Always Comeback
4 Du gehörst mir
Notas iniciais
Era um dia importante. O mais importante de todos.
Lloyd estava nervoso, ele sentia as gotículas de suor se formar em sua testa e as mãos tremelicavam levemente. Era um grande passo, o que estava prestes a dar. Na verdade “um grande passo” não fazia jus à magnitude da situação. Era um salto no escuro e ele poderia cair direto no precipício. Ainda não entendia muito bem porque estava tão disposto a se arrisca daquela forma.
Tocou a caixinha que levava no bolso sentindo o veludo tocar macio em seus dedos. O gesto, que deveria tranquilizá-lo, o apavorou ainda mais; suas mãos começaram a tremer com maior intensidade e as sacudidelas pareciam se espalhar por seu corpo, ele não conseguia ficar de pé, parado.
Nicholas não descia as escadas, sua arrumação parecia longe de acabar. Lloyd disse que o levaria em um lugar especial, agora o garoto estava se embelezando como uma noiva prestes a subir ao altar.
Noiva. A palavra enviou um arrepio por sua espinha e ele não soube como reagir a isso. Apertou mais a caixinha entre os dedos longos e começou a andar de um lado para o outro, para o outro e para o lado e tudo de novo, e então...
— Porra! — exclamou.
No furor do momento, Lloyd não havia percebido a mesinha de centro e bateu com tudo nela, amaldiçoando a falta de atenção e o nervosismo.
A voz melodiosa de Gold ecoou em seus ouvidos, soava preocupada enquanto perguntava-o se estava tudo bem, ele gritou uma confirmação (sim querido tudo bem) e voltou a andar pela sala, dessa vez com um pouco mais de atenção.
Lloyd continuava um covarde quando o assunto era amor, e momentos como esse lhe confirmavam isso com extrema eficácia. Suas preocupações, seus anseios, todos o tomavam agora, exigindo o controle sobre seu corpo sem que ele tivesse a chance de protestar.
Um covarde, de fato, mas o covarde de Nicholas Gold – definitivamente dele, se tudo corresse como o planejado – e se ser covarde era assim, Lloyd definitivamente apreciava.
Mas isso não diminuía seus medos, que agora o rondavam como um animal à espreita, esperando o momento certo de atacá-lo para, então, admirar sua queda. O grande Lloyd Galegher, o audacioso, conquistador, o orgulhoso, caindo aos pés da criança e implorando para que lhe desse uma direção na vida, a direção em que a vida deles se cruzavam, se enlaçavam e nunca mais se separavam, de preferência.
Tocou a caixinha de novo, sentindo os dedos doerem de tão apertado que a tinha na mão. De repente ele se viu abandonado, sem Nicholas, e seu equilíbrio vacilou por um segundo, caindo sentado no sofá.
— Tem certeza que está tudo bem?
Era a voz dele. E tudo era calmaria e amor de novo. Olhou para o garoto que descia as escadas em passos lentos, seu rosto estava tomado por uma expressão docemente preocupada, o incitando a falar. Os medos se foram, a incerteza e os anseios também. Tudo era Nicholas Gold, em cada pedacinho de Lloyd, da vida de Lloyd, do amor de Lloyd.
Ele assentiu, com uma expressão boba no rosto e um brilho apaixonado nos olhos castanhos, daqueles típicos dos eternos namorados, como eles sempre seriam.
Nicholas estava lindo. As mãos pequenas deslizando pelo corrimão enquanto descia as escadas devagar. Uma camisa preta um pouco folgada que cobria o tórax magro combinava com a calça jeans que Nicholas tanto gostava.
Aquela calça jeans, a que Lloyd adorava e detestava. Lembrava-se perfeitamente da última vez que brigaram por culpa do ciúme; seu desejo de possessão para com Gold o deixava cego para as boas maneiras e delicadeza, ele acabou se descontrolando com Nicholas quando viu um homem olhar com desejo para o garoto. O seu garoto. Terminou Lloyd o arrastando para casa pelo braço e o mandando tirar a maldita calça que deixava suas coxas tão delineadas e sua bunda arrebitada mais marcada do que era saudável.
Foram exatos quatro dias se desculpando (com flores brancas, vermelhas, azuis e amarelas) para Nicholas, enfim (enfim, Deus, achei que ele não me desculparia) perdoá-lo, sob a promessa de algo como aquilo nunca mais se repetir.
Era um teste, claro que sim. Nicholas era inocente, mas não era bobo, e Lloyd iria se comportar.
(ah, se ia)
— Está perfeito, pequeno.
Nicholas abriu um sorriso enorme, do tipo que fazia os olhos quase se fecharem e ruguinhas pequenas aparecerem. Lloyd sentiu que tudo valia a pena – até deixar seu garoto sair naqueles trajes – só para ter essa visão.
Gold esticou a mão e Galegher a segurou, conduzindo-o até a saída como se conduz uma dama. Andaram ao ritmo de conversas amenas e risos soltos. Lloyd tentava disfarçar seu nervosismo de forma quase desesperada (por tudo que é mais sagrado ele não pode descobrir agora) enquanto sorria fraco e dizia que, sim, está tudo bem, não precisa se preocupar, e Nicholas fingia concordância apenas porque estava um clima bom e não queria ser ele a pôr a perder.
Quando chegaram ao destino, viu os olhos de Gold brilhar. A roda gigante e o carrossel piscavam em luzes coloridas com a decoração de natal, luzes que se refletiam nas íris castanhas do moreno dando-lhe um ar ainda mais infantil. Lloyd sorriu, verdadeiramente feliz. Deixou o garoto escolher o brinquedo que quisesse – ele até concordou em andar no carrossel com Nicholas, afinal, o que não se faz por amor, nenhum outro sentimento é capaz de conseguir.
Era tudo pelo sorriso de Nicholas.
Já haviam passado pelo carrossel, pela barca e pelo bate-bate, e Lloyd sentiu que era a hora, não adiantava adiar, atrasar, deixar para lá. Ele queria fazê-lo, e precisava assumir a responsabilidade de tê-lo, verdadeiramente, inteiramente, oficialmente. Medo nenhum poderia impedir.
Segurou a mão direita de Gold entre as suas, sentindo a diferença de tamanho entre elas e a maciez da pele de Nicholas. Levou-o até a roda gigante e se sentaram, esperando o momento da subida.
A vista era bonita de lá, ninguém podia negar. E havia certo conforto e cumplicidade no silencio que eles compartilhavam, na paisagem que ambos admiravam, para então passarem a admirar os olhos um do outro.
Lloyd tocou o rosto de Nicholas – a pele macia, delicada, suave – e isso lhe transmitiu conforto e coragem.
(coragem homem, vai lá e faz)
Ele tirou a caixinha do bolso, abrindo-a e expondo o anel – pequeno, delicado e bonito, como Nicholas. Havia preparado todo um discurso para esse momento, mas no fim só conseguiu balbucia um fraco “eu te amo” e estender o anel até o garoto, rezando (Deus, ele precisa aceitar) por uma resposta positiva.
Nicholas também perdeu a fala. Com os olhos ainda arregalados e com indícios de lágrimas, ele apenas balançou a cabeça para cima e para baixo, repetidas vezes até se convencer de que, sim, aquele momento era real.
Lloyd o beijou esquecendo, por uns segundos, do anel. Mordiscou os lábios de Gold uma vez ao finalizar o beijo encaixando o objeto no dedo fino e pequeno do garoto, onde sempre deveria estar.
Sentiu uma vontade louca de consumar aquele ato, levando Nicholas para casa, para a cama, para ele, para sempre com ele.
Assim que a roda gigante parou ao nível do chão, ele prendeu a mão de Nicholas entre a sua e iniciou uma corrida com ele ao seu lado, e isso parecia como uma pequena previsão para o futuro; Nicholas sempre estaria ao seu lado, ele sabia que sim.
(sim, que palavrinha linda)
Chegaram à porta do apartamento deles e, assim que Gold fechou a porta, Lloyd o prendeu em seus braços pela cintura fina e iniciou um beijo. Seguiram aos gemidos e tropeços até o quarto, enquanto peças de roupas eram largadas pelo caminho.
Nicholas sentou-se na cama esperando Lloyd retirar a calça e a cueca e, por fim, se juntar a ele. Galegher aproveitou para observá-lo.
A expressão inteira de Nicholas era inocência, mas em seus olhos faiscava um brilho luxurioso, um pedido mudo para ser dominado por Lloyd, o pênis desnudo do garoto pulsava em um ritmo frenético e apaixonado, e isso enlouqueceu Galegher por completo.
Ele deitou o garoto (o seu garoto) sobre a cama e o permitiu o prazer, ficando duro e mais duro dentro de Nicholas, e aquele era o melhor lugar para se estar, acolhido entre as pernas e lábios molhados, marcando-o como seu um pouco mais a cada estocada, cheirando a inocência e a delicadeza de Nicholas, assim como seu desejo e sua luxuria, e provando dela em sua língua, em seus dedos, em sua pele.
E então veio a consumação. O prazer em sua forma mais pura e bonita. O gozo e a prova do amor, da paixão, da cumplicidade entre Gold e Galegher.
Gold. Galegher. No fim, os sobrenomes não importavam, eram um só.
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