Always

4 Savians.


O jato parecia silencioso demais para qualquer um. Bishop viu o olhar em Torres e isso lhe disse que ele e Abby estavam juntos há algum tempo antes dela resolver entrar para a CIA.

McGee estava em silencio, tocando nas teclas do laptop que Jenny trouxera a bordo. Ele parecia chateado, mas estava disfarçando muito bem como estava se sentindo naquele momento.

— Então, vocês dois se uniram a Jenny na CIA? – Gibbs perguntou a Ziva e Tony. – E recrutaram Abby?

— Sim, mas eu só morri para proteger minha família. – Ziva cruzou os braços. – E quando Abby foi recrutada, ela estava chateada com você. Ela queria algo diferente.

— Não culpe eles, Gibbs. – Jenny sabia que Gibbs estava chateado. – Você sabe como funciona a CIA.

— Sim, mas eu me recusei a ser um morto vivo. – Gibbs basicamente admitiu. – Agora, eu esperava mais de você, Jenny. Por anos eu acreditei na sua morte e querendo voltar, mas você estava viva.

— Pode fazer um favor e guardar qualquer sentimentalismo para si mesmo? – Jenny estava ficando chateada. – Precisamos focar em Abby, não na sua raiva por ela e por mim.

— Está bem. – Gibbs apenas olhou para Jenny do outro lado do avião. – O que sabemos sobre Any?

— Que ela é uma traficante de armas brasileira, cujos contatos internacionais iam de meros colecionadores de quem ela comprava armas até os grandes comerciantes americanos. – Ziva respondeu sem pestanejar. – E que ela sabe como funciona as leis americanas de armas.

— Um doce de garota. – Torres disse, ironicamente. – Ela borda, pinta, costura e nas horas vagas, trafica armas.

— Pelo o que Abby conseguiu reunir e nos mandar em um ano de infiltrada, Any é o um dos codinomes dela. – Jenny jogou uma foto. – O nome verdadeiro a gente nunca conseguiu encontrar.

— Eu tenho certeza que já vi essa mulher em uma ou outra matéria de arte. – Tim ganhou os olhares de todos. – Ela era uma das patronas do museu do Louvre em paris.

— Ela ganha dinheiro com o tráfico e investe em pinturas? – Tony tentou ver uma lógica. – Quem é essa garota ao lado dela?

— É a segunda desaparecida, Anna. – Jenny pegou a foto de desaparecimento e ficou confusa. – Por que ela sequestraria uma de suas colegas de crime?

— A menos que Anna não seja uma simples parceira de crime. – McGee acessou remotamente o sistema do FBI. – Ela é uma agente federal disfarçada.

— Merda. – Gibbs agora se convenceu que Abby e Anna estavam em um perigo ainda maior do que eles acreditavam.

Torres deixou o assento onde estava e foi para outro, mais longe de tudo e todos. Ele precisava urgentemente ficar sozinho para comtemplar seu infortúnio.

— Então, você e Abby estavam juntos? – Elle se sentou com ele. – Ah, qual é? Eu vi o jeito que você ficou, Torres.

— Abby e eu nunca chegamos a terminar de verdade. – Torres pegou uma foto de sua carteira. – Mas a gente sabia que não poderíamos ficar juntos por causa de Gibbs.

— Eu sei, ele a protegia como uma filha. – Ellie olhou pela janela. – Você nunca foi ao Brasil, então?

— Algumas vezes quando trabalhava disfarçado. – Torres sorriu. – Era um lugar com boas lembranças, mas não sei se elas ainda estarão lá quando encontrarmos Abby e Ana.

Minas Gerais...

Any sorriu quando abriu a cela e entrou para ver suas prisioneiras. Ela deixou os sapatos de lado e se sentou.

— Eu estou feliz em ver as duas aqui. – Any falou. – Abby, os três últimos meses foram muito significativos.

— Vai para o inferno. – Abby levou um tapa de Any. – Você pode me machucar, mas tenho certeza que a minha equipe vai me encontrar.

— Estou enviando informações falsas para o seu time há três meses e eles não me descobriram. – Any deu risadas. – Ana, você parece muito calma para quem está presa aqui há quase seis meses.

— Vai para o inferno. – Ana levou outra cascata de água fria. – O FBI vai descobrir minha localização.

— Eu acho que a esperança é a última que morre. – Any se levantou e estalou os dedos. – Por favor, leve elas duas para a sala de tortura. Está na hora de mudar a estratégia.

Abby se sentiu obrigada levantar e sentiu suas pernas fraquejarem. Era a primeira em uma semana que ela podia levantar e ela parecia estar cimentada.

— O que você vai fazer? – Abby perguntou, assim que foi conectada a uma máquina com vários eletrodos.

— Algo que eu deveria ter feito há algum tempo. – Any viu Ana lentamente fechar os olhos. – Não se preocupe, querida. Você logo vai sentir alivio.

Any se sentou à frente delas e sorriu quando os eletrodos terminaram de ser colocados.

— Podemos começar, madame. – Um homem moreno disse. – Elas estão prontas para as primeiras sessões.

Any sorriu, feliz por Abby e Ana estarem com medo.

Elas realmente torceram para que a equipe chegasse logo. Elas não poderiam mais aguentar essa tortura.

Assim que o avião do time pousou no hangar, em um aeroporto na área rural, todos desembarcaram. A paisagem era diferente e havia muitos bois e vacas pastando.

Eles realmente não estavam mais em Kansas.

— Obrigado, Roberto. – Jenny sabia falar em português. – Eu vou precisar de um lugar para todo mundo descansar, fazer as refeições.

— Eu conheço um hotel que trabalha com estrangeiros, se isso lhe ajudar. – Roberto entregou um cartão para Jenny. – Eles vão adorar receber vocês.

— Obrigada. – Jenny deu uma gorjeta considerável. – Vamos, temos transito para pegar antes de chegar a civilização.

Todos pegaram suas coisas e Tim olhou em seu mapa sobre o quanto eles precisariam chegar em algum lugar com internet ou até mesmo água.

— Estamos longe da cidade, assim Any não vai nos reconhecer. – Jenny olhou para os diferentes carros estacionados. – Usaremos coisas não muito chamativas e queremos acima de tudo, sermos discretos.

— Desculpe, mas não sabemos exatamente onde Any mantem as duas. – Bishop resolveu tirar o gato do saco. – Quer dizer, a gente deveria saber?

— Eu tenho alguém que não chega perto de ser descoberto. – Jenny olhou para todos. – Alguém que nesse momento deve estar com as duas.

Ela simplesmente entrou dentro da Mercedes e fechou a porta esperando Gibbs, Tony e Ziva.

Any olhou para as duas mulheres e percebeu que as duas haviam finalmente dormido. Ela aplicou uma solução que as faria dormir por horas e seria o suficiente para que ela deixasse o país por meses antes de voltar.

Ela havia tirado todas as informações que queria de ambas as mulheres por enquanto.

Pegando tudo o que conseguiu e deixando tudo que poderia ser usado para encontrar sua localização, Any deixou o complexo.

Entrando em um jato particular, Any seguiu rumo aos Estados Unidos. Ela descoloriu o cabelo, afinou o nariz com maquiagem, colocou aparelhos falsos nos dentes e lentes de contato nos olhos.

Agora ela iria curtir umas boas férias enquanto Abby e Ana estariam sendo os focos da equipe.