Além Do Bem E Do Mal

26 Capítulo Final - RITO DE PASSAGEM


Notas iniciais
Ufa, terminei!!! kkkk
Para aqueles que não acreditavam mais em minhas promessas, acabei de postar o último capítulo da fic. kkk
Nem sei como posso me desculpar com vcs por ter demorado tanto com essa história, mas espero que curtam o final da fic.
Beijão enorme pra vcs e obrigada, de coração, por terem tido a paciência de acompanhar "Além do Bem e do Mal".

CAPÍTULO FINAL – RITO DE PASSAGEM

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia... E, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”

(Fernando Pessoa)

POV EDWRD


Enquanto Bella descansava em um sono inquieto, nossa filha dormia aninhada em meus braços. Ela era a criaturinha mais doce, linda e perfeita do mundo. Tinha os olhos e a cor dos cabelos iguais aos da mãe, mas a boca e o formato do rosto eram parecidos comigo. Na verdade ela era uma mistura de nós dois. Uma mistura de nossas espécies. Era uma híbrida, como pode comprovar Carlisle, depois de minucioso exame. Seu coração batia encantadoramente em seu minúsculo tórax. Batia rápido e forte, extasiando-me com aquele som de vida. Embora fosse a coisinha mais minúscula que já tivesse estado em meus braços, tinha a força de um vampiro, alimentando-se de sangue animal na mamadeira dada Esme com a mesma sede e voracidade que nos era peculiar... A sede que não saciava nunca, muito embora fosse controlável. Aquele bebê, à duras penas (e dessa dor eu entendia bem), também seria uma vegetariana e meu sonho e votos era de que ela nunca fraquejasse e conhecesse o peso de carregar nas costas a morte de um ser humano, nem que fosse para sua própria sobrevivência.

Não sabíamos como seria seu desenvolvimento nem as peculiaridades de seus poderes e fragilidades, mas Carlisle já tinha se encarregado de continuar suas pesquisas iniciadas desde a gravidez de Bella. Já havia indícios de outro híbrido no Brasil e não demoraria até que conseguíssemos contatá-lo.

Estava ansioso para Bella acordar para que escolhêssemos o nome da nossa filha. Tínhamos decidido esperar seu nascimento para fazermos a escolha. Agora, admirando aquele rostinho angelical, nenhum nome à altura de sua beleza me vinha à mente. Contava com Bella para aquela difícil tarefa.


– Edward, dê-me a bebê e desça. Carlisle quer conversar com vocês sobre os pais de Bella. Acho que lhes devemos uma explicação.

Esme reavivou minha curiosidade, esquecida com o nascimento de minha filha. Eu ainda não tinha entendido o que tinha acontecido com Charlie e Renée e que cargas d’água eles faziam na nossa casa.

As últimas horas tinham tido tão surreais que a única coisa que fazia sentindo era aquele bebê lindo que estivera a pouco nos meus braços, e que, para minha infinita alegria, me chamaria de pai.

Quando cheguei à sala todos já estavam lá, menos Tanya e Eleaser, que conversavam no lado de fora da casa. Desviei minha atenção para não capitar seus pensamentos desagradáveis e amargos. Meu momento com ela ainda estava por vir e receava que não fosse muito amigável. Nossa relação com os Denalli provavelmente ficaria abalada depois que eu pusesse minhas mãos nela.

– Edward, Emmett e Rosalie, esperávamos que nenhum de vocês, incluindo Jasper, Alice e Bella, descobrisse a real situação de Charlie e Renée. O afastamento deles de nossa família fazia parte de nosso trato e esperávamos que fosse cumprido. – Carlisle mantinha sua calma e clareza de sempre, prendo a atenção de todos enquanto falava. – Também não posso julgá-los agora pelo que fizeram, terem salvado a filha da morte, pois faria o mesmo por qualquer um de vocês. Se Bella e sua filha estão bem e em segurança agora, Edward, você e nossa família devem isso aos dois.

– Obrigado! – Agradeci-os, ratificando o que meu pai tinha acabado de nos lembrar.

– Bella é tudo o que temos, não podíamos deixa-la morrer. – Renée se limitou a responder.

– Não se esqueça que gora temos também uma neta linda, Renée. – Vi Charlie sorrir pela primeira vez desde que todo aquele desespero começou.

Carlisle respeitou o momento de desabafo dos dois e só então continuou sua explanação.

– Naquele fatídico dia, há mais de vinte anos, nenhum de nós, inclusive eu, percebemos que Charlie e Renée estavam em processo de transformação. A substância que eles estavam tomando causou um retardamento na ação do veneno, dando-nos a impressão de que estavam mortos. Como devem se lembrar, assim que descaracterizamos a cena do crime e o aspecto das feridas dos dois, chamamos a polícia e abandonamos o local. Porém, para nossa segurança, me certifiquei que os corpos, já no necrotério, fossem examinados por pessoas de nossa confiança. E foi graças a esse cuidado que o pior não aconteceu. Assim que cheguei em casa, recebi um telefonema. Era do médico legista, contando-me da transformação que eles estavam sofrendo. Com ajuda de morfina ele conseguiu manter os corpos imobilizados para não chamar a atenção dos demais. Com muito esforço e cooperação de outros vampiros foi possível a troca por cadáveres humanos sem que nada fosse percebido. Resolvido a parte burocrática e a liberação dos corpos, que foram velados em caixões fechados, como Bella poderá confirmar, dediquei-me a Charlie e Renée, que já se encontravam em lugar seguro, terminando as suas transformações.

– Por que não ficamos sabendo de nada disso? – Emmett perguntou.

– Vocês já estavam muito traumatizados com toda aquela história e preferi não envolvê-los naquilo. Minha intenção era revelar a situação depois que tudo já tivesse resolvido, mas as coisas não saíram como o planejado...

– O que aconteceu? – Rosalie perguntou, curiosa.

– Não consegui convencê-los a aderirem à nossa dieta. Eles estavam muito revoltados com as consequências de seus atos impensados e se deixaram levar pela sede. Acabaram indo embora com uns nômades, conhecidos meus. Antes de partirem me pediram para acompanhar a vida de Bella, mas me fizeram prometer que nenhum de nós se aproximaria dela. Eles preferiam ver a filha em abrigos a ficar em nossa companhia. Fiz o que pediram, em parte, embora me cortasse o coração ver Bella vivendo naquelas instituições. Digo “em parte” porque sempre acompanhei a vida de Bella, ainda que de longe, como todos vocês da família sabem.

– Nós estávamos enganados. Só agora percebemos o quanto vocês fizeram bem à nossa filha. Ela sofreu muito por nossa causa. Teremos a eternidade para nos arrependermos e nos martirizarmos pelo que fizemos. – Charlie parecia realmente decepcionado consigo.

– Agora Bella faz parte da nossa família também, Charlie e Renée. Ela me deu a neta mais linda do mundo e nunca serei grata o bastante por esse presente. – Esme falou com seu jeito doce e maternal de sempre.

– Graças a Edward... – Rosalie comentou meio irônica.

– Rosalie, nos poupe de seus comentários desnecessários. Conhecemos sua opinião. – Edward retrucou secamente, engolindo sua irritação.

– Rose, eu também fiquei preocupado quando percebi o interesse de Edward por Bella, mais ou menos há dez anos. Eu o envolvi na vida dela quando pedia que ele se aproximasse do abrigo para ler seus pensamentos e assim sabermos se ela estava sendo bem cuidada. Ciente da minha culpa, conversei com ele e expliquei que aquele amor não tinha como dar certo, mas percebi que mesmo tentando se livrar daquela paixão, cada vez mais o sentimento dele por ela crescia. Aquele encontro na prisão tem jeito de ter sido coisa do destino. Foi o empurrão que faltava para meu filho se jogar de cabeça em sua paixão.

– Eu tentei resistir, Carlisle, mas foi mais forte do que eu. E, apesar de tudo o que aconteceu, eu não me arrependo de nado do que fiz. Bella me transformou no homem mais feliz do mundo e ainda me deu uma filha linda. O que eu poderia querer mais da minha eternidade?

– A felicidade de vocês também é a nossa felicidade, filho. Bella só nos trouxe alegrias. O que passou, passou.

– Bem, mas voltando à história, eu cumpri a promessa que fiz a eles e deixei a criança ser criada nos abrigos, como eles queriam. Eles também se mantiveram afastados, cumprindo a parte deles.

– Carlisle, como eu não vi isso? – Edward perguntou, intrigado.

– Se esqueceu de que assim que Jasper fugiu, depois do ataque, você e Alice passaram meses fora de casa, procurando-o? Alice estava tão concentrada em Jasper e na sua dor de tê-lo perdido, que se desligou completamente do resto do mundo, não prevendo nada do que fazíamos aqui em casa. Eu e Esme usamos esses meses de afastamento para sublimarmos aqueles pensamentos ruins e deixarmos o passado no passado. Por motivos óbvios somos bons em blindarmos nossas mentes de seus poderes, Edward. – Carlisle sorriu maliciosamente, deixando Edward um pouco sem graça.

– Eu faço o que posso para manter a privacidade de vocês, podem acreditar. Agora entendo como nunca soube dessa história de eles terem virado vampiros.

Carlisle olhou para Esme e sorriu com cumplicidade, depois continuou sua explicação.

– Eu cheguei a me preocupar com uma possível volta de Charlie e Renée quando Bella engravidou, mas achei que a notícia não chegaria tão longe.

– Na verdade, Carlisle, apesar de termos estado a maior parte do tempo na Europa, eu e Renée viemos várias vezes para os Estados Unidos. Não conseguíamos ficar muito tempo longe da nossa filha. – Charlie interveio. – Nós sempre nos aproximávamos dela, cuidando para não sermos vistos. Acompanhamos todo o início do relacionamento dela com Edward e, quando vimos a felicidade que seu filho devolveu à nossa filha, resolvemos não procura-lo para cobrar a promessa. Desde então estamos por perto, mas não tão perto para que notassem nossa presença.


POV BELLA


Bella abriu os olhos e percebeu que estava só. Escutou vozes na sala, embora nada conseguisse entender do que falavam.

Levantou-se com dificuldade. A ardência entre as pernas era suportável, mas incomodava bastante. Caminhou até a porta do quarto e girou a maçaneta. Queria ver Edward e a filha o mais rápido possível. Foi nesse momento que uma dor aguda a fez gritar, levando-a a se estatelar no chão, incapaz de se manter em pé.

Antes mesmo que os sete vampiros a alcançasse, entre eles Edward, apavorado, uma poça de sangue se formou entre suas pernas e tudo começou a escurecer.

– Edward, o útero dela deve ter se rompido! Precisamos levá-la para o hospital urgentemente! – Carlisle quase gritou, demonstrando toda a gravidade da circunstância.

Bella podia ouvir a balbúrdia ao seu redor, mas não tinha forças para falar. Via a vida se esvaindo no sangue que perdia. Sabia que estava morrendo, sentia sua energia vital se esgotando. As imagens do rostinho da filha vinham em sua mente. Não queria deixá-la órfã, sabia que precisava lutar, mas não havia nada que pudesse fazer, há menos que...

“Transforme-me, Edward!”, queria gritar, mas não conseguia. Num último esforço, abriu os olhos e encontrou os de Edward fitando-a, vidrados pelo choque de estar diante de sua morte iminente. Num piscar, tentou passar para ele sua vontade, esperando, desesperadamente, que ele tivesse entendido.

Naquele breve momento que seus olhos se encontraram, mil palavras foram ditas. Eles sabiam que só haveria uma forma de ambos serem um do outro por toda a eternidade. O assunto que nunca tinham conversado estava sendo decidido numa troca de olhares, mas com mais intensidade, verdade e urgência do que se tivesse sido analisado por anos.

– Pai, ela quer que a transformemos!

Um silêncio se fez no quarto.

– Essa é a única esperança de a salvarmos, Edward... Ou a condenarmos, não sei... – Carlisle concordou, ainda que cheio de receios.

– Ela quer, eu vi nos olhos dela! Eu não vou deixá-la morrer, pai!

Bella usou suas últimas energias para esboçar um sorriso... Um sorriso que selou seu destino.



POV EDWARD


– Quem vai fazer? – Edward ouviu esme perguntar, em choque.

Todos se entreolharam. Era uma tarefa difícil que poderia terminar em uma tragédia. Requereria muito autocontrole.

Era a existência da mulher de sua vida que estava em jogo. Era Bella quem estava morrendo, e isso o deixava em desespero.

– Eu faço! – Edward se prontificou, embora não se sentisse confiante. Experimentar o sangue humano depois de tantos anos de abstinência não seria uma tarefa fácil.

– Não, eu faço! Devo isso à minha filha. Eu tirei toda a alegria da vida dela por culpa da minha ambição. Eu a transformarei!

– Você não vai conseguir parar! – Emmett se opôs, preocupado com o fato de Charlie não se alimentar de sangue animal.

– É mais fácil para mim do que para vocês. Eu sei que posso! – O pai de Bella foi enfático.

– Pai, e você? – Edward também confiava mais em Carlisle do que em Charlie.

Antes que Carlisle se pronunciasse, Charlie implorou:

– Eu consigo, sei que consigo! Ela é minha filha, eu jamais a mataria. Você acabou de se tornar pai, Edward, deve entender que o amor de um pai pela filha é maior do que qualquer sede.

Edward olhou para o pequeno bebê que dormia inocentemente nos braços de Esme e percebeu o que Charlie quis dizer. Não havia força no mundo capaz de leva-lo a fazer algo que machucasse aquela criaturinha.

– Tem de ser agora, o coração dela está parando! – Carlisle alertou.

Charlie se sentou ao lado da filha, na cama, e se curvou até seus lábios alcançarem o pescoço pálido de Bella.

– Desculpe-me por mais essa dor que vou lhe causar, meu amor, mas dessa vez será para o seu próprio bem.

E sem rodeios deu-lhe um beijo cheio de culpa no pescoço, antecedendo a mordida que lhe salvaria a vida com a morte eterna.


POV BELLA

De início foi acolhedor e reconfortante. O beijo do pai abrandou seu desespero... Mas então veio a dor que seus dentes lhe causaram ao romper a pele e carne. O que Bella descobriu logo em seguida é que o pior estava por vir.

Algo começou a lhe queimar por dentro, como se larvas de vulcão corressem em suas veias. Era a dor da transformação.

Bella abriu a boca para gritar, mas parou repentinamente, decidida.

Não, não ia transformar aquele momento sublime num espetáculo de desespero e sofrimento. Não estava morrendo, muito pelo contrário, estava renascendo.

Aquele fogo que ardia em seu corpo era um rito de passagem. Era como se todo o sofrimento e tristes lembranças de sua vida estivessem virando cinzas.

Bella tinha sido forte a vida toda, e não era agora que se entregaria à dor. Era uma guerreira, e guerreiras não se curvavam diante do inimigo.

Descobrira que todas as pessoas de sua família eram vampiros. Se aquele tormento fosse o preço que tivesse de pagar para passar a eternidade com eles, entes que tanto amava, podia até dizer que era um preço justo.

Não gritou, não se contorceu, não se lamentou... Bella confraternizou-se com a dor como se fosse uma festa de despedida. Sua “velha amiga” merecia um adeus à altura.

O quanto seu martírio durou Bella jamais saberia dizer, pois o momento em que seus olhos se abriram e a profusão de cores, formas e cheiros invadiram seus sentidos, todo seu passado ficou para traz, envolto numa nuvem de esquecimento.

“Eu sou uma vampira!”


Os dias que se seguiram foram de descobertas e felicidade. Nem a sede insaciável tirou-lhe o encantamento pela nova vida.

Saber que os pais tinham aceitado encarar a dieta dos Cullen pelo bom convívio com a filha e a neta foi o que faltava para a alegria completa de Bella.

A seu pedido, Edward deu à Tanya o pior castigo que ela merecia: esfregou a felicidade deles na cara da vampira traiçoeira.

Edward não a agrediu fisicamente, mas seu desprezo foi um golpe fatal. Tão fatal que Tanya resolveu se afastar dos Denalli por uns tempos, não antes de assistir, escondida, o casamento de seu amado, sentindo dor maior do que a que causara à Bella.

À sombra das árvores do jardim, envoltos de milhares de flores brancas que compunham a decoração, Bella e Edward se casaram num fim de tarde.

A filha Renesmee, que carinhosamente fora batizada com a mistura dos nomes das avós, levou as alianças ao altar.

Bella beijou os lábios de Edward, olhou em volta e deixou lágrimas imaginárias correrem de seus olhos.

Felicidade existia sim...

Bella enfim era feliz!


FIM


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