Hyuuga não fora capaz de captar.
— E o que conseguiu? Aprendeu errando ou insiste nos próprios erros? — Tenten o olhou de forma curiosa. Parecia tentar ler as expressões sempre iguais do homem a sua frente. Pôde jurar que a pergunta de Neji tinha um sentido por trás de suas palavras, como se o Hyuuga na verdade estivesse lhe fazendo uma outra pergunta. E respondeu:
— Eu não sou perfeita, eu nunca quis ser... Eu só queria ser alguém importante o suficiente pra você notar. O que eu quero dizer é que... — suspirou pesadamente — Não importa o que você diga Neji.. Não importa o quão você negue a si mesmo. Não pode negar o que há dentro de mim, e amanhã, eu ainda vou amar você! — exclamou e viu a surpresa estampada nos olhos e feições do moreno. O belo par de orbes peroladas estavam levemente arregalados, a boca entreaberta e toda sua expressão congelada. Ele não movia um músculo sequer de seu corpo. Provavelmente Neji jamais esperaria algo do tipo vindo dela, e não que ela não fosse capaz de filosofar sobre os próprios sentimentos, mas ao mesmo tempo em que falou dos próprios sentimentos, ela se impôs. Gostou do desafio silencioso que a mesma lhe lançou. Riu internamente por saber que além de linda, gostosa e espetacular, sua mulher também possuía um nível intelectual invejável.
" Eu não esperaria menos de alguém capaz de roubar minha atenção e meus sentimentos mais profundos e sinceros... " pensou enquanto silenciosamente, ele se levantava e ficava de pé.
Tenten observou em silêncio o homem caminhar cômodo, não esperava uma resposta direta dele. Mas no âmago estava orgulhosa de si mesma por ter tido coragem de falar aquilo que estava lhe sufocando. O Hyuuga parou de frente a porta de vidro, ergueu sua mão esquerda para abrir a mesma. A Mitsashi tinha o vislumbre de seu reflexo másculo através da peça transparente, mas que refletia a luz do dia levemente acinzentado que fazia.
— Tenten... — ele chamou baixando a cabeça. E mesmo que sua fala tenha saído trêmula e entrecortada, a morena simplesmente não sentia medo do que estava por vir, pois ela sentia que era algo bom.
— Sim? — respondeu para encoraja-lo.
— Você sabe que não deve esperar romantismo de mim, não é? — indagou e ergueu novamente a cabeça, fitando seu reflexo na porta enquanto aguardava a resposta da mulher. Sua mulher.
— Eu sei... — falou simplesmente, aquilo definitivamente não era nenhuma surpresa para ela. Viu a cabeça dele se mover em forma de concordância e o mesmo finalmente abrir a porta. Demorou alguns segundos e Neji não se moveu após o último movimento, parecia mais uma vez pensativo.
— Mas... — ouviu sua voz, ele aparentava estar relutante contra as próprias palavras, sem saber bem como pronuncia-las. Girou o rosto o suficiente para fitar a morena por sob o ombro, a qual agora repousava a cabeça na almofada fofa e macia do sofá enquanto o olhava de forma serena. Vê-la assim, tão linda e simples, lhe deu a coragem que precisava e procurava dentro de si — Eu te amo. — as palavras de Neji foram como uma forte pancada do cérebro da morena que entrou em choque, ele sequer fora capaz de ouvir as mesmas. Sua expressão era igualmente confusa e até um pouco receosa.
Após o susto, Tenten sorriu. Mesmo não esperando um homem romântico, não podia negar que ouvi-lo proferir aquelas três palavrinhas havia lhe deixado ainda mais feliz e aliviada. Além, é claro, de fazer seu coração acelerar de tal maneira que sequer conseguia ter equilíbrio sobre as próprias pernas. E ele permanecia lá, parado, aguardando algo.
— A recíproca é verdadeira. — ela falou com o fio de voz que possuía após a emoção. Não conseguia conter a onda de sentimentos dentro de si após de ter vivenciado aquele momento outra vez, achou que jamais ouviria algo do tipo do Hyuuga após o dia em que fora libertá-lo na prisão dos Hyuuga's. A diferença entre os dois momentos era gigantesca. E teve que ser forte para não permitir que as lágrimas de felicidade molhassem seu rosto.
Enquanto isso Neji apenas esboçou um sorriso e assentiu levemente. Caminhando por fim para fora da casa. Não que o momento também não tenha lhe deixado alegre ou aliviado, mas era certo quê o moreno sabia controlar muito mais suas próprias reações. Ele era um Hyuuga afinal.
Após vê-lo se distanciar na direção a floresta — provavelmente para buscar mais lenha para a lareira — ela levantou-se num pulo e correu atrás dele com uma ideia fervilhando em sua cabeça.
— Neji! — chamou assim que estava perto o suficiente para alcança-lo. O moreno parou e virou-se na direção dela, Tenten forçou uma parada rápida e quase esbarrou na muralha que era o corpo do Hyuuga, perdendo-se mais uma vez na visão do peitoral definido dele. Esquecendo-se momentaneamente do que fora fazer ali.
— O que foi, Tenten? — como imaginava ele já havia voltado a sua pose altiva e superior que possuía, mas Tenten estava feliz demais para dar importância para aqueles detalhes.
— Seja um bom quase-marido e faça um favor para sua quase-esposa. — deu as mãos atrás do corpo e as balançou levemente enquanto fazia uma carinha de sapeca. Neji revirou os olhos com a reação infantil da Mitsashi — Vai Neji... — implorou se aproximando dele e levantando as mãos unidas em sinal de reza, literalmente implorando. Dava sua melhor cara de cão sem dono — Por favor... Desejo isso desde que vim pra cá pela primeira vez... — pôs uma mão de cada lado do ombro do Hyuuga e ficou na ponta dos pés, usando a junção perfeita de infantilidade e sensualidade para persuadi-lo. Ele bufou irritado e ela sorriu sabendo que ele estava se dando por vencido.
— O que é!? — rosnou sério e ela riu ainda mais. Revirou o par de pérolas mais uma vez.
— Me leve até o rio que há lá embaixo. Desejo muito tomar banho lá... — nem completou sua frase e o moreno já lhe olhava como se ela fosse louca ou algo do tipo. Tenten manteve a sua postura, mas sabia que se realmente quisesse, teria que apelar.
— Não irei nem responder isso... — ele falou simplesmente, preparando-se para virar e seguir para buscar lenha, quando fora novamente interceptado pela morena.
— É sério Neji! — ela exclamou batendo o pé e correndo para ficar frente a frente com ele outra vez.
— Também é sério! — ele cerrou os punhos e crispou os dentes — Já conversamos sobre isso e você sabe que é terminantemente proibido para você sair de uma proximidade de pelo menos trezentos metros dessa casa. — ele apontou para o local ela suspirou — Não vou mais falar sobre isso... — tentou novamente se virar, mas dessa vez ela segurou seu braço — Tenten...! — rosnou em sinal de claro aviso. Seus olhos se mostraram intimidadores quando foram lançados na direção da Mitsashi, mas assim que os mesmos repousaram sobre ela, algo dentro do Hyuuga lhe alertou que naquela batalha ele não sairia vencedor.
A expressão de Tenten era indecifrável, seus olhos castanhos tinham pupilas dilatas e o semicerrado dos mesmos lhe deixava com um ar feroz. Neji se pegou observando a sua menina-mulher com curiosidade, a qual caminhava despretensiosamente em sua direção e com um sorriso fugaz nos lábios perfeitos.
— Neji... — ela falou com certo ar de inocência — Se você me levar lá, eu faço o que você quiser... — falou enquanto fechava os olhos e mexia a cabeça de forma cautelosa e despreocupada. E Neji até tentou, mas não conteve a sombra do sorriso safado que brotou em seus lábios. Por instinto seus olhos desceram para o corpo que se insinuava para si.
— Qualquer coisa!? — perguntou vidrado nos seios enrijecidos e que faziam sua ereção despertar e latejar, clamando por atenção.
— Qualquer coisa... — ela afirmou enquanto novamente aproximava os corpos. E dando-se por vencido, deixando seu desejo falar mais alto, ele finalmente assentiu em concordância. Mas ela aguardou sua fala:
— Vá se trocar! — ordenou esperando que ela trajasse uma roupa apropriada para a ocasião. E mesmo sabendo que estava fazendo uma loucura, julgava que não teria perigo se ela estivesse consigo e ele levasse algo para despista-los do rastro dos Anjos e Demônios.
Além de quê, o Hyuuga sabia muito bem que ela não suportaria ficar no rio por muito tempo. O frio que estava fazendo era demais para seu corpo frágil e ele mesmo não permitiria que ela corresse o risco de ficar doente e atrasar o seu pagamento.
Um grito estridente ecoou pelo local emitindo a felicidade da Mitsashi que pulou levemente de alegria, o moreno fechou os olhos e por instinto levou uma mão até o próprio ouvido. Só se desfez da posição no segundo em que sentiu a mesma se afastar e correr na direção da casa.
Abriu o par de pérolas e fitou a menina que corria esvoaçando os longos cabelos castanhos e ondulados, seus olhos fixos no corpo da mesma. E por instinto uma mão fora levada até seu pau, onde tocou com sutileza o membro duro, suspirando de prazer ao se imaginar recebendo a sua parte do acordo.
***
Mexeu o corpo de forma sutil de um lado para o outro, uma dor alucinante lhe atacava o cranio, a deixando zonza. Além de tudo, a menina de orbes peroladas — que aos poucos piscavam na intenção de se abrirem — ouvia vozes. Duas, e masculinas. Gemeu um pouco ao tentar se erguer o corpo e sentiu duas mãos firmes lhe empurrarem para trás. Fazendo-a deitar-se novamente.
— Fique deitada, ainda está fraca... — já havia ouvido aquela voz antes, entretanto, em um tom mais grave e maligno. O que havia acontecido? O dito cujo lhe falava de forma delicada e cuidadosa.
— Fraca...? — indagou a outra voz — Fraca com o quê?
— Não ouviu o que o Anjo celeste falou? — sussurrou como se quisesse manter segredo — Ela foi expulsa... — a voz agora era triste — Só Deus sabe o que ela sofreu até me encontrar... — suspirou e o outro bufou de forma audível para os ouvidos da Hyuuga.
— Azar dela encontrar justamente você, né Naruto? — abriu os olhos num sobressalto ao ouvir o nome.
Em questão de segundos Hinata já estava no local mais oposto daquele quarto e pronta para defender-se — mesmo sentindo-se estranhamente exausta. E sentia também, que não era por conta do que ocorrera antes de seu desmaio. O local em que estava num todo tinha más energias que influenciavam em sua força —.
O belo par de orbes peroladas observavam a cena com cautela, um Demônio e um Anjo/Besta lhe olhando com os olhos arregalados. O loiro parecia exasperado enquanto o Demônio prodígio tentava inutilmente para-lo.
— Hina... — ele chamou e ela recuou ainda mais, sentindo a parede fria e úmida atrás de si.
— Se caso se aproximarem de mim, eu os mato! — exclamou sacando a sua arma divina. O único objeto capaz de matar um Anjo e a única peça capaz de aniquilar qualquer coisa além disso. Até mesmo Demônios.
***
Não soube por quantas vezes tropeçou enquanto corria por aquele local desconhecido. Hinata estava totalmente perdida e levemente assustada, sabia que estava numa região remota do mundo e muito longe de qualquer civilização.
Parou ofegante assim que se afastou da mansão mal assombrada onde acordara. Estava tão próxima daqueles dois seres do mal... Não entendia o motivo pelo qual sempre perdia a razão quando estava próxima do loiro, o Anjo da besta... Ou Demônio como seu próprio pai insistia em chama-lo.
Sensações estranhas lhe invadiam, tudo só piorava quando ela se lembrava do beijo que ele havia lhe roubado. A Hyuuga não precisava se esforçar para saber que havia algo de errado com ele, isso era visível. Mas o que o fazia sempre insistir em ir atrás dela?
Medo. Tentou associar todas as sensações que ele lhe causava a isso. Desde o primeiro momento em que se encontraram naquela faculdade. Hinata muito já havia ouvido falar do Anjo que se tornara maligno após ter trancafiado uma besta mortal dentro de si. Só nunca entendera o porquê de seu pai sempre insistir em voltar a esse assunto, sempre sentiu que no meio de todas as palavras que saíam da boca do Hyuuga mais velho, algo não se encaixava. Uma peça faltava.
Sentiu as pernas fraquejarem e por breves segundos se deu por vencida, havia acabado de cometer uma loucura... Ou seria algo bom? Talvez, sabia bem que jamais deveria confiar em Demônios, eles eram seus inimigos declarados. Mas então, porquê o arrependimento e o peso em sua consciência?
Sua respiração estava acelerada, assim como seu coração. A boca delicada e carnuda não se fechava por nada, enquanto a mesma tentava desesperadamente puxar ar para os pulmões ao sentir o peso esmagador que aquela região sombria causava em si. Sentia-se sufocada, aprisionada dentro de si mesma e isso era perturbador. O corpo trêmulo... Hinata não era mais a mesma. Fez algo que jamais imaginou em toda sua vida.
E não poderia se arrepender.
Ergueu as mãos soltando momentaneamente a arma celeste que era por direito sua, herdada de sua amada mãe. Em seu Clã só havia outra como ela. A que carregava consigo e que outrora pertencera a sua falecida mãe, era de seu pai, de quando o mesmo morava no Céu com seu irmão gêmeo, Hizashi. E a outra era do dito cujo, a qual passara para as mãos de Neji antes mesmo de seu falecimento, no dia em que ele ganhou o título de "Melhor Guerreiro do Clã Hyuuga", a qual também fora aquela que arrancou o último suspiro de vida de seu amado tio. Quando fora exilado, boatos surgiram de que o jovem Hyuuga levara a arma consigo. Cometendo assim, um dos maiores pecados. Uma vez quê, armas do Céu devem permanecer com pessoas que seguem o propósito de servirem a eles.
— "Um verdadeiro perigo..." — eles disseram, como uma arma fatal para Anjos estava em posse de um traidor? Não era atoa que Hyuuga Neji era um dos mais temidos, se não o mais dentre todos da lista de inimigos celestes.
Observou as próprias mãos com cautelas, marcadas pelo ato do que acabara de cometer. Sujas de sangue, Hinata havia pela primeira vez usado a arma contra alguém, um inimigo do Céu — certamente —. A chuva torrencial que aos poucos começou a cair, sentiu quê a mesma também era o aviso de uma grande desgraça.
Tenten chorava, mas porquê?
Olhou para o Céu quando um raio cortou o cenário e sentada no chão como podia, ela chorou, arrependendo-se de seu ato. De ser falha, uma verdadeira vergonha para seu Clã e agora uma assassina.
Hinata havia matado o Demônio prodígio, ela havia matado Uchiha Sasuke.
***
— Ei garota... Vamos com calma. — disse Sasuke erguendo as mãos e tentando acalmar a Hyuuga. Olhou de canto para Naruto que mantinha os olhos levemente arregalados e o corpo inclinado na direção da menina — Hinata! — exclamou, fazendo os olhos perolados lhe olharem arregalados e em alerta.
— Hina... — chamou o Uzumaki fazendo o Anjo Hyuuga ficar ainda mais desconfiado.
— Nós só queremos conversar, certo? Existem algumas coisas sobre você que não te contaram, Hyuuga. — ele falou tentando se aproximar lentamente, na intenção de desarmar a garota que parecia mais assustada que atenta. A real vontade de Sasuke era matar a garota, sabia que ela estava totalmente alucinada e que muito provavelmente arrancaria a cabeça dele e de Naruto se tivesse chance.
— Hinata! — chamou novamente Naruto, finalmente ela o olhou. — Eu sei o que eles fizeram, meu amor. Você não vai lembrar de mim... De nós dois, eles apagaram a sua memória. — a Hyuuga arregalou os olhos o máximo que pôde. Que história era aquela, afinal? Quem havia apagado a sua memória? Por que? — Nós nos amamos, Hina... Lembra? Eu sou o Sol, você é a Lua... Meus cabelos, seus olhos... — deu uma risada desgostosa. Os olhos azuis lacrimejaram por alguns segundos com a lembrança.
Quantos momentos inesquecíveis não passara com aquela linda mulher? Quantas vezes não fugiu do treinamento chato de Jiraya e desceu para a terra apenas para encontrá-la? Quantas vezes não se perderam assistindo o pôr-do-sol do ponto mais Oeste do Clã a qual ela pertencia?
Um único segundo de deslize e ela baixou os olhos totalmente absorta a realidade. O que estava acontecendo, afinal? Um sentimento de falta lhe assombrava, e isso deu vazão a algo maior. Não sabia de nada do que o Anjo da besta falava, mas em seu âmago algo gritava para tomar cuidado.
— SASUKE, NÃO! — ele gritou fazendo-a despertar do transe.
O que aconteceu nos segundos posteriores marcaram o cenário daquele quarto macabro. Hinata ergueu os olhos a tempo de ver o Uchiha tentar se aproximar e desarma-la, foi rápida o suficiente para desviar do quase golpe e no momento seguinte sua arma estava atravessada ao corpo do Demônio prodígio. Enquanto isso era capaz de ouvir o gemido de dor do mesmo e do urro escandalizador do outro que acabara de perder o melhor amigo.
E era quase uma escolha para o Uzumaki... Ou o Uchiha, ou a Hyuuga.
***
— Hinata... — a Hyuuga despertou num susto ao sentir o hálito quente e a voz grave, misturada num ódio e nervosismo, ao pé de seu ouvido. O grito agudo ecoou pelo local e ela virou-se rapidamente, a tempo de ver os olhos vermelhos da besta muito próximos aos seus — O que você fez? — indagou Naruto erguendo as mãos trêmulas.
— AHH! Sai! Se afaste... — gritou pegando novamente a arma, antes que ele o fizesse.
— Você matou o Sasuke... — ele acusou e ela sentiu um frio percorrer sua espinha ao ouvir um forte estalo relacionado aos ossos do loiro que urrou de dor. Naruto permanecia abaixando e com os joelhos no chão, a mão que tremia estava erguida no alcance de seus olhos enquanto o mesmo se contorcia. O barulho dos ossos se quebrando era ensurdecedor aos delicados ouvidos da Hyuuga que por instinto levou as duas mãos até as orelhas — soltando a arma no chão sem se importar e perceber o perigo — e abaixou-se choramingando desesperada.
Um imensidão de sentimentos incompreendidos perturbava o coração da jovem menina, chegando a machucar demais. Sentada sob os próprios calcanhares, Hinata sentia os cabelos molhados se prenderem a pele de seu rosto. O sangue do Demônio prodígio aos poucos escorria pelas mãos da pequena Hyuuga.
— Eu fiz isso pro seu bem! — exclamou de olhos fechados, surpreendendo-se com as próprias palavras.
— V-Você fez...? — a voz sôfrega e incompreendida do Uzumaki a fez abrir os olhos lentamente e fita-lo. O mesmo ainda mantinha a expressão de dor, raiva e tantos outros sentimentos passageiros. Mas o que mais marcava sua face era um misto de esperança mesclada a dor da perda de seu melhor amigo. — Por que? — indagou. Naruto estava ressentido, era verdade, acabara de perder o amigo e para completar, a dor da possessão da besta estava maior que nunca. Era como se a morte de Sasuke significasse algo além de sua compreensão.
— Você cuidou de mim... — baixou sua guarda e a cabeça por alguns segundos, sentia os olhos passíveis de compaixão e sentimentos aos quais ela não entendia se misturarem nos olhos daquele Anjo. Voltando a mira-lo assim que ouviu um grito ainda maior dele.
Assustou-se ao ver o corpo do Anjo tomar a forma superficial da suposta besta, algo parecido com um manto vermelho e demoníaco. Pensou em pegar sua arma para defender-se, mas estava totalmente paralisada pelo medo de presenciar tal cena. Entretanto, ao contrário do que imaginou, a fera parecia sentir dor. E um último grito fora lançado aos céus no momento em que algo explodiu no interior do Uzumaki. Causando um desmaio imediato no mesmo e fazendo-o voltar a sua forma original.
— NARUTO! — gritou e correu na direção do corpo estático do loiro. Surpreendendo-se consigo mesma. Que instinto protetor era aquele que nascia em si ao ver a cena do garoto que lhe era tão estranhamente familiar, ao mesmo tempo que recém-conhecido? Que dor era aquela que se instalava em seu peito toda vez que pensava no sofrimento daquele Anjo?
— HINATA... — ouviu uma voz ao longe e se surpreendeu ao olhar para trás e ver a cena de seu pai. O Hyuuga mais velho estava só, o que era ainda mais suspeito. Ele tentou correr na direção dela, mas a menina ergueu uma mão quando ele estava a metros de distancia em nítido sinal para que ele parasse, e ele o fez.
— O que faz aqui? — indagou num misto de raiva e dor, sua mente estava um verdadeiro caos desde que se encontrara com o loiro desmaiado atrás de si. — Se arrependeu de não ter me matado e veio fazê-lo? — viu os olhos baixos o mais velho. Ele parecia profundamente arrependido e também sofria. — Então faz logo! — ordenou abrindo os braços e ele arregalou os olhos. Sua voz era firme, Hinata não estava com medo.... Raiva, talvez. Sentia que não tinha mais nada a perder. Neste segundo mais um raio cortou o céu e iluminou o cenário novamente. — O QUE ESTÁ ESPERANDO? — gritou sentindo seu peito inflar com o misto de sentimentos negativos que se apossava de si. Chorando novamente.
— Eu jamais faria algo contra você, minha filha... — ele juntou as mãos em reza e deu mais alguns passos lentos na direção dela. Hinata ergueu a cabeça e o olhou com a mesma fúria de antes, entretanto agora seus olhos perolados estavam cheios de lágrimas. Prova de sua dor e provação.
— Não!? — falou em tom esnobe e baixando os braços — Então por que apagou a minha memória? — falou em um tom sério. Hiashi travou diante da pergunta, os olhos igualmente perolados estavam levemente arregalados e ele assustado. Só então Hinata teve certeza, fora mesmo enganada todos aqueles anos. — Céus... Eu não acredito... — ela falou deixando novamente as suas lágrimas se misturarem as gotas de chuvas que batiam em seu rosto sem piedade alguma, enquanto recuava alguns passos até o ponto que tropeçou em algo e caiu sentada, mas não se importou. Em sua mente, tudo parecia finalmente se encaixar. Então o que o Uzumaki e o Uchiha lhe dissera era tudo verdade?
— Eu fiz isso pra protege-la... — ele falou num tom que mesclava mágoa e arrependimento.
— Me proteger? — questionou com escárnio.
— Não sabe como sofri por isso, minha filha. — suspirou, em sua mente a cena da época se passava como um filme. Tudo lentamente para lembra-lo de que o tempo, por mais misterioso que seja, sempre nos deixa uma certeza... Ele não volta. — Você era corajosa, forte e destemida quando ainda namorava o Uzumaki — os olhos dela se arregalaram — quase saindo da órbita — com a revelação. Ela pensou em perguntar " Namorava o Uzumaki? " mas sua fala se perdeu na própria garganta. — Sempre falou que ele era sua inspiração, sua base... Seu orgulho — engoliu em seco e deixou uma única lágrima escapar de seus olhos frios — E eu nunca acreditei. Nunca acreditei em nada disso porque você era uma Hyuuga! Nosso Clã não precisava de nada para se basear, éramos fortes natureza... — fechou os olhos, meneando negativamente — A verdade é que todos nós temos uma base de poder, Hinata. E eu demorei a entender que a sua base era... Amor. Você se perdeu depois disso... E eu tive medo de envia-la novamente em missões perigosas. Ninguém fala sob o assunto porque é tabu para mim. Mas só eu sabia o que era sofrer quando via você sair de madrugada pra treinar sozinha, na esperança de se tornar alguém — ele voltou a erguer a cabeça, mas não teve coragem de fitá-la — Hinata, você era uma das mais fortes... Perdendo apenas para o Neji. — aquilo foi como um choque. Todo o sistema nervoso e central da Hyuuga parou de funcionar e ela sentiu uma onda elétrica atravessar seu corpo. Involuntariamente suas forças se esvaíram e ela só não foi novamente ao chão porque já estava sentada. — Me perdoe... — mas ela ainda tentava digerir as informações. Era tudo demais para sua mente que deu pane, Hinata estava perdida com o que acabara de descobrir. — Um ancião que me ajudou no feitiço me falou, eu poderia apagar a sua memória, mas nunca o sentimento que existia dentro de você para com ele... — ele finalmente a olhou, pronto para completar a frase, mas ao invés disso os olhos perolados se arregalaram e ele gritou —HINATA, CUIDADO! — apontou para algo atrás da Hyuuga.
Involuntariamente a menina virou o rosto na direção que ele informara, olhando por sob o ombro para a figura do Demônio que pegara sua arma e agora corria em sua direção para mata-la. Estava muito próximo, e sentindo-se totalmente incapaz, ela só fechou os olhos aguardando o pior.
Mas a dor não veio... E lentamente ela abriu as orbes peroladas, presenciando mais uma cena que marcaria para sempre a sua vida.
— PAI! — gritou vendo-o entre ela e o Demônio, com sua arma atravessada em seu tórax.
***
Naquela tarde Tenten não havia se arrependido do pedido que fizera ao moreno. Havia finalmente realizado sua vontade de ir até o rio, Neji lhe acompanhara. O mesmo por vezes negou o pedido dela de adentrar o lago, estava atento demais em tudo ao redor. Mas a Mitsashi jogou sujo no momento em que tirou a própria roupa e o induziu a querer se juntar a ela.
Transaram ali mesmo, como poderia.
E isso resultou em uma breve nota mental para a morena de que ficar totalmente nua em um local frio como a colina e principalmente dentro de uma água totalmente gelada, poderia lhe render uma suspeita de gripe para a noite que viria.
E ela chegara — a noite —, graças aos cuidados e conhecimento de Neji para com ervas e chás, ela não ficou doente.
Ambos estavam na cozinha, Tenten observava o Hyuuga por trás enquanto o mesmo cozinhava. Era engraçado como funcionava o sistema ali, ela nada fazia, nem mesmo os afazeres domésticos. E não por não saber — bem, ela não era nenhuma cozinheira renomada, mas sabia desenrolar um prato de comida quando necessário —, mas Neji parecia não querer que ela se esforçasse em nada.
O motivo? Nunca soube. Era como se, aos olhos perolados, qualquer movimento brusco e ela poderia quebrar.
O que não era de se surpreender, uma vez que a diferença entre os corpos e a força de ambos era notória. Por vezes Neji tinha receio até de pega-la com mais força, mas qualquer receio e medo eram esquecidos quando estavam na cama, no corredor, no banheiro, no rio ou em qualquer outro lugar que resolvessem transar.
Afinal de contas, Neji não era Neji quando se via excitado e desejando aquela mulher.
— Neji... — ela chamou. Ele não respondeu em voz alta, apenas a olhou por sob o ombro com a sobrancelha arqueada enquanto separava os ingredientes para a janta — Eu posso tratar a carne... Ou olhar as panelas — ela falou desviando o olhar na direção do que falara.
— Não. — respondeu curto e grosso e ela revirou os olhos. Viu ele lavar as mãos e chacoalhar as mesmas no ar, em seguida secando-as em um pano de prato próximo.
— Tá. Então pelo menos me deixa... — não completou a frase, pois o moreno se virou com a panela de inox e a depositou com certa brusquidão sobre a mesa, olhando feio para a jovem que cruzou os braços irritada. — Que droga! Eu não vou quebrar... — bufou e olhou para a janela da cozinha, observando o cenário noturno de fora da casa.
— Não, não vai. Você vai esperar bem quietinha e sentada no seu lugar! — exclamou com a sobrancelha arqueada e uma cara de poucos amigos. Tenten se controlou para não jogar o primeiro objeto que visse na cabeça dele, não queria brigar com o mesmo após terem feito as pazes. Uma noite de desespero já bastava.
O resto do tempo se passou assim, Tenten de cara fechada e Neji com uma nítida expressão de quem não se importava com a birra da Mitsashi. Por vezes ela se perguntou mentalmente como ele conseguia ser assim, nem parecia que aquele homem fora o mesmo que havia se declarado para si mais cedo. E o que mais lhe instigava, a danada gostava. Gostava do jeito superior que ele possuía, a indiferença no olhar e a frieza na fala. Gostava principalmente por saber que era a única pessoa no mundo capaz de quebrar tudo aquilo com um único movimento.
Sorriu sapeca e com os olhos baixos. Ao voltar a ergue-los suas orbes castanhas foram de encontro as peroladas, a qual lhe fitavam semicerradas. Ela arqueou uma sobrancelha e deu de ombros. Rindo internamente ao imaginar o que ele deveria estar pensando.
— O jantar está pronto. — falou ele em seu tom cordialmente gélido. Ela deu as mãos acima do balcão e sorriu piscando os longos cílios. Aguardando que ele a servisse também.
***
Após o jantar que fora feito no mais absoluto silêncio. O casal quente agora se agarrava na cozinha. Tenten estava sentada sob a mesa de mármore com as pernas ao redor do quadril de Neji — que estava de pé —. O Hyuuga mantinha o corpo inclinado para a frente e aproveitava a posição para esfregar o membro rijo na intimidade da Mitsashi que gemia ao senti-lo devorar seu pescoço exposto. A cabeça da garota jogada para trás e os olhos fechados, seu cenho estava franzido e a boca por vezes se abria para emitir o som gutural de prazer.
As unhas rodeavam e rasgavam a pele alva do Hyuuga por onde passava, braços, ombros e costas. Por vezes as mãos subiram na direção do cabelo e os fios longos e lisos foram brutalmente puxados. Emaranhando-se nos dedos finos e longos da mulher.
Tenten sentiu o corpo ser empurrado para trás e sem cerimônias deixou-se levar, totalmente extasiada e excitada. Neji repousou a mesma deitada na mesa e levantou-se para observar a figura feminina semi-nua e totalmente a sua mercê. Seu pênis pulsou ao vislumbrar as marcas vermelhas que surgiam no pescoço da Mitsashi e ao ver a pele da mesma naturalmente avermelhada e brilhando de suor pela excitação. Ela estava quente, e ele adoraria sentir o quão quente estava sua feminilidade outra vez.
As veias pulsavam ao redor dos olhos brancos, e ele sentiu um frio percorrer sua espinha no segundo em que levou sua mão hábil até a intimidade da morena e a tocou por sob o tecido. Ouvindo-a gemer novamente. A sombra de um sorriso brincou nos lábios masculinos enquanto o mesma mirava a garota.
Curiosamente Neji sentiu sua visão embaçar, aos poucos sua cabeça girar como se estivesse zonzo. Por instinto retirou a mão da vagina de Tenten e a repousou sob a barriga da mesma, enquanto a outra buscava apoio em um canto da mesa.
O Hyuuga sentiu que por alguns minutos fosse perder a consciência. Baixou a cabeça ao sentir uma dor aguda e muito forte no cerebelo. Quase perdendo momentaneamente a sensibilidade do toque.
Tenten estranhou e abriu os olhos, observando o moreno acima com os olhos fechados e uma forte expressão de dor. A excitação deu lugar a preocupação, Tenten se levantou — sentando-se na mesa — e repousou as mãos no rosto de Neji. Forçando-o a levantar a cabeça.
— Neji...? — indagou visivelmente preocupada. Sua voz ainda rouca e falha, mas com uma nítida preocupação, ressonaram nos ouvidos do Hyuuga que meneou levemente. Abrindo os olhos em seguida e mirando as orbes castanhas repletas de preocupação. Sorriu a sua maneira.
— Não foi nada... — falou aproximando-se para beija-la, colando novamente os corpos e rodeando o corpo diminuto com seus braços. Mas Tenten ainda não parecia convicta.
— Não é o que parece! — insistiu olhando-o fixamente, parecia tentar captar qualquer sinal de fraqueza dele.
— É só cansaço, tá? Eu não dormi essa noite e o dia foi cheio! — mentiu. Levemente irritado. Neji jamais ficaria exausto por motivos tão fracos. Mas ela pareceu ceder. Era o que importava.
— Então é melhor irmos dormir... — deu de ombros e ele novamente esboçou a sombra de um sorriso maldoso.
— Vamos... Depois de foder — sussurrou aproximando lentamente seu rosto do dela. Tenten ergueu os olhos para olha-lo e franziu o cenho, mas acabou sorrindo e beijando-o de vez.
Um outro beijo voraz se iniciou. Neji deveria estar preocupado com o motivo da sua fraqueza, mas sua excitação falava mais alto que qualquer coisa. Sempre. E ele deixou suas mãos passearem novamente pelo corpo esbelto da morena, ouvindo novamente seus ouvidos se encherem daquele gemido gostoso e que lhe deixava repleto de luxúria.
Mas dessa vez a dor e tontura bateram mais forte. Neji se afastou num movimento brusco, assustando Tenten e a deixando perplexa diante da cena. O Hyuuga derrubou uma cadeira que causou um barulho oco ao ir de encontro com o chão e repousou as mãos sob a pia, sentia seu sangue ferver gradativamente. E sentia que isso não se dava pela quentura do momento.
Num outro segundo sentiu algo se quebrar dentro de si, seu Eu maligno. E urrou. Urrou caindo de joelhos no chão e com as mãos na cabeça. A cada segundo que se passava ele sentia algo dentro de si se romper.
Imagens de alguém com o maldito colar se passava em sua mente, Neji sabia o que aquilo significava, só não queria acreditar. Não queria acreditar que depois de todos aqueles séculos o maldito ainda estava aguardando um momento para ativá-lo outra vez.
Segundo após segundo, o desgraçado ativava o segundo estágio de sua maldição.
— " Finalmente... " — a voz dele ressonava em sua mente, via muito vagamente a imagem, não sabia ao certo. Era tudo um grande borrão. Tudo o que conseguia fixar eram os cabelos longos. O local onde o mesmo estava também não tinha muita iluminação, o que não ajudava.
— N-Neji... — Tenten chamou assombrada e tocando com carinho o ombro do Hyuuga. O mesmo virou o rosto para ela, as veias as quais Tenten estava acostumada a ver ganhavam uma dimensão maior. Ela simplesmente não entendia o que estava acontecendo.
— Sai... — ele falou com um fio de voz. Em seus olhos era nítida a luta interna que ele travava. Ela negou com a cabeça.
— O que está acontecendo? — alisou com carinho a face do homem que amava, mas ele virou o rosto. Negando o contato.
— Sai Tenten... — repetiu entredentes. Neji parecia estar sendo possuído ou algo do tipo, independente de tudo, a visão era extremamente perturbadora aos olhos da morena que chorava feito uma criança.
— O que está acontecendo!? — indagou novamente e num tom mais alto. Sentiu um aperto forte no braço direito. Neji apertava o mesmo com uma força esmagadora, ela podia senti-lo praticamente arrancar seu membro.
— Ten... Ten... Entenda, não sou eu que estou ativando essa maldição. E eu vou perder o controle do meu corpo... — ela gemeu alto de dor ao sentir a intensidade com que seu braço era apertado.
Mas não era ele. Neji já não tinha mais controle de seu braço esquerdo — o que apertava o dela — e se desesperava por isso. Se passasse mais alguns segundos ali, ele certamente a mataria. Contra sua vontade, mas mataria.
Não seria ele. E ele só teria a chance de se arrepender depois de ter estripado o corpo dela, assim como fizera com seu pai.
— Você pode se controlar... — ela falou num misto de dor e desespero, a dor em seu braço era alucinante. E ela fechou os olhos, a qualquer segundo ele quebraria o mesmo, só bastava um único movimento.
Ouviu o som de osso se quebrando e mordeu o lábio inferior. Surpreendeu-se ao não ter sentido a dor do seu membro fraturado, e ao contrário disso, o mesmo fora liberto. Abriu os olhos tentando entender a cena e viu Neji de olhos fechados e com a mão direita sob o ombro esquerdo. O braço que a pouco lhe machucara, agora estava imóvel e quase pendurado ao redor do corpo del. Demorou alguns segundos até entender o que havia acontecido.
Ao contrário do que imaginava, Neji havia quebrado o próprio braço para não machucar ela. E aquilo só lhe desesperou ainda mais, ao mesmo tempo em que encheu seu coração de esperança. Aproximou-se dele em um movimento brusco e segurou o rosto do mesmo entre as mãos.
Não se importava com a imagem meio desfocada do belo rosto do Hyuuga, as veias o deformavam gradativamente. Dando-lhe uma imagem mais demoníaca. Sorriu com dor e encostou sua testa na dele. Ia falar, mas o mesmo fora mais rápido.
— Sai Tenten... Vai embora daqui! — ele implorou afastando-se ao sentir seus sentidos lhe abandonarem lentamente. Seu corpo entrava em uma espécie de transe.
Para manter-se acordado e garantir que a Mitsashi estivesse longe quando ele perdesse totalmente o controle do próprio corpo, Neji fechou os olhos e bateu com força a cabeça no chão da cozinha. O que fez a morena gritar horrorizada e brigar com ele, implorando para que ele parasse.
— PELO AMOR DE DEUS, PARA NEJI! — gritava chorosa.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Neji esmurrou o chão, erguendo a cabeça apenas para falar com o fio de voz e força que lhe restava para resistir:
— Se não sair daqui eu me mato, Tenten. SE NÃO CORRER EU MATO NÓS DOIS! — ele gritou e ela arregalou os olhos, afastando-se por instinto — Entenda de uma vez por todas, eu não paro até matar. — ele falou por fim e a viu se levantar contra a própria vontade, a face cheia de lágrimas.
Fechou os olhos para não precisar ver a mesma chorar. Mas o som ainda dos soluços lhe perturbava. Aguardou a mesma sair da casa para quebrar suas duas pernas e deslocar o braço direito. Deitando no chão e se entregando totalmente a dor.
Sabia que seu corpo muito bem treinado iria se regenerar rapidamente, mas torcia para que pelo menos desse tempo suficiente para que ela fugisse e saísse do alcance do feitiço que os ocultavam. Que encontrasse ajuda, antes que ele a encontrasse.
Sentia sua inconsciência chegando, os olhos perolados e de veias marcantes fitavam o teto da cozinha. Lentamente a dormência em seu corpo aumentava, até o ponto de perder totalmente o controle do mesmo. Não tinha mais forças para lutar contra.
Neji agora era um mero espectador de suas próprias atrocidades.
***
Tenten correu na direção da floresta, não sabia ao certo para onde ir. Seu coração estava em frangalhos pela cena que presenciou, ainda fora capaz de ouvir — contra a sua vontade — o barulho de mais ossos se quebrando. Não olhou para trás, imaginava que a cena poderia lhe traumatizar para sempre.
As lágrimas teimosas continuavam a escorrer de seu belo rosto, assim como a chuva torrencial que marcaria os quatro cantos do mundo. Suas pernas fraquejaram e ela se encostou na primeira árvore que alcançou. Seu braço machucado agora estava com uma leve dormência. Deixou o corpo escorrer sob o tronco até se sentar no chão de terra molhada.
Ainda não estava longe o suficiente da casa e sabia que se Neji a encontrasse, ele a mataria. Queria poder esperar para enfrentá-lo, fazer com que ele vencesse o próprio medo e lutasse por ela, lutasse contra os próprios instintos assassinos. Mas não podia negar, Tenten estava muito assustada para fazê-lo.
Ouviu um barulho ensurdecedor e levantou-se num pulo. Os olhos estavam arregalados e a morena no mesmo segundo olhou para trás, mais precisamente na direção da casa que ao longe ainda podia ser vista com precisão.
As orbes castanhas captaram o segundo em que algo saiu da casa por cima, quebrando o telhado e voando até certo ponto de altura. Tenten observou estática a figura de Neji como um Anjo de asas negras, as quais se abriram ao máximo — como forma de superioridade — no segundo em que um raio cortou o céu e iluminou o mesmo. Os longos cabelos negros — cada vez mais molhados pela chuva — esvoaçavam de acordo com o vento forte que fazia. Mesmo distante, a Mitsashi pode notar o rosto do Hyuuga, quase como se focalizasse o mesmo. Seus olhos perolados transmitiam indiferença e algo mais... Desumano. Os mesmos passeavam de forma analítica pelo cenário ao redor, parecia procurar algo ou alguém... Ela.
Aquele não era mais o seu Neji. Estava escrito em sua expressão.
E ao vislumbrar Tenten entre as árvores, o Anjo amaldiçoado recebeu uma interna descarga elétrica como forma de aviso, encontrara sua vítima. As veias ficaram mais evidentes e lentamente os olhos brancos se tornaram arroxeados. Num tom mais puxado para o negro.
A morena sentiu sua garganta secar no segundo em que as asas negras bateram e vieram em sua direção. Amaldiçoou-se internamente por ter parado. Recomeçou a corrida numa inútil tentativa de se esconder ou ao menos distrai-lo momentaneamente.
— " Pessoas morrem todos os dias, sim. Mas eu nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo. Até agora... [...]
[...] E então, lá estava eu, fugindo para não morrer. Correndo o mais rápido do que minhas pernas conseguiam se mover. Tropeçando, caindo e levantando. Era o meu ciclo. Meu corpo já estava cheio de hematomas e cortes que ardiam, e eu sequer me importava. Chorava compulsivamente. Nem mesmo quando fui sequestrada eu fique tão assustada. E não que eu não tivesse tido medo, mas sim porque sabia que o meu maior inimigo estava a espreita e não eram aqueles dois. Agora sim! Lá estava ele, e vindo atrás de mim. Totalmente desprovido de algum sentimento. Totalmente desprovido de algum controle ou noção de realidade. Seu corpo e sua mente selados por uma maldição. Neji estava atrás de mim. E iria me matar. Era estranha a sensação de saber que eu não tinha medo de nada por estar ali, porque eu estava protegida. E agora? Agora quem me protegia havia se tornado o meu carrasco... E eu estava só. " — os pensamentos de Tenten eram totalmente confusos, tristes e desolados. Mal prestava atenção no caminho que tomava, a escuridão do local também não ajudava muito.
Seu único foco de luz eram os raios que por vezes cortavam os céus cada vez mais furiosos. A terra parecia chorar junto a ela, totalmente desesperada. A chuva estava uma droga, o chão com terra preta e molhada sujava suas pernas e salpicava a cada passo que dava. Por vezes viu a sombra do Anjo e suas enormes asas nas copas das árvores e até mesmo no chão — sempre que dava um raio —.
Olhou para os lados, poderia gritar, mas sabia que ninguém lhe escutaria. Viu sua chance de fuga quando vislumbrou uma pequena caverna um pouco distante dali. Se desse sorte a mesma teria um bom lugar para se esconder, distrai-lo, essa era sua vontade. Sabia que nem em seus melhores dias ela seria capaz de fugir de Neji de forma definitiva.
O coração falhou algumas batidas com a sensação de esperança. Um sorriso de dor brotou em seus lábios e ela correu na direção da mesma, desviando de algumas árvores no processo. Notou que durante aqueles curtos segundos não ouviu e nem viu mais sinais do Hyuuga, não sabia se era algo bom ou ruim. Não avistou um pedaço de raiz de uma das árvores que saia da terra, e tropeçou. Caindo feio.
Cinco. Dez. Quinze segundos se passaram com a Mitsashi ali, deitada no chão de terra molhada e folhas secas. Totalmente exausta. As lágrimas continuavam a fugir de suas orbes, deixando seus olhos castanhos tão límpidos quanto pudera.
Tenten forçou o próprio corpo a erguer-se ao ouvir mais um trovão, estava totalmente trêmula e cansada. Mas sabia que se parasse para descansar um pouco, a única força que ainda tinha iria se esvair por completo. Na verdade, o que ainda lhe mantinha erguida era simplesmente a adrenalina do momento.
Congelou, paralisou totalmente ao ouvir o som de vários galhos acima de si se quebrando e em seguida um barulho oco que algo caindo com força no chão se fazer presente. Tremeu ainda mais da cabeça aos pés ao virar lentamente o corpo e mirar Neji ali, lentamente recolhendo as asas negras e molhadas pela chuva. Os olhos fitando-lhe sem um mínimo de emoção. Não soube se chorava, se tentava correr ou se gritava. Ainda sentada no chão ela arrastou-se para longe dele, o máximo que pôde. Sentiu novamente o corpo ser parado por uma árvore, as orbes castanhas sequer piscavam diante da visão.
Era Neji, mas não o seu Neji. Os olhos antes perolados ficavam cada vez mais demoníacos e horripilantes, diferente do que havia visto anteriormente, a íris estava agora em um tom vermelho-vinho. Muito lhe lembrando uma lua de sangue. E ao redor da mesma tudo estava negro. As veias ao redor dos olhos ganharam dimensões ainda maiores, espalhando-se pela região do pescoço, bochecha e até a testa do mesmo. E em um geral, aqueles olhos que fitavam mantinham-se totalmente desprovidos de sentimentos.
— Neji... — ela choramingou e deixou mais algumas lágrimas escaparem de suas orbes castanhas, olhando-o suplicante. — Você não quer fazer isso... — falou horrorizada ao vê-lo sacar uma espécie de adaga pequena e totalmente talhada com escrituras em uma linguagem que ela não entendia. — Você pode lutar contra isso! — ela buscou forças de algum lugar para se levantar. Pondo o dedo enriste.
Era assustador como ele sequer parecia responder a ela, era como se aquele a sua frente não fosse o homem que convivera todos aqueles dias. E sim um robô maligno e que possuía sua perfeita imagem, com algumas pequenas modificações. Ele sequer piscava e também parecia não respirar. Seu corpo de aço, o peitoral exposto e as asas agora já recolhidas deixavam o Anjo amaldiçoado com um ar maligno.
Num milésimo seguinte, ela viu a cabeça dele baixar levemente, apenas o suficiente para dar-lhe uma expressão ainda mais assustador. Tenten fora capaz de captar a velocidade inumana a qual o Hyuuga se aproximara, mas foi incapaz de fugir. Aquela adaga atravessou o corpo de Anjo, o sangue pingou castigando a terra e consagrando-a. Que grande pecado ferir uma criatura tão divina.
O grito de horror ecoou pelos quatro cantos da floresta.
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