Alphas X Betas - Amor X Ódio
12 Uma vez biscate, sempre biscate – Parte II
Notas iniciais

Capítulo 12: Uma vez biscate, sempre biscate – Parte II
PARTE II
Piper
A aula de literatura foi um tanto estranha... Eu fiz dupla com Jason e ele ficou olhando para ex dele, Reyna, que estava na nossa frente sentada com um menino muito gato. Um garoto ficou me perturbando a aula inteira, o infeliz era o irmão gêmeo de Connor, Travis. Mas a parte mais estranha foi ser assediada pelo professor. Sério, fiquei com muito medo, ele olhava para mim toda hora e quando ele passava por mim ele me secava completamente.
Fui assediada sexualmente em DOBRO nessa aula, medo eterno. Já vi que vou dormir demais nessas aulas para não ter que ver o professor me olhando descaradamente.
Quando o sinal tocou, sai voando da sala, deixando Jason para trás com uma cara interrogativa e fui me encontrar com as meninas nos armários. Ficamos conversando e contando alguns casos das aulas que acabávamos de ter até o sinal tocar. Estávamos seguindo o fluxo da nossa série para a sala de biologia conversando animadamente e em algum momento, os meninos apareceram atrás de nós e começaram a conversar conosco.
Entramos na sala, que tinha a disposição de um anfiteatro, e nos sentamos lá no fundo na parte do meio, já que era dividida em 3 partes. Sentamos uma do lado da outra e os Betas sentaram atrás da gente. Ficamos conversando com eles até o professor chegar.
— Bom dia, alunos. Sou o professor Carlos White – ele disse ajeitando os óculos.
— Qual é a sua próxima aula? – perguntei para Annie.
— Economia doméstica – ela respondeu – Essa aula também é para todo mundo, senão me engano.
— Torcemos, amiga. Torcemos.
A aula foi muito legal e divertida, o professor era muito engraçado e gente boa, adorei ele. Saímos da sala e caminhamos até a sala de economia doméstica. Kat estava tão animada (ainda) com a aula de biologia – ela é tarada com biologia – que ela estava agitada e falava sem parar com as mãos.
Não podia culpá-la, estava animada também com mais aulas de biologia como aquela.
Entramos na sala e... Meu Senhor todo poderoso, que professor mais gato!
Prevejo as putas todas se atirando para cima dele.
Mas não podia culpá-las (não tanto). Ele tinha um ar de desleixado, principalmente por causa da barba mal feita, e estava sorrindo de maneira feliz, o que o deixava bem sexy a meu ver. Seus cabelos negros contrastavam com o azul claro de seus olhos.
Virei-me para Annie, que estava atrás de mim, afim de comentar algo sobre o professor quando a vi hesitando e parando estática quando colocou os olhos no professor. Franzi o cenho sem entender.
— Annie? Você tá bem? – perguntei preocupada.
— Da... Daniel – ela sussurrou tão baixo que só eu ouvi.
Franzi o cenho mais ainda e coloquei uma mão em suas costas.
— Vem, Loira. – eu disse a guiando para o fundo da sala.
— O que você tem loirinha? Parece que viu um fantasma. – perguntou Kat logo atrás de nós.
— Na... Nada! Eu to bem – ela disse e forçou um sorriso. Aquilo não me convenceu, ai tem...
Abri a boca para falar, mas o sinal tocou anunciando o início daquele tempo. Eu ia sentar com a Annie, mas...
— Não sentem, quero todos de pé – disse o professor sorrindo, arrancando suspiros das meninas. MEUDEUSTODOPODEROSOQUEHOMEM! – Primeiro, meu nome é Daniel Mantovani, sou novo aqui na FDA e blá blá blá... Resumindo, eu vou formar as duplas na minha aula e todos os trabalhos que passarei serão em dupla, nada individual... Vamos começar a formá-las, levantem a mão quando eu chamar seu nome – ele disse e começou a falar os nomes.
Peguei uma lixa na minha bolsa e fiquei lixando minhas unhas até ele falar nomes que me interessavam.
— Annabeth Chase – ele disse e olhou fixamente para Annie, que hesitou e levantou a mão olhando para o lado com as bochechas vermelhas – E Percy Jackson.
Vi ela suspirar aliviada e ir para perto de Percy, que sorriu quando ela se posicionou ao seu lado. Vi que ela retribuiu o sorriso minimamente e começou a fazer movimentos com a mão, coisa que fazia quando estava nervosa.
— Piper McLean e Jason Jackson – ele disse e eu me controlei para não revirar os olhos. Agora bastava saber onde iriamos sentar, pois acho que não suportaria mais um horário vendo Jason secar Reyna descaradamente. Eu iria vomitar se isso acontecesse e olha que sou completamente a favor do romance levemente meloso. – Mírian Turner e Leo Valdez.
— Professor, pode trocar... – começou Mírian, mas ele a interrompeu.
— Sem mudanças, Mírian.
A intimidade tá grande para chamar pelo primeiro nome? Não sabia que existiam professores assim... Geralmente é: senhorita isso, senhor aquilo... Me lembro bem de Kat quase matando um professor de história por chamá-la de senhorita.
Ela bufou e o Valdez foi para o lado dela.
— Katherine Harris e Nico di Ângelo
— Ah, está me zoando né? – sussurrou Kat, na verdade ela falou alto mesmo e Daniel riu.
— Na verdade não, Katherine. – ele sorriu em direção a ruiva.
— Já não gostei de você! – ela disse brincando e Daniel riu mais uma vez.
— Thalia Grace e Luke Castellan – ele disse e eu fui falar com ele o motivo de ela ter faltado.
Como esse cara conseguiu ser tão gato? JESUS APAGA A LUZ! Deus jogou a forma fora quando fez esse homem só pode... Ele tinha um jeitinho ingênuo de ser sexy. Acho que vou amar ter aulas de economia doméstica. Voltei para o lado de Jason e ele me deu um beijo na bochecha e me abraçou pela cintura.
— Qual é a sua? – perguntei me afastando dele e o encarando irritada.
— Esse cara está te olhando esquisito – ele sussurrou no meu ouvido.
— Ah é? – disse mordendo o lábio inferior olhando para o professor – Interessante...
— O que diabos você está fazendo? – ele disse baixinho, mas com um tom incrédulo.
— Que foi, Jason? Vai controlar minha vida agora? – disse meio irritada.
— Eu... – ele disse, mas o professor começou a falar.
— Podem se sentar com seus pares...
Graças a Deus conseguimos mesas perto uma das outras e agradeço também por Reyna não estar na nossa frente para que Jason pudesse babar nela durante a aula. Após todos em seus lugares e com seus pares, Daniel começou a falar dos planejamentos para esse ano e vi Kat meio nervosa quando ele falou que teríamos aulas de culinária e isso valeria nota
— Alguma dúvida? – perguntou ele e Drew levantou a mão – Sim, senhorita Tanaka.
Achei um pouco estranho o fato de ele chamar apenas eu e as meninas pelo nome e não como acabara de fazer com Drew. Franzi levemente o cenho com isso.
— Pode me chamar de Drew... – ela disse com uma cara oferecida – Quantos anos você tem?
— Ér... 25 – ele disse meio espantado com a pergunta.
— Cof cof PUTA cof cof – Kat fingiu que tossia e toda a sala riu. Daniel prendeu a risada.
— Uma vez biscate, sempre biscate – eu disse baixinho e Jason riu.
A aula se passou normalmente. E quando eu digo normalmente é mais ou menos isso: Kat e Nico discutindo sobre futebol, Mírian dormindo, o Leo pintando o cabelo dela de marca texto, Luke mexendo no celular, Percy olhando para teto viajando e Annie com a cabeça baixa. Eu e Jason ficamos conversando a aula toda, já que o Daniel deu a aula para nos apresentarmos.
Jason
O horário de física foi uma verdadeira merda. Eu tive que sentar com Reyna ao invés de Percy ou de Luke, pois o professor mal comido decidiu formar as duplas também e as Alphas e o resto dos meninos não tiveram aula com a gente.
Fiquei imensamente aliviado quando o sinal de fim da aula tocou. Peguei minhas coisas rapidamente e me dirigi ao meu carro.
— Ei, Jason! Espera – disse alguém atrás de mim de longe. Queria que fosse qualquer pessoa, menos Reyna – Ei Jay!
Não acredito que ela usou meu apelido de quando estávamos namorando, não queria admitir, mas no fundo eu ainda gostava um pouco dela. Suspirei e me virei, vendo a parada, agora na minha frente.
— Oi Reyna
— Tudo bem, fofo? – ela disse sorrindo.
— Sim e você?
— Também... Olha Jay, eu sinto muito por... – ela começou, mas eu a interrompi.
— Não sinta, já estou em outra. – menti e vi uma expressão de surpresa tomar seu rosto.
— Ah... É? – ela disse meio confusa.
— Sim! – falei sorrindo.
Eu iria me foder? Talvez. Mas também talvez valesse a pena.
— É aquela periguete novata, não é? Que está fazendo dupla com você em economia doméstica. – ela disse com um tom irritado – Onde você a conheceu?
— Dobra a língua para falar dela – eu disse apontando o dedo na cara de Reyna.
Porque eu fiz isso, eu não tinha certeza. Juro que foi puro impulso, mas também não podia deixá-la falar desse jeito da Piper. Ela ficou com uma expressão de raiva
— Ela mora comigo.
— Está defendendo a namoradinha de merda, é? – ela disse com desdém e raiva – Morando? Aposto que ela já deu para você várias vezes.
— Para de falar dela! – eu disse mais alto assustando-a.
Não a deixei rebater, entrei em meu carro o ligando e fazendo a sair da frente. Arranquei com o carro para fora do estacionamento, me dirigindo para minha casa. Sinceramente, nunca fiquei tão puto com Reyna na minha vida, mas ela não tem o direito de falar assim da Piper. Querendo ou não, a considero minha amiga e não deixo que as pessoas falem assim dos meus amigos.
Reyna não era uma puta igual Drew ou Rachel, mas é uma cobra quando se trata de algo que ela quer e não consegue com facilidade, assim como Katie e Quione. Elas fariam qualquer coisa pra conseguirem o que querem, não era atoa que eram consideradas as “Rainhas da FDA”
Cheguei em casa e o povo estava todo lá. Piper estava na cozinha ajudando Sid, Jay e Percy com a comida. Pode parecer que não, mas Percy é um dos poucos que sabem cozinhar e infelizmente eu sou um desses também.
— Onde você estava, mano? – perguntou Leo, mas o ignorei e fui direto para cozinha, pegando Piper pelo braço e a puxando em direção ao andar de cima.
— Me larga, Jason – ela disse tentando se soltar enquanto passávamos pela sala, onde estava todo mundo.
— Eu preciso falar com você! – eu disse e ela cedeu depois de uns segundos, provavelmente quando se deu conta de que eu não iria soltá-la, me deixando levá-la para o meu quarto.
— USEM CAMISINHA CRIANÇAS – gritou Luke rindo.
— Vai tomar no cu, Castellan! – eu e Piper dissemos juntos.
Entramos no meu quarto e eu fechei a porta atrás de mim.
— Preciso de sua ajuda – eu disse encostando na porta e ela de frente para mim, no meio do quarto.
— Se estiver ao meu alcance... – ela disse com os braços cruzados sobre os peitos, fazendo os se juntarem mais ainda.
— Você está mais baixinha – comentei sem querer com um sorriso.
— Eu tirei os saltos, coisa – ela disse e olhei para seus pés descalços, mas ela continuava com a roupa que ela estava hoje de manhã na escola – Fala logo o que você quer Jason, eu tenho que ajudar as meninas com o almoço.
— Ah, é verdade! – eu disse com a mão na nuca, mostrando claramente meu nervosismo. – Bem, eu sem querer disse para a Reyna que eu estava namorando com você...
— VOCÊ O QUE? – ela gritou – Porque você fez isso? Quer acabar comigo?
— Calma, Pips! Quero dizer, não disse com todas as palavras, mas ela entendeu exatamente isso então... Eu só queria que você fingisse ser minha namorada! – exclamei – Reyna tem que acreditar, só isso!
— Não quero pagar de chifruda, Jason, e eu já tenho namorado!
— Chifruda? Porque você pagaria de chifruda? – lhe encarei com o cenho franzido confuso.
— Jason, eu sei que você e seus amiguinhos são bem pegadores naquele colégio e FORA dele – ela disse séria com os braços cruzados sobre o peito.
— Por favor, Piper! Eu te imploro – eu disse fazendo bico. Ela ficou em silêncio, provavelmente pensando na resposta – É só para mostrar para ela que eu já estou em outra! Ai ela vai querer voltar comigo, ai todos saem ganhado!
— Você está conhecendo bem as mulheres hein Jason? – ela disse sarcástica – E você ainda a quer de volta – Piper resmungou um pouco e revirou os olhos me encarando – Está bem, eu entro nesse seu joguinho. Mas sem beijo, ok? Só mãos dadas – eu sorri – Deus, eu devo ser a melhor menina do mundo.
— Você é! – eu disse feliz a abraçando e a tirando do chão, fazendo a rir.
— Tá bom, pseudo namorado – ela disse e eu a coloquei no chão.
Paramos de rir e nossos olhos se conectaram. Os olhos dela eram uma coisa inédita, eles mudavam de cor, do azul ao verde e do verde ao castanho, muito lindo. Ficamos nos olhando sem falar nada até que...
— Piper... Piper! – disse Mírian do outro lado da porta – Para de se comerem ai, a Thalia chegou!
Ela saiu dos meus braços e saiu correndo porta a fora. Um sorriso bobo e involuntário brotou em meus lábios, mas porque? O que diabos está acontecendo comigo? Ah, foda-se, eu só queria Reyna de volta, nada além disso, certo?
Resolvi descer pra cumprimentar a Thalia. Quando cheguei a sala, os olhos tristonhos e extremamente azuis pousaram em mim.
Me senti incomodado com seu olhar, mas isso não me impediu de ir até ela e abraçá-la.
— Bem vinda de volta – eu disse sorrindo tentando confortá-la.
— Precisamos conversar – ela disse, mas como se não quisesse falar – Percy, vem aqui... Senta todo mundo, eu preciso falar uma coisa.
Mírian
Estávamos em um tédio mortal e uma fome extrema lá na sala. Ninguém queria trocar de roupa, muito menos subir as escadas. Ah sim, dei um muro bem gostoso no Leo por ele ter pintado meu cabelo com marca texto verde na aula de economia doméstica. Eu sou um poço de meiguice mesmo!
Voltando...
Percy, Piper, Jay e Sid estavam fazendo o almoço, então o Golden chega, leva Piper lá para cima, nos deixando com uma cozinheira a menos.
Estávamos vendo The Big Bang Theory, já estava passando das 14h quando alguém entrou pela porta da frente. Todos nós olhamos para a porte, vendo uma Thalia meio triste passar por ela com um sorriso triste.
— THALIA – gritamos juntas e fomos abraçar a nossa punk.
Plue apareceu do nada, ele tinha crescido para caramba nas últimas semana, e começou a latir e pular em cima de Thalia, lhe dando boas vindas. Ela sorriu um pouco e afagou sua cabeça até ele se acalmar um pouco.
— Oi meninas, oi garotão!– ela disse com a voz meio triste. Dava para ver a diferença de cor embaixo dos seus olhos, como se não tivesse tido uma boa noite – Cadê a minha, pseudo paty?
— Está se pegando com o Jason lá em cima – disse Annie e Thalia riu um pouco.
— Mas já? – ela disse arqueando uma sobrancelha.
— Vou chamar eles, já volto – eu disse e subi indo para o quarto de Jason.
Quando falei que Thalia tinha chegado, Piper voou para fora do quarto. Jason ficou com um sorriso bobo e eu o deixei lá, rindo sem ele ver. Depois de todo mundo ter a cumprimentado, o Golden desceu e a cumprimentou também.
— Precisamos conversar – ela disse diretamente para ele – Percy, vem aqui... Senta todo mundo, eu preciso falar uma coisa.
As meninas, Jay e eu nos entreolhamos confusos, Thalia não é disso. Nos sentamos e ela ficou de pé. Parecia nervosa, juntava e separava as mãos de um jeito impaciente, olhava para os lados como se assim conseguisse buscar palavras para começar. Finalmente, ela fechou os olhos, suspirou e disse:
— Não vou mais enrolar, eu e o Jason somos irmãos – Ficamos chocados. Como assim? O que foi que eu perdi? – O que significa que somos primos – ela olhou para Percy para depois olhar para Jason novamente. – E que seu, bem, nosso pai morreu.
— Co-Como assim? – gaguejou Jason, mas chocado que todos nós. Percy estava do mesmo jeito.
Thalia agachou na frente dele segurando suas mãos, nunca a vi assim... Tão protetora. Ela disse que queria falar a sós com ele e Percy, mas explicou rapidamente que a tia Beryl não queria que eles comparecessem ao enterro do pai e tio. Contou rapidamente a causa da morte do pai e quando terminou, Jason se jogou nos seus braços chorando.
— Calma, Jason... Está tudo bem... Ele está bem, ok? – ela disse com lágrimas nos olhos, mas as segurando para parecer forte e consolar o irmão mais novo.
Percy ficou imóvel, não se mexia e parecia em choque. Vendo-o assim, Annabeth foi até ele, dando um abraço no Cabeça de Alga. Ele não retribuiu de início, mas depois começou a chorar no ombro da loira.
— Você tá bem? – perguntei sem graça chegando perto de Leo. Todos os meninos estavam meio abalados.
— Na... Não – ele disse e o abracei instintivamente. Que diabos eu estava fazendo? Ah sim, retribuindo o favor.
— Calma tá? Não fica assim – eu disse passando a mão nos cachinhos macios dele.
— Obrigado... – ele disse no meu ouvido me abraçando mais forte – Mesmo não sendo muito íntimo dele, é um choque...
Não disse nada, apenas o abracei mais forte, deixando alguma lágrimas caírem dos meus olhos. Dei um leve beijo em sua testa. Olhei ao redor e Kat estava abraçada com Nico e Piper com Luke. No final estava todo mundo chocado, inclusiva Sid, que estava sendo consolada pelo James.
— Parece que você não é tão cobra quanto em pensava – ele disse e me senti ficar vermelha de raiva, mas me contive para não gritar com ele.
— Então é assim que me chama pelas costas? – eu disse o encarando, já estávamos separados.
— Está tirando ideias precipitadas – ele disse se aproximando de mim mais uma vez e colocando seu queixo em meu ombro – Obrigado, mais uma vez.
[…]
O almoço tinha sido muito quieto. Jason, Percy e Thalia mal tocaram na comida. Leo tentava animar o povo com suas piadinhas ruins, mas que eram engraçadas, o que funcionou um pouco e por pouco tempo. Depois de todo mundo ter comido e todos ajudaram a arrumar a cozinha, Jason, Percy e Thalia subiram para conversar.
— O que vamos fazer agora? – perguntei depois de um silêncio incômodo.
— Eu não sei vocês, mas eu vou à uma lanchonete... – disse Kat pegando as chaves da sua moto, o capacete e indo em direção à porta.
— Eu vou com você – disse Nico se levantando e colocando a camisa – Você tem outro capacete?
— O que? Tá pensando que você vai comigo na minha moto? Nem pensar! – ela disse séria, mas depois riu – Eu pego o capacete do Percy para você, vamos.
Ela foi na frente e Nico logo atrás. Quando ela abriu a porta, depararam com um homem alto, pele muito branca, olhos negros, cabelos cor de carvão com alguns fios brancos e com um olhar severo.
— Pa-pai? – disse Nico meio engasgado.
— Olá Nico... Onde está indo? Essa é sua namorada? – ele metralhou Nico com perguntas e eu segurei o riso vendo Kat corar, já que ela se virou para olhar para mim.
— Eu não sou namorada dele... Somos apenas conhecidos – ela disse e vi Nico olhando Kat como se ela tivesse lhe dado um tapa na cara. Conhecidos? HÁ, estão mais para amigos com benefícios.
— Então o que a senhorita está fazendo aqui? – ele perguntou severo. Com certeza a essa altura Nico estava vermelho como o cabelo da Kat.
— Pai, ela e as amigas delas estão morando aqui conosco por um tempo. – ele disse receoso.
— Bem, vou deixar vocês terem uma conversa de pai e filho, estou indo – disse Kat e saiu em disparada pela porta,
— Não vai me convidar para entrar, filho?
— Cla-claro... Entra... Sem querer ser grosseiro, o que o senhor faz aqui? – disse Nico com um nervosismo explícito no rosto. Como estava sendo engraçado vê-lo cagando de medo do pai.
— Eu disse a você que vinha para Miami essa semana.
— Disse, mas não disse que viriam aqui
— Não posso fazer uma visita ao meu filho e os amigos dele?
— Claro... – ele soltou um suspiro e fechou a porta quando seu pai entrou. – Pai, essas são Mírian, Annabeth e Piper – ele disse e nos o cumprimentamos. – Meninas esse é meu pai, Hades...
— Prazer – dissemos sorrindo,
— Prazer é meu.
Os meninos o cumprimentaram também e Hade virou-se para Nico.
— Nico, podemos conversar no seu quarto? – Nico apenas assentiu em silêncio o guiando para o andar de cima.
E o circo começa a pegar fogo!
Leo
Nico deve estar com o cu na mão agora. Ele e o pai dele tem uma relação bem estranha, que ele nunca contou para nós, mas dava para ver nos olhos dos dois que eles não se davam muito bem.
Já eram 17h e estávamos em um tédio mortal. Percy, Jason e Thalia estavam naquele quarto fazia muito tempo e as meninas já estavam meio preocupadas com isso. Mas eu entendia, eles tinham muita coisa para conversar, isso sem dúvidas.
Eu já estava cansado de ficar sentado naquele sofá tendo que ver Gossip Girl porque Piper e Annabeth queria e elas estavam com a posse do controle. Me levantei e me dirigi para a porta dos fundos da casa.
— Onde você vai ? – perguntou Luke.
— Atirar – respondi e sai para o quintal
Caminhei até a minha micro oficina e tirei minha linda arma de chumbinho de lá. Atirar está entre uma das minhas paixões. Tirei os alvos que tinha feito da oficina e os posicionei do outro lado da piscina, a uma distância boa. Carreguei a arma com um chumbinho, esse era o ruim dessas armas, só dava para colocar uma munição de cada vez.
— Então você atira hein? – disse Mírian com os braços cruzados e encostada no batente da porta.
— É... – digo mirando no primeiro alvo e acertando em cheio.
Acertei os outros e abaixei a arma, orgulhoso.
— Você é bom – ela disse se aproximando de mim – Posso tentar?
— Isso não é para bico de menina – eu disse para provocá-la.
Ultimamente tem sido tão legal deixar Mírian nervosa e irritada.
— Vamos, Leo! Por favor – ela disse com uma carinha pidona e fofinha. Revirei os olhos e entreguei a arma já carregada pra ela.
— Só toma cuidado para não acertar um esquilo – disse me afastando com um sorriso provocador.
— Muito palhacinho você, hein? – seu tom era sarcástico.
Mírian mirou o alvo e puxou o gatilho, acertando a árvore do vizinho
— Merda
— Eu te avisei – falei rindo – Vem cá deixa eu te ajudar.
Ensinei a ela o pé certo que tem que ficar na frente como apoio, o jeito que ela tem que segurar a arma e tudo mais. Fico atrás dela com as minhas mãos sobre as suas, nossos corpos estavam extremamente colados e consigo sentir o cheiro de cereja que exala do seu cabelo.
— Assim? – ela pergunta se ajeitando, ou melhor, se afastando um pouco de mim,
— Não, é assim – eu disse e me aproximei dela novamente, como eu estava amando aquilo – Pronta? – eu disse e ela assentiu.
Ela apertou o gatilho e errou mais uma vez, só que agora acertando a cerca. Ri com a expressão dela.
— Ei, quer apostar? – ela disse de repente.
— Apostas são comigo mesmo, baby – eu disse sorrindo.
— Se eu acertar os três alvos certinho, você terá que ser meu escravo por uma semana, sem reclamações.
Essa eu vou ganhar fácil fácil.
— E se você errar, você vai ser minha escrava por uma semana – disse com um sorriso.
— Fechado – ela diz apertando minha mão.
Recarreguei a arma para ela e a entreguei novamente. Um segundo depois o centro do primeiro alvo foi acertado. Sem muitos rodeios, ela abriu a arma e colocou o chumbinho, não precisando da minha ajuda para nada, e acertou o segundo alvo. Depois o processo se repetiu e ela acertou o terceiro. Vi um sorriso malandro brotar em seus lábios enquanto meu queixo caia.
— Foi ótimo negociar com você, escravo – disse ela com um sorriso malandro e esticando a mão para eu apertar.
— Co- como você vez isso?! Você acertou a árvore e depois o poste!!! COMO ASSIM? – eu grito chocado.
Mírian deu de ombros.
— Meu pai era atirador de elite. Me ensinou tudo sobre armas e como usá-las – ela disse com um sorriso vitorioso. MALANDRA FILHA DE UMA COBRA.
— Então você me enganou??? – perguntei indignado.
— Basicamente... – ela disse dando de ombros sorrindo.
— Você é uma cobra mesmo... – eu disse com raiva e tomei minha arma de sua mão.
— Então, já posso atuar nos filmes de Hollywood?
Não disse nada, apenas a encarei com meu melhor olhar fuzilante e vou em direção à minha oficina batendo os pés. Recolhi tudo e guardei.
Eu ainda não acreditava que aquela cobra tinha me enganado! Fiquei revoltado mesmo. Onde já se viu enganar as pessoas dessa forma? Tá bom, talvez eu já tenha feito o mesmo, mas isso definitivamente não vem ao caso!
Sai do quintal batendo os pés com Mírian ao meu encalço rindo.
— Onde você pensa que vai, escravo? Mandei você ir? – ela disse me parando – Me carregue para dentro nas costas.
— O QUE? – gritei e ela riu.
— A partir de agora você é meu escravo. Pode me colocar nas costas, estou com as pernas doendo – ela disse sorrindo.
Revirei meus olhos e vou até ela me abaixando na sua frente.
— Sobe, cobra.
— É milady, para você, meu escravo.
Ela colocou uma das pernas em minha cintura para que eu pudesse segurar e ela impulsionar o corpo para cima e montar em mim, não do jeito bom.
— Ai caralho vou morrer... Você tem que emagrecer um pouco, hein? – eu disse e levei um puta tapa na cabeça – AI MERDA.
— Cala a boca e mova-se! Vamos, vamos – ela disse e comecei a andar para dentro de casa.
Por mais alta que a Mírian seja (talvez ela seja mais alta que eu, só talvez), ela não era pesada.
Quando entramos pela porta vejo Sid e Jay descendo as escadas correndo e indo para porta dos fundos, em nossa direção.
— Não vou nem perguntar. – ela disse parando a nossa frente olhando para Mírian nas minhas costas. –Faculdade, meu amor, cuida bem de todo mundo viu ? – ela me deu um beijo na bochecha e saiu pela porta com James, que também ignorou o fato de Mírian estar nas minhas costas.
A faculdade deles é, na verdade, de noite e já eram 19h, mas nas nossas férias eles faziam faculdade de tarde, vai entender esse povo do colégio. Carreguei Mírian até o sofá e a coloquei “delicadamente” nele.
— Ai, seu bruto! – ela gritou quando suas costas bateram no encosto do sofá.
— Desculpa, milady— disse sarcástico com um sorriso no rosto.
Mírian revira os olhos e logo me encarou com um sorriso malicioso.
— Quero um suco de laranja com acerola, com gelo, uns pinguinhos de limão e com um guarda chuvinha lilás nele. Para ontem meu filho, para ontem. – ela disse amando ver meu ódio transbordar pelos meus olhos
— Não temos guarda chuvinhas lilás, milady— disse irritado.
— Se vira, meu amor. – ela disse e começa a conversar com Piper e Annie, que também ignoraram o fato de ela ter sido carregada até ali nas minhas costas.
Bati pés até a cozinha, encontrando Luke.
— Virou escravo agora, Leozito? – ele disse rindo.
— Essa menina me passou a perna – disse espremendo as laranjas imaginando que elas eram a cabeça de Mírian.
— E a magia se voltou contra o feiticeiro. – ele disse e saiu da cozinha rindo com um copo de água nas mãos.
— IDIOTA – gritei, mas ele já estava na sala – Onde vou arrumar guada chuvinha lilás... AH, como eu sou um gênio!
Reviro a dispensa e acho um pacote aberto de guarda chuvinhas para bebidas. Porque temos isso? Festas que demos aqui em casa, mas sinceramente achei que tinham acabado... Não importa. Terminei a merda do suco e o entreguei para Milady Falsiane.
— Aqui... – eu disse entendendo o copo para ela.
— Aqui o que? Anda escravo! Não é tão difícil! Repita comigo: Aqui Mi-la-dy— ela disse como se eu fosse um retardado, as meninas segurando o riso.
— Aqui Mi-la-dy – eu disse com raiva e assim que ela sorriu satisfeita e começou a tomar o suco, corri para meu quarto antes que ela pudesse falar alguma coisa.
Essa semana com certeza iria ser muito longa...
Sidney
Quando as coisas parecem que estão boas, tudo vida de cabeça para baixo.
E a culpa é de quem? Dos meninos, claro.
Não que eu não goste das meninas. Na verdade, elas são super legais e divertidas. Mas, junto a elas, veio o meu “delicioso” inferno na Terra. Nunca disse que James não era lindo e gostoso, mas era tão irritante e chato que dava para ignorar as qualidades perfeitamente.
Entrei no meu carro com um pouco de raiva. Aquele mongoloide tinha feito algo com o carro dele (que obviamente não me preocupei em perguntar o que) e estava no mecânico. Então, a linda e maravilhosa que eu sou, tive que dar carona para ele até a faculdade até que seu carro ficasse pronto.
Liguei o som em uma das minhas musicas preferidas, Psychosocial – Slipknot e comecei a cantar como sempre fazia quando ia para a faculdade.
— Idid my time, and I want out! So effusive fade...
— Ah não, Sidney, coloca coisa melhor! – ele disse e trocou para estação de rádio, que estava tocando Get Low – Lil Jon.
Eu já disse que odeio rap, hip hop e esse tipo de coisa? Foda-se quem escuta, mas no meu carro não.
— Tira a mão, Neandertal! – disse trocando de música, para meu lindo Slipknot.
— Qual é Sidney, essa música é uma merda! – ele exclamou e imediatamente parei o carro com uma freada brusca.
— Sai do meu carro... AGORA – grito a última parte. – Você não vai ficar aqui insultando a minha banda favorita enquanto eu te faço um FAVOR! SAIA AGORA.
— Para de chatice, vamos logo! Estamos atrasados. – ele disse rindo, achando mesmo que eu estava brincando.
O trânsito naquela rua não era tão intenso, então não teve problemas ficar mais alguns minutinhos esperando que aquele idiota saísse do meu carro. Apenas fiquei encarando James de maneira mortal enquanto ele sorria, mas logo seu sorriso foi sumindo quando viu que eu não estava brincando.
— Saia antes que eu chute seu traseiro do meu carro.
— Não, Sidney, por favor – ele implorou, vendo realmente que eu estava irredutível.
— Então retira o que você disse e não toque mais no meu rádio – eu disse com raiva. James assentiu devagar.
— Retiro o que eu disse.
— Agora cala a boca e me deixa dirigir. – eu disse e voltamos a andar.
O silêncio que se instalou no carro foi meio sombrio, apenas a música deixava que não ficasse tão monótono. Não conversamos nem tocamos no assunto até chegarmos à faculdade, onde nos separamos rapidamente, já que éramos de turmas diferentes, graças a Deus. Avistei meus amigos e caminhei até eles com um sorriso.
— E ae, gente!
— E ae, Loirinha! – disse Stephen retribuindo o sorriso e me dando um beijo na bochecha – Está de namorado novo? Já largou nosso amigo Kendall? – ele disse rindo, sorte que Kendall não estava lá no momento.
— O que? – perguntei me fazendo de desentendida, mas lógico que eu sabia que ele estava falando de James.
— Qual é, Sid! Vimos você sair do carro com o novato. – disse Vicky sorrindo maliciosa como sempre.
— Ah, ele? É só um idiota que está morando na minha casa por um tempo – eu disse simplesmente dando de ombros, mas sabia que depois disso ia vir uma enxurrada de perguntas.
Na verdade eu não ligava.
— O que ele está fazendo na sua casa? – perguntou Greg com a sobrancelha negra arqueada.
— Vocês conhecem o idiota do meu primo e dos amigos dele né? – todos assentiram rindo, esperando uma história emocionante, afinal, todos ali já tinha conhecido meus palermas. – Então, eles tacaram algumas bombas na casa das vizinhas do lado, sabe como é, novatas, trotes... Enfim... O negócio foi forte e interditaram a casa delas por duas semanas, então elas foram morar com a gente... – eu disse, mas fui interrompida.
— O que isso tem a ver com o cara? – perguntou Clarie franzindo o cenho.
— Deixa eu terminar, vadia? – sim, é o amor de amiga – Essas meninas são uma banda e ele é o empresário delas...
— Ah, agora faz sentido – disse Vicky rindo – Mas porque está dando carona pra ele? A propósito, ele é um gato!
— O carro do infeliz quebrou... Não me pergunte como nem quando. Apesar de concordar, pode ficar com ele. – disse simplesmente.
Nisso o sinal tocou, me salvando de perguntas do tipo: “ Vocês já ficaram?” ou pior “Vocês já foram pra cama?” ou pior ainda “Ele é bom de cama?”. Com certeza a Vicky ignoraria as duas primeiras e perguntaria logo de cara a terceira.
Entramos na sala e ficamos lá até o professor careca chegar. Os quatro primeiros tempos se passaram MUITO devagar e eu já estava morrendo de sono com toda aquela falação sobre direito civil, uma das matérias mais chatas se me permite dizer. Mas, graças a Deus, o professor de penal que daria aula nos dois últimos horários iria se atrasar um pouco, então tivemos a liberdade de ficar um pouco fora de sala.
Sai rapidamente e fui correndo para a cantina tomar um café antes que eu dormisse na sala. Levei apenas minha carteira e meu celular, falando para as meninas tomarem conta da minha mochila.
Eu estava contente com meu café quentinho quando ouço uma voz atrás de mim que era a última que eu gostaria de ouvir naquele momento. E adivinhem de quem era a infeliz voz que estava lá na cantina? Se você pensou/disse James Stark, PARABÉNS VOCÊ GANHOU NADA!
James
Sidney Valdez era uma verdadeira bruxa, não tinha como não concordar com isso. Mas também não posso dizer que ela é feia, o que definitivamente não é. Talvez a beleza dela consegue fazer com que ela seja levemente tolerável.
Depois de quase ser expulso do carro pela Sidney, chegamos à faculdade, onde fui direto para a rodinha dos meus amigos, que obviamente fariam mil perguntas sobre a Sid, afinal, não é todo dia que se chega num carro com uma garota gata no volante. Cumprimentei-os rapidamente, preparando-me psicologicamente para as perguntas.
— Quem era a gostosa que estava com você, James? – Logan foi o primeiro a falar, todo animado e encarando Sid enquanto ela parava numa rodinha de caras e garotas ali por perto.
— A loira? – fiz-me de desentendido e dei de ombros – Ah, é uma garota ae. – , mas no fundo fiquei incomodado por ele ter chamado-a de gostosa.
— Já pegou? – perguntou Dylan sorrindo maroto.
— Sim e não... – disse me lembrando do nosso beijo na piscina. Franzi o cenho – Digamos que eu a agarrei, ela tentou sair, as meninas apareceram atrapalhando e o primo dela quis me matar.
— Não acredito que você agarrou Sidney Valdez – disse Tyler incrédulo chegando perto de nós. Ele tinha chegado ali naquele momento, mas logo pegou a conversa no ar.
— Você a conhece? – perguntei curioso arqueando uma sobrancelha.
— Todos os veteranos conhecem – ele disse. Dylan, Logan e eu éramos novatos transferidos de outras universidades. – Ela é a garota mais intocável de todas, a mais medonha e uma das mais gatas e gostosas.
— Realmente, acho que se não fosse pelas minhas meninas, eu levaria um tapa na cara bem dado dela – eu disse pensativo.
— Ainda está trabalhando como empresário das Alphas? – perguntou Dylan. Ele conhecia as meninas, já que ele era de Seattle também.
— Claro! – disse feliz – Elas são incríveis!
Antes que qualquer um pudesse falar alguma coisa, o sinal tocou avisando que as aulas iam começar. Entramos junto com a multidão de gente e sentamos nas nossas carteiras, esperando o professor, que chegou alguns minutos depois.
Hoje era a pior aula possível, História da Música. Eu amo muito música, mas história não é comigo, mesmo sendo da música. Assim que o sinal tocou anunciando o término do quarto horário, descobrimos que o professor tinha faltado e nenhum iria conseguir substitui-lo a tempo. Com Dylan dizendo que poderia me dar uma carona até em casa, tive que procurar Sidney para avisá-la que não voltaria com ela, já que não tinha o número de seu celular.
Procurei primeiramente na sala (Tyler me disse onde era a sala do direito), mas ela não estava, então fui para a cantina antes de pedir para alguma menina verificar o banheiro para mim. Sorte que lá estava ela, a tão intocavelmente medonha, Sidney Valdez.
— Ah não, nem na faculdade eu me livro de você! – ela reclamou e eu sorri.
— Oi para você também, Loirinha – disse chegando perto dela, o que não foi muito bom, pois ela virou exatamente no momento que eu cheguei perto, fazendo com que nós trombássemos e o café fosse derramado em sua blusa.
— OLHA O QUE VOCÊ FEZ SEU IDIOTA! Meu Deus, tá quente! Tá quente –ela gritou comigo para logo começar a tentar tirar o pano quente de sua pele.
Assim, reparei bem em sua blusa do Nirvana branca que estava transparente, mostrando seu sutiã preto de caveirinha.
— Bonito sutiã – disse apontando para aquela região de seu corpo sorrindo. Aconteceu o esperado, levei um soco no ombro.
— Cala tua boca e vai na minha sala pegar minha mochila, estarei esperando no banheiro – ela disse e seguiu para o banheiro feminino.
Entrei na sua sala e tive que perguntar para algumas pessoas se sabiam onde Sidney sentava, que me ignoraram com louvor. Uma das meninas que perguntei apontou para uma dupla de garotas no fundo da sala, então fui até lá rapidamente.
— Vocês sabem onde a Sidney senta?
— Ah, então é você o novo amiguinho da Sid? – disse uma menina loira sorrindo maliciosamente – Prazer Victorie, mas pode me chamar de Vicky e essa aqui é a Clarie – ela disse e apontou para a garota ruiva que estava do seu lado. Sorri de lado, elas eram muito gatas e gostosas.
— James – disse dando um beijo na bochecha de cada uma.
Nisso meu celular tocou.
— ONDE VOCÊ ESTÁ SEU IDIOTA??? – grita Sidney do outro lado. Como ela conseguiu meu número?
— Como você conseguiu meu número? – pergunto ignorando sua pergunta.
— Como você consegue ser tão idiota? – ela disse aparentemente brava – Liguei para Leo e disse para ele perguntar para uma das meninas.
— Ah, faz sentido – disse rindo – Já estou indo.
— Não demora! – ela disse e desliga sem dar “tchau”.
Revirei meus olhos e guardei meu celular no bolso. A garota loira perguntou o que tinha acontecido e eu expliquei a situação para ela rapidamente. Antes mesmo que elas pudessem se oferecer para levar a mochila para Sidney, o professor entrou na sala. Elas falaram que não poderia perder essa aula, então me deram a mochila dela.
— É melhor eu ir antes que a amiguinha e o professor de vocês me mate – disse sorrindo paras meninas.
— Fala para ela não fazer nada que eu não faria. – riu a loira e eu apenas assenti.
Sai da sala rapidamente antes que o professor me matasse ali mesmo. Entrei no banheiro e ela estava lá, sentada na pia balançando as pernas. Ri com aquilo.
— Onde você estava seu idiota? – ela disse olhando para mim como se pudesse me matar só com aquilo – Está rindo do que?
— Talvez eu tenha ficado conversando um pouco com suas amigas. – disse dando de ombros com um sorriso maroto. – E você fica engraçada assim. Faz parecer que você é menor do que aparenta.
— Idiota... – ela revirou os olhos – Me dá minha mochila – ela disse fazendo um gesto para que eu jogasse a mochila de estampa de oncinha para ela. Assim o fiz.
— Agora se não se impor... – comecei, mas fui interrompido por uma voz do outro lado da porta.
Sidney desceu da pia numa velocidade incrível, me pegou pela cabeça tampando minha boca e me arrastou para uma das divisórias do banheiro.
— Tem alguém ai? – perguntou uma mulher, provavelmente a moça da faxina. – Eu vou trancar o banheiro.
Antes mesmo que eu pudesse falar ou fazer algum movimento para sair da divisória, Sidney intensificou o aperto em minha boca e me puxou para si, para que eu ficasse calado e não me movesse. Ela podia ser baixinha, mas era forte, eu tinha que admitir.
Depois de alguns segundos esperando uma resposta, s luzes se apagaram e ouvimos um bater de porta. Sidney me largou e saiu da divisória, indo até a porta e tentando abri-la, sem sucesso. Talvez eu também estivesse com alguma esperança de que a moça estava de brincadeirinha, mas aparentemente não.
— Está realmente trancada – ela disse alarmada olhando para mim
Ér... Fudeu...
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