Alone
4 Plano
– Vai ficar aí parada me encarando garota? Senta logo, não tenho todo o tempo do mundo.
Quanta delicadeza...– pensou revirando os olhos.
Jeff estava sentado com os braços cruzados, mostrando-se presunçoso. Havia três cadeiras, uma era a que ele se sentara e as outras duas estavam em sua frente com uma distancia mínima. Lauren se sentou na cadeira colocando seus braços lentamente sobre a mesa. Rachel fez o mesmo, sentando-se ao lado com as mãos sobre seu colo.
Ele as encarou por um tempo, parecia entendiado, mas depois aproximou seu corpo da mesa começando a falar em um tom baixo para que apenas elas pudessem entender.
– Primeiramente: peço que a enfermeira não abra a boca pra falar algo desnecessário enquanto estivermos tendo essa conversa, uma das câmeras fica em sua direção então não será difícil entender as asneiras que você fala. — disse virando seu olhar para Lauren — Escuta garota, quero deixar claro que pretendo sair daqui com ou sem sua ajuda, mas se me atrapalhar será facilmente descartada, você entendeu?
– Sim... — concordou em um tom baixo.
– Ótimo. Agora irei começar a falar as primeiras coisas que iremos precisar, então não me interrompa, nada me irrita mais.
Ela assentiu prestando atenção no que o rapaz dizia.
– Realizar uma fuga é algo que requer detalhismo e dedicação, não adianta abrir a porta de seu quarto e sair correndo pelos corredores, tem que planejar tudo antes, caso contrário será uma perda de tempo e mais uma ida pra solitária. A primeira coisa a se fazer é conseguir uma lista com os horários de cada um dos profissionais que trabalham aqui, se tivermos uma tabela poderemos organizar um expediente em que um dos corredores fique menos movimentado, e se podermos conhecer os médicos e enfermeiros poderemos saber o que fazer para mante-los longe até passarmos por lá. Teremos que passar por consultas pra mostrar os pacientes esforçados que somos, afinal, o que eu mais me arrependo nessa vida é de ter matado tantos inocentes. — disse em um tom irônico — Se os psiquiatras acharem que nossos comportamentos estão evoluindo positivamente começarão a permitir que participemos de mais refeições como essa e também de poder andar pelo jardim nos fundos, como os outros internos. Poder ir até o jardim nos dará uma visão de fora do prédio, podendo ter uma noção de quantos quartos tem, e do tamanho dos muros, fora as proteções que eles usam, como cercas elétricas. Até aqui está conseguindo acompanhar?
– Estou.
– Deixe-me continuar então. A enfermeira terá que conseguir descobrir o nome do arquiteto, que deve ter uma ficha junto com a de todos que trabalham ou já trabalharam um dia nesse inferno. Tem muitas salas possíveis pra se procurar, então será uma das etapas mais trabalhosas, terá que fazer o possível pra ter as chaves dos locais menos frequentados e ter acesso sem ser pega. Se conseguirmos descobrir o arquiteto, poderemos armar uma forma de conseguir a planta do hospital, então será fácil encontrar um ponto cego em que possamos fugir. Mas isso irá demorar, então até lá, se não conseguir nenhum resultado, tente procurar por saídas de emergência, deve ter mais de uma distribuída em um lugar amplo como esse. O próximo passo é conseguir alguma arma, algo pra nos defender, na minha preferência uma faca. Acho que o motivo disso já está óbvio, mas vou explicar: se um dos médicos ou seguranças tentarem nos barrar ou algum paciente nos atacar enquanto fugimos, precisaremos ter algo pra elimina-los.
– Mas eu nunca matei ninguém.
– Mas vai ter que matar ou passará o resto da vida aqui. Então, o que escolhe? — disse abrindo ainda mais seu sorriso perverso.
– Eu...
– Escuta garota, ou você mata pra ganhar sua liberdade ou morre sem nunca ter conseguido ela. Eu não dou a mínima pra sua vidinha medíocre, tão pouco o da sua amiga enfermeira. Só estou me aliando temporariamente à vocês porque não tenho escolha, mas não estou dizendo que depois disso irei ajuda-las, trate de saber lidar sozinha com seus problemas pois eu não sou nenhum anjo da guarda que ficará te protegendo o tempo todo. Pelo contrário, sou seu pior pesadelo. Não estou do seu lado, mas também não estou contra...até agora.
– Escuta, Jeffrey...eu nunca matei ninguém...mas já que não tem jeito...tudo bem, eu estou de acordo com seu plano até agora.
– Não esperava que você já tivesse matado, mas terá que aprender. Irei lhe ensinar como se defender, mas isso só dará mais trabalho... — disse insatisfeito — Enfermeira, aqui vai mais uma ordem pra você: encontre locais espaçosos onde possamos treinar sem sermos interrompidos. Busque onde quem se especializa na limpeza costuma ir, deve ser o suficiente. Até lá, pensarei em uma forma de conseguirmos treinar nesse local sem que saibam, entendeu?
– Certo.
– Por hoje é só! O horário de almoço já está acabando e não vou poder explicar o resto, então façam o que eu pedi até agora, e nos próximos dias iremos aperfeiçoar nosso plano de fuga. Espero que façam a parte de vocês e não sejam mais inúteis do que estão sendo até agora.
– Não é por nada não, mas eu detesto seu modo refinado de nos criticar. — disse Lauren, logo se arrependendo de ter falado assim com um psicopata como ele.
Ele riu, fazendo seus olhos se focarem nos dela. Ela sentiu um arrepio, uma sensação ruim...a frieza do rapaz não parecia nada humano. Dizem que os olhos são o espelho da alma, os de Jeff seriam melhor definidos como labirintos. Encara-lo era um desafio. Imaginou como suas vítimas sofreram em suas mãos, era triste ver o que o ser humano poderia se tornar, um poço de insensibilidade rudemente sofisticado. Um mente tão eficaz quanto a dele poderia ser utilizada de formas bem mais positivas, mas era evidente que ele desconhecia o significado de tal palavra.
– Perdoe a minha indelicadeza, senhorita. — disse em um tom sarcástico, que a irritava profundamente.
– Ok.
– Agora que entramos em um acordo, já posso considerar o fato de termos feito uma aliança suicida? Ou melhor...homicida?
– Acho que sim...obrigada Jeff.
– Jeff? Não lembro de ter permitido que me chamasse por algum apelido.
– Ahn...desculpa, devo te chamar de Jeffrey então?
– Não, me chame de Jeff.
Mas que cara irritante! – pensava a menina, com vontade de soca-lo ali mesmo.
– Tá bom, Jeff. Terminamos aqui então?
– Felizmente sim, agora saiam daqui.
– Perfeito! Rachel, eu gostaria de comer alguma coisa, vamos em outra mesa?
– Claro, vem.
Elas se levantaram procurando um lugar afastado. Rachel estava pensando em tudo que Jeff a pediu, estava começando a ter esperanças nessa fuga, e faria o possível pra que realizassem-a com sucesso. Lauren estava disposta a cumprir com o combinado, seguindo etapa por etapa calmamente pra que tudo saísse perfeitamente. Seria fácil? Não! Mas era algo que valeria a pena, mesmo que ela não concordasse com todos os métodos de Jeff, era o único jeito, e ela aceitaria isso. Ficou pensando que talvez com Jeff pudesse aprender a se defender...e a se vingar de alguém.
Continua...
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