Notas iniciais
Espero que gostem...
Obrigada pelos comentários...
Boa leitura...

O prédio era um dos mais luxuosos de New York. Havia vinte andares distribuídos entre pessoas que se vestiam absolutamente bem a ponto de fazer o local se transformar em um desfile de moda gratuito. A porta de entrada era larga e seguranças mal encarados se alojavam em cada brecha que poderia indicar passagem a algum intruso que ousasse invadir o local sem apresentar sua credencial.

Eram quase duas da tarde quando Elisabeth cruzou aquelas portas. Suas vestes estavam impecáveis, assim como seus cabelos. Suas joias reluziam juntamente com os espelhos e o soalho marrom que fazia o barulho de seus saltos ecoarem pelo longo corredor. Ao se misturar com os funcionários, ela não deixou de cumprimentar os seguranças e as recepcionistas que pareciam se iluminar com sua presença. Ao contrário do que muitos imaginavam, Elisabeth Salvatore era uma pessoa apreciativa e que, em hipótese alguma, maltrataria alguém mesmo tendo uma das contas bancárias mais cheias da cidade.

Mesmo com toda a simpatia, seu sorriso escondia uma grande fúria. Um dos fatores que era característica dos Salvatore era saber disfarçar o que realmente sentia. E, justamente naquele dia, Elisabeth estava a ponto de querer acertar um tapa na cara de quem fosse a discordância com seus pensamentos.

Não havia dormido direito desde que Damon a deixara para trás no jantar combinado para ambos conversarem em paz. Talvez, o predestinado a receber essa tapa, fosse seu marido.

Elegantemente, caminhou até o elevador. Como já era horário de almoço, era óbvio que estariam apinhados de gente que subiam e desciam a todo instante para aproveitarem seu momento de pausa antes de voltarem ao árduo trabalho. Ela não deixou de sorrir, mais uma vez, a todos que cumprimentava, e sentiu-se aliviada por conseguir se dirigir ao andar em que seu marido estava completamente sozinho.

Em silêncio, virou de costas indo de encontro ao espelho. Deslizou suas mãos bem cuidadas pelos pequenos fios que haviam se levantado por conta do vento e, cautelosamente, retocou o batom que havia perdido o brilho de tanto que mordera o lábio para tentar acalmar os pensamentos e sua raiva interna. Estava incrível, como sempre costumava estar e pensou seriamente até quando aquilo duraria.

Quando as portas de metal se abriram, ela suspirou. Deixou que seus sapatos finos pisassem no pequeno tapete de entrada do andar. Tudo estava silencioso, exceto pelo barulho do telefone que tocava insistentemente. As paredes estavam cobertas pelos quadros que ela mesma havia escolhido. Picasso, Monet... Seu marido sempre achava que aquilo era um desperdício total de dinheiro.

O fato era que aquele andar tinha sua cara. Havia três portas fechadas e, uma delas, ela supôs que seu marido estava sentado, atolado de serviço como sempre estava. Caminhando a passos lentos, ela deixou que sua mão deslizasse pelas pinturas até chegarem à maçaneta da primeira porta. Ela girou e não sentiu surpresa ao notar que ela estava aberta e completamente abandonada.

A sala de Damon era uma perfeita bagunça. Papéis estavam espalhados por sua mesa e o notebook encontrava-se ligado, indicando que ele havia passado ali antes mesmo de se dirigir ao hospital. Vários arquivos estavam abertos, assim como várias apostilas. Alguns memorandos estavam lá em cima também e não se espantou nem um pouco ao ver a assinatura do Sr. Salvatore pendente em todas as vias.

No centro da mesa, uma moldura se destacava por entre todos aqueles papéis fazendo-a puxar o retrato para mais perto.

Ela sorriu ao reconhecer as figuras na fotografia.

Era a uma foto de turma. Ou seja, todos da sala de Damon estavam lá. Inclusive Elena. O que deixou Elisabeth intrigada. Havia outro retrato em que Damon estava rindo ao lado de Tyler, Matt e Stefan com o uniforme da escola. Estavam com os cabelos bagunçados e ela imaginou que a foto havia sido tirada depois de uma longa partida de algum esporte que ela nunca lembrava. A expressão em seu rosto era de quem a muito tempo sentia-se feliz.

Foi naquele momento que ela viu nitidamente que aquela expressão não pertencia mais ao seu primogênito.

Damon parecia infeliz agora. A única ponta de felicidade, talvez, fosse à garota que o acompanhou até aquele jantar em que tudo dera errado. Seus olhos brilhavam como há muito tempo não brilhavam e isso não a fez temer a possibilidade de um sofrimento prematuro que ele poderia ter por se envolver tão cedo com alguém. Elisabeth não gostava e nem odiava Elena. Apenas não ia com a cara dela.

Elena Gilbert pensou Elisabeth depositando o retrato novamente para o local ao qual pertencia.

Ela sabia que seu filho sentia-se preso naquele local. Não era a cara do filho trabalhar em setores administrativos tentando responder pelos erros e acertos de seu pai. Era como se seu marido tentasse mantê-lo nas sombras, como se precisasse mostrar a ele como ganhar uma boa vida.

Eles não eram mais a típica família Salvatore que todos apreciavam. Damon saiu de casa, deixando-a para trás com um homem que passava mais tempo fora de casa, cercado de administradores, empresários e secretárias que não paravam de lhe dar mais motivos para ficar preso naquele prédio.

Por mais que se sentisse infeliz, ela reconhecia que aquela era sua família e ela só precisavam de um conserto muito urgente.

Por pensar nesse conserto, Elisabeth não se demorou a acordar muito cedo e se aprontar para ir até a empresa dos Salvatore. A linhagem que já imperou o lugar era muito grande e, pelo visto, aquilo seria mais uma ordem sanguínea para fazer Damon ficar preso naquele espaço opressivo de gente cega e sedenta por mais dinheiro.

Não queria que o filho se prendesse aquilo. Ainda mais por ele parecer tão feliz com a jovem de longos cabelos castanhos. Ela não merecia isso e Elisabeth sabia claramente o quanto isso machucava.

Dando um suspiro, ela se levantou. Caminhou por toda a sala e, por aonde ia, via as marcas de seu filho. Ela precisava colocar as coisas no lugar, antes que ele ficasse mais perdido do que já estava. Temia pela segurança e bem-estar dele e seu marido achava um absurdo. Na mente do marido, se ele saiu de casa já era bastante crescido para tomar conta de si mesmo.

A briga fora tamanha naquele dia, lembrou Elisabeth sentindo seu peito apertar mais uma vez. As palavras foram ferozes a ponto de deixá-la febril por vários dias.

Seu salto ecoava por toda a extensão da sala. Não havia muitos arranjos, as cortinas eram simples e não havia tapetes. O telefone estava bem longe de onde Damon sentava, o pequeno armário tinha poucos livros e o lixo transbordava de tantos papéis. Era a zona particular do filho e ela gostava muito do que via.

Levando a mão ao peito, dera um salto quando a porta se abrira de repente. Uma ruiva esguia, de longos cabelos ondulados até a cintura e com olhos fortemente verdes se esgueirou pela sala segurando meia dúzia de papéis. Ela vestia um terninho preto que marcavam todas as suas curvas muito bem delineadas. Elisabeth perguntou-se até quando seu marido iria contratar secretárias enxutas para tentar persuadir seus sócios.

– Desculpe! — disse a secretária, dando um largo sorriso.

– Não foi nada. Estava distraída e perguntando-me onde Damon estaria. — explicou Elisabeth, ajeitando o casaco do terninho cinza que vestia.

– Damon deu uma saída, Sra. Salvatore. Disse que iria ao hospital e não voltaria hoje. Apareceu muito cedo, antes mesmo do Sr. Steven chegar.

– Muito cedo? — perguntou Elisabeth, alisando a franja muito bem segura por um grampo de brilhantes.

– Eram seis da manhã. — respondeu à ruiva, dirigindo-se até a mesa de Damon e largando algumas pastas sobre ela. — Ele avisou ao Sr. Steven também, mas ele não gostou muito da ideia.

Elisabeth ergueu seus olhos azuis em direção ao teto. Só seu marido para achar qualquer outra decisão que não envolvesse trabalho patético.

– Entendo! — Elisabeth endireitou-se, observando a secretária se afastar da mesa. Ela sorria. Parecia atender com satisfação tudo que lhe pediam. — Stevan está na sala dele?

– Sim, Senhora — respondeu ela, caminhando até a porta. — Não está em reunião.

– Ótimo! — Elisabeth passou pela porta sendo seguida pela secretária que não demorou a ocupar seu posto. — Obrigada.

A ruiva sorriu jogando seus cabelos para o lado. Elisabeth na empresa logo cedo era de se imaginar que algo ruim aconteceria e ela não poderia perder a oportunidade de fingir que trabalhava para conseguir nem que fosse uma frase da discussão.

Quando a mulher abrira a porta, Stevan digitava com precisão. Em cima da mesa, havia uma xícara de chá e o cheiro de seu perfume emanava por todos os lados. Ele era forte e sério, com olhos castanhos aparentemente frios que não relatavam seus sentimentos como acontecia com sua esposa. Ele sabia diferenciar os sentimentos necessários dos inúteis e isso o fazia o tipo de pessoa que qualquer um temeria.

Ele tinha cabelos negros como os de Damon, mas ao contrário do seu filho, ele sabia muito bem ajeitá-los com uma boa quantidade de gel. O terno estava impecavelmente ajustado criando uma barreira muito grande entre ele e a esposa que caminhava em sua direção.

Seus pensamentos estavam completamente absortos no trabalho. Teve que ser cutucado para voltar a si e ver que sua esposa estava à sua frente sem sorrir. Era nítido que Elisabeth havia passado noites sem dormir e só havia um motivo para isso: Damon Salvatore.

– Pensei que iria ao SPA, Elisa — disse Stevan, sem tirar os olhos da tela do computador. Suas mãos eram ágeis e seus olhos pareciam duas pedras fixas emolduradas em seu rosto bonito.

– Vou depois. Queria falar com você. — Elisabeth sentou-se e cruzou as pernas. Parecia petrificada na poltrona que parecia muito desconfortável.

Stevan parou de digitar no mesmo instante, pois a expressão de Elisabeth indicava que ela não cederia tão facilmente em deixar a conversa para depois. Acalentando o silêncio, ela permaneceu dura, observando a aliança dourada que brilhava no dedo do marido.

– Não podemos conversar em casa?

– Nunca mais te vi em casa.

Stevan moveu-se desconfortável na cadeira. Não era sua intenção ter ficado tão ausente nesses últimos dias, mas sua empresa precisava de sua presença. Ainda mais quando os negócios estavam indo de mal a pior.

– Desculpe, não é intencional.

– É... Podemos dizer que também estou acostumada a ouvir isso. – Elisabeth erguera o olhar. Estava muito longe da mulher simpática que havia cruzado a porta de entrada do prédio.

– Certo! — Stevan juntou as mãos no colo e fitou a esposa. Esperava intimamente que ela não se prolongasse.

– É sobre Damon. — Elisa dera um suspiro. Sentira seus pulmões rasgarem.

– O que tem ele? — fora a vez de Stevan ficar apreensivo. Falar de Damon, ultimamente, era um assunto complicado.

– Eu quero que ele volte para casa. — respondeu Elisabeth com firmeza.

– Eu já disse Elisa. Ele só vai voltar quando precisar. Ele está aproveitando o resto de adolescência que ele possui.

Elisabeth mordera o lábio inferior. Sua irritação contida estava pronta para fazê-la explodir se fosse preciso.

– E você acha isso certo, Stevan? — Elisabeth enrugou a testa, colocando uma de suas mãos sobre a mesa. — Damon está doente.

– Ora, Elisabeth, é apenas uma anemia.

Stevan voltou sua atenção para o monitor. Voltou a digitar muito rapidamente para ira de Elisabeth.

– Você mesmo me disse que queria ele de volta.

– Eu cansei de discutir com Damon, você sabe disso. Se ele quer viver desse jeito, não posso fazer nada. — Stevan encolhera os ombros, como se Damon pouco importasse.

– Ele está namorando, Stevan. E eu a convidei para almoçar conosco esse final de semana.

Ele parou de digitar no mesmo instante. Sua atenção voltou-se completamente na direção do rosto bonito de Elisabeth.

– Namorando? Isso é uma novidade e tanto. — riu-se Stevan, apoiando as duas mãos na mesa. — E você já se adiantou em trazer a garota para a fonte de tortura.

– Eu preciso saber com quem meu filho está se relacionando.

– Deve ser só mais uma dessas garotas que não pensam em nada da vida.

– Stevan, o namoro parece sério. — Elisabeth o encarou com firmeza. Sentia medo. Medo do que poderia vir a seguir. Mesmo não indo com a cara de Elena sentia que ela fazia bem a seu filho. Queria conhecê-la melhor para saber se ela era boa o bastante para seu filho. Mesmo sabendo que um relacionamento não uma boa agora — Damon está fazendo um tratamento médico. Isso não é uma boa hora para se tiver um relacionamento.

– Elisabeth... Querida... Você tem medo de que Damon se apegue a essa garota e te deixe na mão? É isso?

Elisabeth não sabia o que dizer. Lembrou-se da expressão temerosa de Elena e, no fundo, não havia conseguido juntar motivos para não gostar dela. Ela parecia gentil, cuidadosa e inteligente, mas temia tanto pelo coração do filho como o dela.

– Não é isso, Stevan. — Elisabeth negou com um aceno de cabeça. — Ela parece ser uma boa garota. Ela tem um cuidado especial por ele...

– Você já a viu?

– Ontem. Quando chamei Damon para jantar.

Stevan alisou a testa nervosamente. O que mais o deixava furioso era saber as coisas por último.

– Então, buscando o foco do assunto, você convidou a garota para ir lá em casa para nos conhecermos.

– Exatamente.

– Você veio aqui para isso?

– Stevan, você não tem jeito.

Elisabeth levantou-se bruscamente. Quando estava preparada para ir embora, ouviu o marido sussurrar:

– Desculpe.

– Já estou cansada de suas desculpas. — os olhos de Elisabeth brilhavam agora. As lágrimas queriam despencar, mas ela fazia um grande esforço para que isso não acontecesse. — Não me importa, se Damon está namorando ou não. Isso pode fazê-lo a ficar mais junto da família, pois ela não me parece uma pessoa maldosa a ponto de querer usá-lo.

– Depende. Damon é um herdeiro. Futuro herdeiro. Ela poderia ser mais uma das dezenas de interesseiras que existem nesse mundo.

– Você pode achar estranho, mas eu confio nela.

– Eu não a vi, portanto, não posso dizer nada. — Stevan levantou-se e dera um beijo no rosto da esposa, tentando acalmá-la. — Farei reservas no melhor restaurante da cidade e conheceremos melhor a nova namorada do nosso filho. Se esse relacionamento estiver realmente fazendo bem a ele, não iremos nos intrometer.

– Eu só queria que ele voltasse para casa.

– Ele vai voltar. E, se essa garota for a ideal, ela vai ser nossa principal força para isso.

Stevan envolveu Elisabeth em um abraço consolador. As lágrimas que pareciam cair, logo foram sugadas pelos olhos da mulher que agora voltava à sensibilidade formal.

– Tudo bem! Eu só não quero que nosso filho termine revoltado como o pobre Stefan. Eu tenho muita pena dele.

– Elisa, ninguém é digno de pena. Isso é insensível demais em se pensar.

Elisabeth meneou a cabeça positivamente.

– Vá para casa. Peça para Marie fazer um almoço especial para você.

– Na verdade, eu vou acabar indo até o hospital para saber como foram os exames do Damon. Ele não irá me contar.

– Concordo. — Stevan caminhou lentamente até sua mesa, voltando a se sentar. — Vá até lá e me informe tudo depois.

Elisabeth ia responder, mas calou-se. O marido logo voltou sua atenção para o monitor voltando a digitar freneticamente.

Ela entendeu que aquilo fora um aviso para ir embora e, sem pensar muito, saiu fechando a porta atrás de si em silêncio.

Elena se encontrava na pequena cafeteria que havia no hospital. Era inegável mentir que o café era horrível e os salgados não tinham gosto de absolutamente nada. Mas, com a fome que sentia, parecia que tudo estava muito saboroso.

Seus olhos perambulavam de um lado para outro à procura de Damon. Ficava parada, imaginando o que estaria acontecendo com o namorado naquele instante, deixando sua mente vaguear para cenas horríveis que a faziam sentir calafrios. Sua cabeça já começava protestar de estresse dando finas pontadas no canto direito. Estava começando a ficar aborrecida e aquilo não era um bom sinal.

Já estava pensando em pegar outro café quando encontrou Tyler. Não fazia muito tempo que o via mais já sentia saudades. Sorriu de tamanha que era a felicidade em vê-lo. Nem conseguiu controlar os passos quando se vira correndo para dar um pulo no garoto que estava de costas fazendo o que provavelmente seriam anotações.

– Tyler!

Ele não teve tempo de virar para ver quem era. Os braços da garota o enlaçaram com tanta força que suas costas estalaram.

– Elena?

Ela o soltou ofegante. Dera-lhe um beijo na face sorrindo feito uma tola. Adorava e amava Tyler, o garoto superinteligente que era sua figura masculina no quesito melhor amigo.

– Tyler, que saudades! — disse ela, afastando os cabelos da face. Ainda sorria e sentia-se demente por isso.

– Meu Deus, nem faz muito tempo que não a vejo, Elena. — Tyler sorria de volta. Lembrava-se claramente do quanto era bom ter Elena como melhor amiga. Por um momento, queria parar tudo que estava fazendo para atualizá-la com relação as suas novidades, mas o seu expediente nem estava na metade. — Onde você se meteu?

– Eu me mudei Tyler, mas não foi para longe. Meu telefone continua o mesmo, sabe? — disse ela, enrugando a testa. — E eu sempre vejo Bonnie e Jeremy. E, agora, Damon.

Tyler sentiu uma firmeza maior quando ela pronunciara o nome de seu melhor amigo, deixando-a embaraçada.

– Anda vendo Damon é? — perguntou ele, largando a prancheta no balcão.

– Sim. E, podemos dizer que é um dos motivos de eu estar aqui.

– Ah! Sim! Damon tem alguns exames hoje. Ele veio?

– Veio sim, mas ainda não voltou. — Elena viu em Tyler a oportunidade de saber se seu namorado demoraria mais. Não hesitou e perguntou: — Você sabe me dizer se esses exames demoram mesmo? Faz quase três horas que ele não aparece.

Tyler dera uma consultada no relógio. Era uma da tarde. Antony só havia lhe dito para dirigir Damon a sala de raios-X e, depois disso, fora dispensado.

– Não sei te dizer, Elena. Eu só acompanhei Damon até uma das salas. Depois o doutor pediu para que eu visitasse alguns pacientes.

Ela não deixou de transparecer uma ponta de decepção. Havia ficado mais preocupada e isso era nítido em seus olhos.

– Entendi! — ela lançou outro olhar nervoso em direção ao elevador. Várias pessoas saíram de dentro dele, exceto Damon.

– Por que você está aqui, Elena? — perguntou Tyler, gentilmente. Enquanto tomava um pouco de água. — Você esperando Damon me surpreende.

– Nós... — ela silenciou. Nunca imaginou que dizer que ela e Damon estavam namorando seria tão complicado. -... Estamos juntos.

Tyler se engasgou com a água e piscou três vezes. Ao observá-lo, Elena só teve a certeza que teria que encarar aquelas expressões até todos aceitarem que o casal mais impossível estavam finalmente juntos.

– O quê?

- Estamos juntos!

- Uau! Isso realmente é uma surpresa. — Tyler cambaleou um pouco para trás ainda surpreso. — Realmente, uma surpresa em tanto.

– Não faça essa cara. Eu fico com vergonha.

– Desculpe! — Tyler apoiou uma de suas mãos no ombro de Elena. — Fico realmente feliz por isso.

– Fica é?

– Claro! Damon sempre gostou muito de você. Fico imaginando o quanto ele deve estar extasiado com isso.

– Ele anda rindo demais à toa.

– Era de se imaginar.

Elena e Tyler riram baixo. Intimamente, eles sentiam falta daquilo.

– A gente podia combinar um dia para sairmos, Tyler. Eu sinto falta de você.

Tyler concordou com um aceno de cabeça.

– Poderíamos combinar de sair em casais, o que acha? Caroline ia adorar.

– Caroline Salvatore? Acho que não mereço dois Salvatore no mesmo encontro.

Riram.

- Estou brincando Tyler... Podemos combinar um dia desses. Damon certamente irá gostar.

Tyler esticou o pescoço e viu Damon passar pelas portas de metal mais pálido do que havia entrado. — Por falar nele, ele acabou de sair do elevador.

Elena sentiu seu coração bater mais forte quando vira Damon caminhar em sua direção. Seus cabelos estavam mais desalinhados do que de costume e sua expressão estava mais carrancuda do que ela lembrava. Ele estava distante e ela percebera isso em seu olhar.

– Está tudo bem? — perguntou ela, pegando as duas mãos de Damon e segurando com força.

– Está... Está tudo bem. — respondeu ele, fitando Tyler. — Vejo que ele cuidou de você.

(N/a: Pessoal o Damon está assim desanimado, pois descobriu que tem leucemia... Mas vai demorar a confessar aos seus amigos e a Elena).

– Estávamos falando algumas besteiras para passar o tempo. — Elena suspirou de alívio. — Pensei que não fosse mais te liberar.

– Eu também pensei o mesmo. — Damon a enlaçou em um abraço apertado e silenciou. Ele precisava de quietude agora e a única pessoa que poderia lhe oferecer isso estava em seus braços naquele momento. Elena lhe deu um selinho demorado. E Tyler assistia a tudo pasmo. Nunca imaginara aquela cena.

– Dam...

– Elena, eu só quero ir para casa, tá bom? Estou cansado, não quero ver ninguém.

Elena se afastou dele, procurando seu olhar, mas ele a evitava.

– O que aconteceu?

– Não aconteceu nada! — Damon apoiou suas mãos no ombro da garota. — Eu só preciso dos resultados. Até lá, quero esquecer que pisei aqui.

A morena tentou dizer mais alguma coisa, mas ele desviou-se indo na direção de Tyler. Permaneceu parada onde estava enquanto eles trocavam breves palavras.

Damon estava estranho e ela sentiu uma súbita vontade de ir até o médico que o havia atendido para trocar umas palavrinhas. Não gostava de Damon daquele jeito e, com aquele clima todo, a visitação no salão de festas onde se encontrava Bonnie estava fora de cogitação.

– O que você disse ao Tyler?

– Elena, pelo amor de Deus, não faça mais perguntas, ok? — Damon suspirou, cansado. — Eu só pedi seu atestado.

Ele sentia uma dor de cabeça horrível. Estava tonto e sentia que poderia vomitar a qualquer momento. Queria ficar deitado até a noite cair. Queria colocar as ideias no lugar.

– Certo...

Não havia o que discutir. Damon não estava disposto a conversar e ela não estava a fim de insistir.

– Se quiser posso ir para casa de metrô.

– Elena, eu vou te jogar da ponte se você falar de metrô mais uma vez.

Ele dera um meio sorriso, infeliz, mas era um sorriso.

Elena despediu-se de Tyler e ambos marcaram de se encontrar em breve e acabaram por trocar telefones. Sem olhar para trás, pegou uma mão de Damon e passou a caminhar com ele até a saída do hospital.

– Eu dirijo.

Damon parou de chofre.

– Desde quando você, que só anda de metrô, dirige?

– Eu não tenho carta, mas meu pai me ensinou a engatar as marchas. — disse ela, esticando a mão. — Você não está muito bem para dirigir.

Isso era verdade. O corpo de Damon gritava naquele instante. Mal conseguia se manter em pé.

– E se algum guarda nos parar? — perguntou Damon lhe entregando as chaves.

– Eu pago a multa.

– Gente, essa minha namorada é realmente independente. — Damon riu, abraçando Elena pelas costas e empurrando-a em direção ao carro.

– Olha bem para minha cara de quem não divide a conta. — resmungou Elena, sorrindo. Enlaçou suas mãos com as de Damon enquanto era guiada até o carro.

– Não gostei. Quando formos jantar, quem vai bancar tudo sou eu.

– Se eu deixar, Sr. Damon Salvatore. Se eu deixar.

- Vixe... O que mais eu tenho que pedir Lena? – Damon soltou um sorriso malicioso.

Elena dera um tapa no ombro de Damon. E ambos riram.

Ela abrira as portas do carro e esperou até que Damon entrasse. Antes que pudesse se virar, ele a puxou para si, fazendo-a ir de encontro ao seu corpo com certo impulso.

– Elena, eu amo você.

Elena tentava entender o poder daquelas palavras. Seu coração batia forte quando ela o envolveu em um beijo terno que parecia ter acalmado os dois. Ele precisava dela mais do que nunca e seu maior medo era que em algum momento ela lhe desse as costas.

– Vamos fazer o seguinte... — Elena fazia carinho na nuca de Damon, ainda alinhada a ele. -... Eu vou fazer um almoço para você, o que acha?

– Eu acho ótimo. — Damon lhe dera um beijo no ombro, satisfeito. — Vai cuidar de mim?

– Com muito carinho. — Elena apertara suas bochechas, sorrindo. — Mas só se você deixar.

– Mas que pergunta idiota. — Damon riu, balançando a cabeça. — Uma coisa que eu gosto muito é ser mimado.

– Ah é? — Elena enrugou a testa. — Não se acostume muito com isso, ok!

– Vou tentar fazer o possível. — Damon lhe roubara um selinho. — Agora, leve seu namoradinho para casa em segurança.

Elena lhe dera um beliscão antes de caminhar rumo ao lado do motorista. Ela girava as chaves no dedo quando abrira a porta, sorrindo. Ter um atestado era ótimo naquele momento já que poderia gastar o resto da tarde ao lado de Damon. No fundo, estava preocupada, mas não queria que esse sentimento tornasse nítido já que ele parecia tão desolado quanto ela.

Antes de entrar no carro, dera uma olhada ao redor e sentira um súbito pavor ao ter a leve impressão de que alguém a encarava à espreita. Eram olhos que ela sabia que conhecia de algum lugar, mas desviou no mesmo instante, tendo a impressão de que estava sendo seguida.

Decidiu entrar no carro, enquanto Elisabeth fitava o casal que partia dentro do automóvel estacionado na porta do hospital. Ela estava os vigiando. O que não era um bom sinal.

Continua...

Notas finais
Pra quem acompanha as minhas outras fics... Saibam que eu vou tentar postar mais capítulos ainda nessa semana... Mas a preguiça me consome a alma... Estou com preguicite aguda e não sei se tem cura... Hahaha... Mais a do Titanic hoje mesmo já estou postando e acho que vocês iram gostar...
Bjussss
Xoxo