Além do amor
8 Pesadelo
Notas iniciais
Tem dois caras de preto perto da sua esposa agora. Se você continuar com essa palhaçada eu mando o meu sinal para esses caras e acabo com essa história... Você tá me escutando?
Clara olhava para Marina e seus olhos expressavam todo o medo ao ver perto da sua esposa dois homens de preto com uma escuta discreta no ouvido por baixo do cabelo que só seita notada quem olhasse fixamente para seus ouvidos. Seu coração apertou e toda sua dor e medo foram transformadas em lágrimas.
– Miguel, você precisa me escutar... — pedia Clara olhando fixamente para Marina e aqueles caras que estavam tão perto dela.
– Não! Não! Não quero mais escutar uma só palavra saindo da sua boca... O meu recado já foi dado, te dou 5 dias para resolver essa situação antes que eu coloque um fim a todo o meu plano... — ameaçou o Enfermeiro.
– Miguel, me escuta... Me escuta... Me dê mais um tempo, 5 dias é pouco para tentar explicar pra Marina...
– Explicar? Explicar o que, Clara? Você não vai explicar nada pra essa mulher e pra ninguém... Deixa eu ser mais claro, você tem duas opções: deixe a Marina sem dá nenhuma explicação ou fique com ela e assista de perto sua mulher morrer nos seus braços com um tiro fatal na cabeça... A escolha está nas suas mãos... Até o próximo contato... — finalizou Miguel desligando a ligação.
– Miguel... Miguel... Espera — Clara ficou procurando maiores explicações para aquela atitude doentia, procurava entender se aquela ameaça tinha alguma possibilidade de ser verdadeira. A morena não sabia quem eram os dois caras de preto, não era nenhum amigo seu, então procurou saber se a Marina conhecia. Clara enxugou suas lágrimas, respirou fundo e buscou forçar para ir ao encontro da sua mulher sem deixar escapar todo o desespero e medo que estava sentindo.
– Oi! Onde você estava? — perguntou Marina logo que sentiu e viu a presença da esposa ao seu lado na conversa que estava tendo com Gisele, Vanessa e Flavinha. (Chegada idêntica a da Marina na Clara no dia da exposição de casais quando Clara estava conversando com Chica e Ricardo.)
– Estava resolvendo aquele probleminha... — respondeu Clara fazendo a sua esposa entender rapidamente.
Elas conversavam naturalmente, Clara demonstrava preocupação e ao mesmo tempo não tirava os olhos dos dois homem de preto que não paravam de observar Marina e Ivan. Clara resolveu entrar com o papo e finalmente descobrir como aqueles dois homens entraram na festa.
– Amor, aquele dois rapazes perto da escada são seus amigos? Nunca vi antes — perguntou Clara querendo passar naturalidade, embora a realidade era completamente diferente.
– Meus? Nunca vi antes — respondeu Marina ao mesmo tempo se questionando quem era aqueles dois.
– Ah meninas, eles são lá da Faculdade do Murilo. Conhecemos eles essa semana, o de cabelo cumprido está afim da Luiza e pediu para vir a festa assim que soube que ela era sua sobrinha, Clara. — respondeu Gisele causando uma enorme revolta em Clara.
– Como assim, Gi? Como vocês convidam alguém que mal conhecemos pra vir aqui em casa? — questionou a morena sem ao menos pensar que a sua reação está totalmente estranho e imprópria no momento.
– Que isso, amor? Eu dei autorização para as meninas convidarem alguns amigos para animar um pouco a festa, amor — respondeu Marina ao mesmo tempo que questionava a atitude da mulher. — Por que isso agora? Recebemos pessoas estranhas todos os dias aqui.
– No estúdio, Marina! Não dentro da nossa casa. — respondeu Clara mostrando ainda mais seu desespero. Todas as meninas ficaram se olhando sem entender a reação de Clara pela presença daqueles dois rapazes ali. — Gi, tudo bem! Sem problema... — finalizou Marina tentando amenizar o clima que foi formado. Clara olhava para o lado sem escutar Marina tentar amenizar a situação e também não notou que as meninas saíram dali.
– O que está acontecendo com você? — perguntou Marina ao olhar sua esposa viajando ao olhar o redor. Marina puxou Clara para si e cobrou explicações da mulher. — Não aconteceu nada. Só não gostei de terem convidado duas pessoas que a gente e até elas não acontecem direito. — justificou Clara.
– Só acho que você foi muito indelicado com a Gi. Ela só ... — Marina tentava concluir a frase quando foi surpreendida com um beijo da esposa. — Vamos esquecer isso? Depois peço desculpas pra Gi... — tentou finalizar e encerrar aquele assunto pois sabia se Marina pressionasse falaria mais que deveria.
Clara não sabia mais o que fazer, precisava desabar e contar aquilo a alguém. Precisava recorrer alguém que pudesse resolver aquilo, pensou em ir a delegacia mais próxima mas não tinha provas o suficiente.
Já eram 23:00h e todos já se despediam de Clara e Marina. Chica foi uma das ultimas a deixar a mansão. Clara estava sentada no sofá com Ivan dormindo no seu colo quando levantou para colocar o menino na cama no andar de cima. Chica aproveitou que sua filha levantou e procurou estabelecer um diálogo.
– Filha... — chamou Chica fazendo Clara olhar para trás. — Precisamos conversar... — continuou Chica.
– Já te falei, mãe! Não quero conversar com a Senhora... Pelo menos não hoje. — finalizou Clara dando dois passos a frente. Sentiu uma mão no seu olho que por alguns segundos pensei ser da sua mãe, quando virou e viu que era da sua esposa.
– Vai lá. Deixa que eu coloco o nosso bichinho da cama. — falou Marina já pegando o menino dos braços da esposa.
– Mas eu não quero conversar com ninguém agora — retrucou Clara. — Vai ser melhor, meu amor. — concluiu Marina tirando Ivan dos braços de Clara e deixando as duas sozinhas na sala.
– Filha... Por favor... Me escuta. — pedia Chica mostrando estar sem jeito com a situação. A cada segundo que passada a mãe de Clara procurava palavras para se explicar, mas parecia não encontrar. — Eu não fiz nada... Se fiz foi sem intenção. — disse Chica mostrando em suas palavras que aquilo que dizia não era para se confiar.
– Sem intenção? Sem intenção? Calma ai, vamos recapitular... Você chama um homem pra festa que a minha mulher está organizando sabendo que esse homem está afim da esposa dessa mulher... Você quer mesmo me dizer que não tinha nenhuma intenção com isso tudo, Dina Chica? — questionou Clara rindo ironicamente do cinismo de sua mãe. — Não minta mais pra mim... Não jogue contra mim mais uma vez, mãe.
– Clara, eu errei, errei de verdade... Não pensei na hora, me deixei levar pelo momento e ... — Chica se explicava quando foi interrompida pela filha.
– E? Ajudou o Miguel a armar toda esse nojeira pra cima de mim e da Marina? Eu pensei que você tinha me aceitado, que você tinha aceitado a filha que tinha e principalmente tinha aceitado a minha felicidade. Eu achei que tinha o seu apoio, mãe. Como você acha que a Marina se sente vendo você me jogar pra outro? Vendo você ajudar um cara a acabar com o nosso casamento? Achei que você... — Clara deixava toda sua revolta transparecer, mas mantinha o respeito pela sua mãe, mas não deixava de dizer e se importar diante daquilo tudo que estava acontecendo e que tinha a ajuda da sua própria mãe.
– Eu continuo a mesma, minha filha! Eu errei e me sinto muito mal por tudo que ajudei a causar ...
– Você não tem noção — murmurou Clara em tom baixo para si mesma.
– Sei a gravidade de todas as coisas. Jamais quis destruir a sua felicidade e se eu pudesse te ajudar de alguma forma eu não pensaria duas vezes, mas agora parece estar tudo bem entre vocês...
– NÃO, MÃE! NÃO ESTÁ TUDO BEM! A MERDA JÁ ESTÁ FEITA E AGORA NÃO TEM MAIS COMO VOLTAR. O SEU PEDIDO DE DESCULPAS AGORA NÃO MUDA ABSOLUTAMENTE NADA DO QUE ESTOU VIVENDO NESSE MOMENTO... — Clara gritava na casa sem pensar que Marina poderia ouvir ou que Chica pudesse entender que alguma coisa de ruim estava acontecendo. A morena não agüentava mais toda aquela dor que estava sentindo dentro de si, não agüentava mais pensar que poderia perder Marina a qualquer momento e que sua vida estava em suas mãos. Chica abraçou sua filha que continua a gritar ao mesmo tempo que sentia suas lágrimas caírem. Clara abraçava sua mãe com força, procurava nela conforto que tanto precisava naquela hora.
– O que está acontecendo, filha? — questionou Chica ao ver o desespero da filha.
Clara olhou para sua mãe — EU VOU FAZER DE TUDO POR ELA, MESMO QUE ISSO EU TENHA QUE MORRER — finalizou com um beijo em sua testa e subiu rapidamente para o seu quarto chorando sem parar. Chica ficou procurando entender o que Clara disse com aquilo saindo rapidamente da mansão em direção a casa de Helena desesperadamente.
Clara chegou no seu quarto, percebeu que Marina ainda estava no quarto de Ivan quando recebi uma mensagem anônima no seu email e resolveu abrir.
" Faltam 4 dias... Estou na sua cola, todos os lugares que vocês estiverem seremos muitos espalhados para o grande momento se concretizar..."
Clara olhou para o relógio e viu que marcava o início do outro dia, era meia noite e seus olhos mostravam tudo que sua alma sentiu naquele momento. Marina entrou no quarto, Clara se virou e viu sua esposa com seu filho no colo.
– Ele está com medo de dormir sozinho, então achei que seria bom dormirmos nós três agarradinhos essa noite, que tal? — explicou Marina fazendo Clara ir ao seu encontro. A morena tirou Ivan de seu colo, colocou o menino na cama e depois dei um beijo suave em seus lábios seguido de um abraço forte deixando suas lágrimas caírem. Clara queria eternizar aquele momento, queria se trancar com Marina aquele quarto e esquecer do pesadelo que estava vivendo.
Clara vivia um dos piores e mais dolorosos momentos de sua vida.
Clara se encontrava no quarto com Marina e Ivan deitados ao seu lado, quando olhou para o relógio e viu marcar meia noite. Ouviu um barulho na escada, resolveu sair para ver quem poderia estar ali. A morena chegou sorrateiramente na sala enorme que aquela casa tinha, olhou para as janelas e viu um vulto passar no corredor da cozinha. A morena foi caminhando devagar, observando cada canto daquela casa enorme. Clara chegou na cozinha e se deparou com um homem parado na mesa com uma metralhadora em uma de suas mãos. Clara gelou ao ver o revolve nas mãos daquele homem até que sentiu a presença de um outro rapaz andando em sua direção.
– Pensou que estávamos brincando, Clara? — o rapaz questionou a morena no mesmo tempo que a pegou pelo o braço e foi arrastando seu corpo para o andar de cima da casa. Clara pedia para que deixassem ela e sua família em paz. Os dois rapazes mandavam Clara calar a boca e falar baixo em meio a vários socos e tapas em sua cara. Clara chorava compulsivamente, sentia seu rosto queimar pelos inúmeros tapas que estava recebendo.
Os dois rapazes chegaram a suite do casal, jogou Clara em cima da esposa e de filho fazendo com que os dois acordassem assustados sem entender o que estava acontecendo. Clara não parava de chorar um minuto. Pedia pela vida da sua esposa e do seu filho.
– PELO AMOR DE DEUS! NÃO FAÇA NADA — gritava Clara desesperadamente. Marina questionava a sua mulher, queria entender o que aqueles dois homens estavam fazendo ali armados. Clara não conseguia responder as perguntas desesperadas de Marina e Ivan.
A morena só conseguia implorar pela vida deles.
Miguel surgiu na porta com um fuzil, encarou Clara... — Eu te avisei, eu disse que a vida deles estavam dependendo de você... — iniciou Miguel friamente.
– POR FAVOR MIGUEL! PENSE DIREITO ANTES DE FAZER QUALQUER COISA... VOCÊ PODE SE FERRAR MUITO COM ISSO. — pedia Clara protegendo Mariana e Ivan ao mesmo tempo.
– EU JÁ PENSEI MUITO, CLARA! SE EU NÃO POSSO TE TER, NINGUÉM MAIS TE TERÁ. — Miguel levantou a arma e apontou para a cabeça de Marina. Olhou para seus dois parceiros e avisou. — DEIXA QUE ESSA AQUI EU MESMO MATO. — encostou a arma na cabeça de Marina e fez final para um mirar em Ivan e o outro em Clara.
– NÃO! — Clara desesperadamente se colocou a frente de Marina e Ivan. Protegeu os dois e se recusou a sair da frente.
– SE VOCÊ QUISER MATAR ALGUÉM AQUI... MATE EU. MATA! ATIRAAAAAAA... ATIRA EM MIMMMMMM... NELES NÃO- pedia Clara aos gritos desesperadamente.
– CALA ESSA BOCA E SAI DA MINHA FRENTE AGORA — Miguel pegou Clara a força e jogando a morena no chão.
– DIGA ADEUS AO SEU GRANDE AMOR, CLARA. — Miguel apontou para Marina, apertou o gatilho e disparou dois tiros certeiros em sua cabeça.
Clara se levantou do chão aos gritos, dando socos no enfermeiro — NAOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO — gritava Clara.
Clara acordou gritando — NÃO! — na mesma intensidade que havia gritado no seu sonho ao ver Miguel atirando na sua esposa. A morena acordou desesperada, fazendo Marina se assustar.
– O que houve, Clara? — questionou Marina preocupada com o susto da mulher. — Que foi, mãe? — Ivan também acordou assustado com o grito da mãe no meio da madrugada.
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