Além da Coragem - Livro 2
22 Capítulo 22
Notas iniciais
O Pilar do Atlântico Sul:
A água, no Pilar Principal, já está pelo pescoço de Atena, mas ela mantém ainda seu cosmo, numa prece pela humanidade e pelo êxito de seus Cavaleiros. Ao mesmo tempo Shun avança pelas escadarias, chegando ao pilar do Oceano Atlântico Sul. O lugar parece deserto a primeira impressão, mas o rapaz logo ouve uma suave melodia que se aproxima do local. O som lhe é conhecido. \"Onde já ouvi esse som?\" – perguntava-se, virando para a direção de onde vinha a música para encontrar o maestro.
Estonteado ao ver o rosto do homem que pensava ter morrido dias antes, o jovem Cavaleiro não consegue sequer piscar. Finalmente as palavras saem:
- Sorento? Sorento de Sirene? Mas você não morreu? Eu vi, todos nós vimos quando Siegfried subiu aos céus para derrotá-lo!
- Realmente, Andrômeda, para os que viam da Terra, eu fui levado com ele para a morte. Mas meu poder psíquico o abalou ainda que não pudesse tocar a flauta e eu pude me soltar. Minha sinfonia terminou de matá-lo, enquanto eu voltava à Terra. Tenho de admitir que foi uma batalha de vida ou morte.
- Agora eu entendo... – disse Shun, mais para si que para o adversário.
- Mas estou surpreso com sua força. Conseguiu chegar aqui ainda que gravemente ferido. Mas seja como for, você não está mais em condições de combater, esta luta já está decidida e eu não tenho intenção de lutar com você. Está quase morto, portanto vá embora.
- Não seja tolo, nossa luta não termina enquanto um de nós estiver vivo. Lutarei até o fim, portanto prepare-se, Sorento!
As correntes tomam a forma da Nebulosa de Andrômeda aos pés do rapaz, enquanto seu cosmo se eleva. Mesmo que seus ferimentos sejam profundos e graves, ele está decidido a vencer.
- Está pronto, Sorento? \"CORRENTE DE ANDRÔMEDA!\"
Carregada com toda a energia que o Cavaleiro lhe deposita a corrente avança velozmente contra o inimigo. Mas o Marina não parece nem um pouco preocupado, com a flauta traça um círculo imaginário no ar, de onde surge um brilho dourado que repele a arma de Shun, junto com ele próprio. O sorriso em seu rosto era o da certeza de sua vitória, mas refinado e sem maldade alguma.
- Eu já lhe disse, Andrômeda, não lhe resta mais energia. Se não quiser morrer, vá embora.
- E eu também já disse que, enquanto respirar, continuarei lutando.
- Então não tenho outra escolha...
Levando a Flauta aos lábios, Sorento se põe a tocar sua \"Sinfonia Final da Morte\". A música era maravilhosa, parecia atrair Shun de forma hipnótica, como o próprio canto de uma sereia, que atrai os navegantes para o fundo do mar antes de matá-los. Finalmente, todo o seu corpo sente a profunda dor do golpe de Sorento, que o obriga a se contorcer, tentando inutilmente tampar os ouvidos para não ouvir a melodia.
- Não adianta... Siegfried não escapou de minha música mesmo com os tímpanos destruídos. Minha música chegará direto ao seu cérebro e o matará.
Algo tira a concentração do General, Shun desaba quase inconsciente no instante que a música cessa.
- De onde vem essa canção...?
Era uma música divina, um canto de prece que abafara completamente a flauta do experiente músico. \"Atena? Estou ouvindo o canto de Atena!\" Foi este o canto que Poseidon dissera ter ouvido, o que achara ser um último suspiro era, na verdade, o cosmo da Deusa emanado para ajudar seu Cavaleiro.
\"Posso ouvir o cosmo de Atena que se transformou em música. Mas não entendo, não sinto medo nenhum, não me incomoda, é até agradável.\" Pensava Sorento, enquanto via Shun se reerguer.
- Parece que a canção de Atena salvou você... Mas seu destino não mudou, devo aniquilá-lo, Andrômeda, me perdoe.
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Não muito longe dali, do Pilar do Atlântico Norte, Kanon pode perceber que alguém já entrara no templo de Poseidon.
\"Estes Cavaleiros são ratos insistentes...\" Pensava. \"Mas o que é essa energia cósmica tão agressiva? Não posso vê-lo, mas é uma energia muito forte, tenho certeza de que um dos Cavaleiros está aqui.\"
---ooo---
Num golpe veloz como um raio de luz, Sorento tenta atingir Shun com sua flauta, mas a reação do garoto é mais rápida. Utilizando a corrente ele barra o ataque adversário.
- Apesar de sua aparente fragilidade, você é bem resistente...
- Não me renderei... Tenho que salvar Atena! – disse ao mesmo tempo que revidava o ataque inimigo com um chute para o alto, mas Sorento facilmente o evitou num salto para trás.
- Não tenho tempo a perder com você... Sinto um estranho cosmo no templo de Poseidon, devo ir para junto do imperador. Por isso, acabarei com você de uma vez por todas.
Sorento volta a tocar a flauta. Na tentativa de se defender, Shun lança sua defesa circular.
- Não seja ingênuo, o som da flauta atinge seu espírito, e não o corpo...
- O som se propaga no ar em forma de ondas... Se minhas correntes deterem essas ondas, o som não me atingirá...
- Pff... Tem certeza? Minha música não é assim tão fácil de se deter.
Ainda que com a defesa, o ruído das notas tiradas por Sorento chegam ao cérebro do Cavaleiro, infligido-lhe uma terrível dor. As correntes se partem em pedaços e até mesmo a armadura ressuscitada pelo sangue dos Cavaleiros dourados fica trincada. Podia parecer uma música como outra qualquer, mas não era um ruído como os outros, transportado pelo ar, chegava direto na mente do adversário e, por isso, não podia ser defendido.
- Para as pessoas puras, essa música soa agradável. Para as más, inflige uma dor mortal. E você, que se atreve a querer impedir que Poseidon instaure a Utopia, matarei você agora mesmo.
Num último impulso, o cosmo de Shun se eleva e envolve Sorento. É a \"Corrente Nebulosa\", impedindo os movimentos do Marina.
- Mas... O que significa isso?
- É a corrente nebulosa, seu corpo está paralisado por ela. Agora você não pode mais tocar sua flauta, Sorento.
- Não fale bobagens, tocarei a flauta mais uma vez e você estará acabado! – diz Sorento, tentando levar a flauta aos lábios mais uma vez.
- Detenha-se, Sorento! Minha corrente pode mudar de acordo com cada movimento seu, até se transformar numa tempestade que acabará com você.
A \"Corrente Nebulosa\" aumenta seu fluxo, prendendo mais ainda os movimentos do Marina, mas Shun não tem intenção de feri-lo mortalmente. Sua única vontade é salvar Atena, mesmo lutando por uma causa justa, o Cavaleiro de Andrômeda nunca quis ferir ninguém. Ele ainda pede que o General se renda para que a luta não precise continuar.
- Seu tolo... Sorento, guardião do Atlântico Sul, jamais se renderia! Olhe para você, é sua vida que está prestes a se extinguir num único sopro. Mesmo que a Corrente se intensifique infinitamente eu nunca pararia de tocar!
- Pare, Sorento... Eu não quero matá-lo! Você não é uma má pessoa!
Shun praticamente implorava que seu adversário parasse com a luta.
- Uma pessoa ruim jamais tocaria tão maravilhosamente. O som que tira de sua flauta comove a todos que o ouvem. Só alguém com o coração puro seria capaz disso!
- Sabe... Realmente nunca esperei ouvir coisas tão bonitas a meu respeito... Mas não estou aqui para ouvir lições de moral de você.
- Pare, Sorento!
- \"Clímax Final da Morte!\"
- \"TEMPESTADE NEBULOSA!\"
A última nota não chega a soar da flauta, a Corrente toma um poder gigantesco e envolve Sorento na forma de cosmo, desde os pés até a cabeça. A explosão da tempestade lança o General contra um pilar e, com um último espasmo de sangue, ele cai, vencido e com a Escama estraçalhada. Shun perde a consciência logo em seguida, quando Kiki está já próximo ao local, a flauta do adversário rola até os pés do menino.
- Shun! Acorde, Shun... O pilar do Atlântico Sul, precisa derrubá-lo!
Continua...
Notas finais
Mas agora vamos parar de falar dos personagens e vamos ao próximo capítulo!!!
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