Alphas X Betas - Amor X Ódio
14 Vanish poder O2 tira as manchas mais difíceis!
Notas iniciais
Capítulo 14: Vanish poder O2 tira as manchas mais difíceis!
Thalia
Eu não vou dizer que tinha melhorado com a morte do meu pai, até porque, depois da conversa com Jason e Percy, as coisas pareceram ficar mais tensas ainda para mim. Agora eu tinha a responsabilidade de cuidar dos dois, apenas porque descobri que eles eram meus parentes e como era muito ligada ao meu pai, principalmente, eu tinha esse desejo de tê-los perto de mim.
Mas, apesar de deixarem as coisas mais tensas, senti que eu poderia lidar com a morte junto dos dois. Tinha perdido um parente muito importante, mas acabei ganhando dois, poderia ter sido diferente e eu ter todos eles, mas saber que eu tenho um irmão para cuidar e encher o saco, me deixava alegre e tornava a perda tolerante.
Além disso, eu não podia deixar de continuar com nosso plano de vingança contra aqueles panacas. E isso acabou tirando um pouco os acontecimentos trágicos da minha cabeça. E obviamente estava me acabando de rir da cara daqueles idiotas naquele momento.
Todos, repito, TODOS os alunos do colégio estavam lá, rindo da cara dos Betas.
Talvez passamos um pouco dos limites, mas quem liga? Eu não.
Tudo começou nessa manhã de terça-feira.
— A gente já está indo! – gritei para que os meninos pudessem ouvir.
— Tá – eles responderam em uníssono.
Nós, as meninas e eu, tínhamos acordado mais cedo para começar a colocar o plano em ação. Ou pelo menos a parte que precisaríamos do professor de educação física, que era nos dois primeiros horários.
Chegamos apenas 15 minutos antes de o sinal tocar, o que deu tempo de sobra pra nós nos trocarmos e a Kat ir falar com o professor de luta, que seria a modalidade desse bimestre, já que eles escolhiam o que iriamos fazer.
— Por favor! – ela disse meiga, só que não.
Se aproveitamos o desejo do professor de ter a Kat no time de luta? Não, imagina...
Ele pensou um pouco e um sorriso se formou em seu rosto, encarando Kat.
— Eu faço isso pra você SE você entrar para o time de luta... – ele disse ainda sorrindo – Nós precisamos de você!
Provavelmente a Kat não esperava isso, mas eu sabia, depois que ela me contou o que tinha rolado ontem, que o professor faria qualquer coisa para tê-la no time. Então ela pareceu meu espantada no início, mas quando ela olhou para mim e eu fiz um aceno de cabeça, ela pareceu relaxar.
— Tudo bem, eu topo... Só não esquece, por favor – ela disse sorrindo de forma contida.
— Pode deixar comigo! Só não pergunto o que vocês vão fazer pra não sobrar pra mim – ele disse dando de ombros.
Kat pegou o número do celular dele, caso alguma coisa saísse dos nossos planos, e fomos nos sentar uma área distante do dojo.
— Está tudo pronto, né? – perguntei.
— Minha parte pelo menos sim – disse Mika sorrindo. Ela estava totalmente animada com o plano, assim como eu.
— Idem – respondeu Piper.
— Então é só esperarmos – disse Annie com um ar maligno.
Nós rimos da cara dela e esperamos a hora do golpe final.
[...]
Estava tudo dando certo. Saímos uns minutos antes da aula acabar e entramos no vestiário masculino. Cada uma procurando os armários de qualquer um dos Betas, o que estava bem difícil de fazer.
— ACHEI – gritou Annabeth no último setor de armários.
Fomos até lá, abrimos os cinco armários, usando a linda capacidade que a Mírian nos ensinou de abrir cadeados com clips de papel, e nos entreolhamos sorrindo maleficamente. Bem, como eu disse, ESTAVA tudo dando certo. Estava até ouvirmos a porta sendo aberta e vozes masculinas entrando pelo vestiário. Sussurrei um “fodeu” e fiz um sinal para as meninas entrarem nos armários, já que eram aqueles grandes que cabiam uma pessoa morta (ou viva no nosso caso) dentro.
— Você viu a novata gostosa? Cabelo preto e olhos azuis... – ouvi um cara dizendo e rapidamente olhei pelas fendas alongadas do armário. Era um garoto com os cabelos loiro escuro.
Talvez ele estava sem camisa e talvez eu tivesse achado o cara gostoso. Mas detalhes assim à parte.
— Não é? Muito gata! – respondeu outro.
Então escutamos TODOS os “elogios” que os bocós faziam para gente, desde gata até “preciso muito aquela garota na minha cama” com direito a gestos obscenos, principalmente de sexo, o que foi particularmente nojento e desnecessário.
Nesse meio tempo, mandei uma mensagem para Kat para ela mandar uma mensagem para o treinador dizendo que ele tinha que enrolar os Betas um pouco mais, já que não sabíamos que seria tão difícil achar os armários deles.
Depois de alguns minutos, o vestiário foi esvaziando. Saímos dos armários quando nos certificamos que não tinha ninguém por perto, mesmo que ainda pudéssemos ouvir vozes no início do local. Era arriscado, mas não tínhamos muito tempo. Começamos a pegar as roupas deles e deu o tempo perfeito para que todos os meninos saíssem do vestiário.
Corremos para o vestiário feminino e pude ver os cinco idiotas vindo de longe, na direção do vestiário.
— Foi por pouco – disse Mírian e assentimos com a cabeça.
— Tenho mais uma ideia brilhante! – eu disse sorrindo.
Trocamos de roupa rapidinho enquanto eu contava o meu pequeno plano. Kat e eu saímos primeiro, correndo, para o pátio do colégio com as roupas de todos eles em mãos. Como não tinha ninguém em lugar nenhum, provavelmente o próximo horário já tinha começado, não precisamos nos esconder para chegar até nosso destino.
Colocamos meu planinho em prática e estávamos quase terminando quando o alarme de incêndio tocou. Sorri para Kat e apressamos o serviço enquanto viamos o colégio sendo evacuado para onde estávamos. As meninas chegaram poucos minutos depois e quando o pátio estava quase todo lotado, chegaram as nossas atrações principais de cuecas e meias, completamente azuis e com o cabelo rosa.
Os Betas estavam sem reação. Todos riam e tiravam fotos deles. Eles olharam para a gente e eu apenas apontei pra cima, mostrando a eles suas roupas nos mastros do pátio que eu e Kat colocamos enquanto as meninas acionavam o alarme de incêndio.
Fomos até eles com carinhas inocentes.
— Que showzinho, hein? – disse Piper rindo.
— Eu sabia que tinha dedo de vocês nessa história – disse Nico irritado, encarando cada uma de nós, mas se demorando mais em Kat.
— Vai dizer que vocês não gostaram da nossa surpresinha? – ela disse com um sorriso.
— Ninguém mandou mexer com a gente – disse Mika encarando um Leo com uma tromba gigante – Nós temos duas mentes malignas aqui – ela falou passando o braços nos meus ombros e nos de Kat.
— Isso não vai fi... – começou Leo, mas...
— O que está acontecendo aqui? – gritou um cara baixo e meio gordo, provavelmente o vice-diretor.
Se eu estava com receio disso acontecer? Mas é claro que não! Eu sabia os riscos e mal podia esperar para que isso acontecesse.
Que as detenções comecem!
[...]
Estávamos na diretoria. Todas nós e eles, já vestidos, é claro. Annabeth estava a ponto de explodir, Kat e Mírian pareciam normais, mas eu sabia que estavam meio nervosas e Piper transbordava nervosismo. Já eu, estava me adaptando a sala que eu mais frequentaria durante o ano.
— Bonita sala – eu disse colocando meus pés em cima da mesa da dona Deméter enquanto olhava distraidamente para o local.
— Obrigada – ela disse falsa e empurrou meus pés para fora da mesa.
Ela falou... Falou... Falou e continuou falando. E então chegou ao ponto: detenção. Claramente os Betas reclamaram e acharam extremamente injusto, pois eles eram as vítimas e blá blá blá. E claramente não adiantou em nada. Seriam três detenções, uma em cada semana (incluindo essa) e para piorar tudo, seriam todas as sextas. Diante disso, eu com certeza conheceria todos os meus futuros parceiros de detenção.
Depois de ouvir os milhares xingamentos dos meninos, cada um foi pra sua sala.
Eu não queria admitir, mas sabia que essas detenções seriam beeeem longas ao lado dos Betas.
Luke
Eu soube lidar bem com a detenção que levamos. Concordo que foi injusta e tudo o mais, mas os meninos sabiam que isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Levávamos detenção sempre, exceto os certinhos do Jason e do Percy que levavam raramente, mas Nico, Leo e eu já estávamos acostumados.
Porém, eles que fizeram o maior escarcéu por causa dessa detenção. Eles chegaram a falar que não ligavam receber detenção, mas que pelo menos eles merecessem receber, o que não era o caso. Certo que perderíamos uma boa parte das nossas três sextas seguidas, mas é a vida.
As aulas daquela semana se passaram extremamente devagar, ainda mais quando você é zoado por todo mundo na sala, até o professor de espanhol que se risse mais ainda da minha cara teria dentadura voando pela sala.
A primeira detenção foi um saco. Eu fiquei impressionado com a quantidade de gente que fez merda em apenas uma semana, tinha quase 25 pessoas na detenção. E para completar, o pior professor do mundo, um de matemática do primeiro ano, ficou responsável. Ou seja, não poderíamos respirar fundo que era motivo para xingamento.
A semana que se seguiu seria destinada, na parte da tarde, para realizarmos os testes para novos jogadores nas equipes esportivas e hoje era dia de futebol e luta, ou seja, eu, Nico, Thalia e Kat tínhamos ficado no colégio. E como capitão do time de futebol americano, eu era obrigado a estar lá, assim como Nico.
Almoçamos com as meninas e descobrimos que, já que a Kat já estava na equipe de luta, ela iria fazer o teste para o time de futebol, sendo obrigada pela punk. Nico e Leo ainda estavam meio relutantes em falar com as meninas, mas nada que não fosse resolvido dentre alguns dias.
Quando terminamos de comer, fomos para os nossos respectivos vestiários.
— Vai ser comédia assistir ao teste da Kat, ela deve ser muito ruim – disse Nico tirando a camisa com um sorriso no rosto.
— Uma coisa que eu aprendi com as Alphas foi: nunca subestime uma garota – eu disse e ele riu.
Nico ia falar alguma coisa, mas o nosso “querido” Cara de Fuinha chegou.
— Belo showzinho, hein Castellan? – disse Jake Mason com um sorriso de desdém.
— Porra cara! Já falei para você tentar disfarçar sua atração por mim! Eu sei que sou gostoso, mas é só para as meninas, não curto tua fruta não – disse dando de ombros, vendo-o ficar vermelho de raiva e os amiguinhos dele segurarem o riso,. Nico não se conteve, riu na cara dele mesmo.
1x0 pro Luke!
— Hoje o time vai escolher os novos capitão e vice, quem sabe eu não tome seu lugar? – ele disse com um ar superior. Nico e eu apenas rimos.
— Já falei para você que não faz muito bem se iludir dessa forma, Mason.
Vi as chamas de ódio em seus olhos quando eu disse aquilo.
2x0
Por um segundo sua expressão era de raiva, mas logo sua cara de fuinha foi tomada por um sorriso de desdém.
— Ei, Luke, será que aquela sua amiguinha punk é boa de cama? Ela é muito gostosa
Com aquilo, vi que Nico iria voar no pescoço daquele desgraçado, mas eu acabei fazendo primeiro. Peguei a gola da blusa dele e o pressionei contra os armários, fazendo com que meu braço ficasse em seu pescoço, o enforcando. O filho da puta continuou com aquele sorriso idiota no rosto. Quem ele pensa que é pra falar assim dela?
— Retira o que você disse, seu merda – berrei e o sorriso dele aumentou.
2x1
— Ui, toquei no ponto fraco – ele disse mantendo o sorriso presunçoso.
— Cala a boca! – gritei.
2x2
Eu não deveria me descontrolar desse jeito por conta de uma garota que fez tanta coisa ruim comigo, mas era inevitável defendê-la. Querendo ou não, considerava as cinco minhas amigas e não deixaria que nenhum babaca falasse delas dessa maneira.
— Luke, vamos embora! Ele não merece seu tempo – disse Nico, mas eu sabia que ele queria arrebentar a cara dele, até porque a Thalia era praticamente a melhor amiga dele.
Larguei o Mason e segui Nico até a porta do vestiário.
— O que foi aquilo, Luke? – perguntou ele com uma certa surpresa na voz.
— O que? – eu disse olhando fixamente para frente.
— Você virou o capeta lá dentro! Deu a impressão que você gostava dela – ele disse meio divertido e eu o encarei sério.
— Faria aquilo por qualquer uma delas – respondi – Afinal, amigos são para isso.
— Amigos... Sei – ele disse com o mesmo tom de divertimento. – Vou nessa, cara. Boa sorte.
— Pra você também
Ele saiu em direção ao campo de futebol e eu para o campo de futebol americano. No meio dos dois campos tinha um campo de lacrosse, mas hoje ele ia ser usado para o teste de futebol feminino.
Cumprimentei os caras do time e os que iam fazer o teste e fui tomar água. Quando cheguei na mesa onde tinha um bebedouro de garrafão, vejo Thalia conversando animadamente com o Mason perto do jardim, ou seja, um pouco distante do campo.
— O que foi Luke? – perguntou Harry, um dos jogadores.
— O que? – eu disse ainda encarando a cena
— Se você estiver com raiva de alguma coisa, o copo não precisa sofrer por causa disso – ele disse rindo e eu notei que estava esmagando o copo de plástico que eu tinha pegado.
Larguei o copo e voltei meu olhar para eles. E foi justo na hora que ela abriu um mega sorriso e deu um beijo na bochecha dele. Por que ela era gentil e meiga com o Mason e comigo não? O que diabos eu fiz para ela apenas me enxotar?
Mas isso não importa no momento, o que importa é que ele é um cafajeste e não pode se meter com ela! Talvez eu esteja sendo um pouco hipócrita, eu sei que também não sou lá melhor do que ele nesse quesito, mas não quero que nada aconteça com ela.
Ela se despediu dele com um aceno de cabeça e se dirigiu para o campo. Tenho que admitir que ela estava muito gostosa com aquela roupa, shorts e uma regata, mas isso não vem ao caso.
Olhei pra frente e tinha algumas meninas na arquibancada, entre elas, Drew Tanaka. Ela estava me olhando, então sorri malicioso pra ela e acenei. Ela sorriu do mesmo jeito e fez um gesto de “Me liga”. Ri com aquilo e me voltei para o pessoal.
No momento meu objetivo era me manter no posto de capitão e detonar com aquele cara de fuinha.
Katherine
— Não, Thalia! Não vou! – eu disse esperneando enquanto era puxada para fora do vestiário pela punk.
— Ah, você vai sim, senhorita! – ela disse divertida e eu a encarei – Vamos logo, Harris! Essa é sua chance de voltar a brilhar!
— Brilhar? Thalia, eu não treino a anos desde que aquilo aconteceu... Você sabe que eu tenho medo – eu disse já fora do vestiário depois de ser arrastada — É basicamente um trauma!
— Então! Essa é a hora perfeita pra você vencer esse medo e trauma – ela disse séria.
Respirei fundo e fechei meus olhos. Eu realmente não queria fazer aquilo. Era certo que eu sentia falta, que meu sonho foi totalmente arruinado, mas eu tinha tocado minha vida. Não queria me prender àquilo por mais que eu amasse. Era certo também que tinha encontrado outro amor, mas não era a mesma coisa.
Nunca seria a mesma coisa.
— Está bem... Vamos – eu disse derrotada e ela sorriu.
Se fosse a Piper, ela estaria dando pulinhos e gritinhos histéricos, disso eu tinha certeza. Mas espera ae! Estamos falando de Thalia Grace a menina mais durona que eu já conheci.
Estávamos caminhando em direção ao campo de lacrosse quando um cara super gato com o uniforme de futebol americano parou em frente a Thalia e começou a conversar com ela, que pareceu gostar daquilo. Revirei os olhos e fui para o campo sozinha, onde havia algumas meninas, como diria a Piper, meio masculinas e assustadoras.
— A cara de cenoura vai fazer o teste pro futebol? – disse alguém atrás de mim.
Virei-me e dei de cara com uma menina alguns bons centímetros mais alta que eu, o que vamos combinar que não é muito difícil. Ela tinha olhos e cabelos castanhos e por mais que seja grande e totalmente intimidadora, era uma das meninas mais “femininas” que eu tinha visto.
— Algum problema cara de camelo? – disse cruzando os braços e a encarando com desdém.
Eu realmente não tinha escrúpulos encarando uma pessoa daquelas, mas é a vida, não é mesmo?
— Você sabe com quem está falando? – ela disse me encarando.
— Com a rainha da Inglaterra é que não é – eu disse desafiando-a com um sorrisinho cínico.
Então, antes que ela pudesse dizer alguma coisa (ou tentar arrebentar minha cara), uma mulher um pouco mais baixa que a garota chegou perto de nós. Ela tinha um uniforme preto e vermelho (as cores do colégio) e tinha um apito pendurado no pescoço, então deduzi que aquela era a treinadora.
— Clarisse... – disse a treinadora olhando pra ela com reprovação.
— Sim, treinadora?
— Não brigue com as novatas – ela disse e Clarisse revirou os olhos.
— Sim, treinadora...
Thalia voltou depois de alguns minutos e após mais alguns, a treinadora começou a falar, enquanto Clarisse estava do seu lado me olhando com um sorrisinho de desdém. A treinadora, que se chamava Sarah, apresentou Clarisse como capitã do time e aparentemente não tínhamos um vice.
— Vamos lá, meninas, formem duplas! Eu e as garotas do time iremos avaliar o desempenho de vocês – disse Sarah assoprando aquele apito logo em seguida.
— Thalia, eu não consigo – eu sussurrei pra minha parceira que eu queria matar nesse momento.
— Calma, Katherine! – ela exclamou me olhando com aqueles olhos azuis elétricos enormes dela.
Soltei um suspiro e cruzei os braços meio emburrada.
— Tá, tá... Cadê a bol... – comecei, mas levei uma bolada na lateral da cabeça.
Olhei furiosamente para o lado de onde a bola veio e vi Clarisse com uma sacola de bolas na mão sorrindo cinicamente.
— Ops, desculpa!
— Eu vou acabar com essa menina, Thalia! – eu disse vermelha de raiva virando para a punk.
— Kat, Kat, Kat... – ela disse passando o braço nos meus ombros, parou um segundo e pensou um pouco – Eu deixo você acabar com ela assim que a gente passar no teste,
Bufei revirando os olhos. Já não basta meu medo, tenho que aturar esse tipo de coisa. Só comigo mesmo, Senhor.
Enfim...
Começamos a fazer os exercícios que a treinadora mandou enquanto ela e as outras meninas do time nos avaliavam. Fizemos uns trocentos exercícios, que até então estavam tranquilos para mim, até chegar no teste de pênalti. Sete bolas ficavam alinhadas em frente ao gol na distância de um pênalti normal, então tínhamos que fazer o máximo de gols possíveis.
Meu coração estava pulando pra fora da boca, juro. Ainda mais quando eu olhei em volta e vi que os meninos do futebol estavam assistindo e infelizmente Nico estava lá. Depois vi que na arquibancada tinha mais alguns meninos, entre eles, Will. Pressão? Nããão, imagina.
Thalia e eu fomos as últimas, por que né? O azar está sempre ao meu lado, não é possível. Thalia foi primeiro e ela fez seis gols dos sete. A Thalia era simplesmente foda no futebol, apenas.
— Com certeza você vai passar – eu disse para ela quando veio em minha direção sorrindo animada.
— Tomara... – ela disse e a treinadora me chamou – Vai com calma, respira, tenta não pensar muito e vai na fé! Boa sorte ruiva!
Sorri para ela por conta do apoio e a abracei antes de me posicionar em frente ao gol. Eu estava prestes a desmaiar porque a cada segundo vinha flashes na minha cabeça do dia que me fez desistir de tudo. A treinadora perguntou se eu estava pronta e eu apenas assenti com a cabeça.
Se você pensou que eu arrasei no teste você está totalmente enganado. Eu errei TODAS as bolas, sem brincadeira. E para piorar a situação, nem para elas irem na direção do gol. Eu juro que a goleira quase se sentou em frente ao gol esperando eu terminar de chutar as bolas para o além. Três delas bateram na trave, outras duas passaram pelas traves e as outras duas passaram pelo travessão. Eu quis morrer naquela hora.
— Você é a pior jogadora que eu já vi na vida – disse Clarisse na minha frente com um sorriso vitorioso.
Ah, querida, eu vou acabar muito com a sua raça.
— Escuta aqui, sua... – comecei apontando o dedo na cara dela, mas Thalia me puxou pela cintura.
— Calma, Kat.
— Futebol não é lugar para patricinhas, garota – disse Clarisse.
Eu queria acabar com a raça daquela menina, mas meu passado veio à tona. E isso era uma coisa péssima, pois não sabia me controlar quando isso acontecia. Eu tentava segurar as lágrimas, mas elas estavam quase escorrendo mesmo antes de eu sair de lá. Virei o rosto para todo mundo e olhei pra baixo, enquanto sai do campo de lacrosse. Não sei quando comecei a correr, mas ouvi uma voz masculina me chamando, não consegui identificar de quem era.
Quando dei por mim eu estava na sala de biologia. Sentei-me no chão, limpando as lágrimas furiosamente enquanto mais saiam dos meus olhos sem que eu ao menos pudesse controlar. Aquilo realmente tinha me afetado e eu me odiava por sucumbir por uma coisa tão idiota. Por mais que eu pareça durona, eu sou uma Maria mole por dentro e eu me odiava ainda mais por isso.
Quando notei que não tinha jeito de deter as lágrimas, levei meus joelhos ao peito e apoiei minha cabeça neles, deixando as lágrimas correrem livres pelo meu rosto. Eu estava soluçando fraco quando ouço alguém na porta chamar meu nome.
— Kat? – era a voz de quem eu menos esperava ouvir naquela hora.
— VAI EMBORA, NICO – gritei, mas ele foi embora? Nããão, todos tem que ficar e atrapalhar meu momento depressivo, sempre.
— Não... O que aconteceu, ruivinha? – ele perguntou e eu senti que ele tinha sentado do meu lado.
Quando mesmo ele era legal comigo? Ah sim, nunca. Então...
O que diabos está acontecendo aqui?
Nico
Foi por muito pouco que eu não dou um soco na cara daquele loiro aguado. Ele estava rindo da cara da Kat. O pior de tudo é que eu sabia que eles estavam saindo e isso me deu ainda mais vontade de socá-lo até a morte. Mas a Kat era mais importante, com certeza era. Sem pensar duas vezes, eu sai correndo atrás dela.
Mesmo sendo mandona, durona, chata e às vezes irritante eu gostava da Kat. Tínhamos momentos bons e engraçados de vez em quando e isso era até legal. Ela com certeza era uma ótima amiga, mesmo quase tendo me matado mil vezes desde que nos conhecemos. O que me surpreendeu foi ela não tentar me expulsar mais vezes quando eu sentei ao seu lado. E o que me surpreendeu mais ainda foi ela me abraçar, chorando em meu peito.
— Calma, Kat... – eu disse fazendo carinho nos cabelos dela – Tudo bem, pode chorar. Chorar faz bem, isso... Pode chorar, meu bebê.
Eu sei que isso foi muito gay da minha parte, mas, qual é, a menina está sofrendo! Eu sempre faço isso pra consolar minhas irmãs, tanto Hazel quanto Bianca, mesmo a Bia sendo mais velha que eu. E eu não meço palavras quando vejo alguma menina chorando, não me culpem por ser ridículo.
Kat saiu do meu peito e me olhou com uma cara confusa, o que eu achei engraçado e fofo ao mesmo tempo. Ela estava vermelha, com os olhos inchados, mas continuava linda. Foi então que ela deu um mísero sorriso sem dentes de canto pra mim e eu retribui.
— Sabe quem eu chamo quando minha irmã mais nova está chorando? – perguntei e ela me olhou confusa de novo. Eu sou muito gay em fazer isso, mas foda-se também.
— Ham?
— O monstro da cosquinha! – eu disse e pulei em cima dela fazendo cócegas em sua cintura.
Ela gritava e ria ao mesmo tempo além de tentar me dar socos e chutes, mas eu estava acostumado com aquilo.
— Ni-Nico... – ela gritou e riu – Pa-para! Eu vou morrer!
— Só se você me prometer que vai parar de chorar — disse sem parar de fazer cosquinha.
— Tá bem, tá bem! Eu paro!— ela gritou.
A essa altura eu estava em cima dela, nossos rostos estavam bem próximos e nossos olhos conectados quando ela parou de se mexer. Confesso que senti muita vontade de beijá-la ali mesmo, além de outras coisas. Veja, o colégio estava vazio, não tinha ninguém nos corredores, uma rapidinha não ia matar ninguém.
Fui me aproximando dela e a vi arregalar os olhos. Quando meus lábios estavam encostando nos dela alguém pigarreou na porta, fazendo a gente se separar. O pior foi que eu tive uma reação mais lenta que a dela, então o resultado disso foi ela me dando uma cabeçada na minha cabeça.
Nunca saberei se ela iria aceitar meu beijo ou não.
— Ai!— dissemos juntos e passando a mão no lugar dolorido.
Olhamos para a porta e vimos o loiro aguado do Solace, nos olhando irritado. Foi ai que minha raiva subiu e eu quase levantei e meti um soco na cara daquele desgraçado, mas não fiz isso porque a Kat não deixou, segurando meu braço quando viu que eu ia partir para cima dele.
— O que está acontecendo aqui? – ele disse de braços cruzados nos encarando feio.
— Nada, Will. Ele só estava me consolando, sendo um bom amigo— ela disse se levantando rápido.
— Vamos embora – ele disse.
— Não seja idiota – ela disse revirando os olhos.
Mas, mesmo assim ela fez uma coisa que me surpreendeu: foi até ele e o abraçou. Ele ficou olhando para mim com uma cara feia enquanto falava para ela que ia ficar tudo bem. Sim, o mesmo cara que riu da cara da menina tinha ela nos braços e eu, que a consolei, não.
— Vai se trocar que eu te levo para casa – ele disse e ela saiu da sala dando um leve aceno para mim, movendo os lábios num “obrigada”.
Fiquei encarando aquele filho da puta por um momento. Levantei de onde eu estava e fui passar por ele pela porta, mas ele me parou com o braço e me encarou de novo.
— Não chegue perto dela, di Ângelo. Senão isso aqui vai cair nas mãos de uma certa pessoa – ele disse mostrando uma foto minha e da Kat.
No ângulo que a foto estava, parecia que a gente estava realmente se beijando, o que de fato não aconteceu. Mesmo assim, ele estava ameaçando mostrar a foto para Katie, minha namorada.
Os meninos sabem que ela é meio corna, mas isso só rolou uma vez quando eu estava bêbado em uma boate lá no Rio de Janeiro, ou seja, ninguém sabe e ninguém vai saber. Eu não gosto dela, mas posso dizer que tenho uma forte atração por ela e isso resulta em sexo e vantagens no colégio.
Talvez eu seja um interesseiro de merda? Talvez.
— A Kat é minha, ouviu? – ele disse e saiu dali antes que eu pudesse dizer alguma coisa.
No dia que vocês encontrarem Will Solace enterrado no jardim da escola podem crer que eu não tenho nada a ver com isso. Sai da sala extremamente puto e fui para o vestiário, onde encontrei Luke e Jake caindo na porrada mesmo. Com certeza o cara de fuinha falou alguma coisa da Thalia que o Luke não gostou, até porque os dois estavam conversando animadamente antes do treino.
Os outros caras, obviamente, estavam apenas assistindo à briga e torcendo. E como eu vi que aquilo não ia dar em nada, tive que apartar a briga. Conclusão, levei um puta chute do Luke na perna.
Mesmo querendo voar no pescoço do Mason, eu não fiz, só tirei um Luke roxo de lá, peguei nossas coisas e acabei levando ele pra casa, mesmo com os protestos, porque eu sabia que se ele fosse dirigindo ele bateria o carro.
E não é que eu acertei? Jake falou que Thalia topou sair com ele esse final de semana e que com certeza teria a capacidade de comê-la e ainda provocou dizendo: “Coisa que você ainda não fez, né Castellan?”.
Thalia estava precisando de uns bons tapas, apenas isso.
Annabeth
Era verdade que não era minha primeira detenção, já que aquelas loucas conseguiam me colocar nas piores enrascadas possíveis. Estávamos na segunda semana de aula, a semana que o povo não voltava para casa por conta dos testes dos times esportivos, ou seja, fiquei sozinha terça-feira em casa, já que não iria fazer nenhum teste.
Essa semana com certeza era a semana que não me interessava nem um pouco, semana dos testes esportivos. Eu não sou muito de usar meu corpo, exceto na dança, não sou boa em nenhum esporte, pois é, triste a vida.
Para a nossa felicidade, e infelizmente para a dos meninos também, aquela solução que eu fiz que nos tinha deixado azul já estava saindo, o que foi ótimo, pois não iriamos querer ir ao baile de boas vinda azuis, não é mesmo?
Hoje, quarta-feira, foi anunciado o baile de boas vindas que o Conselho Estudantil estava preparando. Iria ser na sexta da semana que vem e o tema era Baile de Máscaras, ou seja, teríamos que arrumar vestidos e máscaras e, para a infelicidade de alguns, só podia entrar se tivesse um par.
Gostava de bailes, mas não me importava em não ir. Se alguém me chamasse, beleza, eu iria tranquilo. Se ninguém me chamasse, faria maratona literária com certeza. Então minha sexta não será perdida, além da detenção.
Ontem eu tinha me inscrito para dar monitoria, o que poderia ser legal ao meu ver. Lógico que as meninas insistiram para eu fazer algum esporte, mas eu disse que não ia fazer nem que elas me arrastassem. Graças a Deus, elas não me perturbaram mais sobre o assunto.
Hoje seriam os testes pra natação, baseball e para líderes de torcida, ou seja, Percy, Piper e Jason tinham ficado no colégio. Eu acabei ficando também porque teria que dar monitoria para um aluno hoje.
Depois do almoço – que custei para sair porque Percy ficou puxando papo comigo mesmo eu dizendo que estava atrasada – corri pra secretária pegar o nome e a sala do aluno que eu ajudaria. Quando a secretária me entregou o papel e eu o olhei, gelei um pouco.
Ethan Nakamura – Sala 304 13:00
Por que diabos o Ethan precisaria de monitoria?
Felizmente, não estava com tempo de questionar nada porque já estava uns 10 minutos atrasada e para completar o Percy aparece e me para enquanto estou correndo meio sem rumo, pois não sabia onde era a sala.
— Wow! Calma lá, Sabidinha, onde vai com tanta presa? – ele disse depois de eu ter trombado com ele. Definitivamente não era meu dia de sorte.
— Bom, estou atrasada para monitoria porque VOCÊ ficou me prendendo no refeitório – eu disse dando muita ênfase no “você”.
— Ei, eu estava querendo ser legal! E não ia ficar de vela na conversa do Jason e da Piper – ele se defendeu e eu apenas revirei os olhos.
— Idiota – eu disse e sai andando, mas ele me parou.
— Quer ajuda pra achar a sala? – ele perguntou, vendo que eu estava totalmente alheia às salas daquele corredor.
— Você não deveria estar no treino de natação? – perguntei o fuzilando.
— O treino só começa 13h30 e ainda são 13h15 – ele disse dando de ombros.
Suspirei derrotada.
— Está bem, me leva para a sala 304... Rápido – eu disse e caminhamos rápido em silêncio até a sala.
Paramos em frente a porta e ele olhou dentro da sala, fazendo uma careta.
— Você vai dar aula para o Nakamura? – ele perguntou falando Nakamura com nojo.
— Algum problema? – perguntei arqueando um sobrancelha.
— Eu odeio aquele cara— ele disse semicerrando os olhos olhando para sala. Depois ele voltou o olhar pra mim meio receoso — Annie... Você quer...
— Desculpa, Percy, estou atrasada – eu disse o interrompendo. Dei um beijo em sua bochecha como agradecimento e entrei na sala, fechando a porta logo em seguida.
Ethan não notou que eu tinha entrado na sala porque não parou de batucar na mesa como se ela fosse uma bateria. Notei que ele estava com fones de ouvido, então claramente não ouviu a porta sendo aberta. Aproximei-me dele e só assim ele me notou.
— Oi, meu nom.. Annie? – ele perguntou assim que me viu – Você vai ser minha monitora?
— É o que parece – sorri e ele retribuiu.
Notei que Percy ainda estava na porta nos olhando, então só para provocá-lo, dei um beijo quase no canto da boca de Ethan e ele fez o mesmo. Olhei novamente para a porta e Percy não estava mais lá. Graças à Deus, não é mesmo?
— Então, o que nós vamos ver hoje? – perguntei me sentando ao seu lado.
— Matemática, equação logarítmica – ele disse me olhando.
— Ah isso é fácil – eu disse pegando seu caderno.
— Fácil? Quase repeti de ano por causa dessa matéria ano passado – ele exclamou.
Eu ri com a cara que ele fez.
— Mas é só em matemática que não está indo bem? Você parece ser tão inteligente – eu disse o olhando e o vi hesitar – Tudo bem se não quiser falar sobre isso.
— Não, tá de boa... – ele fez um pausa – Eu tenho dislexia e Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade, então já viu, né?
— Ah, isso não é problema! Comigo, suas notas vão melhorar, te prometo – eu disse sorrindo e ele retribuiu novamente.
Comecei dando algumas dicas para ele e depois fizemos milhares de exercícios. Fizemos umas duas pausas nessas 3 horas que ficamos estudando. Ele era bom, apenas desatento com coisas pequenas, mas que podiam atrapalhar uma conta toda.
— Finalmente – ele disse relaxando na cadeira quando eu disse que tínhamos terminado por hoje, o que me fez rir.
— Pois é... Bom trabalho – eu disse sorrindo.
— Ei, Annie... Eu estava pensando... Tipo... O Baile de Máscaras é na semana que vem, então você... Quer ir comigo? – ele disse se atropelando, me fazendo rir – Ei, não ria da minha cara!
— Desculpa, mas foi engraçado — eu disse tentando parar de rir – Ficaria honrada em ir com você.
— Vamos ver se você dança tão bem quanto ensina – ele disse se levantando e oferecendo a mão.
— Você vai se surpreender— eu disse dando a mão para ele sorrindo.
Ethan me puxou da cadeira e começamos a dançar ali mesmo, sem música e no meio da sala. Confesso que tinha disso muito engraçado, pois ele era um pouquinho desastrado.
— Vou ter que te ensinar a dançar também? – brinquei e ele me girou.
Mesmo não sendo desastrada o tempo todo, eu tropecei no meu próprio pé e cai em cima de Ethan, que me segurou pela cintura antes que eu beijasse o chão.
— Calma – ele brincou me erguendo e eu revirei os olhos.
Então, antes que pudéssemos fazer qualquer outra coisa, a faxineira apareceu e nos expulsou da sala para que ela pudesse limpá-la. Então arrumamos nossas coisas rapidamente e saímos da sala, nos despedimos e eu fui procurar Percy, já que tinha ido de carona com ele porque esqueci de abastecer meu carro.
Ele tinha sido o primeiro a me oferecer carona, então fiquei um pouco sem graça em recusar.
Talvez isso tenha sido uma péssima ideia.
Percy
Eu simplesmente quis matar Ethan naquele momento. Era pra E-U estar recebendo aquele beijo da Annabeth e não ele. O que me deixava mais puto era que foi ela que deu o beijo primeiro e não o contrário. Aquela boca deveria estar na minha e não na dele! Do ângulo que eu vi, dava para ver o selinho que ela deu nele e isso fez meu sangue ferver.
Sim, eu estava com ciúmes. Infelizmente estava.
Sai de lá depois disso. Eu não podia continuar vendo–a beijando o cara que eu mais odeio, ainda mais depois de eu ter quase pedido para ela ser meu par no baile. Eu sei que ela não é nada minha e estou agindo como um idiota, mas tenho que admitir que queria que ela fosse alguma coisa para mim além de amiga.
Como eu era capitão da equipe de natação, eu tinha que está lá para os testes, então fui o mais rápido possível para a área da piscina. Lógico, foda do jeito que eu sou, tinha que ser nomeado capitão mesmo. Troquei-me rapidamente no vestiário naquela área, cumprimentei os caras e fui para perto do treinador avaliar os testes do pessoal.
Depois que todos os testes acabaram eu pedi para o treinador para ficar um pouco na piscina treinando. Talvez tenha sido só uma desculpa para eu ficar sozinho e esfriar a cabeça. A água sempre me acalmava. Eu estava de baixo da água quando vi alguém lá em cima. Pensei imediatamente que era Annabeth, mas quando emergi vi que era Rachel.
— Ah... Oi Rachel – eu disse tentando ser simpático.
— Ainda treinando? – ela perguntou se sentando na borda na piscina e fui até ela.
— É... – eu disse me apoiando na borda ao lado dela – E você, fazendo o que nesse colégio uma hora dessas?
— Ah, treino das líderes de torcida, lembra? Reyna pegou pesado com as novatas... A sua amiguinha, Piper, enfrentou ela na frente de todo mundo, realmente me surpreendi com ela.
— Bem típico dela – eu ri e sai da piscina molhando Rachel sem querer – Ai Deus, desculpa, espera ai, que eu vou pegar minha toalha.
Peguei minha toalha no vestiário rapidamente e voltei correndo para secar Rachel. Eu estava sendo gentil com ela porque... Bem, eu percebi que Annabeth não foi com a cara dela, então seria uma boa pessoa pra eu me vingar. E não podia ficar melhor; assim que eu voltei, a vi vindo em nossa direção mexendo no celular.
Eu devo ser a pior pessoa da face da Terra.
Quando ela ia olhar para mim, desviei o olhar e beijei a Rachel. Ela estranhou no início, mas continuou o beijo, lógico. Nós só paramos de nos beijar quando Annabeth pigarreou.
— Por favor, sem putaria em público – ela disse de braços cruzados com uma cara de tédio, mas seus olhos estavam fulminando de raiva.
— Isso é recalque – disse Rachel entrelaçando os braços no meu pescoço. Annabeth apenas riu.
— Muito recalque de uma puta... Ah não, puta não! Putas são inteligentes porque elas dão e cobram, você é burra e piriguete mesmo, dá sem cobrar – rebateu Annabeth com um sorriso.
A única coisa que eu vi foi Rachel avançando na Annabeth e a puxando pelo cabelo. Depois disso só vi as duas na água. Não sei quem empurrou quem, quem bateu em quem, só sei que eu tive que entrar na piscina para apartar as duas.
— Meninas, meninas, meninas! Tem Percy pra todo mundo! – eu disse tentando amenizar a situação.
A reação de Rachel me surpreendeu, ao passo que a de Annabeth eu já esperava. A loira revirou os olhos e saiu da piscina enquanto a Rachel revirou os olhos e disse para eu me achar menos. Além de dizer que eu era dela e que não iria aturar uma vagabunda como a Annie dizendo aquelas coisas delas, já que ela não era obrigada.
— Argh, Percy vamos embora, eu estou com fome – disse Annie de braços cruzados na beira da piscina, ignorando completamente o que Rachel tinha dito.
— Está bem, sua chata.— eu disse revirando os olhos também.
Dei mais um beijo ardente em Rachel e saímos da piscina. Quando ela passou pela Annabeth, as duas se encararam como se quisessem uma a outra morta, o que eu não duvido muito. Annie meio que rugiu para Rachel e ela foi embora, tentei não rir disso. Fui para o vestiário rapidinho e troquei de roupa para irmos para o meu carro.
— Se enxuga antes de entrar – eu disse estendendo a toalha para ela.
Ela me fuzilou com os olhos e pegou a toalha da minha mão com brutalidade. Eita, vamos com calma, colega... Ela se enxugou e entramos no carro. Eu tentava fala com ela, mas ela não me dava bola, então me calei, deixando uma parte do caminho até minha casa em completo silêncio além do rádio. Sorri internamente, já que consegui minha vingançinha.
— Ei, você sabe o que a Piper fez? – tentei depois de um tempo e ela me encarou.
— Fez o que? – ela disse de braços cruzados, os cabelos loiros ainda molhados estavam grudados em seu rosto e peitos.
— Rachel disse que ela enfrentou a Reyna nos testes para as líderes de torcida – eu disse e vi um sorrisinho se formar em seu rosto, vai entender.
— Não, mas vou ficar sabendo assim que chegar em casa – ela disse voltando a olhar para frente – Pergunta para o seu priminho Jason. Provavelmente ele está envolvido, já que a Piper e ele estão fingindo estarem namorando.
— É mesmo... Tenho até medo do que seja – eu disse rindo e ela se forçou a não rir – Qual é. Pode rir!
— Você é um idiota sabia? – ela disse se virando para mim com um meio sorriso.
— O idiota que você adora— eu disse rindo puxando o saco dela.
— Pessoa mais adorável do mundo— ela brincou – Tão iludido...
— Ei! – eu disse, batendo na coxa dela.
— Ei! – ela disse devolvendo o tapa, mas no meu ombro.
O resto do caminho foi isso, a gente se batendo e brincando. Por mais que ela tente, não conseguiu ficar com raiva de mim por muito tempo. Lógico, um ser irresistível como eu, quem iria ficar com raiva de mim?
Sou muito adorável mesmo.
Piper
Depois do almoço eu fui para o vestiário trocar de roupa. Eu estava bem nervosa com esse teste. Minha mãe estaria pulando de alegria se me visse agora. Troquei de roupa rapidinho e fiquei segurando o colar de megafone que ela me deu no dia em que morreu. Algumas lágrimas saíram dos meus olhos, mas as limpei rapidamente e segui em frente.
O teste para líderes de torcida seria justamente perto do campo de baseball, já que o ginásio estava sendo utilizado para os testes do time de handebol e os campos de futebol foram ocupados pelos meninos que resolveram começar o treino mais cedo.
Vocês devem estar se perguntando: “Qual o problema?” ou “Porque ela não tá feliz com isso?”. É o seguinte, a bicha loira do Jason resolveu ter uma namorada de mentirinha para conseguir a exzinha dele de volta e eu sou essa namoradinha em questão, como já sabem.
Mas, o real problema é que ele é capitão do time de baseball e hoje ia ser os testes para essa merda, então ele estaria lá me vendo e vendo a baranga da Reyna, que infelizmente é a capitã das líderes de torcida, o que não me ajudaria nem um pouco.
Eu tenho raiva dessa garota por ela ser extremamente arrogante, babaca e definitivamente uma víbora. Fiquei sabendo que ela me chamou de piriguete e de “namoradinha de merda” na frente do Jason, que me defendeu e ainda me contou. Achei bem fofo da parte dele. Porém, pagar de pseudo-namorada é uma merda.
Minha mãe que o diga.
— Boa tarde garotas, sou Virgínia Montes e serei a treinadora de vocês. Essas são Reyna Raminez, a capitã de vocês, e Kayla Smith, vice capitã. Desejo a todas boa sorte nos testes. As meninas assumirão agora e nós três iremos decidir quem fica e quem sai. – ela disse indo se sentar na arquibancada e a Miss Nariz Empinado e a Kayla tomaram a frente.
Eu estava simplesmente apaixonada pelo uniforme. Entraria só para ter um uniforme divo daqueles, sério. Ele era todo preto e com as barras do top e da saia em vermelho e branco. O top tinha os dizeres “FDA” em vermelho com o contorno branco. A saia era de pregas e os pompons eram pretos e vermelhos.
— Vocês acham que têm o que é preciso pra ser uma Fênix? – disse Reyna tentando ser durona. Fênix era o símbolo e o mascote do colégio.
— Sim! – as meninas gritaram enquanto eu disse alto suficiente para ela ouvir.
— Então vamos aos testes – ela disse me encarando como se eu fosse a presa que ela ia derrubar a qualquer instante – Daremos uma sequência e vocês tem que acompanhá-la.
Uma menina começou a dançar na nossa frente. Passos simples e bem marcados. Enquanto as outras tentavam imitar a menina eu apenas fiquei absorvendo os passos. Enquanto isso, Reyna e Kayla passavam entre a gente para ver o nosso desempenho e só foi ela parar do meu lado para começar a me provocar.
— Não consegue acompanhar, querida? – ela disse de braços cruzados e com um sorriso no rosto. Apenas sorri falso para ela e continuei prestando atenção na dança. Graças a Deus ela saiu rapidinho dali quando viu que não aceitei a provocação.
— Porque não está dançando número 27? – perguntou a treinadora.
Elas tinham distribuido números para colarmos nas costas, um método para organizar melhor a bagunça toda e para os jurados se orientarem melhor.
Foi então que comecei a dançar, quando todas as meninas já tinham parado. Dancei a coreografia pedida e depois acrescentei uns passos sexy à la Piper McLean. Bom, eu quero muito entrar para a equipe, então tenho que fazer o meu melhor para conseguir, mesmo que seja chamando atenção mais que o necessário.
— Uau, muito bom número 27! – disse a treinadora. Todos estavam batendo palmas, até mesmo Rachel, mas lógico que a Miss Nariz Empinado tinha que ficar de braços cruzados me fuzilando.
Depois foi o teste de flexibilidade e saltos, e vamos combinar era a parte mais legal e a que eu era melhor. Tínhamos que fazer o que sabíamos, então eu fiz uma estrela seguida de um mortal duplo com o fim em uma abertura perfeita.
A treinadora me elogiou de novo e eu sai sorridente para ver as habilidades das outras meninas. Reyna estava com tanta raiva que foi aumentando a dificuldade de cada teste, o que fez muitas meninas boas se saírem mal, mas eu continuava lá. Sabia cada passo, cada salto, cada música. Minha equipe em Seattle ganhou três anos seguidos os campeonatos entre animadoras, não tinham como me derrubar.
Os testes já tinham acabado e eu sabia que tinha ido bem. Eu estava indo embora ao lado das outras concorrentes, mas alguém puxou meu braço com força, me fazendo girar pra encará-la.
— Quem você pensa que é? – disse Reyna notavelmente querendo me matar.
— Ér... Filha de Afrodite McLean, uma das melhores líderes de torcida da América do Norte?— eu disse dando de ombros e ao ouvir o que eu disse, a vi hesitando.
— Você é filha da Afrodite? – ela perguntou duvidando.
Puxei o ar e o soltei, demonstrando meu tédio.
— Sim e o problema é seu se você não quiser acreditar. Se me der licença, eu tenho que me trocar – eu disse me voltando para frente, mas ela me puxou de novo.
— Você não pode virar as costas para mim – ela disse com raiva.
— Ou o que? Vai chamar suas bajuladoras? – perguntei cruzando os braços.
Vi o ódio passar pelos olhos dela, mas depois veio uma expressão que eu não consegui identificar e não gostei quando ela deu um sorriso malicioso.
— Você e o Jason estão namorando, né? Há o que? Duas semanas? Aposto que você já deu várias vezes para ele não é mesmo? E também aposto muito que é corna— ela disse agora com um divertimento.
A raiva subiu. Subiu tanto que eu dei um tapa na cara dela com toda a força que eu tinha. Eu não acredito que o Jason ainda gosta dessa maluca e ainda está ME usando para reconquistá-la.
— Você. Não. Fez. Isso – ela disse pausadamente e com a mão onde eu havia batido.
— Fiz sim e posso fazer muito mais – eu disse e avancei nela com tudo.
Jason
Cara, a Piper é incrível! Nunca vi ninguém com tanta energia, garra, força e habilidade igual à ela, com certeza ela bate qualquer menina, inclusive a Reyna, quando o assunto é animar. Dá para ver que é mais que paixão.
Ela também é incrível por ter enfrentado Reyna daquele jeito. Ninguém nunca ousou em fazer aquilo com ela e Piper veio aqui e deu um tapa na cara dela e na frente de todo mundo que algum dia teve medo da Reyna.
Eu sou super fã de brigas entre mulheres, mas eu não podia deixar a minha ex brigando com a minha pseudo namorada. Não podia deixar que Piper se machuque, não é mesmo? Tenho que pelo menos pagar de namorado interessado. Okay, talvez eu esteja interessado mesmo nessa situação.
— Para, meninas! Vocês vão acabar se matando – eu disse perto delas tentando apartá–las.
— Isso não é assunto seu, Jackson – disse Piper puxando o cabelo de Reyna.
— É, ela está defendendo o título de “Piriguete Corna” que ela tem – provocou Reyna.
— Reyna, chega disso, você não pode falar assim com ela, eu já disse! – eu disse tentando separá-las.
— Gente, o que está havendo? – perguntou Travis Stoll, o cara que eu menos suporto na face da Terra. O pior é que esse ano ele, tipo assim do nada, resolveu fazer o teste para o time de baseball.
— Uma briga não está vendo? – eu disse com raiva.
Ele revirou os olhos e puxou Piper pela cintura, enquanto eu puxei Reyna e finalmente conseguimos separar as duas. Travis e eu segurávamos elas no ar enquanto elas se debatiam.
— Tira a mão da minha namorada, Stoll – eu gritei com raiva de verdade.
— Você que preferiu a sua ex, Jackson – ele rebateu sorrindo.
— Cala a boca – eu disse soltando Reyna e indo na direção dele.
Ele fez o mesmo com Piper e as duas ficaram nos olhando sem entender enquanto discutíamos.
— Piper é louca de estar namorando você – disse Travis.
— Pelo menos ela me escolheu – rebati.
Começamos as provocações até eu e ele estarmos no chão rolando de tanta porrada. As meninas tentaram nos separar, mas não conseguiram, ao invés disso eu sem querer acertei o nariz da Piper, que tentava me tirar de cima do Travis.
Quando eu senti meu cotovelo batendo nela me virei imediatamente e a vi no chão com a mão no nariz escorrendo sangue. E foi isso que deu brecha para o Stoll inverter as posições e me dar socos na cara.
— Olha o que você fez com ela – ele gritou com raiva puta.
— Eu estou bem, gente. Só parem de brigar – ela disse ainda no chão com a voz meio nasalada.
A essa altura, Reyna tinha ido embora, já que tinha dois caras brigando por causa da Piper. Nunca pensei que brigaria com alguém por causa de uma garota, ainda mais uma que nem minha namorada de verdade era.
Depois de alguns socos que recebi do Travis, uns caras do time de baseball tiraram ele de cima de mim e ele foi correndo ver como Piper estava, enquanto eu me levantava. Meu olho estava latejando e com certeza ele ia ficar roxo, mas eu também bati para caralho, e digamos que a cara do Travis não estava muito melhor que a minha.
— Cai fora ela é MINHA namorada – gritei na cara de Travis e ele se afastou da Piper – Você está bem? Desculpa, amor.
Dei um beijo na bochecha dela.
— Está tudo bem... Não foi nada— ela disse, mesmo que seu nariz ainda estivesse sangrando.
— Se vocês são mesmo namorados quero ver um beijo de verdade – disse Travis nos encarando com um sorriso maléfico.
— Se você não percebeu, ela está com o nariz sangrando! – rebati nervoso.
— Não foi nada... – ela disse em pé ao meu lado. Ela estava com uma toalhinha no rosto, contendo o sangue.
Olhei para Piper,então ela fez o que eu não esperava: agarrou a gola da minha camisa e me puxou para um beijo. Envolvi sua cintura com meus braços e puxei-a para mais perto, mas aquilo estava sendo um beijo técnico, sem língua, o que me deixou bastante triste. E provavelmente ela tinha deixado meu rosto cheio de sangue.
— Feliz? – perguntei para Travis que estava nos olhando com cara de tacho.
— Seu rosto está sujo de sangue – ela disse limpando meu rosto com a toalha que estava em suas mãos.
— Tem certeza que está tudo bem? Eu posso te levar na enfermaria – eu disse ainda meio abobalhado pela atitude que ela tomou.
— Não foi nada, relaxa – ela disse sorrindo.
Respirei fundo e soltei o ar fazendo uma careta. Mesmo não concordando, decidi ceder.
— Tudo bem então. Vou me trocar e a gente se encontra no carro, tudo bem? – eu disse e ela assentiu. Dei um beijo na testa dela e a deixei seguir seu caminho.
Bem, eu meio que obriguei Piper a ir de carro comigo. Lógico que para fazer com que o nosso disfarce de namorados ficasse mais real para todo mundo acreditar, então eu tinha que levá-la de qualquer jeito.
Troquei umas palavras com o treinador antes de sair dali dando uma fuzilada em Travis, que estava com o rosto um pouco cortado e alguns hematomas roxos. Segui rapidamente para o vestiário masculino para me trocar. Me olhei no espelho e vi que eu tinha razão sobre meu olhos roxo. Havia um pouco de sangue na minha boca também, além de um corte no supercílio. Lavei meu rosto rapidamente assim como eu troquei de roupa e fui para o meu carro esperar a Piper.
Eu estava encostado no capô do carro quando a vi vindo em minha direção com um lenço no nariz e mexendo no celular.
— Você está bem mesmo? Olha, desculpa, não foi minha intenção te machucar – eu disse nervoso e ela sorriu.
— Já disse mil vezes que está tudo bem! Não foi nada... Além do mais, você me defendeu e isso foi ótimo para as pessoas acreditarem que a gente está namorando. Com certeza a Reyna vai te querer de volta, porque meninas iguais a ela sempre querem o que elas não podem ter...
Arqueei as duas sobrancelhas perante o discurso dela. Apenas assenti com a cabeça e abri a porta do carro para ela entrar. Entrei no carro também e dei partida.
— Como vamos fazer no baile? – perguntei assim que saímos do estacionamento do colégio.
— Bom, eu pensei em gente brigar no meio de todo mundo. Então, obviamente, a Reyna vai correndo atrás de você para te “consolar”, mas você não pode ficar com ela, ok? – ela disse me encarando – Só deixa ela dar em cima de você. Ai você vai ver se ela realmente te quer de volta. Não quero que ela tenha um real motivo para me chamar de corna.
— Está bem... Nossa, não teria capacidade de bolar um negócio desses – brinquei
— É, eu sei... – ela disse séria, mas depois riu e eu a acompanhei.
Ficamos conversando no caminho todo até chegarmos em casa e sermos bombardeados de perguntas de Annabeth e de Percy.
Senhor, o que aconteceu com esses dois?
Depois de respondermos às perguntas daqueles loucos, Annabeth comentou que estariam saindo de nossa casa no sábado. Que elas iriam sair da detenção e iriam arrumar as coisas para voltar para a casa delas no dia seguinte.
— Mas está tudo bem vocês voltarem? – perguntei franzindo o cenho.
— Sim. Eu e Mírian acabamos de voltar de lá. O cheio finalmente saiu. – ela disse animada.
— Graças à Deus, não é? – disse Piper sorrindo.
— Sim! Não vejo a hora de voltar para nossa linda casa – cantarolou Annie e percebi que meu primo não estava com uma cara muito boa.
E eu também não recebi essa informação muito bem.
Mírian
Ah quinta-feira! Um lindíssimo pré-final de semana com direito aos testes para o time de basquete, o esporte mais lindo do mundo. Todos os outros já tinham feito os teste para os seus respectivos esportes, só faltava eu e Leo, então ficamos no colégio daquela quinta-feira. No horário de almoço, acabei me sentando com o Connor e os amigos deles enquanto Leo foi se sentar com aquelazinha da Quione.
Eu sou do tipo que odeia a pessoa se eu não for com a cara dela, e foi exatamente isso que aconteceu quando eu botei meus olhos na Quione. Ela tinha uma cara estupidamente ridícula de metida tanto quanto Reyna e Katie.
Hoje teria testes para basquete, vôlei e lacrosse. E eu estava dando graças à Kami-sama pelo meu teste se na quinta, porque a diretora deixou bem claro de que o povo que estava em detenção , não poderia faltar o castigo para fazer qualquer teste.
Naquele almoço fiquei sabendo que Connor era o capitão do time de basquete, então ele teria que ficar no colégio para ver os testes do time masculino. Como só temos uma quadra de basquete, que é no ginásio, os testes femininos seriam depois dos masculinos, então eu iria assistir aos testes dos meninos e se eles quiserem iriam assistir ao nosso.
Nós estávamos comendo de boa, quando um cara musculoso apareceu e pediu para conversar com Connor. Fiquei observando a conversa deles de longe. O cara parecia ser treinador de alguma coisa, provavelmente do time de basquete masculino, já que ele queria falar com Connor... Enfim...
— O que houve? – perguntei quando ele voltou.
— A capitã do time de basquete feminino está doente de cama e não pode avaliar os testes, então o treinador delas me pediu para avaliar os testes junto com ele e a vice-capitã – ele disse e sorriu – Vamos ver se você joga mesmo.
Meu coração gelou. Eu já não estava querendo que ele assistisse ao meu teste, mas agora ele vai avaliá-lo e eu dependo dele para passar. Eu com certeza ia ficar muito nervosa, já estava vendo a manchete no jornal da escola (se ele tivesse um):
“Mírian Turner pisa na bola de basquete e vai se cara no chão fazendo todos rirem da sua desgraça”
— Bom... Vou lá me preparar fisicamente e mentalmente para esse desastre— eu disse fazendo os meninos rirem. Me despedi deles e fui caminhando até o vestiário.
Quando eu passei pela mesa de Leo, Quione levantou com a bandeja dela e eu acabei trombando com ela de frente, fazendo com que o resto de comida do seu prato fosse parar na sua blusa.
— Olha o que você fez, sua mongol! – ela disse, ou melhor, gritou.
— Oh, desculpa, não te vi – falei segurando o riso.
— Você sabe quanto custou essa blusa? Ela é original da mais nova coleção da Chanel – ela disse caminhando em minha direção ameaçadoramente, o que me fez rir.
— Foda-se, cara. É só limpar – eu disse dando de ombros.
— Sua anta, molho de tomate mancha – ela estava se controlando para não gritar mais ou me dar um tapa na cara, não sei direito.
— Vanish Poder O2 tira as manchas mais difíceis! Confie no rosa. Esqueça as manchas – eu disse imitando a voz daqueles comerciais irritantes, fazendo todo mundo rir.
— Sua... – ela disse batendo o pé, mas eu a interrompi.
— Vê se me esquece e vai pedir para a mãe comprar Vanish, vai— eu disse e sai andando.
Todo mundo do refeitório começou a me aplaudir e para fazer graça, mandei beijos para todos e ainda falei:
— Esse foi o show de hoje, pessoal! EU AMO VOCÊS – eu gritei e sai do refeitório.
Mano, eu estava com dor de barriga de tanto rir da cara que aquela menina fez. Pobre coitada achando que pode me intimidar ou mandar em mim nesse colégio. Nossa, como é bom ser vida louca e desafiar uma das “rainhazinhas do colégio”.
Fui para o vestiário para trocar de roupa e então reparei que eu tinha esquecido minha blusa. Puta que pariu, eu não vou fazer o teste só de top, não com os meninos olhando.
— Alguém tem uma blusa pra me emprestar? – perguntei para as poucas meninas que estavam no vestiário e nenhuma tinha uma blusa extra para me emprestar.
“Mas que porra...” – pensei – “ Quer saber? Foda-se também”
Sai do vestiário de top, short e tênis. Eu tinha a sorte que o meu top não era tão indecente assim, mas deixava minha barriga quase toda de fora. Senti todos os olhares em cima de mim, o que me fez virar um pimentão, claro. Sentei na arquibancada e comecei a conversar com as meninas que fariam o teste também, tentando ignorar os assobios e cantadas de alguns guris. Elas eram gente boa e muito engraçadas.
Os testes dos meninos demoraram mais ou menos 1 hora e meia e eu fiquei muito impressionada com a habilidade de Connor, que sempre demonstrava o que os meninos tinham que fazer. Depois foram os nossos testes. Eu fiquei muito nervosa, ainda mais que eu estava só de top, mas Connor disse que eu ia me sair bem e que fazia parte um pouco de nervosismo.
[...]
Eu acho, na minha humilde opinião, que eu arrasei no teste. Mas, infelizmente, os resultados só iam sair na segunda, todos os resultados na verdade. Eu estava saindo do ginásio quando Connor me gritou pra eu esperá-lo.
— Você foi ótima! – ele disse sorrindo – Realmente é uma excelente jogadora.
— Ah, que nada... – eu disse fingindo estar envergonhada. Qual é, jogar charme não mata ninguém!
— Ei Mi, quer ir ao Baile de Máscaras comigo? – ele perguntou e eu achei muito fofo ele me chamando de Mi. Sorri para ele.
— Eu adoraria – eu disse e dei um selinho nele.
Resisti ao impulso de agarrá-lo ali mesmo, então me despedi dele com um tapa na bunda e um sorriso, o que o fez rir e quase me agarrar. Mas consegui driblá-lo e sai as pressas de lá.
Uma tarada por bundas? Talvez.
Leo
Eu quase tive meu pau arrancado com as unhas por ter segurado o riso pelo mico que a Mírian fez a Quione passar. Em todos esses anos que eu frequento essa escola, nunca vi ninguém desafiar nenhuma das “Rainhas do Colégio”. Então tiro meu chapéu para Piper e Mírian, vocês viraram lenda nesse colégio! Agora só falta a Kat arrumar encrenca com Katie, o que não duvido muito vá acontecer.
Eu realmente não estava no caminho certo. Eu estava querendo conquistar Quione, mas rindo da cara dela não era um avanço. Descobri no almoço que ela era vice-capitã do time de vôlei, então pensei em fazer o teste para o time de vôlei masculino, só para ficar mais perto dela, já que os treinos são juntos.
O pior de tudo é que eu não sabia jogar vôlei direito e se eu passasse eu precisaria treinar e muito. Fiz o teste de qualquer jeito e acho que eu fui bem. Leo Valdez usando conceitos básicos da vida pra passar no teste de vôlei, é isso ai!
Andei pensando e cheguei a conclusão de que se eu quisesse conquistar a Quione eu precisaria de uma ajudinha feminina. A primeira pessoa que me veio a cabeça foi a Piper, mas então lembrei que ela já estava ajudando Jason, então descartei-a. Não queria dar mais trabalho para ela.
Thalia com certeza não leva jeito para isso, Kat ia mais me bater do que me ajudar e Annabeth iria dizer: “ Faça isso sozinho, se não você nunca vai aprender”, porque ela sempre me dizia isso quando eu pedia as respostas dos deveres de casa.
Então a minha única saída era Mírian. Mesmo a gente ter brigado muito por causa dos nossos pais, ela era minha única esperança. Mas com certeza ela iria querer algo em troca e tenho certeza que eu não aguentaria ser escravo daquela menina por mais uma semana.
Pensei e pensei e pensei... Então achei uma solução. Cara, como eu sou brilhante! Ela disse que estava doida com um anel de dois dedos do AC/DC e que faria qualquer coisa para ter um daqueles e eu lembro de ter visto ele em uma joalheria perto do colégio.
Troquei de roupa e fui para a joalheria comprar o anel. Esse seria o suborno perfeito e nem tinha sido cara como eu imaginada. Enfim. Cheguei em casa, tomei um banho e fui direto caçar a Mírian.
— Vocês viram a Mírian? – perguntei para as meninas que estavam na sala.
— Ela está tomando banho lá em cima – disse Thalia e eu subi correndo as escadas.
Quando eu cheguei lá em cima, ela saiu do banheiro e trombou em mim. E para o meu prazer visual, ela estava apenas de toalha. Olhem, a Mírian é muito gostosa. Por mais que seja estranho ficar perto dela por ela ser mais alta que eu, eu tinha que admitir que ficar olhando aquele corpo me fazia ignorar esse fato desconfortável.
— Ai cara! Olha por onde anda – ela gritou.
— Sem estresse, tenho uma coisa para você – eu disse mostrando a sacolinha da joalheria.
— O que diabos é isso? – ela perguntou franzindo o cenho e tentando pegar a sacola, mas eu não deixei. Curiosa igual um gato.
— Você só vai receber o meu presente se me ajudar em uma coisinha – eu disse sorrindo maroto e ela semicerrou os olhos.
O cabelo da Mírian era naturalmente uma bagunça de tão armado que era, então ela estava um pouco diferente naquele momento, já que seu cabelo estava baixo e grudado em seu rosto, ombros e peito, com água escorrendo deles. Ela segurava a toalha com força abaixo dos peitos, que, mesmo cobertos, dava para ver o quão grandes eram. Eu ainda sou homem e a carne ainda é fraca, minha gente...
— O que você quer, Valdez? – ela perguntou ainda com os olhos semicerrados.
— Que você me ajude a conquistar Quione Sanders – eu disse e ela começou a rir histericamente.
Amarrei a cara para ela.
— Nem sei de quem eu tenho mais pena, de você ou dela – ela disse enxugando uma lágrima que sai de seu olho. Depois que ela parou de rir, continuou— Tá bem, eu aceito. Agora me dá, me dá, me dá.
Dei a sacola para a criança e quando ela abriu só faltou sair correndo pelada pela casa.
— AAAAAAAAH OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA – ela gritou e me deu um enorme abraço que quase fez a toalha dela cair. – Te ajudo com o que você quiser!
Ela ficou agarrada no meu pescoço por alguns segundos e depois foi trocar de roupa. Falei pra ela que amanhã a gente bolava alguma coisa porque hoje eu estava cansado de tudo.
Então fui para a sala de jogos onde os meninos estavam reunidos. Graças a Deus um dia sem as Alphas nos perturbando. Elas estavam assistindo Pretty Little Liars na sala, nos deixando livres na sala de jogos.
— E ae gente? – eu disse entrando na sala de jogos.
Eles me cumprimentaram e disseram que as meninas iriam voltar para a casa delas no sábado, o que me surpreendeu, pois estava contando com Mírian aqui em casa para bolamos alguma coisa.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, o clima um pouco estranho estava impregnado ali. Então, Percy fez o tremendo favor de nos tirar daquele clima estranho.
— Ei, galera, a gente tem que começar a preparar a nossa tradicional festa pós-baile.
Todo ano nós dávamos uma festa um dia depois do baile de boas vindas. E geralmente o tema é o mesmo, só que muito mais animado, claro. Ano passado a tema foi baile havaiano, então, no dia seguinte, fizemos um Luau na praia perto do colégio e foi muito irado.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Festa à fantasia mascarado? – dei a ideia.
— Leo, você é o cara! – disse Jason animado.
— Eu sei... – eu disse convencido e tive uma ideia ainda melhor e bem maléfica.— Luke, você que se acha o fodão dessa casa...
— Eu não me acho, eu sou— ele disse sem tirar os olhos do vídeo game. Eu e os meninos revirando os olhos.
— Continuando... Te desafio a entrar na casa das meninas no sábado e pegar um objeto do quarto de cada uma, mas tem que ser na hora do almoço, porque sei que elas vão estar em casa – eu disse e os meninos sorriram – Se você conseguir, você pode pedir o que você quiser, mas se você perder você vai se fantasiar de leãozinho na nossa festa à fantasia.
A parte do se vestir de leão era de boas. Eu queria mesmo era vê-lo vestido de leão e completamente bêbado, já que Luke faz as coisas mais bizarras e engraçadas quando está chapado, então aquilo seria definitivamente hilário.
Luke passou a mão no queixo pensativo e disse com um sorriso malicioso:
— Eu aceito.
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