Alone
31 Pesadelo
Notas iniciais

O som das folhas secas sendo parcialmente amassadas chegou aos seus tímpanos no momento exato em que estava preste a abrir os olhos. Lauren ficou surpresa com o ambiente no qual estava presente, tendo em mente que não se lembrava em parte alguma de como foi parar naquele lugar.
Apoiando as mãos no chão ergueu seu corpo, que estava desacostumado com o chão frio rodeado pelas folhas que caíam das árvores. Estava... Em uma floresta? Não tinha memórias de como ou por que acabou naquele lugar, mas seus instintos a levaram a vasculhar todo o lugar com seus atentos e curiosos olhos.
Novamente, o mesmo som voltou a chamá-la atenção. Olhou à sua frente, um pouco adiante, tendo a imagem de um lobo cinzento com o corpo tremido conforme trincava seus dentes na direção da garota. Certamente o predador tinha a intenção de atacar, portanto qualquer movimento súbito era desnecessário se quisesse sair daquela situação sem ferimentos graves.
A fera continuara rangendo os dentes, mas não se locomovia mesmo quando Lauren recuava para trás. Era uma atitude suspeita e estranha vinda de um lobo, ele parecia apenas analisá-la, e mesmo tendo a oportunidade perfeita para efetuar seu ataque, ele não se moveu. Com um pouco mais de atenção percebeu o olho direito do lobo completamente obscuro, e até mesmo sua presa mais afiada. Não conseguia compreender; metade do animal parecia estar completamente possuída, já a outra, só agia pela manipulação de seu lado mais selvagem. O lobo não tinha total controle de seus atos, e Lauren não fazia idéia do que isso significava.
Deixando de lado sua curiosidade, deu as costas começando a correr. Era algo absurdo começar a correr do nada, pois não conseguiria se defender caso a fera a atacasse por trás, mas ela não o fez; mesmo sem ver a cabeça do animal, sentia-a se movendo a cada direção que ela tomava. Mesmo parado, o lobo astuto não deixara de observá-la um instante sequer.
Correu mais um bocado por aquela floresta, mas por mais estranho que parecesse, uma leve caminhada já lhe deixava exausta; pingando suor mesmo sem impor muitos esforços em sua tentativa de fuga. A dita floresta era rodeada por árvores altas, algumas bem antigas julgando por suas aparências cinzentas. O céu quase não era visto com as plantas bloqueando a paisagem, deixando a luz do dia completamente desconhecida.
— Que merda foi essa?! — reclamou ofegante, fitando por todos os lados a fim de descobrir se conseguiu, ao menos um pouco, despistar o animal.
Por mais que corresse, não parecia encontrar um fim. Com certeza não era uma floresta similar à em que Jeff morava na época em que tiveram um treinamento próximo a cabana. Não... Essa era bem mais ampla. Bem menos colorida. E principalmente, tinha a impressão dela ser infinita, como uma ilusão; quanto mais andava, menos saía do lugar.
Abraçou suas pernas sentando-se quando teve certeza que estava sozinha e em segurança. Já tentava bolar um jeito de sair, mas sua atenção era tomada toda hora por cada peculiaridade que encontrasse por perto.
Percebendo a árvore ao seu lado, virou o rosto em ímpeto, observando uma palavra que foi cravada na madeira e contornada por um líquido vermelho já seco, que sem muitas dificuldades associou ao sangue.
“Corbeau”
Já tinha ouvido/lido aquilo antes... Precisava apenas de um esforço para encontrar em suas memórias.
— Corvo! — falou, lembrando-se de uma ocasião em que Jeff comparou um corvo a si mesmo e também associou a ave à Lauren.
Estava escrito em francês, mas por quê? A morena sequer sabia falar essa língua, como traduziu uma língua da qual não tinha conhecimento? Mais parecia que alguém estava a chamando assim.
Levantou-se sentindo uma sensação estranha. Continuou olhando em volta com um olhar de raiva, e ao mesmo tempo, de temor. Como podia acordar em lugar como aquele sem saber e não conseguir mais sair do mesmo? Precisava de explicações o quanto antes, mas não tinha ninguém. Absolutamente ninguém.
A moça se virou tomando um susto ao ver Jeff há poucos metros de distância. Ele estava de pé, completamente parado, e em uma direção assustadoramente reta à sua. Ela recuou um passo atrás, depois de tantos eventos inesperados, por mais que já o conhecesse, não era uma boa idéia se aproximar muito. Pegando-lhe de surpresa, ele fez o mesmo. O assassino estava a imitando, se era apenas para zombar de seu afobamento, ela não sabia.
Já era impossível esconder sua expressão de desentendimento, mas no rosto de Jeff o semblante também não era tão diferente. Lauren balançou a cabeça negativamente, e Jeff assim o fez; repetindo as ações da jovem confusa.
Sem saber a razão para fazer isso, olhou para trás, como se esperasse algo surgir de lá. Seria a presença que estava faltando. Aquilo fazia parte de algum surto psicótico? Jeff estava a imitando, ou ela estava imitando Jeff? Quem era o fantoche de quem?
Alguns ruídos, antes não presentes, surgiram em volta a pegando de surpresa. Apesar de eles estarem copiando um ao outro, ainda agiam por si próprios fora dessa ilusão, tanto que no exato momento em que Jeff deduziu que não estavam sozinhos, retirou sua faca apertando no punho.
Como aquilo era possível?
— EI, você! — ele manifestou-se, olhando em volta. Lauren podia sentir um arrepio subindo e descendo por toda sua espinha, levando-a a engolir seco e se manter tão atenta quanto ele, apesar dele ainda copiá-la uma vez ou outra em que ela o encarava. Era como... Se ao vê-lo, estivesse diante de um espelho, mas quando sua atenção era desviada, o assassino que conhecia agia naturalmente. — Nunca fui muito fã de esconde-esconde, entende? Se desejar se aproximar, que venha logo. Ninguém aqui está o temendo.
Jeff encarou uma árvore extremamente alta, apontando a faca como se esperasse algo sair por trás dela. Lauren sentiu o arrepio e a sensação estranha surgir com ainda mais força, arregalando os olhos e gritando para o outro:
— JEFF, CUIDADO!
Ele a encarou surpreso com seu grito (grito que nem mesmo ela percebeu que havia soltado pelos pulmões). Uma figura magra pulou rapidamente o atacando. Seu braço esquerdo havia sido ferido por algo que nem ele sabia o que era. A criatura com uma rapidez sobre-humana já havia se escondido antes mesmo de Jeff ter a oportunidade de empurrá-la para trás. Mas que merda era aquila? E por que Lauren o alertou antes que acontecesse?
Assim que sua visão clareou, se levantou com um olhar raivoso. Olhou para Lauren, que estava petrificada, assim como ele, buscando uma explicação lógica. O que aquela coisa era?
— VOCÊ VIU AQUELA PORRA?! — tinha que ter certeza que não foi nenhum fruto de sua imaginação. Até porque, já perdera a conta de quantos delírios já havia tido. Mas não... Lauren também viu. Ele não foi o único a presenciar aquilo, mas ao invés de medo, estava com ódio de seja lá o quê que o desafiou de tal modo.
Ela assentiu, encarando o chão.
— Jeff... O que... O que foi aquilo? — ergueu a cabeça, novamente percebendo ele copiar suas ações.
Só ela estava vendo isso? Ele a copiava, mas ela conseguia ouvir a voz dele falando normalmente. Ele não estava vendo-a da mesma forma que ela o via? Ela estava diante de seu reflexo e Jeff preso do outro lado dele? Lauren não estava entendendo nada.
— Não sei! — ele apertou os dentes, tentando abaixar o volume de sua voz — Como você sabia que aquilo ia acontecer?
— Eu senti...
— Sentiu? — perguntou confuso.
— É... Jeffrey... Eu sinto tudo o que você está sentindo, só que antes de você sentir. — a essa altura, seus olhos já lacrimejavam um pouco, ela estava bem mais impactada em relação a ele.
Se antes ele não compreendia o que estava acontecendo, agora, menos ainda. Talvez ela só estivesse sendo mais louca que o normal, essa não era a questão agora.
— Seja o que for aquilo, está nos observando e com certeza atacará com mais força.
Novamente, Lauren previu a aproximação atrás de Jeff, avisando-o tempo o suficiente para desviar do possível ataque da criatura. Firmou a faca em sua mão, olhando para a “coisa” vazia; não possuía olhos, nariz, boca. Nada. Seu rosto era completamente preenchido por um vivo branco. Mais parecia uma estátua com longos membros.
Havia umas espécies de tentáculos presos no corpo da criatura, em sua parte posterior. Quando ela partiu para mais um ataque, Jeff defendeu-se com tudo, passando a faca em um de seus tentáculos, o que infelizmente foi em vão, pois em questões de segundos havia crescido outro em seu lugar. Como derrotá-lo? Todos têm uma fraqueza, mas Jeff não fazia idéia do que aquilo era. Só sabia que precisava continuar a se defender a todo fervor, não seria pra uma coisa branca daquela que iria perder.
Ela não fazia idéia de como estava o orientando daquele jeito. Tudo o que sabia, é que parte dela, se sentia tão atacada quanto o Jeff quando era ferido. Definitivamente, aquilo não era normal. Woods foi ferido de muitos modos, assim como o homem esguio. Nenhum deles, diferente de seres humanos normais, estavam mortos. Porém, estavam esgotados depois de um tempo, mas ambos continuaram fortes o suficiente mesmo com tanto tempo passando. Lauren já estava com dificuldade em respirar, e seu corpo estava muito travado pra tentar fazer alguma coisa.
Jeff foi segurado pelo pescoço; com o corpo travado contra uma árvore. O ser o encarava de onde deveria estar seus olhos, girando sua cabeça facilmente para observar Lauren do outro lado, que estremeceu percebendo tanto o olhar da coisa, quanto o de Jeff para ela.
— Compreendo — pela primeira vez, a coisa branca manifestou-se. Sua voz, mesmo que sendo similar a de um homem formado, era bem mais monótona e em tom sombrio. — A fraqueza de vocês é um ao outro.
Woods estreitou o olhar, sem se deixar intimidar em momento algum. Ele foi solto, caindo no chão. Por impulso, ele partiria para o ataque, mas sua curiosidade o levou a prestar atenção no que a criatura dissera, já que não estava esperando ouvi-lo falar agora.
— O que quer dizer com isso, bastardo? — ele cuspiu as palavras.
O homem – ou qualquer coisa que aquilo seja – continuou em direção de Lauren, mas parecia lançar todas aquelas indiretas para os dois.
— Juntos vocês ficam mais fortes. Na hora certa isso nos será útil. — do que ele está falando? — Enquanto você for parte de Jeff, você jamais estará sozinha — falou, contorcendo-se de modo estranho.
— P-Parte... de Jeff? — ela gaguejou completamente confusa, e a coisa apareceu diante de seus olhos tão rápida que mais parecia ter se teletransportado. O susto foi grande ao ver a figura cada vez mais próxima de seu rosto, tornando sua visão embaçada, até acordar com seu próprio grito no sonho.
•••
Acordou tremendo e suando frio, mas apesar disso, aliviada por ter percebido que era só um sonho. Ou não... Foi tudo tão realista, sentia na pele cada sensação que presenciou, além de se lembrar de boa parte das ações nitidamente.
— Ah, dane-se! — retrucou para si mesma — Foi apenas um sonho. Um sonho sem sentido algum.
— Que sonho é esse? — ouviu Jeff perguntar ao lado de sua cama, fazendo-a cair no chão com o susto. Há quanto tempo ele estava ali? — Relaxa, não sou o bicho-papão. A menos que você queira que eu seja um. — sorriu com malicia.
Cínico.
— Não. — respondeu seca — O que diabos você faz aqui?
— Nada de mais. — ela voltou a encará-lo, percebendo, por mais anormal que isso fosse, que a mesma roupa que ele estava usando, foi a que o viu vestir em seu pesadelo, sendo que ele nunca trajou isso antes. — O que foi? — estreitou o olhar, odiava quando tentavam escondê-lo algo. E estava claro que Lauren estava fazendo isso, estava completamente pálida.
— N-Nada... Eu vou... — sentiu seu estômago revirar, correndo até o banheiro e vomitando.
Jeff fez uma cara de nojo e riu ironicamente.
— É por essas e outras que não me arrisco a te beijar.
Como se já não estivesse sendo ruim, ele ainda dava uma dessa.
— Vai ou não dizer por que você está se tremendo toda desse jeito? — soltou uma risada divertida, porém baixa.
— Me deixa em paz! — protestou, limpando sua boca enquanto encarava seu reflexo no espelho acima da pia.
— Eu até deixaria, mas não estou com vontade. Talvez depois quando eu tiver encontrado algo melhor pra fazer. — sorriu de lado, encostando-se na porta. Pelo visto ele estava em seus dias em que seu sarcasmo estava mais alto que sua vergonha na cara. — Desembucha.
— Foi só um pesadelo que tive com você.
— Se foi comigo é óbvio que foi um sonho, e um dos melhores possíveis. — falou como se isso já estivesse na cara — E então? Foi um sonho erótico?
Seu sangue ferveu. Tanto pela vergonha que sentiu do jeito descarado dele, quanto pela raiva de sua ousadia em falar algo assim. Se Jeff não tivesse segurado sua mão, já teria estapeado seu rosto.
— NÃO — disse, se soltando dele que a encarava com curiosidade — Vai fazer algo produtivo e me deixe em PAZ!
— Que nervosinha... — murmurou arrogante, mas ela pareceu ignorar — Já que é o caso... Vou dar uma volta. Mas não se preocupe Lauren. Eu volto depois para continuarmos essa conversa. — sorriu ainda sarcástico, mas deixou claro que dessa vez falava sério e que essa conversa iria acontecer, em seguida retirando-se do quarto.
Ela voltou a ignorá-lo. Com o tempo as ameaças do Jeff se tornaram costumeiras, fazer o quê.
“Enquanto você for parte de Jeff, você jamais estará sozinha”, o que isso realmente significava?
— Droga, Lauren, você está pensando demais em algo tão bobo. Foi só um sonho, esqueça. — tentava se convencer disso, e por hora, isso até que deu certo. Não havia nada o que questionar, esse era seu desejo. Seu único medo, era ver aquele homem sem rosto novamente.
•••
Depois de passar o dia sem ser atormentada por Dylan, começou a se preocupar. Estava mesmo preocupada com aquela criatura? Querendo ou não, tinha momentos em que ele a ajudava, e realmente parecia gostar de ajudá-la. Além de que, via um pouco dela em sua irmã. Quando pequena, tinha o mesmo brilho no olhar que a irmã de Dylan possuía. Pena que com o tempo perdeu isso. Agora, havia uma mistura de amargura e maldade neles. Talvez nunca encontrasse alguém que fosse capaz de compreender.
— Jenna — chamou. Jenna era uma das enfermeiras que cuidava de Carly, parecia bem apegada com a menina. — Está se sentindo bem? — fechou o cenho. A mulher parecia bem abatida.
— Oi, Lauren. — esfregou os olhos. — A Carly...
— O que tem ela?
— Ela morreu.
Pobre Dylan. Lembrava-se bem do quanto ele se esforçou pelo tratamento da irmã. Era impressionante como coisas ruins aconteciam com pessoas boas, apesar dele também ter seus defeitos, como qualquer ser humano. Mas não merecia isso.
— Eu sinto muito.
Jenna retribuiu com um aceno e se afastou sem dizer mais nada. Lauren permitiu sua passagem, e resolveu procurar por Dylan. Nem ela sabia por que estava preocupada com ele, mas havia sim um sentimento de gratidão, por mais que ele a irritasse mais do que ajudasse.
Perguntou para uma das colegas de Dylan, que por sinal não simpatizava nem um pouco com sua pessoa. Mas, depois de encarar com um ar de superioridade, ela a informou que Dylan já havia saído, e mesmo o médico de Lauren sendo contra sua saída do hospital até ela ser liberada, ela foi atrás do garoto quer ele queira ou não.
Saiu do hospital pegando uma passagem pela escadaria. Só encontrou com um faxineiro, que não parecia dar a mínima com quem entrava ou saía. Seguiu o caminho que sempre o via tomar quando saía do hospital, ele provavelmente não estaria tão longe visto que saiu há poucos minutos.
Conseguiu encontrá-lo já virando a esquina, mas teria que se apressar se fosse mesmo querer alcançá-lo. Pelo jeito que ele andava, parecia bem desmotivado. Ele só tinha a irmã, e agora que a perdeu, é compreensível que fique abalado. Talvez sua intenção em ajudá-lo seja porque, no dia seguinte, iria rever Adam depois de tanto tempo, e depois disso, tomaria um rumo completamente diferente pra sua vida. Deve ter ficado no hospital por tanto tempo apenas para se despedir de uma vida normal, mesmo que não fosse tão próximo da normalidade. Sentiria falta do bom humor daquele tarado.
Percebendo um homem encapuzado se aproximando de Dylan com um estilete escondido nas mãos, Lauren se deu conta que ele sofreria um ataque ou, no mínimo, uma tentativa de assalto que era muito comum na cidade há noite. Não estava conseguindo ouvi-los conversar direito, mas Dylan não estava reagindo, ele estava entregando seus pertences os quais o ladrão havia se interessado, mas mesmo assim, o ladrão parecia estar fazendo isso pela primeira vez, estava afobado o suficiente e com isso tentou acertá-lo no rosto, mas por sorte ele desviou.
— Dylan!
Correu aumentando sua velocidade, o assaltante inexperiente olhou assustado segurando o estilete frente ao seu corpo, mas Lauren grudou firmemente em seu punho e o empurrou contra o chão, derrubando-o e ficando por cima do mesmo. Ele a socou no rosto, mas para a surpresa de Dylan, ela não pareceu sentir absolutamente nada. Ela retribuiu a pancada no rosto do homem, ainda o segurando para evitar que a atingisse com o estilete. Seu peito subia e descia. A adrenalina assim como em outras vezes que agiu por impulso, estava presente em seu corpo em uma descarga quase que incontrolável.
O homem arranhou sua bochecha esquerda, e ela por sua vez mordeu-lhe o dedo indicador forte o suficiente para a carne começar a sair em sua boca. Aproveitando que ele sentia dor e abriu uma brecha pra ela agir, retirou o estilete de sua mão e fincou em suas partes intimas. Dylan assistia tudo com uma expressão de assombro no rosto, olhando para ela, jamais esperaria que fosse tão agressiva.
Quando ela percebeu, já tinha o matado. Não, não tinha sequer notado que foi tão longe nesse ataque. Era apenas para assustá-lo e fazê-lo fugir. Como...?
— Você... O matou. — Dylan sussurrou, encarando surpreso.
Ela levantou-se, olhando para ele com cuidado, mas mantendo o mesmo olhar de sempre para não fazê-lo recuar. Era impossível fazê-lo entender... Ele jamais iria saber o que sentia nesses momentos. Nem mesmo ela sabia, mas seu peito doía ao vê-lo encará-la daquela maneira.
— Está com medo de mim, Dylan? — perguntou diretamente. Queria uma resposta sincera e rápida.
O olhar dele era preocupado, e talvez sentisse mesmo que pouco, uma pontada de pena. O rapaz sabia que ela jamais se tornaria assim sem motivos, e se assim se tornou, foi por uma razão mais forte.
— Não, não estou — respondeu, tentando parecer mais calmo — Mas você me pegou de surpresa. Temos que conversar. — ele sorriu fraco com um esforço muito grande, aproximando-se.
— Afaste-se... — pediu.
Por que ele era assim? Extremamente irritante e compreensivo? Pessoas normais não agem assim!
— Não. — a abraçou apertado, fazendo-a arregalar os olhos. Lauren não sentia alguém a abraçar assim há tanto tempo que até esqueceu-se o quão bom era. — Vamos embora, Lauren.
— Como assim?
— Você não pode matar e voltar pro hospital como se fosse só mais um dia normal em sua vida, não acha? — soltou mais uma de suas frases irônicas — Venha comigo. Vamos pra bem longe. Nós dois. Juntos. — olhou-a nos olhos firmemente, enquanto passava as mãos em seus braços.
Ir com Dylan? Mas... E Jeff, como irá reagir? Algo a diz que ele não irá aceitar isso facilmente. E tudo está acontecendo rápido demais. O que Dylan estava querendo?
— Nenhuma pessoa normal diria isso! — disse impedindo-o de tocá-la.
Ele a encarou calmamente.
— Você me salvou. E esteve ao meu lado esse tempo todo. Eu não tenho mais ninguém. E não acho que você seja essa pessoa sanguinária que pareceu. Ainda há um lado bom em você, que precisa ser salvo... E eu acredito que eu possa fazer isso.
O que era melhor? Aproveitar essa oportunidade única em viver com uma pessoa disposta a torná-la melhor, ou continuar ao lado daquela que só a afundará mais, porém que a tornará mais forte?
“A fraqueza de vocês é um ao outro”
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