Altruísta
1 Conto I
Notas iniciais
Conto I – Vinte anos atrás.
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Dizem que ser um herói é algo memorável e, embora seja realmente difícil em alguns aspectos – o que verdadeiramente é – vale a pena no final. Bem, não sei se isso pode ser uma resposta de fato verídica. Não posso negar que fico feliz pelos meus amigos, vendo o sorriso intenso nos lábios de Sakura, ou na paz inacreditável enxergada pelo olhar enigmático de Sasuke. Mas e quanto a minha felicidade? Esse é o problema de ser uma pessoa altruísta.
Lembro como se fosse ontem à primeira vez em que Sasuke e Sakura se viram. Por culpa minha. Eles nunca realmente foram do mesmo grupo de amigos – e nem mesmo as amizades tinham os estilos parecidos ou locais frequentados iguais – e, embora ambos sejam meus amigos, eles também jamais estudaram na mesma escola, o que seria praticamente impossível que os dois pudessem algum dia se conhecer a não ser por minha ajuda. Era uma noite chuvosa e o meu aniversário de quatorze anos de idade. Adolescentes gostam de sair e mostrarem o quão aparentemente invencíveis e cheio de pique para qualquer tipo de atividade são, ainda mais alguém hiperativo e animado como eu. Mas a chuva era intensa, e não eu não provinha de um carro ou outro tipo de locomoção que não me deixasse molhado no final das contas. E isso não era apreciado por mim, que odiava ficar molhado.
— Que tédio... — resmunguei para Sasuke pela enésima vez, e ele nem se deu o trabalho de esconder o desgosto pela frase repetida.
Não sabia ao certo o que fazer no dia. Já passava das oito da noite e nenhum colega de classe tinha se dado ao trabalho de aparecer em minha casa (todos, sem nenhuma exceção, haviam sido convidados).
— Você de fato não é nenhum pouco popular, Naruto. — Sasuke zombou da situação com um sorriso desagradável e falso posto em sua face.
Muitas pessoas poderiam dizer que isso era algo errado e um pouco maldoso para ser feito com um amigo adolescente, mas sempre tive noção que o garoto não fazia isso para magoar, e sim para mudar o foco da minha insatisfação. Não era apenas uma provocação normal.
— Calado, emo maldito. — ele apenas revirou os olhos com o apelido da época.
O garoto dos cabelos negros nem tem chance de retrucar a minha provocação, já que escutamos uma batida forte no portão da minha humilde casa (dividida com um padrinho bastante pervertido), que havia saído para mais uma jornada de escrita dos seus livros eróticos.
— Heh, parece que vai ter que engolir essa provocação ‘ttebayo! — exclamei animado ao perceber que provavelmente tinha chegado pessoas para a comemoração do meu aniversário.
Não esperei a resposta do meu amigo mal humorado e fui aos tropeços até a porta para recepcionar com um sorriso largo a bondosa pessoa que aparecera na minha casa. Tentei disfarçar, sem sucesso, a minha euforia de ter um convidado fora Sasuke pela primeira vez e destranquei a porta para recepcionar a pessoa.
— Espero que não tenha chegado muito cedo... — a voz suave da garota ressonou no meu ouvido como música.
Nunca imaginaria que a menina por quem eu sempre nutrira uma queda estivesse prestes a entrar na minha humilde residência apenas para comemorar o meu aniversário.
— Sakura-chan! — exclamei realmente feliz por vê-la ali, e ao mesmo tempo dei um espaço para que a garota dos cabelos rosa, parcialmente molhada pela chuva inconveniente, entre na casa.
Sakura era uma garota que havia uma personalidade única e bastante forte, digamos assim. Era gentil, mas ao mesmo tempo não levaria um único desaforo para casa, discutindo com tudo e todos mostrando o seu ponto de vista e justiça que defendia de forma feroz. Não éramos tão próximos, mas mantínhamos um relacionamento saudável de colegas, exceto pelos dias em que ela não concordava com as minhas atitudes exageradas como gritar com um professor ou matar aula em dia de matéria nova.
Mas ela estava ali.
Ela parecia um tanto quanto tímida ao entrar em minha casa, observando distraidamente os móveis humildes de minha casa sem realmente parecer avaliar algo.
— Bem, feliz aniver... — ela parou de me parabenizar soltando uma exclamação audível ao observar Sasuke entrar no mesmo cômodo em que estávamos. — ...sário.
O olhar intenso, somado com as pupilas dilatadas dos olhos esmeraldas de Sakura, as bochechas avermelhadas e não menos importante: a boca entreaberta, não traz dúvida alguma da atração que ela sentira ao ver Sasuke. Seus olhos dançam entre o rosto, o cabelo e o corpo do meu amigo, por alguns milésimos de segundos até que ela perceba que isso fora inadequado e olhe para baixo ainda mais envergonhada do que já estava.
Aquela reação fora mais que o suficiente para que eu ficasse a par do grande problema amoroso que o qual eu enfrentaria pela frente e infelizmente resto de minha vida.
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