Além Do Bem E Do Mal
24 Capítulo 24 - REVELANDO-SE
Notas iniciais
Brincadeiras à parte, eu voltei do mundo dos mortos, pois acredito que muitos de vcs acharam que eu tinha passado dessa pra melhor. kkkkkkkk
Tive um pequeno chilique com o que aconteceu com nossos queridos protagonistas (Robsten), mas já superei. Surto de velho é ridículo!!!
Também preciso avisar a alguns leitores(as) que no capítulo passado cometi um erro imperdoável: confundi o nome da Tanya com o da Irina. Não me perguntem como, porque não sei. Acho que foi a medicação que estava tomando, só pode...
Pois bem, já arrumei. Fica então entendido que quem voltou foi a TANYA, pois a Irina nunca fez parte dessa história. Ainda bem que uma leitora me avisou.
Espero que gostem, apesar de ser um capítulo curto e muito tenso. Vão se surpreender!!!
Beijão e obrigado para aqueles que ainda estiverem dispostos a seguir a fic, apesar do meu sumiço. Beijão tamanho do mundo pra tds vcs!!!!
CAPÍTULO 24 – REVELANDO-SE
"Todos usamos máscaras... E chega o tempo quando não conseguimos tirá-las sem remover nossa pele junto."
(Andre Berthiaume)
... Bella subiu as escadas em pânico. Não queria a companhia de Tanya, principalmente sem a presença de Edward na casa.
Entrou no quarto e fechou a porta. Sentia-se ameaçada. Sabia que a vampira era praticamente da família Cullen, mas algo nela não era confiável. Previa que algo ruim estava preste a acontecer, só não sabia o quê...
Bella passou o resto do dia trancada no quarto.
Tentou, em vão, ligar várias vezes para Edward, mas, como já era de se esperar, seu celular estava “fora de área”. Naquele momento tudo o que queria eram os braços protetores dele e seu olhar terno que sempre parecia dizer que tudo terminaria bem.
Afagou sua barriga, pressentindo, sem saber explicar o motivo, que seu bebê não estava seguro com aquela vampira na casa.
Já tinha ouvido falar desse sentimento materno que avisava quando os filhos estavam em perigo, mas não imaginava que fosse tão forte.
Lembrou-se da mãe a escondendo no armário, naquela dia fatídico. Agora sabia dimensionar o desespero que havia lhe acometido naquela hora.
– Vai ficar tudo bem, meu amor. A mamãe está aqui e o papai logo vai chegar. – Falou carinhosamente com a enorme protuberância que se projetava do seu corpo.
Ela e Edward tinham criado o costume de conversar com a filha. Confiando em Alice, já se referiam ao bebê como menina. Não tinha nada mais fofo para Bella do que ouvir o pai cantar cantigas de ninar para a filha. Às vezes a música embalava seu próprio sono, levando-a a dormir também quando os movimentos do feto sessavam ao som daquela voz doce e envolvente.
Só se rendeu ao cansaço depois de muita briga com o travesseiro e o cobertor. Nenhuma posição estava boa. Aquela cama estava imensa sem seu homem deitado ao seu lado.
Acordou com o barulho incessante de um celular tocando. Praticamente pulou da cama, acreditando que era Edward quem ligava. O relógio marcava três da manhã. Em se tratando de vampiros, não fazia muita diferença ser noite, dia ou madrugada.
Ainda com a dor do movimento brusco que fez ao se levantar, acendeu a luz e foi até sua bolsa, mas seu telefone não estava lá.
“Onde coloquei essa droga celular, meu Deus?” – Esbravejou.
Foi então que Bella percebeu que o som estava muito distante. O toque parecia vir da sala.
– ESME, ATENDE, DEVE SER CARLISLE OU EDWARD! – Saiu do quarto gritando, torcendo para que eles não desistissem de falar com elas.
Seu corpo gelou quando encontrou Tanya sentada no sofá, observando o celular de Esme tocando em suas mãos com um sorriso estranho no rosto.
– Onde está Esme? Por que não atende o celular de... dela? – Bella perguntou baixo, sentindo a voz falhar. Tinha reconhecido o Iphone pela capa.
– Esme foi passear com uns amigos meus e esqueceu de levá-lo. Não vou atender porque sei o que Alice quer. Essa vidente dos infernos pensa que pode atrapalhar meus planos. Até ela conseguir atravessar o oceano que nos separa eu já terei feito o que quero.
Não tinha uma única palavra daquelas que acabara de ouvir que fizessem sentido para Bella. Só uma coisa era certa: havia demasiada hostilidade no comportamento daquela assustadora vampira.
– Esme foi passear? Nessa hora? – Bella sabia que suas pernas trêmulas não a segurariam por nem mais um segundo, por isso se apoiou na parede, torcendo para não desabar. Era óbvio que algo muito diabólico estava nos “planos” citados por Tanya.
O que será que Alice tinha visto em suas visões? Por que ligaria para avisar Esme? Por que Esme sairia numa hora daquelas, sem o marido?
Algo muito ruim estava acontecendo, Bella podia sentir.
– Ela não queria ir, mas eu a convenci. Sou muito convincente quando quero. – Tanya deu uma risada assustadora, deixando Bella mais em pânico ainda.
Quantas portas seriam necessárias para protegê-la daquela psicopata, Bella não sabia, mas no momento a do seu quarto já seria um bom começo.
– Vou voltar para meu...
Bella não teve tempo de terminar o que falava. Seu braço foi puxado com toda força pela vampira.
– Não vai não, queridinha! Vamos dar uma voltinha. Quem sabe encontramos sua sogrinha do coração no caminho.
A única reação de Bella foi abraçar a barriga com o braço que ainda estava livre. Sabia que não tinha força suficiente para proteger-se, nem a seu bebê, da fúria e maldade de Tanya, mas morreria tentando. Ninguém faria mal à sua filha sem que tivesse de matá-la antes.
– Aonde vamos? Por que quer que eu a acompanhe?
– Porque gosto deste tapete...
Somente o vento gelado e cortante da madrugada fez com que a última frase da vampira parasse de ecoar na cabeça de Bella.
Enquanto seguia Tanya, trôpega e desesperada, Bella começava a reconhecer as sensações que lhe invadiam. Dor, medo, solidão, tristeza, desesperança... Nada lhe causava estranheza. Conhecia como ninguém aquelas velhas companhias.
Estava de volta à sua vida normal. Este era seu mundo!
Edward tinha lhe mostrado o que era felicidade. Chegara a creditar que seu destino tinha mudado, mas estava enganada...
Tanya parou quando o bosque começou a ficar mais fechado. A única luz que havia era a da lua. Luz suficiente para fazer Bella enxergar onde pisava.
– Edward vai saber o que fez comigo. Ele vai ler em sua mente assim que se encontrarem. De que vai adiantar me matar, Tanya? Ele nunca te perdoará por acabar com a vida da filha dele. – Bella usou um tom calmo para falar, esforçando-se para fingir uma calma que não sentia. Não queria despertar mais ainda a ira de seu algoz.
– Eu agora terei o ódio dele... E já será mais do sempre tive. –Por um breve momento Bella conseguiu vislumbrar a fragilidade de uma mulher que sofria por amor dentro daquele corpo frio de pedra que se encontrava à sua frente.
– Ele vai te matar.
– Eu sei. Não me importo, já vivi muito.
Os olhos dourados da vampira fitaram os de Bella, fazendo um tremor acusar vida em seu corpo quase totalmente paralisado pelo medo. O monstro frio estava de volta.
– Se eu não posso tê-lo, você também não o terá! Se eu nunca serei feliz, ele também não será!
Clamar por sua vida seria em vão, pensou Bella. Tanya parecia estar convicta do que fazia. Aquele plano tinha sido traçado com requintes de detalhes.
– Se você o ama tanto, por que está desistindo de lutar por ele? A minha vida durará muito pouco perto da existência de vocês. Você poderia ficar com ele quando eu morresse.
– Restos... Só me sobraria restos. Não vou me contentar em ficar juntando os pedaços de Edward quando você se for. Ainda não entendeu que ele morrerá junto com você? Sabe tão pouco de amor para não perceber isso? Mas é claro, você é uma mera humana insensível. Não merece ser amada por um vampiro. Nunca entenderá o que é o amor de Edward. Não faz ideia do que ele é capaz de fazer por essa paixão...
– Eu não sabia que você gostava dele. Me desculpe. – Não era uma cena de humilhação para enaltecer o inimigo, Bella realmente se sentiu como se tivesse adentrado num mundo que não era seu. Estava pagando caro por isso.
– Quando você apareceu na vida de Edward eu não me importei. Achei que sairia correndo assim que soubesse que não passava de uma travessa cheia do prato preferido dele. Mas não, você tinha de ser diferente. A humana excêntrica tinha de achar tudo normal: “Namorar um vampiro? O quê que tem? Ele gosta de sangue? O quê que tem?” – A impressão de Bella era que Tanya falava para as árvores e não para ela.
– Edward é diferente. Ela não é um monstro. Ele é um homem como outro qualquer.
– Como um outro qualquer? Está comparando Edward com esses humaninhos que já passaram por sua cama? – Tanya se exaltou, ofendida com suas palavras mal escolhidas. Bella percebeu que não havia se expressado bem. Tinha tentado mostrar que para ela Edward não era um vampiro, era apenas um homem.
– Monstro é você, sua dissimulada! Quando eu achei que o caso de vocês estava definitivamente extinguido quando descobriu que seus pais tinham sido a “merenda” do faminto Jasper, você me aparece esperando um filho de Edward e o perdoa. Realmente você superou minhas expectativas. Eu a subestimei. Você é muita boa no que faz. Enfiou as garras no meu homem sem piedade.
– Eu não fiz de propósito. Engravidei porque Edward disse que era estéril. Por isso não me precavi. Não foi nada calculado. – Bella sabia que não adiantava muito, mas ainda assim tentava se justificar para ver se tirava daquele coração de pedra uma gota que fosse de humanidade.
– Olha para essa barriga ridícula! Acha mesmo que conseguirá parir um vampiro? Não sabe no que se meteu, sua mortal irresponsável!
– Eu sei que posso. Meu amor por esse bebê me dará forças para suportar qualquer sacrifício para lhe dar a vida.
– Oh, que dramático! A humana que doa a própria vida pela de um vampirinho! Edward choraria ao ouvir isso, se pudesse, se não fosse seco por dentro! Estou comovida!
O riso falso em seu rosto se transformou rapidamente em ódio. Bella engoliu seco. Sua hora se aproximava.
– Não vai haver parto nem filho, sua idiota!
Bella só sentiu o golpe quando bateu no tronco de uma árvore, uns dez metros para traz de onde estava. Suas costas amorteceram o baque, mas foi seu ventre que começou a doer desesperadamente.
Seu corpo se curvou com a dor. Parecia que algo a rasgava de dentro para fora.
– Oh, Deus, meu bebê...
Não era preciso pensar muito para saber que algo muito sério estava acontecendo com seu corpo. Estava entrando em trabalho de parto.
Bella levou as duas mãos entre as pernas como se quisesse segurar a dor, tentando evitar que ela se propagasse para o resto de seus órgãos. Para seu espanto suas mãos ficaram ensanguentadas.
Entrou em pânico.
– Me ajude, mi... minha filha está nas... nascendo. – Clamou com o fio de voz que lhe restava. Não era hora dela nascer ainda. Bella sabia que faltavam algumas semanas para que o bebê estivesse completamente formado.
– VOCÊ JÁ ME TIROU MEU HOMEM, NÃO VAI TIRAR MEU CONTROLE TAMBÉM, SUA VADIA! – O grito veio junto com o segundo e derradeiro golpe.
Parecia que tudo acontecia em câmara lenta. Bella conseguia perceber cada milésimo de segundo que se passava. Seu corpo voava em direção à outra árvore como se não houvesse gravidade. Seus olhos, já acostumados com a escuridão, processaram até as folhas secas que forravam o lugar onde finalmente pousou, chocando-se abruptamente contra o chão.
Em posição fetal, assim como o ser que tentava proteger em seu ventre, Bella viu a morte chegando. O sangue agora se esvaía por vários lugares de seu corpo, ferido na queda. O ar foi ficando cada vez mais difícil de ser puxado para seus pulmões. A dor tinha sido substituída por um entorpecimento. Apenas a pressão entre as pernas ainda persistia.
– Edward, nosso bebê... Eu te amo.
Bella já não sabia se tinha pensado ou falado aquilo. Tudo começava a ficar confuso e distante. Um sono incontrolável fazia suas pálpebras se fecharem. Era o fim. Suas forças findavam.
Tentou se lembrar do rosto de Edward. Queria que esta fosse sua última lembrança. Queria morrer sorrindo para que ele soubesse que tinha partido com ele em seus pensamentos... Mas tudo o que viu foi o rosto de seus pais. Lá estavam eles, jovens como em seu último dia de vida. Os mesmos sorrisos, os mesmos cabelos, os mesmos olha... Não, não eram os mesmos olhares.
Por que meus pais estão com os olhos vermelhos?
Este foi o último momento de lucidez de Bella.
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