Além das Quadras
36 Arco III – 36. Coisas certas
Notas iniciais
Capítulo 36: Coisas certas
Uma das partes preferidas de Erick quando ganhavam algum jogo era a parte de comemoração. Sempre saíam para comer e beber, proporcionando um momento de entorpecência temporária, algo de que tanto gostava. Além, é claro, da comida.
Marge sempre o zoava por conta de sua impulsividade por comida, dizendo que ele era um taurino em carne e osso. Não que ele acreditasse nesse negócio de signo, mas era engraçado mesmo assim. Afinal, a garota não estava mentindo.
Depois de passarem um bom tempo no bar perto de onde o jogo ocorrera, foram finalmente para casa. Erick não queria admitir, mas estava ansioso para chegar em casa logo. Queria ter seu momento com Henry o mais rápido possível.
Assim como Henry, ele também sentia que aquela situação toda era completamente nova. Mas talvez para ele fosse bem diferente, já que nunca esteve nesse tipo de relacionamento com ninguém. Os beijos que dera em sua vida toda não significaram nada, mas beijar Henry era… Incrível. O modo como só com um sorriso ou um olhar do outro fazia o coração de Erick disparar e ele querer desesperadamente tomar o outro para si.
Ele queria dizer que era tudo muito inesperado, mas sabia que, se dependesse dele, ficaria com Henry para o resto da vida. Quando a recíproca se provou completa e totalmente verdadeira, Erick não soube como reagir. Um misto de emoções, sentimentos, pensamentos… Tudo ele teve que controlar, principalmente aqueles que vinham lhe atormentar, lembrando-o do passado há muito terminado.
Quando chegaram em casa, Henry foi correndo para o banheiro. Erick fez carinho na cabeça dos animais que os receberam e ficou esperando com o celular na mão. Acomodou-se no sofá e começou a rolar o feed de notícias do Twitter quando algo peculiar lhe chamou a atenção.
Um tweet de um perfil qualquer reproduzia um vídeo do vestiário em que eles estiveram mais cedo. A algazarra e a comemoração eram nítidas e seu coração gelou quando a imagem dele beijando Henry apareceu no vídeo, abruptamente interrompido logo em seguida.
Toda a felicidade e empolgação ruíram. Seu coração acelerou com aquilo. Havia vários retweets no post, assim como likes e comentários. Uma avalanche de seguidores novos apareceram, assim como várias mensagens e tweets mencionando seu twitter. Não conseguiu ler muita coisa, apenas largou o celular e foi para a cozinha tomar água.
Desde que começara a jogar profissionalmente, tinha se tornado um pouco mais conhecido. Lógico, ser jogador de um time grande fazia isso, mas ele nunca imaginaria que seria exposto dessa forma.
Não soube o que pensar. Não se importava com o que os outros dissessem. Não se importava com nada disso, apenas com o bem estar de Henry. Mas algo o incomodava. Seu pai.
Sempre teria essa pedra em seu caminho. Temia pelo o que seu pai pudesse fazer. Não com ele, mas com Henry. Temia que, ao ver aquele tipo de notícia ou post, o pai surtasse e começasse a caçá-los como um predador cruel e impiedoso. Não queria isso.
Podia estar a quilômetros de distância do Rio de Janeiro, mas nunca saberia o que o pai poderia fazer. Ele o surpreendera de formas tão horríveis que não queria ser surpreendido novamente.
— Erick – a voz de Henry lhe tirou de seus devaneios. Parecia preocupado. – Aconteceu alguma coisa? Você tá pálido.
Erick piscou algumas vezes, focando o outro por alguns segundos. Como contaria? Como ele reagiria? Seria melhor esconder isso por um tempo? Não, ele descobriria mais cedo ou mais tarde. Estava na internet, era impossível que Erick conseguisse esconder aquela informação por muito tempo. E também não tinha motivos para isso, era melhor encararem a realidade logo, mesmo que não soubesse como reagir.
— Aconteceu, mas não sei o que dizer – respondeu por fim, tomando ciência de sua escolha.
Henry devolveu o olhar, ainda mais preocupado que antes. Teve ciência também de que aquilo poderia ser um gatilho tremendo para Henry. Resolveu então lhe entregar o celular, onde o vídeo rodou por alguns segundos. Erick encarava Henry ansioso, vendo o rosto do outro ficar inexpressivo.
Ele demorou alguns segundos a mais olhando o celular, depois o entregou a Erick, os olhos com um horror indescritível.
— Não olhe os comentários – disse finalmente.
— São tão ruins assim? – perguntou.
Henry apenas assentiu, a expressão se transformando completamente até que ele enterrou o rosto no peito de Erick, abraçando-o com força. Sentiu a camisa ficando molhada e o soluçar de Henry após alguns segundos. Não disse nada, apenas acariciou os cabelos castanhos, tentando dar um apoio.
— Isso me deixa com tanto ódio – falou contra o peito de Erick e depois se afastou, o rosto vermelho pelas lágrimas, mas seus olhos tinham raiva além da tristeza. – Eu não sei o que dizer… Essas pessoas…
Ele então olhou para Erick diretamente nos olhos.
— Eu não quero que aconteça com você o que aconteceu comigo naquele dia na rua.
Um aperto tomou seu coração. Ele estava preocupado e muito. Sabia do que estava falando. Sabia da violência que o outro tinha passado. Ele presenciara aquilo e doera em seu coração tanto quanto qualquer soco ou chute que seu pai lhe dera. Na verdade, era pior. Ver Henry sofrendo daquela forma era pior.
— Eu também tenho medo – confessou Erick, devolvendo o olhar. – Mas do meu pai… Com isso na mídia…
— Vai ficar tudo bem – disse Henry de maneira decisiva – Vamos ficar bem.
Erick apenas assentiu lentamente, tentando afastar os pensamentos horríveis que lhe vinham à mente. Eles se abraçaram e o coração de Erick se sentiu confortado por um tempo.
O momento foi cortado com o celular de Henry tocando. Ele atendeu sem muita pressa.
— Alô.
A outra pessoa falou do outro lado e Erick só pode ver a expressão de Henry tornando-se raivosa.
— Eu sabia que isso era culpa sua! – ele parecia se conter para não surtar. Fechou os olhos momentaneamente, pressionando a ponta dos dedos na ponte do nariz. – Tudo bem.
Então ele colocou a chamada no viva voz, Erick logo reconhecendo a voz. Era Marcelo, o colega de time que tinha flagrado o beijo deles.
— Erick, Henry… Eu sinto muito. — a voz do outro estava totalmente embargada e triste – Eu não tive a intenção. Estava feliz com a vitória e fiz uma live de comemoração no Instagram.
Ele continuou narrando o acontecimento. No momento em que flagrara os dois se beijando, ele estava com o celular gravando, estava a procura de Erick para aparecer na live. Assim que viu o que estava acontecendo, fechou a câmera, mas foi o suficiente para que as pessoas pegassem o trecho do beijo deles e postassem na internet.
— Eu apaguei a live o mais rápido que pude — ele disse. – Eu sinto muito mesmo. Isso é coisa de vocês e eu não deveria…
— Tá tudo bem – Erick disse rapidamente. Não tinha como culpá-lo. – Vai ficar tudo bem.
— Sim – a voz de Henry não era firme, mas ele parecia ter ciência de que não tinha sido culpa de Marcelo. – Não se preocupe com isso. Uma hora ou outra ia acontecer.
Ficaram alguns segundos em silêncio, até Marcelo falar:
— O que vai acontecer agora?
Aquela era uma pergunta que Erick estava se fazendo desde que descobrira. Sabia como a sociedade no geral era uma merda. Sabia o quão machista era a comunidade do vôlei. Ele só poderia torcer pelo melhor agora.
— Encarar os fatos e deixar rolar – Henry quem respondeu. – Não se preocupe e só deixa isso pra lá.
Marcelo proferiu mais algumas desculpas antes de eles desligarem a ligação. Ficaram em silêncio, tinham sentado no sofá durante a conversa e agora mantinham-se próximos, mas sem se tocarem.
– Você se importa? – Henry perguntou após um tempo. Erick via claramente o quanto ele estava incomodado. – Digo, de ser visto assim comigo…
— Não – a resposta foi imediata. – Me preocupo apenas com o que meu pai pode fazer. De resto… Poderia gritar para o mundo todo o quão incrível e perfeito você é.
Erick amava elogiar Henry por conta de sua reação. Estava sendo sempre sincero, mas ver aquelas bochechas ficando vermelhas e o olhar sendo desviado para qualquer outro canto era uma vista preciosa.
— Besta – murmurou ele, mas logo olhou para Erick. – Vem cá.
Henry apontara para seu colo e Erick logo aconchegou a cabeça ali. Sentiu uma paz momentânea no coração , com os dedos gelados do outro lhe tocando os cabelos e a pele.
— Seu pai não vai fazer nada, okay? – ele disse com firmeza – Não vou deixar que ele te machuque de novo.
— Não me importo comigo… Me importo com você.
— Mas deveria. Vamos encarar isso juntos, tá bom?
— Tá bom.
[...]
Henry não tinha se importado de verdade com a situação. No começo ficou com raiva de Marcelo, mas após a explicação do outro ficara mais calmo. Não tinha motivo para culpá-lo. O garoto não fez de propósito e também veio pedir desculpas e contar o que tinha acontecido.
Ele já era assumido. Não tinha o que esconder, as pessoas com as quais ele se importava sabiam e o apoiavam, então nada mais importava. Porém, ler aqueles comentários não deixava de ser doloroso. Henry não entendia o motivo que levava algumas pessoas a fazerem comentários tão cruéis, tão horríveis.
Mensagens de nojo, humilhação, ódio, ameaças de morte e incentivos para eles se suicidarem. Era difícil ler aquilo tudo em seu twitter e instagram e ele temia por Erick, mesmo com algumas poucas mensagens positivas. Sempre iria temer por Erick.
Sabia como tudo aquilo era novo para o outro, que era tudo ainda muito confuso e o mundo poderia ser extremamente cruel com ele, mas Erick se mostrara forte ao dizer que não se importava também. Eles só tinham que esperar e ver o que seria dali para frente.
Estava sendo insuportável ficar no celular. Nunca tinha recebido tanta notificação, o aparelho travou umas duas vezes antes de Henry finalmente desistir e largá-lo para lá. Marge e sua mãe ligaram para ele, perguntando o que tinha acontecido e se estava tudo bem. Ele rapidamente tranquilizou as duas, afirmando que os dois estavam bem.
Depois disso, Marge teve um surto de fofura, comemorando o beijo dos dois e ficando toda animada com eles finalmente terem se acertado.
— Maluco, eu tava torcendo tanto pra esse dia que nem sei— ela dissera, empolgadíssima.
Então ela fez a pergunta proibida.
— Quem pediu quem em namoro?
Henry ficou alguns segundos enrolando. Eles não estavam exatamente namorando. Quer dizer, não tinha havido um pedido oficial de nenhuma das partes. Ele não tinha ideia se Erick considerava o que eles tinham um namoro, e ele também nunca perguntou para saber. Talvez, no fundo, ele tivesse um pouco de medo da resposta.
— O Erick tá de quatro por você e cê tá com essa palhaçada ainda? Amado, faça-me um favor, né?
Era difícil discutir com Marge, então ele apenas deixou o assunto de lado, mudando-o para que não tivessem que falar mais daquilo. Ele estava gostando do jeito que as coisas estavam e não queria estragar tudo.
Era dia de compras e Erick e ele tinham se arrumado para fazê-las. Dividiram a lista do que precisavam para agilizar o processo e se separaram logo em seguida com um selinho. Henry pegou um carrinho e foi zanzando pelos corredores do estabelecimento, pegando o que precisavam.
Quando entrou na sessão de biscoitos, seu corpo estagnou ali mesmo. Ele piscou algumas vezes, como se esperasse que aquilo não fosse real, mas estava enganado. Ele poderia fugir, mas logo foi flagrado por aqueles olhos castanhos intensos.
— Ah, oi, Henry – a voz de Chris tinha engrossado um pouco, Henry percebera. Ele parecia mais alto e mais musculoso, além de ter um semblante de paz.
— Oi – ele conseguiu dizer.
Não sabia muito bem o que falar. Não esperava que fosse encontrá-lo num supermercado, em um dia de semana, em São Paulo. Não fazia o menor sentido.
Era estranho, pois não se falavam desde aquele dia que terminaram. Henry não sabia dizer nem quantos meses tinham se passado, mas parecia algo tão distante que a sensação era que ele nem tinha vivido aquilo realmente.
— Como está? – conseguiu perguntar, depois de um tempo encarando o ex-namorado.
— Ah, estou bem e você?
Chris parecia estranho, incomodado. Era óbvio, aquela situação era constrangedora e incômoda para todo mundo. Ficaram alguns segundos em silêncio, se encarando, até que ambos falaram ao mesmo tempo.
— Desculpa por ter sido tão idiota.
Henry logo franziu o cenho.
— Você não foi idiota… Eu que… – as palavras eram difíceis de serem pronunciadas – Eu que baguncei tudo, fui extremamente ruim pra você. – ele respirou fundo. – Desculpa mesmo, eu nunca deveria ter aceitado aquele pedido.
Chris apenas maneou com a cabeça.
— Eu também não fui muito legal… Minha prima me fez ver o quão possessivo e obsessivo eu era por você. Desculpa. Eu deveria saber que as coisas entre a gente não iriam rolar e mesmo assim forcei.
— Não fomos muito legais um com o outro né? – comentou Henry, rindo um pouco triste. – Queria que tivesse dado certo.
— Ah, não queria não – disse Chris e para a surpresa de Henry, ele falava aquilo com leveza. – Você sempre será do Erick, eu não tive a menor chance.
Aquilo era verdade. Seu coração sempre pertencera e sempre pertenceria a apenas uma pessoa.
— Mas foi uma boa experiência – continuou Chris. – Quero agradecer por isso. Você foi o gatilho para que eu me entendesse mais, me conhecesse. Mesmo ainda sendo difícil com meus pais, me sinto bem mais livre. Você sempre será uma pessoa especial pra mim, mesmo a gente não namorando mais.
Henry ficou feliz com aquilo. Depois de tanta tempestade e tantas situações ruins, houve coisas boas também e era bom saber que tinha sido alguém especial para Chris.
— Você também foi especial para mim – disse Henry, sendo sincero – Você me ajudou demais em tudo, esteve do meu lado o tempo todo… Eu não reconheci na época, mas reconheço agora. Obrigado pelos momentos que passamos juntos.
Chris assentiu, com um sorriso no rosto.
— Acho que podemos nos abraçar – ele disse rindo.
Eles se aproximaram e se abraçaram. Era um abraço cheio de significados e que, apesar de tudo, não tinha mágoa nenhuma. Eles poderiam até ser amigos, se Chris quisesse. Mesmo que não tivesse dado certo um relacionamento entre eles, Chris era uma pessoa incrível da qual Henry sentira falta durante esse tempo separados.
Se afastaram e Henry lhe deu um beijo na bochecha antes de se afastarem completamente. Quando deu alguns passos para trás, Erick estava atrás de Chris, encarando a cena. A expressão de pânico de Henry deve ter feito Chris virar, vendo o garoto de cabelos loiros com uma cara de poucos amigos.
— Ah, eu queria que você tivesse aqui – disse Chris rapidamente. – Queria pedir desculpas por tudo o que aconteceu.
A expressão de Erick foi de raiva a surpresa em um segundo. Ele piscou para Chris algumas vezes e depois ficou alternando o olhar entre Henry e o outro.
— Perdi alguma coisa? – ele perguntou, franzindo o cenho.
Henry contou rapidamente sobre o pedido de desculpas de ambos e que agora estavam de boas. Erick pareceu surpreso e quando ia dizer alguma coisa, um garoto com olhos puxados chegou perto de Chris.
— Você encontrou o biscoito? – ele perguntou e depois pareceu ver que tinha mais gente ali. – São seus amigos?
— Pode-se dizer que sim – ele disse meio sem graça – Esse é Henry e Erick. Henry e Erick, esse é o Tetsuya.
— Henry, Henrique? Seu ex-namorado? – Tetsuya perguntou, parecendo realmente surpreso.
Chris apenas assentiu, ainda envergonhado.
– O encontro entre o ex e o atual é realmente estranho – comentou o garoto. – Mas não precisamos deixar as coisas estranhas.
Tetsuya estendeu a mão para cumprimentar Henry, mostrando os braços musculosos por baixo da camisa branca. Seu cabelo liso e negro era comprido e estava preso em um coque atrás da cabeça. Os olhos puxados eram castanho-escuros e ele tinha um sorriso bonito.
Henry ficou realmente intrigado com a situação, mas não disse nada. Apenas cumprimentou o garoto japonês e retribuiu o sorriso. Tetsuya cumprimentou Erick também, que parecia tão surpreso quanto Henry.
— Bom, se me derem licença, precisamos terminar nossas compras – disse Chris, segurando a mão de Tetsuya com naturalidade. Mesmo sendo mais alto que Henry, o garoto parecia pequeno ao lado de Chris. Quem não parecia pequeno ao lado dele?
— Foi bom conhecer vocês – disse Tetsuya sorrindo. – Ah, e sinto muito pelo o que aconteceu. Esse lance de vazar vídeo é complicado.
Henry se surpreendeu com aquilo, mas não era de se espantar. Chris deveria ter visto e explicado a situação.
— Sim, verdade – comentou Chris, com a voz um pouco trêmula – Ninguém merece passar por essa exposição.
— A gente vai ficar bem – falou Henry, convicto, ao passo que Erick parecia ainda abalado com a situação.
— Espero que dê tudo certo para vocês – comentou Tetsuya, sempre simpático.
— Obrigado.
Chris disse que precisavam ir e que qualquer coisa poderia contar com eles dois. Quando ambos se viraram para ir embora, Erick deu um passo à frente e chamou-os antes que se afastassem demais.
— Olha, queria pedir desculpas também. Não agi de maneira legal com você.
— Tudo bem, cara – sorriu Chris. – Sem mágoas.
— Sem mágoas – repetiu Erick retribuindo o sorriso.
Então eles finalmente se afastaram, saindo da visão dos dois após alguns segundos. Eles ficaram um tempo ali, um pouco estagnados com o que tinha acabado de acontecer.
— Por essa eu não esperava – comentou Erick.
— Somos dois.
— Eles parecem felizes.
— Sim, fico feliz por Chris. – Henry assentiu, realmente feliz pelo outro. – Ele mudou bastante.
E tinha mesmo. Henry jamais esqueceria o relacionamento às escondidas que tiveram. O fato de não poder segurar as mãos, dar abraços, beijos e tudo mais. Chris parecia ter avançado em sua vida e segurar a mão de Tetsuya foi a maior prova que Henry poderia ter visto.
Definitivamente estava feliz pelo ex-namorado.
[...]
Alguns dias depois do fatídico dia da exposição,Henry estava devastado com a notícia que tinham acabado de receber.
Porém, não tanto quanto Erick. Nunca tinha visto o outro naquele estado.
Estavam em casa, após uma reunião do time. Reunião essa que encerrava o contrato dos dois por conta da exposição que ocorreu. Ou seja, eles estavam demitidos do time.
A justificativa era que eles não aceitavam aquele tipo de demonstração de afeto dentro de quadra, da área de trabalho deles. Falaram que, mesmo se fosse entre um casal hetero, teriam tomado a mesma atitude, mas Henry não estava convencido daquilo.
Ele tinha acabado de fazer um café bem forte para Erick, que tinha se jogado no sofá e não levantara um músculo para nada. Ele parecia entorpecido, devastado e principalmente em choque.
Não tinha chorado, mas Henry sentia que era como se a ficha não tivesse caído ainda para ele.
— Toma, fiz pra você – Henry estendeu a xícara de Percy Jackson na direção de Erick. Ele levantou de modo automático e segurou a xícara sem se incomodar com o calor que emanava dela.
Henry sentou no sofá ao seu lado, acariciando a perna alheia enquanto ele encarava fixamente o líquido escuro dentro da xícara.
— Eu estraguei tudo – resmungou Erick após alguns minutos em silêncio. – Estraguei meu sonho, seu sonho… Meu Deus, eu só faço merda.
— Que isso, amor! – Henry nem deu tempo de se repreender pelo “amor”. – Isso não é culpa sua. A culpa é deles que são uns intolerantes do caralho.
Erick olhou para Henry com aqueles olhinhos chorosos, que partiu o coração dele em mil pedaços. Odiava vê-lo daquela forma e odiava ainda mais as pessoas intolerantes que tinham estragado tudo. Qual era o problema de eles terem um relacionamento? Isso não mudava o fato de serem bons jogadores.
Henry acariciou os cachos loiros de Erick com cuidado e afeto, encarando-o de volta com intensidade.
— Não se preocupe com isso – disse, passando os dedos pela bochecha do outro – Vamos enfrentar isso juntos. Vai dar tudo certo.
Erick apenas assentiu, tomando um gole grande do café. Colocou a xícara na mesinha que ficava ao lado do sofá e deitou no colo de Henry, deixando as lágrimas escorrerem.
— Pelo menos eu ainda tenho você – ele murmurou tristonho.
— Sim, temos um ao outro – respondeu Henry, limpando as lágrimas que escorriam. – Você é incrível! Vai ser contratado por outro time, você vai ver.
— Mas e você?
— Eu não me importo tanto com isso – respondeu, com firmeza e percebendo pela primeira vez que realmente não se importava com aquilo. – Só quero que você esteja bem.
Erick nada mais disse e caíram em um silêncio tenso de início, mas depois tornou-se agradável. Henry olhava para Erick, que tinha os olhos fechados. Era impressionante o quão bem Erick fazia para ele. O quão bem ele se sentia com aquilo tudo, mesmo que a situação não fosse favorável. Poderia estar no fundo do maior poço já feito, se estivesse com Erick, teria forças para sair daquela, teria forças para fazer com que tudo ficasse bem.
Seu coração estava aquecido e ele nem sequer pensou em dizer aquelas palavras, elas apenas saíram.
— Erick, você quer namorar comigo?
Erick não se moveu e Henry pensou que estivesse dormindo. Ficou um pouco preocupado, pois não saberia se teria coragem de falar aquilo novamente, quando o outro estivesse acordado.
Porém, Erick se levantou, olhando para Henry com os olhos arregalados.
— É sério? – perguntou, atônito. – Tipo, de verdade? Mesmo, mesmo?
Henry ficou um pouco sem reação, mas acabou confirmando.
— Meu Deus – Erick disse, parecia extremamente surpreso. – Eu nunca pedi nada por medo de você negar e eu sei que você gosta de ficar pegando todo mundo e eu não queria tirar sua liberdade e pra mim tava ótimo só de você estar perto de mim, então…
Henry calou a falação de Erick com um beijo. Achava fofo como ele começava a metralhar as palavras quando estava nervoso.
— Eu não quero ninguém além de você – Henry disse quando se afastou de Erick, ainda segurando seu rosto com as duas mãos. – De todas as pessoas que eu fiquei… Nenhuma delas era você, então não faz diferença pra mim. Só quero você, pra sempre.
Erick parecia digerir as palavras. Então ele abriu um sorriso, o sorriso mais infantil, bonito e charmoso que Henry já vira.
— Eu quero ser seu namorado. – disse Erick chegando mais perto de Henry e selando o compromisso com um beijo.
O dia tinha sido cheio de emoções, mas importava somente que estava com Erick. Henry não se importava mais com nada, desde que pudesse ver aquele sorriso pro resto da sua vida.
— Eu te amo, Henry
— Eu também te amo, Erick.
Eles se beijaram novamente, Henry puxando Erick para seu colo. Não se importava com o peso ou com a diferença de altura, o que importava naquele momento eram os lábios do namorado.
Namorado.
Agora sim as coisas pareciam certas.
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