Além Do Bem E Do Mal
25 Capítulo 25 - FAMÍLIA FELIZ
Notas iniciais
Beijão enorme pra vcs, muito obrigada pelos comentários. Não existem leitores mais queridos que vcs, disso eu tenho certeza.
Espero que gostem.
CAPÍTULO 26 – FAMÍLIA FELIZ
“As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.”
(Léon Tolstoi)
Bella não abriu os olhos. Não tinha forças para fazê-lo.
Sentia frio, muito frio. O vento cortante da noite açoitava sua pele. Braços frios e rijos a carregavam, tornando a temperatura de seu corpo ainda mais baixa. Porém seus sentimentos não se alinhavam com aquele desconforto... Sua alma estava aquecida. Sentia-se segura. Aquele colo tinha algo de reconfortante, de familiar. Vinha acompanhado de lembranças boas, ainda que não pudesse definir, no desespero do momento, que lembranças eram essas.
Confusa e sem saber o que realmente estava acontecendo, Bella aos poucos foi se dando conta da dor que dilacerava seu corpo e, principalmente, suas entranhas. Encolheu-se sobre o ventre involuntariamente, respondendo a uma contração que quase a fez perder os sentidos novamente.
- Calma, filha, vai ficar tudo bem!
Bella tinha desejado com todas as suas forças e lágrimas, por anos e anos, ouvir aquela frase. Eram exatamente essas palavras que lhe faltaram nos momentos difíceis da vida. Eram essas palavras que tinha usado para prometer à filha que carregava na barriga que tudo acabaria bem.
As últimas horas foram então se passando em sua cabeça como se alguém tivesse apertado o “play” do filme da sua vida. De repente se lembrava de tudo, inclusive de que estava preste a parir seu bebê. Agora entendia a dor que sentia na barriga.
Mas quem a carregava? Quem a chamava de filha?
Bella abriu os olhos lentamente, embora soubesse que eles a enganariam. Seu coração já sabia quem a embalava nos braços, mas quanto a seus olhos... Não seria a primeira vez que enxergavam entre a multidão o reflexo rápido do rosto de seus pais, levando-a acreditar que os tinha visto. Bella já estava acostumada com essa triste ilusão.
O queixo, a boca, o bigode, os olhos... Lá estava a figura do rosto protetor de seu pai diante de si; dessa vez nítida e duradoura. Bella se lembrou de que certa vez ouvira em um programa de televisão que no momento da morte os entes queridos que já havia falecido vinham ajudar na passagem, buscando a alma daquele que estava desencarnando. Era isto que estava acontecendo? Estava morrendo?
- Pai, eu estou morrendo? Você veio me buscar? – Perguntou baixinho, com as últimas forças que lhe restavam. Sua voz soou quase infantil, como se de repente se sentisse criança naquele colo.
- Você não vai morrer, filha. Aguente firme, vamos te ajudar.
Aquilo não podia ser sonho nem morte, pensou Bella. Era real, era verdadeiro, era seu pai... A contração que se seguiu àquela constatação foi tão forte que a fez desmaiar.
POV EDWARD
Já era tarde da noite quando Edward captou os pensamentos de Eleazar antes mesmo de sua presença ser percebida por seu pai e irmão. Eram imagens confusas e palavras entrecortadas, mas algo estava bem claro: Bella estava em perigo!!
Edward se petrificou, chamando a atenção de Carlisle e Emmett com sua súbita mudança.
- Pai, tem alguma coisa errada acontecendo lá em casa, Eleazar está vindo nos avisar. – Edward explicou afobado, já ouvindo o amigo correndo para encontrá-los.
O pavor de imaginar Bella e filha desprotegidas tomava conta de todo seu corpo, fazendo seus instintos se aguçarem.
- O que aconteceu, Edward? – Emmet perguntou preocupado, arremessando para longe a caça que já tinha em mãos.
- Está difícil entender os pensamentos dele, mas parece-me que Bella e Esme estão correndo perigo. Temos de voltar agora!
Sem demora meçaram a correr ao encontro do vampiro. Logo o alcançaram.
Eleazar não estranhou a aproximação dos Cullen. Já contava com os poderes de Edward para achá-los mais facilmente naquele extenso bosque canadense.
- Edward, temo que Tanya tenha feito uma besteira muito grande. Alice nos ligou, pedindo para irmos correndo para Forks. Tanya está enlouquecida de amor. Eu sabia que a paixão que ela nutria por você ainda ia nos causar problemas. Irina pediu-me que os avisasse. Alice contou que vocês costumam caçar aqui e, por coincidência, não é muito longe de onde eu e Carmem estávamos.
Antes mesmo de ouvir todo o relato, Edward começou a correr. Só tinha em mente que precisava chegar o mais rápido que pudesse. Correu como nunca tinha corrido antes. Saltou rios, derrubou árvores. Em sua cabeça a imagem da mulher de sua vida e sua filha mortas lhe causava dor. Uma dor que há muito não sentia. Doía-lhe algo além do corpo, além do físico. Talvez doesse a alma que julgara erradamente não ter, pensou.
Seu pai, o irmão, a irmã e o amigo o seguiam um pouco atrás, incapazes de alcançá-lo.
Esme era uma vampira forte, não restava dúvida, mas era ingênua. Edward sabia que Tanya não teria muita dificuldade para enganá-la e subjugá-la. Sem Esme, Bella ficaria à mercê da crueldade daquela vampira vingativa. Esta constatação o apavorava.
Já quase amanhecia quando atravessou a floresta de Forks. Edward já tinha tentado ligar várias vezes para Esme e Bella, desde que seu celular apresentou sinal, mas nenhuma delas atendia.
Não demorou até que começasse a ouvir vozes na casa, que já se avistava ao longe. Eram vozes estranhas. Mais estranhos ainda eram os pensamentos que inundavam sua cabeça. Um homem e uma mulher estranhos, Tanya e Esme. Era tanta bagunça e confusão que Edward não conseguia concatenar as ideias, separando as falas e pensamentos de cada um. O desespero fez Edward encontrar forças para acelerar mais ainda e alcançar a porta em tempo indescritível.
A cena que viu era estarrecedora em todos os sentidos: Esme cuidava de Bella que se contorcia de dor no sofá, deitada sobre uma poça de sangue. Seu corpo quase nu estava coberto de ferimentos e hematomas. Tanya estava presa, sendo segurada por dois vampiros que não lhe pareciam estranhos, embora não se lembrasse quem eram. Estavam no lado oposto de onde Bella estava, o mais distante possível.
O fato alarmante, além do ódio que estampava o rosto da velha amiga da família, era que havia dois vampiros de olhos vermelhos naquela sala enquanto Bella se esvaía em sangue. Aquilo era algo totalmente preocupante, mas eles pareciam controlados, notando-se claramente que não respiravam. Era tanta informação e tanta coisa para entender que Edward se desligou de tudo, focando no principal. Sem titubear, correu até Bella. O resto entenderia depois.
- Meu amor, o que aconteceu, como você está?
Bella não respondeu, estava desmaiada. Felizmente já tinha ouvido seu frágil coração batendo e sabia que não estava morta.
- Edward, que bom que chegou! – Esme se mostrou aliviada. – O bebê está nascendo, mas Bella está sem forças para empurrar. Está muito machucada. Não sabemos o que fazer. Onde está Carlisle?
- Ele já está chegando, mãe.
- Bella, meu amor, acorde! Sei o quanto está sentindo dor, mas precisa ajudar nossa filha a nascer. – Pediu carinhosamente, beijando-lhe a testa.
- Edward... Meu pai... Eu vi meu pai... O bebê... – Bella começou a balbuciar palavras desconexas, despertando lentamente.
- Eu estou aqui, meu amor, fique calma. Não se preocupe, vamos te ajudar, mas precisa acordar e fazer força para o bebê nascer.
Vê-la daquela forma causava-lhe a maior dor que já tinha sentido. Queria por as mãos em Tanya e acabar com a infeliz num único golpe, e Edward sabia que tinha força suficiente para isso, mas naquele momento só o que interessava era a vida de Bella e a de sua filha.
Bella balançou a cabeça concordando.
Edward a pegou no colo em segundos depositou seu corpo sobre a cama de casal do quarto, no andar de cima, deixando-a mais confortável para o parto.
Edward pode enfim, um pouco mais relaxado, se inteirar do acontecido, captando os pensamentos de Esme, Tanya e dos vampiros presentes.
Foi neste momento que entendeu sobre o que Bella estava falando.
Virou-se estupefato para encarar Esme, procurando confirmação da sua inacreditável descoberta.
- São eles? Mas como? – Perguntou baixo o suficiente para o assunto ficar apenas entre ele e a mãe.
- Essa é uma longa história, Edward. Depois e eu Carlisle te explicamos melhor. – Esme respondeu no mesmo tom.
Sua curiosidade era grande, mas não maior do que a preocupação que sentia. Esse assunto teria de ficar pra depois.
- Edward, ela já está com dilatação total. Não dá para esperarmos Carlisle. Ela tem de começar a empurrar ou senão o bebê pode ficar sem oxigenação.
- Não deixe acontecer nada de mal com nossa filha, Edward. Eu consigo fazer força, eu consigo... – Bella murmurou, deixando lágrimas escorrerem de seus olhos.
- Vamos conseguir sim, amor. Você é uma guerreira. Vamos lá, então. Vamos deixar esse bebezinho vir ao mundo. Eu e Esme vamos te ajudar.
Edward assistiu Bella afastou as pernas, flexionando-as, esperando a próxima contração para empurrar. Seus gemidos de dor por aquele simples movimento mostraram a Edward a dimensão de seus machucados e o desconforto que estava sentindo. Foi nesse momento que Carlisle entrou no quarto, desesperado.
- Pai, ainda bem que chegou. Minha filha vai nascer e Bella está muito ferida!
O tempo que Carlisle levou para lavar as mãos no banheiro pouco foi percebido por Bella. Antes mesmo de piscar ele já estava novamente ao seu lado.
- Bella, querida, sei que está fraca, mas faça o melhor que puder. – Carlisle pediu.
Na terceira vez que Bella fez força um chorinho ecoou pelo quarto. Sem surpresa quanto ao sexo, a bebezinha de bochechas róseas e cabelinhos castanhos veio ao mundo colocando um sorriso no rosto dos pais e avós que admiravam, encantados, sua beleza e perfeição, mesmo tendo nascido duas semanas antes do previsto.
- Nossa filha, Bella! – Edward a colocou nos braços trêmulos e cansados da mãe, enquanto Carlisle terminava os procedimentos do parto. Estava emocionado e feliz como jamais imaginara sentir-se.
POV BELLA
Bella sentia ser corpo ser puxado para a escuridão, mas encontrou uma última gota de força para olhar demoradamente para o rostinho da filha. Contou cada dedinho das mãos e dos pés, certificando-se que todos os vinte estavam ali. Voltou seu olhar para os rostos que a encaravam, sentido dificuldade para enxergar. Lá estavam Edward, Esme, Carlisle, Emmett, Rosalie, seu pai e sua mãe, que a fitavam com ternura.
- Oh, meu Deus, como isso pode estar acontecendo?? – Bella começou a chorar desesperadamente, não contendo a emoção, embora não entendesse o significado do que via.
- Calma, Bella, calma. Não pode se emocionar assim. Preciso que descanse agora. – Pediu Carlisle. – Prometo que assim que acordar te contaremos tudo o que quer saber, mas, por favor, durma um pouco. Você está exausta. Cuidaremos do bebê enquanto repousa.
Bella fechou os olhos. Realmente estava exausta, física e emocionalmente.
- Prometem que não vão me deixar de novo? – Sussurrou, já quase dormindo.
- Não vamos a lugar nenhum, filha. Estaremos aqui quando acordar. – Renée falou pela primeira vez, se aproximando e segurando a mão da filha.
“Família feliz” foram as últimas palavras que Bella pensou conscientemente antes de tudo ficar escuro. Apertou com força a mão da mãe, como se quisesse ter certeza que não seria abandonada novamente.
Naquele momento em que acabava de se tornar mãe, Bella também voltava a ser filha... E as duas sensações eram maravilhosas. Havia duas crianças naquele quarto.
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