Além do Tempo

13 O Medalhão de Eilift lif - Capítulo 13


Notas iniciais
Olá Pessoas!!! Finalmente atualização dessa fic!! Vamos comemorar o Solstício de Verão da melhor forma possível. Quero agradecer a todos que estão deixando comentários saibam que eles são muito importante pra mim, são como combustíveis para nossa inspiração, para que possamos vencer o cansaço do dia a dia, pesquisas, trabalhos e tudo mais que um autor passar para escrever por amor, somente por amor a escrita! Preciso agradecer a Vivi que betou esse capítulo colocando de lado suas próprias fics, Obrigado amiga! Essa capa foi feita para essa fic há quase um ano pela minha querida amiga Lince, quando eu pedi esse desenho para ela eu estava com essa cena do Rada sequestrando o Hyoga em mente, mas olha como a gente demorar para poder chegar em uma cena prevista! A coitada deve ter pesando que eu tava enganando ela hehehe. Obrigado amiga pelo desenho e pelo seu carinho comigo! Chega de papo vamos a fic!!!

Além do Tempo — Capítulo 13

Camus soltou um lamento triste e Afrodite o amparou. — Meu querido se quiser fazer uma pausa nestas lembranças ruins poderemos voltar a este assunto em outro momento.

— Não, Afrodite, eu preciso contar tudo o que houve, eu preciso falar. — Camus devolveu decidido.

— Sim, quero escutar o relato de meu sobrinho, há muitos pontos que ainda são enigmas para mim. — Pediu o Rei Albafica em tom ameno. — Camus, meu querido continue, por favor.

O elfo dos cabelos vermelhos concordou e voltou a falar após ter bebido um pouco de água cedido por seu primo Afrodite.

...

Os primos acamparam numa tenda próximo ao lago, e na manhã seguinte Hyoga despertou cedo para poder brincar com os cisnes. — Vamos, papai, os cisnes estão lá fora.

Camus sorriu para o filho ao ver sua disposição.

— Vamos ver os cisnes, Hyoga! — Mu falou e os dois saíram em direção ao lago.

Shaka se aproximou do primo que suspirou cansado.

— Shaka, eu não sei o que fazer, minha obrigação é levar Hyoga para Ville Rosálie e ficar lá com ele em segurança, mas meu coração pede com todas as forças para que eu vá à busca da chance de dar vida eterna ao meu amor, a fazer com que nossa história recomece para termos a oportunidade de criar nosso filho juntos. — Camus falou em meio ao seu mar de dúvidas.

— Camus, nós vamos encontrar uma forma de fazer isso em segurança, prometo. — Shaka falou cheio de esperanças.

Estava selado o acordo entre eles.

Shaka não poderia estar mais feliz, iriam ao encontro do medalhão.

A viagem durou mais três meses sem maiores problemas, Camus sentia-se mais livre após tirar o peso da dúvida de sua cabeça, estava decidido: Iria encontrar o medalhão e depois procuraria por Milo, criariam Hyoga juntos, ele e seu amor, em uma cabana.

— Mas e se o tal medalhão de Eilift lit só puder dar a vida eterna a um mortal, como vão fazer para escolher quem viverá? — Mu perguntou inocentemente durante uma noite quando estavam descansando da viagem.

Camus e Shaka trocaram olhares tensos, mas Camus logo quebrou o silêncio e a tensão respondendo: — Shaka fica com o Medalhão de Eilift lit. — Os primos olharam surpresos para Camus que concluiu. — Eu tenho meu filho para me lembrar de Milo por toda a eternidade e Hyoga só está vivo porque vocês cuidaram de mim e dele, não tenho direto a tirar mais nada de vocês.

— Camus vamos pensar nisso quando chegar a hora de pensar sobre isso, não antes. — Shaka falou sabiamente.

Voltando a estudar o mapa Shaka chamou os primos. — Vejam! Estamos a alguns dias para chegarmos à entrada da cidade, em três dias devemos chegar a cidade, segundo estes mapas o Medalhão está escondido neste ponto.

Mu e Camus prestavam atenção enquanto Hyoga dormia tranquilamente em sua cama improvisada.

— Eu não vou seguir com vocês até a cidade. — Camus avisou, para espanto dos primos.

— Mas, Camus, não pode desistir agora! — Shaka respondeu inconformado.

— Shaka, minha prioridade é o Hyoga, não posso seguir com vocês, entrar numa cidade mortal com um bebê elfo no colo seria muito arriscado, Hyoga é muito novo, sabe que a maldade humana pode fazer mal a ele, crianças são sensíveis a isso! — Explicou Camus.

De fato as crianças élficas eram sensíveis aos sentimentos, e uma cidade mortal estava cheia de maus sentimentos, Camus sabia disso.

— Entendo, Camus, entendo e respeito sua decisão, mas eu irei. — Informou Shaka firme. — Vamos procurar um local seguro para você, Hyoga e o Mu acamparem.

— Não, Mu vai com você, Shaka, jamais permitirei que vá só até a cidade de Mênfis sozinho, não seria prudente.

— Mas, Camus, você vai ficar só com o Hyoga, isso é muito mais perigoso. — Contrapôs Shaka.

— Vou ficar aqui na floresta, o que pode me acontecer aqui?

E assim ficou acordado entre os primos.

Na manhã do dia seguinte, Shaka e Mu partiram antes do sol raiar.

— Shaka, como vamos entrar na cidade sem sermos notados? — Mu questionou ao se aproximarem dos limites da cidade.

— Vamos nos vestir como os mortais e vamos esconder nossas orelhas, e no seu caso esconda seus cabelos lilases, não vi um só mortal que tenha cabelos nesta cor. — Aconselhou Shaka. — Trouxe roupas de escravos serviçais, os humanos não costumam prestar atenção nos serviçais.

— Como sabe disse, Shaka? — Questionou o jovem elfo.

— Observando nas poucas vezes que precisei ir às cidades. — Respondeu o loiro.

Então os dois trocaram-se e seguiram para a cidade de Mênfis, mas perceberam que havia algo de errado, as pessoas estavam assustadas, escondidas em suas casa.

Shaka e Mu podiam sentir o cheiro do medo, o ar estava pesado, as poucas pessoas que se aventuravam nas ruas passavam às pressas, correndo.

— Senhor, por favor, nos diga o que está havendo? — Shaka perguntou a um ancião que tinha seus passos lentos, mas ainda assim caminhava rapidamente.

— Uma grande tragédia se abateu sobre nosso povo! Nosso faraó foi levado, nosso líder, nosso deus vivo! — O homem lamentou, Mu e Shaka trocaram olhares preocupados.

— Senhor, acabamos de chegar nesta cidade, por favor nos diga o que está acontecendo? — Shaka tornou a perguntar quando o homem perdeu o equilíbrio, mas a agilidade dos elfos impediu a queda. — Senhor podemos acompanhá-lo até sua casa?

— Sim, sim, venham, as ruas não são seguras. — O velho homem informou levando os visitantes com ele para sua casa.

A casa do homem era simples como suas vestes, sua esposa veio recebê-los. — Tomaz, eu estava tão aflita com sua demora.!

— Minha querida, os soldados daquele nefasto homem conseguiram entrar no castelo, os boatos são verdadeiros, nosso faraó Abmont* foi levado e com ele todas as riquezas e relíquias que estavam guardados há séculos, tudo se foi. — A mulher colocou a mão na boca num lamento preocupado.

— O que será de nós, Tomaz? — A senhora perguntou abraçando o marido.

— Mulher, somos velhos, não teremos serventia para Radamanthys, devemos nos manter escondidos, pois os cruéis soldados do tirano estão matando a todos que não tem serventia para eles.

Atentos à conversa Shaka sinalizou para que Mu os protegessem com um feitiço e assim o elfo fez. Não tardou ouviram passos vindo do lado de fora.

Shaka fez sinal para que todos se calassem.

— Achei ter visto algumas pessoas vindo nesta direção. — Ouviram uma voz masculina dizer.

— Ratos, devem ter fugido. Vamos embora já saqueamos todos os tesouros do castelo. — Outro homem comentou.

— Dizem que o Faraó deu um medalhão mágico ao nosso Rei Radamanthys em troca de clemência. — Revelou o primeiro homem, o outro apenas riu com deboche. — Do que está rindo? Acaso contei alguma piada?

— Ouvi dizer que o poderoso Faraó dessas terras caiu foi de amores por nosso Rei, e sabe que Vossa Majestade Radamanthys tem um fraco por jovens mancebos, aliás, ele tem um fraco por uma boa bunda. — O outro comentou sorrindo.

— Isso é fato, pois há boatos de que ele sodomiza nosso general Valentine. — Os homens começaram a rir antes de deixar o local.

Mu olhou para seu primo que respirava com dificuldade tentando controlar seu nervosismo. "O medalhão se foi" — Shaka pensava inconformado.

— Shaka precisamos ir embora, Camus está só. — Lembrou Mu preocupado com os acontecimentos recentes.

— Não Mu, vamos procurar, não posso acreditar que ele se foi, deve haver algum engano, eu vou atrás do medalhão! — Shaka respondeu firme, não abriria a mão de conseguir dar a seu amor do passado a chance de uma vida eterna.

*-*-*-*-*

Camus estava com Hyoga no lago, banhava a si e a seu filho, por ser um elfo das águas e do gelo Camus sempre recarregava suas energias no rio, lago ou mar. E ele precisava muito de energia uma vez que alimentava seu filho com sua energia. Claro que aos dois anos Hyoga já comia frutas e verduras, mas nada disso dava mais energia que banhar-se no rio, a vida pulsante nesse lugar dava a Camus toda a energia que precisava.

— Vamos, Hyoga mergulhe sem medo. — Camus segurava o filho e o fazia mergulhar, Hyoga piscava os pequenos olhos e sorria alegre quando emergia. — Muito bem, filho.

Novamente tornava a mergulhar o pequeno e assim ficaram por horas brincando e se exercitando no lago. — Hyoga, se o Shaka achar o tal medalhão poderemos ir ao encontro do seu pai mortal.

Camus falava com o filho, mas Hyoga na inocência das crianças apenas sorria e se distraía com qualquer coisa que entrasse no seu campo de visão.

.....

— Foi mais fácil do que eu pensei todas as riquezas daquela cidade agora são minhas! Inclusive o Deus vivo deles. — Radamanthys vibrava montado em seu cavalo sendo seguido de perto por seu general Valentine e pelo feiticeiro e conselheiro real Ichi.

— Meu Senhor, eu disse que vi em seu futuro grandes feitos, este é só o começo. — Bajulou o conselheiro.

— Sim, é só o começo, veja este medalhão que o grande Faraó me presenteou após passar a noite em minha cama, ele disse que esse artefato é milenar e de grande poder, eu já me sinto poderoso, muito poderoso! — Orgulhava-se o Rei.

— Que o grande Hades conceda todos os poderes para o nosso Rei, pois encheremos suas terras nos infernos com as almas dessa terra! — Valentine bradou e seus soldados deram vivas!

— Valentine, peça aos homens que façam um breve acampamento aqui, logo a frente tem o lago que eu quero me banhar. — Ordenou Radamanthys.

— Precisa de companhia? — Perguntou Valentine se insinuando.

Radamanthys sorriu malicioso antes de responder. — Companhias são sempre bem vindas.

.....

No caminho para o lago Radamanthys e Valentine beijavam-se com a fúria dos necessitados. — Oh, meu Senhor, quero o sentir inteiro dentro de mim.

— Vai sentir, meu caro, vai sentir! — Respondeu Radamanthys apertando as nádegas de seu general com volúpia.

Valentine abaixou de frente para seu general ficando a altura de sua cintura e naquela posição encontrou o membro rijo do Rei, com a boca salivando de excitação o general o abocanhou.

Radamanthys fechou os olhos e soltou um gemido de prazer ficou com os olhos cerrados por alguns segundos, mas logo se pôs a olhar para o lago e foi então que teve a visão do ser mais belo que viu em sua vida.

Maravilhado com a visão de Camus nadando com uma criança, o Rei esqueceu-se completamente de Valentine que ainda trabalhava na felação. — Basta disso, Valentine levante-se e veja. — Levantou o general se escondendo com ele atrás de algumas árvores.

— O que é aquilo? — Valentine questionou também impressionado com a beleza do rapaz que nadava no lago.

— Um elfo, aliás, dois! Veja, a criança também é um elfo. — Radamanthys respondeu ainda encantado com a visão do jovem elfo a sua frente.

Camus alheio ao fato de que estava sendo observado continuava nadando e brincando com seu filho.

— É muito raro de se ver uma criança élfica, será que existe alguma colônia por aqui? — Valentine perguntou.

— Não sei, e não me importa aquele elfo será meu. — O Rei dizia com olhos fascinados de cobiça, quando viram Camus congelar uma parte do lago e fazer cair alguns flocos de neve, a criança sorria e abria os pequenos braços brincando com a neve.

— Viu isso? Ele congelou o lago! — Valentine comentou surpreso.

Radamanthys sorriu agora mais do que nunca queria aquele elfo para si, seus poderes seriam ùteis para sua causa. — Valentine, vamos pegá-lo.

— Como?

— Veja a criança está seguindo as borboletas, você vai atrair ela em sua direção e quando você estiver com ela, fuja, vá para Gonda, essa criança será nossa moeda de troca. — Radamanthys explicou o plano para seu general que confirmou com a cabeça.

— Certo, farei como ordena, meu senhor.

Radamanthys fez sinal para Valentine explicando que iria dar a volta para o outro lado, foi até seu cavalo e pegou uma corda e foi para o lado oposto ao de Valentine.

— Vem borboleta, vem brincar comigo. — Hyoga dizia saindo do lago e andando a sua margem, Camus aproveitou este momento para mergulhar no lago, não se preocuparia caso Hyoga caísse no lago, pois sentiria assim que o menino tocasse a água.

Hyoga saiu da água e viu algumas folhas se mexendo. — Vem borboleta, vem!

Um grito cortou o ar, Camus saiu de seu mergulho chamando preocupado. — HYOGA! ONDE VOCÊ ESTÁ?

Camus chamava desesperado, não sentia mais a energia de seu filho. — PELO DIVINO! HYOGA, ME RESPONDA!

Camus saiu do rio e ia se encaminhando para a margem, no local havia visto Hyoga antes de mergulhar quando foi surpreendido por uma corda que laçou seu corpo. — Mas o quê?

Foi com grande temor que viu o homem grande de olhos assassinos sair de dentro da mata segurando a ponta da corda que o prendia.

“Quem é esse homem, por que não consegui sentir sua presença?”— Pensou Camus ainda sentindo meu coração gelar. — QUEM É VOCÊ E ONDE ESTÁ MEU FILHO?

— Se quiser que seu filho fique vivo é melhor você se acalmar elfo, de hoje em diante você me pertence. — Avisou Radamanthys com seus olhos amarelos assassinos.

Camus não podia entender sentia-se fraco de repente, desviou os olhos do olhar maléfico do homem a sua frente e seus olhos cravaram no objeto que o déspota carregava no pescoço, “o medalhão” Camus sentia-se fraco e confuso. — HYOGA! HYOGA! HYOGA! — O elfo gritou e gritou pelo filho até que Radamanthys o esbofeteou o fazendo ir ao chão.

Radamanthys agachou pegando Camus pelos cabelos e olhando em seus olhos, falou pausadamente. — Elfo, entenda de uma vez, agora você me pertence, seu filho estará seguro enquanto você for bom comigo.

*-*-*-*

— E foi isso que aconteceu, passei três anos mortais a mercê daquele homem, aguentando os piores tipos de humilhações. — Concluiu Camus se rendendo as lágrimas. — Desde aquele dia não vi mais meu filho, eu falhei com ele.

—Não se culpe tanto, Camus, não se culpe tanto, meu querido. — Afrodite consolou o primo, o Rei Albáfica, no entanto continuava sério fitando o sobrinho.

— Meu tio, eu sei que não sou digno de ficar em suas terras, mas peço que receba meu filho quando ele chegar com Shaka, e peço também abrigo aos mortais que os acompanham. — Camus pediu ajoelhado perante o Rei Albáfica.

— Não diga bobagens, Camus, ouvi seu relato como me pediu tanto você e seu filho e primos são bem-vindos a Ville Rosalie, como os mortais que os acompanham, quero que descanse e se alimente, meu sobrinho. — O Rei falava com voz contida, mas séria. — Ouvi tudo que houve com você em sua ausência, mas você precisa saber de tudo que houve no nosso mundo.

— Aconteceu algo com meu pai ou Degel? — Camus perguntou tenso.

— Aconteceram várias coisas durante sua ausência meu querido, várias coisas.

*-*-*-*-

A noite caiu em Ville Rosalie Camus havia se recolhido em seus aposentos como foi orientado por seu tio, mas não se alimentou, só o faria quando Hyoga voltasse são e salvo.

Aldebaran e Máscara da Morte andavam pelos campos maravilhados com a beleza do lugar. — Acho que nunca vi lugar mais belo em toda a minha vida. — Comentou Aldebaran, cheirando as flores.

— Sim, aqui é realmente o lugar mais lindo que já estive. — Comentou o outro melancólico. — Minha Helena adoraria ver todas essas flores, tinha loucuras por flores, a minha pequena.

Aldebaran olhou consternado para o amigo, Máscara nunca falava de sua família e muito menos de sua esposa, mas com certeza ele estava sob o efeito da paz que aquele lugar lhes dava, colocou a mão no ombro do amigo, sinalizando que estava tudo bem.

Mais à frente viram Mu conversando com outros dois elfos, Mu não trajava mais as roupas de escravo que seu disfarce exigia, estava trajado como um legítimo elfo de sangue nobre.

— Que lindo! — Comentou Aldebaran quase em um sussurro.

Máscara da Morte seguiu o amigo o olhar do amigo com o seu e viu para onde aquele gigante carente estava a observar, Viu o pequeno elfo de Aldebaram conversando animadamente com alguns amigos da sua espécie.

— Mu, conseguimos sentir que está apaixonado de longe. — Comentou Misty, que colhia algumas flores no jardim para enfeitar o grande salão onde seria servido o jantar.

Afrodite, que havia ficado com Camus até que este adormeceu, estava junto aos outros dois também falou. — Seu gigante também o ama, Mu. Ah! Que coisa linda.

— Ele não me ama, ele me rejeitou. — Contou Mu, algo que estava o incomodando desde a caverna.

Afrodite olhou para o primo e viu ao longe Aldebaran que fitava Mu encantado. — Ah, Mu, ele o ama sim, mas ele tem medo, só isso.

— Afrodite, como um homem daquele tamanho vai ter medo de mim? — Perguntou Mu agora percebendo que era observado pelo seu salvador.

— Ele o ama, acredite em mim. — Repetiu Afrodite.

— Mu, logo teremos início às comemorações do solstício da primavera, você já está na idade de debutar nas festividades. — Comentou Misty sorrindo malicioso.

— Será que o Divino me abençoaria? E se o Divino escolher outra pessoa? — Perguntou Mu confuso.

— Se isso acontecer é por que não era pra ser Mu, o Divino jamais erra nas suas escolhas. — Respondeu Misty seguro de sua resposta.

— Mas o Camus, o pobre sofre tanto... sem contar o Shaka. — Comentou Mu.

— Mu, desconfio que haja mais coisas nesta história do que só a sorte do destino. — Respondeu Afrodite pensativo.

— O que quer dizer com isso, Afrodite? — Mu questionou o primo.

— Por hora nada, Mu, mas quando Shaka estiver aqui são e salvo com nosso pequeno Hyoga, chegará a hora de ligarmos os pontos dessa história. — Afrodite falou sombrio.

— Ei, Afrodite, é impressão minha ou o companheiro de viagem do nosso Mu não tira os olhos de você? — Perguntou Misty malicioso.

Afrodite olhou na direção do homem que Misty mencionou, Máscara da Morte desviou o olhar, por um instante sentiu como se o elfo tivesse desnudando sua alma.

— Pobre homem, seu coração está cheio de dor e mágoas, parece que ele fechou o coração para o amor, fechou não por falta de amor, mas sim por ter amado demais e não suportar a ausência desse amor. — Afrodite declarou olhando para o homem que agora andava na direção oposta. — Mu, o que sabe sobre a vida desse homem?

— Não sei nada, apenas que os amigos o chamam de Máscara da Morte, mas o motivo eu não sei.

Afrodite estreitou os olhos, aquele homem sofrido, que tinha o coração fechado para o amor era uma incógnita para ele.

....

Camus estava no aposento que seu tio reservou para ele, já havia decidido que não se alimentaria enquanto Hyoga, Milo e os outros não estivessem em segurança.

Sua alma estava inquieta, tinha que fazer algo, tinha que ajudar de alguma forma.

Abriu a imensa janela e ajoelhou sobre a luz do sol que entrava. O quarto de Camus, assim como a grande parte dos quartos do castelo de Ville Rosalie, eram amplos e tinham entradas para a luz solar, para ventilação.

A impressão que se tinha quando no castelo é que estavam dentro de uma árvore e de fato isso era verdade uma vez que o castelo de Ville Rosalie foi construído desde as raízes de uma árvore milenar.

Milhares de anos, e os elfos na natureza fizeram sua morada ali em meio à vida pulsante da natureza.

Camus ajoelhou no chão e ergueu seus braços em oração ao divino.

— Forças superiores, Divino do cosmo pulsante em cada um de nós, peço que transforme minha mente em vento, faça com que eu possa percorrer os caminhos que trazem meu filho, meu amor e meus amigos. — E repetindo essa frase como um mantra Camus foi entrando em transe, havia ligado sua mente a natureza e as forças dos ventos percorriam em todo lugar e que tudo viam, sempre repetindo esse mantra.

*-*-*-*

Shaka, Aioria, iam mais a frente Milo e Hyoga pelo meio e Isaak fechando a guarda mais ao fundo.

Shaka e Aioria dividiam o mesmo cavalo, assim como Milo e Hyoga, estavam indo para Ville Rosalie dando a volta por fora dos limites de Gonda para evitar ao máximo cruzar com soldados de Radamanthys, mas ainda assim estavam atentos a tudo uma vez que sabiam que Radamanthys não era homem de desistir facilmente.

— Não devíamos vir pela estrada é muito perigoso, ficaríamos mais camuflados viajando pela floresta. — Comentou Shaka com Aioria.

— Justamente por este motivo seria pior irmos pela floresta, muito provavelmente Radamanthys colocou seus soldados para nos caçar em todos os lugares, assim como estamos conseguiremos visualizar qualquer pessoa que se aproximar de nós, e nossa rota de fuga é muito mais ampla. — Explicava Aioria pacientemente imaginando que seu elfo não tinha conhecimento em combates e estratégias de fuga. — Veja, estamos vindo na frente, Milo está vindo a nossa vista, mas está afastado o suficiente para fugir caso sejamos surpreendidos por quem quer que seja, e Isaak está vindo logo atrás, cuidando da nossa retaguarda se alguém tentar fazer algo conosco, ou com Milo, ele estará a postos para nos defender, sem contar que ele como elfo é um excelente lutador.

— Também sei lutar, achei que tivesse ficado claro quando resgatamos o Hyoga. — Resmungou Shaka pelo elogio que Aioria deu para Isaak enquanto os esforços dele, Shaka, não fora mencionado.

Aioria sorriu com gosto antes de se justificar.

— Meu amor, não sei como era sua vida entre o seus, mas é notório que você é um nobre, não teve treinamento de guerras, e batalhas como Isaak, MAS. — Aioria acrescentou, mesmo sem poder ver a cara de poucos amigos que Shaka trazia no rosto, uma vez que o elfo estava atrás de si. — É notório também que você treinou muito, mesmo sem experiências em batalhas você se saiu muito bem no resgate do Hyoga, só não pode hesitar em matar seu oponente se sua vida, e a de seus companheiros, estiverem em risco.

— Nunca matei um ser vivo, nem mesmo um inseto. — Revelou Shaka.

— Lamento, Shaka, mas estamos em tempos de guerra e você viu que Radamanthys não hesita em matar quem quer que entre em seu caminho ou quem no lhe tem serventia. — Avisou Aioria sério. — O tempo das hesitações ficou para trás.

Shaka absorvia as palavras do seu amado.

....

Milo ia com Hyoga montado em seu cavalo na sua frente.

— Deixe o ventania correr comigo! — Pediu o menino elfo.

Sorrindo, Milo falou: — Quando estivermos em terras seguras você e o Ventania poderão se divertir muito juntos, mas agora precisamos de cautela.

Hyoga, numa sabedoria ímpar para uma criança na opinião de Milo, concordou com a cabeça e voltou a olhar o caminho, mas sempre se distraía com algum pássaro ou borboletas que passassem em sua frente.

De repente, sentiram uma brisa suave tocar-lhes o rosto, Milo fechou os olhos e pensou em seu elfo “Ah, Camus, estou levando o seu filho pra você” — Pensou Milo sentindo o peito aquecer ao lembrar-se de seu amado, mesmo que Camus nunca quisesse ficar consigo, Milo sabia que o amaria por todo o sempre, algo em seu peito lhe dizia que aquele sentimento seria eterno.

— Papai. — O pequeno elfo chamou abrindo os pequenos braços como se Camus estivesse ali com eles. — Também sinto sua falta, papai.

Milo observou a criança olhando em volta, não via Camus, mas sentia sua presença também. — Vou cuidar dele, Camus, vou cuidar dela pra você.

Assim como aquela sensação veio ela foi embora.

...

— Camus, venha ver o pôr do sol conosco, ele é simplesmente divino aqui em Ville Rosálie. — Afrodite entrou no quarto do primo quando encontrou Camus caído sem sentidos no chão.

— Camus! Pelo divino o que houve?

...

— Ele está exausto, sua energia viajou com os ventos, é algo muito perigoso de se fazer quando estamos em forma, assim debilitado como Camus está poderia ter sugado toda sua energia. — Misty explicava para os aflitos Mu e Afrodite.

— Camus, o que você foi fazer? — Mu perguntou enquanto acariciava os cabelos do primo inconsciente.

— Desespero, Mu, nosso querido Camus está desesperado por notícias de seu filho, só espero que ele tenha conseguido acalmar seu coração. — Afrodite respondeu ao primo menor. — Vamos deixá-lo descansar por hora, ou melhor, por dias! Mas sei que com os ares de Ville Rosálie, ele vai se recuperar por completo.

...

— Camus. — Chamou Shaka olhando ao seu redor.

— O que houve, Shaka? — Perguntou Aioria que estava atento ao elfo.

— Senti a presença de Camus. — Respondeu o elfo de cabelos dourados.

— Engraçado, meus pensamentos foram para ele também. — Comentou Aioria displicente.

Shaka teve um mau pressentimento, sentiu seu peito pesar. “Camus, que você esteja bem e em paz agora que viu que estamos com Hyoga e estamos bem”. — Pediu Shaka em pensamento.

Sentindo os ventos baterem em seu rosto Shaka percebeu algo diferente, seu mau pressentimento aumentou em seu peito. — Aioria, temos que sair da estrada agora!

Aioria olhou para frente, não via nada, mas não discutiu com Shaka, apenas atendeu seu pedido fazendo um sinal para Milo, Isaak já acelerava os passos para alcançar Milo e Hyoga avisou aos outros dois que deveriam sair da estrada.

— O que está havendo? — Milo questionou ao se reunir com os outros na floresta. — Por que saímos da estrada?

— Um grande mal se aproxima devemos deixar os cavalos e nos abrigarmos no alto da montanha. — Explicou Issak.

— Amigão, tome cuidado, logo logo nos encontraremos novamente. — Milo despedia-se de seu cavalo.

— Tchau, Ventania, tchau Fiel, e Tchau Geleira. — O pequeno Hyoga se despedia dos cavalos antes de Milo o colocar em cima de seus ombros para seguirem ao alto da montanha.

Uma vez lá, Isaak jogou feitiços para que suas presenças não fossem notadas.

— O que faremos agora? — Milo perguntou a Shaka, sem saber do que estavam se escondendo.

— Agora aguardaremos. — Respondeu Shaka.

Antes do cair da noite os cinco ouviram barulhos vindo debaixo olharam surpresos ao verem uma horda de orc´s avançando.

— Mas que diabos, Orcs! — Milos falou tenso.

— Isaak, o que está vendo em nosso mundo para que uma quantidade tão grande de orcs possam estar andando assim livremente? — Shaka quis saber.

— Há muitas coisas acontecendo senhor Shaka, mas sobre esses orcs nem mesmo eu posso explicar o que houve. — Respondeu o outro.

Mas a surpresa maior foi ver a figura majestosa da Grande Hilda de Asgardil sendo levada em uma liteira como soberana daqueles seres.

Aioira não pôde disfarçar aquela sensação de déjà vu que o atingiu naquele momento.

Notas finais
* O nome do Faraó Abmont foi inventado por mim, não significa nada XD Segundo o Google Mênfis é o nome de uma antiga cidade egípcia. Essa ideia de virar vento ou se juntar ao vento não é minha e sim de Paulo Coelho, ele usou isso em O Alquimista, e gente é uma das minhas cenas favoritas de todos os tempos, cena que sempre permeou minha mente desde quando eu vi este livro aos 15 anos. *-*-*-*-*-* Pois é agora sabemos como tudo se deu, como o Radamau pegou o Hyoguinha do Camus. Acho que o Rei Albafica tem coisas para contar a Camus, como dizem quem está por fora consegue ver melhor as coisas, não é? Mas que diabos esses Orcs estão fazendo por aquelas terras? O que será que está acontecendo com Delmare? Não percam cenas as próximos capítulos!!! hauuahua Obrigado pela companhia, comentários são sempre MUITO bem vindos! (essa é com os fantasminhas). Beijos até o próximo!