Alvorecer.
3 Paranoia
Notas iniciais

A família Fell era o que se podia ser chamada de um grande paradoxo. E felizmente eu tinha apenas passado um efêmero tempo com eles para me incomodar.
Eu tinha três tias, e dois tios, meus tios quase dois senhores, sendo dois mais velhos que meu pai, minhas tias, uma escadinha na idade, minha mãe foi a do meio.
— Estamos felizes que vai ficar um tempo Bella, poderia ir com Reymond visitar Whitmore quando tudo isso acabar. — Disse tia Cornie parecendo extremamente cansada e triste pela perda do marido. Ela devia ter no máximo quarenta anos, mas era bonita ao ponto de aparentar bem menos.
— Ou a Duke, ter opções extras faz a diferença. — Tio Reymond o mais velho dos irmãos Fell, bebendo um grande copo de Uísque, apontou parecendo ligeiramente embriagado.
— Tenho certeza que eu posso levar Bella se ela quiser ir. — Charlie deixou claro com seu jeito troncudo fazendo o clima ficar estranhamente tenso.
Principalmente para tia Grace que havia á muito tempo atrás, quando eu tinha começado a passar pela puberdade, pedido para Charlie me deixar morar com ela, ou seja, ela queria minha guarda. A briga fora tão feia que Charlie não me seguiu para Mystic Falls aquele ano, apenas me colocou no avião e foi embora. Minha outra tia, Martha, apenas balançou a cabeça e continuou a conversa sobre a divisa dos quartos.
— Ninguém trouxe as crianças Bella, então você vai poder ficar com a ala oeste só para você.
— Espero não me sentir apertada. — Brinquei fazendo o clima ficar mais ameno quando meus tios riram.
Papai me seguiu para a ala oeste, ainda se podia ver alguns empregados retirando lençóis brancos dos móveis por todo o canto, ainda era manhã e pude ver que nem mesmo os empregados sabiam quantas pessoas ficariam na mansão. Outra coisa sobre a família Fell, é que depois da morte de vovó, ninguém mais morava ali lidando com vovô Franklin e seu luto extremamente sombrio. E pensando nele, apertei os lábios para não perguntar se ele estava bebendo, de novo.
Charlie ficou com um dos quartos do lado ao meu, e trancou-se depois de perguntar, não pela primeira nem ultima vez, se eu estava bem.
Guardei minhas roupas no closet quase metodicamente, a hora do jantar se aproximava, e me perguntava intimamente porque meus tios não traziam seus filhos nem mesmo naquela ocasião. Estava na cara que eles apoiavam Mystic Falls como sendo parte do legado que passariam aos filhos, mas, por hora, não queriam nem morar ali. Um sentimento de ter um mistério por trás de tais decisões me fez ficar pensativa durante horas.
...XXX...
As 7:00 horas da manhã em ponto eu estava arrumada graças a tia Martha que havia me trazido um vestido, segundo ela, apropriado para a ocasião.
— Bem, eu trouxe esse preto. — Aleguei mostrando o meu, ela fez careta, como Alice faria, e disse que o que ela havia trazido era melhor.
Infelizmente, concordei. Era de renda preta de manga longa, com pequenas flores vermelhas como botões no pulso fazendo toda a diferença, batia um palmo á cima do meu joelho, e me amaldiçoei por não ter trazido meias finas, porque mesmo que passasse calor, nunca corri tanto na minha vida para depilar minhas pernas.
Aquele fato me fez ficar com raiva, eu estava muito descuidada de mim mesma, também notei ao ver que mesmo aquele modelo 36 havia ficado ligeiramente folgado. Geralmente eu usava 38 por causa do busto. Apenas penteei os cabelos feliz de estarem secos e limpos, notando que naquele ar quente ele não dava tanto problema quanto na frieza e umidade de Forks.
Não pensando em mais nada, corri nos saltos peptoe descendo as escadas com muito cuidado para ver que era esperada.
Charlie ficou do meu lado enquanto tio Raymond apoiava tia Cornie que estava muito pálida tentando não deixar transparecer o fato de estar com raiva de ver o filho Alex.
— Às vezes acho que você é maluca. — Sibilava Alexandre Fell, vinte anos de pura masculinidade Fell sendo colocada como holofote. — Sério que não ia me esperar?
Notei, com Charlie tentando me arrastar para o lado de fora de modo muito envergonhado por ver aquilo, que as malas de Alex estava sendo puxada para dentro por um empregado.
— Você estava em Londres, como eu poderia negar o Memorial que a própria prefeita Lockwood queria fazer para te esperar mais um dia? — Tia Cornie rebateu, e foi a ultima coisa que ouvir antes dos meus tios também se dispersar para irmos para a igreja no centro da cidade.
Chegamos cedo ao ponto de meus tios irem até a prefeita, que estava no púlpito, para oferecer ajuda, ou só Martha, Grace, Jonathan e Raymond. Tia Cornie ainda não havia aparecido com Alex e papai havia falado que iria nos guardar lugar na primeira fila.
Vir Matt distribuindo pequenos panfletos pelos bancos, e sorrindo minimamente e nervosamente, já que igrejas sempre me deixavam nervosas, não me segurei para ir falar com ele.
— Ei, você é voluntário? — Cumprimentei ao mesmo tempo em que perguntei, tentando soar casual.
Matt se virou surpreso, usava uma camisa cor de vinho que fazia seus cabelos parecerem mais claro.
— Sim... — Ele sorriu bem camarada, e eu me aproximei apertando aquela bolça de mão que havia pego em uma das gavetas do closet que continha algumas roupas de época – como basicamente todos os guarda-roupas da mansão – apenas para colocar meu celular e um gloss. — È sempre bom ser voluntário por aqui, principalmente quando você quer simplesmente não ficar de mãos atadas.
Assentir entendendo, Matt era mesmo o tipo de cara bem ativo que não parava. Ofereci minha mão e ele entendeu rápido dividindo os panfletos que eu vir naquele momento se tratar de todos os nomes dos mortos, doze mortos de sobrenomes celebres. Uma parte de meu instinto se retesiou como uma corda de violino, mas deixei passar, já que era sombrio e beirava ao sobrenatural.
— Ouvir dizer que vai fazer o último ano aqui... Ou os últimos seis meses — Matt começou a falar de repente quando retornou a tarefa. Eu entrei na abertura dos outros bancos, agora o ajudando, e levantei a sobrancelha o fazendo rir. — Mystic Falls é pequena, e foi Tyler que me falou, porque a mãe dele teve que dar uma autorização especial. — Concluiu me sondando para saber se eu estava irritada.
Sorrir dando de ombros, Forks era idêntica.
— Sério? Eu não sabia de toda essa história... — Murmurei mas para mim mesma, caminhando lentamente entre os bancos, colocando em espaços de uma pessoa o panfleto, a igreja era enorme. — E sim eu vou fazer. — respondi notando que ele esperava uma resposta. — Espero que me ajude a não me perder. — Resmunguei fingindo pavor.
Ele sorriu mais largamente, e eu notei muito nervosa, que aquilo podia ser olhado como um flerte.
— Pois pode contar com isso...
Antes de Matt continuar uma garota se aproximou, usava um vestido rosado de renda sem mangas, seus cabelos eram castanhos lisos batendo abaixo dos seus seios, e ela era bem familiar e bonita, mesmo que parecesse ligeiramente acinzentada. Novamente meu instinto de sobrevivência que havia adquirido com os Cullen ficou retesiado.
— Ah Matt, eu sinto muito, estou atrasada, mas ainda quero ajudar. — Falou nervosa e afoita antes mesmo de se aproximar, e quando o fez parou me encarando. — Bella? — Perguntou com um vinco nas sobrancelhas.
— Elena? — Indaguei ficando alguns segundos analisando a menina que todos falavam que era parecida comigo – e eu com ela – ao ponto de que podíamos ser irmãs. Se algum dia eu invejei o poder dele foi naquele. Como Elena me veria? Eu estava muito magra, me atrevo a dizer até meio adoentada, e com certeza meus cabelos pareciam mais cacheados do que o normal pela vitamina D que recebiam. Tínhamos praticamente o mesmo tamanho, mas eu não me sentia capaz de usar rímel como ela, ou mesmo blush, e com certeza não investia em joias. Eu via aqueles olhos castanhos me analisando do mesmo jeito, e depois que ela se aproximou de braços abertos soltei o ar que nem mesmo sabia que prendia.
— Bella! Como vai?
Seu abraço era saudoso e alegre, e peguei-me sentindo-me muito culpada de ter me afastado. Principalmente no ultimo ano que não havia vindo a Mystic Fall para ficar em casa com... Enfim .
— Vou bem, e você?
Afastamo-nos ainda assombradas como havíamos mudado.
— Bem, bem... — Não pareceu muito certa da resposta. — Fico apenas triste de estamos nos encontrando em uma ocasião tão triste. — Alegou e seus olhos se encheram de lagrimas. — Ah Deus, desculpe-me, ando meio sensível ultimamente. — Disse mais para si mesma limpando lagrimas que caíram para meu desconforto.
Eu não era boa em confortar ninguém, mas me sentir compelida a apertar o ombro dela.
— Está tudo bem... Bem, não exatamente. — Murmurei no final, a vendo encarar meu pulso sem piscar, logo o afastei com rapidez sentindo uma picada de eletricidade e medo que veio daquele momento, o mesmo medo que abateu em meu sistema nervoso assim que Jasper me atacara.
— Sim. — Elena murmurou e depois respirou fundo desviando o olhar. — Ei, aquela é April Young?
— Sim, ela mesma, filha do pastor Young. — Matt deixou claro também se virando para ver uma garota afastada parecendo muito abatida.
Elena nos pediu licença e foi até a garota. Matt me encarando fixamente me perguntou se estava bem, eu assentir sem graça, voltando a ajuda-lo com os panfletos, aceitando que mesmo que eu não quisesse sentir, eu sentia. E o que eu sentia, era que havia algo de errado com Elena.
Talvez ele estivesse certo, eu era um irmã para o sobrenatural, e só de pensar naquilo, sentir meu estomago querer colocar meu café da manhã para fora. E puxa, o memorial nem havia começado, ou mesmo minha estadia em Mystic Fall!
— Ótimo — murmurei sarcástica. — Você está ficando muito paranoica. — apontei com firmeza deixando aquilo por hora passar.
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