Alone
1 Origem

Lauren Cresswell, 19 anos, estudante de jornalismo. Para alguém com um futuro tão promissor, era lamentável o estado em que se encontra. Deitada sobre o chão tentava mexer seu corpo preso sobre uma camisa de força. A menina chorava gritando desesperada, e tudo o que conseguia dizer em sua mente era: "Eu ainda não fiquei louca!"
Como ela foi parar em um hospital psiquiátrico? Bom, tudo começou à três meses atrás...
***
- Lauren querida, desce pro jantar.
- Já vou mãe. — respondeu a menina.
Saiu de seu quarto descendo até a sala. Viu seu irmão Andrew jogando vídeo game enquanto seu pai lia um jornal em sua poltrona. Sua mãe estava na cozinha preparando o jantar sorridente. Seu tio Adam iria os visitar, algo que fazia de modo anual. Era sempre uma festa quando ele os visitava, era muito alegre e engraçado, e sempre trazia presentes para a família.
Lauren foi até a cozinha e puxou a cadeira da mesa pra se sentar. Preferia ficar conversando com sua mãe do que ao lado de seu pai e irmão que estavam concentrados demais para dialogar. Quando chegou a cozinha sentiu algo estranho. Achou que era uma tontura qualquer, mas era um sentimento ruim...sua mãe não demorou pra perceber sua palidez, preocupando-se com seu bem estar.
- Lauren? Você está bem? Está tão pálida...
- Não foi nada mãe, só uma tontura...
- Sente-se querida, vou pegar um pouco de água pra você.
Sentou-se ainda tonta, vendo sua mãe se aproximar com um copo d'água.
- Aqui está. — disse entregando.
- Obrigada mãe...
A mulher olhou no relógio preocupada.
- Seu tio está demorando demais...
- Deve ter surgido algum imprevisto.
- É, deve ser... — disse forçando um sorriso à filha.
Meia hora depois, o jantar já estava pronto, mas nenhuma notícia de Adam. Começaram a se preocupar ligando incansavelmente para o homem, mas nenhum sinal de vida...até que alguém bateu na porta. O senhor Cresswell levantou-se indo abri-la. Ao abrir, teve a visão de um homem com capuz que cobria todo o seu rosto e trajava preto da cabeça aos pés.
- Posso ajudar?
O homem não respondeu, apenas o empurrou pra dentro fechando a porta. Andrew foi em direção à ele revoltado, mas o homem tirou de sua camisa uma faca, cortando a garganta do garoto e logo depois o empurrando para abrir passagem até o homem que estava sobre o chão. Cresswell ao ver o homem se aproximando tentou atingi-lo com socos ou chutes, mas ele era rápido, chutando seu estômago. Ficou por cima do homem, cravando a faca sobre o peito do mesmo. Olhou em sua volta, vendo se tinha mais alguém na residência.
-
Lauren estava com sua mãe no andar de cima da casa quando ouviu um barulho vindo da direção onde seu pai e irmão estavam.
- Mãe...o que foi isso? — perguntou a menina, sentindo a sensação estranha voltar ainda mais forte.
- Seu tio deve ter chegado, vamos lá ver. — disse pegando na mão de sua filha.
Elas abriram a porta e foram em frente a escada. Lauren viu o homem encapuzado em cima de seu pai já morto e o sangue em volta de seu corpo. Não conseguiu dizer nada, apenas olhou pra sua mãe que gritou aflita ao ver seu marido e filho naquele estado. O homem se levantou subindo às escadas em direção a elas que correram até o fim do corredor. A mãe da menina abriu a porta de seu quarto a trancando, e depois se virou pra ela com um olhar tristonho.
- M-mãe... — disse sentindo as lágrimas rolarem por seu rosto.
- Lauren...querida...
A mulher abraçou sua filha como forma de despedida, tudo o que conseguia pensar era em uma forma de salvar a única pessoa que ela amava e ainda estava viva.
Começaram a ouvir batidas fortes na porta de madeira, não demoraria muito para o assassino quebra-la entrando no quarto.
- Lauren, fica em baixo da cama...eu prometo que ele não lhe fará mau...
- Mas mãe...
- Vai logo filha...eu te amo!
- Eu...também te...amo.
Enfim, ele teve sucesso em arrombar a porta. Lauren se escondia de baixo da cama tampando sua boca para não fazer nenhum barulho. Ouviu sua mãe tentar jogar algo no homem, ela estava dando seu melhor pra protege-la. Sentia vontade de sair de seu esconderijo e lutar pela vida de sua mãe...a única pessoa que lhe restava. Mas não conseguia fazer nada que não fosse chorar e sentir seu corpo frágil tremer convulsivamente. A imagem do assassino em cima de seu pai, e seu irmão do lado com a garganta cortada não saia de sua cabeça. Que motivos alguém teria pra fazerem mal a sua família?
Depois de um tempo ouvindo as exclamações de dor de sua mãe, ouviu ela sendo jogada na cama a assustando. E então, o pior aconteceu...a faca atravessou sua cabeça de forma profunda, fazendo o sangue molhar o colchão respingando no rosto da menina que estava imóvel.
Minha mãe...está m-morta...e eu não fiz nada pra impedir... - pensava.
Quando o assassino tirou a faca de sua mãe, ouviu seus passos pelo quarto. Ele estendeu sua mão por baixo da cama puxando seu pé pra fora. Lauren gritava, se debatia, pedia socorro...mas não tinha ninguém ali pra lhe ajudar. Orava mentalmente pedindo que alguém a salvasse, pedindo pra que fosse apenas um sonho ruim, e que quando acordasse veria que não foi real, que ainda veria sua mãe, seu pai, seu irmão...sua vida.
Quando finalmente conseguiu puxar a garota debaixo da cama a jogou do lado de sua mãe, fazendo-a olhar seu corpo ensaguentado. Ela chorava por tristeza, ódio e revolta. Com seu olhar assustado sussurrava para sua mãe um "Eu te amo". Fechou os olhos esperando por sua morte, o que não aconteceu. O homem à sua frente tirou o capuz lentamente, o que a fazia se questionar o porquê dele estar fazendo isso agora. Foi quando ela se chocou...o homem que assassinou sua família era Adam Cresswell. Seu tio. A última pessoa que imaginaria ser capaz de fazer algo com sua família...sua própria família.
- Por que? Por que você fez isso? Seu desgraçado! Como pode? — gritava sem se importar com o que ele fizesse a seguir — Por que...?
Ele tirou de seu bolso um pano com clorofórmio nele. Lauren começou a se desesperar, tentou se levantar pra correr pra longe dali, mas foi impedida sendo novamente empurrada pra cama. Adam se aproximou da menina com o pano e a faca em mãos. Ele segurou sua mão fazendo-a segurar a faca contra sua vontade, e então colocou o pano em seu nariz fazendo-a desmaiar.
Quando acordou, ainda fraca, viu que estava em um veículo em movimento. Estava na parte de trás do carro, encostada sobre a janela. Seu olhar estava em direção as paisagens à fora, quando lembrou-se do que aconteceu se embravecendo. Virou seu rosto tendo a visão de dois policiais, quando estava entendendo a situação voltou a chorar silenciosamente sentindo algemas em seu pulso.
- O que aconteceu? Vocês o prenderam?
O que estava dirigindo ergueu seu rosto olhando pelo retrovisor, demonstrando antipatia.
- Fica quieta garota.
- M-mas meu tio matou minha família, vocês os prenderam? Por favor, digam alguma coisa. Onde estão me levando?
- Dá pra calar a boca?
- Mas...
O outro policial começou a se irritar com a discussão se virando para trás.
- Não se faça de inocente, você sabe muito bem que matou sua família e depois tentou suicídio.
- O quê? O que está falando? Onde está meu tio?
- O que você também tentou matar?
- Não, eu não matei ninguém, acreditem em mim. Meu tio, Adam Cresswell, matou meu irmão e meu pai e depois foi atrás de mim e minha mãe...
- Ah, é? E por que ele matou só a sua mãe?
- Eu não sei, eu lembro que ele colocou alguma coisa na minha mão e depois senti um cheiro forte e apaguei. Por favor, vocês tem que acreditar...
- Conta outra. — falou rindo.
- Eu não estou mentindo, vocês não vão procurar o verdadeiro assassino?
- Quem? Adam Cresswell?
- Sim.
- Esse nome não existe moça! Adam Cresswell só existe em sua cabeça.
- O que está dizendo? Que o meu tio não existe? Escuta, ele não só existe como matou minha família e está a solto por aí, vocês tem que fazer alguma coisa. — gritou.
- Engraçado, as únicas digitais encontradas na arma do crime foram as suas, e até provas físicas no corpo das vítimas.
O quê? — pensou com um olhar assustado.
- Não fui eu, eu sou inocente.
- É o que todos dizem, moça.
O carro parou ao chegar em frente a um grande portão.
- O que estamos fazendo aqui? Que lugar é esse?
- Um hospital psiquiátrico, hospício, manicômio...chame como quiser.
- O que estamos fazendo em um hospital psiquiátrico? — perguntou assustada.
Os policias abriram a porta do carro saindo e um deles foi à parte de trás tirar a menina. A puxou pra fora pelo braço rudemente a levando até alguns médicos e enfermeiros que estavam a esperando. Tirou as algemas dela enquanto um dos enfermeiros segurava uma injeção se aproximando. Ela tentou correr mesmo sabendo que era inútil. A seguraram estendendo seu braço para a aplicação da injeção, e tudo ficou preto novamente.
***
Já fazia o equivalente à três meses desde que estava naquele maldito hospício, mas pareciam anos. Quando tudo aconteceu seria seu último dia na cidade, logo iria se mudar e começar sua vida profissional da melhor forma possível. Nesse momento, era pra ela estar em Los Angeles aproveitando sua privacidade e começando a se estabilizar em seu novo emprego. Mas estava aqui, em um hospital psiquiátrico.
Ela não recebia nenhuma visita de parentes ou amigos, as poucas pessoas de sua família que sabiam o que ela estava passando, a viam como uma assassina que aparentava ser. Em raras ocasiões recebia cartas anônimas a chamando de monstro ou algumas de religiosos que achavam que ela poderia ter algum problema espiritual que suas crenças pudessem resolver.
Só tinha uma pessoa que ainda tinha fé em Lauren, sua amiga Rachel. Era a única que sabia exatamente o que era ser acusada por algo que não fez, história pela qual evitava contar. Quando soube que Lauren foi parar em um hospital psiquiátrico quis a ajudar, assim se prestando a trabalhar como uma das enfermeiras do lugar. Se encarregou de cuidar de sua amiga pessoalmente, a alimentando e dando os remédios regularmente, embora ela apenas fingisse que o tomava, já que não tinha nenhum distúrbio psicológico como a maioria pensara.
Passadas algumas semanas naquele lugar, Lauren e Rachel passaram a elaborar um plano de fuga. E melhor, um plano de vingança. Lauren não sabia o porquê de Adam Cresswell ter feito aquilo, muito menos a importava a essa altura, mas queria sair daquele inferno...e principalmente, desejava mais do que qualquer coisa efetuar sua vingança.
Vingança...essa palavra passou a ter um significado diferente em sua vida.
Há 3 meses atrás Lauren era uma garota meiga e divertida, saia com suas amigas todos os finais de semana e passava boa parte de seu tempo ao lado de sua família. Suas brigas com seu irmão, os conselhos de sua mãe, as lições de seu pai...nada disso importava mais. Tudo mudou, tudo mudou em um piscar de olhos. Tinha tudo, agora não tem nada. Agora Lauren não era mais a mesma de 3 meses atrás, essa Lauren era fria e impiedosa...de tanto a chamarem de louca, parece que ela se tornou uma.
Acabou ficando na solitária ao arrumar confusão com outras pacientes, mesmo que não fosse intencionalmente. Esperava Rachel trazer seu almoço deitada no chão. Antes ficar sozinha parecia um castigo, mas naquele lugar era mais um livramento. Viu alguém chegar tendo a visão da loira carregando sua comida. A comida daquele lugar era horrível, mas era isso ou morrer de fome.
- Como se sente Lauren?
- Péssima.
- Eu sei, mas aguente só mais um tempo, em breve você irá sair daqui, eu prometo.
Rachel a livrou da camisa de força para alimentar-se.
- Algum avanço no plano?
- Não, por enquanto. Mas tenho boas notícias.
- E quais são? — perguntou desanimadamente.
- Temos um paciente novo no hospital, e já tem um lugar especial na solitária. É um psicopata insano, um dos piores que já vi em todo esse tempo que trabalhei por aqui...se chama Jeffrey.
- E está me contando isso por que?
- Acho que ele é capaz de nos ajudar na fuga, e talvez até em sua vingança.
- Não quero que ele se envolva em meu plano, ele não tem nada a ver com isso.
- Mas pode te ajudar na fuga, isso já é meio caminho andando...pense bem nisso, pode nos ajudar.
A garota assentiu, desejava realizar essa fuga o quanto antes.
- Mas acha que ele iria nos ajudar? Que motivos ele tem pra isso?
- Não se preocupe, iremos pensar em alguma coisa pra chantageá-lo.
- É perigoso, não deveria se envolver nisso...
- Escuta, Lauren...eu irei te ajudar você querendo ou não, eu sei exatamente o que você está passando, e como sua amiga, jamais a abandonaria aqui. Sei que faria o mesmo por mim, então não me peça pra desistir depois de chegar até aqui.
- Tudo bem...me desculpa. Eu sou muito grata por ter você em minha vida, e espero um dia podermos viver nossas vidas de forma normal, como qualquer outra pessoa.
- Iremos, em breve. Agora tenho que ir, preciso medicar Jeff the killer.
- Jeff the killer?
- É como chamam esse tal de Jeffrey, guarde esse nome.
Continua...
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