Alone
15 Projeto

— Olá, Lauren. — sorriu de lado. — Não achei que fosse se lembrar de mim...
— O que faz aqui? — se levantou, encarando a garota.
— Eu estava visitando minha irmã...
— Lamento...
Direcionou seu olhar para as lápides que Lauren tanto mantinha sua atenção anteriormente.
— Você os conhece? — suspirou, lamentando.
— São minha família...ou o que restou dela.
Rebecca pareceu se deprimir com aquilo, juntando às sobrancelhas em um olhar sério e reprovador.
— Isso é terrível...como eles morreram?
— Os assassinaram. — respondeu, voltando a atenção às lápides — Foram mortos pelo meu tio... — soltou uma risada fraca e sarcástica, zombando de suas próprias dores.
— Lamento, Lauren... — abaixou a cabeça, com uma expressão tristonha.
— Agradeço mas...por que está assim?
— Você me salvou uma vez, e agora não consigo retribuir...
— E o que quer dizer com isso?
— Me diga o que fazer.
— O-o quê? — arqueou a sobrancelha, confusa.
— Eu posso te ajudar...se quiser.
— Me ajudar de que forma?
— Te ajudando a vingar a morte de sua família.
— Rebecca...do que está falando?
Era estranho pra Lauren ver a garota que tempo atrás havia ajudado, ali à sua frente, com uma proposta tão audaciosa. A expressão dela e o modo de falar também estavam alterados, diferente da última vez, ela não era uma mulher frágil e indefesa que não conseguia evitar o próprio estupro, estava bem mais confiante de si. Mas ainda era estranho o fato dela saber de seu proposito de vingança, ou como preferia dizer: justiça. Certamente, não era algo incomum alguém querer justiça após presenciar a morte de seus familiares, mas ela adivinhou isso com uma facilidade impressionante...
— Lauren, eu posso te ajudar, sempre estarei por perto e não te deixarei. Vou te ajudar...você confia em mim?
Ponderou antes de respondê-la.
— Rebecca...você não precisa retribuir nada. Eu fico feliz por ter te ajudado, mas esse assunto é pessoal, e além do mais, não te conheço o suficiente para confiar em você, sabe?
— Eu entendo, e farei o possível para ganhar sua confiança.
— O-obrigada... — agradeceu, desconfiada.
— Sei que é estranho pra você agora, mas terá uma hora que entenderá que tenho uma função importante em sua vida.
— Tem? — sorriu de lado, desafiadora. — E qual seria?
— Tenho. No momento certo saberá, não se preocupe com isso até lá.
— Se você diz... — deu de ombros.
— Acho que está na hora de eu ir...
— É, eu também. — respirou fundo, olhando pro céu. — Já teve a sensação de que algo vai acontecer, mas não sabe dizer se é bom ou ruim?
— O tempo todo...
— Sério?
— Sim, é desse modo que vivo.
— Então já se acostumou?
— Não...mas aceitei o fato que está fora de meu alcance. — abraçou seu corpo tentando se aquecer. — Está esfriando, esse clima muda de uma hora pra outra...
— É... — se virou para se despedir, se surpreendendo ao ver que ela já tinha se distanciado o suficiente para estar fora de seu alcance. A coincidência chegou a incomodá-la, mas não havia muito o que fazer...
O tempo estava de fato esfriando, o vento tortuoso invadira seu corpo um tanto descoberto, causando desconforto. Aquele vento chicoteava seus cabelos desalinhados, cobrindo seu rosto na direção em que as madeixas eram conduzidas. Entre os fios que atrapalhavam sua visão, pôde ver a garota sumindo de vista, tornando-se distante de seu observar. Mordia delicadamente os lábios secos, sentindo que aquela não seria uma despedida, algo que não sabia dizer se era bom ou ruim.
Olhou para o corvo tomando postura, voando fora de seu desfalque. Em um suspiro longo mostrou ternura e melancolia, saindo do cemitério anteriormente visitado. Direcionando-se para o carro, não pôde deixar de pensar em tudo que estava acontecendo. Isso gerava mudanças drásticas em seu comportamento e em sua personalidade no geral. Desde que saiu do manicômio, reviravoltas tornaram-se frequentes e incomodativas, mas não podia negar que passou a ser parte de sua vida, seja ela duradoura ou não.
***
Jeff condissera no sofá, enfadado. Já tinha saído em busca de uma nova vítima, mas por não ser uma localidade bem frequentada, não obteve sucesso até então. Estivera com um jornal em mãos, lendo as notícias sobre as mortes causadas por ele quando realizou a fuga do hospital psiquiátrico. Pelo visto, eles tiveram muitos prejuízos, além de ter gerado um incêndio matando muitos presentes, a maioria dos pacientes haviam fugido na mesma data determinada. Quanto ao doutor que Lauren havia ferido em seus olhos, Dominic Lawson, perdeu a visão devido a uma infecções bacteriana, talvez pelo fato da higiene do hospital não ser lá grandes coisas, além do contato que a mão da garota tinha com medicamentos e enfermeiros. Jeff The Killer continuou sendo uma lenda, e Jeffrey Woods, um dos criminosos mais procurados.
Sorriu, orgulhoso. Dobrou o jornal e jogou para um canto qualquer, pensando no que deveria fazer.
— Mal posso esperar para encontrar aquele desgraçado. — soltou uma breve risada, erguendo os braços e colocando as mãos sobre a nuca, de modo folgado.
— Falando sozinho, Woods? — perguntou Lauren, adentrando a cabana.
— É possível. — respondeu sem importância.
Ela olhou em volta, tentando ignorar a falta de organização, embora isso muito a incomodasse. Como Jeff conseguia viver em uma casa assim?! Não que fosse o maior problema dele, mas ainda assim, era abjeto.
— Onde eu vou ficar?
— Se vira.
— É sério, Jeff! Em qual quarto irei dormir?
— Escolha qualquer um, não me importo. — deu de ombros, se levantando.
— Jeff... — chamou, antes dele se retirar da sala empoeirada.
— Sim? — a fitou, com uma expressão entediada.
— Aquela foto...era de sua família, não é?
— Era.
— Por que a guarda?
— Meu pai gostava dessa cabana, trazia meu irmão e eu nos fins de semana até aqui. Depois que eu matei minha família, isso tornou meu esconderijo, gosto de ficar em um lugar onde ninguém me perturbe, assim consigo pensar melhor em como agir e atacar da melhor maneira.
— Entendo...seu pai guardava aquela foto?
Ele assentiu.
— Ele gostava de deixar algo que pudêssemos lembrar um dia, todas as casas onde nos hospedamos ele repetiu esse padrão. — bufou — Patético.
— Lamento por sua família...
— Lamenta pelo o quê? Fui eu que os matei, idiota.
— Sei disso...mas você não parece saber muito bem, você deve sentir falta deles as vezes.
— Não, não sinto. — franziu o cenho, sério — Não me faz falta, o que vivo hoje não é tão diferente do que vivia ao lado deles, isso é só questão de ponto de vista.
— Como consegue não sentir absolutamente nada?
— Mas eu sinto algo.
— O quê?
— Ódio. — e com isso, saiu do local, deixando-a na duvida.
Com sua blusa branca costumária e a cabeleira de intensa cor negra, ele se afastou entre os cômodos da casa, andando sem um destino ao certo, buscando algo para entreter.
Lauren, por sua vez, visitou a rústica morada, andando pelo bagunçado porém altamente encantador abrigo. Havia diversos quartos, muitos invadidos pela escuridão misteriosa que não se atrevera a chegar perto desde o último susto que passou na sala de jantar. Os corredores vazios permaneceram com o silêncio sibilino, cujo seus passos eram os únicos movimentos sonoros contraídos.
Após um pequeno período explorando os corredores, tocou a maçaneta de um aposento que a agradou, girando-a. A primeira coisa que fez ao abrir a porta foi acender a luz, que estava fraca o suficiente para iluminar somente alguns pontos de seu quarto improvisado. Entrou, trancando a porta. Mesmo não sendo similar à um lugar onde experienciara uma tranquila noite de sono, era o mais perto que chegaria em uma casa dividida com Jeff. Com os braços abertos, jogou-se sobre a cama de costas, sentindo seu corpo relaxar ao ter contato com o colchão de substância flexível. Com o cansaço adquirido, e a dor que ainda conquistava seu corpo, não demorou até seus olhos cansados começassem a se fechar, seus pensamentos tornaram-se calmos e o sono logo a dominou por completo.
No dia seguinte, acordou com um grito assustado, vendo alguém a puxá-la pela perna, indo parar no chão.
— Jeff! — gritou, furiosa. — Mas que diabos você pensa que está fazendo?
— Temos treino.
— Treino?! — esfregou seus olhos, olhando pro relógio. — Você me acordou às 04:00 pra um treino?
— Já dormiu o suficiente. Anda, levante-se.
O olhara expressando todos os xingamentos que passavam por sua cabeça.
— Que droga de treinamento é esse? — se levantou, mal humorada.
— Treinamento de combate. Você ainda tem muito o que aprender na hora de se defender e principalmente a atacar.
— Iremos lutar? Eu nem consegui me recuperar direito de ontem!
— Eu sei. — abriu um sorriso cínico.
— Você só está fazendo isso pra me torturar mais um pouco, não é?!
— Também. Mas você realmente tem que aprender a utilizar outras armas e trabalhar seus movimentos, e por esse motivo, venha logo antes que eu coloque fogo em você.
Ótimo jeito de começar o dia! — xingara em sua mente, aborrecida.
Continua...
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