Além da Morte
18 Capitulo 2
Notas iniciais
POV. Bella.
Eu já havia caçado e estava sentada numa pedra de frente a uma cachoeira. Meus pensamentos estavam cofusos e meu coração dividido. O medo também estava presente ali e a insegurança dominava o meu ser.
#Lembranças
— O que você quer aqui, Isabella? – Bonnie perguntou sorrindo a me ver. Corri para abraça-la e logo lhe dei um beijo caloroso. – O que minha afilhada predileta quer? – Revirei os olhos.
— Sou sua única afilhada. – Rimos e logo nos jogamos no sofá. – Vim lhe ver, há tempos que te devia uma visita. – Concordou de imediato.
— Estava sentindo sua falta, sabia? – Me apertou num abraço caloroso.
— Por que não para de besteira e se junta à família? Ficar sem você naquela casa é angustiante! – Riu de leve.
— Eu amo meus amigos e minha família, minha pequena, mas a privacidade que tenho aqui, na minha casa e com meu Matt, não se compara. – Concordei de leve.
— Entendo. Eu e Alice vivemos isso por cinco anos e não aguentamos... – Gargalhou.
— Eu tenho pena dos Cullen e Salvatore ao ouvir vocês gemendo durante a noite. – Soquei seu braço de leve e ri junto.
— Não é bem assim... Sei me controlar...
— Sabe? – Ergueu uma sobrancelha. – Você já quebrou mais camas que Emmett! – Gargalhei.
— Ok. Confesso que minha esposa sabe como me provocar. Sabe como fico quando o tesão domina meu ser. – Assentiu sorrindo maliciosa.
— Oh se sei! – Acariciou meu rosto. – Não pensa em ter outro filho, Bella? – A olhei sem entender.
— Renesmee foi um presente muito especial, mas adotar outra criança e trazer a esse mundo... Acho perigoso, não quero colocar minha família ainda mais na mira daqueles idiotas dos Volturi. – Assentiu.
— Mas não estava me referindo a adotar. – Fiquei intrigada.
— Como eu teria outro filho com Alice? – ri.
— Engravidar como toda pessoa normal. – Me levantei e a olhei incrédula.
— Creio que fazer uma inseminação artificial não está em meus planos.
— Não estou me referindo a uma inseminação. – A fitei confusa.
— Como assim, Bonnie? – Ela suspirou, mas logo sorriu.
— Eu estava lendo o livro de magia da minha bisavó. Lá encontrei algo que me chamou atenção.
— E o que seria? – Se levantou e andou até a estante no meio da sala, pegou um livro e se virou abrindo-o.
— “Aquilo que mais deseja pode se tornar realidade, mas como toda ação, existe uma reação”. – Terminou de ler e me olhou intensamente. – Não sei que tipo de reação seria, mas sei que você ama Nessie e, se pudesse, daria outro filho a Alice. Ama aquela menina e sempre imaginou como seria ter outro. Eu sei disso. – Suspirei.
— Isso realmente seria um sonho, Bonnie. Mas e a consequência de um desejo insano? O que poderia acontecer a mim? – Negou.
— Você não pode, sabe disso. – Suspirei.
— Pior ainda! Nunca colocaria minha mulher em risco por conta de um simples querer.
— Bella, pense bem! Pergunte a sua esposa, deixe-a opinar! – Estava eufórica. – Eu ficaria honrada de poder lhe dar isso!
— Infelizmente esse não é o presente que quero agora. – Me ergui. – Imagino que a vida de Alice correria perigo. Pelo que parece nunca viu ou ouviu falar disso, achou por acaso. – Andei até ela e peguei em suas mãos a beijando. – Eu agradeço por essa atenção, madrinha. Mas realmente não é algo que eu faria em sã consciência. – Assentiu triste.
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— Eu ainda não acredito que fez isso comigo, Bonnie! – Lamentei comigo mesma e abaixei a cabeça. – Minha esposa corre perigo, tenho absoluta certeza disso. Mas nada posso fazer a não ser esperar e ver no que vai dar... Alice nunca tirará essa criança.
— E eu não permitiria isso! – Vi minha mãe entrar na clareira em que estava e sentou-se ao meu lado.
— Não é a sua esposa. – Suspirei. Elena sorriu e me abraçou com carinho.
— Mas eu conheço Alice e amo aquela mulher. – Sorri com isso. – Sabe, a chegada de um neto me pegou completamente distraída. Nunca imaginei que um dia iria ser chamada de “vovó”. Mas ai vocês apareceram com aquela pobre criança nos braços. Ferida e precisando de carinho. Nessie me fez tão feliz quanto a sua volta para a nossa família, minha filha. – Olhei sorrindo para ela.
— Eu nunca pensei que poderia ser tão feliz assim. Obrigada por ter ido atrás de mim. – Negou.
— Eu nunca te deixaria, não me agradeça por fazer nada mais que minha obrigação como mãe. – Beijei sua mão com respeito e carinho. – Nessie foi a segunda melhor coisa que me aconteceu. Primeiro você. – Fiquei sem graça. – Amor, minha princesinha, essa gravidez pode ser de risco e sua esposa pode vir a falecer. – Gelei com isso. – Como também pode ser tranquila e ela viver a eternidade contigo. Então, vai mesmo querer desperdiçar essa fase tão linda e oportunidade tão única que está tendo? – me levantei e soquei a arvore com força. – O que foi? – Questionou assustada.
— O que foi? – Falei irônica. – Vocês acham que é fácil ver o novo e achar ele normal! Que algo tão único pode ser especial! Eu não consigo pensar naquilo no ventre da minha esposa, somente no mal que isso pode causar a ela! Se coloquem em meu lugar ao menos uma vez! – Me virei e a fitei. – Coloque VOCÊ em meu lugar! – Ela me fitou cabisbaixa. – Se fosse eu? Eu grávida de algo que poderia tirar minha vida, qual seria sua reação? Ficaria feliz por ter um neto ou aflita por, talvez, perder uma filha? – Ela se ergueu e andou em minha direção. Disse nada, apenas me abraçou forte.
— Pode ser complicado, filha, mas... – Me separei dela e dei um passo para trás.
— Não me diga coisas positivas, pois a ultima coisa que passa por minha mente é isso! – Me virei e corri de volta para a mansão.
[...]
— Não sabemos como será sua gravidez Alice. Eu realmente nunca vi algo parecido. – Cheguei à mansão e vi todos reunidos na sala. Alice parecia fraca e pálida. Nessie estava em seu colo e acariciava seu rosto com carinho.
— Mamãe, minha irmãzinha terá olhos azuis iguais aos seus? – Ouvi sua risada e meu corpo todo se arrepiou.
— Não sei, pode ser castanhos iguais os seus. O que acha? – Fez um bico e negou. – Por que não?
— Por que a senhora já fala que eu sou uma copia da Bella, eu quero uma irmã com sua cópia! – Acabei sorrindo ao ouvir isso.
— Mas ela não seria tão linda quanto você. – Mordi meus lábios. Minha esposa estava feliz com essa história toda. Nessie então... Nem se fala. Será que só eu regulo nessa casa e entendo o perigo que ela está correndo?
— Ela seria ainda mais! Mamãe Bella sempre diz que a senhora é a mulher mais linda de todas! Concordo com ela. – Entrei na sala e todos me fitaram preocupados. Neguei e olhei firme para Carlisle. Creio que entendeu meu olhar e retirou todos da família da sala, menos minha esposa e filha.
— Bella... – Alice não se virou, mas sentiu minha presença. Nessie saiu do colo da mãe e correu para o meu. A peguei quando pulou em meu colo e a abracei.
— Mamãe! – Beijou meu rosto e logo sorri. – A senhora viu como a mamãe Alice tem olhos lindos? – Assenti. – O que foi mamãe? – Perguntou séria ao ver que não sorria muito.
— Eu preciso conversar com a mamãe Alice... Você pode nos deixar a sós? – Ela hesitou, mas assentiu e logo saiu da sala.
— Não importa o que fale, meu amor, eu não vou tirar nosso filho. – Alice se ergueu e me encarou.
Fiquei parada a encarando, olhando no fundo dos seus olhos e prendendo a respiração. Não que seu cheiro esteja me afetando como foi quando provei seu sangue, mas vê-la com aqueles olhos azuis... Ela é perfeita!
— Infelizmente eu tenho absoluta certeza disso. – Falei quando enfim encontrei minha voz e pude pronunciar o que eu queria.
— Infelizmente? – Andou em minha direção. – Bella, estamos realizando um sonho o qual nunca tivemos a prazer de ao menos sonhar! – Seu sorriso era lindo, mas seus olhos estavam tristes. – Por que não pode simplesmente me abraçar e aproveitar esse momento comigo e sua filha? Renesmee está amando a ideia de ter uma irmã ou irmão. – Seus olhos ganharam mais vida.
— Isso não é normal, essa coisa... – Me encarou com raiva.
— ISSO? – Me cortou. – Como tem coragem de chamar o fruto do nosso amor de COISA? – Se fosse vampira Alice estaria voando em meu pescoço. Seus olhos eram raivosos e um rosnado estava preso em sua garganta.
— Renesmee é minha filha, é tudo o que tenho. Trouxe-nos felicidade e muito amor. A acolhemos e demos o que temos e muito mais a ela. Mas isso... Convenhamos Alice, desconhecemos sobre essa coisa que você carrega em seu ventre! Um fruto do nosso amor... Um amor completamente proibido e bem exótico! – Agora eu que estava ficando com raiva. – Uma vampira se apaixona por uma garota. Até ai já vimos que não daria certo! Como não era o suficiente, essa garota era uma hibrida de humana e vampiro de outra raça! Não percebe que, se essa gravidez prosseguir e isso nascer, essa coisa pode atrair a atenção do mundo sobrenatural para nós? Vampira, humana e vampira original... O que você quer Alice? Responda-me o que quer! Porque olhando assim... Desculpe-me, mas parece que quer colocar a vida da nossa filha em jogo! – Apelei para minha ultima chance de fazê-la mudar de ideia.
Andou até mim, com o semblante sério, e deu-me um forte tapa na cara. Claro que não senti, mas ela nunca ergueu uma mão para bater em nossa filha, imagina a mim?
Continuei a encarando, quando ergueu a outra mão para bater no outro lado da face, a segurei antes que alcançasse seu objetivo. Grudei nossas testas e olhei bem fundo de seus olhos.
— Pare de se machucar. – Implorei.
— Eu esperava ouvir isso de qualquer um, Isabella. – Me arrepiei quando pronunciou meu nome inteiro. – Menos da mulher da minha vida. – Tentou se afastar, mas impedi. – Queria viver isso com você, queria que você tivesse um terço da alegria e felicidade de nossa menina. Queria que você fosse à esposa perfeita que sempre foi, e não esse monstro que está se revelando! – Meus olhos arderam com tais palavras.
— Eu só quero o seu bem, meu amor. – Acariciei seu rosto, mas o virou. Não queria que a tocasse.
— Evite encostar-se a mim, afinal de contas eu tenho uma coisa dentro de mim! – A larguei e senti meu rosto molhar. Há muito tempo eu não chorava... Isso eu tinha ciência. – Quando você perceber que está sendo uma idiota e resolver ser mãe pela segunda vez, venha falar comigo. Agora, se for para ofender ao meu filho o chamando de coisa... Espero que não me procure. Se preciso for eu saio da mansão. – Segurei firme em seu pulso quando ameaçou sair. – Me solta. – Me neguei a soltar.
— Eu te amo, Alice, entenda isso. – A puxei de volta a meu peito e a abracei forte. Não me retribuiu, mas senti molhar meu peito. – Sabe que nunca tive medo da morte, muito pelo contrário, eu brincava com ela... Mas isso foi antes de te conhecer, mas isso foi antes de montar uma família com você! Já vivi muitos anos sem você, não posso viver o resto da vida sem ti! – Chorei em seu ombro sem me controlar. – Eu enfrento a morte de cabeça erguida, mas não enfrento a vida sem você. – Ouvi seu soluço e logo a senti me abraçando. –Eu te amo, por Deus, eu te amo muito. – A apertei forte e inspirei o seu mais novo perfume. Ele era ainda mais intenso.
— Eu não vou morrer, confie em mim. – Pediu baixinho.
— Não posso confiar algo que nem você pode me assegurar. – A segurei firme, como se aquele abraço fosse necessário para a minha sobrevivência.
— Você um dia já foi algo novo, algo que ninguém imaginou existir. Sua mãe está viva e te ama mais que tudo. – Se soltou de mim. Deu-me um leve selinho e disse. – Pense um pouco: Se sua mãe tivesse abortado... Como seria agora? – Eu nada pude responder. Ela virou as costas e me deixou sozinha na sala com minhas lágrimas escorrendo pela face.
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