Always Comeback

3 Well, i’ve been saved


Notas iniciais
Então rangers, desculpem o atraso, mas o que aconteceu foi: eu fiquei sem internet, psé, momentos obscuros, mas estou de volta agora agora aos avisos do cap: a música desse cap é trouble de Ray LaMontagne ~inclusive eu recomendo, essa música é mt boa eu até já baixei e tal~ e pela primeira vez since always, eu peguei o sentindo geral da música ao invés de interpretar os trechos como eu queria AEHO PALMAS P MIM esse cap é vai ser bem nos feelings e vc s vão entender pq, ele tá bem tristezinho, mas o final é bem cute won won

Mais uma vez.

Tinha acontecido novamente. Aquela deveria ser a quinta ou sexta vez e Nicholas ainda não havia se acostumado com aquilo.

Seu corpo agora aparentava uma fragilidade superior ao natural enquanto ele mancava

(um passo depois outro, um... um... não)

Nicholas se deixou cair, um pouco mais de cada vez até estar totalmente sentado, com as costas apoiadas na parede e algumas lágrimas presas entre os olhos que o frágil orgulho partido não lhe permitia liberar, nem mesmo agora.

Nem mesmo longe deles

(nunca longe o suficiente)

ele se permitia demonstrar o quão machucado estava, e não estava falando de seu deplorável estado físico, porque este já expunha bastante bem o estrago. Era o emocional, a pequena linha que o ligava a parte saudável, a feliz estabilidade da vida, estava se partindo, um pouco mais de cada vez, como ele tinha feito momentos antes, desabando no chão. Estava cada vez mais próximo da loucura.

Era assustador. Não ter onde se agarrar, onde se manter firme quando o chão tremula e seus passos vacilam. Nicholas queria se render e queria lutar, os sentimentos conflitantes brigando pela atenção do garoto deixando-o confuso e mais dolorido.

Olhou para baixo vendo, então, o estado precário ao qual se encontrava, sapatos sujos, marcas na pele, roupas amassadas e sujas. Arregalou os olhos. Gotículas vermelhas pintavam a blusa branca de botões que usava, o sangue pegajoso que havia escorrido pelo rosto depois... daquilo.

Sentiu horror de si mesmo, seu sangue manchava a bela camisa que usava, o sangue feio, sujo, vulgar. Não podia permitir isso. Deveria voltar lá e bater em cada um deles de volta, retribuir cada golpe que recebeu calado e submisso. Mas não o faria. Ele era pequeno, frágil, sem forças, quebraria no primeiro golpe, porque mais dor havia em bater, era um ato vergonhoso, o revidar, atentar contra uma pessoa, ele não poderia.

(mas que deveria, ah, se deveria)

Tantas coisas passavam por sua mente e, de repente, nada. O céu era visível e apresentava um tom bonito de azul claro, poucas nuvens se espalhavam pelo plano azulado e Nicholas se lembrou de quando era criança – tempos bons, quando podia correr e cair e sangrar sem sentir horror da própria pele – e observava as nuvens, tentando atribuir formas e falava ao seu papai, elas são de algodão doce.

Algo líquido escorreu por seu rosto e Nicholas gritou, assustando um homem que passava do outro lado da rua, parecia apressado e absorto, andando rápido ao que sacudia a pasta marrom no mesmo ritmo das passadas. Olhou na direção do som – um som agudo e sofrido – e viu o garoto sentado no chão, com sangue seco no rosto e nas roupas, ele chorava e os soluços eram de uma intensidade que assustava, ele quis chorar também.

Olhou para um lado da rua e depois para o outro, observando, com uma prudência calma, se vinha algum carro seguindo nessa direção. Não vinha. O homem chegou a esticar o pé direito, pronto para atravessar, mas então a pasta marrom pesou em sua mão, ele olhou o relógio prateado que estava preso no pulso e constatou: não tinha tempo.

O garoto estava perto de uma escola, seria fácil e rápido alguém achá-lo e ajudá-lo, simples até, não tinha que ser especificamente ele. Então virou o corpo para frente e continuou a seguir o caminho anterior, rumo à audiência.

Nicholas não percebeu nada daquilo, ele olhava seus dedos manchados de um vermelho desbotado, quase rosa. A cor que as lágrimas adquiriam enquanto escorria pelo rosto pintado de um vermelho tão escarlate que chegava a parecer vivo.

Ele sentiu sua garganta fechar, pontos brilhantes dançarem sobre seus olhos, a cabeça rodando e a consciência se esvaindo. Onde estava, afinal? O sol parecia brilhar demais e tudo era estranho. Era como se algo tivesse, enfim, quebrado dentro de Nicholas, ele sempre esteve com defeito, nunca poderia funcionar bem e agora estava quebrado de vez, sem conserto, sem esperança, sem fim, só o grande vazio que o aguardava por anos, anos...

Sentiu um toque sobre sua pele machucada, mas não viu quem era o responsável, ele não conseguia perceber se estava com os olhos abertos ou fechados, sequer saberia distinguir se o toque era real ou uma ilusão criada por sua mente doente e solitária.

Sua consciência ia e vinha, tremelicando como um barco em alto mar, antes de perceber a realidade ele estava novamente imerso nas fantasias. Um cheiro lhe cercava, era bom e o lembrava de coisas felizes, como as tardes de domingo na casa de sua avó com torta de maçã, quando tinha apenas sete anos.

Nicholas abriu os olhos rápido, subitamente bastante consciente de tudo: a cama em que se sentava, as paredes azul claro com imagens abstratas em branco (como o céu da infância elas são feitas de algodão doce) e o homem que o encarava.

Ele era alto, com um corpo forte e inspirava confiança e sucesso, uma pessoa que poderia conseguir o que quisesse porque tinha os requisitos necessários para galgar o caminho até seu objetivo. Os olhos castanhos eram doces como mel e carregavam um brilho intenso de preocupação enquanto olhava para o garoto.

Nicholas estava limpo agora, com roupas novas e folgadas em seu corpo. Mas o que Nicholas não conseguia mesmo parar de olhar eram as pequenas margaridas na mão do homem, deixando-o com uma aparência em um perfeito equilíbrio entre a masculinidade e a delicadeza.

— Você está bem? — ele perguntou, e sua voz era tão bonita quanto os pássaros cantando na primavera. Gold tentou responder e acabou por balbuciar algo incoerente. O homem sorriu sincero e esticou as flores para Nicholas, que as segurou entre as mãos, atônito.

E pela primeira vez, Nicholas acordou com o cheiro das flores.

Well, i’ve been saved by a men

He won’t let me go

Notas finais
eu sei q isso nn tá explícito no cap, mas Lloydé teacher da escola citada no cap, e ah, claro que a música é she onde tem he, mas nn custa adaptar né hauah ah sim, e como vocês sabem, eu decidi fazer um cap extra, ele vai ser tipo um epílogo e tem duas músicas, esse cap provavelmente vai sair na semana q vem, no tempo combinado e tudo o mais (dessa vez eu acho q sai hauhau)