Always And Forever

4 Capítulo 4 – Atropelada por um anjo


Quando Sarah abriu os olhos, estava deitada numa cama de hospital com o braço direito enfaixado.

- ai minha cabeça... – ela fechou novamente os olhos num sinal de dor e fez um esforço para se sentar.

- você não deveria se levantar.

Ela ouviu a voz de um homem e abriu os olhos assustada. Quando o viu ficou em choque. Como... como poderia? Logo ele, ali bem na sua frente... de novo?

- v..você!! – ela consegiu dizer depois de gaguejar milhares de vezes.

- fica calma, você saíra logo daqui. – ele disse calmo – deixa-me ajeitar seu travesseiro.

Ele estava tão perto que ela podia sentir seu perfume. Era gostoso, toxicante...

- mas... como... – Sarah não estava entendendo nada.

- ah, eu não me apresentei. Me desculpe. Me chamo Gerard... Gerard Way, muito prazer. – ele esticou a mão para ela apertar e só então percebeu que o braço dela estava enfaixado. – me desculpe. – ele ficou sem graça e completamente vermelho.

- tudo bem, não precisa se desculpar. – ela sorria com cara de boba – Meu nome é...

- Sarah Wildmore. Eu sei.

- como você...

- eu vi em suas coisas. – ele ficou rubro – eu vou explicar o que aconteceu. Bom, eu estava vindo de carro e...

Ele explicou como foi o acidente.

- então foi você que me atropelou?? – ela disse rapidamente e sem acreditar.

- sim. – ele ficou novamente sem graça. – me perdoe, mas você entrou na frente e... você sabe. – ele fingiu um sorriso.

- nossa, como eu sou desligada! Devo ter te dado o maior susto, me perdoe! Foi minha culpa.

- não, esquece isso. Graças a Deus não aconteceu nada pior. Você está ótima.

- tirando o braço enfaixado neh...

- é verdade. – eles sorriram e um silêncio desconfortante tomou conta do lugar.

- mas me diz... – ela quebrou o gelo. – por que você ainda está aqui?

- hã?

- eu quis dizer, por que você está comigo aqui no hospital? Eu não quero te atrapalhar...

- não está atrapalhando! – ele disse depressa – na verdade, eu tinha muita coisa importante a fazer mas... eu não podia apenas te abandonar sozinha nesse hospital e voltar pra casa sem saber se você ficaria bem. Eu ficaria com a coinciência pesada, entende?

- hum... – ela tentou acreditar na desculpa dele e retribuiu com um sorriso tímido.

- Sarah...

- sim?

- quer tomar um sorvete comigo?

- hã??? – ela arregalou os olhos com a frase entrando em seu ouvido. Não podia acreditar. – sorvete? – depois que ouviu o que estava dizendo percebeu que soava muito idiota.

- isso. Está calor lá fora e um sorvete cairía bem, não acha? – o sorriso dele era realmente encantador.

- Gerard... bom... a gente nem se conhece direito e...

- nós já nos apresentamos. Eu te atropelei e... – ele parou uns segundos pensando – é, isso não pode ser contado como um ponto a favor neh? – ele riu e a fez rir também.

- digamos que eu... aceite ir com você... – ele ouvia atentamente – como eu sairei daqui sem ser vista?

- eu tenho uma idéia. – Sarah o olhou assustada. Será que era tudo apenas mais um sonho de sua cabeça? Porque se não fosse ela poderia jurar que ele a estava cantando.

- e qual idéia seria?

- veste a minha jaqueta. Ela vai tampar o seu braço enfaixado. – Sarah vestiu sem nem reclamar. – agora vem comigo.

Gerard abriu a porta do quarto e olhou para os dois lados para ver se vinha alguém.

- o corredor tá vazio. Vamos.

Ele a abraçou e os dois saíram bem juntinhos, como se fossem namorados. Sarah estava assustada e ao mesmo tempo contente sem nem saber ao certo o porquê. Ela mesma não conseguia acreditar que como uma ex-freira pudesse estar aprontando tanto.

- se a Madre me visse fazendo isso... – ela disse baixinho pra si mesma enquanto era “carregada” por Gerard.

- o que disse?

- nada, nada...

E os dois conseguiram sair do hospital sãos e salvos, e o melhor, sem ninguém notar.

Do lado de fora os dois davam gargalhadas com o sucesso da aventura.

- nossa, eu nunca me imaginei fazendo uma coisa dessas! – Sarah dizia de boca aberta.

- por quê? Você nunca fugiu da escola?

- não.

- nunca nem matou uma aula?? – ele perguntava sem acreditar.

- nunca. – ela parou em frente a um carro preto e o viu tirando as chaves do bolso. – esse é o seu carro? O que me atrop...

- infelizmente sim. – ele a cortou e baixou a cabeça.

- desculpe, eu não quis te deixar triste. Já passou. Eu estou bem.

- ok. O convite ainda está de pé. Você vem?

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