Alones
14 Emoções
Notas iniciais
Abriu as portas da mansão com um sorriso no rosto, tinha demorado cerca de duas semanas na capital, mas finalmente estava de volta, e havia sido promovido a um posto ainda mais alto do que o que possuía.
Foi até a sala de estar. O sol brilhava sobre o piano negro que pertencia a sua irmã, era um dia ensolarado apesar de estar extremamente frio, mas a garota que geralmente passava as tardes dedilhando as teclas de madeira não se encontrava ali. Ignorando a extraordinária excessão, foi até a biblioteca, onde a loira desenhava ou lia quando não se sentia inspirada o suficiente para tocar. Igualmente vazia.
Foi até a cozinha, e chegando lá sentiu como se todo o seu sangue houvesse sido congelado. Corpos. Cinco deles. Todos os fiéis empregados da família estavam caídos, os corpos em um leve estado de decomposição, o que se juntando ao tempo frio e ao sangue seco significava que estariam ali ao menos a uma semana. O cheiro não era nem um pouco agradável, mas nada para quem viu uma guerra de perto.
O loiro sacou o mosquete e subiu as escadas, rezando a um deus para que sua irmã estivesse a salvo. Abriu o escritório que uma vez pertencera a seu pai e encontrou lá tudo o que estava na mesa caído no chão, e a arma que guardava caída no canto. Saiu correndo pelo corredor longo e viu a porta o banheiro escancarada. Passou pela porta já sentindo seu coração apertado, logo veio o mesmo cheiro de morte da cozinha.
Lá estava o que temia. Sua irmã, os olhos turquesa abertos e estáticos, estava nua, as pernas em um ângulo anormal, e a barriga coberta de sangue. Desviou o olhar, caindo no chão, não conseguia chorar, mesmo que fosse o que ele mais queria naquele momento. Estava em choque.
Passou algumas horas, desde que havia chamado a polícia e os mesmos já estavam chegando. Se serviu um copo de uísque envelhecido, saboreando o gosto residual dos barris de carvalho e olhou para baixo. Estava no telhado. Não sentia mais nada. Se jogou de cima, a cabeça diretamente apontada para o chão. Um. Dois. Foi a duração da queda.
Seu último pensamento foi a sua última palavra: Savie.
Grimmjow acordou com os olhos arregalados. Era isso. Savie era sua irmã. Mesmo tendo cabelos roxos agora a garota ainda era sangue do seu sangue.
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Haruka estava se encarando no espelho. Já havia feito todos os penteados que sabia, ainda insatisfeita com a aparência com a qual iria ir atrás de Halibel. Por fim decidiu-se por duas tranças, uma em cada lado do ombro.
Suspirou e saiu do quarto. Foi até o "lugar" de Halibel e bateu na porta. Logo a mesma foi aberta pela menina de cabelos longos e esverdeados, Cyan Sung-sun. Uma das fráccions da Tercera. A mais educada delas. Talvez a mais educada em toda Las Noches. A menina a guiou para o quarto onde Halibel estava lendo e deixou o quarto.
– Hali-chan? — Haruka dificilmente se sentia tão insegura quanto na presença da Loira. Por algum motivo sempre agia de forma tímida perto dela, mesmo quando ambas estavam juntas.
– Haruka-chan..- O tom de voz calmo e baixo como sempre foi- O que aconteceu para vir até aqui?
– Já passou da hora de vir falar contigo...- Halibel esticou a mão para o lugar ao seu lado no sofá negro, e a Sétima foi até ela. Se sentou virada para mulher, que agora repousava o livro de capa vermelha sobre as pernas cruzadas.
– Realmente. Mas não decidimos que seria melhor assim
? — Pois é. Foi um erro. — Haruka encarou diretamente as orbes verdes. Em alguns instantes a Tercera se aproximou da garota de cabelos azuis, que corou levemente ao ter o queixo levantado pela loira.
– Alguma coisa aconteceu. Está perturbada.
– Não é nada de mais. — Achou melhor mentir, não que isso funcionasse contra Halibel. Ela era a única que Haruka nunca havia conseguido manipular.
– Fale.
– Eu finalmente vi.
– O que?
– O que eu sempre quis. — Haruka baixou os olhos e a loira se afastou, já entendendo do que se tratava.
– Por isso veio.
– Sim. — A loira abriu a parte de cima da jaqueta e removeu a parte da máscara que cobria metade de sua face, trouxe o rosto da garota mais perto do seu, depositando um beijo leve nos lábios da Sétima, que retribuiu o gesto, corando ainda mais ao sentir a língua de Halibel explorando de forma delicada. Se separaram, os lábios de ambas haviam repartido o sabor de menta proveniente da boca da Tercera.
– Sabe que se fizer o que queremos, não vou te deixar ir de novo. — A voz de Halibel agora era um sussurro, que poderia ser ouvido apenas por Haruka.
– E Eu não iria partir. — Sentiu algumas lágrimas se formarem. Odiaria demonstrar um sentimentalismo tão latente para qualquer um, menos para ela. — Por isso que eu vou agora, antes que isso volte a ser o que já foi.
Deu um beijo rápido nos lábios da Loira, que concordou com a cabeça, e soltou o rosto de Haruka. A Sétima se levantou com presa, antes que pudesse se arrepender de deixa-la e saiu do quarto.
Recuperou a postura fria, os olhos ainda vermelhos do choro recente, e saiu de perto daquele lugar. Foi para o próprio quarto, e destrancando a porta pesada de madeira que dava para o Óctogono repleto de divindades. Acendeu um cigarro com as mãos trêmulas e encostou contra a porta, e assim escorregou para o chão, se permitindo chorar por toda aquela situação.
Não queria morrer.
Não queria deixa-la.
Haruka havia sido recentemente promovida a Nona, após ter matado o último espada que ocupou esse posto. Estava orgulhosa de si, e planejava ir encontrar a amante. Ouviu uma batida na porta do quarto, e logo depois ali estava Barragan. Nunca havia tido contato com o Velho, exceto nos encontros entre os espadas. Estranhou aquilo, mas não deu muita atenção.
Houve um dialogo breve. Logo estava presa pelos braços na própria cama, sendo violada pelo ser mais repugnante de Las Noches.
As últimas palavras do homem antes de sair? "Se ousar chegar perto dela novamente, ela morre" E assim foi propriedade daquela coisa, ao menos até ocupar um posto maior. O de Sétima. A partir dali não era mais a mulher que fora antes.
Era uma assassina, manipuladora, que serviria apenas aos próprios interesses. Faria o que precisasse para se manter viva, e beberia do sangue de cada morto imaginando que aquele seria o sangue dele algum dia. Nunca mais ousou ir atrás de Halibel. Para o bem da mesma a magoou.
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Savie estava mais uma vez na companhia de Starrk e Tesla. Ambos alheios ao que acontecia ou deixava de acontecer quando a garota estava sozinha com um dos dois. Savie lutava contra o Primeira de forma divertida.
Ele queria testar as recém-adquiridas habilidades da garota, que usando um pouquinho de charme fez a guarda do espada baixar. Rindo em seguida com a vitória que ele julgou injusta. Se sentaram no banco onde Tesla assistira ao embate, e discutiam sobre o que era válido ou não naquela situação de combate.
Grimmjow chegou de repente, e logo puxou a garota pelo braço, ignorando os protestos da menor. Sem a menor explicação a abraçou. Os olhos da garota se arregalaram, mas logo ela retribuiu o gesto, sentindo a sensação nostalgica tomar conta de si.
–Isso nunca mais vai acontecer. — Savie concordou com a cabeça. Soube exatamente do que ele falava, e se sentia grata de poder contar com mais alguém naquele lugar.
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Haruka se recompôs. Havia passado aquela tarde rezando e implorando misericórdia aos Deuses. Não queria morrer. Não acreditava que isso iria acontecer, e só agora que a ficha havia caído. Mais tarde ainda, havia deixado Las Noches e dizimado uma colônia de Hollows, na esperança que sangue fosse aplacar a má sorte que havia caído sobre ela.
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Aizen havia convocado mais uma reunião entre os Espadas. Desde o anúncio de sua futura revelação na Soul Society, elas estavam mais frequentes, já que ele planejava escapar do Headquarter dos Shinigamis de forma impecável.
– Queridos Espadas. — Do jeito que falava, realmente parecia que dava valor a vida dos presentes ali — Duplas serão enviadas ao mundo humano. Os cinco primeiros, de Starrk a Nnoitra podem escolher seus parceiros. Savie ficará por aqui, e Aaroniero irá por conta própria.
E assim se deu. Paris, Karakura, Miami, Dubai e Rio de Janeiro. Aizen queria ter a certeza de não existir concentração maior de humanos com capacidade espiritual em outro lugar que não Karakura, isso facilitaria a forja da Chave.
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