Além do Tempo
2 Entre Guerreiros e Elfos - Capítulo 2
Notas iniciais

Camus desviou o olhar de Milo quando viu seu amigo na arena. — Mu?! — Sussurrou.
Radamanthys sorriu. — Eu falei que hoje você aprenderia a ser mais subordinado a mim.
— Não vou permitir que você o mate, ele é meu... é meu amigo. — Respondeu Camus entre dentes.
— Amigo? Achei que ele era só seu lacaio! — Perguntou o tirano cínico.
— Eu me afeiçôo às pessoas, não sou um monstro como você. Solte-o já! — Ordenou Camus. — Ou vai colocar tudo a perder.
— Não tenho nada a perder, já você tem, não é meu querido? Faça sua escolha. — Devolveu Radamanthys.
Camus ponderou, realmente não poderia ajudar seu amigo, olhou para as pessoas na plateia que aplaudiam e gritavam palavras de ódio, se sentia impotente, tinha poderes para salvar seu amigo, mas não poderia usá-lo, olhou para Mu com um pedido de desculpas estampado na face, o jovem escravo de cabelos lilases lhe olhou bondoso, como se dissesse que tudo bem, não ficaria triste em morrer ali, abnegado aceitara seu destino.
Camus olhou em volta tentando achar um jeito de ajudar o amigo, olhou novamente na direção de Milo e seu olhar pousou no seu amigo grandalhão.
Foi quando algo surpreendente aconteceu, Aldebaran gritou e pulou na arena ficando na frente do pequeno para defendê-lo.
— Sem alarde? Mas que cara de pau! — Comentou Milo sem acreditar para o amigo Aioria que concordou com a cabeça.
Todos em volta ficaram em silêncio com o acontecido, aguardando o próximo passo.
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Entre Guerreiros e Elfos — Capítulo 2
Aldebaran pulou na arena para defender o jovem rapaz que, com toda certeza, seria morto pelo oponente. Hércules de Tannigrisnir, Aldebaran o conhecia muito bem, seu sadismo era lendário. E eles já estiveram juntos nas arenas, porém nunca chegaram a se enfrentar, Aldebaran no entanto, sabia da fama do perverso gladiador Hércules.
Mas o fato era que ele não pulou na arena por conhecer o adversário, e sim porque seu coração bateu mais forte ao ver aquele pequeno, nunca havia visto criatura tão bela na vida, mesmo simples, com vestes de escravo, mesmo ali resignado com o seu destino, ele era belo com toda sua alma pura, e Aldebaran jamais permitiria que uma criatura esculpida pelos deuses fosse morta ali, naquela arena tão cruelmente para diversão daquele tirano sádico.
Ele não pensou muito, apenas pulou na arena, pegou a espada do pequeno e se prostrou em sua frente tomando a batalha para si.
— Hércules de Tannigrisnir, seu dia não vai ser assim tão fácil como pensava! — Disparou Aldebaran.
— PELOS DEUSES É O TOURO!!! — A multidão começava a gritar. — TOURO! TOURO! TOURO!
Aldebaran ouviu os gritos e aplausos dos presentes, sim, ele era o lendário Touro, um dos melhores gladiadores do seu tempo.
Milo, Aioria e Máscara da Morte respiraram aliviados, pois por um momento acharam que o amigo havia colocado tudo a perder, mas com o povo gritando seu nome, talvez eles passassem despercebidos.
Milo olhava para o amigo e ainda tentava fitar o misterioso escravo do rei.
Quem era esse homem que mexeu tanto com seu coração? E como continuar vivendo se não fosse para ter este homem ao seu lado?
Milo nunca sentira nada assim na vida, nunca!
Do outro lado da arena o Rei Radamanthys olhava a cena dos gladiadores com os olhos vidrados, virou-se para Camus e apertando seu pescoço perguntou. — Você tem algo com isso? Conseguiu convencer esse homem a lutar pelo seu escravo?
— Não me dê mais poderes do que eu possuo, Radamanthy. Não vê que este gladiador, o tal Touro só está atrás da fama? — Camus falou sem emoção, realmente não tivera nada a ver com a entrada triunfal do gladiador na arena, mas não podia deixar de sentir-se feliz por seu amigo Mu ter, enfim uma chance de liberdade.
Radamanthys fitou seu escravo, tão difícil de ler, odiava a capacidade que ele tinha de não demostrar sentimento algum, era como se Camus vivesse num mundo de tédio, nada o tirava dessa defesa, sim Radamanthys sabia bem que aquilo não passava de uma forma de defesa, soltou o escravo.
— Se é assim, darei o jovem Mu àquele que sair vencedor, acho que um escravo gostosinho como ele é um ótimo prêmio, o que acha? — Perguntou analisando o rosto do ruivo.
Camus nada respondeu, ficou observando a luta, torcia pelo amigo de seu amado, sabia que ele, seu amado, jamais estaria na companhia de alguém de má índole.
Percebera os olhares do Rei sobre sí e por este motivo evitou olhar para seu amado, não podia colocá-lo em risco.
A batalha na arena corria fervorosa, golpes e espadas eram vistos e ouvidos por todos até que O TOURO deu um golpe desequilibrando Hércules, o fazendo ir ao chão.
Olhou para o Rei, como era de costume os gladiadores esperavam a ordem do Rei para saber se matavam ou deixavam vivos seus oponentes.
Radamanthys um tanto contrariado, pois esperava que o tal Hércules vencesse a batalha, aproximou-se da grade olhando para o povo e esperando para ver qual era o veredicto que o povo queria, mas o adversário de Aldebaran aproveitou este momento para se levantar e tentar matar Mu que apenas olhava a cena distraído.
Aldebaran foi rápido em perceber o movimento do adversário e, com um golpe de espada, decepou sua cabeça fazendo sangue jorrar alcançando Mu e sujando suas vestes.
Com o decorrer da cena Radamanthys não tinha outra opção que não elogiar a performance do famoso gladiador.
— É uma honra para os jogos de Gonda tê-lo conosco, Grande Touro! — Como prêmio por sua coragem, além das moedas de ouro, lhe darei também esse rapaz como presente pela vitória, ele é seu.
Aldebaran muito a contragosto fez uma reverência ao Rei e olhou para o pequeno que o fitava confuso.
Aquela era a criatura mais linda que Aldebaran já vira na vida, não costumava se divertir com garotos, apesar de ser comum naquela época, mas quando viu esse jovem tão lindo, indefeso e com o olhar mais puro que já vira em toda sua vida, ele não pensou muito, só sabia que daria a vida e a alma para salvá-lo.
Foi até o jovem e estendeu a mão, o fazendo levantar. — Por favor, não se assuste, mas preciso fazer isso.
Dito isso Aldebaran colocou o jovem em seu ombro e fez gestos de vitória para a plateia que o ovacionava.
Mu olhou para Camus e apesar de tudo estava tranquilo, sentia que o Touro tinha um bom coração, o importante era que Mu estava vivo, ao menos por enquanto.
Seguiu seu amigo com o olhar até que ele deixou a arena, Radamanthys voltou a sentar em seu trono puxando o ruivo pelo pescoço que novamente caiu aos seus pés.
Milo de longe sentia-se mal e irritado com aquela cena, sua vontade era dar uma surra naquele Rei de meia pataca, mas o bom senso o impedia de agir assim, afinal nem ao menos conhecia aquele ruivo.
— Acho melhor irmos procurar o idiota do Aldebaran. — Sugeriu Máscara da Morte.
Todos concordaram, Milo ainda olhou mais uma vez na direção do jovem encoleirado antes de seguir com os amigos.
Camus discreto o seguiu com o olhar, mas logo olhou para outro lado não podia deixar que Radamanthys percebesse nada.
ooOoo
— Você é louco? Que idiotice foi essa? — Aioria falava a agitando os braços no acampamento quando encontraram Aldebaran.
Era muito comum naquele tempo os viajantes acamparem em volta da cidade na época dos jogos.
— Me perdoem, não sei o que deu em mim, simplesmente não pude deixar que alguém machucasse o rapaz. — Justificou sem graça o Touro.
— Nosso plano de ficarmos na surdina foi por água abaixo, o que faremos agora? — Máscara da Morte foi quem perguntou irritado.
— Vamos manter a calma, mudaremos o foco, estávamos correndo mais riscos antes, pois poderiam questionar por que o Touro não estava lutando e depois de hoje creio que não nos perturbaram, acho até que poderemos tirar algum proveito disso. — Milo falou astuto.
— E como tiraremos proveito disso? — Perguntou novamente Máscara da Morte.
— Os vencedores terão direito a irem ao banquete real no fim das festividades, essa é uma chance de entrarmos no palácio real coisa que não teríamos antes. — Explicou Milo fazendo todos sorrirem com a idéia.
— E o que faremos com ele? — Aioria Perguntou apontando para Mu, que estava encolhido num canto da entrada da tenda.
— Deixe-o, não quero nenhum de vocês aborrecendo o garoto. — Aldebaran falou sério.
— Talvez ele saiba de algo que possa nos ajudar. — Máscara da Morte especulou.
— Tentaremos falar com ele quando ele estiver mais calmo. Aioria vamos procurar alguma bebida e quem sabe algumas informações. — Chamou Milo e os dois saíram, Máscara da Morte entrou em sua tenda ele não era homem de muita conversa.
Aldebaran olhou para Mu que permanecia sentado a beira da tenda, — Venha comigo. — Pediu o Touro fazendo o pequeno lhe seguir para dentro da tenda, lá havia um candeeiro acesso iluminando o local.
Mu não o olhava com medo, como seria de se esperar, ao contrário olhava para o gladiador com um ar de curiosidade.
— Não tenha medo de mim, prometo que não vou te fazer mal, e também não vou deixar que ninguém faça. — Aldebaran falou calmo e tímido, evitava olhar o pequenino, não se sentia digno daquele ser tão puro.
— Tudo bem, eu confio em você. — Falou Mu tentando se aproximar, mas parou quando Aldebaran se afastou.
— Você pode ficar à vontade aqui, tem essas roupas, pode usar. Amanhã vou comprar algo melhor pra você, não tenha medo, dormirei lá fora.
Mu estava prestes a dizer que não tinha medo, mas o grandalhão saiu o deixando sozinho na tenda.
ooOoo
— Você percebeu como é lindo aquele escravo? — Milo perguntou ao amigo Aioria enquanto tomavam um gole de vinho em uma taberna próxima a entrada da cidade.
— Escravo ou amante do Rei? Não sabemos ao certo. — Rebateu sincero o amigo fazendo Milo sentir uma fisgada de raiva com a ideia.
O dono da taberna, que escutava a conversa, se meteu e contou. — Uns dizem que ele é um escravo de luxo, outros que é um amante, ninguém dúvida que ele serve o Rei no leito, sim, sim... uma Rainha foi escolhida para dar herdeiros ao Rei, mas dizem que ele tem uma verdadeira veneração por aquele jovem.
Milo sentia seu peito doer de ódio ao imaginar o seu ruivo sendo tocado por outro homem, e saber que esse homem era Radamanthys só piorava a situação. — Duvido que o ruivo fique ao lado daquele filho da... Digo... do Rei. – Consertou a tempo ao levar um chute de Aioria, — Ele não se sujeitaria a andar de coleira por vontade própria.
O dono do bar ponderou, e sentando à mesa com os dois rapazes revelou: — Dizem que o rapaz, de nome Camus, é a razão dos poderes do Rei.
Aioria olhou para Milo como se dissesse "O motivo dos poderes do Rei" isso é muito importante!
Milo por sua vez só conseguiu pensar "Camus, o nome dele é Camus? Nome tão lindo como o dono."
— O que quer dizer com “os poderes do Rei”? — Perguntou Aioria fazendo Milo sair dos devaneios.
O homem olhou para os lados e falou baixo. — Dizem que o rapaz é um bruxo, um mago muito poderoso, Radamanthys sempre o leva nas batalhas e desde que o Rei começou a fazer isso o exército de Gonda nunca mais perdeu nenhuma batalha. — Revelou o homem triunfante.
Milo e Aioria trocaram olhares e continuaram a beber.
ooOoo
Radamanthys estava em seu quarto, era noite deveria estar cansado depois de um dia intenso dos compromissos reais, mas o rei estava "aceso" ele já havia jantado e estava louco para o prato principal, logo dois soldados bateram a porta trazendo um Camus vestido de forma extremamente sexy.
O ruivo tinha o peito nu, algumas joias enfeitavam seu pescoço, vestia uma roupa grega, uma saia de tecido delicado e fino, os cabelos soltos e lisos desciam por seu ombro apesar do enfeite na cabeça.
— Você está lindo! — Radamanthys elogiou com os olhos vidrados naquele ruivo de beleza pura e exótica.
— Não sou uma mulher, não deveria ficar ornado com tantos artefatos decorativos. — Camus respondeu com seu tom controlado tentando não se incomodar ao ver o olhar de Radamanthys sobre si.
Já era difícil antes, agora que havia reencontrado seu amor a situação só piorava, Camus esperou tanto para vê-lo novamente, cento e cinquenta anos de paciente espera, para ver seu amor reencarnando numa nova vida mortal, muitos desses anos vividos num mundo de paz, mas seu amor voltou... justo agora que o tirano o fizera de escravo, justo quando o tirano havia tomado posse do medalhão que inutilizavam seus poderes, e pior... justo na época em que o tirano havia tirado o seu bem mais preciso.
Mas enquanto Camus não localizasse o seu maior bem, não poderia nem ao menos tentar reagir ao Rei.
— É o meu belo e o quero assim, adornado de joias, em boas roupas, limpo e perfumado para mim, o seu mestre. — Falou o levantando e acariciando o corpo do rapaz.
— Sabe que não pode... Não pode me tomar, não sabe? — Camus perguntou mantendo o corpo ereto, sem desviar das carícias, conhecia Radamanthys e sabia que se demonstrasse medo ou repulsa seria muito pior para conter seus extintos selvagens.
Radamanthys era temido e reconhecido no reino por violentar homens, rapazes, mulheres, donzelos ou donzelas, bastava a vítima passar o menor sinal de medo que isso atiçava o lado selvagem do tirano.
Bater de frente? Também era uma coisa que não dava certo, pois a Radamanthys fazia questão de transformar a expressão de ódio em expressão de medo e terror.
Não era à toa que ele era um servidor de Hades.
— Não diga o que posso ou não fazer Camus, se eu quiser me servir de você, é isso que vou fazer. — Falou o Rei com a voz rouca, esfregando seu membro já duro por baixo da roupa nas nádegas de Camus, enquanto beijava seu pescoço.
Camus nada respondeu, não poderia fazer nada, apenas tentar jogar o jogo da sedução com seu algoz.
— Ah! Camus como te desejo, como tenho vontade de te possuir...
— É simples, meu senhor, basta abrir mão dos meus poderes, sabe que o dia em que me possuir perderei meus poderes e sem eles não o ajudarei mais nas batalhas. — Camus falou num tom baixo e provocativo.
Radamanthys parou de súbito e andou pelo quarto como se pensasse seriamente no assunto, Camus continuou imóvel, esperando a decisão do Rei, mantendo seu coração com batimentos normais, evitava que uma respiração diferente fizesse o Rei sair das ponderações.
— Tem horas que acho que vai valer à pena me afundar na sua carne, mas não sei, não sei... — A dúvida deixava o Rei irritado.
Camus o seguia com os olhos.
— Camus, venha, me alivie com a boca ou use as mãos, venha! — Ordenou Radamanthys abrindo o roupão e mostrando seu membro ereto.
O elfo o olhou indignado, não pôde deixar de sentir asco com aquela ordem. — Como ousa me dar tal ordem? Como ousa me tratar como se eu fosse uma cortesã medíocre?
— Você não é uma cortesã medíocre, é meu escravo e uso meus escravos como quiser! Venha, quero sentir sua boca aqui! — Radamanthys sabia que Camus jamais concordaria em fazer algo daquele tipo, mas ele precisava ter algo de seu ruivo.
— Jamais! — Camus falou mantendo-se de pé no mesmo lugar.
Radamanthys estalou a língua antes de prosseguir — Camus, Camus... já enviei um dos seus escravos para os jogos por causa de sua rebeldia, vai querer que eu faça isso novamente?
— Não vou me sujeitar a isso! — Camus respondeu sério.
— Posso parar de ser bom com ele! — Radamanthys ameaçou olhando para Camus a espera de ler nas expressões do ruivo algum sinal de medo.
Camus sabia de quem o tirano falava, o olhou com raiva e chiou entredentes. — Eu mato você! Encoste nele, e eu mato você!
Ao ouvir as palavras de Camus, Radamanthys sorriu malicioso, pois ouvir essas ameaças de possíveis vítimas de seu desejo incontrolável era um tempero a mais no seu jogo de caça e caçador.
— Ah! Camus... todo o encanto que vi em seu rosto até esse momento não faz jus a sua verdadeira beleza, que se fez presente agora. — Radamanthys falou indo na direção do ruivo como um felino vai em direção a caça.
— Não vou me submeter as suas nojeiras. — O elfo tornou altivo.
Radamanthys segurou Camus pelo queixo apertando seu pescoço, o tirano usava no peito o medalhão que inibia os poderes de Camus, e o ruivo apenas manteve o olhar altivo. — Você vai fazer o que eu quiser que você faça, sou seu mestre, seu dono, seu senhor, entendeu?
E dito isso o Rei jogou seu escravo contra a cama e pulou em cima dele, lhe tirando as finas roupas que este usava. Camus tentou lutar contra, mas com o medalhão encostando em sua pele sentia vertigem como se fosse perder os sentidos a qualquer momento.
— Solte! — Pediu fraco.
— Não, Camus, eu quero você... — Radamanthys dizia isso beijando o pescoço do ruivo, explorando o corpo do outro com suas mãos, mordendo, arranhando... seu membro duro roçava no corpo de Camus que tentava se debater para sair daqueles braços fortes.
— Me tome logo Radamanthys, me faça perder meus poderes, assim quem sabe eu não presencio algum guerreiro arrancando-lhe a cabeça! — Camus falou como última tentativa de impedir a violência sexual iminente.
Radamanthys, que explorava o corpo de Camus embriagado de desejo, parou ao ouvir as palavras do ruivo, "merda, merda... ele tem razão, ainda tenho inimigos para derrotar"— pensou.
Fitando o ruivo com raiva, Radamanthys deu algumas bofetadas no rosto do ruivo, fazendo um filete de sangue escorrer pela lateral dos lábios, enraivecido levantou e pegou umas correntes que mantinha em seu quarto, foi até Camus prendendo-o de bruços na cabeceira da imensa cama real.
— Me Solte! Seu bastardo! — Gritou Camus se debatendo.
— Cale-se — Ordenou o Rei.
Radamanthys foi até a porta do quatro falou algo com os guardas, fechou a porta e se voltou para Camus que estava numa posição constrangedora. — Agora vamos brincar um pouco; meu belo.
E dizendo isso pôs o elfo de quatro e acariciou seu traseiro, Radamanthys abriu as nádegas do ruivo expondo seu botão, o objeto de desejo do tirano, — Ah! Camus, como te desejo! — Falou o tirano encostando a língua no botão saboreando seu ruivo.
Camus se debatia, tal carícia poderia ser prazerosa se não fosse feita por aquele homem por quem tinha verdadeiro asco.
Camus tentava se debater, mas Radamanthys colocou a medalhão em contato com o corpo do ruivo minando suas forças.
— Eu vou matá-lo Radamanthys, um dia eu vou mata-lo, lembre-se disso — Falou o elfo fraco.
Radamanthys, tal qual um animal no cio, lambia seu anel, arranhava e mordia suas nádegas e costas, fazendo um barulho gutural, logo uma batida na porta se fez ouvir, Radamanthys parou o que fazia e cobriu a nudez do ruivo com seus lençóis.
Radamanthys ainda nu abriu a porta, seu soldado trazia um rapaz que tinha em seu rosto um misto de altivez e o medo.
Ninguém sabia seu verdadeiro nome, todos o chamavam de Faraó.
Sabe-se que ele era um príncipe no Egito, e seu reino foi um dos primeiros a serem devastados por Radamanthys quando começara sua ascensão ao poder.
Radamanthys o mantinha preso para o seu prazer, já que gostava de sodomizar os mais fortes, imagine então poder sodomizar um Deus? Sim, os faróis eram considerados Deuses pelo seu povo e este mesmo se intitulava assim, quando até seu reino fora atacado e destruído pelo tirano.
O Faraó, por sua vez tinha pelo Rei tirano uma verdadeira adoração, pois este o considerava um Deus de fato com poderes mágicos e se sentia privilegiado por ser escolhido para matar o desejo do Rei.
— Venha meu rapaz, venha! — Radamanthys disse ao recepcionar o egípcio na porta de seu quarto.
— Senhor, me chamou e estou aqui. — Falou altivo o príncipe escravo.
Radamanthys apenas o despiu com pressa. — Venha preciso de você.
O tirano arrumou tempo somente para colocar uma venda nos olhos do Faraó, não deixaria que ninguém visse seu belo ruivo nu, este era um privilégio só seu.
O Faraó deitou de costas na cama sentiu que havia alguém próximo a si, alguém que não era o Rei, alguém com perfume floral, porém não ousou falar nada.
Camus não teve tempo de se recuperar do seu contato com o medalhão, pois Radamanthys logo o encostou novamente na pele de Camus, o local ficara vermelho, como se queimasse.
Radamanthys olhou aqueles dois homens submissos ao seu prazer, um deles totalmente obediente, e o outro que deveria ser punido até que aprendesse a ser tão obediente quanto o primeiro.
Aproximou-se da cama e puxou o egípcio pelas ancas encaixando seu falo na entrada convidativa de seu príncipe escravo, lubrificou o membro com a saliva e entrou de uma só vez fazendo o Faraó gritar de dor.
Radamanthys uma vez sendo acolhido pelo corpo do príncipe tirou os lençóis do elfo, novamente o fez ficar de quatro voltando a explorar seu corpo com a língua ao mesmo tempo que se movimentava dentro do outro.
Camus tentava se debater apesar de fraco.
— Ah! Camus, Camus como eu te desejo!
Radamanthys falava dando fortes investidas dentro do príncipe, já voltando a agir de forma animalesca, entre gemidos altos arranhava e mordia Camus, começando a ferir este que se debatia tentando se livrar da força do tirano.
O escravo egípcio começou a gemer junto com o tirano, já que este acertava seu ponto de prazer com seus movimentos selvagens.
— Hunng... Mestre do prazer!
Não demorou Radamanthys sentiu sua barriga sendo molhada pelo prazer do faraó, sorriu e olhou para Camus, este mantinha seu corpo sob controle não demonstrando qualquer sinal de ereção, "Maldito"— pensou.
E movido pela raiva e prazer, saiu de dentro do Faraó e abraçando Camus roçava seu membro no ruivo, ele mordeu-lhe o ombro com toda força, fazendo o ruivo gritar, Radamanthys queria o fazer sentir algo, nem que fosse dor, ele queria que Camus sentisse e gritasse naquele momento.
Radamanthys sentiu o gosto do sangue em sua boca, e movido pelo prazer em ouvir seu escravo elfo gemer de dor, o tirano masturbou seu falo chegando ao orgasmo, sujando as costas de Camus, caindo em cima deste e ainda sentindo os espasmos do gozo falou ofegante no ouvido do ruivo.
— Um dia vou foder você com vontade, o dia em que eu for o mais poderoso deste mundo... eu amo você, elfo, quero passar a vida ao seu lado no topo, no poder!
Sentindo o corpo doer com a brutalidade dos arranhões e mordidas, e fraco pelo contato com o medalhão, Camus respondeu com desprezo: — Você está longe de saber o que é amor, Radamanthys, longe.
Sorrindo malicioso sem compreender as palavras do ruivo, Radamanthys levantou e olhou novamente os dois homens em sua frente, um totalmente submisso que continuava deitado na mesma posição, pois não tivera a ordem de se levantar, e o outro ferido por ter sido castigado, por ousar não senti prazer com ele.
— Fique aqui, meu príncipe, quero te possuir mais vezes essa noite. — Falou ao ouvido do Faraó.
O Rei vestiu o seu roupão e retirou as correntes de Camus, o pegou enrolado nos lençóis, o levando nos braços apesar dos protestos do ruivo, até os aposentos do elfo.
— Mande vir Shaka para cuidar dele, o quero lindo amanhã. — Deu ordem a um soldado, confiava a nudez do seu amado elfo somente a Shaka que era cego, ninguém jamais o vira com os olhos abertos.
ooOoo
— Temos que achar uma forma Camus, temos que fugir daqui. — Shaka falava lavando os ferimentos de Camus.
— Sabe que não posso, Shaka, não enquanto o monstro estiver com ele.
— Se ao menos soubéssemos onde ele o escondeu... — Lamentou Shaka.
Ficaram em silêncio por um momento, Camus fez uma careta após Shaka pressionar o tecido no ferimento da mordida em seu ombro.
— Shaka! — Camus falou baixo.
— Sim.
— Ele voltou! Meu amor... voltou pra mim.
Shaka parou o que estava fazendo sentindo seu coração bater acelerado. — Todos eles? — Perguntou o loiro trêmulo num sussurro.
Shaka abriu os olhos e encarou Camus que o olhava de volta de forma cumplice, havia algo ali que somente os dois sabiam, somente os dois entendiam.
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