Alvorecer.
5 O Lobo e Eu — Panorama.
Notas iniciais

"Quatro meses atrás — Primeira transformação"
A dor foi profunda, mas bem vinda.
Porque quanto tempo fazia desde que havia sentindo alguma dor? Qualquer tipo de dor? Seus ossos se quebrando, sua alma tocando sua outra parte, aquela parte reprimida durante décadas, séculos, durante quase mil anos. Era como respirar depois de se afogar. De ser obrigado a se afogar.
Era isso que Klaus sentia quando finalmente seu lado Lobisomem foi destrancado. Quando finalmente soube o que era ser de fato um Híbrido. Então algo aconteceu, seus olhos que viam tudo, cada minúcia de uma floresta, como um bom predador, seus instintos mais animais do que vampíricos dando lugar a uma caça específica.
Não ao sangue, nem mesmo diversão de ser livre, nem a emoção de correr. Klaus era um lobo, e esse lobo queria algo.
Era um cheiro diferente, fraco, como rosas sendo banhadas aos raios do luar. Ele precisava chegar aquele cheiro, ele caçava aquele cheiro, e durante toda sua transformação sendo um lobo, ele o caçou. Então, quando acordou achou que foi um sonho.
Sentia o cheiro de terra molhada, o cheiro do musgo ao redor das pedras, das plantas, de algum animal – uma corça – que ele havia matado na noite passada.
— Aonde estou? — Indagou sentindo seu irmão mais velho atrás dele, como havia sentindo durante sua corrida.
— Forks, uma cidade pequena em Washington. — Elijah informou se aproximando ainda cauteloso, estendendo-lhe roup as enquanto via o irmão se colocar de pé com um sorriso que não o via dar fazia muito tempo, um sorriso de felicidade pura. — Vai voltar a Mystic Falls?
— Temos um acordo não temos? — Klaus rebateu se vestindo, sabendo que se Elijah não se afastava por causa daquele acordo. E nada mais.
Seguindo o mais velho ele encarou a floresta de Forks, porque estava ali, não lhe passou pela cabeça, porque seu lobo parecia querer está ali, ou mesmo se voltaria, não seria cogitado tão cedo.
Apenas algo lhe passava pela cabeça naquele momento, dar um jeito em Elijah, fazer Híbridos como ele. Ter uma família que nunca o trairia que nunca o deixaria, que sempre seria comandada por ele. Era afinal, seu sonho.
"Três meses atrás — Segunda transformação"
— Estamos longe de Oakland, parabéns.
Klaus queria muito cortar a cabeça de Stefan naquele momento, porque como seu parceiro na busca por lobisomens, ele era um resmungão de primeira. Nunca escondia o sarcasmo irritado na voz, ou mesmo parecia inclinado a achar alguma diversão na sua tarefa desde que ambos estávamos no mesmo barco dando adeus a Mystic Falls, a namorada duplicata de Stefan, e a Damon que fora curado por Klaus, pelo seu sangue.
— Onde estamos? — Indagou se vestindo com uma calça de moletom que Stefan felizmente havia trazido, vendo que o mesmo se afastara o seguiu descendo algum tipo de colina até ver um carro o esperando.
Klaus sabia que a transformação não era obrigatória, mas pelo menos na lua cheia, ele adorava senti-la.
Stefan não era seu amigo – ainda – mas era um bom ajudante, não que Klaus fosse alguma vez lhe dizer isso – provavelmente – mas era como ter Elijah. Ignorando a pontada de culpa em seu amago por prender novametne o irmão, sentiu a garoa bater em seu rosto assim que deixaram a copa das árvores.
— Alguma cidade minúscula de Washington. — Stefan respondeu já ligando o carro.
Forks. Klaus assinalou rápido, e novamente, deixou aquilo passar.
"Dois meses atrás — Terceira transformação"
Daquela vez ninguém estava com ele, ninguém. A constatação o deixou estranhamente sufocado. Acordara nu, no meio de uma floresta, daquela vez, havia sangue ao seu redor, havia um grupo de membros por toda a parte, tendas de acampamento destruídas, algumas peças de objetos diferentes por todo o lado.
Seu lobo irritado havia feito a festa, havia deixado seu lado mais sombrio e primitivo dar as caras, e Klaus havia amado. Todavia depois, antes do sol nascer, ele se sentiu cair no meio da carnificina, se sentiu ganindo como se soubesse que estava sozinho, como se soubesse que ao acordar não haveria ninguém ao seu lado. Então o cheiro, o maldito cheiro que ele havia sentindo assim que se transformou o rondou como uma manta e o levou a dormir.
— Maldição.
Com um ganido irritado se colocou de pé, caçou algumas peças de roupas, e deixou uma lamparina ainda acesa em cima de um dos galões de diesel que estava em cima de uma caminhonete caída de lado. Não ligava se deixasse a cena do jeito que estava, mas precisava se precaver.
Ouvindo a explosão em suas costas ele se afastou encontrando uma estrada, querendo apenas encontrar o pescoço de Stefan que havia o traído, que havia o feito acreditar que Elena a Duplicata estava morta, mas felizmente, Rebekah estava cuidando de tudo, e sugando o quanto fosse possível de sangue da garota que o daria um exercito de híbridos como Tyler Lockwood, sua primeira obra de arte.
Enfiou as mãos no bolso da calça ridiculamente apertada que havia encontrado e andou pela calçada esperando encontrar uma casa, um ponto de ônibus Interestadual, ou mesmo um carro para roubar.
— Oi, você está perdido? Precisa de ajuda?
Klaus segurou um sorriso, ótimo, um lanchinho e um caro, perfeito.
Então virou seu pescoço vendo as sirenes, vendo o rosto de um senhor o encarar sério, então algo aconteceu, não que o senhor fosse minimamente atraente, era normal ao extremo, mas quando o policial – porque claramente era isso que ele era – abaixou mais o vitro da janela, o cheiro o rondou como agulhas acariciando sua pele.
— Ponto de ônibus. — Acabou soltando meio atordoado, porque claramente aquele perfume era apenas uma ilusão que seu lobo havia se apegado a encontrar, como um gato procura um novelo de lã. Não era? Klaus queria acreditar que era.
— Siga essa rua.. Ou eu posso te dar uma carona, sou o chefe de policia Charlie Swan, e como houve uma explosão em um acampamento... — O homem parou de falar fazendo um sinal impaciente para Klaus entrar.
Ele entrou, se sentindo impotente, então o cheiro era mais forte ali, mas ele nada indagou sobre aquilo, não matou o chefe de policia de Forks nem mesmo lhe roubou o carro, apenas agradeceu silenciosamente pelo silencio do homem e sua discrição, e pegou um ônibus para Virginia.
"Agora"
Ele rondou o copo de gelo com dois dedos de Bourbon, vendo seus híbridos, os últimos híbridos que ainda tinha, e que teria por longos anos ainda, empacotar suas coisas. Se não fosse por Rebekah ter destruído as ultimas bolsas de sangue que continha o sangue de Elena!
Deixando novamente aquela fúria lhe rondar como uma sombra, ele suspirou fundo tomando o resto da bebida que agradavelmente queimou lhe sua garganta. Queria tanto empalar sua irmã novamente, ou mesmo qualquer um dos outros que achavam que não precisava dele.
— A cidade está um caos. — Ryan um dos híbridos que havia saído para trazer um caminhão informou entrando em sua visão. Klaus se virou minimamente, sem interesse, mas como um bom líder ouvindo. — Tyler foi baleado, e pelo que ouvir os Salvatore cochichando, á um novo Caçador de Vampiros na cidade.
Aquilo era novo, pensou. Desde que Rebekah havia matado Alaric – três dias atrás – e o concelho, pelo menos 12 membros, haviam sido mortos em uma explosão na fazenda Young, e ele mesmo iria embora, imaginou que o único problema que a cidade enfrentaria era Elena Gilbert a nova bebê vampiro tentando se controlar.
— È mesmo?
O sorriso mínimo no Original fez o híbrido dar um passo para trás.
Klaus parou de respirar assim que entrou naquele hospital.
Odiava hospitais, odiava o cheiro de morte que rondava ali, não da morte rápida, mas da velha carrasca que levava os idosos que já havia visto muito do mundo.
Klaus, poderia nunca contar para ninguém, mas se via às vezes naquelas rugas, naqueles olhos inteligentes e cansados, porque mesmo Rebekah tinha aquela sombra em seu ombro, assim como Kol e Elijah. A sombra da morte que nunca os alcançariam, as sombras de um inimigo que não lhes deixava esquecer que eles os deviam, e muito.
Viu um dos seguranças da Prefeita Lockwood o reconhecer, e minimamente lhe deu um olhar de aviso que o mesmo acatou e se afastou da porta.
— Tyler Lockwood, o vaso ruim que não quebra...
Então parou de falar, perdeu o sorriso de superioridade que tinha, o ato cínico que faria Tyler rosnar em ódio. Mas ali, naquelas palavras, ele perdeu o ar prendido, e teve que respirar, teve que sentir o soco do perfume que despertou seu lobo, que arranhou e mordeu dentro de si querendo sair
Um tremou lhe rondou a coluna, e o mesmo parou subitamente. E um tipo novo de calor novo o inundou como uma onda potente em meio a uma tempestade de verão.
Mas não queimava, porque era resplandecente.
Então tudo nele se desfez enquanto seu lobo parecia eufórico e se embolava ao homem humano que algum dia ele teria sido. Enquanto ele encarava aquele rosto em formato de coração, o cabelo em um castanho escuro, quase preto, a pele alva e translucida da garota sentada aos pés de Tyler.
Klaus não sabia se era alguma magia sendo lançada contra si, mas soube que fora forte o suficiente para todas as linhas que prendiam sua existência serem rompidas em golpes rápidos e precisos.
Como se algum tipo de divindade tivesse cortado as cordas de tudo que ele acreditava, tudo o que o tornava quem era – seu amor por ele mesmo, pela sua família, sua obsessão por fazer híbridos, seu ódio por seu pai e sua mãe, sua sede de sangue, seus sonhos mais íntimos – desconectados dele em um segundo em que aquela garota piscara com seus olhos profundos de chocolate, flutuando como balões de gás em um céu sem graça que dava vida a um alvorecer brilhante e extremamente quente.
Mas ele não ficou a deriva, seu lobo era ele, e ele era o lobo, um só. Deixando a parte vampírica assassina se acalmar como nunca aconteceu.
Porque apenas um fio o prendia onde estava. Não um, mas um milhão, um bilhão, trilhões. Puro cabos de aço o prendendo ao centro do seu novo universo. Porque como um tolo ele nunca tinha enxergado a simetria do universo, mas agora podia ver, não era cego!
Era ela, o cheiro mais doce do que rosas, que seu lobo procurou desde da primeira transformação, dando-lhe dor de cabeça, para lhe trazer gravidade, e o prender a si.
— Klaus, o que está fazendo aqui? — Tyler interrompeu aquele momento, fazendo a garota se levantar assustada.
Ele quis tocá-la, quis se afundar na curva do seu pescoço, o calor das bochechas que escureciam em vergonha – por estar sendo tão analisada – quis sentir o gosto de sua pele, dos lábios de cereja vermelho, do peso do seu corpo com aparência extremamente fráguil.
— Quem é você? — Perguntou sentindo sua voz rouca, sua garganta fechada, seu paladar parecer sensível apenas ao absorver o gosto do seu perfume que rondava todo o quarto pelo ar-condicionado que batera em seu cabelo.
Ela cambaleou para trás, parecendo assustada, fazendo Klaus entra mais no quarto, principalmente por ver Tyler segurar sua mão com intimidade. Seu lobo se chocou com a parede que era seu corpo, querendo sair, querendo dizer ao garoto que ele era o Alfa, e que ela era dele.
Absolutamente, completamente, irrevogavelmente. Dele.
Ele o controlou fazendo promessas de depois lidar com Lockwood. Seu lobo aprovou a ideia.
— Bella Swan, sou amiga do Tyler. — Ela sussurrou e mesmo que fosse um sussurro era como um grito para seus ouvidos tão sensíveis que até conseguia, e se concentrava, ouvir seu coração que batia freneticamente naquele momento. Ela se afastou de Tyler parecendo ler seu pensamento, ele e seu lobo aprovaram. Então ela passou a língua nos lábios e a vingança foi deixada para trás por um desejo de sentir o que seus lábios sentiram. Foi como ver em vermelho, e a dor em sua virilha o fez prender o ar e tentar voltar ao normal. Que porra é essa? Uma parte racional o questionou. — Espero que melhore. Preciso voltar para o meu quarto. — Ela gaguejou para o amigo, se virando e tentando sair. Fazendo os braços de Klaus doerem por serem contidos, quando uma imagem clara deles lhe rodeando era tudo que via. Nossa, nossa, nossa. Era o mantra do animal que dominava o homem, o vampiro. — Com licença. — Ela pediu e ele se afastou minimamente, doeu como fogo queimando suas pernas, principalmente quando ela roçou seu cabeço em seu peito ao se esgueirar para saída.
— Maldição. — Conseguiu murmurar, encarando o chão em pânico, ao não fazer ideia do que tinha acontecido, mas sabendo que havia mudado tudo.
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