Além do Tempo

3 Entre Guerreiros e Elfos - Capítulo 3


Notas iniciais
Olá pessoal é um prazer ter vocês aqui para o terceiro capítulo, muita coisa acontecendo! Espero que curtam! ^-^ Esse capítulo foi betado pela linda Amelinda Aura que se prontificou a me ajudar neste momento. Obrigado minha linda! Quero me desculpar com todos que comentaram e eu ainda não respondi. Vou responder a todos, mas eu tava com a inspiração a mil e escrevendo duas fics, tem gente que tira isso de letra, mas eu sou bem lerda mesmo =P Vamos que vamos que o capítulo tá bombando.

— Temos que achar uma forma Camus, temos que fugir daqui. — Shaka falava lavando os ferimentos de Camus.

— Sabe que não posso, Shaka, não enquanto o monstro estiver com ele.

— Se ao menos soubéssemos onde ele o escondeu... — Lamentou Shaka.

Ficaram em silêncio por um momento, Camus fez uma careta após Shaka pressionar o tecido no ferimento da mordida em seu ombro.

— Shaka! — Camus falou baixo.

— Sim.

— Ele voltou! Meu amor... voltou pra mim.

Shaka parou o que estava fazendo sentindo seu coração bater acelerado. — Todos eles? — Perguntou o loiro trêmulo num sussurro.

Shaka abriu os olhos e encarou Camus que o olhava de volta de forma cumplice, havia algo ali que somente os dois sabiam, somente os dois entendiam.

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Entre Guerreiros e Elfos — Capítulo 3

— Não sei, mas sabe como essas coisas funcionam, Shaka, os mortais quando reencarnados sempre encontram seus afins durante a vida. — Camus explicou baixo.

Shaka, sentindo o coração acelerado, confirmou com a cabeça. — Ele estava só?

Camus sorriu ao dizer – Não, meu amigo, não estava só.

O loiro também sorria, ele tinha esperado tanto tempo, será que sua espera chegara ao fim?

— Shaka, eles estão com o Mu — Começou o escravo do rei, contando-lhe o que havia acontecido ao jovem amigo salvo pelo gladiador.

— Camus, eu não imaginava. Me mandaram ficar no quarto o dia todo hoje, por este motivo não saí e não soube de nada. Meu amigo, precisamos fugir. — Falou mais uma vez, tentando convencer o outro.

— Shaka, não posso, sabe que não posso. — Tornou Camus, cansado.

— Camus, olhe pra você, olhe isso! Está sangrando, ele conseguiu ferir você, ele feriu um elfo com as mãos, não percebe o perigo? — Shaka tentava chamar o amigo à razão, mostrando o linho sujo de sangue.

O ruivo segurou as mãos de Shaka e pediu baixo num sussurro. – Shaka, vá até eles hoje, tente tirá-los daqui, faça com que vão embora, salve-se e salve seu amor...salve o meu.

— Camus... — Shaka sussurrou.

— Salve-os, por favor. — Pediu Camus, triste — Você tem que ir embora antes que o monstro descubra sobre você, hoje quase perdemos o Mu. Se não fosse o gladiador pular na arena... eu não posso salvá-los, Shaka, e vocês não podem se revelar, pense no que o tirano fará com vocês se ele descobrir?

— E quanto a você? Não percebe que está adoecendo? Você sangrou, Camus, o medalhão pode matá-lo, não percebe? — Shaka questionou, preocupado.

— Não me importo, Shaka, é tudo culpa minha, eu trouxe a desgraça pra minha vida, mereço pagar por isso, mas vocês podem se salvar. Quem sabe não conseguem encontrar o Hyoga e salvá-lo, ele é a maior vítima dos meus erros. — Camus dizia, triste.

— E quanto ao seu amado, Camus? Vai deixá-lo? Vai abrir mão dele nesta existência? — Shaka confrontou.

Cansado, o ruivo apenas deixou que as lágrimas caíssem de seus olhos silenciosamente.

ooOoo

Aioria e Milo chegaram ao acampamento trazendo alimentos. Encontraram Aldebaran e Máscara da Morte sentados juntos à fogueira e sentaram com os eles.

— Trouxemos comida e algumas informações. — Falou Aioria, entregando o pão e a carne salgada para Aldebaran.

— Para alimentar o seu... hóspede. — Falou Milo, sorrindo.

— O que descobriram? — Perguntou Máscara da Morte aos amigos.

Aioria foi quem respondeu.

Milo estava perdido nos pensamentos, "como alguém que acabei de conhecer, ou melhor, alguém que ainda nem conheço de fato pode ter se tornado alguém tão importante para mim?”.

Sentia que precisava daquele ruivo, nunca havia sentido nada parecido na vida. Claro que já se envolvera com homens e mulheres antes, não era um garoto inexperiente, ao contrário sempre foi tido como um conquistador; muitos perdiam-se de amor por Milo, que nunca se apaixonara por ninguém. E agora estava completamente apaixonado por um anjo do qual sabia apenas o nome: Camus.

— Ei, Milo acorde! O que há com você afinal? — Perguntou Aioria, irritado. — Não prestou atenção em nada do que eu falei.

— Hã? Oi, desculpe, eu me distraí. — Milo falou, voltando a atenção para seus amigos.

— Eu estava falando sobre o tal Camus, o amante do tirano. — Aioria falou, para irritação de Milo.

— “Escravo”! Não percebe que aquele anjo jamais seria amante do tirano por vontade própria? — Perguntou Milo irritado, fazendo os amigos olharem para Aioria pedindo uma "explicação" sobre a aquela irritação.

Aioria fez sinal de que não sabia o que estava acontecendo com o amigo e falou bravo – Milo, não sabemos nada sobre o tal escravo, você deu pra ficar estranho, por Athena, estamos tratando de algo sério aqui!

— Eu sei que é sério, mas não podemos tirar conclusões precipitadas sobre o rapaz, isso seria injusto! — Respondeu também impacientemente, encarando o amigo.

Aldebaran se colocou no meio deles, não temia brigas sérias, uma vez que ambos viviam às turras, porém não queria que falassem alto para não levantar suspeitas. — Os dois, falem baixo! Ou o rei vai ouvir a discussão de vocês. — Voltando a se sentar, ponderou. — Então o rapaz que estava com o tirano é a possível chave da força dele? Mas como, seria um bruxo ou um mago?

— Não sabemos ainda, o dono da taberna que estava se vangloriando disso.

— Vamos ficar mais alguns dias e tentar descobrir algo de fato, e vocês dois, cuidado: se o tirano descobre que o estamos espionando, nos matará.

ooOoo

Mu estava sentado em algumas almofadas na tenda de Aldebaran. Meditava sobre os últimos acontecimentos; nunca pensou em ver em um mortal ter uma atitude tão altruísta e tão nobre.

Quando sentiu a presença de seu amigo, sorriu e levantou. — Shaka, entre!

O loiro apareceu na entrada da tenda sorrindo; trajava roupas de escravo, na cabeça usava um véu que ajudava a cobrir seu rosto e suas orelhas pontudas, assim como Mu, que disfarçava sua raça com um véu.

Em algumas partes do mundo antigo somente as mulheres usavam véu, mas na Grécia tal ornamento era apreciado, Radamanthys, o tirano, fazia seus escravos cobrirem o rosto, pois como ele dizia "Não tinha obrigação de ver o rosto desses desgraçados".

— Mu, vim saber como está. E se está seguro com este gladiador...não precisa segui-lo, assim que saírem da cidade, fuja e volte para nosso povo. — O loiro alertava.

— Não há por que fugir dele, Aldebaran é um homem gentil e com o coração mais puro que eu já vi na vida em um mortal. — Respondeu o amigo, tranquilo.

Shaka abriu os olhos e encarou o amigo com um olhar curioso — Em tão pouco tempo esse homem foi capaz de te impressionar assim?

— Shaka, como são magníficos os mortais, veja esse homem, não tem ideia que sua alma possa renascer em outra vida, tem apenas a certeza dessa vida que possui agora e mesmo assim, mesmo pensando que há somente uma vida, ele a arriscou por mim, ele pulou na arena enfrentou um inimigo tão forte quanto ele, e fez isso por mim, acha mesmo que ele me faria algum mal? — Questionou Mu, com sinceridade.

Shaka sorriu bondoso para o amigo — Fico feliz que não tenha se deixado contaminar pelas maldades de Radamanthys. Temi isso, pois sei que você nunca teve contato com os mortais antes de virmos parar nesse lugar.

— Não sou tolo, Shaka, sei o que se passa no coração daquele homem, temo por Camus e por Hyoga, mas também já vi bondade em outras pessoas que conhecemos. – assegurou.

Assentindo com a cabeça, Shaka mudou de assunto. — Como são os que acompanham seu salvador?

— Não os conheci muito a fundo, mas sei que todos têm bom coração, um deles é amargurado pela vida, os outros dois são tão nobres de alma quanto o meu salvador.

Shaka sentiu o coração pular ao ouvir as palavras do amigo, — Onde eles estão, Mu?

— Mais à frente em volta da fogueira, por que o interesse? — Perguntou Mu, desconfiado.

— Por nada, só me preocupo com seu bem estar e... – o loiro parou de falar ao sentir que alguém se aproximava, olhou para Mu esperando alguma ordem para se esconder, mas o pequeno sorriu e falou.

— Vai conhecer meu salvador.

Em menos de um minuto, Aldebaran adentrou a tenda anunciando sua presença. – Pequeno, trouxe algo para você se aliment... — Parou de falar quando viu Shaka e logo colocou a mão em sua espada. — Quem é você e o que faz aqui?

— Este é Shaka, meu amigo, veio me trazer algumas roupas. — Explicou Mu com seu jeito sempre calmo.

O loiro voltou a fechar seus olhos: todos no reino o julgavam cego, não podia colocar tudo a perder agora. — Boa noite, Senhor Touro, salvou a vida do meu amigo e eu lhe serei eternamente grato por isso.

Aldebaran percebendo a "deficiência" do rapaz saiu da posição de ataque — Er... Boa noite... Não tem o que agradecer, não podia deixar que um ser tão frágil e delicado fosse atacado por aquele animal do Hércules. – Respondeu, sem graça.

Shaka sorriu internamente como se achasse graça do homem à sua frente: se referindo ao amigo como frágil e delicado! Os humanos eram mesmo engraçados, não enxergavam nada além das aparências.

Entretanto, pôde analisar o salvador de Mu e constatou que o homem tinha um coração puro apesar de tantas marcas em sua alma.

— Aldebaran, eu vou... — Milo entrou na tenda do amigo e ao ver Shaka parou. — Quem é esse? O que faz aqui, rapaz? – perguntou, cismado.

Foi Aldebaran quem respondeu, — Ele é um amigo de Mu, veio lhe trazer roupas, mas não era necessário, amanhã mesmo eu sairei com o Mu para comprar novas roupas, ele não é mais um escravo.

— Como saberemos se não foi o rei que o mandou aqui? — Milo continuou ainda cismado.

— Se eu viesse a mando do rei teria algum problema? — Perguntou o loiro, astuto.

Os dois guerreiros trocaram olhares tensos e foi o Touro quem respondeu — Não, claro que não, mas talvez ele quisesse seu ex escravo de volta e teria enviado você aqui para sondar.

Shaka gostou de saber que o homem que salvou Mu não apenas possuía músculos como também sagacidade.

Sorriu ao reconhecer Milo; mesmo em outra vida o rapaz permanecia com sua essência, e a impulsividade novamente fazia parte dela.

— Somos escravos, senhor, tanto eu quanto Mu servimos a Camus, o protegido do rei. — Shaka comentou para saber reação de Milo quanto ao ruivo, "Será que sua alma reconheceu Camus?”.

Shaka sentiu a voz trêmula do outro quando se tocou no nome do ruivo.

— Conhece Camus? O anjo que Radamanthys mantém preso a ele? — Milo indagou.

— O Mu não é mais escravo do amante do rei, diga isso a ele! — Bradou Aldebaran, indignado.

Mu olhou para Shaka e depois para Milo, "Será ele?" O jovem elfo pensou colocando a mão na boca para disfarçar sua surpresa.

— O Camus não é amante do rei, hoje ele não passa de um escravo assim como nós, contudo teve o azar de Radamanthys colocar os olhos nele. — Comentou Shaka, ainda instigando Milo, que sorriu ao ouvir aquelas palavras.

— Eu sabia! Aquele anjo não se sujeitaria a ser amante do canalha! Não por vontade própria. — Milo soltou sem cuidado, levando um tapa na cabeça dado por Aldebaran.

— Desculpe a fala do meu amigo, ele se encantou por este rapaz desde que o viu na arena, vejam só, ele o viu de longe e não consegue pensar em outra coisa, imagine se o tivesse visto de perto ou falado com ele? — Tentou fazer graça o gladiador. Não queria que os dois à sua frente desconfiassem das reais intenções dos amigos naquela viagem, ao ouvirem Milo xingando o tão respeitado rei daquele lugar.

— Se encantou por Camus? O protegido do rei? – Perguntou calmamente o loiro a Milo.

O escorpiano ficou sem graça e começou a se preocupar, pois aquele jovem poderia ser um enviado de Radamanthys para sondá-los. Respondeu apenas — Nunca vi criatura mais bela, nem homem, nem mulher, mas sei meu lugar, tal anjo jamais olharia para mim.

Shaka sorriu ao dizer — Camus me falou hoje que Mu fora salvo por um bravo guerreiro que estava acompanhando do mais belo homem que ele já vira na vida, seria o senhor tal companhia?

Estranhamente os olhos de Milo se encheram de água — Eu vi que ele me olhava, ali em meio à multidão que nos cercava... era como se houvéssemos apenas eu e ele. Então ele me achou belo? – Perguntou, sentindo se vaidoso.

— Sim, ele o notou. Entretanto, consciente de seu destino de escravo, pede que o senhor vá embora, pois o rei o mataria só pela sua ousadia em olhar para algo que lhe pertence. – o visitante alertou.

— Algo que lhe pertence? Camus não pode ser tratado como uma mercadoria! — Reclamou Milo, realmente irritado.

— Não se preocupe, meu caro, o Milo não vai chegar perto do rapaz, eu o manterei longe — Garantiu Aldebaran, fazendo o amigo se calar.

Shaka assentiu com a cabeça, voltou para Mu e se despediu. – Mu, espero que fique bem, ficarei tranquilo quando você estiver seguro longe daqui. – Virou-se para os dois homens à sua frente, — Senhores, não se demorem nestas terras, o rei é muito inconstante. Saiam em segurança o quanto antes e cuidem de Mu, por favor.

Quando estava próximo à saída da tenda, Milo segurou em sua mão e falou — Diga ao meu anjo que eu irei salvá-lo!

O loiro sorriu, concordando — Darei o seu recado.

ooOoo

Saga estava sentando em seu trono observava o medalhão herança de seu pai quando viu seu amado Aioros se aproximando.

— Alguma notícia, meu senhor? — Aioros perguntou ao rei Saga, soberano de Gale.

— Sabe que não há como ter notícias agora, Oros. — Respondeu o rei, acariciando o rosto do amado. — Mas devemos manter nossos homens em alerta, logo eles voltarão com novidades, e quando isso acontecer, Radamanthys virá em seu encalço e a guerra será iminente.

— Eu sei, senhor, não se preocupe, seu exército está pronto para quaisquer novidades. — Respondeu Aioros

— Não me chame de senhor, estamos a sós aqui, — Pediu Saga, acariciando os cabelos do seu general.

O irmão de Aioria se deixou abandonar; fechou os olhos, apreciando a carícia. — Meu rei, meu senhor, meu amor, eu sempre lutarei para protegê-lo.

— Sinto que algo o preocupa, o que há? – quis saber o monarca.

— Não sei, Aioria e Milo são bravos Generais. Apesar da pouca idade, nas batalhas eles são incríveis, muitos soldados os seguem sem questionar, no entanto, não sei se eles serão bons espiões. — Confessou suas preocupações o amante do rei.

Sago franziu a testa e estreitou os olhos. — Como assim? O que quer dizer?

— Os dois são impulsivos e cabeças duras! Temo que coloquem tudo a perder. — Explicou Aioros.

Saga sorriu gentimente. — Confio neles, são impulsivos, mas não são tolos e Aldebaran e Máscara da Morte estão lá, só nos resta confiar na proteção de Athena neste comento, — o soberano olhou o amado nos olhos e pediu — Durma em meu leito essa noite, por favor.

— Me aguarde lá. — Aioros respondeu, levantando-se. E fazendo uma reverência, saiu.

ooOoo

Aioria saiu para caminhar após a discussão com Milo, gostava de andar para se acalmar. Caminhou até um local alto, um monte de onde podia vigiar o acampamento onde os amigos estavam. Não confiavam em passar a noite nas terras de Radamanthys sem ter o mínimo de cuidado.

A noite era de lua cheia e o luar iluminava tudo à sua volta. Era uma bela visão, as estrelas brilhando forte no céu, conseguia ver perfeitamente as constelações, aliás, este era seu passatempo preferido. Quando seus olhos voltaram para o acampamento viu alguém saindo da tenda de Aldebaran; a pessoa cobria a cabeça com um tecido. Quem era?

Por sua vez, Shaka, ao sair da tenda, resolveu procurar algum sinal de seu amado. Teria Milo o encontrado nesta vida?

"Camus falou que Milo estava com amigos, mas não soube precisar quantos. Havia Aldebaran, o salvador de Mu, e o rapaz que dormia próximo à fogueira, que possuía a alma triste...onde estará ele?”, pensava, sondando o lugar.

"Não teria voltado ainda?"— cogitou, enquanto olhava para os lados; foi quando seu senso se segurança avisou-lhe que estava sendo observado.

Sentiu a presença dele; com a respiração ofegante, virou-se para a direção daquele que tanto esperou. Não se importou em abrir os olhos, queria ver que forma teria seu amado. Não que isso fosse relevante, não era! O amaria da mesma forma, mesmo que seu amado renascesse num corpo deficiente e feio, pois amava sua alma, amava o seu ser.

Aioria observou de longe que a pessoa olhava para os lados como se procurasse alguém, de repente se voltou para onde estava como se olhar do leonino o atraísse.

Seus olhos se encontraram.

Aioria não poderia dizer quanto tempo passaram assim, apenas se olhando. Notou se tratar de um rapaz, do qual, por algum motivo, não conseguia desviar o olhar. Ficou imóvel, tentando entender o que se passava consigo. Sentia vontade de correr ao encontro daquele rapaz e o abraçar, sentia uma grande saudade, mas não podia sentir saudade de uma pessoa não conhecid a. Podia?

Shaka,com os sentimentos confusos, sabia que não seria capaz de proteger aquele jovem que carregava a alma que tanto amava. Conscientizou-se de que ainda não teria forças para um reencontro naquele momento, ou colocaria tudo a perder.

Sem alternativa, ajeitou o véu nos cabelos e foi embora.

Aioria jamais deixaria que aquele homem fugisse "quem é ele? Por que meu coração começou a doer assim que o vi? Será um feiticeiro?"— pensava.

E vendo que o rapaz saiu apressado, correu ao encontro dele.

Shaka andava rapidamente. Voltou pela estrada que levava ao acampamento dos amigos de Mu. "Camus tem razão, não posso salvá-lo, eles precisam sair daqui o quanto antes"— pensava o elfo; quando percebeu que o "rapaz do monte" o seguia, tratou de apressar os passos.

Aioria não iria desistir, precisava saber quem ele aquele ser lindo que o encantara.

Uma música começou a se fazer ouvir no caminho: havia uma festa acontecendo na cidade, todos festejavam a abertura dos jogos, os donos das tabernas vendiam seus vinhos, havia profissionais do sexo dançando e se insinuando para os visitantes ou para os locais.

Havia gente de toda parte: senhores nobres de propriedades próximas ao reino, mercadores que aproveitavam para fazer seus negócios, guerreiros que lutariam nas arenas nos próximos dias e que bebiam como se não houvesse amanhã, e senhores de escravos também estavam presentes na esperança de fazerem alguns negócios.

O loiro tentou se esconder na multidão e seu perseguidor não o perdia de vista, sempre avançando mais e mais no intuito de alcançá-lo.

Um jogo perigoso se estabeleceu entre os dois: com a música tocando ao fundo, Aioria observava o rapaz tentar se esconder ora entre as barracas ora entre as pessoas, como em uma dança sensual cada movimento daquele homem loiro deixava o leonino ainda mais intrigado.

Como um felino que observa sua caça, Aioria analisou, seguiu com os olhos, e atrás de uma barraca deu o bote.

Pegou o elfo, encostando-o contra uma parede.

— Mas o que é isso? Como se atreve? – Perguntou o jovem capturado, indignado.

— Quem é você? O que estava fazendo na tenda do Touro? — Aioria questionou, ignorando a pergunta do loiro, mas a pergunta que gostaria de fazer era outra. Gostaria de perguntar "Quem é você que me enfeitiçou?".

— Não lhe devo satisfações — Shaka falava próximo ao rapaz que segurava seus braços acima de sua cabeça, "lindo, absurdamente lindo" era tudo o que conseguia pensar.

— Quem é você? — Aioria repetiu a pergunta, com o rosto ainda mais próximo ao do loiro, perdido naqueles lindos olhos azuis.

Nenhum deles conseguiu cortar o contato visual, e sem aviso algum, seus lábios se tocaram em um beijo urgente e apaixonado.

Notas finais
Uau que beijo!!!! Babando aqui!!! Pois é temos três deliciosos elfos aqui, Camus, Shaka e Mu, Sabemos que o Hyoga está nas mãos de Radamanthys sabe Deus onde? Então ao invés de um elfo o Radamontro tem três, mas não sabe disso. Veja o que a arrogância pode fazer com a pessoa, não é mesmo? Se gostou do capítulo comente seus elogios, se não gostou comente os pontos que tenho que melhorar, mas saber sua opinião é sempre importante. Fantasminhas isso é com vocês também! =)