Alvorada

9 Aliado


Notas iniciais
Demorou um pouco mas voltei rsrs. Só pra informar, essa história já está termianda, então não irá flopar nem entrar em hiatus ok.

Jasper estava dando instruções para alguns guardas quando Haru o abordou no corredor do palácio.

— Imperador, podemos conversar?

— Ah, sim, claro, Vossa Alteza. Vamos até o meu escritório.

Jasper dispensou os guardas e Haru o acompanhou até um escritório perto do salão principal. Jasper fechou a porta e Haru esboçou seu sorriso mais encantador.

— Imperador, eu gostaria de expressar o quanto ficarei feliz em desposar Elodie.

— Ah! Então... gostou dela?

— É uma jovem adorável. O senhor a criou bem. Educada, comportada e atenta ao seu papel como Imperatriz de Jaspe.

Jasper ficou surpreso, mas soube que Elodie não tinha escolha a não ser manipular o príncipe herdeiro.

— Eu fico contente com isso.

— Só tem uma coisa.

— Uma... coisa?

— Gostaria que o casamento fosse em Jaspe. Eu irei até Aya para providenciar tudo. Inclusive a comitiva do rei. A data será em algumas semanas...

— Algumas semanas? — a frase saiu um pouco afoita de Jasper. — Ah, quero dizer, por que esperar tanto? Já está tudo arranjado, e o senhor precisa ser coroado logo. Tenho certeza que Elodie não irá se opor.

Haru sorriu, agora um sorriso afiado.

— Tudo bem. Eu irei até Aya e voltarei em 10 dias. Se estiver tudo pronto, nos casamos.

Jasper ficou satisfeito.

— Ótimo. Eu irei preparar tudo pessoalmente.

— Obrigado. Posso me despedir de Elodie antes de partir?

— Fique à vontade, Vossa Alteza. Mandarei chamá-la...

— Eu irei até ela. Com a sua licença.

Haru se retirou do escritório e Jasper sorriu confiante de que seu plano tinha dado certo.

Haru, por outro lado, conseguiu entender o quanto Jasper estava desesperado. Ele não desconfiou de nada.

No quarto de Elodie, ela estava na janela olhando o horizonte. Sonhava com a liberdade de não ter um prazo de “desligamento”.

Uma pontada atravessou seu peito.

Não era tontura. Era como se algo puxasse seu coração para dentro da terra. Elodie levou a mão ao peito e dobrou os joelhos. O mundo apagou por um segundo.

Ela caiu sentada, com as costas contra a mureta da sacada. Ofegante.

Uma brisa suave soprou. E não trouxe cheiro de flor. Trouxe sussurros.

“No vigésimo primeiro aniversário... o sangue dos Whritemore molha a terra... devolva o que foi roubado...”

Elodie tentou levantar, mas a dor prendeu.

“...sete dias... sono eterno...”

— Aah...

“Devolva, filha da alvorada, ou Morpheus será seu descanso final.”

O silêncio voltou de uma vez. Como se nunca tivesse havido vento.

Elodie ficou ali, no chão frio, com a mão ainda no coração. Suor na testa. Demorou alguns segundos até conseguir respirar direito.

— Começou — sussurrou para si mesma. — Eu não tenho mais tempo.

Uma batida na porta a tirou de seus pensamentos.

Ela ficou ali mais um minuto, até as pernas pararem de tremer. Se apoiou na mureta para levantar.

Outra batida, mais forte.

— Princesa?

Ela se levantou devagar, limpou o suor, ajeitou o vestido com a mão ainda trêmula e abriu.

Haru estava de pé, com aquele meio sorriso dele. Quando viu o rosto pálido dela, o sorriso caiu um pouco.

— Podemos conversar? — ele perguntou, mais baixo.

— Não aqui.

Elodie não esperou resposta. Passou por ele e seguiu pelo corredor. Precisava sair do quarto. Precisava de ar que não tivesse sussurro.

Ela o levou até o jardim dos fundos, onde os guardas quase não passavam. O lugar onde ela treinava arco quando era criança. Mais longe do salão. Mais longe de tudo.

— O que queria falar comigo que não pôde esperar o jantar? — ela disse, ainda de costas. A voz ainda estava rouca.

Haru se aproximou, segurou a mão dela e a virou devagar.

— Você está fria.

— Estou bem.

— Elodie.

Ela olhou nos olhos dele e forçou um sorriso.

— Não se preocupe tanto.

Haru esfregou os dedos de Elodie tentando aquecer.

— Eu vou embora.

O sorriso que ela estava segurando desapareceu.

— Ah... — Ela desviou o olhar. — Eu entendo.

— Entende?

— Você fez sua escolha... não precisa ficar.

Haru soltou uma risada curta, sem humor.

— Vai sentir minha falta tanto assim a ponto de ficar brava?

— Não estou brava.

— Tá sim.

Elodie o olhou, irritada porque ele tinha razão.

Haru perdeu o sorriso. Ficou sério e chegou mais perto, baixo o suficiente para só ela ouvir.

— Elodie, eu disse ao imperador que vou preparar o casamento. Que volto em dez dias com a comitiva do rei.

Ele olhou em volta, garantindo que não havia guarda.

— Mas eu volto em três. Com homens leais a mim. Para tirar Jasper do trono.

O ar fugiu dela.

— Haru, não. Se Aya entrar aqui com exército, o Jasper...

— Eu sei — ele interrompeu, gentil. — O Imperador conspirou contra Aya. Se eu não resolver, quem vem é meu pai. E ele não negocia, Elodie. Ele queima.

Elodie segurou o braço dele, com força.

— Então não deixa ele vir. Por favor.

— É por isso que eu preciso ir. Se eu resolver do meu jeito, meu pai vai confiar no meu julgamento. Ninguém mais precisa morrer.

Ela entendeu. Demorou, mas entendeu. Soltou o braço dele devagar. Assentiu.

— Tá. Em três dias, então. Eu seguro Jaspe até lá.

— Eu sei que segura.

A mão que segurava a dela subiu, roçou o rosto dela de leve. O polegar limpou uma lágrima que ela nem percebeu que tinha caído.

Elodie prendeu a respiração.

— Quando cheguei aqui, eu não imaginei que meu coração fosse se abrir de novo.

— Haru...

— Eu voltarei para você. Eu prometo.

Ele segurou o rosto dela, se aproximou devagar. Parou a um centímetro. Pediu permissão sem falar nada.

Elodie fechou os olhos e permitiu.

O beijo foi frio, leve, sem pressa. Um selo. O primeiro dela.

Quando ele se afastou, ela ainda estava com os olhos fechados.

— Eu estarei esperando.