Além do Tempo
14 Capítulo 14 - O Sol Vermelho
Notas iniciais
Além do Tempo — Capítulo 14
— O que está havendo? — Milo questionou ao se reunir com os outros na floresta. — Por que saímos da estrada?
— Um grande mal se aproxima, devemos deixar os cavalos e nos abrigarmos no alto da montanha. — Explicou Isaak.
— Amigão, tome cuidado, logo nos encontraremos novamente. — Milo despedia-se de seu cavalo.
— Tchau Ventania, tchau Fiel, e Tchau Geleira. — O pequeno Hyoga se despedia dos cavalos antes de Milo o colocar em cima de seus ombros para seguirem em direção ao alto da montanha.
Uma vez lá Isaak jogou feitiços para que suas presenças não fossem notadas.
— O que faremos agora? — Milo perguntou a Shaka, sem saber do que estavam se escondendo.
— Agora aguardaremos. — Respondeu Shaka.
Antes do cair da noite os cinco ouviram barulhos vindo debaixo, olharam surpresos ao verem uma horda de orcs avançando.
— Mas que diabos, Orcs! — Milos falou tenso.
— Isaak, o que está havendo em nosso mundo para que uma quantidade tão grande de orcs possa estar andando assim, livremente? — Shaka quis saber.
— Há muitas coisas acontecendo, senhor Shaka, mas sobre esses orcs nem mesmo eu posso explicar o que houve. — Respondeu o outro.
Mas a surpresa maior foi ver a figura majestosa da Grande Hilda de Asgardil sendo levada em uma liteira como soberana daqueles seres.
Aioira não pôde disfarçar aquela sensação de déjà vu que o atingiu naquele momento.
— É estranho, Shaka, mas tenho a impressão de que já vi esta cena antes, essa mulher comandando orcs. — Comentou Aioria muito perturbado, pois não tinha bom pressentimento a respeito daquela mulher elfo.
Shaka estreitou os olhos analisando o que ouviu aquele não era o momento, mas logo questionaria Aioria sobre aquele fato.
....
— Vamos, andaremos mais algumas horas, prepararemos o ataque surpresa a Gonda ao amanhecer, ouvi dizer que o Rei deles tem algo que me pertence. — Dizia Hilda de cima de sua liteira imperial que era carregada por orcs, tinha alguns elfos ao seu lado, Shaka reconheceu Surtr, contudo o elfo estava com a aparência muito envelhecida, coisa não muito comum a sua espécie também estavam Siegfrid e Sigmund fieis escudeiros de Hilda.
Alguns dos Orcs farejavam como cães de caça.
— Sinto cheiro de carne humana. — Um deles falou despertando o interesse de seu bando.
Milo apertou Hyoga contra o peito, o menino elfo estava assustado, mas agarrado a Milo se sentia seguro como quando estava com seu pai Camus.
Aioria, Milo e Isaak seguraram os punhos de suas espadas, contudo sem movê-las da bainha, estavam atentos aos movimentos dos orcs.
Shurt olhava ao redor a analisando o local, quando ouviram um barulho vindo da floresta. — Cavalos?
Neste momento soldados de Radamanthys saíram da floresta dando de cara com aquele exército de orcs.
— Por Hades! — Gritou um soldado.
— Fujam! — Gritou outro.
Foi então que, ao sinal de Hilda, os orcs atacaram os infelizes soldados, uma cena nada bonita de ser ver.
Os pobres homens mal tiveram tempo de correr foram perseguidos, mortos e devorados pelos orcs da Terrível Hilda, os restos destroçados ainda eram disputados, os orcs tinham as mãos e rosto cobertos de sangue e vísceras.
Milo abraçou Hyoga e escondeu seu rosto para que o pequenino não visse a carnificina que ocorria montanha abaixo.
— Atena nos ajude! — Pediu o loiro sabendo que eles não teriam a menor chance de saírem vivos caso fossem descobertos.
— Droga! Dois deles conseguiram fugir! Vamos atrás deles ou perderemos o efeito surpresa.
Os orcs aliados de Hilda entraram floresta adentro deixando para trás um pequeno grupo.
— Vamos! Não me importa que saibam que estamos a caminho, são relés mortais, humanos não terão chance alguma conosco. — Comentou a mulher elfo, arrogante como Shaka se lembrava.
Demorou até que todos saíssem de vista, os guardiões preferiram ficar escondidos naquele lugar até o anoitecer para que os orcs se distanciassem mais e mais.
— Temos que ficar a favor do vento, ou eles poderão sentir nosso cheiro. — Comentou Isaak, que Milo achava que era pouco mais que um menino, um rapazote, mas que tinha um conhecimento de estratégias de lutas e sobrevivências que deixavam o loiro admirado.
Hyoga numa atitude admirável para uma criança daquela idade, manteve-se em silêncio abraçado a Milo, que a cada momento sentia seu amor pelo menino aumentar mais e mais.
*-*-*-*-*
Correndo desesperados os dois soldados que conseguiram escapar da carnificina promovida pelos orcs galopavam a toda velocidade, seus cavalos também sabiam que de seus galopes dependiam suas vidas e por isso não titubeavam em avançar mais e mais.
— Precisamos avisar o Rei, precisamos chegar antes deles! — Um soldado de seus vinte e poucos anos avisou ao colega quando sentiu uma flecha atravessando seu pescoço, ele estremeceu e caiu, o sangue vertendo de sua garganta.
O outro rapaz igualmente jovem apertou os passos de seu cavalo se embreando pela mata que conhecia como ninguém.
...
Hilda e seus soldados resolveram parar para acampar naquele ponto da floresta, os batedores foram atrás do soldado fujão, se não retornassem com o homem, retornariam com algumas informações sobre o local.
Não havia problemas se perdessem o elemento surpresa para o ataque, um exército de homens jamais seria páreo para uma milícia de orcs.
*-*-*-*-*
— O que faremos agora? Temos orcs de um lado e os Soldados do Radamanthys do outro, como vamos seguir em frente? — Questionou Milo tenso preocupado principalmente com a situação de Hyoga.
— Hilda está indo para Gonda, vamos aguardar até que estejam em uma distância segura de nós, e então avançaremos. Creio que os dois exércitos estarão ocupados gladiando-se entre eles, será nossa chance de escapar. — Respondeu Shaka sério.
— Concordo com o senhor Shaka, vamos ficar em silêncio e aguardar. — Falou Isaak.
— Então aguardaremos. — Disse Aioria ainda intrigado com a imagem daquela mulher com os elfos e a sensação de que já virá aquela cena antes.
— Hyoga, você está quietinho, está tudo bem? — Milo perguntou ao menino que estava abraçado com ele.
— Estou falando para o Ventania e os outros para saírem da floresta. — O menino respondeu com os olhos fechados em concentração.
Shaka sorriu a cosmo energia de uma criança elfa era demasiadamente pura para que Hilda e seu exército nefasto pudessem notar.
E assim todos aguardaram em silêncio a tarde virar noite, e a noite virar dia, Milo e Aioria tinham treinamento para ficarem sem se alimentar por muito tempo, Shaka e Isaak como elfos que eram não precisavam dos alimentos como os mortais, somente o pequeno Hyoga que absorvia a energia de Milo, que julgava o cansaço que estava sentindo apenas pela falta de alimento e pelo tempo que passou cavalgando.
No final da tarde do segundo dia de espera eles resolveram seguir em frente, contudo dessa vez Isaak iria à frente como batedor.
*-*-*-*-*
— Senhor deseja falar comigo? — Argol se apresentou ao Rei Albáfica se ajoelhando em reverência.
— Argol, sinto que um grande mal está se aproximando, temo por nossos amigos que estão a caminho, por favor, junte alguns de seus para uma missão de resgate, vocês devem partir o quanto antes. — Ordenou o Rei.
Afrodite, que estava ao lado do pai, falou triste. — Não me conformo com essa situação de guerra, por que as coisas chegaram a este ponto meu pai?
— Nossa querida Hilda foi mordida pelo mal da inveja e ambição, esse mal já trás coisas horríveis aos homens que a elas sucumbem, mas quando um elfo é tomado por tal sentimento as consequências são terríveis... terríveis meu querido. — Respondeu Albáfica sério. — Infelizmente o tempo de paz está ficando para trás, agora é tempo de agir.
*-*-*-*
— Não podemos seguir por este caminho, a chance de cairmos nas mãos dos inimigos são muitas, e temos dois inimigos fortes, os soldados de Radamanthys e o exército de Hilda. — Isaak falava olhando um mapa que tinham da região.
Milo e Aioria não podiam dizer muito sobre os caminhos, pois nunca foram ao Reino de Ville Rosálie, por muitas vezes ambos acharam que o vale elfo não passava de uma lenda. Mas analisando o mapa, Milo falou:
— Isaak, estamos indo para o mesmo caminho que Camus seguiu com os nossos amigos, mas de acordo com este mapa, e os obstáculos à frente, nós teremos que voltar e ir por aqui. — Apontou para a montanha. — Será uma subida difícil, mas acho que é nosso único caminho.
— Decerto, senhor Milo, mas neste ponto temos uma entrada para uma caverna, lá apesar do labirinto, há um atalho para Ville Rosálie. — Tornou Isaak.
— Mas, é perigoso passar por aqui com todas essas coisas que temos a nossa frente, como lutaremos com uma criança conosco? — Questionou Milo que temia pela vida do pequeno Hyoga.
— Vamos aguardar o embate dos exércitos de Hilda e de Radamanthys, quando eles tiverem lutando entre si, fugiremos! — Shaka sugeriu calmamente.
— Como sabe que irão se enfrentar? — Questionou Aioria.
— Radamanthys têm algo que Hilda procura, eu sei. — Respondeu Shaka simplesmente sem maiores explicações.
Eles então aguardaram.
Faziam silêncio, pois tanto os elfos quanto os antigos guardiões podiam sentir através do vento que muito sangue seria derramado por aqueles dias.
Após um tempo Milo pegou uma maçã que havia guardado e entregou ao menino elfo. — Tome Hyoga, você deve estar com fome.
O menino pegou a fruta e sorriu para Milo. — Obrigado. — Agradeceu antes de morder a maçã.
Todos estavam com fome, mas somente Hyoga não tinha treinamento para aquele tipo de situação, Shaka não foi treinado como um soldado, mas os anos que passou como escravo do Rei Radamanthys, aprendeu a controlar fome e a sede, como elfo não tinha as mesmas necessidades dos humanos.
Shaka olhava para o céu com semblante sério, Isaak estava atento, Milo e Aioria também sentiam a energia pesada do ar.
— Começou. — Disse Shaka olhando para o horizonte e se virando para os outros continuou. — Vamos! Temos que correr para sair daqui, este é o momento!
Assim todos levantaram, Milo pegou Hyoga nos braços e saíram em disparada, precisavam chegar a montanha o quanto antes.
Então começaram a correr como se suas vidas dependessem disso e na realidade dependiam.
Contudo, não perceberam quando um pequeno grupo de orcs começou a segui-los, pois a batalha sangrenta que ocorria entre os dois exércitos confundia os sentidos aguçados dos elfos.
*-*-*-*-*
— Camus, sente-se melhor? — Questionou Mu ao primo quando este abriu os olhos.
Camus olhou em volta antes de responder. — Sim, estou bem. — Depois o ruivo sentou na cama e nervoso falou. — Eu os vi Mu, o Milo... ele está com o Hyoga, eles o encontraram.
Mu sorriu, mas percebeu o semblante tenso do primo. — O que há, Camus?
Camus levantou-se sem aviso foi em direção da porta.
— Camus! — Mu chamou seguindo o primo.
— Eu preciso falar ao Rei com urgência! — Anunciou Camus antes de sair correndo pelos corredores cheios de vida de Ville Rosálie.
....
— Acha que eles demoram? — Perguntou Misty a seu amigo Afrodite.
— Eles vão ajudar nossos amigos que estão em apuros, lembre-se que temos que nos preocupar com a criança elfo, filho do nosso querido Camus, que está perdido e... — Afrodite não terminou de explicar os motivos que levaram Argol a sair com um pequeno grupo de elfos para a missão de resgate, quando Camus surgiu nos corredores correndo sendo seguindo pelo primo Mu. — Camus... Mas o quê?
— Afrodite, eu preciso falar com o Rei! — Tornou Camus firme.
Percebendo o semblante tenso do ruivo, Afrodite assentiu e seguiu na frente acompanhado pelos primos, ao chegarem ao Grand Salão o príncipe Afrodite anunciou. — Senhor meu pai, Rei Albáfica soberano de Ville Rosálie, Camus seu sobrinho deseja ter com o senhor.
Albáfica olhava para a relva pensativo desviou os olhos para o filho e depois para o sobrinho, — Camus, meu querido por que essa nuvem sobre seu semblante?
Camus ajoelhou-se perante o Rei, falando sério e com urgência. — Senhor meu tio, Albáfica, vi meu filho, ele está com o pai mortal, contudo vi também que um exército de orcs está no caminho deles.
— Um exército de orcs? — Repetiu Albáfica ele e Afrodite trocaram olhares tensos.
— Senhor, esse exército está marchando em direção a Gonda, e Hilda é quem está os comandando. — Revelou Camus. — Quero salvar meu filho, meu amor, quero lutar!
— Camus, você é um nobre, seu lugar não é nos campos de batalhas. — Albáfica falou calmamente.
— Eu abri mão da nobreza pelo meu filho, e pelo meu amor ao mortal, não sou mais um nobre, quero lutar, quero ser um guerreiro, ninguém nunca mais vai fazer mal às pessoas que eu amo. — Tornou Camus seguro.
Afrodite ficou olhando para o primo o analisando, Camus amadureceu muito desde a última vez em que o vira em Delmare
— Entendo e respeito sua vontade, Camus, mas para ser um guerreiro precisa de treinamento, se assim desejar farei o que me pede, mas para o resgate dos seus eu mandei uma equipe de elfos de defesa para os trazerem em segurança. — O Rei Albáfica respondeu sem se alterar.
— Mas, senhor, eu gostaria de estar com eles nesta missão de resgate. — Lamentou Camus.
— Meu rapaz, você ainda não tem treinamento algum, indo com eles você apenas atrapalharia mais que ajudaria. Vá procurar nossos guardiões para que possa começar seus treinamentos. — Aconselhou o Rei.
Camus fez uma reverência e saiu sendo acompanhado por seu primo Mu.
— Pobre Camus, seu sofrimento é sentido por todos aqui. — Lamentou o Rei.
— Sim, eu sinto o sofrimento dele como se estivesse em mim. — Concordou Afrodite.
— Há algo que a mim não está bem explicado nesta história. — Comentou o Rei.
— O que seria meu pai?
— O acidente que vitimou nossa amada Simonne, há algo não explicado neste acontecimento. — Respondeu Albáfica. — Meu filho, nós conhecemos as almas dos apaixonados, Surtr nutria sentimentos para com Camus, sentimentos este que não foi correspondido uma vez que Camus preferiu amar o mortal.
— Acha que há alguma tramoia por trás deste acontecimento terrível?
— Tenho quase certeza meu filho, quase certeza!
....
— Vai mesmo começar a treinar para ser um guerreiro? — Mu perguntou ao primo.
— Sim, não me resta dúvidas quanto a isso, tudo isso só aconteceu porque eu não soube defender meu amor quando tudo aconteceu. — Falou Camus decidido. — Se eu soubesse usar uma espada como se deve, teria duelado com Surtr, nunca deixaria que ele ousasse a atacar Milo como ele fez.
Os dois seguiram para a área de treinamento dos guardiões para surpresa de Camus, haviam elfos treinando junto com os guardiões.
— Nunca vi tantos elfos treinando para serem guerreiros. — Comentou Camus.
— Sempre existiram elfos guerreiros, Príncipe Camus, talvez seu pai o tenha poupado de saber a realidade do mundo. — Disse homem aparentando ter uns quarenta anos que se aproximou de Camus e Mu, o homem era um guardião.
Camus e Mu sobressaltaram, pois não haviam percebido a aproximação do guardião.
— Perdão, o senhor me conhece? — Perguntou Camus intrigado com o aquele homem.
— Sim meu caro, conheço. — Começou ele. — Conheço seu pai também, servi o Rei de Delmare durante muitos anos. A proposito meu nome é Dohko.
Decerto o homem apenas deveria ter ouvido falar sobre si, pensou Camus, um mortal que serviu seu pai deve conhecer seu nome apenas como uma lenda.
— Senhor Dohko quero aprender a lutar, que saber me defender e defender a todos que eu amo. — Disse Camus.
O homem sorriu. — Está no lugar certo jovem Príncipe. — E você jovem Mu quer se tornar um guerreiro também? — Dohko perguntou com os olhos brilhantes encarando Mu.
Mu sentiu uma enorme simpatia por aquele homem, sorriu de volta e afirmou. — Sim, também quero me tornar um guerreiro.
Camus olhou confuso para o primo que percebendo o olhar do outro esclareceu. — Camus, aprender nunca é demais e eu já disse estou nessa com você até o fim.
Dohko olhou para Mu com olhos cheios de orgulho.
— Vamos senhores, vamos iniciar os seus treinamentos. — Disse o chefe dos guardiões e os elfos concordaram.
*-*-*-*-*
— Estamos correndo a cinco horas seguidas, precisamos de um descanso. — Milo foi quem pediu ofegante.
— Não sei se é seguro, senhor. — Isaak respondeu sem parar de correr, como elfo andaria muito mais rápido, contudo tinha que desacelerar seus passos para que os dois mortais pudessem acompanhá-lo, verdade seja dita, os dois eram muito mais rápidos que os humanos comuns, mas ainda assim não tinham a agilidade dos elfos.
Observando as feições exaustas de Milo e Aioria, Shaka falou. — Vamos parar! Isaak, eles precisam de um descanso.
— Mas, senhor Shaka! — Isaak tentou, mas Shaka parou a corrida sendo prontamente acompanhado por Milo e Aioria que praticamente caíram no chão com a respiração ofegante, Milo teve o cuidado de colocar Hyoga no chão com delicadeza antes de desabar.
Shaka pegou seu cantil de água e entregou para Aioria se refrescar, Isaak fez o mesmo com Milo e depois com o pequeno Hyoga.
Shaka notou que Milo parecia mais exausto que Aioria, ficou observando pai e filho só então percebeu o que estava acontecendo.
Hyoga como uma criança élfica se abastecia da energia de seus pais, contudo, Milo como um mortal sentia de forma mais acentuada a falta da energia passada para o filho.
O elfo então pegou o menino nos braços encostando a testa na da criança deixando passar um pouco de sua energia, seu corpo iluminou, não chegou a brilhar, como o de Camus quando alimentava seu filho.
“Hyoga, não deve pegar a energia de Milo" — Shaka falou com o menino através de telepatia.
“Por que não? Ele é meu pai também!" — Questionou Hyoga para a surpresa de Shaka, o menino sabia qual o grau de parentesco tinha com o loiro.
“Ele é um mortal, Hyoga.”
“O que é um mortal, Shaka?" — Menino perguntou e Shaka não soube o que responder nem como dizer a uma criança, e principalmente uma criança élfica, que seu pai era suscetível a morte. E com isso teria que explicar também o que é a morte, definidamente aquele não era o momento para uma conversa complexa daquelas.
— Senhor Shaka, não estou com um bom pressentimento, temos que ficar em alerta. — Aconselhou Isaak antes de serem surpreendidos pelo grupo de orcs que os cercou rapidamente.
Isaak pegou sua espada e Shaka o acompanhou, Aioria mesmo cansado acompanhou os outros dois no gesto, Milo, contudo estava exausto, no entanto, o grito de medo do pequeno Hyoga o fez levantar, mas o loiro sabia que não teria forças para enfrentar aqueles orcs, então ele pegou o menino o colocando atrás de si para protegê-lo com seu corpo.
— Como não percebemos esse orcs nos seguindo? — Perguntou Shaka enquanto enfrentava seus oponentes, se apiedando de suas vidas.
— Há uma batalha acontecendo, o ar está denso com angústia, dor e morte, por isso não sentimos nada. — Respondeu Isaak enquanto se defendia e se colocava na frente de Milo para protegê-lo, cruzando espadas com dois orcs de cada vez.
— Milo, o que está havendo com você? — Perguntou Aioria estranhando a falta de ação do amigo.
— Estou exausto, não tenho forças para lutar. — Respondeu Milo respirando com dificuldade.
Aioria começou a achar que eles não teriam chances contra aqueles horrendos oponentes quando uma flecha voou na direção dos orcs, os três viraram para a direção de onde vinha a saraivada de flechas e avistaram alguns elfos se aproximando velozmente, montados em cavalos, alguns com arco e flechas em mãos, disparando continuamente, outros com espada, estavam sendo liderados por Argol, que vinha a frente imponente.
Shaka, Aioria e Isaak se colocaram em volta de Milo e Hyoga, derrubando oponentes para protegê-los.
Alguns orcs ainda avançavam para cima deles, mas eram prontamente rechaçados, Shaka estava cada vez melhor no manejo na espada para orgulho de Aioria.
Milo abraçou Hyoga na intenção de guardá-lo com seu corpo, o menino estava assustado e com medo, medo que só havia sentido quando foi tirado de seu pai Camus.
Argol e seus elfos não tiveram dificuldade para eliminar os orcs que cercavam aqueles que deveriam resgatar. Quando o último orc caiu sem vida ele guardou a espada e cumprimentou. — Senhor Shaka, querido Isaak, vem por ordem do Rei Albáfica, para levá-los em segurança até Ville Rosálie.
— Argol, não sabe como é bom vê-los — disse Shaka e logo apresentou: — estes são Aioria e Milo, e aquele pequeno corajoso é o Hyoga.
O elfo recém-chegado cumprimentou a todos com a cabeça, e virou-se para Shaka. — Senhor acho melhor irmos, os dias estão tristes e confusos há um grande mal no ar.
Shaka confirmou com a cabeça também sentia que as coisas não estavam bem.
— Milo, acha que consegue andar?
— Me sinto estranhamente fraco Shaka, mas vamos seguir viagem. — Respondeu o guardião sem querer dar o braço a torcer.
— Não precisamos ir andando, olha é o Ventania. — Hyoga apontou sorrindo para os cavalos que se aproximavam.
— Seu pangaré safado, está ficando muito inteligente! — Milo falou acariciando a cabeça do animal que lhe dava cabeçadas em retribuição.
Shaka não comentou, mas sabia que devia ter o dedo de Hyoga para que os animais os encontrassem.
*-*-*-*-*
Mu e Camus voltaram aos seus aposentos após um longo período de treino, Dohko percebeu que Camus tinha aptidão para o manuseio de arco e flecha, a mira do ruivo era invejável, já Mu se saiu melhor com a espada, seu pai era um dos melhores forjadores de aço nobre que os elfos conheciam, talvez por este motivo o jovem tivesse tal aptidão.
Avistaram Aldebaran próximo ao lago, sentado jogando algumas pedras na água completamente entediado.
Camus e Mu trocaram olhares e o ruivo sugeriu. — Vá falar com ele, seu gigante parece entediado.
— Não sei se devo, ele não gosta de mim. — Comentou Mu tristemente.
— Que sandice, Mu, não percebe a forma que ele te olha? Ele não é indiferente a você. — Disse Camus indo para seus aposentos, havia treinado duro naquele dia, mas mesmo a distração dos treinos não foi capaz de diminuir a dor e a preocupação em seu peito.
Mu seguiu até Aldebaran, e este não percebeu sua presença.
— Oi. — Falou o jovem elfo após algum tempo observando o outro.
Aldebaran pulou no reflexo do susto ao ouvir a voz de Mu.
— Perdão, não quis assustá-lo. — Pediu o elfo.
— Não, não me assustou, imagine. — Falou o grandão sem graça. — Não o vi o dia todo, digo, não que você me deva satisfação, mas é que não sei, eu... eu...
— Sentiu minha falta? — Mu perguntou com os olhos brilhantes.
Aldebaran encarou aqueles olhos grandes e verdes, seu coração batia descompensado dentro do peito, estar perto de Mu era como estar próximo a um presente dos deuses. Então novamente respondeu. — Sim, senti sua falta.
Mu sorriu foi até seu gigante e tocou seus lábios nos dele.
Não foi um beijo propriamente dito, apenas um selinho como chamamos, mas foi o suficiente para que Mu na altura do seu um metro e sessenta e oito estivesse deixado completamente paralisado Aldebaran, um gladiador com seus dois metros e cinco de altura.
Mu sorriu trigueiro e saiu correndo deixando o homenzarrão lá parado tocando os lábios com o dedo completamente hipnotizado pelo que o jovem elfo tinha acabado de fazer.
*-*-*-*-*
Camus havia se banhado, mas não comeu nada, ainda estava jejuando, só comeria novamente quando Hyoga e Milo estivessem com ele em segurança.
O céu estava vermelho, sinal de muito derramamento de sangue, Camus tentava não pensar sobre o que isso significava, mas seu coração falhava toda vez que olhava para o céu.
Foi quando viu um movimento no pátio com muitos vivas e comemorações, seu coração bateu forte quando decidiu ir até onde estavam os vivas.
Misty, Mime e Afrodite jogavam flores e pétalas de rosas nos recém chegados todos muito felizes.
Camus se aproximou afoito vendo Argol receber uma coroa de flores de seu amado Misty, seus olhos seguiram para os companheiros de viagem do elfo guerreiro, Camus sorriu ao ver Shaka com seu amado Aioria.
O loiro assim que o viu sorriu de volta e saiu da frente dando a Camus a visão de seu filho nos braços de Milo.
— Hyoga! — Chamou o ruivo captando a atenção de pai e filho recém-chegados.
— Pai! — Gritou Hyoga esticando seus pequenos braços para o pai elfo, Milo sorriu ao ver o ruivo, colocou Hyoga no chão e o menino correu em direção a Camus.
Quando Camus finalmente pôs as mãos no filho seu peito parecia que ia explodir de felicidade, muitos sentimentos invadiram o coração do jovem pai que sorria e chorava ao mesmo tempo.
Todos os presentes se emocionaram com a cena, Afrodite então começou a jogar pétalas de rosas em cima deles.
Abraçando forte o filho, sentindo seu cheiro e aliviando a saudade, Camus levou seus olhos até Milo que olhava a cena a sua frente completamente emocionado.
— Obrigado! — Sussurrou Camus de longe recebendo um gesto afirmativo da cabeça como resposta de Milo. Então o elfo, que estava com o filho nos braços, se retirou sendo seguido por Mu.
— Sejam bem-vindos a Ville Rosálie, cavaleiros. — Afrodite falou aos viajantes.
— Shaka, meu querido, que bom que está a salvo! — Cumprimentou o príncipe de Ville Rosálie, e se virando paras os outros continuou. — Meus amigos vão levar vocês até seus aposentos para que se lavem e descansem logo mais à noite o Rei Albáfica dará um banquete em homenagem a vocês.
Máscara da Morte e Aldebaran se juntaram aos amigos com festa e abraços. Milo seguiu Camus e Hyoga com os olhos até que os dois sumiram de sua visita, deixando no ex-guardião com um espaço vazio em seu peito, mas ele sabia que pai e filho precisavam daquele momento só deles.
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