Always At Your Side

21 Preparativos para o casamento


Notas iniciais
Espero que gostem...
Obrigada pelos comentários...
Talvez eu ainda poste o próximo hoje... Vai ser meio tenso e nele A sogrinha maldita aparece...
Bjuss
Boa leitura...

(N/a: Dedicado a “Bonnieandjeremy” que pediu a sogrinha dos infernos)

Bonnie já estava praticamente tendo um infarto. O salão que havia escolhido para comemorar a festa do seu casamento, por mais lindo que fosse, parecia ter perdido todo o brilho por causa de sua sogra, Miranda. A mulher, franzina e muito apegada a Jeremy, parecia ter perdido o controle ao tentar desafiar a sua futura nora em todas as escolhas que ela havia feito. As cores das flores haviam mudado assim como as cores dos vestidos das damas de honra. As bochechas do rosto redondo de Bonnie já fumegavam de ódio quando Miranda resolvera meter o bedelho na escolha do seu vestido de noiva.

A decoradora lhe dava toques enquanto a mulher caminhava de um lado para o outro, alterando os pedidos que Jeremy e ela haviam feito. Por vezes, os olhares do casal se encontravam, mas ambos sabiam que era completamente impossível tentar conter a senhora que parecia realmente distraída com as vidraças que ela julgou completamente imundas. Não dera cinco segundos para notar que pelo menos dois faxineiros já se empenhavam para deixar os vidros protegidos com grossas cortinas brilhando como um cristal.

As alfinetadas também pareciam constantes. Bonnie berrava e batia na mão das costureiras de tamanha que era sua impaciência. Prometeu acertar vários socos na cara de Jeremy quando estivessem sozinhos para fazê-lo aprender a lição de que sogras não são nada dignas de se meterem em assuntos de casamento. Ela bufava toda vez que Miranda abria a boca e contava as horas para que aquela tortura emocional e psicológica acabasse logo.

Completamente sem saída, ela fez Jeremy ligar para os padrinhos do casal a fim de amenizar o clima. Como sabia que Elena e Damon trabalhavam só lhe restou Stefan e Lexi que prometeram chegar o mais rápido possível. Queria se livrar daquele clima pesado antes que rasgasse o tecido fino do seu futuro vestido de noiva escolhido a dedo junto com sua mãe.

Ela respirava com dificuldade quando ouvira batidas na porta. As costureiras se afastaram assim como a estilista. Bonnie caminhou a passos rápidos em direção à porta ansiando que fosse Lexi com um largo sorriso à espera do encontro. Ao abri-la, decepcionou-se ao ver Miranda, largando mais um das dezenas de vasos que ela fizera questão de retirar do lugar por não gostar nada da cor vermelha que, como ela mesma dizia, lembrava pecado.

Como se Jeremy e ela nunca tivessem pecado antes, pensou ela no momento em que ela criticava o tapete vermelho que daria para a entrada dos convidados. Bonnie sentira, naquele momento, um ímpeto muito grande de voar na garganta dela.

– Já disse que não quero rosas vermelhas, Bonnie. Por que insiste em colocá-las de volta nos arranjos?

Bonnie respirou fundo. Era uma pena que Jeremy não pudesse entrar, pois era contra as regras do casamento. Já bastava ter Miranda como maré de azar. Não era preciso mais que isso.

– Senhora eu já lhe disse. Essas flores fazem parte da decoração do salão. No dia do casamento, serão outras. — Bonnie tentou ser o mais paciente possível. Já estava sentindo o cansaço tomar conta de seus ombros.

– Mas eu não gosto. Vermelho é...

– A cor do pecado.

Bonnie revirou os olhos e voltou ao centro da pequena sala em que fazia os últimos reajustes do vestido. Intimamente, não via a hora de ele ficar pronto para se exibir por toda a Igreja, inclusive, para a mãe de Jeremy.

Ela sempre teve a impressão de que MIranda a desprezava. No jantar familiar, Bonnie teve que tomar um pouco mais da dose permitida de álcool para cair no sono e não presenciar mais nada. Sua mãe acabou entrando em uma discussão grave com a mãe de Jeremy referente aos padrinhos — Miranda preferia Tyler ou Matt a ter Stefan, pois eles pareciam puros e santificados. Stefan era o que ela considerava o verdadeiro pedaço-de-mau-caminho.

– Quais foram as cores que você decidiu, Bonnie?

Era a milésima vez que ela perguntava aquilo. Olhou para o teto pedindo misericórdia. Queria que aquele pesadelo em forma de gente se dispersasse.

– Eu ainda não as escolhi, mas com certeza gostaria que fossem rosas... — ela parou de falar, ao ver Miranda altear uma sobrancelha. -... Amarelas ou rosa claras. Também pensei em girassóis ou tulipas.

– Não vejo graça em girassóis. Fique com as tulipas.

– Vou pensar no caso. — Miranda avançou até onde Bonnie estava. Lentamente, esticou a mão trêmula em direção ao tecido do vestido e ficou deslumbrada. — De onde vem essa raridade?

– Paris

Miranda colocou a mão no coração completamente estupefata. Sua família era de origem humilde e não haviam grandes dotes financeiros. Parou por um momento ao imaginar o que seria de Jeremy no meio de toda aquela gente fina.

– Quem comprou?

– Minha mãe!

– Poderia ser um tecido qualquer, não acha? — Miranda estava com sua atenção presa nas mãos das costureiras. Nem notara o olhar fulminante de Bonnie em sua direção.

Com estrondo, ela desceu do pequeno palco que a deixava mais esguia diante das mulheres que trabalhavam ao seu redor.

– Senhora, vamos fazer o seguinte? — Bonnie tremia dos pés a cabeça. Seu limite havia estourado. — Das coisas do casamento cuido eu. Flores, lista de convidados, inclusive, meu vestido. No dia do casamento, eu deixo uma atividade para a senhora. — ela fez uma pausa, pensativa. — Não seria nada mal ter alguém para ajudar a desembrulhar os presentes. Assim a senhora analisa se é simples ou não.

Tanto a estilista quanto as costureiras se afastaram de Bonnie. Ela estava vermelha e com um súbito aceno de mão, arrancou o tecido que vestia ficando apenas com as vestes íntimas à mostra, fazendo Miranda ficar horrorizada.

– Eu não sei o que meu filho viu em você! — resmungou ela, com uma expressão de choque estampada na face. Por mais que Jeremy dissesse que Bonnie era a mulher de sua vida, as dúvidas não pareciam deixá-la em paz.

– Senhora, entenda uma coisa...

Ela terminou de se vestir antes de finalizar a frase. Estava muito nervosa, mal conseguindo ordenar seus pensamentos. Não era de hoje que Miranda demonstrava não ir a favor do casamento. Isso de alguma maneira a deixava enfurecida e ao mesmo tempo muito chateada. Não queria pensar em adiar a data ou ter que casar escondido. Queria que tudo fosse perfeito, pois em seu íntimo, uma cerimônia com todas as pessoas que Jeremy e ela amavam era mais do que necessária.

Era mais que preciso. Ambos sabiam que nada do que construíram seria possível sem a ajuda dos seus melhores amigos e parecia que Miranda não conseguia entender isso.

–... Eu amo seu filho. — continuou ela, afastando os cabelos da face e se aproximando de Miranda. — Até demais. A senhora pode não acreditar nisso, mas é a mais pura realidade. Nós queremos uma cerimônia grande, nem que seja com flores vermelhas e todo mundo pelado. — Bonnie não conseguiu esconder um sorriso de canto ao ver a expressão de horror da futura sogra. — Nós queremos que tudo seja perfeito e eu só preciso que a senhora colabore comigo.

Miranda parou em um pensamento reflexivo. No momento em que preparava uma resposta, outra batida na porta fez Bonnie dar um pulo. Mas, antes que se adiantasse, esperou a mulher à sua frente — que a encarava com a testa franzida — lhe dar uma resposta.

Ela sentiu um desapontamento muito grande quando ela simplesmente lhe dera espaço para seguir adiante e atender quem a esperava.

Ao abrir a porta, fora coberta por uma maré de cabelos loiros que ela sabia ser de Lexi. Ela ria, ria muito e não se perguntou de onde vinha o motivo, pois Stefan estava logo atrás, com o mesmo sorriso radiante nos lábios.

– Pensei que a veria de noiva já. — Lexi se afastou, dando espaço para Stefan cumprimentá-la. — Jeremy está super ansioso. Disse que não vê a hora de trocar as alianças.

Bonnie dera uma olhada para trás. Miranda permanecia onde estava olhando para ela e para seus visitantes. Em pensamento, ela desejou que a Sra. não falasse nada que constrangesse seus amigos.

– Eu também não vejo a hora. Estava provando meu vestido, ou melhor, dizendo, partes dele.

– Aqui dentro? — perguntou Stefan confuso. — Aqui não vai ser o local da festa?

– Ah! Sim! Mas acabei juntando o útil ao agradável. Provar o vestido nas lojas é extremamente ruim, pois nunca te atendem por todo o tempo que você precisa. — Bonnie encolhera os ombros, tentando sorrir. A pequena discussão com Miranda não saia de sua cabeça.

– Bonnie como sempre exigente. — Lexi juntou as mãos empolgadas. Adorava climas festivos e estava louca para participar do próximo casamento. Ou seja, o de Elena e Damon. Segundo Lexi não demoraria muito para ambos se casarem.

– Nos diga, quando vai ser o casamento? — perguntou Stefan, alisando os cabelos que agora estavam muito mais compridos do que antes. Sua expressão parecia mais segura, como se sua vida tivesse mudado da água para o vinho. — Preciso comprar um terno decente.

– Stefan anda empolgado em fazer compras. Finalmente tomou vergonha na cara e resolveu aceitar a proposta de emprego do tio dele.

– Mentira? — Bonnie dera um pulo e correu para abraçar Stefan. Sentia-se feliz pelo amigo, pois ele parecia o único fora do centro. — Sério mesmo que você resolveu aceitar?

– Fui a uma reunião ontem à noite. Na verdade, ele só faltou me ameaçar com uma arma, mas beleza. O que importa é que finalmente tenho uma... Er...como se diz, Lexi?

Lexi riu com gosto.

– Visão de vida e previsão de um futuro.

– Isso aí mesmo. — Stefan meneou a mão como se não se importasse, ainda sorrindo quando Bonnie o soltou.

– Acho que agora eu concordo que ele seja o padrinho do casamento.

Bonnie se virou na direção de Miranda enquanto Stefan e Lexi se entreolhavam sem entender nada. A vontade da jovem, naquele momento, era bater a cabeça da mãe de Jeremy na parede.

– Opa! Até eu fiquei contente agora. — a voz de Stefan ecoou descontraída no local, fazendo Augusta sorrir para espanto de Bonnie. — Sou até bonitinho, admita!

– Convencido. — murmurou Lexi para que só Bonnie escutasse, fazendo-a sorrir.

– E charmoso. — Stefan interveio entre as duas, caminhando em direção a Augusta. Delicamente pegou sua mão e a cumprimentou galanteador. — Prometo que vou arrasar no casamento, Sra..

A mãe de Jeremy corou bruscamente. Sem pensar, puxou a mão de volta e caminhou até a porta.

– Jeremy e você só têm amigos loucos. — resmungou ela, passando entre as garotas para alívio de Bonnie.

– Ela anda te estressando muito? — perguntou Lexi, se apoiando no batente da porta.

– Bastante. E eu acho que a magoei.

– Como assim? — perguntaram Stefan e Lexi em uníssono.

– Eu fui meio grossa com ela... — Bonnie dera um suspiro cansado, voltando para o centro da sala e se jogando no pequeno sofá elegante que se encontrava próxima a uma das janelas. — Eu ando pirando com essa situação de casamento e ela não desgruda. Parece que me odeia.

– Sua mãe gosta de Jeremy? — perguntou Stefan enrugando a testa.

– Gosta muito.

– Então é normal ela te odiar. — Stefan sentou-se ao seu lado, passando um braço por seu ombro. — Entenda, em uma família, sempre tem que ter alguém que não se dá bem.

– Mas eu acredito que Miranda não deve te odiar. — Lexi se aproximou dela, ocupando o outro lado do sofá. — Ela só deve estar nervosa em perder o filho único.

– Jeremy me disse a mesma coisa. — Bonnie apoiou as mãos sobre os joelhos. Queria muito pedir desculpas. Queria muito que Elena estivesse ali também. Tentando se distrair, passou a observar as costureiras que recolhiam suas coisas para se retirarem do recinto. — Eu preciso suportar até me casar.

– Você acha que consegue se casar antes do Natal?

– Estamos no final de Novembro. Essa seria a ideia, mas não daria tempo. — respondeu Bonnie, tentando relaxar seu corpo e sua mente. Precisava ficar um momento sozinho, nem que fosse para esmurrar um travesseiro. — Eu queria casar no inverno. Tudo fica mais bonito, sabe?

Stefan e Lexi se entreolharam risonhos.

– Se você quiser, podemos dar uma corrida com os preparativos. O que acha? — sugeriu Stefan começando a ficar empolgado. Quando se tratava de festa era com ele mesmo. — Damon tem uns contatos muito bons e Elena não hesitaria em ajudar com a decoração. Eu ajudaria nas bebidas e Matt no som.

– Eu cuidaria dos convites. Acredito que você não vá convidar Nova York inteira, pelo amor de Deus.

Bonnie riu. Sentia-se gratificada por ter amigos como eles. Não sabia como funcionaria se tivesse perdido o contato com todos. Era a sensação de sempre se sentir preenchida por mais que a probabilidade de cair em um buraco fosse muito grande.

Eles eram sua força e isso era inalterável.

– Não precisam se incomodar tanto assim. Eu acho que posso resolver isso. — Bonnie pegou uma mão de Stefan e uma de Lexi, sorrindo para ambos. — Obrigada por se oferecerem.

– Você acha que iremos desistir, né? — Lexi balançou a cabeça, fingindo decepção.

– Ela esqueceu o nome do meu melhor amigo.

– Ah! Sim! O famoso e insuperável Damon Salvatore. — disse Bonnie, fazendo uma pequena reverência, fazendo ambos darem boas gargalhadas. — Ele anda ocupado. E Elena também.

Stefan e Lexi trocaram olhares cúmplices que não passaram despercebidos por Bonnie.

– Eu conheço esses olhares. — Bonnie olhou de um para outro, confusa. — O quê que tá rolando, hein?

Lexi dera um risinho abafado. Stefan tirou o braço que pendia sobre o ombro de Bonnie, apoiando sua mão sobre a dela. O ar misterioso dos dois estava causando uma onda de nervos que contorciam o estômago da morena.

– O que está acontecendo? — insistiu ela com firmeza.

– Elena e Damon andam realmente ocupados. — Stefan fizera uma pausa, sem tirar os olhos de Bonnie. — Muito ocupados... Tão ocupados que não se desgrudam mais.

Bonnie chacoalhou a cabeça. A informação não estava conseguindo ser assimilada por seu cérebro.

Elena e Damon juntos?

– Nunca! — ela dera um sobressalto ao dar resposta ao seu pensamento, fazendo Stefan e Lexi sorrirem. — Elena e Damon juntos, nunca.

– É... O mundo dá voltas. — disse Lexi rindo da expressão estupefata de Bonnie.

– Como assim dá voltas! Pelo amor de Deus! São Elena e Damon juntos percebem? — Bonnie levantou-se em um salto. Correu até sua bolsa pegando o celular. — Elena é uma safada que não me conta mais nada.

– April nos contou ontem. Não se sinta de fora. — Stefan se divertia com a expressão aturdida de Bonnie. Era como se tivessem anunciado o fim do mundo.

– Acredito que Tyler já saiba.

– Se ele não sabe, irá saber.

– Elena vai levar uns tapas por não me deixar mais de fora dos assuntos.

Bonnie discou o número de Elena muito rapidamente voltando a se sentar entre os dois. Era um misto de surpresa e alegria que faziam suas mãos tremerem ficando quase incapacitadas de segurarem o aparelho. Ela estava tão feliz pela amiga que não saberia explicar de onde aquele sentimento vinha. Deveria estar feliz por Damon, claro, pois era ele quem sofria de amores por ela, mas algo íntimo lhe informava que sua melhor amiga estava feliz e que ela precisava compartilhar isso urgentemente.

– ELENA GILBERT!

O grito ensurdeceu Stefan e Lexi. Do outro lado da linha, Elena parecia embaraçada com o surto repentino da melhor amiga.

– Bonnie?

– Eu mesma! — Bonnie, agora, andava de um lado para outro. Era muita informação para um dia só. — O que deu em você em não me dizer que está se pegando com Damon Salvatore?

Elena sentiu suas bochechas esquentarem. Perguntou-se quem teria despachado a informação, mas percebeu que isso não importava. Cedo ou tarde todo mundo saberia. Embaraçada, tentou se aprumar mais fundo no banco do carro, totalmente em vão. Damon já prestava atenção no seu comportamento e ouvira a voz estridente do outro lado da linha.

– Bonnie, não é bem assim que estamos.

– Ah! Não me venha com essa, Elena. — ela parou no meio da sala com a mão na cintura. — Acho digna a gente se ver depois do seu expediente.

– Na verdade, eu não fui trabalhar hoje. — respondeu Elena, tentando fugir dos olhos curiosos de Damon. Ao pararem em um sinal vermelho, o rapaz segurou sua mão insistindo em saber quem era a louca do outro lado da linha.

– Como assim? Você falta no trabalho e não vem me ajudar com os preparativos do meu casamento? Estou começando a te odiar, Elena Gilbert.

Elena não sabia se ria ou se chorava. Damon tinha toda sua atenção presa nela e isso a deixava sem jeito de tentar acalmar Bonnie que parecia ficar mais afoita do outro lado da linha.

– Não me odeie. — Bonnie tentou manter a calma para ver se a amiga a acompanhava. Aproveitando a brecha, moveu os lábios em direção de Damon informando que era Bonnie do outro lado da linha, fazendo-o rir.

– Dá o telefone! — pediu ele, voltando a dirigir assim que o sinal abriu.

– Quem está ai?

Elena ruborizou.

– Estou com Damon!

– MENTIRA!

A morena afastou o celular da orelha. Sentiu seu tímpano arder com o berro.

– Me deixa falar com ela. — pediu Damon em um tom divertido.

– Só um minuto, Bonnie. — Elena segurou o celular com as duas mãos, tentando não se assustar com a expressão brincalhona de Damon. — Você vai fazê-la enfartar.

– Vamos... Ela nunca foi com a minha cara mesmo.

– Bonnie sempre gostou de você.

Damon entrou no estacionamento do hospital, localizando uma vaga muito rapidamente. Com uma freada brusca, desligou o motor e estendeu a mão na direção de Elena.

- Bonnie sempre foi contra eu dar em cima de você o tempo inteiro.

– Ela me protegia de suas garras perversas.

– Agora, você está sob minhas garras perversas. — Damon riu com gosto, tentando tirar o telefone da mão de Elena. — E não pretendo soltar. — dando um sorriso de triunfo, ajeitou o celular na mão sentindo um beliscão da namorada atingir sua costela. — Hey, Bonnie.

Bonnie bufou do outro lado da linha. Já bastava Miranda. Agora, Damon.

– Fala encosto.

Damon riu com gosto.

– O que você deseja nessa bela manhã ensolarada?

– Você está namorando minha melhor amiga, isso é o cúmulo. É o mesmo que anunciar o fim do mundo.

Damon abaixou o celular, dando atenção a Elena dizendo:

– Ela disse que nosso relacionamento é o fim do mundo.

– Me deixa falar com ela.

– Bonnie... — ele voltou a colocar o celular na orelha, ainda sorrindo. Estava se divertindo com o comportamento de Bonnie e Elena. -... Como andam os preparativos para o casamento? Você me chamou para ser padrinho de propósito não foi? Admita!

– Jeremy te convidou para ser padrinho e não eu. — respondeu Bonnie categoricamente. — Se quiser você pode entrar na Igreja com Stefan.

– O meu caso com o Stefan é algo que continuará nas trevas. Agora que estou namorando a minha musa morena, diva, gostosa, gata... — Damon recebera uma tapa de Elena, fazendo-a ficar mais envergonhada. -... Não me bata que eu gamo, Elena. — ele desviou-se da mão dela, voltando à atenção para Bonnie. -... Você tem que dar a benção.

– Dar a benção? — chocou-se Bonnie, encarando Stefan e Lexi que estavam antenados nas expressões engraçadas da jovem.

– Claro! — Damon encolhera os ombros esticando a mão até o porta luva. — Não posso continuar agarrando Elena se você não consentir.

– Damon...

– Você anda agarrando minha melhor amiga? Meu Deus... Você está tirando a pureza dela... Isso é o cumulo... Deixa a Caroline saber...

– Agora você falou que nem minha mãe. — disse Jeremy, entrando no aposento com as mãos nos bolsos. Parecia mais contente por ter se livrado de sua mãe.

– Jeremy, Elena está namorando Damon.

Jeremy boquiabriu-se.

– Bonnie, eu já disse para você parar de mentir.

Bonnie lançou-lhe um olhar fulminante, fazendo-o parar de sorrir no mesmo instante.

– Não é mentira, então...

– Eles estão juntos e eu estou falando com Damon nesse exato momento.

Jeremy permaneceu onde estava completamente chocado. Acabou por se juntar a Stefan e Lexi tentando pegar o fio da conversa.

– Não estou tirando a pureza de ninguém. E Caroline não vai fazer nada — defendeu-se Damon, apertando a bochecha vermelha de Elena. — Só preciso da sua benção. Se você não me der, pedirei ao Tyler.

– Tyler é seu puxa-saco. Nem tem graça.

– É pegar ou largar, Bonnizinha.

Elena dera um riso baixo, pois sabia que a melhor amiga detestava quando Damon a chamava pelo diminutivo. Até aguçou os tímpanos para tentar ouvir um futuro grito.

– Vocês tem minha benção. — disse ela aborrecida, fazendo Damon rir do outro lado da linha. — Com uma condição.

– Qual condição?

– Não me chame mais de Bonnizinha.

Damon desatou a rir olhando para Elena que se mantinha extremamente entretida nas expressões faciais do namorado. Ele estava se divertindo muito com sua melhor amiga que parecia tão atordoada quanto ela.

– Se isso é a parte mais fácil da benção, pode ficar despreocupada.

– Obrigada! — Bonnie agradeceu sarcasticamente. — Tem como passar para a minha amiga agora?

– Com certeza! Beijos, Bonnie.

Damon estendeu o celular na direção da namorada, mas antes que ela pegasse o aparelho, selou seus lábios rapidamente nos dela, beijando-a com carinho, pegando-a de surpresa.

– O que Bonnie disse? — perguntou ela, pegando o aparelho.

– Ela praticamente nos casou. — disse Damon lhe dando um beijo na testa. — Agora fale com ela ou senão ela retirará a minha benção de ficar com você.

– E isso é um bom sinal?

– Acredito que sim. — Damon abrira a porta do carro e saiu.

Aguardou até que Elena finalizasse a conversa com Bonnie. Por mais que estivesse brincando, algo dentro dele o corroia feito um monstro. Sentia medo como jamais sentira antes. Tivera outra noite difícil tendo que recorrer a calmantes, pois de forma alguma seus olhos pregaram. Tudo piorou após a ligação de April que avisou que a sua namorada não havia se sentido muito bem na noite anterior lhe roubando o pouco de sono que lhe restava.

Sentia-se exausto, mas desperto. Seus olhos vaguearam de um lado para outro do hospital fazendo-o sentir um breve calafrio. Exames de sangue, Raios-X... Tudo aquilo parecia um exagero ainda mais em se tratar de uma anemia. Ele começou a tomar os remédios. Não seria possível que fosse tão azarado a ponto de ter que ficar em observação por alguns dias.

Pensou em sua mãe e em sua preocupação. Fazia dias que não passava em casa para visitar seus pais e até mesmo a empregada que o mimava muito mais do que qualquer parente da família. Damon nunca teve problemas com sua mãe, como Stefan, mas sempre tivera um leve atrito com seu pai.

Ele o cobrava por inteiro. Queria que ele fosse grande. A tentativa para isso foi jogá-lo dentro da empresa no qual era dono e fazê-lo assumir boa parte da administração sem ao menos perguntar se era mesmo aquilo que ele queria para sua vida. O ambiente era saturante, as pessoas interesseiras e as secretárias só faltavam andar nuas devido aos uniformes supercurtos e decotados. O modo como seu pai o espremia foi um dos motivos que o fez ajudar os amigos e dividir um aluguel em uma casa pequena, mas compatível com os três.

Ele sentia falta de casa. Claro que Damon sentia, mas era orgulhoso demais para querer voltar. Amava sua mãe, talvez a única que entendia que seu pai forçava a barra demais tentando moldar o filho. Damon não era o filho perfeito e ela sabia que isso estava longe de acontecer. Ele tinha outros talentos e, no fundo, esperava ter uma grande chance de mostrar que havia nascido para tomar conta de suas coisas e não das coisas de seu pai.

Dando um sobressalto, assustou-se ao sentir a mão de Elena tocar-lhe o ombro. Ele a fitou com carinho, selando seus lábios carinhosamente sobre seus cabelos, sentindo seu perfume. Ele não sabia o que seria da sua vida se não fosse o sentimento forte que passou a carregar pela jovem desde o momento em que a vira. Era estranho dizer sobre amor à primeira vista, mas foi isso que aconteceu quando aqueles olhos castanhos encararam os seus azuis na primeira oportunidade mesmo que fossem friamente.

Ele a amava e sentia-se completo por saber que ela o amava de volta. Só de relembrar a sua voz carinhosa e suave dizendo o que ele precisava, no momento certo, fazia seu coração bater mais forte.

Elena notou que Damon não parecia mais contente como estava no carro. Seus olhos azuis tornaram-se sombrios e tristes, como se estivessem indicando seu caminho para a forca.

Sem demora, endireitou-se, enlaçando Elena em seus braços.

– O que Bonnie queria?

– Quer que eu vá até o salão onde vai ser celebrado seu casamento. — respondeu Elena, prontamente. — Pediu para que nós dois fôssemos.

Damon meneou a cabeça positivamente. Ficar em um ambiente em que só haveria seus amigos não seria uma má ideia, mas queria ficar com Elena. Só com ela e com mais ninguém em volta.

– Dam, você está bem?

Ele sorriu.

– Dam!

– Deu vontade de te chamar assim, ok!

Ele a apertou, lhe dando um beijo no cocuruto da cabeça.

– Gostei do Dam. Posso te chamar de Lena?

– Pode!

– Combinado!

Passaram a caminhar juntos em direção a entrada do hospital. Elena percebeu que ele estava tão tenso que mal conseguia prolongar uma conversa, lançando apenas algumas sílabas no ar.

– Dam...

Elena parou no meio do caminho. Era claro que ela não poderia entrar com ele. Teria que ficar na dura espera até ele voltar com boas notícias.

Pelo menos, era o que ela esperava.

– Lena, está tudo bem. São só exames tolos de rotina.

– Você está pálido. Está triste. Quer que eu fique com você pelo menos até arrancarem seu sangue?

Damon queria fugir com ela daquele lugar. Perguntavam-se como aquelas pessoas conseguiam trabalhar naquele ambiente funéreo.

– Não precisa. Tyler deve estar em algum lugar. Ele te faz companhia.

– Mas eu queria ir com você.

– Elena, é só uma picada na veia, nada mais.

Ela não precisava saber do resto, pensou Damon, sentindo-se culpado por esconder mais uma vez a verdade de Elena. Não queria preocupá-la mais do que ela já estava.

– Eu sei, mas...

– Mas nada! Vou deixá-la aqui. Tyler provavelmente irá aparecer e vocês ficam fofocando, combinado?

Elena concordou com um aceno de cabeça. Queria estar com Damon, nem que fosse para ficar observando do outro lado do vidro.

Caminharam em silêncio até se aproximarem do elevador. Ao chegar ao térreo, Damon dera um selinho carinhoso em Elena fazendo-a demorar um longo tempo para soltar sua mão.

– Elena, a gente vai se ver. Agora me solta.

Ele sorriu quando ela soltou sua mão. Ainda conseguia sentir o calor de seu toque por entre seus dedos e aquecer cada parte de seu corpo.

Era como se seu coração avisasse que coisas ruins estariam a caminho. Uma onda de tristeza se ocupou no interior de Elena que permaneceu grudada no soalho olhando o elevador subir. Não podia fazer nada a não ser esperar.

Subitamente, lembrou-se do quanto odiava esperar e, sem solução, entregou-se a angústia.

Continua...

Notas finais
Xoxo