Alone

30 Relembrando o Passado


Notas iniciais
✘ JURO QUE TENTEI DIMINUIR O CAPÍTULO MAS NÃO DEU QQ. ✘ Jeffinho está na bad nesse capítulo (mentira). Uma música que combina muito com o momento -- e que tenho escutado bastante -- é paradise lost do hollywood undead, se quiserem escutar aí enquanto leem, vão em frente q. ✘ Completando 30 capítulos? Mas já? :0

Conforme os dias se passavam, o comportamento de Jeff continuava mudando de uma hora para outra. Lauren não o viu no último dia, mas pelo o que notou da última vez ele estava abusando de drogas recreativas e principalmente do álcool. O assassino sofria de um estresse muito intenso, além de suportar muitas mudanças de vida que influenciam na maneira como age. Nos últimos dias, isso estava mais intenso, obviamente.

No atual momento, sem um motivo em mente para justificar sua presença em um lugar podre como aquele, Jeffrey estava com os braços apoiados em uma mesinha no canto mais isolado da balada ensurdecedora. Sim. Sempre detestou lugares movimentados e com grande barulho, e era exatamente onde estava agora.

Tudo o que fazia era esconder seu rosto de todo movimento, enquanto continuava a beber feito louco, quase como se a bebida chegasse a absorver parte de sua ansiedade demasiada. Mas não, isso a bebida não era capaz de fazer. Sua insanidade, que quando jovem não sabia controlar, estava forte o suficiente para desejar adormecê-lo, isto é, se tivesse um método para isso.

Jeff, esses policiais estão me dizendo que você atacou três crianças... E que não foi uma briga normal, eles foram esfaqueados. Esfaqueados, filho! sua mãe falava com um olhar de raiva, ao mesmo tempo, seu tom era preocupado e ameaçava choro.

Querendo ou não, imagens e sons dos últimos dias que teve com sua família estavam assombrando-o novamente. Isso o incentivava a engolir com ainda mais luxuria a bebida ardente que roçava sua garganta.

Não foi o Jeff, fui eu. Eu bati naqueles punkzinhos. Tenho as marcas pra provar. Liu levantou as mangas de sua blusa mostrando os cortes e contusões que pareciam ser o resultado de uma briga feia de rua.

Idiota... Por que Liu tinha se entregado em seu lugar? Era mais uma atitude para bancar o herói?

Não, Liu! Jeff protestava, já com os olhos lacrimejando. Fui eu! Eu que fiz isso!

Ah, pobre irmãozinho... Tentando levar a culpa por algo que eu fiz. Liu insistiu. Bem, me levem embora, policiais. cedeu, e tudo o que Jeff pôde fazer é ver os policiais dirigirem-se com o irmão até a viatura.

Liu! Fale pra eles que fui eu! Fale! Fui eu quem bateu naqueles garotos! tentava a todo custo impedir que tal injustiça fosse feita. Mas não foram só os policias que não acreditaram em sua palavra, até mesmo sua mãe pareceu duvidar.

Por favor, Jeff, você não tem que mentir. Nós sabemos que foi Liu, você não pode impedir. Não faça isso ser mais difícil do que já está sendo, filho...

Conseguia se lembrar das cenas, mas não das sensações que se apoderou delas. Se fosse para tentar imaginar-se chorando como havia feito anos atrás assim que Liu foi levado em seu lugar, só conseguiria sentir as lágrimas em seu rosto, mas estava tão vazio por dentro que já se esquecia do sentimento de culpa que carregou naquela hora. Só sabia, com uma ponta de certeza, que estava confuso naquele dia. Muito confuso. E pelo menos essa sensação ainda prevalecia. Só o fato de estar se lembrando dessa história depois de tantos anos, o deixava um tanto desnorteado.

Não estava se lembrando de nada fixo ultimamente, as imagens passavam rápido, muitas histórias estavam inacabadas. Apesar de tudo, os “flashbacks” continuavam a rodar; rápido e tortuosamente, causando-lhe uma dor de cabeça quase que instantânea.

O que há de tão engraçado? Jeff perguntou, vendo Keith rindo abafadamente, por mais que estivesse sangrando até a morte.

O que é engraçado? abriu um sorriso ligeiro. É que você está coberto por água sanitária e álcool.

Os olhos de Jeff se arregalaram, e nos mesmos era possível ver o reflexo de Keith jogando o isqueiro em sua direção; acendendo assim que fez contato com sua pele, iniciando chamas enquanto o álcool o queimava e a água sanitária branqueava sua pele, gritando e debatendo-se de dor até o ponto de tropeçar de cair pelas escadas.

Ah... Da dor que sentiu, ele se lembrava perfeitamente. Não é algo que pudesse ser apagado assim. Só de imaginar, era como se seu corpo voltasse a queimar, sabe-se lá como ou por que, mas uma onda de suor estava reproduzindo em suas costas e nuca.

Sua boca nunca esteve tão seca, o que o levara a beber mais compulsivamente e até pedir por mais uma garrafa de whisky. Ainda se lembrava perfeitamente da expressão de apavoramento de sua mãe minutos antes de ter desmaiado após aquele episódio catastrófico. Não achou que fosse acordar, e na verdade, se ainda houvesse uma parte racional em si, diria que teria sido melhor se não tivesse acordado mesmo.

Querido! Você está bem? sua mãe perguntou depois de dias esperando que seu filho viesse a acordar. A mesma expressão que a viu usar antes de desmaiar, estava presente em seu rosto novamente. Mas ela, porém, estava tentando parecer positiva para não fazê-lo se "desesperar". Eu tenho uma grande notícia, Jeff. forçou um sorriso. Depois que todas as testemunhas disseram à polícia que Randy tinha atacado você, eles decidiram soltar o Liu. Ele estará livre amanhã! E então vocês dois poderão ficar juntos de novo. a mulher o abraçou, mas estava com uma queimação interna tão grande, uma sensação ruim, uma insensibilidade... Que não permitiu que sentisse seu abraço maternal. Jeff estava extasiado.

— O que será que a mamãe diria se me visse agora? — ele comentou para si mesmo, soltando uma risada leve que quase não chegou a soar devido ao som alto e insuportável daquele lugar.

O que aconteceu com meu rosto? Jeff falou um tanto assustado, após ouvir o berro de sua mãe e presenciar os olhares assustados de seu pai e Liu assim que os curativos em seu rosto haviam sido removidos.

Não é assim tão ruim... Liu tentou acalmá-lo, adoçando a voz. Não suportava ver o irmão assim, e por mais que seu rosto estivesse horrível, teria que dá-lo certo apoio. Sua primeira impressão foi de que Jeff iria surtar, talvez entrar em depressão em relação a sua aparência. Mas a reação dele foi completamente diferente.

Não é tão ruim? Jeff indagou olhando-se no espelho do banheiro. É perfeito. Nunca me senti tão... Feliz! Olhem para mim. Esse rosto combina perfeitamente comigo.

Essa visão juvenil sobre sua aparência começou a se distorcer quando alcançou a puberdade. Foi humilhado. Queimado vivo. Teve sua boca cortada. Olhos fundos. Rosto pálido. Sem pálpebras... Aquilo estava longe ser um padrão de beleza. Ninguém conseguia olhar em seu rosto, e mesmo os que olhavam, eram à força.

O que há de errado, mamãe? Eu não sou bonito? perguntou ao ver sua mãe se afastando; trêmula e claramente assustada, embora tentasse agir normalmente.

Sim filho, sim. Você é lindo, Jeff...

Ela estava mentindo. Por que ela mentiu? Por que as pessoas mentem tanto? Ou por que se surpreendem tanto com sua aparência?

— Mamãe deveria ter me apoiado.

Sua mão esquerda começou a tremer, enquanto a direita foi parar em sua testa. Aquela música insuportável estava o enlouquecendo, precisava sair daquele lugar o quanto antes.

Afastando a cadeira da mesa, levantou-se disposto a sair para dar uma volta e fazer o que bem entender. Sem ao menos perceber, acabou esbarrando em alguém, virando-se sem erguer totalmente o rosto.

— Você é maluco, cara?! Olha por onde anda! — o individuo protestou.

Sua aparência não era tão diferente dos jovens de sua idade; corpo definido, consideravelmente “bombado”, cabelos castanhos escuros, óculos com lentes pretas que escondiam as cores de seus olhos, roupa mais colada para exibir os músculos e um bronzeado artificial. A beleza que procuravam era realmente ridícula, fazendo com que Jeff risse o aborrecendo ainda mais.

— O que é tão engraçado? — ele perguntou, alterado. Já mantinha o nariz pra cima com a típica pose superior, tentando impor respeito.

— Você. — respondeu com naturalidade. Não estava com paciência para aturar esse tipo de pessoa agora. — Não tem nenhum senso do ridículo. Só passa o dia malhando para despertar “desejo” nas mulheres, procura ter um estilo convidativo ao invés de usar roupas confortáveis, faz de tudo pra parecer atraente e seguir padrões impostos por revistas e novelas televisivas. Tudo o que você faz é pelos outros. Pra manter aparência e agradar o sexo oposto. Nada mais é, do que um adolescente fútil.

— ESCUTA AQUI, SEU FILHO DA PUTA! — ele berrou. Os que estavam dançando pararam assim que perceberam o tumulto, e mesmo com a música alta, isso fez com que pudessem ouvi-los melhor. — QUEM O PLAYBOYZINHO PENSA QUE É? — bateu contra o peito de Jeff, empurrando-o para trás, onde encostou contra a mesa em que estava sentado minutos atrás.

— Playboyzinho? Quem deixa óbvio que é sustentado pelos pais aqui é você, filhinho de mamãe. — riu baixo.

Os jovens que estavam em volta soltaram um murmuro, quase como se estivessem incentivando-os a brigar enquanto formavam uma roda para assisti-los. Jeff não se interessava muito por exposições assim, tanto que fazia o possível e impossível pra se esconder sempre que tivesse que sair pelas ruas (tanto na luz do dia, quanto na escuridão da noite).

Não fazia questão de enfrentar alguém tão estúpido quanto aquele garoto, dando-lhe às costas e saindo da balada, o que um trouxe um alivio porque aquele som inquietante estava quase perfurando seus tímpanos.

Achou que teria paz e poderia continuar sua noite de onde parou, mas o “filhinho de mamãe” e outros dois amigos dele o seguiram até o lado de fora. Jeffrey fez uma expressão confusa, antes de virar-se – mesmo que não totalmente – para os garotos.

— E então, Evan? O que faremos com ele? — um deles perguntou, socando a própria mão como forma de impor medo.

— Calma, com certeza ele irá querer se desculpar, não é mesmo? — sorriu enquanto ria da situação, encarando Jeff que não se deixava intimidar. — E então? Estou esperando! O que irá fazer, imbecil?

Jeff riu entre os dentes.

— Não quero me sujar com um sangue imundo como o de vocês. — rebateu com a postura mais superior e elegante possível, mesmo que tivesse a intenção de matá-los, de fato.

O trio soltou uma risada forçada, entreolhando-se.

— Vamos dar uma lição nele! — Evan foi a sua direção atingindo-o com um soco em seu maxilar. Os outros dois tentavam acertá-lo com chutes nas costelas. Evan o empurrou no chão, e Jeff que se levantava já prevendo seus ataques, deixou que seu capuz caísse revelando seu rosto.

Os jovens, que só o viram de costas até então, estranharam seus cabelos maltratados e embaraçados, além de sua pele ser bem mais branca que o normal. Ele virou seu rosto, sorrindo enquanto sua boca tremia quase que sem controle.

— Porra. — disse o garoto que estava na esquerda de Evan, dando um passo pra trás. — O que esse cara é?!

— Um demônio. — ouviu o outro comentar na direita.

Evan franziu a testa, encarando-os com desgosto.

— PAREM DE COVARDIA! É ISSO QUE ELE QUER. É SÓ UM GAROTINHO ASSUSTADO QUERENDO IMPOR MEDO NA GENTE. — começou a rir, os outros dois se encararam, ambos sabiam que não era uma boa idéia se meter com alguém que não sabem do que é capaz. — VOCÊS SÃO HOMENS OU NÃO SÃO? — berrou Evan, dando um tapa no rosto de um deles, que o encarou raivoso após a bofetada. — Não se deixem intimidar por um garotinho que usa maquiagem e sai por aí tentando assustar os outros! — voltou a rir, dessa vez mais do que antes. — NÓS VAMOS...

Parou de falar assim que uma faca se fincou em seu ombro, fazendo o sangue descer por seu braço direito enquanto sentia seu ombro ser ainda mais perfurado. Jeff retirou a faca assim que seu corpo já estava mais fraco, caindo de joelhos no chão e cortando-lhe a garganta. Evan caiu duro no chão, sujando-o de sangue ainda com os olhos abertos mostrando apenas a esclera de seus olhos. Segurou a faca olhando seu reflexo através dela, enquanto passava o dedo em sua ponta cortante.

— Confessem: Esse Evan já estava irritando, não acham? — Jeff perguntou sustentando seu sorriso, enquanto os olhava. — Eu não agüentaria um “amigo” tão irritante. — suspirou. — Embora eu não precise disso. Sou amigo de mim mesmo. Sabem o que faço quando preciso de ajuda? — encarou firmemente, esperando uma resposta, mas só obteve um sinal de negatividade dos dois. — Meu amigo aparece. — sussurrou com a faca encostada em seus lábios.

— Que... Amigo? — o garoto arriscou a perguntar, ainda dando passos em falso enquanto tentava se afastar.

— O meu outro eu. — respondeu de imediato. Os dois o encaravam como se ele fosse um lunático. Jeff avançou quatro passos em suas direções, ficando frente a frente. Eles observavam com cuidado e assombramento sua aparência incomum. — Me acham bonito?

Eles não responderam. Jeff odiava ficar sem respostas, ainda mais com uma pergunta tão simples.

— Me acham, ou não? — apontou a faca na direção de um deles, que tremia enquanto colocava a mão na frente do rosto. — Que pena... — atravessou a faca pela mão do garoto até chegar com tudo em sua testa. O outro, já com lágrimas nos olhos, encarava com medo.

— Por favor... Não me mate...

— Vamos ver se você tem mais sorte que seu amigo... — roçou a faca pela garganta dele, deixando a parte afiada em seu queixo. — Me acha bonito? — riu forçadamente esperando sua resposta.

— A-Acho... — ele engoliu seco.

— É mesmo? — sorriu ainda mais.

Jeff sabia que ele estava mentindo por causa de sua expressão, mas a vontade de vê-lo tentar se explicar temendo a morte era ainda maior.

— S-Sim...

— Que bom que está sendo sincero comigo, garoto. — encostou a faca no canto direito de sua boca. — Neste caso, vou fazer você ficar igualzinho a mim. — começou a atravessar sua boca com a faca até criar aberturas em suas bochechas; formando um sorriso permanente assim como o seu, enquanto o sangue saía sem avisos, e ele segurava firmemente em seus braços tentando evitar, mas a força e determinação de Jeff eram ainda maiores que as dele. — Está perfeito...! — começou a rir, causando-o calafrios. Soltou o garoto no chão, tendo crise de risos ao ponto de sentir dor.

O garoto, com a mão na boca que não parava de sangrar, fechava os olhos para não se assustar ainda mais com a cena. Sua risada histérica era o único som que propagava pelo beco que dava atrás da balada que haviam acabado de sair (um erro que jamais seria reparado). Estava diante do demônio em pessoa.

Quando Jeffrey parou de rir, olhou em sua direção, aproximando o rosto para que ele o visse de perto e dizendo-lhe:

Shhhh. — sussurrou calmamente. — Vá dormir.

•••

Lauren finalmente havia conhecido a irmã de Dylan, que atendia pelo nome Carly. Era uma garota adorável, e parecia-se muito com o irmão; possuindo olhos azuis, porém, pele um pouco mais parda que a dele. Carly já teve que raspar a cabeça, e sentia fortes dores para enfrentar a quimioterapia. Dylan, por mais que fugisse do assunto, estava mais preocupado do que nunca com a irmã. Ele fazia de tudo por ela, não foi difícil perceber.

Havia passado a tarde conversando com a menina, e agora, no período da noite, olhava-a desenhando em um papel com seus gizes de cera de várias cores, embora ela preferisse o verde mais claro que era sua cor preferida.

Ela parou com seu desenho encarando a porta do quarto, o que levantando a curiosidade de Lauren levou-a a fazer o mesmo, vendo Jeff com uma mão encostada na porta e a outra no bolso da calça.

— Quem é o moço feio? — Carly perguntou inocentemente, fazendo com que Lauren risse de seu comentário. Já Jeff fechou ainda mais a cara, deixando-a assustada

— Já volto Carly.

Afastou-se da menina, atravessando a porta e encarando Jeff.

— O que faz aqui nesse horário?

— Eu estava passando e resolvi fazer uma visitinha. — ironizou. — Qual o problema?

Encarou-o séria assim que sentiu um cheiro forte que parecia vir de uma mistura de bebida e sangue que estava impregnada em suas roupas.

— O que andou fazendo?!

— Eu? — ele parou um instante pra pensar, quando matava daquele jeito não estava em seu estado racional e na maioria das vezes nem percebia o que acabara de fazer. Era como se, literalmente, algo assumia seu corpo. Não que acreditasse na teoria daqueles adolescentes de que seu corpo era “possuído”, mas na versão psicológica faria sentido afirmar que isso deveras acontecia. Havia seu lado ruim, e seu lado muito ruim. — Não sei. — deu de ombros.

— Então por que veio até aqui, Jeffrey? — cruzou os braços.

Ele pareceu confuso. Por que tinha ido até o hospital mesmo?

— Sei lá. — falou, deixando-a ainda mais intrigada, revirando os olhos. — Mas já que vim, já vou avisando que amanhã você estará livre dessa baboseira toda de internação. — nem sabia pra quê servia isso. Por ele, não passaria nem um dia naquele lugar. — Quando estiver livre, te levarei pra ver Adam.

— Sério? — perguntou empolgadamente. Finalmente Jeff tinha tocado no assunto. — Então você cumpriu com sua parte! — sorriu de lado. — Quem diria que o grande “Jeff The Killer” iria me ceder um pouco de felicidade nessa vida. Será que está... Apaixonado por mim? — levantou a sobrancelha, com um tom zombador.

Ele estreitou o olhar, retrucando:

— Há, ha, ha. Vai sonhando.

Lauren riu. Gostava quando irritava Jeff, mesmo que pouco. Ele fazia uma expressão engraçada quando estava sério, já que na maioria das vezes está com um sorriso de ponta a ponta.

— Me passa o cigarro. — ele pediu bruscamente.

— Está louco? Não pode fumar nessa ala.

Ele soltou uma risada alta, que chegou a dar um susto na enfermeira de idade que estava passando, que o mostrou o dedo do meio.

— E quem vai me impedir? Eu faço o que eu quiser. — disse, ignorando a enfermeira que passara.

Lauren respirou fundo, fechando a porta do quarto de Carly para que a fumaça não entrasse por lá, e o entregando o maço de cigarro. Ele não demorou pra começar a expirar a fumaça em seus pulmões, enquanto encarava-a sem motivo.

— Jeff, e Liu? Como está? — indagou, buscando por um novo assunto. Detestava quando ficavam em silêncio daquele jeito.

— Liu? Provavelmente está na Florida com sua esposa.

Esposa?!

— Ele... Ele está casado?

— Sim. E não é só isso. Está casado com a irmã de Rachel, e estão até mesmo esperando um filho.

Jeff bem que podia ter contado aquelas coisas bem antes. Que sujeito mais complicado...

— Creio eu que ele irá abandonar seus instintos de vingança por um tempo. — Jeff continuou, encarando a escuridão do lado de fora através da janela. — Não me orgulha dizer que meu irmão é assim, mas ele tem seu lado sentimental, se for mesmo ter um filho, fará de tudo por ele e irá me esquecer por um tempo.

— É... Eu entendo o Liu. — encostou-se no apoio da janela, com a cabeça pra fora sentindo a brisa fria. Jeff soltava a fumaça por sua boca, que se espalhava pelo ar. — Se eu tivesse essa chance, acho que faria o mesmo. — deu de ombros.

Jeff, mesmo que pouco, ficou surpreso.

— Assim você me decepciona, amor. — sorriu cinicamente. — Vai me dizer que também tem a intenção de se casar, ter filhos, envelhecer ao lado da pessoa “amada”? — enfatizou a última parte, soltando um riso sarcástico.

Voltou a rolar os olhos, algo que era muito comum quando estava na presença de Jeff ou Dylan.

— Quem sabe?

— Não se iluda tanto. — apagou o cigarro na parede, arremessando-o no lixo. — Inclusive, eu não sabia que pensava isso sobre mim. Sabe Lauren, sem querer ferir seus sentimentos, mas meu coração pertence à outra pessoa.

— Jeff! — colocou a mão na testa, mexendo a cabeça negativamente. — Deixa de ser idiota. Não estou apaixonada por você! E te conhecendo como eu, duvido que você seja capaz de gostar de alguém. E além do mais, me surpreenderia se alguém estivesse interessado em você. Já se olhou no espelho?!

— Claro. Por que não olharia? Sou irresistível demais.

Pobre coitado...

— Claro. “Irresistível”. Sim...

Ele suspirou.

— Admira que me achaste atraente.

— Com certeza. Você tem uma beleza que nunca vi igual nessa vida.

Woods sorriu orgulhoso, sussurrando em seu ouvido:

— Eu já suspeitava. — se afastou, saindo.

Pera... Ele levou a sério? Ele NÃO identificou a ironia? Era só o que faltava o Jeff realmente achando que era atraente. E pior, achando que ela estava realmente interessada nele.

— Eu devo ter jogado pedra na cruz. — Lauren comentou, percebendo a besteira que acabara de fazer.

Todavia, apesar do Jeff continuar o mesmo idiota sarcástico de sempre, ele parecia estar bem mais incomodado que de costume, já que seus hábitos estavam mais brutescos.

O que aconteceu antes dele vir para o hospital? Provavelmente ele estava sendo tomado pelo descontrole. Será que a notícia sobre Liu o afeta de alguma forma? Não tinha motivos pra isso, mas Jeff deve se lembrar do seu passado sempre que tocam no assunto de seus familiares. Isso é uma razão para temê-lo mais, ou considerar uma parte boa dentro dele? Fala sério... É irracional esperar algo bom de Jeff. Mas, até mesmo pessoas “más” têm muito que enfrentar. Como ele iria lidar com isso daqui pra frente?

— Espero que esse louco não esteja pensando em fazer algo com a família de Liu...