Além do Tempo

5 Amor Eterno Amor - Capítulo 5


Notas iniciais
Olá pessoal! Sei que estou demorando muito para atualizar, estou demorando para responder os reviews, MAS tudo tem uma explicação, eu infelizmente estou com a chikungunha ha quase tres meses, tem dias que não consigo nem ao menos mexer os dedos, ta bem complicado mesmo. Espero que estendam estou convivendo com a dor, o lado bom é que quando eu for escrever algo que tenha tortura eu já terei experiencia nas dores. =P #SheilinhaOtimista Quero agradecer a Vivi que betou a fic Quero da um agradecimento especial a todos que comentaram o capitulo anterior, vocês são muito especiais para mim, as palavras de carinho e incentivo me deixam emocionada. Chega de papo boa leitura.

Além do Tempo

Amor Eterno Amor — Capítulo 5

— Pelos Deuses, Camus! — Milo falou quando caíram exaustos nas almofadas da tenda, aquela era a terceira vez que eles se amavam naquela manhã, Camus sabia que teria problemas quando voltasse pra casa, mas simplesmente não conseguia deixar aquele guardião.

— Você tem muita energia, Guardião. — Camus falou ofegante.

— Milo... me chame de Milo. Me chamando de “Guardião” fica muito impessoal. — Reclamou deitando próximo ao elfo.

— Não acho que seria sábio praticarmos um tratamento mais íntimo. — Tornou Camus.

Milo olhou para o ruivo sorrindo e comentou: — Camus, mais íntimo que isso? Nós nos amamos três vezes sem interferência do Divino, acho que já temos certa intimidade.

Camus ficou analisando o que o Guardião disse. — Tudo bem, Milo, mas acho que devemos ir, já é tarde e tenho certeza que somos os únicos aqui ainda.

Milo apoiou a cabeça nas mãos e olhando para o ruivo falou: — Tenho medo de sair daqui e nunca mais voltar a vê-lo.

Camus olhou para o rapaz a sua frente, e acariciando seu rosto respondeu: — Sabe que não podemos, não sabe? Sua vida é um sopro perto da minha, logo você morrerá, quanto tempo mais viverá? Dez, vinte, cinquenta anos? Isso não é nada para um elfo. — Completou Camus sentindo um aperto em seu peito ao pensar em Milo morto.

Milo abaixou o olhar triste, mas em um segundo pulou excitado com a ideia que tivera.

— Camus! É isso!

— É isso o que, Milo? — Perguntou o elfo confuso.

— Podemos viver juntos! Veja bem, nós podemos construir uma casa em frente ao lago, simples, mas linda! Teríamos uma horta onde plantaríamos e colheríamos nossa comida, ficaríamos perto da natureza e seríamos felizes.

— Milo... — O elfo falou baixo sem acreditar na imaginação do guardião. — Acabei de dizer que não podemos: Você é um mortal!

— Por isso mesmo, você tem apenas dez, vinte ou cinquenta anos para ser feliz ao meu lado, depois vou deixar de existir, mas no tempo em que estivermos juntos prometo te fazer feliz. — Milo sorriu para o ruivo. — E você não pode se negar a fazer a existência de um homem feliz, pode? Que mal há nisso?

O elfo o olhou com compaixão, ele com certeza não imaginava quem era Camus, quais eram suas responsabilidades principalmente como príncipe elfo. Mas, Camus conseguiu visualizar a vida simples numa cabana em frente ao lago, seu peito aqueceu com aquele pensamento.

Contudo, antes que conseguisse responder alguma coisa ouviu galopes se aproximando e alguém apeando do cavalo. — Sr. Camus, seu pai, o Rei Crystal o aguarda.

Camus olhou para Milo tenso antes de responder. — Estou indo Isaak, me dê um instante, por favor.

— Você é um príncipe elfo? Filho do grande Rei Crystal de Delmare? — Milo perguntou fraco, sabendo que se aquilo fosse verdade suas chances de rever o elfo a sua frente seriam quase nulas.

— Sim, sou o príncipe Camus. — O jovem príncipe elfo respondeu enquanto se vestia. – Milo, acho que nos despedimos por aqui.

Milo assentiu com a cabeça e foi até Camus, e o enlaçando pela cintura, beijou-lhe os lábios.

Milo tentou colocar no ato toda paixão que estava sentindo pelo elfo naquele momento, naquele beijo.

Findando o beijo Milo perguntou. — Isso é um adeus?

Camus sorriu — Quem sabe? Vamos dizer que é um até logo.

Camus saiu encontrando Isaak um pouco afastado da tenda onde estava.

— Sr. Camus, esqueceu-se do banquete real? Todos estão reunidos, o Sr. Degel me enviou aqui para levá-lo o quanto antes. — Isaak lembrou a Camus que olhou uma última vez para a tenda onde passou a noite com Milo e seguiu com seu cavalo em disparada para Delmare.

Lá chegando Camus desceu do cavalo e foi em direção ao seu quarto.

— Senhor o banquete! — Isaak alertou.

— Isaak, não posso me apresentar ao rei assim, preciso de um banho e preciso trocar de roupa.

Camus sabia que por mais que seu pai fosse compreensivo, ir a sua presença cheirando a sexo e principalmente sexo com um mortal, não seria nada inteligente.

ooOoo

Todos estavam reunidos no grande salão real, que estava lindamente decorado com flores brancas e tecidos vermelhos em meio aos cristais de gelo.

Estavam reunidos para a despedida dos elfos que vieram de longe somente para participar do solstício de inverno, como Mime, Afrodite, Misty, entre outros.

Todos conversavam animadamente o Rei olhou para a porta e virou para Degel, — Onde está o seu irmão?

Neste momento Camus vinha correndo para o grande salão, havia se banhado e vestido sua melhor roupa, bem como ornado os cabelos com as joias de prata que possuía, sabia que o pai apreciava estes detalhes.

Respirou fundo antes de entrar, — Que o Divino me ajude!

E abriu a grande porta fazendo com que todos os olhares se voltassem para ele, no primeiro momento se amaldiçoou por não ter chegado antes, pois sabia que seria o centro das atenções, afinal somente ele e Shaka haviam entregado a virgindade ao Divino, mas Shaka foi esperto e chegou cedo, não teve que sentir os olhares de todos assim de uma só vez.

Camus foi caminhando naturalmente com sua altivez característica, passou por Surtr sentindo seu olhar de raiva e ressentimento, por Hilda sentindo seu olhar de insatisfação e desgosto, passou por Misty e Afrodite sentido o olhar de gozação dos primos, Mu o olhou com curiosidade, Degel e Shaka o olharam com reprovação, mas seu pai, Camus não conseguiu definir o olhar do pai.

— Camus, meu filho, venha, sente-se aqui ao meu lado. — Crystal convidou manso e acolhedor.

Camus trocou olhares com Shaka antes de se sentar.

— Amigos e parentes foi uma honra para Delmare poder contar com a presença de todos vocês nestes dias de festividades. — O Rei Crystal começou seu discurso.

Camus olhava para todos ali, mas seus pensamentos voaram até certo guardião da floresta, imaginando uma cabana com um lago em frente. Milo tinha certa razão, o que é a vida de um mortal para os elfos? Um sopro. E porque não passar esse sopro sendo feliz com o mortal?

Camus se lembrava dos momentos quentes que passou ao lado do guardião, se viu corar com as lembranças.

— Pelos Deuses! Ele está amando! — Afrodite comentava com Misty.

— Sim, olha só... está na cara dele, acha que é o mortal de ontem? — Misty questionou.

— Quem mais seria? Parecia um belo exemplar de homem, não era pra menos. — Tornou Afrodite.

— O Shaka também escolheu um mortal. Já pensou nisso, essa noite tivemos dois elfos iniciados por mortais! — O que será que eles têm de tão interessante assim? — Misty perguntou e os dois sorriram sem responder.

— Mas o Shaka ao menos está disfarçando, porém acho que o mortal também o impressionou. — Reparou Afrodite.

— Como sabe? — Quis saber Misty

— Simples, ele está se esforçando muito para manter a cara fechada, não está sendo natural, acho que o mortal o pegou de jeito! — Respondeu o astuto Afrodite.

Camus saiu dos seus devaneios ao olhar para os primos sentados a sua frente o encarando de forma maliciosa. Os ignorou e começou a comer, de repente se deu conta que estava faminto.

— Eu me sinto ultrajado! — Surtr comentou com Hilda.

— Ora Surtr, a culpa foi sua, quem mandou não se fazer notar? Francamente um guardião chamou mais atenção que você. — Reclamou a rainha Hilda.

— Eu vou embora, me sinto ultrajado! — Falou Surtr irritado.

— Pois controle-se! Quem escolheu o mortal foi o Divino, o Camus é um príncipe elfo e Crystal jamais o deixaria se envolver com esse guardião. Você só sairá daqui com um compromisso firmado, não abro mão disso. — Falou a soberana de Asgadil. Com essa união Hilda teria influência em todos os reinos do norte.

— Certo me casarei, mas o Camus irá me pagar por essa afronta! — Informou Surtr mirando o jovem príncipe.

Neste momento Mime começou a tocar sua arpa alegrando os corações dos presentes, Camus tentava não pensar, mas o guardião não saia dos seus pensamentos.

Shaka, por sua vez, ainda sentia nos lábios o beijo do guardião abusado, ainda se sentia indignado com tal ousadia. Lembrou se da dança na floresta e de como aqueles olhos verdes o aprisionaram de tal forma que ele não conseguiu pensar em mais nada, somente em dançar para aquele homem.

Estalou os lábios pensando que tivera a iniciação sexual com um mortal, não acreditava que poderia ser tão leviano.

Mas o que de fato aborrecia Shaka era saber que ele tinha gostado muito daquele guardião rude, no entanto, isso não confessaria a ninguém.

Shaka olhos para as elfas que dançavam ao som da arpa de Mime, Esmeralda era lindíssima, e Tetis conseguia superar a outra em formosura, Fleyra também dançava sob o olhar atento de sua mãe, a Rainha Hilda.

Todos apreciavam a comemoração tranquilos.

— Camus, vamos conversar mais tarde. — O Rei Crystal avisou a Camus, e virando para Shaka completou. — Você também, Shaka.

Os primos trocaram olhares tensos.

ooOOoo

A tarde estava tranquila, o clima apesar do frio estava ameno, Camus, Shaka e Degel caminhavam pelos jardins de Delmare.

— Olhem meus queridos, o inverno começou, com a bênção do Divino espero que seja um inverno calmo e tranquilo para os mortais. — Comentava Crystal andando com os jovens ao seu lado. — Pois eles são extremamente frágeis, um inverno mais rigoroso pode mata-los, todos!

Crystal olhou para os jovens e continuou, — Apesar de achar os mortais criaturas maravilhosas, devo alertá-los que eles não são para os elfos.

— Mas os guardiões são mortais da melhor espécie, não é mesmo? Só os puros de coração e nobres de alma recebem a graça de ser guardião, não é? — Camus perguntou não conseguindo se conter

— Sim, os guardiões são o melhor tipo de mortais que se pode conhecer, mas não são para os elfos. — Tornou Crystal com a voz calma.

— Mas... por que não? — Tornou a perguntar Camus, para o desespero de Shaka.

— Não há nada que um mortal possa oferecer a um elfo além de dor, tristeza e desespero. — Crystal falou sério e sombrio, — Não se envolva com mortais, Camus. Se o fizer arcará com as responsabilidades dos seus atos. Tudo que vai conhecer é dor, sofrimento e desespero.

— Mas o divino escolheu dois mortais para se unirem aos elfos no solstício, o que isso quer dizer? — Foi Degel quem perguntou.

— Não sei o que quer dizer, não vou contra o que foi feito nos rituais, mas o que acontece lá deve ficar lá! Fui claro? — Crystal ordenou com um tom um tanto mais rude que o de costume, o que deixava claro que não deveria ser contestado nem desobedecido.

Os três jovens elfos abaixaram a cabeça em sinal de respeito e concordaram em silêncio, discutir com o Rei não era boa idéia.

ooOoo

— Ei! Acorda! Tá sonhando acordado? — Aioria chamou Milo que estava sentado num tronco de árvore olhando para o horizonte.

Milo apenas sorriu e nada falou.

— Pensando no seu elfo de cabelos de fogo? — Perguntou o rapaz de olhos verdes ao sentar próximo ao seu amigo.

— Estou apaixonado Aioria, nunca ninguém mexeu assim comigo, não consigo fazer mais nada a não ser pensar no meu príncipe elfo. — Confessou Milo sonhador.

— Mas logo o filho Rei Crystal? Que azar o seu. — Aioria comentou sorrindo.

— Mas e você? E o elfo loiro misterioso? — Perguntou Milo.

— Ah! Dele só sei o nome! Shaka! Tão lindo, arrogante e quente em igual medida, mas não creio que tornarei a vê-lo. Shaka não me parece ser do tipo de pessoa que quebra as regras, e você sabe que um elfo jamais se envolveria com um reles mortal como eu. — Analisou Aioria.

— Tenho certeza que verei Camus novamente, sei que ele também se apaixonou por mim! — Retrucou Milo irritado em pensar nas palavras do amigo.

— No seu caso não tenho dúvidas, meu amigo, seu elfo quebrou todas as regras quando resolveu passar a manhã ao seu lado, acho que ele arranjará um jeito de te ver, se assim for da vontade dele. — Concluiu Aioria perspicaz.

Milo sorriu e passou a observar a floresta quando sentiu algo estranho, o mal se aproximando.

— Aioria, — sussurrou, mas o amigo estava atento e fez sinal para que eles se escondessem.

Na floresta estavam cerca de quinze orcs passando, armados com espadas e martelos.

— Orcs? O que será que eles fazem aqui? — Questionou Milo.

— Não sei, vamos ficar atentos, se eles estiverem só de passagem não vamos impedir, só entraremos em ação caso eles façam algo. — Aioria falou sério.

ooOoo

Era chegada a hora da despedida, os elfos que vieram de longe para as festividades voltariam para suas terras.

Todos já haviam se despedido do Rei que os observava pela sacada do castelo, acompanhado de sua irmã Hilda, dos primo Surtr, que estava com a pequena Simone nos braços.

Camus, Shaka, Mu e Degel estavam próximos aos viajantes e despediam um a um.

Afrodite, um belo elfo do amor, com suas rosas era capaz de espalhar amor por onde passava, graças a ele e suas rosas tornou-se comum os enamorados darem rosas a pessoa amada, seu rosto angelical muitas vezes era confundido com o de uma mulher.

Os poderes do elfo eram conhecidos até entre os mortais, que o veneravam como se fosse um Deus, ou melhor uma Deusa, o chamavam erroneamente de Deusa Afrodite do Amor, pobres mortais mal sabiam que sua Deusa do amor era um elfo homem.

Afrodite sabia quando uma pessoa estava amando de verdade, e se aproximando do primo Camus falou. — Meu querido, vejo que encontrou o amor.

Camus o olhou triste, — De que adianta isso primo, se não posso amar um mortal?

— Quem disse que não pode amar um mortal? — Afrodite questionou.

Camus fez sinal com a cabeça indicando o pai no alto da sacada do castelo.

— Ora, Camus não seja tolo, quem sabe dos seus sentimentos é você, não será fácil e pode ser até sofrido, mas as melhores histórias de amor assim o são. Lute pelo seu amor. — Aconselhou o elfo do amor.

Afrodite abraçou o primo ternamente quando sentiu algo. — Oh! Pelo Divino, Camus!

O ruivo o olhou confuso. — O que foi?

— Camus, lute pelo seu amor, pois sei que é um amor verdadeiro e você estará eternamente ligado a alma deste guardião. — Afrodite falou olhando nos olhos do primo. — Caso precise e se sinta desamparado vá até mim terei um imenso prazer em te receber no Vale Rosalie.

Camus não entendeu nada do que o primo dizia, mas não se preocupou muito com isso, afinal Dite, como gostava de chamar, era "maluquinho" mesmo, mas uma coisa era certa, ele iria lutar para ficar com o guardião.

Afrodite se aproximou de Shaka após ter dado um forte abraço em Mu, — Shaka, meu querido, será que finalmente encontrou alguém que te faça descer do pedestal?

Arqueando a sobrancelha esquerda Shaka respondeu. — Não entendi, Afrodite, seja mais claro.

— Não é nada, esquece. — Falou o elfo do amor abraçando o primo para se despedir, então tornou a falar em seu ouvido. — Arrisque-se Shaka, Arrisque-se!

ooOoo

— Camus, onde vai? — Perguntou Shaka vendo o primo com roupas de montaria.

— Cavalgar, oras. — Respondeu Camus indo em direção ao seu cavalo. — Vem comigo?

— Espere, vou me vestir. — Shaka respondeu antes de ir se vestir para cavalgar.

Os dois jovens elfos saíram cavalgando pelos terrenos de Delmare, Camus saiu em disparada até os limites das terras de seu pai.

— Camus. onde pensa que está indo e o que pensa que está fazendo? — Questionou Shaka seguindo o ruivo em seu cavalo.

— Explorando! Shaka, arrisque-se! — Respondeu Camus sorrindo.

Não tardou e eles saíram dos terrenos de Delmare entrando na floresta, nenhum deles havia saído dos limites da cidade dos elfos antes, aquela era a primeira aventura que teriam.

— Camus, o que pretende? — Não devíamos sair dos limites de Delmare assim, sozinhos e sem proteção. — Shaka resmungou.

— Shaka já somos adultos, não podemos ficar presos em Delmare pra sempre. — Camus respondeu descendo do seu cavalo, estavam próximo a um lago.

— Camus ouço algo estranho, fique alerta. — Shaka avisou, mas antes que pudessem se esconder quatro orcs apareceram cercando os dois.

— Elfos novinhos, que delícia, quero sentir o gosto da carne deles! — Falou um dos orcs.

Nem Camus, nem Shaka sabiam ao certo como se defender do ataque dos orcs, Camus usou seu poder pela primeira vez e congelou o orc que ousou ir para cima dele, mas outro orc o pegou por trás segurando suas mãos, Shaka usou seu poder cegando um orc, mas os outros foram mais rápidos e os seguraram.

Quando acharam que estavam perdidos ouviram barulhos de espadas, Camus olhou a sua frente e lá estava o seu guardião lutando contra os orcs com sua espada em punho, logo viu que outro rapaz se juntava a Milo na luta contra os orcs.

Shaka também prestava a atenção na luta dos guardiões contra os orcs, ele não queria dar o braço a torcer, mas ficou extremamente feliz ao ver Aioria e principalmente ao vê-lo lutando contra aqueles orcs.

E com um golpe de espada Aioria decepou a cabeça do último orc, sorrindo vitorioso olhou para Shaka que rapidamente falou: — Estávamos com eles sob controle antes de aparecerem.

Aioria gargalhou diante da arrogância do elfo loiro. — Sim, percebemos isso.

Milo guardou sua espada e foi em direção a Camus perguntando: — Você está bem?

Camus assentiu com a cabeça, ambos se olharam nos olhos e sem dizer mais nada selaram aquele reencontro com um beijo apaixonado.

— Acho que deveríamos dar um pouco de privacidade a eles, por que não vem comigo, príncipe Shaka? — Aioria perguntou educado.

— Por quê? Não acho que eles precisem de privacidade! — Shaka perguntou arrogante, e olhando para o primo percebeu o motivo um tanto encabulado, no entanto, para não perder a pose falou: — Como sabe que sou nobre? — Quis saber Shaka.

— Simples, por suas vestes sempre elegantes, e por seu nariz devidamente empinado. — Respondeu Aioria sorrindo.

— Oras seu! — Começou Shaka, mas Aioria o interrompeu.

— Venha comigo, acho que eles precisam conversar. — O guardião tornou a pedir e Shaka aceitou ir para o outro lado do lago.

— Não esperava vê-lo novamente. — Aioria começou puxando assunto.

— Não era pra me ver mesmo, Aioria, segui Camus que é um desmiolado e viemos parar aqui. — Shaka respondeu a contra gosto.

— Ainda lembra meu nome, fico honrado com isso. — Comentou Aioria sorrindo fazendo Shaka se perder com aquele sorriso.

— Eu sou um elfo tenho uma boa memória só isso mortal. — Shaka falou arrogante.

Aioria sorriu.

— Sabe acho seu amigo muito corajoso, e decidido eu admiro pessoas assim. — Comentou Aioria displicente.

— E por que acha isso? — Quis saber Shaka.

— Porque ele é leal aos sentimentos dele e sabe o que quer, Milo tem muita sorte. — Respondeu o guardião.

— Por que está me dizendo essas coisas? — Shaka continuo perturbado.

— Porque eu sei que me deseja o tanto quando eu o desejo, sei que gostou da noite que tivemos tanto quanto eu gostei, sei que quer sentir os meus lábios nos seus, mas não o faz por medo. — Aioria respondeu encurralando Shaka em uma árvore e deixando seu rosto bem próximo ao do elfo encarando seus lábios.

— Aioria isso é errado, muito errado não posso, não é certo. — Falou Shaka sendo calado por um beijo curto.

— Eu sou um elfo e você é um mortal, — Continuou Shaka assim que Aioria findou o beijo, e o guardião voltou a beijá lo.

— Dizem que só a sofrimento para quem tem um relacionamento assim. — Novamente foi calado por outro beijo do Aioria.

— Eu não sei mais o que dizer. — Sussurrou Shaka nos lábios de Aioria.

— Que bom, — Foi a resposta do leonino que intensificou o beijo agora sem resistência do seu elfo.

Do outro lado do lago Camus e Milo estão com as testas encostadas uma na outra após trocarem beijos ardentes.

— Esse seria o certo Milo, mas eu não consegui parar de pensar em você Milo, eu sei que é loucura, mas eu fico imaginando nossa vida simples na cabana em frente ao lago. — Comentou Camus com a voz rouca.

— Mas você é um príncipe filho do senhor de Delmare, o grande Crystal, jamais poderia ter uma vida simples assim, me achei um tolo quando soube quem era, você deve ter rido de mim. — Respondeu Milo triste.

— Não, ao contrário eu fechei os olhos imaginando essa vida ao seu lado, Milo eu não tenho medo de enfrentar o que for para ficar com você, nem que seja só nesta sua existência. — Tornou Camus carinhoso e apaixonado.

— Tudo que eu mais quero é ficar com você meu amor, mas vamos tentar ir devagar, eu tenho muito respeito pelo seu pai, e eu gostaria da benção dele. — Falou Milo segurando as mãos de Camus.

— Meu pai é contra Milo, ele diz que ao lado de um mortal eu só vou encontrar dor, sofrimento e desespero. — Revelou Camus.

— Não, jamais o faria sofrer, isso nunca! — Milo falou acariciando o rosto de Camus e o beijando novamente.

Quando findaram o beijo Camus perguntou, — Fomos atacados por orcs, mas não deveria existir orcs aqui, o que será que pretendem? Quase nos pegaram os bastardos.

Milo o olhou e perguntou, — Camus, por que está sem espada? Não se pode andar na floresta sem uma, mesmo com o seu poder, você deveria ter uma espada.

— Não sei manusear espadas Milo, nem ao menos sei usar meu poder para me defender, veja o quanto ridículos fomos. — Respondeu Camus sorrindo. — Como nobres sempre tive alguém para me proteger e defender.

— Camus sua segurança não é brincadeira, eu mesmo irei ensinar a manusear uma espada, — Falou Milo sério. — Você tem que aprender a se defender sozinho.

Camus Sorriu respondeu, — Certo mestre Milo, virei todos os dias aprender como se usar uma espada, tenho pena dos próximos orcs que eu encontrarei pela frente.

Agora Camus e Shaka iam todos os dias para floresta com a desculpa de que aprenderiam as artes de manusear uma espada.

Com isso Camus dizia que, tecnicamente, eles não estavam desobedecendo Crystal, já que ele ia para a floresta ter aulas e o Rei sempre frisou que aprender algo novo era sempre essencial a um elfo.

Como elfos que eles eram, não tardou para que aprendessem a manusear uma espada, e agora com a desculpa de que saíam do castelo para aprender algo, de fato não estava mentindo, apenas omitindo alguns detalhes.

O que eles não sabiam era que Surtr os observava na surdina e por vezes os seguia até a floresta, vendo-os com guardiões, horas treinando espadas, horas apenas deixando fluir o amor que sentiam...

ooOoo

— Ele está se encontrando com o guardião Hilda, Camus está se comportando como rameira de taverna de quinta categoria, eu o odeio por isso! — Esbravejou Surtr irritado em conversa com sua prima Hilda, em um dos aposentos do castelo.

— Acalme-se, quando você tiver Camus poderá castigá-lo por essa afronta, mas no momento temos que usar a cabeça! Ele está apaixonado pelo mortal, mas como sabemos os mortais são frágeis e qualquer acidente poderá tirá-lo do seu caminho — aconselhou a mulher maldosa ambos se olharam e começaram a sorrir com brilho da ideia de descartar o guardião.

— E como faremos? — perguntou Surtr ansioso.

— Ora, meu querido, estamos no inverno é tão fácil uma avalanche acontecer ainda mais por essas bandas, é triste, mas acontecimentos fatais existem, o que podemos fazer, não é? — A soberana de Asgardil respondeu sorrindo.

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— Pelo Deuses! Preciso descansar um pouco, esses exercícios estão me deixando exausto. — Reclamou Camus sentando em uma pedra.

— Mas que elfo preguiçoso você está me saindo, senhor Camus, — brincou Milo sentando ao lado do elfo. — No entanto devo dizer que você evoluiu muito, para quem não sabia nem ao menos segurar uma espada, hoje eu o colocaria em uma batalha se fosse necessário.

Camus sorriu ao ouvir os elogios do amado.

Shaka por sua vez treinava com afinco, pois não havia gostado nada da sensação de não poder, e não saber, se defender sozinho. Aioria o ensinava com paciência e firmeza, mas, claro que alguns golpes terminavam em calorosos beijos apaixonados.

ooOoo

— Temos que aproveitar que Crystal está fora para que possamos agir. Essa é a hora! — Comunicou Hilda para seu primo Surtr.

Crystal havia deixado Delmare para ir até a Vila Rosalie ter com o Rei Albafica, partiu há dois dias, pois o reino de Albafica ficava ao sul, lado oposto Delmare.

Crystal não disse para ninguém o motivo de sua viagem apenas deixou seu filho Degel responsável pelo reino em sua ausência.

— E como faremos? — questionou Surtr.

— Simples, com a ausência de Crystal, Camus estará menos cuidadoso e permitirá que o guardião entre nos terrenos de Delmare, com a neve e o gelo que se formou pelo inverno provocaremos uma avalanche. Como eu disse, acidentes acontecem! — Hilda sorriu maliciosa, orgulhosa de seu plano.

Sturt saiu para preparar a armadilha, contudo não observou que sua irmã, a pequena Simone seguiu.

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Aioria estava fazendo sua vigilância na floresta quando avistou um grupo de orcs, eles conversavam com alguém.

Sorrateiro e silencioso como um felino que observa sua presa, Aioria escondido conseguiu ver que quem conversava com os orcs era uma mulher muito bem vestida, mas "de onde ele a conhecia?" — Aioria pensou e lembrou-se!

Aquela era a Hilda, irmã do Rei Crystal! Mas, o que ela estava fazendo com orcs?

— Não será prudente utilizá-los agora, vocês devem voltar para Asgardil, tenho outros planos para as terras de meu irmão, não utilizarei a força neste momento. Se tudo sair como planejado nosso reino estará unificado em breve, voltem imediatamente para Asgardil e não deixe que ninguém os veja. — Ordenou a mulher antes de perceber que era observada, pediu para que os orcs atacassem, contudo o observador conseguiu escapar, mas Hilda conseguiu identificar de quem se tratava. — Cuidarei de você mais tarde, guardião.

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— Camus, não é perigoso? Eu não deveria estar nos terrenos de Delmare. — Indagou Milo preocupado.

— Papai está viajando, não tem perigo, quero tanto que conheça Delmare, veja como é lindo! — Falou Camus aprontando para as casas de cristais de gelo e mesmo um aparente frio o clima ali era sempre ameno.

— Eu nunca estive aqui antes, quer dizer, entrei nos limites de Delmare, mas nunca cheguei a tão longe, é lindo, Camus! — falou Milo encantado com o que via.

Camus o levou para próximo do paredão de gelo, era um lugar que o elfo gostava muito, um lugar que transmite paz, que ele ia para pensar, queria dividir com Milo este lugar.

— É lindo, Camus, mas ao mesmo tempo é assustador... esse paredão de gelo dá a impressão de que a qualquer momento pode cair em cima de nós. — observou Milo admirado.

— Não seja bobo, Milo esses paredões de gelo tem milhares de anos, nunca vieram abaixo porquê só agora viriam? — Camus falou achando graça nas palavras de Milo, aquele era o lugar que lhe transmitia paz, não que não tivesse paz no castelo de seu pai, mas ali era um lugar dele e somente dele.

— Parece um sonho estar aqui com você, Milo, não entendo como alguém pode ser contra o amor, se te amar faz tão bem pra mim. Eu o amo, Milo. — Declarou Camus sentando com o corpo apoiado em seu amado.

— Talvez as pessoas que dizem tal coisa jamais tenham amado de fato, assim como eu te amo e você me ama. — Concluiu Milo.

— Sim, talvez. Milo trouxe algo para comermos, uma coisa que descobri sobre o amor: Ele dá fome. — Declarou Camus sorrindo indo pegar a cesta de alimentos que ficou em seu cavalo. — Desde que te conheci tenho sentido muita fome.

— É que gastamos muita energia! — Falou Milo sorrindo malicioso.

O que eles não sabiam é que Surtr os observava do alto de uma parede de gelo, e aproveitando que Camus se afastou, achou por bem tirar Milo do seu caminho de uma vez por todas.

Com o seu poder de fogo abalou as estruturas de gelo do alto, fazendo com que a parede começasse a desabar.

O que Surtr não percebeu é que sua irmã, a pequena Simone, estava ali escondida observando o irmão como se estivessem em uma brincadeira.

Milo notou algumas pedrinhas de gelo caindo sobre sua cabeça e quando virou a cabeça para olhar pra cima, empalideceu. — Pelos Deuses!

O topo da parede estava vindo em sua direção.

Tudo aconteceu muito rápido, Camus gritou quando viu que o gelo atingiria seu amado e levantou as mãos para o alto fazendo uma forte energia sair delas, o gelo voltou para cima e atingiu o lado oposto ao que Milo estava.

— Você está bem? — Perguntou Camus, quando chegou até Milo.

— Eu... o gelo... veio de repente! — Milo falou se recuperando do susto quando escutaram um grito de dor.

Camus sentiu seu sangue congelar, uma tragédia havia acontecido, e só agora Camus conseguia identificar.

Camus correu na direção dos gritos, Milo o seguiu.

Ambos pararam ao ver a cena chocante em à frente, Surtr chorava abraçado ao corpo da irmã sem vida.

Camus, que já era branco por natureza, estava quase totalmente sem cor. — Surtr... eu...foi um acidente!

Surtr o olhou com ódio e disse. — Você trouxe a desgraça para nosso povo, você profanou a terra de seu pai trazendo este aí para cá, a culpa é sua! Só sua!

Camus negava com a cabeça, foi um acidente, ele não viu Simone ali, só quis salvar Milo, lágrimas rolavam do rosto do elfo.

— Mas, ela vai renascer, não vai? Como todos os elfos, não é assim que funciona? Quando o corpo morre a alma renasce em um novo corpo, com as memórias intactas. — Perguntou Milo afinal sempre soube que no caso de um ferimento mortal, o elfo ferido poderia renascer no novo corpo semelhante ao antigo e com as lembranças intactas. Não renasciam crianças, como os mortais, não, os elfos juntavam suas energias e fluidos vitais aos elementos que dominavam e seu corpo surgia adulto como antes do ferimento.

Mas não era esse o caso das crianças élficas.

— Simone era uma criança elfa, ela ainda não tem idade para isso ela não volta mais, acabou pra sempre! — Surtr respondeu com a voz carregada de dor. Seus olhos encontraram os de Camus e brilharam. — Sabe o que isso significa, não sabe Camus?

Balançando a cabeça negativamente e com os braços abertos para trás afim de proteger Milo, Camus respondeu, — Não, foi um acidente você não vai encostar nele, não vou permitir!

E falando isso, Camus usou seu poder para fazer um bloqueio de gelo e pegou a mão de Milo o puxou correndo até seu cavalo, tempestade.

— Camus, o que está acontecendo? — Por que estamos fugindo? — Perguntou Milo da garupa do cavalo de Camus que cavalgava a toda velocidade sendo seguidos por Surtr em seu cavalo.

— Ele acha que tirei algo precioso dele, então ele quer tirar algo precioso de mim, segundo nossas regras e leis. — Respondeu Camus com a voz trêmula.

Shaka estava no lago fora dos limites de Delmare a espera de Aioria, pensava em sua vida, se via completamente apaixonado por Aioria, não tinha como fugir disso, mas sabia que aquele amor jamais seria aprovado por seu povo, teria ele coragem de lutar por seu amor?

Shaka percebeu que mesmo amando incondicionalmente o mortal nunca havia falado isso a ele. — Eu nunca disse que te amo, Aioria.

Estava imerso em seus pensamentos quando viu Aioria se aproximando em seu cavalo, com uma expressão preocupada no rosto.

O elfo se levantou e esperou o amado descer do cavalo e ir em sua direção.

Aioria o beijou com intensidade quando se aproximou e colando suas testas após findar o beijo, Shaka perguntou. — O que está tirando sua paz, guardião.

Aioria o olhou nos olhos. — Aioria, me chame de Aioria ou de meu amor. — Pediu.

Girando os olhos Shaka repetiu a pergunta. — O que está tirando sua paz?

Aioria suspirou antes de responder. — Os orcs, hoje na floresta eu os vi reunidos, eles estão a serviço de uma...

Aioria não teve tempo de dizer mais nada, pois percebeu que Camus vinha em disparada em seu cavalo com Milo abraçado em sua cintura, eles estavam fugindo de alguém.

— Mas o quê?! — Shaka começou a dizer quando Surtr lançou seu poder de fogo a frente fazendo o cavalo de Camus assustar-se, quando o animal empinou acabou derrubando os dois passageiros no chão.

Aioria fez menção de ir ajudá-los, mas foi impedido por Shaka. — Algo estranho está acontecendo, vamos observar.

— Não faça nada com ele, eu sou o culpado, eu devo ser punido! — Gritou Camus com os braços abertos na frente de Milo.

Shaka não demorou para entender o que se passava, não era mais possível sentir a energia da pequena Simone.

— Camus, se essa é a lei do seu povo então eu devo morrer, não pode lutar contra isso. — Milo falou resignado.

— Não, Milo, foi um acidente! Ninguém teve culpa. — Camus respondeu ainda com a voz trêmula.

— Você teve culpa Camus, você se envolveu com este mortal, se não tivesse... você o levou para lá, a culpa foi sua! — Surtr estava devastado, culpava Milo e Camus como se assim pudesse apagar sua culpa. Mas no fundo sua culpa o corroía por dentro.

— Surtr, por favor. — Pediu Camus uma última vez, mas sem aviso Surtr pegou sua espada e com a agilidade de um guerreiro tirou Camus do caminho deu um golpe certeiro em Milo perfurando seu coração com a espada.

O grito de desespero que Camus soltou foi de cortar o coração de quem ouviu.

— MILO, NÃO!!! — Gritava o elfo abraçado ao corpo já sem vida do seu amado, Camus, apesar dos muitos anos de vida, nunca tivera contato com a morte, não imaginava que pudesse doer tanto.

— Milo! — Aioria falou querendo ir ao encontro do amigo quando sentiu a mão de Shaka sobre se braço. — Ele é meu amigo, Shaka!

— Venha, Aioria, não é seguro pra você. — Falou Shaka com os olhos cheios de lágrimas. — Venha, por favor.

Ver seu amor naquele estado foi o que deteve Aioria de ir ao encontro Milo.

Shaka tentou fugir com Aioria, mas Hilda chegou num cavalo neste momento e sem dizer uma só palavra a senhora de Asgardil sacou a espada e feriu mortalmente Aioria para o desespero de Shaka.

— NÃO! POR QUE FEZ ISSO? ELE NÃO FEZ NADA! ELE É INOCENTE! — Shaka abraçou Aioria com o mesmo desespero de seu primo de minutos atrás.

— Aioria, não morra, eu te amo! — Shaka declarou pela primeira vez, mas Aioria já não podia escutar, o elfo que tinha como seu poder a cura, tentou usá-lo, mas o golpe de Hilda havia sido certeiro.

— Vocês são dois imundos! Dois elfos da estirpe e vocês se esfregando nas moitas como meros animais! — A mulher falou arrogante sem se comover com o sofrimento dos dois jovens a sua frente.

Surtr vendo Camus chorando abraçado ao corpo sem vida do guardião sentiu seu ódio aumentar, se Camus o tivesse amado tudo aquilo teria sido evitado, e com este ódio latente foi até o elfo ruivo e o puxou pelos cabelos o tirando de perto de Milo.

— Seu imundo! Como ousa ainda ficar chorando sobre o corpo sem vida desse guardião? Eu deveria matá lo Camus, tamanho o ódio que eu estou sentindo. — Surtr falava agredindo Camus com tapas e chutes.

Camus não se defendia, por ele Surtr poderia mata-lo que estaria lhe fazendo um favor.

Surtr parou as agressões quando ouviu o barulho de cavalos se aproximando, Degel vinha acompanhando de outros elfos como Mu, Isaak, e o ancião Sage, o elfo mais antigo de todos e por isso o mais respeitado.

— Pare com isso agora mesmo, Surtr! — Degel ordenou imponente.

— Esse imundo é o culpado pela morte de minha irmã! Simone se foi pra sempre, ela não tinha idade pra voltar, está perdida pra sempre! — Gritou Surtr chutando Camus que estava no chão.

— Como o responsável pelo reino na ausência de Rei Crystal, eu ordeno! Pare com isso imediatamente! — Tornou Degel sério deixando claro em seu tom que queria ser obedecido.

Hilda aproximou-se do primo deixando Shaka abraçado ao corpo do seu guardião. — Surtr por favor, obedeça. — Aconselhou, Sage estava ali, nem Hilda teria a audácia de desafiá-lo.

— Por culpa dele Simone está morta, eu exijo uma punição! — Gritou Surtr apontando o dedo para Camus que não se defendeu, nada mais importava para ele, Milo estava morto e seu peito sangrava de dor e desespero.

— Ele tirou algo valioso de você, dois guardiões perderam a vida, você o puniu tirando algo precioso dele, estão em igualdade em sofrimento. — Respondeu Degel.

— Ele profanou Delmare, levando o mortal para lá, esse imundo se deitou com o mortal mesmo sem a bênção do Divino, agia como um animal no cio, eu exijo...

— Você não exige nada em Delmare, aqui não há proibição que impeça mortais entrarem em nossas terras, não há profanação nisso. Camus estava em sua casa. — Degel cortou Surtr, respondendo mais uma vez com firmeza, fazendo Surtr e Hilda os olharem com raiva.

Mas antes que os dois protestassem, Degel continuou, aproximou-se de Camus e o olhou com reprovação, vendo o rosto do irmão banhado em lágrimas e sangue, nem de longe se via a altivez dos elfos ali. — Camus, você ignorou os conselhos de nosso pai e por este motivo todo este sofrimento se deu, como castigo deverá ser congelado num esquife de gelo por mais de cem anos, até que seja a hora.

Camus estava com os olhos baixos levantou a cabeça encarando o irmão, não tinha forças para contestar, por ele Degel poderia o condenar a morte, não importava, sem Milo nada mais importava.

Mu que estava em seu cavalo se chocou com o castigo imposto ao primo.

Degel levantou os braços e uma forte energia saiu deles indo até Camus.

Logo Camus estava confinado no esquife de gelo.

Shaka pela primeira vez deixou o corpo de Aioria e foi em direção a Degel. — Por quê?

O irmão de Camus apenas olhou Shaka nos olhos e ordenou. — Shaka também recebeu os conselhos do Rei e os ignorou ao invés de tentar tirar as sandices da cabeça de Camus você se uniu a ele. Como castigo por seus atos você deverá cuidar de Camus. Cuidar para que fiquem vivos enquanto durar seu castigo.

Shaka nada respondeu, de nada adiantaria argumentar, não naquele momento.

— Eu acho... — Surtr começou e foi de imediato cortado por Degel que não estava disposto a ouvir nada do ruivo, já havia sido demasiadamente duro ter feito aquilo com o irmão.

— Surtr, aconselho a vocês partirem o quanto antes, ordenei que o corpo da pequena Simone fosse recolhido e cuidado. Vocês devem chegar as terras do fogo do Sul antes que a criança vire estrela. — Degel falou sério como o soberano daquelas terras. — Sra. Hilda, minha tia, aconselho que vá com Surtr devido à gravidade dos fatos. Não seria bom tom deixa-lo à própria sorte.

Sage sorriu ao ver a firmeza do herdeiro real, Hilda por sua vez crispou os lábios, mas não ousou contestar, seus planos foram interrompidos por hora não havia o que fazer.

Pensaria em algo, jamais desistiria de unificar todos os reinos do norte.

Quando ela estava se preparando para sair, Shaka parou em sua frente e com ódio no olhar chamou. — Assassina!

Hilda não se importou com aquelas palavras, pois para todos os efeitos ela estava apenas ajudando seu primo a cumprir as leis dos elfos.

— Eu vou ficar com Shaka, o ajudarei em seu fardo. — Declarou decidido Mu apeando de seu cavalo.

Degel olhou para Sage, bisavô de Mu que concordou com a cabeça. — Certo, mantenha-os vivos, Mu. Vocês terão comida e água, mandarei que façam uma tenda para vocês. Não poderão voltar a Delmare neste período, só falarão o necessário com Isaak que é quem virá trazer os alimentos a vocês.

Com um sinal de Degel alguns elfos recolheram os corpos de Milo e Aioria, seriam realizados os funerais completos para os guardiões.

Mu abraçou Shaka que deu vazão ao seu sofrimento.

ooOoo

Depois de todas as cerimônias dos funerais, onde os corpos dos guardiões foram queimados na pira, Mu e Shaka voltaram para o lago onde Camus estava confinado no esquife de gelo, aos amigos elfos cabia somente ir até lá ceder um pouco da energia vital que ambos como elfos da vida tinham de sobra.

— Deixe que eu vou ver Camus, descanse agora, Shaka. — Mu sugeriu vendo o amigo muito cansado.

Shaka concordou, realmente estava exausto.

Quando Mu chegou até Camus meditou passando sua energia para Camus, até que...

— Shaka! Pelo Divino venha aqui! — Chamou.

Shaka foi correndo. — O que houve Mu?

— Shaka, sinta você mesmo. — Pediu Mu.

Shaka então levantou as mãos quando sentiu também. – Mu, Camus espera um filho.

Notas finais
Eu to chorando aqui! Ódio do Surtr! Ódio Maior da Hilda! Tadinho do Camus, tadinho do Shaka, tadinha da Simone. Bom estes foram alguns dos acontecimentos das vidas anteriores dos nossos guardiões, agora vemos que o amor deles foi algo lindo e puro e foi interrompido da forma mais sórdida possível. Outro ponto importante, foi explicado aqui que elfos machos podem gerar filhos também, mas o foco da fic não é a gestação, nem o nascimento do filho. A fic não esta na categoria Mpreg por este motivo, o foco não é este, mas me digam eu devo mudar os avisos? Ou será melhor esperar o próximo capitulo para vocês verificarem a necessidade da altercação? Comentários, criticas, elogios serão sempre bem vindos!!! Fantasminhas se manifestem!