Alphas X Betas - Amor X Ódio
15 Ela sabe que é corna? - Parte I
Notas iniciais
Capítulo 15: Ela sabe que é corna? — Parte I
Thalia
Eu nunca tinha esperado tanto para um sábado chegar como eu estava esperando aquele. Eu mal podia acreditar que, depois de quase um mês na casa daqueles meninos idiotas, a gente finalmente teria nossa casa de volta. Finalmente liberdade!
E para aproveitar minha linda liberdade na minha tão amada casa, a primeira coisa que eu fiz foi tirar minha roupa e me jogar no sofá.
— Como é bom ter minha liberdade de volta – eu disse fechando os olhos e ouvindo os risos das meninas.
James, que estava trás de mim quando entramos na casa, já estava acostumado de ver nós cinco andando de calcinha e sutiã pela casa e outras roupas não muito decentes. Nós somos sensatas a ponto de não ficarmos assim na frente dos Betas, mas o James é um irmão mais velho para nós, então ninguém se importava com isso, nem ele.
— Agora que podemos ficar de calcinha e sutiã vocês não querem? – perguntei e elas se entreolharam por um segundo, mas logo estavam tirando as roupas também.
Não venha nos culpar, além dessa liberdade ser maravilhosa, estava um calor de matar naquele lugar.
— Thalia tem razão. Temos que aproveitar nossa liberdade – disse Kat indo na cozinha colocar os potes de Plue no antigo lugar deles.
— Hoje vou ficar assim o dia inteiro – disse Mírian se jogando na poltrona com Happy no colo.
— Fiquei sabendo que vocês vão ter um baile – disse James tirando a camisa e o short jeans, se juntando a nós. – Já têm par?
— Ai! Me deixa sentar caralho! – gritou Annabeth quando a chutei após ela ter sentado nas minhas pernas.
Revirei os olhos e encolhi as pernas.
— Não precisa nem perguntar pra mim, não é mesmo? – disse Piper soltando um muxoxo.
— É... – eu disse ligando a TV e as meninas me olharam incrédulas. James riu.
Não sou muito boa em esconder as coisas, já que eu tinha um sorriso meio malicioso que me entregava totalmente.
— Você vai ao baile? – perguntou Piper. Ela realmente parecia espantada com o fato de eu ter aceitado ir ao baile.
Não me admirava nem um pouco que elas estavam interessadas nisso ou até espantadas, já que todas sabem que eu odeio esses bailes de colégio idiotas.
— Quem foi o louco que te convidou? – perguntou Mírian.
— Nossa, Mírian, quem precisa de inimiga quando se tem você? – disse fazendo uma careta. Ela riu.
— Louco no sentido de que provavelmente vai perder uma bola ou outra se tentar alguma coisa – ela disse dando de ombros e sorrindo.
— Mika tem um ponto! – gritou Kat da cozinha – Vamos logo! Diga quem vai ser castrado na noite do baile! Quero ver sangue!
Revirei os olhos.
— Jake Mason – eu disse dando de ombros e elas me lançaram sorrisinhos maliciosos – Que foi dessa vez?
— Você sabe o quanto é sortuda de ir com ele, né? Ele é simplesmente um deus grego! – disse Piper sorrindo – E está em terceiro no ranking dos mais gatos do colégio.
— Isso existe? – perguntou Annabeth franzindo o cenho.
— Todo colégio de ensino médio tem essas besteiras – disse James dando de ombros – Eu, particularmente, era o número um em todos os rankings.
— Menos, Jay – disse Annie semicerrando os olhos para ele e depois de voltando para Piper – É sério isso?
— Com tantas meninas oferecidas nesse colégio e tantos caras tarados, você acha mesmo que não iriam criar esses tipos de ranking? Olhem – ela disse mostrando a página do Facebook em seu Iphone. – Temos sorte de não estarmos no ranking das meninas.
Olhei para o celular que ela mostrava para mim e para Annie. Logo Kat e Mika se juntaram a nós. O nome da página era “Gatos FDA”, ponto para a criatividade, só que não. Além de fotos de alguns caras bonitos, tinha um álbum com o ranking, onde tinha o nome do cara, uma mini descrição dele escrito pelas pessoas que criaram a página e ainda tinha o status dele.
— Se o Jake está em terceiro, quem está em primeiro? – perguntei e Piper riu para logo em seguida me mostrar a foto de Luke com um “#1” no canto da foto – Você está me zoando, não é mesmo?
— Bem, não... Mas, na verdade, esse é o top atletas. O top geral deve ter outros caras, vamos ver – ela disse e riu – Ih Kat, você tá bem na fita, hein?
— O que? – ela perguntou voltando da cozinha um misto quente em mãos.
— O seu deus grego está no top geral dos garotos mais gatos da FDA – disse Piper mostrando o celular.
— Também, não é para menos... Will é muito gostoso – disse Mírian nos fazendo rir.
— EU posso morder aquela barriga de tanquinho, EU posso lamber aquela barriga, EU posso arranhar ele todinho, então sossega a periquita, Mírian – disse Kat sorrindo cínica.
— É por isso que eu adoro ficar perto de vocês quando estão falando sobre homens, sai cada coisa engraçada – disse James rindo e as meninas e eu o acompanhamos, chamando-o de “idiota”.
— Olha o status: “Ainda em confirmação, mas parece que está tendo um rolo quase sério com a novata do último ano, Katherine Harris” Confirma isso produção? – disse Annabeth após entrar com seu celular na página.
— Sério eu não sei... Mas ele me convidou para ir ao baile – ela disse com um sorriso e dei uma mordida no misto.
— Will não é atleta não? Achei que vocês tinham se encontrado na academia, Kat – perguntou James com o cenho franzido.
Ele estava perto de mim, acompanhando o ranking pelo meu celular.
— Ah não, ele não faz parte da equipe de luta. Diz que tem uma regra clara em ter apenas um mestre – ela disse dando de ombros.
James soltou um “entendi” e voltamos a atenção para o meu celular. Todas nós entramos naquela página em nossos próprios celulares e pude ver o Top 10 geral. O Top Geral não diferenciava muito do Top Atletas, já que a maioria dos meninos do geral eram atletas também. E os nossos queridos Betas.
1º Will Solace – faz jus ao lugar, tenho que admitir.
2º Luke Castellan – PUTA QUE PARIU O QUE ESSAS MENINAS TÊM NA CABEÇA? MERDA DE CABRITO, SÓ PODE!
3º Nico di Ângelo – vou zoar o Caveirinha para o resto da vida dele, com certeza.
4º Jake Mason – okay, lugar merecido, vamos combinar.
5º Percy Jackson – AI COMO ESSE POVO É HILÁRIO.
6º Jason Jackson – PORRA! ERA PARA ELE ESTAR PELO MENOS NO LUGAR DO CASTELLAN! JASON LINDO! TE AMO MANO.
7º Ethan Nakamura – Annabeth sortuda da porra por dar monitoria para ele. O cara é realmente gato.
8º Leo Valdez – o Leo é um fofo, merecia mesmo estar nesse listinha idiota.
9º Connor Stoll – o gato da Mírian, é melhor não comentar porque se ela ver, talvez eu morra.
10º Travis Stoll – se você acha o Connor gato, vai achar o Travis gato também, então não tenho muito a declarar sobre o assunto.
— É uma lista e tanto – zombou James.
— Isso é ridículo, apenas – disse Annabeth e concordei com ela.
— Eu estou com fome, vamos fazer o almoço? – perguntou Jay se levantando ao meu lado.
Então nós fomos fazer o almoço, porque já eram três horas da tarde e estávamos famintas. O único assunto que foi falado foi esse tal baile. Eu estava fazendo o molho da lasanha e ouvi as meninas cochicharem alguma coisa. Perguntei o que era, mas elas disseram que não era nada.
— Eu vou ligar para o hospício pra levar vocês – eu disse olhando para elas.
— Não é nada, criatura! Termina isso ai – disse Annie me empurrando para voltar a mexer o molho.
Praguejei um pouco antes de voltar a atenção para a comida à minha frente. Deixamos a Kat montar a lasanha, já que ela n mexia com nada que tinha fogo, e depois colocamos a lasanha no forno.
— Thalia, tenho um desafio para você – disse Piper com um sorriso maroto. Olhei para as outras, vendo que estavam com o mesmo sorriso. Lá vem. Semicerrei os olhos e perguntei o que era.
— Desafio da canela! – gritou Kat.
— Você tem que comer uma colher de sopa com canela sem cuspir – disse Mírian sorrindo.
— Consequências depois, vamos lá – disse Annabeth enchendo uma colher de sopa de canela em pó.
— Lembrando que os desafios das Alphas não podem ser negados – disse Jay rindo da minha cara. Revirei os olhos.
O que de mal teria se eu fizesse esse desafio idiota? Só esperava que eu não tivesse que sair sem roupa na rua. Annabeth me deu a colher e eu a enfiei na boca. Aquele treco era coisa do demônio ou o que? Não aguentei nem um minuto, logo estava na pia cuspindo tudo aquilo pra fora.
— Água, água, água – gritei e elas começaram a rir descontroladamente.
Abri a torneira e bebi água dali mesmo, não me importando se era da pia ou não. Elas só pararam de rir quando eu dei um tapa na cabeça de cada uma.
— Anda, fala logo... O que eu tenho que fazer? – eu disse irritada por ter perdido.
— Vai deixar a gente te vestir para o baile – disse Piper com aquele tom de vitória dela.
O pior de tudo era que eu não podia negar, aposta é aposta.
— Vocês são um bando de vacas! – gritei e sai batendo o pé para o meu quarto. Eu não deveria ter aceitado antes de saber as consequências.
Quando abri a porta do quarto não acreditei no que eu vi.
— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI???
Luke
Eu soube, a partir do momento que eu aceitei a aposta de Leo, que eu poderia morrer dentro daquela casa. Mas achei que valeria a pena um pouco de adrenalina e emoção, afinal, já entramos na casa delas uma vez, só não tive a chance de entrar no quarto de cada uma e pegar alguma coisa de lá.
Eu sabia que ia ganhar aquela aposta, o plano não tinha como falhar. Nós já tínhamos almoçado e era minha deixa de invadir a casa delas. Os meninos me desejaram boa sorte e eu pulei o muro.
Não tinha como eu entrar pela porta dos fundos, então peguei uma escada que estava jogada perto do muro que dividia nossas casas e coloquei na janela mais perto. Subi as escada e por sorte a janela estava aberta. Entrei por ela e logo reparei que era o quarto da Annabeth.
Várias estantes cheias de livros, uma escrivaninha cheia de papéis, tudo bem a cara dela. Olhei em volta e vi um quadro magnético com várias fotos. Me aproximei do quadro e o observei. Tinha fotos dela com as meninas, dela sozinha, dela com dois meninos que eram muito parecidos com ela, assim como uma garota muito parecida com os dois.
— Foco, Luke – disse para mim mesmo e fui procurando alguma coisa que valia a pena pegar.
Conhecendo bem a Annie, sabia que ela tinha um anel de aniversário de 16 anos que ela ganhou do pai dela, então parti a procura dele. Obviamente que não iriamos ficar com as coisas delas. Até que não foi difícil de achar, ela era bem organizada. Peguei o anel em uma caixinha em cima da cômoda e sai para o próximo quarto.
Com certeza aquele era da Piper. O quarto era cheio de tons pastéis, principalmente rosa e laranja. Várias fotos coladas em uma parede e o desenho da Torre Eiffel em outra. A primeira coisa que eu vi foi um colar de baixo na cômoda dela, então o peguei.
O outro quarto era da Mírian, esse não tinha dúvidas. Tinha miniaturas de personagens de animes em 2 prateleiras, outra prateleira era lotada de mangás e HQs. Em um puff vermelho, Happy estava dormindo todo largado. Abri o armário dela e vi um gorro de gatinho bem a cara dela. O peguei e sai do quarto.
— Meu Deus – eu disse assim que entrei no quarto que julguei ser o da Kat.
Primeiro eu fiquei com dúvida se era o da Kat ou o da Thalia, mas os troféus de luta em uma prateleira me fizeram constatar que era mesmo o da Kat. Aquilo era mais bagunçado que o quarto do Nico e o meu juntos, sem brincadeira. As únicas coisas organizadas ali eram as prateleiras abarrotadas de troféus, medalhas, porta-retratos com ela de kimono, outras com luvas de Muay Thai, mas uma coisa ali me chamou atenção.
Um porta retrato mostrava ela e Thalia abraçadas com uniformes de futebol, mas Kat estava morena. Ela segurava uma bola de futebol enquanto Thalia segurava um troféu.
Deixei o retrato de lado e peguei uma das maiores medalhas, de ouro, que estava disposta na prateleira. Bom, já tinha passado por todos os quartos, menos o da punk. Meu estômago deu um giro de 360°, mas com certeza ia ser a melhor parte.
Sai do quarto da Kat tentando não pisar nas mil coisas que estavam jogadas no chão. Me senti jogando campo minado de verdade naquele quarto. Quando finalmente sai, entrei no quarto de Thalia e ele era um tanto macabro. Tinha pôsteres de bandas por todo lado, uma parede do quarto era listrada em vermelho e preto, as cortinas eram pretas e estavam fechadas, ou seja, estava um breu lá dentro. Fui até seu armário e abri a primeira gaveta.
— Uau, Thalia, assim você me surpreende – eu disse sorrindo.
Eu estava diante do paraíso. Só de pensar na Thalia com aquele sutiã preto de caveiras e aquela calcinha preta de renda subindo em cima de mim já me deixava louco. Nunca pensei que nossa querida punk teria lingeries tão sexys.
Isso. Era isso que ia levar. O sutiã de caveiras.
— O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI??? – ouvi a voz de Thalia na porta.
MEU DEUS, MEU SONHO SE CONCRETIZOU. Ela realmente estava só de calcinha e sutiã na minha frente, isso mesmo produção? Ela estava com um sutiã vermelho com renda preta por cima e uma calcinha combinando. Nós ficamos nos olhando por alguns segundos antes de ela vir para cima de mim para tirar satisfações. Não resisti ao impulso de pegá-la e jogá-la na cama.
— Me solta, Castellan! O que você tá fazendo aqui??? – ela disse embaixo que mim tentando sair.
Minhas pernas estavam prendendo as suas e seu quadril. Minhas mãos prendiam as dela sobre a cabeça. Eu já estava excitado a essa altura, o que não era muito bom, pois eu demoro um pouco pra ficar excitado. Meus parabéns, Grace, conseguiu me deixar nesse estado só aparecendo de calcinha e sutiã para mim.
Comecei a beijar seu pescoço, fazendo-a se debater um pouco mais.
— Calminha – sussurrei no ouvido dela e a senti se arrepiar.
— O-o que você tá fazendo? – ela gaguejou enquanto ficava um pouco mais calma.
— Matando o desejo – eu sussurrei e comecei a descer os beijos em direção ao seus peitos.
Deixei um rastro de mordidas, chupadas e beijos do seu pescoço até o meio dos seus peitos. Thalia não se debatia mais e sim suspirava tentando conter os gemidos. Beijei e lambi a parte exposta de um dos seus peitos, enquanto descia devagarzinho a parte do sutiã que cobria o outro.
— Lu-Luke – ela disse meio em protesto meio em gemido.
E foi ai que ela inverteu as posições e me olhou com um olhar mortal/sexy e me lançou um sorriso macabro/malicioso.
— Agora é minha vez de brincar – ela disse sensualmente no meu ouvido, fazendo-me estremecer.
Ela chupava e lambia meu pescoço com vontade e percebi que era para deixar marcas, com certeza. Não contive alguns gemidos que saiam sem que eu ao menos pudesse impedi-los de saírem.
— AI MEU DEUS – disse a voz da Annie na porta.
Eu e Thalia olhamos para trás e todas elas estavam lá, de calcinha e sutiã na minha frente. Paraíso completo. Depois disso, Thalia virou o demônio e começou a me bater, sendo acompanhada pelas meninas. Elas pegaram suas coisas, nem ao menos se importaram em perguntar porque eu estava com as coisas delas, e me expulsaram da casa. Olhei para o lado e vi os meninos na porta da nossa casa rindo igual condenados.
— Você vai ficar lindo na fantasia de leãozinho— disse Leo com um sorriso vitorioso.
Filho da puta.
Katherine
Aquele sábado tinha tudo para ser perfeito. Mas acabou sendo um dos piores dias da minha vida desde que nos mudamos para Miami (exagerada, porque sim). A vida é uma bosta que sempre terá alguma coisa ou alguém para estragá-la.
Depois daquela confusão toda com o Luke, almoçamos e eu lembrei que tinha marcado de assistir ao jogo das 16h na casa dos Betas. Iríamos ver o jogo entre o Manchester e o Barcelona. Ele tinha convidado Lucca, nosso professor de matemática, para assistir ao jogo na casa dele e acabou por me convidar também, alegando que queria ver minha cara quando o Barcelona ganhasse. Eu só aceitei pelo simples fato de que EU queria ver a cara daqueles dois quando o timezinho de segunda deles perdesse E ver o Lucca vestindo a camisa linda do meu time.
Coloquei minha camisa do Manchester, um short jeans e Vans pretos. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo alto, peguei meu IPhone e as chaves de casa e sai gritando paras meninas que ia na casa dos Betas. Toquei a campainha e esperei um pouco...
— Você? – disse eu e a Katie ao mesmo tempo.
Simplesmente não acreditei que ele tinha chamado aquele troço para assistir ao jogo com a gente. Isso ia ser um desastre. Eu definitivamente não ia com aquela cara de poodle que tinha levado dois tapas na cara que a Katie tinha.
— O que você está fazendo aqui? – perguntou ela com uma cara de poucos amigos.
— O Di Angelo me chamou para ver o jogo – eu disse passando por ela e entrando pela casa.
Vamos combinar, eu era de casa e estava pouco me fudendo. Cumprimentei o Lucca, que estava sentado no sofá enquanto Nico pegava algumas cervejas e uns petiscos. Fui até a cozinha e perguntei se ele queria ajuda.
— Que milagre! Katherine Harris sendo gentil – ele disse brincando.
— Só não acostuma – eu disse e peguei as latas de cerveja na geladeira, colocando-as no balcão— Porque convidou a Katie?
— Porque ela é minha namorada? – ele retoricamente.
— Ela sabe que é corna? – disse só para provocar mesmo.
— Não, mas... Só rolou uma vez e eu estava bêbado! – ele exclamou na defensiva.
— Então ela também não sabe que você fica dando em cima de mim, né? – eu disse chegando perto.
SIM, EU GOSTO DE COLOCAR LENHA NA FOGUEIRA, ALGUM PROBLEMA?
— Mas é claro que não! – ele exclamou sem querer me olhar.
— E se ela visse? – sussurrei em seu ouvido, fazendo-o se arrepiar – Eu sei que no fundo você tem uma quedinha por mim.
— O-o que? – ele gaguejou incrédulo e eu ri.
— Vamos, idiota. O jogo vai começar – eu disse levando as cervejas para a sala.
Franzi o cenho quando virei-me de costas para Nico. Pelo o que eu conhecia dele, ele iria negar o que eu tinha dito. Eu sabia que era mentira, sabia que esse lance de flerte era tudo um joguinho dele. Mas ele não falou nada que eu esperava escutar. Com certeza eu esperava algo irônico ou do tipo “Se ache menos, Harris”. Fiquei surpresa com ele não ter falado nada.
Sentei-me no sofá entre Lucca e Katie, colocando as latinhas em cima da mesa de centro. Depois de uns minutos, Nico chegou com os petiscos, os colocou em cima da mesa e sentou-se entre Katie e o braço do sofá. O jogo começou no exato momento que ele abriu a latinha de cerveja.
— NÃO FOI IMPEDIMENTO CARALHO – gritei levantando do sofá, apôs uns 20 minutos de jogo.
— O que é impedimento? – perguntou Katie olhando para Nico.
Encarei a garota ao meu lado. Não a julgaria por não saber o que era um impedimento, até porque, muitas pessoas não sabem e é realmente algo complicado de entender. Nico explicou mais ou menos o que era e ela fingiu que entendeu.
Se passaram mais alguns minutos e os dois homens levantaram do sofá gritando:
— PENALTI!
— Porra! – resmunguei atirando a cabeça pra trás.
— Amor, o que é pênalti? – perguntou Katie e eu a encarei novamente, dessa vez, não muito compreensiva.
— Sério? Você vem assisti à um jogo de futebol e não sabe o que é pelo menos um pênalti? – perguntei incrédula.
— Algum problema? – ela disse com aquela cara de metidinha que me faz querer lhe dar alguns tapas.
Revirei os olhos e fiquei prestando atenção no pênalti que ia ser cobrado. Segurei o ar e o jogador do Barcelona chutou e fez a porra do gol...
— NÃO!!! – gritei enfiando minhas mãos na cara enquanto os dois comemoravam – Se você perguntar o que é gol, eu juro que vou te bater – disse pra Katie.
— Eu sei o que é um gol – ela disse revirando os olhos.
O jogo já estava quase no intervalo quando Katie resolveu soltar a pérola do dia.
— Porque aquele cara tem roupas diferentes dos outros? E porque não passam a bola para ele? – perguntou Katie para Nico.
— Você está me zoando, né? – ela me encarou com o cenho franzido – Ah não... Eu não mereço isso, Senhor – levantei e fui para a cozinha, bem no momento que o intervalo começou.
Ouvi Nico falar alguma coisa e depois escutei passos em minha direção. Virei-me e vi a senhorita “Eu sou mais eu” de braços cruzados me encarando. Qual o problema dessa menina comigo, hein?
— Posso ajudar? – eu disse enquanto tomava uma caixinha de suco que achei na geladeira.
— Você não se liga não, né garota? – ela disse com a típica cara sínica.
— Oi?
— Nico é MEU namorado, ele nunca vai trocar alguém como eu por alguém como você – ela disse com um sorriso.
— Minha querida, eu posso acabar com você aqui e agora, então não provoca. – eu disse já morrendo de raiva.
— Não vou me rebaixar ao seu nível Harris. Só quero que você e as oferecidas das suas amigas... – ela começou, mas eu dei um tapa na cara dela.
— Dobra a sua língua para falar das minhas amigas. Um fio de cabelo de cada uma delas são muito melhores que você, sua cadela cor de rosa.— eu disse apontando o dedo na cara dela.
— Como você ousa? – ela disse com cara de indignada e com a mão onde eu havia batido.
— Ousando – eu disse e passei por ela, mas a filha de uma puta puxou meu cabelo – É briga que você quer? Então é isso mesmo que você vai ter.
Levantei o punho para socá-la, mas a vadia conseguiu desviar, porém, minha reação à isso foi muito mais rápida que a dela. Voltei o soco, acertando a lateral da cabeça dela. Não sei como, mas ela conseguiu me dar uma puta arranhada no braço antes que eu conseguisse desviar. Estava prestes a dar uma cotovelada em seu rosto quando ela simplesmente se jogou em cima de mim, e eu, que sou tipo peso pena da pena, acabei caindo no chão com ela em cima de mim, me estapeando enquanto eu tentava segurar seus braços.
Antes mesmo que eu conseguisse pegá-los, Nico a tirou de cima de mim e o Lucca me ajudou a levantar, porém me segurando para que eu não avançasse nela e acabasse com aquele rostinho de vadia que ela tem.
— O que tá acontecendo? – perguntou Nico com os olhos arregalados segurando a Katie.
— Me larga, Lucca! Deixa eu acabar com essa desgraçada! – eu disse tentando me soltar dele.
— Eu não mereço isso não... Depois a gente conversa, Nico— disse Katie saindo da cozinha e segundos depois ouvimos a porta batendo.
Quando Lucca viu que ela já tinha deixado a casa, ele me pôs no chão. Eu estava vermelha de raiva, queria acabar com a raça daquela menina. Quem ela acha que é para falar assim das minhas amigas? A Rainha da Inglaterra? Só se for a Rainha das Cadelas Vadias.
— Você está bem? – perguntou Lucca meio aflito.
— Estou... Ainda acabo com a raça as sua namoradinha, Di Angelo – eu disse ameaçadoramente antes de passar por ele e me encaminhar para a sala novamente.
Segundos depois, eles apareceram e se juntaram a minha para ver o segundo tempo do jogo.
No fim, a merda do Barcelona fez 2x1 e eu tive que vestir o pano de chão e ainda beijar o escudo para foto, porque os dois pediram. Ficou linda, se não tivesse não a camisa do Barcelona.
Mas isso vai ter volta. Nico que me aguarde.
Nico
Ter a foto da Kat beijando minha camisa era coisa de ouro no meu celular. Ela ficou muito gostosa com aquela blusa, já que ficou grande nela e ela estava usando short. Liguei para Katie e ela quase me matou por telefone por causa da Kat. Tinha que admitir que eu estava tentando não rir com ela no telefone.
É foda, mas tenho que admitir que aquele dia, fui dormir vendo a foto da Kat no meu celular.
Aquele domingo foi uma das coisas mais monótonas que já aconteceram desde que nos mudamos para aquela casa. Era muito estranho não ter as meninas por perto. A casa estava silenciosa e parecia que ninguém estava muito afim de fazer alguma coisa para animar.
Já a segunda-feira foi cheia de aventuras. O dia tinha tudo para ser normal, pelo menor até a hora do almoço. Hoje tinha saído os resultados das equipes da escola, então todo mundo que tinha sido aprovado tinha que ficar para participar da primeira reunião. Era mais um mini processo de inserção dos novatos e uma discussão sobre algumas táticas. Mas, mesmo assim teríamos que participar. Além disso, Annie tinha monitoria para dar hoje, então acabou ficando também.
Sentei-me ao lado da Kat e comecei a zoá-la, o que não poderia deixar de fazer, não é mesmo?
— Como vai a mais nova torcedora do Barcelona? – eu disse sorrindo para ela.
— Vai se fuder, nunca vou torcer para essa merda de time – ela disse olhando pra sua comida.
— Eu sei que você se amarrou eu colocar minha camisa – eu disse mostrando a foto pra ela.
— Me erra, Nico... Eu teria amado essa foto se eu não tivesse com a sua camisa – ela disse dando uma garfada em sua salada.
—– Amei você com minha blu... – comecei, mas fui interrompido por um pedaço de torta de frango na cara.
— Cala a boca, Di Angelo – riu Thalia.
Eu não tinha acreditado que ela tinha conseguido tacar a torta em mim, ela estava o mais distante da gente.
— Ah, é? – eu disse e joguei minha gelatina nela, mas acabou acertando Luke.
— Qual é, vey! – ele exclamou e pegou sou macarronada para tacar em mim, mas atingiu Kat.
— Porra, Castellan! – ela gritou e tacou seu burrito nele, porém ela não mediu nem um pouco de força, atingindo um cara que estava passando atrás de Luke.
Foi ai que começou a parte mais divertida do meu dia. A guerra de comida se expandiu pelo refeitório todo. Alguns minutos de guerra se passaram até a diretora entrar berrando. O refeitório inteiro apontou para mim, Kat, Thalia e Luke, até os nossos amigos traidores.
— Traidores! – dissemos em uníssono enquanto a diretora nos levava para diretoria.
Eu andava ao lado de Kat, que tinha macarrão no decote, ketchup no rosto e no braço, glacê no cabelo, enfim... Eu tinha suco de laranja na cabeça, glacê na minha jaqueta e sentia alguns grãos de feijão e arroz dentro da blusa. Em suma, estava uma coisa de louco.
— Vocês estão começando a me dar problemas – ela disse parecendo calma, mas eu sabia que no fundo ela queria arrancar nossas cabeças.
— Como se você já não soubesse que iríamos dar – disse Thalia como alguém que não quer nada.
— Não é? – concordou Luke.
— Já chega! – ela disse levantando na cadeira e batendo as mãos na mesa – Já que a detenção não resolve para nenhum de vocês quatro... Vocês dois – apontou para Thalia e Luke – Vão trabalhar na rádio da escola a partir da semana que vem!
— O que? – eles exclamaram – Eu não vou fazer nada perto desse pervertido – disse Thalia.
— Vão e não quero nem saber... E vocês dois – apontou para mim e para Kat – Vou colocar vocês na peça da escola. Como ainda não escolheram as pessoas para serem o Romeu e a Julieta, serão vocês dois mesmo.
— OI? – dissemos – As diretoras normais dariam detenção! – exclamei e “minha sogra” revirou os olhos.
— Já que a detenção não resolve para nenhum de vocês quatro, esse será o castigo de vocês... – abri a boca para argumentar, mas ela logo me cortou – Não quero saber, vão fazer o que eu mandei! Hoje de tarde procurem o clube de teatro e a sala de rádio antes da reunião dos times... Dispensados.
Nos levantamos e saímos da sala dela. Não acreditava que eu teria que fazer parte de uma peça da escola! Bianca e Hazel sempre falavam que eu era um ótimo mentiroso, então vamos ver se essa habilidade irá me ajudar nessa droga de papel.
Olhei para o lado e aquela coisa pequena e ruiva estava de braços cruzados, fazendo um biquinho fofo.
— Então... Foi aprovada no teste de futebol? – perguntei quebrando o silêncio. Luke e Thalia estavam atrás de nós, discutindo calorosamente.
— Claro que não, né? – ela disse sem me encarar
— E suas amigas?
— Piper entrou para as líderes de torcida, não esperava menos da pseudo-paty. Míka conseguiu a vaga no time de basquete e Thalia para o de futebol. – ela disse dando de ombros – Não fiquei triste, até porque, já estou na equipe de luta mesmo.
— Se você quiser, eu posso te ajudar no futebol... – eu disse olhando para o outro lado .
— Ah, valeu... Mas acho que perdi minha vocação para o futebol – ela disse e riu pelo nariz de forma triste.
A essa altura, Luke e Thalia tinham desaparecido, provavelmente estavam se agarrando em uma sala por ai.
— Por que você não joga mais? – perguntei depois de alguns minutos de silêncio e ela suspirou.
— Tem certeza de que quer ouvir? É uma historia bem chatinha
— Sou todo ouvidos – eu disse me sentando na escada e ela revirou os olhos rindo.
— Bem... Eu e Thalia éramos as melhores jogadoras de futebol de Seattle, participávamos de campeonatos e até fomos para Nova York pra um torneio...
“No nosso time tinha uma menina que me odiava profundamente e até hoje eu não sei o motivo... Então, nesse torneio em NY ela me deu um carrinho quando eu estava prestes a fazer o gol da vitória. Teria sido um carrinho normal se o pé dela não tivesse atingindo o meu em cheio, me fazendo cair no chão com o pé inchado e doendo pra caralho. Fui levada ao médico depois que o jogo terminou e ele disse que eu tinha rompido todos os ligamentos do pé direito. Foi assim que minha vida acabou naquele momento. Engessei o pé, fiz fisioterapia, mas meu pé não melhorou completamente. Passei quase um ano com o pé quase inútil, pois tive que parar de lutar até ele melhorar pelo menos um pouco. Então eu desisti do futebol por medo, sabe? Medo de acontecer de novo e eu nunca mais poder lutar ou jogar de verdade e com toda a alma que eu ponho em cada luta e cada jogo.”
Ela dizia tudo olhando para um ponto do outro lado da escada em que estávamos sentados. Fiquei pensando... Eu tinha ido assistir à um jogo de futebol feminino amador onde uma menina tinha torcido o pé. Não poderia ser tanta coincidência, não é mesmo? Tudo parecia uma grande brincadeira do destino, exceto uma coisa.
— Você era morena? – perguntei ligando os pontos.
— Nossa, Nico! Eu abro meu coração para você e você vem me perguntar se eu era morena? – ela perguntou indignada. – Eu odeio contar essa história e odeio que as pessoas saibam!
— Não, cara! É por que eu me lembro de ter assistido à um jogo em que uma menina morena machucou o pé... Bem, você deve saber, eu sou de Nova York – eu disse e ficamos em um silêncio constrangedor.
Fui me lembrando do dia cada vez mais. Fiz um esforço danado, mas não conseguia lembrar muito claramente.
— Bom, se foi um jogo de 2009 nas férias de agosto e a camisa da menina tinha escrito K. Harris com o número 29 nas costas... Sim, era eu. Eu sou morena, mas desde aquele dia eu passei a pintar o cabelo de vermelho.
Então lembrei-me claramente daquele dia. Sim, era a Kat, não tinha mais dúvidas.
— Você joga bem – eu disse por fim e ela me encarou – Vamos, não vou deixar você desistir do seu sonho.
— Quem disse que esse é meu sonho? – ela perguntou com um sorriso triste.
— Aposto que era – eu disse sorrindo.
— Tenho outros sonhos agora – ela disse voltando a encarar o ponto a nossa frente – Vamos, temos uma sala de teatro para visitar.
Annabeth
Aquele dia em que eu dancei com Percy no quarto dele tinha me feito sentir muita falta da época em que eu era dançarina. Nossos pais já tinham resolvido o probleminha financeiro, então não achei nada de mal fazer dança de novo. Perguntei para Kat se tinha alguma dança na academia que ela e Percy frequentavam. Para a minha sorte, graças a Deus, ela disse que sim.
Sei que dança de academia não tem nada a ver com dança de estúdio, mas, como eu estava totalmente enferrujada, decidi que faria algumas aulinhas na academia até voltar ao meu antigo ritmo. Então sairia em busca de um estúdio de dança.
Já eram quase 16h quando chegamos em casa depois de uma longa tarde no colégio. O treino da Kat e do Percy começava às 18h, então eu tinha tempo de sobra para estudar um pouco e depois ler algum livro. Quando deu 17h, tomei um banho demorado, me arrumei e fiquei em meu quarto lendo Jogos Vorazes até dá a hora de Percy vir nos buscar.
Eu estava tranquila lendo meu amado livro, quando entra uma Kat toda estabanada e ofegante no meu quarto.
— Meu bom Senhor, o que houve? – perguntei após me recuperar do susto que ela tinha me dado.
— Eu não vou para a academia hoje... – ela disse me lançando aquele sorriso fofo de quem se sente culpada que só ela tem.
— O que? Porque? Você não pode me deixar sozinha com aquele aproveitador de meninas loiras, puras e inocentes! – exclamei e ela riu.
— Loira você pode até ser, mas pura e inocente acho que não – ela disse sorrindo e eu revirei os olhos.
— Idiota... Porque você não vai?
— Bem... – ela começou torcendo o lábio inferior – O Will disse que tinha que conversar comigo e que era para eu encontrar com ele hoje e só podia ser hoje... – ela finalizou com um sorriso no rosto.
— Mas e o Nico? – perguntei curiosa.
— O que tem ele? – ela devolveu me encarando séria.
— Eu vi vocês dois conversando na escada hoje mais cedo, rolou um clima Kat – eu disse a encarando e ela riu meio nervosa.
— Lógico que não... Afinal, ele tem a Gardner— ela disse em um tom baixo – Mas enfim, você não se importa em ir sozinha com Percy, né? Claro que não! A gente se vê depois! – ela disse saindo do quarto e depois voltou – Ele está te esperando lá embaixo.
Então ela saiu e não voltou.
— Lá vamos nós... – sussurrei para mim mesma e peguei minha bolsa.
Despedi-me das meninas e entrei no carro de Percy e a primeira coisa que ele falou foi:
— Ué, cadê a Kat?
— Ela tem um encontro com Will, não vai poder ir – eu disse olhando para frente e ele soltou um “ Hm... Okay”.
Ele deu partida no carro e o percurso inteiro nós fomos em um silêncio muito desconfortável. Eu já não aguentava mais aquela falta de som no ambiente, mas era óbvio que não seria eu que ia quebrá-lo, então para a minha sorte, nós chegamos à academia.
— Quando você terminar vai para piscina, okay? – ele disse antes de sair do carro. Sua voz estava fria e seca, como se estivesse com raiva.
— E porque eu faria isso? – me irritei com o tom de voz dele.
— Porque se não você não volta para casa – ele disse e saiu do carro.
Fiz uma careta de desdém e sai do carro, batendo a porta com certa força.
— Quem ele pensa que é? – murmurei para mim mesma e revirei o olhos – Aquele idiota me paga! O que eu fiz para ele ficar de mau humorzinho?
— Falando sozinha, Loirinha? – disse alguém atrás de mim, logo reconheci sua voz.
— Não, Luke... – virei-me para encarar meu amigo. Luke estava suado, o cabelo loiro todo espetado para trás –Só... Murmurando meus problemas— eu disse e dei um sorrisinho fraco para ele – O que faz aqui?
— Um bom pegador tem que estar em forma, né? – ele disse mostrando os bíceps e eu ri com a brincadeira.
— Porque não veio com o Percy? – perguntei.
— Eu? Chegar aqui em um carro com um homem? Nem pensar! Faz mal pra reputação! – ele disse brincando e eu ri novamente – Mas falando sério, eu gosto de vir um pouco mais cedo malhar. Na verdade já estou indo embora. E você? O que faz aqui?
— Vim fazer dança. Você sabe, eu era dançarina quando eu ainda morava em Seattle.
— Voltar às raízes é sempre bom – ele disse sorrindo – Vem, eu te levo à recepção – ele disse sorrindo e eu o acompanhei.
Ficamos conversando esse tempo todo. Luke sempre me ouvia e me apoiava, ele era praticamente meu melhor amigo e sabia que sempre podia contar com ele, ou quase sempre.
— Me vê uma ficha para dança do ventre, por favor – ele disse para o balconista e eu o encarei incrédula.
— Dança do ventre, Luke? Sério? Sério mesmo? – eu disse sem acreditar e ele apenas assentiu.
— Olha, Annie, eu sei que o nosso Peixinho tem uma pequena queda por você, nada melhor do que provocá-lo – ele disse no meu ouvido e eu abri um pequeno sorriso.
— Não sei se eu te bato ou te agradeço – eu disse em dúvida, então deu um belo tapa nele – Muito obrigada!
— Você é louca, Devora-Livros— ele disse rindo – Agora vai lá e incorpora a Shakira!
Apenas soltei uma gargalhada para ele. Então Luke foi embora depois de espirrar um pouco de água em mim. Soltei uns xingamentos enquanto ele corria para a porta da academia, indo em direção à seu carro. Voltei minha atenção para o papel à minha frente. Dança do ventre era uma das poucas danças que eu não tive muito contato, então acho que faria bem expandir os horizontes.
Fiquei alguns minutos lá preenchendo com o atendente me olhando de uma forma maliciosa.
— Perdeu alguma coisa? – eu disse o fuzilando com o olhar.
— Nada não, gracinha – ele disse sem tirar o sorriso e eu revirei os olhos.
— Me erra, cara— eu disse ríspida e sai para procurar a sala de dança quando terminei de preencher os papéis e pagar a taxa de inscrição.
— Eu te levo para...
— Pode deixar que eu me viro – então andei mais rápido para não ter que escutar mais nada daquele cara.
Hoje estou com a síndrome TPM permanente da Thalia e da Kat, só pode. Caminhei meio sem rumo até esbarrar em alguém.
— Me descul... Ethan? – pisquei algumas vezes e ele abriu um sorriso.
— Ei, Annie! Tudo bem? O que faz aqui?
— Vim fazer dança e você?
— Estou fazendo musculação mesmo. Minha irmã chatinha disse que eu preciso entrar em forma, porque sou muito sedentário – ele disse soltando um muxoxo e eu ri.
— Bem, sua irmãzinha tem razão – eu disse beliscando a cintura dele com um sorriso brincalhão.
— Ei! – ele exclamou e começou a fazer cócegas em mim.
— PARA, ETHAN! Estamos no meio da academia!— eu disse alto e ele parou rindo – Olha, estou meio perdida, me leva para sala de dança?
— Claro! Vem comigo – ele disse e eu o segui.
A aula estava quase começando quando cheguei na sala espaçosa com um espelho cobrindo uma das paredes inteiras. Ethan me dei um beijo de boa sorte e se despediu de mim. Cumprimentei a professora e esperei que a aula começasse.
Foi então que descobri que eu tinha uma vocação para dança do ventre. Sempre achei uma dança incrível, mas nunca pensei que seria capaz de movimentar meus quadris daquela forma ou ter tanta fluidez nos movimentos. A professora disse que eu tinha que melhorar mais, mas para alguém que nunca tinha feito dança do ventre antes, eu estava de parabéns.
Descobri também que minha elasticidade estava prejudicada com os anos que passei sem dançar, o que não foi nada bom, pois meus músculos gritavam de dor quando começamos os exercícios de elasticidade.
Confesso que sentia saudades dessas dores. Sentia falta das dores nos pés por conta das sapatilhas de ponta do ballet, das dores nos braços de ficar muito tempo em uma posição só e nas dores nas pernas e abdômen por repetir o mesmo movimento milhares de vezes até estar um pouco mais plausível. Ou seja, senti falta das dores da perfeição.
E foi naquele dia que eu tomei a decisão de que iria voltar a ser dançarina.
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