Além das Quadras

37 Arco III – 37. Tudo que eu mais quero


Notas iniciais
Boa leitura amores e amoras ♥ Estamos na reta final da história e espero que gostem! Beijin beijin :*

Capítulo 37: Tudo que eu mais quero

Henry tinha se tornado mais do que o porto seguro de Erick.

Um turbilhão de emoções tinha estourado naquela semana, tanto negativas quanto positivas, e Erick oscilava entre estar feliz quando estava perto de Henry e no fundo do poço quando não estava. Era horrível aquela sensação de que poderia ter estragado toda sua carreira, mas tinha Henry ao seu lado, então as coisas não pareciam tão ruins assim.

Sua psicóloga havia dito para que ele tentasse fazer coisas que lhe fizessem bem quando não estivesse com Henry, para que os pensamentos ruins sobre o preconceito e sua demissão no time não o dominassem.

Conversava com Danilo e Amanda em alguns momentos, o que o distraía dessa situação toda, mas às vezes era inevitável o pensamento de que estava desempregado.

Amanda também tentou animá-lo com as coisas boas que estavam falando dele e de Henry no Twitter. Haviam centenas, talvez milhares, de pessoas que estavam apoiando os dois intensamente e condenavam a atitude do time de terem cancelado seu contrato. Era legal ver que as pessoas, pelo menos algumas, estavam do seu lado, mesmo que os comentários horríveis ainda aparecessem.

Erick já nem tinha mais esperança em relação à sociedade, mas atitudes como aquela de apoio plantavam um pouquinho dela em seu íntimo.

Aquela tarde era uma daquelas que Henry saía com o pessoal do time e Erick ficava em casa. Mesmo que já não fizessem parte da equipe, Henry ainda ia por gostar das pessoas. Afinal, não era culpa deles.

Ele era sempre convidado, mas negava todas as vezes. Henry tinha até desistido de tirá-lo de casa. Erick não se sentia bem nesses encontros. Às vezes sentia que todos ficavam olhando para ele, julgando ou criticando, como se pudesse ver todas as suas cicatrizes por baixo da roupa.

Já tinha sido questionado algumas vezes por não trocar de roupa na frente do restante do time. Ele sempre conseguia desviar do assunto e ficava chateado ao ver a expressão de pena que Henry lhe lançava. Nunca chegou a contar aquilo para o outro, achava que não era nada demais e sabia que ele não fazia de propósito.

Era engraçado. Ele não gostava de ser observado, mas quando entrava em quadra para jogos abertos ao público era o que mais acontecia. Sentia-se incomodado, mas tentava focar sua mente toda e completamente no jogo para não ficar pensando naquelas coisas ruins. E se pudesse evitar, ele evitava, como é o caso das saídas que o time inventava durante a semana.

Sentia-se um pouco mal por não deixar que ninguém mais chegasse perto dele. Perto no sentido de conhecê-lo melhor, de saber mais sobre sua vida, seus gostos, seu passado. Erick havia criado um personagem para quando estava com o time: distante, focado e quieto. Podiam até achá-lo metido ou esnobe, mas não era isso que ele gostaria? Era bem confuso e se sentia aliviado por poder ser ele mesmo quando estava com Henry.

Aproveitou aquele momento para ler. Havia comprado alguns livros recentemente e gostava de deixar a leitura em dia. Deitou-se no sofá, com Pudim em suas pernas e Cheshire em sua barriga. Se acomodou o melhor que pode para que não atrapalhasse os animais, então ficou lendo e acariciando o pelo de Cheshire até acabar adormecendo.

— Erick – uma voz soou distante. – Erick.

Então uma mão lhe sacudiu de leve e ele abriu os olhos, vendo o sorriso mais perfeito do mundo. Percebeu que estava livre dos animais, então rapidamente puxou Henry para cima de si, prendendo-o contra seu corpo.

— Ah! Me larga!! – Henry exclamou se debatendo. – Erick!

— Nãããão, fica aqui – murmurou ele, agarrando o namorado.

— Tá me machucandoooo.

Rapidamente Erick o soltou.

— Te peguei – sorriu Henry, ao se endireitar em pé.

— Você é um trapaceiro – Erick deu língua.

Por mais que soubesse que Henry fazia aquilo para se soltar, ele sempre o soltaria. Machucar Henry era a última coisa que Erick queria.

— Isso não vem ao caso – Henry fez um gesto de “deixa para lá” com a mão e abriu um sorriso. – Tenho novidades.

Erick sentou-se no sofá, pegando o livro caído no chão e fechando-o. Esfregou um pouco os olhos e bocejou, olhando para Henry logo em seguida.

— Diga.

— Você quer voltar para BH? – ele perguntou, animado.

Ele franziu o cenho.

— Nunca pensei nisso, porque?

— O Arsenal me ligou – disse Henry empolgado. – Eles querem contratar a gente para o time.

Erick piscou algumas vezes. Por mais que tivesse jogado no time quando era mais novo, ele nutria um certo ranço do time por conta da sua passagem pelo Argos.

— Arsenal? Sério? – ele deu um sorriso amarelo, fazendo Henry revirar os olhos.

— Não acredito que você tá com preconceito.

Erick deu de ombros.

— Desculpe, mas o Argos me contaminou um pouco, vou ser sincero.

— Você prefere estar num time que não goste ou desempregado? – Henry jogou.

Erick fez uma careta.

— Posso pensar?

— Você tem uma semana – disse Henry e foi andando para fora da sala.

— Eu não ganho nenhum beijo?

— Não – respondeu Henry já distante. – Tá sendo chato com meu timezinho.

— Ah, para!

— Aceita que dói menos.

Erick soltou um muxoxo.

Não sabia o que pensar sobre aquilo. Óbvio que queria voltar a jogar, mas não sabia se queria sair de São Paulo. Ainda mais que, se voltasse para BH, não dividiria mais o apartamento com Henry e ele estava amando ter o namorado com ele 24h por dia.

Pelos pontos positivos, Minas também era um polo gigantesco quando se tratava de vôlei e o Arsenal era um time que estava ganhando muito espaço, principalmente quando subiram para a SuperLiga A na época que Henry fazia parte do time. Voltaria a morar com a mãe e estaria perto de Nathália. Além de BH ser uma cidade que ele gostava muito.

Tinha uma semana pela frente e usaria até o último segundo para pensar a respeito.

[...]

Henry ficara extremamente ansioso e empolgado com a proposta de contrato com o Arsenal. Estava morrendo de saudades de Belo Horizonte e, por mais que gostasse de São Paulo, nada substituiria o calorzinho no coração que sentia quando estava com sua família na cidade que ele mais amava.

Queria voltar havia muito tempo, mas o contrato com outro time impedia. Mas agora não tinha mais nenhuma amarra em relação a isso. É verdade que não veria mais os meninos do time com frequência, porém dariam um jeito. Henry só queria voltar para casa.

Porém, Erick não parecia muito empolgado com aquilo. Dera uma semana para o outro pensar e, sempre que tentava tocar no assunto, ele desviava. Por fim, desistiu de tentar, sem saber o motivo pelo qual ele não queria voltar para BH. Lógico que ele não precisava ir. Não precisava aceitar, podia ficar em São Paulo o tempo que quisesse, mas a distância era complicada para o relacionamento. Mesmo que fosse diferente, Henry não tinha boas experiências com relacionamentos a distância e estava tudo tão recente que não queria se separar do namorado naquela altura do campeonato.

Mas a vida era feita de escolhas e infelizmente teriam que abrir mão de alguma coisa.

Aquilo deixava Henry confuso, pois poderiam ter um final feliz em BH, mas, se Erick não quisesse, não tinha o que fazer.

Conversando com sua psicóloga, ele decidiu perguntar o que estava na mente do namorado. Ela dissera que a comunicação era a base de qualquer relacionamento e ele tinha que admitir que pecava muito nesse sentido. Desde de que todo o drama com Erick começou, a comunicação sempre fora o maior problema entre eles. Henry estava determinado a não deixar que as coisas ficassem ruins entre eles por causa disso.

Estavam maratonando Supernatural na sala quando a vontade de perguntar veio. Henry ficou um tempão pensando como abordaria o assunto, ainda mais que Erick estava concentrado nas cenas à sua frente. Por conta da ansiedade e inquietude, Henry ficava toda hora mudando de posição e se mexendo ao lado do namorado.

— Tá tudo bem? – Erick perguntou quando Henry finalmente sossegou com a cabeça em seu colo. A mão do outro começou a fazer carinho nos cabelos castanhos automaticamente, mesmo que o olhar ainda se mantivesse na tela da TV.

— Por que você não quer voltar? – Henry perguntou de supetão, sem mais delongas.

Aquilo chamou a atenção de Erick, pois ele baixou o olhar para Henry.

— Voltar pra onde? – ele perguntou com o cenho franzido.

— BH.

— Ah – então desviou o olhar, mas não parecia mais concentrado na série. Alguns segundos se passaram – Eu gosto daqui e gosto da vida que temos juntos.

— É por causa disso? Por que a gente não moraria mais juntos? – perguntou Henry se sentando. Erick apenas assentiu, meio envergonhado. – Uai, nós podemos morar juntos lá.

Os olhos de Erick voltaram-se para Henry com aquele brilho infantil que ele tanto amava.

— Sério? Achei que você ia querer ficar com seus pais…

— Era a ideia inicial, mas não vejo motivo para não mudar de planos – ele deu de ombros. – Eu vou poder visitá-los sempre, estar perto de você e ainda trabalhando. Pra mim parece perfeito.

Erick piscou algumas vezes, como se estivesse surpreso com as palavras de Henry.

— Não achei que abriria mão disso por minha causa.

— Não é bem abrir mão… – Henry disse pensativo. – Mas é real um plano ótimo pra mim, ver essa sua carinha linda todo dia.

Erick riu e deu um soquinho no ombro de Henry para depois puxá-lo para um beijo.

Os lábios de Erick eram o maior vício de Henry. Com o passar do tempo, ficava cada vez mais clara a diferença, Erick parecia mais relaxado e leve quando se beijavam e aquilo deixava o coração de Henry acelerado. Erick o puxou para mais perto, fazendo com que Henry sentasse em seu colo para que pudessem ficar mais próximos.

Não precisou de muito para que ambos estivessem excitados, Henry sentindo a ereção do outro a medida que rebolava devagar em seu colo. Como resposta, Erick apertou com força a cintura do namorado, arranhando a pele abaixo da camisa logo em seguida. Henry arqueou um pouco as costas e puxou os cabelos da nuca de Erick.

O tempo parecia passar mais devagar quando estavam naquele momento intenso de carícias e beijos. O coração de Henry batia contra as costelas com força e os gemidinhos que Erick soltava contra sua boca só faziam com que ele enlouquecesse completamente.

Os beijos passaram para o pescoço de Erick, lambendo e chupando a pele exposta. Sem mais rodeios, Henry tirou a camisa do outro com destreza e voltou a beijar seus lábios enquanto o empurrava para deitar os dois no sofá. Henry passou a fazer uma trilha de beijos e mordidas do queixo de Erick descendo até o abdômen definido e cheio de cicatrizes. Mordeu e beijou cada centímetro daquela pele marcada até chegar na trilha de pelos loiros que Erick tinha no caminho da felicidade.

Não dizendo uma palavra, Henry tirou o shorts que Erick usava, fazendo o outro soltar um suspiro de surpresa. Ele rodeou o elástico da cueca boxer com o dedo, esbarrando propositalmente na intimidade do outro, que soltou um gemidinho curto.

Erick respirava pesado e Henry já podia ver o suor grudando os cachos loiros na testa alheia. Os olhos do namorado estavam fixos em si, como se esperassem por seu próximo movimento. Henry continuou as carícias na pele nua do quadril de Erick e logo tratou de puxar sua cueca para baixo.

Nunca tinham avançado tanto. Estavam juntos fazia mais de 6 meses e Henry sempre era cauteloso. Iam aos poucos, Henry sempre respeitando quando Erick pedia para parar. Porém, para a sua surpresa, ele não disse nada, apenas acenou com a cabeça, dando sinal verde para que Henry continuasse.

Seus ouvidos foram enchidos pelo gemido de prazer que saiu dos lábios de Erick quando sua boca envolveu a glande dele. Usando a língua, foi fazendo movimentos precisos, tirando mais gemidos da garganta de Erick, gemidos que iam aumentando à medida que Henry se afundava ainda mais naquela preliminar.

— Meu Deus, Henry…

Aquilo foi suficiente para Henry sentir uma fisgada no ventre. Erick não tinha a mínima noção do quanto o excitava, ainda mais gemendo daquele jeito. Os gemidos e a respiração ofegante aumentaram quando Henry passou a auxiliar sua boca com a mão, fazendo movimentos de vai e vém.

Uma das mãos de Erick foi para sua cabeça, puxando levemente os cabelos de Henry, mas não com um pedido para parar e sim para continuar. Henry continuou, motivado pelos gemidos, pelos puxões em seu cabelo e pela mão de Erick apertando a beirada do sofá.

— Henry, eu… – um gemido sufocou a fala – Por favor, não para.

O coração de Henry acelerou, a fisgada no ventre aumentou e ele só conseguia pensar em fazer Erick gozar em sua boca. Queria sentir seu gosto, sua textura. Queria, mais do que nunca, que Erick estivesse dentro de si.

O puxão mais forte em seus cabelos veio com uns espasmos do quadril de Erick e logo em seguida veio o jato quente e doce em sua boca. Erick largou seus cabelos, relaxando os músculos enquanto Henry ajeitava os óculos em seu rosto.

— Isso é melhor do que eu esperava – comentou Erick após alguns segundos, enquanto Henry engolia o gozo em sua boca.

— Vem cá – Henry ficou em pé e puxou um Erick hipnotizado.

O outro ajeitou a cueca rapidamente e acompanhou Henry até o quarto. Nem esperou a porta se fechar, Henry atacou a boca de Erick com vigor, fazendo com que ele tivesse que se curvar para beijá-lo. Henry o empurrou na cama e logo ouviram um miado estridente.

Eles se embananaram um pouco e riram.

— Desculpa, Cheshire – disse Erick, mas o gato já havia deixado o quarto.

— Não aguento sua fofura – resmungou Henry. – Nem parece que é um gostoso da porra.

— Mas gente... – riu Erick. – Sei nem o que dizer.

— Não precisa. – e atacou a boca do outro de novo.

Agora estavam mais confortáveis, beijando-se intensamente. Para a surpresa de Henry, Erick tomou a iniciativa de trocar as posições, ficando por cima e prendendo as mãos de Henry acima da cabeça.

— Assim você me mata – murmurou Henry.

— Só quero revidar – sussurrou Erick ao ouvido de Henry, fazendo-o se arrepiar inteiro.

Então ele seguiu os mesmos passos que Henry havia feito, tirando sua camisa, beijando seu pescoço, mordendo e lambendo a pele de seu tronco conforme ia descendo.

Henry se contorcia um pouco, quando Erick acertava suas áreas sensíveis. Sua pele estava totalmente arrepiada com as carícias e seu corpo só desejava por mais. Desejava a boca de Erick em toda sua pele.

Ele tirou o short de Henry e deu uma estagnada. Seus olhos voltaram-se para os de Henry, com aquele brilho infantil.

— Eu nunca fiz isso – comentou, um pouco envergonhado.

— Tudo bem – respondeu Henry. – Não precisa se não quiser.

— Eu quero – disse convicto. – Mas quero que seja bom.

— Eu te ajudo. – respondeu Henry.

Erick assentiu, lançou um sorriso para Henry antes de tomar-lhe os lábios novamente. O beijo foi calmo, cauteloso de início, tornando-se mais intenso à medida que a vontade de ambos ia aumentando. O peito de Henry subia e descia, o coração acelerado e a pele úmida de suor. O quarto estava abafado, mas ele não queria parar pra nada.

Erick começou beijando-lhe o pescoço, fazendo cócegas em sua pele. Foi descendo as carícias pelo tronco, contornando as tatuagens que Henry havia feito no peito. Sentia a ponta do nariz do outro descendo por sua pele, fazendo sua pele se arrepiar mais ainda.

Então chegou no ponto onde queria. Com as mãos um pouco trêmulas, Erick segurou a cintura de Henry e passou a beijar a parte interna das coxas. Henry fez de tudo para não se contorcer de nervoso, mas tinha que admitir que estava amando as carícias.

Abaixou a cueca devagar e não demorou muito para Henry sentir a língua de Erick passando pela sua intimidade. Um gemido de ansiedade e prazer saiu de seus lábios, a boca úmida do outro subindo e descendo.

Henry ousou olhar para baixo e foi tomado por um prazer inexplicável. Aquela cena… Os cabelos loiros grudados na testa, as bochechas levemente vermelhas, a mão grande acariciando sua cintura…. Henry não podia pedir mais nada.

Erick fazia os movimentos com cautela, mas dava para perceber que ele tinha aprendido rápido. Sentir Erick daquela maneira era surreal e Henry nunca imaginou que chegariam naquele ponto, que aquilo pudesse ser real.

Ele já não controlava os espasmos dos músculos. Não controlava os gemidos que saiam de sua garganta. Não controlava mais o coração martelando as costelas ou a respiração ofegante. Tinha se entregado completamente aos estímulos proporcionados pelo namorado.

— Puta merda, Erick…

Henry agarrou os cabelos loiros quando sentiu que estava próximo do êxtase. A mão de Erick acompanhou sua boca no processo, apertando e chupando mais rápido à medida que Henry puxava os cabelos do outro.

— Erick, eu vou…

Sentiu os espasmos percorrerem seu corpo e não demorou muito para se desfazer na boca do outro.

Seus sentidos foram entorpecidos. Tinha sido o melhor oral que já recebera, mesmo que tivesse sido simples. As coisas com Erick pareciam ser mil vezes mais intensas e prazerosas.

Sentiu a separação e quando Erick pareceu não se mover mais, Henry tentou se livrar das sensações e se sentou. Erick tinha uma cara de um leve desespero, a boca completamente fechada.

— Não precisa engolir se não quiser – disse Henry rapidamente. – Pode cuspir no banheiro.

Erick assentiu e se levantou rapidamente. Não demorou muito para ele voltar e se deitar ao lado do namorado, com um rosto um tanto apreensivo.

— Foi muito ruim? – perguntou, abraçando a cintura de Henry.

— Até que não foi tão ruim – respondeu Henry, mas logo sorriu e deu um beijo na testa do outro. – Foi maravilhoso, Erick. Nem parece que nunca fez isso.

— Aprendi com o melhor.

— Engraçadinho.

Voltaram a se beijar mais um vez, ainda um pouco inebriados pela sensação de orgasmo. Mas como tudo era muito intenso, não demorou tanto para que ambos estivessem excitados novamente. Henry puxou Erick para cima de si, puxando os cabelos enquanto beijava o outro.

— Quer que eu pegue a camisinha? – sussurrou Henry no ouvido alheio e logo se arrependeu ao perceber que o outro tinha travado, como na última vez.

— Eu… – Erick murmurou – Eu não…

— Tudo bem se não quiser – Henry se levantou e acariciou o rosto de Erick – Tá tudo bem de verdade.

Ele desviou os olhos, olhando para suas próprias mãos enquanto Henry o encarava e se perguntava qual era o empecilho.

— Você não sente falta? – Erick perguntou após alguns minutos em silêncio.

— De sexo? – Henry franziu o cenho e ele assentiu. – Confesso que sinto, mas não me importo se você não quiser.

Erick torceu a boca daquele modo pensativo.

— Desculpa – sussurrou. – Desculpa, desculpa…

— Ei, ei… Tá tudo bem – Henry se aproximou do namorado, abraçando-o meio desajeitado. – Não ligo pra isso.

— Mas eu ligo! – Erick se desvencilhou e encarou Henry com os olhos lacrimejantes. – Eu quero… Por Deus, é tudo o que eu quero, mas eu não consigo…

Henry ficou alguns segundos em silêncio, encarando o namorado. Não sabia muito bem o que dizer.

— Pode contar comigo pro que precisar… Pode desabafar – ele finalmente disse, tentando não ser invasivo.

— Eu… – os olhos de Erick se fixaram nos de Henry. – Meu pai… Ele…

Erick engoliu em seco, então fechou os olhos e despejou tudo o que tinha para despejar.

— Ele me obrigou a fazer isso com a Nathy – as palavras atingiram Henry com força. – Ele me obrigou… Ele ameaçou a Nathy, minha mãe… Ele queria que eu me tornasse homem, então me obrigou a isso.

Henry estava chocado, mas não interrompeu Erick, cujas lágrimas de dor e tristeza desciam em seu rosto.

— Quando eu neguei, ele me bateu. Depois fez essas coisas com a Nathy… Na minha frente… E eu não consegui fazer ele parar. Não consegui livrar minha irmã do sofrimento. A campainha tocando acabou com tudo, mas a situação se repetiu outras vezes. Na terceira vez, ele espancou tanto eu e minha irmã que ela implorou pra que eu fizesse… Pra que tudo acabasse… E eu fiz. A Nathy não me culpa, nem me odeia, mas eu me arrependo muito disso, me sinto horrível por isso… Por favor, não me odeie.

O coração de Henry estava completamente apertado. Não conseguia explicar o ódio que estava sentindo por aquele monstro que era o pai de Erick. Não conseguia imaginar o inferno que ele tinha vivido nesses anos que passou no Rio de Janeiro.

Erick estava devastado pela confissão, mas Henry sentia o alívio que o outro estava sentindo ao desabafar, ao colocar aquilo pra fora.

— Eu jamais vou te odiar, Erick – disse Henry segurando as mãos de Erick com força. – Você poderia ter contado antes…

— Eu tive medo – confessou Erick, fungando e respirando fundo.

— Medo de que?

— De você sentir nojo de mim por eu ter cedido.

Aquilo parecia um absurdo, mas Henry entendeu o sentimento.

— Erick, eu jamais pensaria isso de você! – exclamou convicto. Queria passar confiança e sinceridade em suas palavras. – Você foi obrigado a fazer aquilo.

— Eu sei, mas a culpa e o nojo de mim mesmo nunca passaram… Não queria que você sentisse isso de mim.

Henry tomou o rosto de Erick entre as mãos, fazendo-o olhá-lo no fundo dos olhos. Ele limpou algumas lágrimas que desciam pelo rosto do outro.

— Eu te amo. Jamais vou sentir nojo de você. – a firmeza do tom de voz de Henry surpreendeu ele mesmo – Tenho nojo de seu pai, mas você não é ele. Jamais será. Você é maravilhoso! Por favor, não deixe isso estragar seu futuro.

Erick apenas assentiu e sussurrou um “obrigado”. Henry o puxou para que ele deitasse em seu peito e fez carinho em suas costas até o outro dormir. Ele ficou acordado, pensando a respeito de tudo. Não podia, de forma alguma culpar Erick pelas atrocidades que seu pai o havia feito passar. Mais do que nunca sentiu aquele sentimento de proteção, de que precisava proteger Erick de todo o mundo.

Quando estava quase pegando no sono, o som do celular de Erick na sala o despertou. Deixou que o telefone caísse na caixa postal, mas ele logo voltou a tocar novamente, então Henry pensou que poderia ser importante. Sacudiu o namorado de leve, que despertou um pouco no desespero e foi pegar o aparelho.

Erick voltou para o quarto, atendendo o aparelho com um “alô” sonolento. Henry o observou andando de um lado para o outro enquanto escutava o que a pessoa do outro lado da linha dizia. Após alguns minutos, ele desligou o celular, com o rosto completamente pálido e desolado.

— Tá tudo bem, Erick? – ele perguntou. Erick deixou seu corpo cair ao lado do de Henry, seus olhos ainda arregalados em descrença.

— Minha avó… – ele conseguiu sussurrar – Ela morreu.

Aquilo foi um baque para Henry. Mesmo não conhecendo muito os avós de Erick, ele sabia que o outro tinha uma ligação muito forte com ambas as avós. Dona Maria, sua avó materna, tinha morrido quando eles tinham 12 anos e Henry se lembrava perfeitamente das noites em claro que passaram por conta da tristeza de Erick.

— Oh, meu amor – ele soltou, abraçando-o de lado – Eu sinto muito.

Erick imediatamente retribuiu o abraço, então a ficha pareceu cair e ele começou a chorar. Aquele choro era desesperador e agonizante aos ouvidos de Henry, mas não iria sair dali em hipótese alguma.

Não deixaria Erick de forma nenhuma. Estaria com ele para tudo.

Tudo mesmo.